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Sexo virtual

Fandom: Army

Criado: 30/05/2026

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Distância em Pixels e Batimentos Reais

A tela do laptop era a única fonte de luz no quarto escuro de Yoongi em Seul. O brilho azulado refletia em seu rosto pálido, destacando o suor que brilhava em sua testa e a respiração que, aos poucos, tentava encontrar um ritmo normal. Do outro lado do mundo, em um fuso horário completamente diferente, Maria Clara estava na mesma condição. A imagem dela na tela estava levemente borrada pela conexão instável, mas a intensidade no olhar dela atravessava qualquer fibra óptica.

Yoongi sempre fora cético em relação a intimidades mediadas por aparelhos. Para ele, o toque era essencial; o cheiro da pele de Maria, o peso do corpo dela contra o dele e a maneira como ele podia sentir a pulsação dela sob seus dedos eram coisas que nenhum algoritmo poderia replicar. No entanto, cinco dias longe dela — cinco noites de silêncio absoluto em uma cama grande demais — haviam quebrado sua resistência. Ele precisava dela, mesmo que fosse apenas através de pixels e áudio comprimido.

O silêncio que se seguiu ao clímax não era desconfortável, mas carregava uma melancolia doce. Yoongi ajeitou o aparelho, recostando-se na cabeceira da cama, os olhos fixos na figura de Maria Clara, que tentava recuperar o fôlego enquanto puxava o lençol para cobrir o corpo.

— Eu disse que não seria a mesma coisa — murmurou Yoongi, sua voz rouca e profunda, reverberando pelo microfone. — E eu estava certo. É pior, porque agora eu quero tocar você e não posso.

Maria Clara soltou um riso fraco, ajeitando uma mecha de cabelo que grudava em sua bochecha úmida.

— Pelo menos você parou de reclamar e admitiu que precisava disso tanto quanto eu, Yoongi. Olhe para você, ainda está tentando recuperar o fôlego.

Yoongi soltou um suspiro pesado, fechando os olhos por um momento. Ele conseguia fechar as pálpebras e, se fizesse força suficiente, quase podia imaginar que o calor que sentia no peito vinha dela, e não da adrenalina residual.

— Eu sinto falta de tudo — confessou ele, abrindo os olhos novamente. — Sinto falta do jeito que você reclama do frio do ar-condicionado e de como você se enrola em mim como se eu fosse um cobertor. Essa tela é uma tortura.

— Só faltam mais dois dias — disse Maria, tentando manter a voz firme, embora a saudade estivesse estampada em seu rosto. — Apenas quarenta e oito horas até você pousar.

— São quarenta e oito horas longas demais — respondeu ele, passando a mão pelo cabelo bagunçado. — Eu odeio que a tecnologia tenha que ser nossa ponte. Eu queria estar aí para limpar esse rastro de lágrima no seu rosto, não apenas ver pelo monitor.

Maria Clara tocou a própria bochecha, percebendo só agora que seus olhos haviam traído sua tentativa de parecer forte.

— Não são lágrimas de tristeza — disse ela, sorrindo docemente. — É só que... eu nunca pensei que pudesse me sentir tão conectada a alguém estando tão longe. Você me faz sentir coisas que eu nem sabia que existiam, Yoongi. Mesmo através de uma chamada de vídeo.

Yoongi sentiu o coração apertar. Ele não era um homem de muitas palavras quando se tratava de sentimentos expostos, preferindo as entrelinhas de suas composições, mas com Maria, as barreiras pareciam derreter.

— Eu tentei escrever hoje — começou ele, mudando levemente de assunto para não se deixar levar pela vontade de largar tudo e correr para o aeroporto naquele instante. — Mas todas as melodias pareciam vazias. Elas não tinham o seu ritmo.

— Você está dizendo que eu sou sua musa agora? — provocou ela, um brilho travesso voltando aos olhos. — Isso soa muito clichê para o grande Min Yoongi.

— O clichê existe porque é verdade — rebateu ele com um meio sorriso, aquele que apenas ela conseguia extrair. — Você é o ruído branco que acalma minha mente e, ao mesmo tempo, a nota que desestabiliza toda a minha música.

— Isso foi bonito — admitiu ela, a voz descendo para um sussurro. — Queria que você estivesse aqui para me dizer isso no ouvido.

— Eu vou dizer. Muitas vezes. Quando eu chegar, não vou deixar você sair da cama por pelo menos doze horas.

— Só doze? — Maria arqueou uma sobrancelha. — Acho que você está ficando velho, Yoongi.

Ele soltou uma risada curta, um som raro que aqueceu o coração dela do outro lado do oceano.

— Veremos quem vai implorar por uma pausa primeiro, Maria Clara. Eu tenho muita energia acumulada.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas observando um ao outro. Era um momento de intimidade pura, onde o desejo carnal dava lugar a uma conexão emocional profunda. Yoongi observava cada detalhe do rosto dela: a curva do nariz, a cor dos lábios, o brilho nos olhos que parecia refletir as estrelas que ele não conseguia ver da sua janela em Seul.

— Você está cansado? — perguntou ela, notando as sombras sob os olhos dele.

— Exausto — admitiu ele. — O estúdio tem me consumido, e a turnê está sendo preparada... mas nada me cansa mais do que essa distância.

— Vá dormir, Yoongi — pediu ela suavemente. — Não desligue a chamada. Deixe o laptop aí. Eu quero dormir vendo você.

— Você vai ficar acordada? — ele perguntou, preocupado com o fuso dela.

— Eu tenho algumas coisas para fazer, mas vou ficar aqui. Vou ser sua vigia noturna.

Yoongi sorriu, sentindo uma onda de paz o envolver. Ele se ajeitou sob as cobertas, posicionando o laptop de modo que ela pudesse ver seu perfil.

— Maria? — chamou ele, antes de fechar os olhos.

— Oi?

— Eu te amo. Mais do que qualquer letra de música poderia explicar.

— Eu também te amo, Yoongi. Vá descansar.

Ele fechou os olhos, e o som da respiração dela, transmitido pelos alto-falantes, tornou-se sua canção de ninar. A tecnologia, que ele tanto criticara horas antes, agora era seu único conforto.

Enquanto Yoongi caía em um sono profundo e sem sonhos, Maria Clara permanecia ali, observando o movimento rítmico do peito dele. Ela sabia que a distância era apenas física. O que os unia era algo que nenhum oceano, nenhum fuso horário e nenhuma tela de computador poderia enfraquecer.

Ela estendeu a mão e tocou a tela, exatamente onde o rosto dele estava posicionado.

— Logo — sussurrou ela para o quarto vazio. — Logo estaremos juntos de novo.

E no silêncio da noite, separados por milhares de quilômetros, dois corações batiam no mesmo compasso, aguardando o momento em que os pixels finalmente se transformariam em pele, e a saudade se tornaria apenas uma lembrança distante.
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