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Ciúmes do melhor amigo
Fandom: Bts
Criado: 30/05/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoCiúmesCenário CanônicoFatias de Vida
O Silêncio que Grita
A chuva batia rítmica contra o vidro da janela do apartamento, mas o som não era suficiente para abafar a tensão que pairava na sala. Jungkook andava de um lado para o outro, as mãos enfiadas nos bolsos do moletom preto, enquanto S/N permanecia sentada no sofá, folheando uma revista que claramente não estava lendo.
— Você não acha que passou do limite? — perguntou Jungkook, parando subitamente diante dela. Sua voz estava carregada de uma frustração que ele vinha alimentando há horas.
S/N levantou os olhos, a expressão gélida.
— Do que exatamente você está falando, Jungkook?
— De você e do Taehyung no ensaio de hoje! — Ele explodiu, gesticulando com as mãos. — Eu vi como vocês estavam. Rindo de piadas internas, cochichando... parecia que eu nem estava na sala. Ele é meu melhor amigo, eu sei, mas você é minha namorada. Existe uma linha, S/N.
S/N fechou a revista com um estalo seco e se levantou. Ela sentia o sangue ferver. Não era a primeira vez que o ciúme possessivo de Jungkook criava um monstro onde só existia amizade. Taehyung era como um irmão para ela, alguém que a acolhera desde o início do namoro e que compartilhava o mesmo senso de humor peculiar.
— A única pessoa que está cruzando uma linha aqui é você — rebateu ela, a voz baixa, porém afiada. — O Taehyung estava me contando sobre a nova composição dele. Estávamos sendo amigos. Se você se sente inseguro a ponto de não suportar ver sua namorada conversando com seu melhor amigo, o problema é seu, não meu.
— Inseguro? Eu não estou inseguro! — Jungkook riu, um som sem humor. — Eu só estou cansado de ver vocês dois agindo como se tivessem um mundo só de vocês.
— Quer saber? — S/N deu um passo à frente, encarando-o nos olhos. — Eu cansei de me explicar por coisas que eu não fiz. Você quer motivo para ficar bravo? Então eu vou te dar um motivo.
Ela passou por ele, trombando propositalmente em seu ombro, e caminhou em direção ao quarto.
— Aonde você vai? — Jungkook gritou. — Temos o jantar com os meninos daqui a pouco! O Jin preparou tudo!
— Eu vou me arrumar — respondeu ela, sem olhar para trás. — E eu vou ao jantar. Mas não espere que eu seja a companhia que você quer.
O trajeto até a casa dos membros foi feito em um silêncio sepulcral dentro do carro. Jungkook tentou segurar a mão dela duas vezes, mas S/N desviou o toque, fingindo estar ocupada com o celular. Ele suspirou pesado, sentindo o arrependimento começar a corroer sua raiva inicial, mas o orgulho ainda era grande demais para pedir desculpas.
Quando chegaram, o ambiente já estava animado. O cheiro de comida caseira de Jin preenchia o ar, e as risadas de Hoseok podiam ser ouvidas desde o corredor.
— Chegaram os nossos favoritos! — exclamou Jimin, abrindo a porta com um sorriso radiante.
S/N abriu o maior sorriso que conseguiu forjar e abraçou Jimin com entusiasmo.
— ChimChim! Que saudade! — disse ela, a voz doce e vibrante, ignorando completamente Jungkook que entrava logo atrás dela.
Jungkook franziu o cenho. Ela raramente o chamava por apelidos fofos na frente dos outros, e o tratamento caloroso dispensado a Jimin o pegou de surpresa.
— Entrem logo, a comida vai esfriar! — gritou Jin da cozinha.
A mesa estava farta. S/N sentou-se estrategicamente entre Taehyung e Namjoon, deixando o lugar vago ao lado de Jungkook para que ele tivesse que se sentar na ponta, ligeiramente isolado dela.
— Tae, você não imagina o que eu vi hoje! — S/N começou, tocando levemente no braço de Taehyung assim que se sentou. — Aquele vídeo que você me mandou do Yeontan... eu quase morri de rir!
Taehyung, alheio à tensão entre o casal, abriu um sorriso quadrado.
— Não é incrível? Ele está ficando cada dia mais atrevido. Ele tentou roubar minha meia hoje de manhã.
S/N soltou uma gargalhada genuína, inclinando-se para o lado de Taehyung. Jungkook, sentado a dois lugares de distância, apertou os hashis com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
— S/N, você queria que eu te passasse o molho? — Jungkook perguntou, tentando puxar assunto e quebrar o gelo.
S/N nem sequer virou o rosto. Ela continuou olhando para Taehyung.
— E a letra daquela música, Tae? Você conseguiu terminar a ponte? Eu adoraria ouvir como ficou.
— Na verdade, eu fiz uns ajustes — respondeu Taehyung, animado. — Posso te mostrar depois do jantar.
— Eu vou adorar — disse ela, ignorando completamente o prato de molho que Jungkook ainda segurava no ar, esperando um reconhecimento que não veio.
Namjoon, percebendo o clima estranho, pigarreou.
— Então, Jungkook, como foram os treinos hoje? Você parecia meio distraído no final.
Jungkook desviou o olhar de S/N, que agora conversava animadamente com Hoseok sobre uma nova coreografia, e olhou para o líder.
— Foi... produtivo, Namjoon-hyung. Só um pouco cansativo.
— Você parece tenso, cara — comentou Yoongi, observando o maknae por cima de sua taça de vinho. — Aconteceu alguma coisa?
Jungkook olhou para S/N. Ele queria dizer "Sim, minha namorada está me tratando como um fantasma", mas em vez disso, apenas balançou a cabeça.
— Só falta de sono.
Durante todo o jantar, S/N foi a alma da festa. Ela elogiou a comida de Jin excessivamente, discutiu filosofia com Namjoon, riu das piadas de Hoseok e, claro, manteve uma conversa constante com Taehyung. Para qualquer um que observasse, ela era a pessoa mais sociável da sala. Mas para Jungkook, ela era uma parede de gelo intransponível.
Sempre que ele tentava intervir na conversa, S/N convenientemente começava a falar com outra pessoa ou se levantava para ajudar Jin a buscar algo na cozinha. Era uma dança calculada de indiferença que estava deixando Jungkook louco.
— S/N, você viu o filme que eu te recomendei? — tentou Jungkook mais uma vez, aproveitando um breve momento de silêncio na mesa.
S/N virou-se para Jin, que estava sentado ao seu outro lado.
— Jin-oppa, essa carne está divina. Você usou algum tempero diferente hoje?
Jin, que não era bobo e já tinha entendido o que estava acontecendo, lançou um olhar de soslaio para um Jungkook devastado e respondeu:
— Usei um pouco de mel e alho, S/N. Que bom que gostou.
Jungkook sentiu um nó na garganta. O castigo dela era silencioso, mas barulhento o suficiente para quebrar seu coração em mil pedaços. Ele sabia que tinha errado, que seu ciúme tinha sido infundado, mas a indiferença dela doía mais do que qualquer grito ou discussão.
Após o jantar, o grupo se mudou para a sala de estar. Taehyung pegou seu celular para mostrar a S/N as novas demos em que estava trabalhando. Eles se sentaram no tapete, as cabeças próximas enquanto dividiam um par de fones de ouvido.
Jungkook observava do sofá, sentado ao lado de Yoongi. Ele não conseguia mais disfarçar a tristeza em seu olhar.
— Você sabe que ela está fazendo isso de propósito, não sabe? — sussurrou Yoongi, sem tirar os olhos da TV.
— Eu sei — respondeu Jungkook, a voz falha. — E está funcionando. Eu me sinto um lixo.
— Então peça desculpas, seu idiota. E pare de ter ciúmes do Taehyung. Ele gosta dela como uma irmã, e ela só tem olhos para você... bem, normalmente ela tem.
Jungkook bufou, sentindo-se pequeno. Ele viu S/N rir de algo que Taehyung disse e, por um momento, a raiva tentou voltar, mas foi rapidamente substituída por uma saudade avassaladora do sorriso dela direcionado a ele.
— S/N? — Jungkook chamou, desta vez mais alto, levantando-se.
Ela não respondeu. Continuou balançando a cabeça no ritmo da música que ouvia com Taehyung.
Jungkook caminhou até onde eles estavam e parou na frente dela, bloqueando a visão da tela do celular. Taehyung olhou para cima, confuso, e tirou um dos fones.
— Oi, JK? Quer ouvir também?
Jungkook não olhou para o amigo. Seus olhos estavam fixos em S/N, que agora olhava para os próprios joelhos, recusando-se a fazer contato visual.
— S/N, podemos conversar? Por favor? — A voz de Jungkook era quase um sussurro suplicante.
Ela finalmente levantou o olhar, mas seus olhos estavam vazios de qualquer emoção calorosa.
— Eu estou ocupada agora, Jungkook. O Taehyung está me mostrando algo importante.
— Por favor — insistiu ele, estendendo a mão. — Só cinco minutos. Lá fora.
S/N suspirou, um som de puro tédio. Ela olhou para Taehyung.
— Espera um pouco, Tae? Eu já volto para terminarmos de ouvir.
— Claro, sem problemas — disse Taehyung, sentindo a eletricidade no ar e querendo sumir dali o mais rápido possível.
S/N se levantou e seguiu Jungkook até a varanda do apartamento. O ar da noite estava frio, e ela cruzou os braços sobre o peito, mantendo uma distância segura dele.
— O que foi? — perguntou ela, o tom seco.
Jungkook fechou a porta de vidro atrás deles, isolando-os do resto do grupo. Ele olhou para ela por um longo tempo, as palavras presas em sua garganta. A luz da lua refletia nos olhos dele, que começavam a brilhar com lágrimas não derramadas.
— Eu sinto muito — ele finalmente disse. — Eu fui um idiota completo hoje cedo. E nos últimos dias também.
S/N não disse nada, apenas continuou observando-o.
— Eu sei que o Taehyung é seu amigo. Eu sei que ele é meu irmão. Eu só... — Ele passou a mão pelo cabelo, frustrado. — Às vezes, eu vejo vocês dois tão em sintonia e eu sinto medo. Medo de que você perceba que ele é mais divertido, que ele te entende melhor, que ele não é um cara complicado e ciumento como eu.
— Jungkook... — ela começou, mas ele a interrompeu.
— Não, deixa eu terminar. Eu sei que meu ciúme é tóxico e que eu acabo te afastando em vez de te proteger. Ver você me ignorando a noite toda... foi a pior sensação do mundo. Eu preferia que você tivesse gritado comigo, que tivesse me batido, qualquer coisa. Mas esse silêncio? Ver você rindo com todo mundo e me tratando como se eu nem existisse... eu não aguento isso.
S/N sentiu o coração amolecer. Ela sabia que o castigo tinha sido duro, mas era necessário para que ele entendesse a gravidade de suas ações. No entanto, ver Jungkook tão vulnerável e honesto sempre era sua fraqueza.
— Você tem razão, Jungkook — disse ela, a voz um pouco mais suave. — O silêncio dói. E dói em mim também ter que agir assim. Mas eu precisava que você sentisse o que é ser excluído da vida da pessoa que você ama por causa de uma paranoia sem sentido.
— Eu entendi — disse ele, dando um passo cauteloso em direção a ela. — Eu juro que entendi. Eu vou trabalhar nisso. Eu vou confiar mais em nós. Só... por favor, fala comigo. Não me ignora mais.
S/N olhou para ele, vendo o garoto que ela amava por trás da fachada de ídolo mundial. O garoto que, apesar de toda a fama, ainda era inseguro sobre o amor dela.
— Você foi um idiota — repetiu ela.
— Eu fui — admitiu ele, agora a poucos centímetros dela.
— E você vai ter que compensar o Jin por ter estragado o clima do jantar dele.
— Eu compro o que ele quiser. Faço a limpeza da casa dele por um mês.
S/N soltou um pequeno sorriso, o primeiro da noite direcionado a ele. Jungkook sentiu como se um peso de mil quilos tivesse sido tirado de seus ombros.
— Vem aqui — disse ela, abrindo os braços.
Jungkook não hesitou. Ele a envolveu em um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela, respirando o perfume que tanto sentira falta durante aquelas horas de tortura silenciosa.
— Eu te amo — ele murmurou contra a pele dela. — E eu odeio o Taehyung.
S/N deu um tapa leve nas costas dele, rindo.
— Jungkook!
— Brincadeira! — Ele se afastou um pouco, sorrindo, embora seus olhos ainda estivessem vermelhos. — Eu amo o Tae. Só amo você muito mais.
— Acho bom — disse ela, segurando o rosto dele entre as mãos. — Agora, vamos voltar lá para dentro. Mas se você fizer aquela cara de emburrado de novo quando eu falar com o Jimin, eu juro que passo o resto da semana sem falar com você.
Jungkook estremeceu, genuinamente assustado com a ameaça.
— Prometo ser o namorado mais sociável e compreensivo da história do K-pop.
Eles voltaram para a sala de mãos dadas. O clima mudou instantaneamente. Os outros membros, que fingiam estar muito interessados na televisão, relaxaram visivelmente.
— Finalmente! — exclamou Hoseok. — Eu já não aguentava mais esse clima de funeral.
— O casal real fez as pazes? — perguntou Yoongi, com um sorriso de canto.
Jungkook sentou-se no sofá e puxou S/N para o seu colo, abraçando-a pela cintura, marcando seu território, mas desta vez com um sorriso no rosto.
— Sim, hyung. Fizemos.
Taehyung olhou para eles e piscou para S/N.
— Então, S/N, quer terminar de ouvir a música ou o Jungkook vai ter um ataque cardíaco?
Jungkook riu, um som limpo e honesto.
— Pode mostrar, Tae. Eu também quero ouvir. Afinal, se minha namorada diz que é bom, eu sou o fã número um.
A noite continuou com risadas, música e a certeza de que, embora o ciúme pudesse ocasionalmente nublar a visão de Jungkook, o amor que eles compartilhavam era forte o suficiente para encontrar o caminho de volta através do silêncio. S/N sabia que ele teria que se esforçar, e Jungkook sabia que não podia vacilar. Mas ali, rodeados pelos amigos que eram sua família, eles sabiam que estavam exatamente onde deveriam estar.
E Jungkook, fiel à sua promessa, não soltou a mão de S/N pelo resto da noite, garantindo que, daquela vez, o único silêncio entre eles fosse o do conforto de estarem juntos.
— Você não acha que passou do limite? — perguntou Jungkook, parando subitamente diante dela. Sua voz estava carregada de uma frustração que ele vinha alimentando há horas.
S/N levantou os olhos, a expressão gélida.
— Do que exatamente você está falando, Jungkook?
— De você e do Taehyung no ensaio de hoje! — Ele explodiu, gesticulando com as mãos. — Eu vi como vocês estavam. Rindo de piadas internas, cochichando... parecia que eu nem estava na sala. Ele é meu melhor amigo, eu sei, mas você é minha namorada. Existe uma linha, S/N.
S/N fechou a revista com um estalo seco e se levantou. Ela sentia o sangue ferver. Não era a primeira vez que o ciúme possessivo de Jungkook criava um monstro onde só existia amizade. Taehyung era como um irmão para ela, alguém que a acolhera desde o início do namoro e que compartilhava o mesmo senso de humor peculiar.
— A única pessoa que está cruzando uma linha aqui é você — rebateu ela, a voz baixa, porém afiada. — O Taehyung estava me contando sobre a nova composição dele. Estávamos sendo amigos. Se você se sente inseguro a ponto de não suportar ver sua namorada conversando com seu melhor amigo, o problema é seu, não meu.
— Inseguro? Eu não estou inseguro! — Jungkook riu, um som sem humor. — Eu só estou cansado de ver vocês dois agindo como se tivessem um mundo só de vocês.
— Quer saber? — S/N deu um passo à frente, encarando-o nos olhos. — Eu cansei de me explicar por coisas que eu não fiz. Você quer motivo para ficar bravo? Então eu vou te dar um motivo.
Ela passou por ele, trombando propositalmente em seu ombro, e caminhou em direção ao quarto.
— Aonde você vai? — Jungkook gritou. — Temos o jantar com os meninos daqui a pouco! O Jin preparou tudo!
— Eu vou me arrumar — respondeu ela, sem olhar para trás. — E eu vou ao jantar. Mas não espere que eu seja a companhia que você quer.
O trajeto até a casa dos membros foi feito em um silêncio sepulcral dentro do carro. Jungkook tentou segurar a mão dela duas vezes, mas S/N desviou o toque, fingindo estar ocupada com o celular. Ele suspirou pesado, sentindo o arrependimento começar a corroer sua raiva inicial, mas o orgulho ainda era grande demais para pedir desculpas.
Quando chegaram, o ambiente já estava animado. O cheiro de comida caseira de Jin preenchia o ar, e as risadas de Hoseok podiam ser ouvidas desde o corredor.
— Chegaram os nossos favoritos! — exclamou Jimin, abrindo a porta com um sorriso radiante.
S/N abriu o maior sorriso que conseguiu forjar e abraçou Jimin com entusiasmo.
— ChimChim! Que saudade! — disse ela, a voz doce e vibrante, ignorando completamente Jungkook que entrava logo atrás dela.
Jungkook franziu o cenho. Ela raramente o chamava por apelidos fofos na frente dos outros, e o tratamento caloroso dispensado a Jimin o pegou de surpresa.
— Entrem logo, a comida vai esfriar! — gritou Jin da cozinha.
A mesa estava farta. S/N sentou-se estrategicamente entre Taehyung e Namjoon, deixando o lugar vago ao lado de Jungkook para que ele tivesse que se sentar na ponta, ligeiramente isolado dela.
— Tae, você não imagina o que eu vi hoje! — S/N começou, tocando levemente no braço de Taehyung assim que se sentou. — Aquele vídeo que você me mandou do Yeontan... eu quase morri de rir!
Taehyung, alheio à tensão entre o casal, abriu um sorriso quadrado.
— Não é incrível? Ele está ficando cada dia mais atrevido. Ele tentou roubar minha meia hoje de manhã.
S/N soltou uma gargalhada genuína, inclinando-se para o lado de Taehyung. Jungkook, sentado a dois lugares de distância, apertou os hashis com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
— S/N, você queria que eu te passasse o molho? — Jungkook perguntou, tentando puxar assunto e quebrar o gelo.
S/N nem sequer virou o rosto. Ela continuou olhando para Taehyung.
— E a letra daquela música, Tae? Você conseguiu terminar a ponte? Eu adoraria ouvir como ficou.
— Na verdade, eu fiz uns ajustes — respondeu Taehyung, animado. — Posso te mostrar depois do jantar.
— Eu vou adorar — disse ela, ignorando completamente o prato de molho que Jungkook ainda segurava no ar, esperando um reconhecimento que não veio.
Namjoon, percebendo o clima estranho, pigarreou.
— Então, Jungkook, como foram os treinos hoje? Você parecia meio distraído no final.
Jungkook desviou o olhar de S/N, que agora conversava animadamente com Hoseok sobre uma nova coreografia, e olhou para o líder.
— Foi... produtivo, Namjoon-hyung. Só um pouco cansativo.
— Você parece tenso, cara — comentou Yoongi, observando o maknae por cima de sua taça de vinho. — Aconteceu alguma coisa?
Jungkook olhou para S/N. Ele queria dizer "Sim, minha namorada está me tratando como um fantasma", mas em vez disso, apenas balançou a cabeça.
— Só falta de sono.
Durante todo o jantar, S/N foi a alma da festa. Ela elogiou a comida de Jin excessivamente, discutiu filosofia com Namjoon, riu das piadas de Hoseok e, claro, manteve uma conversa constante com Taehyung. Para qualquer um que observasse, ela era a pessoa mais sociável da sala. Mas para Jungkook, ela era uma parede de gelo intransponível.
Sempre que ele tentava intervir na conversa, S/N convenientemente começava a falar com outra pessoa ou se levantava para ajudar Jin a buscar algo na cozinha. Era uma dança calculada de indiferença que estava deixando Jungkook louco.
— S/N, você viu o filme que eu te recomendei? — tentou Jungkook mais uma vez, aproveitando um breve momento de silêncio na mesa.
S/N virou-se para Jin, que estava sentado ao seu outro lado.
— Jin-oppa, essa carne está divina. Você usou algum tempero diferente hoje?
Jin, que não era bobo e já tinha entendido o que estava acontecendo, lançou um olhar de soslaio para um Jungkook devastado e respondeu:
— Usei um pouco de mel e alho, S/N. Que bom que gostou.
Jungkook sentiu um nó na garganta. O castigo dela era silencioso, mas barulhento o suficiente para quebrar seu coração em mil pedaços. Ele sabia que tinha errado, que seu ciúme tinha sido infundado, mas a indiferença dela doía mais do que qualquer grito ou discussão.
Após o jantar, o grupo se mudou para a sala de estar. Taehyung pegou seu celular para mostrar a S/N as novas demos em que estava trabalhando. Eles se sentaram no tapete, as cabeças próximas enquanto dividiam um par de fones de ouvido.
Jungkook observava do sofá, sentado ao lado de Yoongi. Ele não conseguia mais disfarçar a tristeza em seu olhar.
— Você sabe que ela está fazendo isso de propósito, não sabe? — sussurrou Yoongi, sem tirar os olhos da TV.
— Eu sei — respondeu Jungkook, a voz falha. — E está funcionando. Eu me sinto um lixo.
— Então peça desculpas, seu idiota. E pare de ter ciúmes do Taehyung. Ele gosta dela como uma irmã, e ela só tem olhos para você... bem, normalmente ela tem.
Jungkook bufou, sentindo-se pequeno. Ele viu S/N rir de algo que Taehyung disse e, por um momento, a raiva tentou voltar, mas foi rapidamente substituída por uma saudade avassaladora do sorriso dela direcionado a ele.
— S/N? — Jungkook chamou, desta vez mais alto, levantando-se.
Ela não respondeu. Continuou balançando a cabeça no ritmo da música que ouvia com Taehyung.
Jungkook caminhou até onde eles estavam e parou na frente dela, bloqueando a visão da tela do celular. Taehyung olhou para cima, confuso, e tirou um dos fones.
— Oi, JK? Quer ouvir também?
Jungkook não olhou para o amigo. Seus olhos estavam fixos em S/N, que agora olhava para os próprios joelhos, recusando-se a fazer contato visual.
— S/N, podemos conversar? Por favor? — A voz de Jungkook era quase um sussurro suplicante.
Ela finalmente levantou o olhar, mas seus olhos estavam vazios de qualquer emoção calorosa.
— Eu estou ocupada agora, Jungkook. O Taehyung está me mostrando algo importante.
— Por favor — insistiu ele, estendendo a mão. — Só cinco minutos. Lá fora.
S/N suspirou, um som de puro tédio. Ela olhou para Taehyung.
— Espera um pouco, Tae? Eu já volto para terminarmos de ouvir.
— Claro, sem problemas — disse Taehyung, sentindo a eletricidade no ar e querendo sumir dali o mais rápido possível.
S/N se levantou e seguiu Jungkook até a varanda do apartamento. O ar da noite estava frio, e ela cruzou os braços sobre o peito, mantendo uma distância segura dele.
— O que foi? — perguntou ela, o tom seco.
Jungkook fechou a porta de vidro atrás deles, isolando-os do resto do grupo. Ele olhou para ela por um longo tempo, as palavras presas em sua garganta. A luz da lua refletia nos olhos dele, que começavam a brilhar com lágrimas não derramadas.
— Eu sinto muito — ele finalmente disse. — Eu fui um idiota completo hoje cedo. E nos últimos dias também.
S/N não disse nada, apenas continuou observando-o.
— Eu sei que o Taehyung é seu amigo. Eu sei que ele é meu irmão. Eu só... — Ele passou a mão pelo cabelo, frustrado. — Às vezes, eu vejo vocês dois tão em sintonia e eu sinto medo. Medo de que você perceba que ele é mais divertido, que ele te entende melhor, que ele não é um cara complicado e ciumento como eu.
— Jungkook... — ela começou, mas ele a interrompeu.
— Não, deixa eu terminar. Eu sei que meu ciúme é tóxico e que eu acabo te afastando em vez de te proteger. Ver você me ignorando a noite toda... foi a pior sensação do mundo. Eu preferia que você tivesse gritado comigo, que tivesse me batido, qualquer coisa. Mas esse silêncio? Ver você rindo com todo mundo e me tratando como se eu nem existisse... eu não aguento isso.
S/N sentiu o coração amolecer. Ela sabia que o castigo tinha sido duro, mas era necessário para que ele entendesse a gravidade de suas ações. No entanto, ver Jungkook tão vulnerável e honesto sempre era sua fraqueza.
— Você tem razão, Jungkook — disse ela, a voz um pouco mais suave. — O silêncio dói. E dói em mim também ter que agir assim. Mas eu precisava que você sentisse o que é ser excluído da vida da pessoa que você ama por causa de uma paranoia sem sentido.
— Eu entendi — disse ele, dando um passo cauteloso em direção a ela. — Eu juro que entendi. Eu vou trabalhar nisso. Eu vou confiar mais em nós. Só... por favor, fala comigo. Não me ignora mais.
S/N olhou para ele, vendo o garoto que ela amava por trás da fachada de ídolo mundial. O garoto que, apesar de toda a fama, ainda era inseguro sobre o amor dela.
— Você foi um idiota — repetiu ela.
— Eu fui — admitiu ele, agora a poucos centímetros dela.
— E você vai ter que compensar o Jin por ter estragado o clima do jantar dele.
— Eu compro o que ele quiser. Faço a limpeza da casa dele por um mês.
S/N soltou um pequeno sorriso, o primeiro da noite direcionado a ele. Jungkook sentiu como se um peso de mil quilos tivesse sido tirado de seus ombros.
— Vem aqui — disse ela, abrindo os braços.
Jungkook não hesitou. Ele a envolveu em um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela, respirando o perfume que tanto sentira falta durante aquelas horas de tortura silenciosa.
— Eu te amo — ele murmurou contra a pele dela. — E eu odeio o Taehyung.
S/N deu um tapa leve nas costas dele, rindo.
— Jungkook!
— Brincadeira! — Ele se afastou um pouco, sorrindo, embora seus olhos ainda estivessem vermelhos. — Eu amo o Tae. Só amo você muito mais.
— Acho bom — disse ela, segurando o rosto dele entre as mãos. — Agora, vamos voltar lá para dentro. Mas se você fizer aquela cara de emburrado de novo quando eu falar com o Jimin, eu juro que passo o resto da semana sem falar com você.
Jungkook estremeceu, genuinamente assustado com a ameaça.
— Prometo ser o namorado mais sociável e compreensivo da história do K-pop.
Eles voltaram para a sala de mãos dadas. O clima mudou instantaneamente. Os outros membros, que fingiam estar muito interessados na televisão, relaxaram visivelmente.
— Finalmente! — exclamou Hoseok. — Eu já não aguentava mais esse clima de funeral.
— O casal real fez as pazes? — perguntou Yoongi, com um sorriso de canto.
Jungkook sentou-se no sofá e puxou S/N para o seu colo, abraçando-a pela cintura, marcando seu território, mas desta vez com um sorriso no rosto.
— Sim, hyung. Fizemos.
Taehyung olhou para eles e piscou para S/N.
— Então, S/N, quer terminar de ouvir a música ou o Jungkook vai ter um ataque cardíaco?
Jungkook riu, um som limpo e honesto.
— Pode mostrar, Tae. Eu também quero ouvir. Afinal, se minha namorada diz que é bom, eu sou o fã número um.
A noite continuou com risadas, música e a certeza de que, embora o ciúme pudesse ocasionalmente nublar a visão de Jungkook, o amor que eles compartilhavam era forte o suficiente para encontrar o caminho de volta através do silêncio. S/N sabia que ele teria que se esforçar, e Jungkook sabia que não podia vacilar. Mas ali, rodeados pelos amigos que eram sua família, eles sabiam que estavam exatamente onde deveriam estar.
E Jungkook, fiel à sua promessa, não soltou a mão de S/N pelo resto da noite, garantindo que, daquela vez, o único silêncio entre eles fosse o do conforto de estarem juntos.
