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O futuro

Fandom: Percy Jackson

Criado: 30/05/2026

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O Peso do Mundo e o Olhar de Cinza

A névoa mágica que envolvia a fogueira do Acampamento Meio-Sangue nunca tinha se comportado daquela maneira. Em vez de fumaça e faíscas, o fogo projetava imagens vívidas, como um cinema etéreo que capturava a atenção de todos os semideuses. Era o primeiro dia de Percy Jackson no acampamento; ele ainda se sentia um peixe fora d'água, um garoto com cheiro de mar que mal sabia segurar uma espada de bronze celestial.

Ao lado dele, Noah observava tudo com um semicerrado de olhos analítico. Noah era alto, com ombros largos de quem passava horas treinando arremesso de disco e natação, e possuía cabelos loiros que pareciam fios de ouro sob a luz do sol. Seus olhos, no entanto, eram de um cinza pálido, quase prateado — a marca inconfundível de sua mãe, Athena. Mas, ao contrário de sua irmã Annabeth, que exalava uma seriedade tática quase intimidadora, Noah parecia sempre prestes a soltar um comentário sarcástico.

— Se isso for um trailer da minha morte, espero que pelo menos eu esteja usando uma roupa bonita — comentou Noah, cruzando os braços e inclinando-se levemente em direção a Percy.

Percy soltou uma risada nervosa, sentindo o calor do ombro de Noah contra o seu. Eles eram amigos de infância, desde os tempos em que Percy achava que Noah era apenas um garoto estranhamente inteligente que o defendia dos valentões na escola.

— Acho que o foco não é você, Noah. Olha lá — Percy apontou para a imagem que se formava.

A fogueira brilhou intensamente e a primeira cena se materializou. Não era o Percy franzino de doze anos que eles viam, mas uma versão dele um pouco mais velha, com o rosto marcado pelo cansaço e pela dor. Ele estava de joelhos, e acima dele não havia nada além de uma massa opressiva de nuvens negras e o peso insuportável de toda a abóbada celeste.

Um silêncio sepulcral caiu sobre o acampamento. Annabeth, sentada a poucos metros de distância, inclinou-se para frente, os olhos arregalados. Ela conhecia a lenda. Ela sabia o que aquilo significava.

Na imagem, Percy sustentava o céu. Seus músculos tremiam, o suor escorria por seu rosto e seus olhos brilhavam com uma determinação que parecia desafiar os próprios deuses. O peso que deveria esmagar um imortal estava sendo carregado por um garoto.

— Por que ele está fazendo isso? — sussurrou um campista de Hermes, a voz trêmula.

— Para salvar alguém — Noah respondeu, sua voz perdendo o tom de piada pela primeira vez. Ele olhou de soslaio para o Percy "real" ao seu lado, que estava pálido. — Você sempre teve esse complexo de herói, Jackson. Mas carregar o céu? Isso é um exagero até para os seus padrões de drama.

— Eu nem sei como cheguei ali! — Percy protestou em voz baixa, embora sentisse um calafrio percorrer sua espinha ao ver o sofrimento em seu próprio rosto projetado.

A cena mudou bruscamente. Agora, o ambiente era o acampamento, mas parecia diferente — mais fortificado, mais tenso. Os campistas não olhavam para Percy com a desconfiança que tinham agora. Eles o olhavam com algo que beirava a reverência, mas temperada com uma familiaridade profunda.

Viram Percy caminhando pelo pavilhão de jantar. Um filho de Ares, geralmente bruto, parou para pedir sua opinião sobre uma nova estratégia de defesa. Uma filha de Afrodite sorriu para ele, não com flerte, mas com a confiança de quem sabe que está segura sob sua liderança. Havia uma harmonia estranha; Percy era o centro gravitacional daquele lugar.

— Eles confiam em você — observou Annabeth, sua voz soando um pouco mais ríspida do que o necessário. Ela olhou para Noah, que mantinha o braço passado casualmente pelo encosto do banco atrás de Percy. — Eles confiam cegamente.

— É o que acontece quando você não trata as pessoas como peças de um tabuleiro de xadrez, maninha — Noah retrucou, com um sorriso de canto. — O Percy tem esse jeito de "não sei o que estou fazendo", mas é exatamente isso que faz todo mundo querer segui-lo até o Tártaro. Ele é real.

Annabeth estreitou os olhos. Ela sempre se orgulhou de ser a estrategista, a mente brilhante do chalé seis. Ver Noah — que era tão inteligente quanto ela, mas que preferia gastar seu intelecto fazendo piadas e cuidando de Percy — defender o novato de forma tão possessiva a incomodava. Havia uma conexão entre os dois que ela não conseguia decifrar, uma intimidade de anos que ela, com toda a sua lógica, não conseguia replicar.

A terceira e última cena se formou. Era uma reunião no sótão da Casa Grande. Quíron estava presente, assim como os conselheiros seniores. Eles discutiam fervorosamente sobre um mapa, debatendo rotas, riscos e sacrifícios.

No canto da mesa, o Percy da projeção parecia estar em outro planeta. Ele girava uma caneta — Contracorrente — entre os dedos e olhava para uma mosca que zumbia perto da janela. Ele claramente não estava ouvindo uma palavra da discussão tática sobre a Guerra dos Titãs.

— ... e é por isso que o flanco esquerdo é um suicídio — disse a Clarisse da imagem, batendo a mão na mesa. — O que você acha, Jackson?

O Percy da imagem piscou, voltando à realidade. Ele olhou para o mapa por dois segundos, depois para os rostos ansiosos ao seu redor.

— Acho que se a gente for pelo túnel de serviço, a gente evita o exército principal e ainda consegue pegar um lanche no caminho — disse ele, com uma simplicidade desconcertante.

Houve um silêncio na projeção. Então, todos os líderes dos chalés assentiram.

— O túnel de serviço. É brilhante — murmurou um conselheiro. — Se o Percy diz que é o caminho, é o caminho. A palavra final é dele.

A imagem se desintegrou em fumaça, deixando o acampamento em um silêncio absoluto. Todos os olhos se voltaram para o garoto de doze anos que ainda não sabia nem como invocar a água dos banheiros.

— Bom — Noah quebrou o silêncio, dando um tapinha nas costas de Percy —, parece que você vai ser um grande negócio por aqui, "Chefe". Mas não deixe isso subir à cabeça. Você ainda me deve cinco dracmas daquela aposta sobre o professor de matemática ser um monstro.

— Noah, eu acabei de me ver carregando o céu! — Percy exclamou, gesticulando freneticamente. — E por que todo mundo estava me perguntando o que fazer? Eu sou péssimo em tomar decisões!

— Você é péssimo em seguir ordens, o que é diferente — Noah corrigiu, seus olhos cinzas brilhando com uma afeição que ele tentava disfarçar com sarcasmo. — Você decide com o coração, Percy. Minha mãe odeia isso porque não dá para colocar em um gráfico, mas é por isso que funciona.

Annabeth levantou-se, cruzando os braços. O brilho da fogueira refletia o descontentamento em seu rosto.

— Uma decisão baseada apenas em instinto é um convite ao desastre — disse ela, olhando diretamente para Noah. — Você, como filho de Athena, deveria saber disso. Não deveria incentivá-lo a ser imprudente.

Noah levantou-se também, sua altura superando a da irmã. Ele deu um passo à frente, protegendo Percy de forma sutil.

— Eu sou um filho de Athena, Annabeth. Eu analiso os fatos. E o fato é: Percy Jackson tem algo que nenhum plano de batalha pode prever. Eu não o incentivo a ser imprudente. Eu o incentivo a ser ele mesmo. Talvez você esteja apenas irritada porque, no futuro, até você parece concordar com ele.

Annabeth abriu a boca para retrucar, mas as palavras pareceram falhar. Ela olhou para Percy, depois para o irmão, e sentiu uma pontada estranha no peito. Não era apenas sobre estratégia. Era sobre o modo como Noah olhava para Percy — como se o garoto fosse o centro de seu próprio universo, a única variável que realmente importava.

— Tanto faz — Annabeth resmungou, virando as costas. — Temos treinamento ao amanhecer. Tente não explodir o acampamento até lá, Percy.

Ela se afastou em direção ao chalé seis, mas Noah apenas riu baixo, voltando a se sentar ao lado de Percy.

— Ela gosta de você — Noah disse, embora houvesse um tom de possessividade em sua voz que Percy, em sua ingenuidade, não percebeu. — Ela só não sabe lidar com o fato de que eu te conheci primeiro.

— Você acha que aquilo tudo vai mesmo acontecer? — Percy perguntou, a voz pequena, olhando para as cinzas da fogueira. — O céu... a responsabilidade...

Noah estendeu a mão e, por um momento, hesitou antes de bagunçar o cabelo escuro de Percy.

— Eu não sei, fofinho. Mas se você tiver que carregar o céu, eu vou estar lá para te contar uma piada ruim enquanto você faz isso. Ou talvez eu apenas segure um lado para você.

Percy olhou para o amigo, sentindo uma onda de gratidão. Noah era o seu porto seguro em um mundo que acabara de se tornar perigoso e bizarro.

— Você é um idiota, Noah — Percy sorriu, sentindo o peso do futuro um pouco mais leve.

— Sou um idiota gênio — Noah corrigiu, piscando. — Agora vamos. Se a gente chegar no chalé antes do toque de recolher, eu te ensino como usar o sarcasmo para desarmar um filho de Ares. É uma habilidade de sobrevivência essencial.

Enquanto caminhavam sob as estrelas, Percy não pôde deixar de notar que, embora o futuro parecesse assustador, ter Noah ao seu lado tornava tudo parecia uma aventura que ele estava disposto a enfrentar. E, de longe, Annabeth observava os dois, sentindo que aquela amizade — ou o que quer que estivesse florescendo ali — seria a força mais imprevisível de todo o Olimpo.
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