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Ciúmes do melhor amigo

Fandom: Bts

Criado: 30/05/2026

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RomanceDramaAngústiaPsicológicoCiúmesEstudo de PersonagemCenário CanônicoDor/ConfortoConserto
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O Silêncio que Grita

A atmosfera no reservado do restaurante de luxo em Gangnam era, à primeira vista, de celebração. O BTS estava reunido para comemorar o sucesso de mais um projeto, e as risadas de Jin ecoavam pelo ambiente, preenchendo os espaços vazios entre o tilintar de talheres e taças de cristal. No entanto, para Jungkook, o ar parecia rarefeito, pesado demais para seus pulmões suportarem.

Ele estava sentado ao lado de S/N, mas a distância entre eles não podia ser medida em centímetros. Era um abismo forjado em uma briga feia na noite anterior, motivada, mais uma vez, pelo ciúme possessivo de Jungkook em relação à amizade dela com Taehyung. Agora, ele estava provando do próprio veneno: o gelo.

— Tae, você viu aquela exposição que abriu perto do Rio Han? — S/N perguntou, inclinando-se levemente para frente para olhar para Taehyung, que estava sentado do outro lado da mesa.

— Ah, a de arte contemporânea? — Taehyung sorriu, seus olhos brilhando com o interesse genuíno que sempre compartilhava com ela. — Eu estava pensando em ir amanhã. Você quer ir comigo?

— Eu adoraria! — S/N respondeu com um entusiasmo que Jungkook sabia ser, em parte, uma arma. — Estava precisando de algo inspirador para sair da rotina.

Jungkook apertou o copo de uísque com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Ele estava bem ali. Ele era o namorado dela. E, no entanto, S/N agia como se ele fosse uma cadeira vazia, ou pior, um fantasma incômodo.

— S/N, eu também queria ver essa exposição — Jungkook murmurou, tentando suavizar a voz, buscando uma brecha na armadura dela.

S/N nem sequer virou o rosto. Ela continuou rindo de algo que Jimin disse logo em seguida, comentando sobre como a comida estava maravilhosa.

— Jimin-ah, você precisa provar esse wagyu — disse ela, pegando um pedaço com os hashis e colocando no prato do amigo. — É o seu favorito, não é?

— Obrigado, S/N! Você é um anjo — Jimin agradeceu, lançando um olhar de soslaio para Jungkook, percebendo a tensão que emanava do mais novo.

Jungkook sentiu o estômago revirar. O "castigo" dela estava sendo executado com uma precisão cirúrgica. Ela falava com Namjoon sobre livros, ria das piadas de Yoongi e até ajudava J-Hope a escolher uma sobremesa, mas para ele, não havia uma palavra, um toque ou um olhar.

A cada minuto que passava, a insegurança de Jungkook crescia, alimentando o monstro do ciúme que ele tentava, sem sucesso, manter enjaulado. Ele odiava como Taehyung parecia tão confortável com ela. Odiava como eles tinham piadas internas que ele não entendia. E, acima de tudo, odiava saber que ele mesmo tinha causado aquele distanciamento com suas acusações infundadas na noite anterior.

— Eu vou ao banheiro — Jungkook anunciou, levantando-se abruptamente.

Ninguém pareceu notar, exceto talvez por Jin, que lhe lançou um olhar de preocupação. S/N continuou conversando animadamente com Taehyung sobre uma nova técnica de fotografia.

No banheiro, Jungkook jogou água fria no rosto. Ele se encarou no espelho, as pupilas dilatadas pela frustração.

— Controle-se, Jeon — sussurrou para si mesmo. — Você errou. Ela está brava. Só... aguente.

Mas quando ele voltou para a mesa, a cena que encontrou foi o estopim para sua sanidade já fragilizada. Taehyung estava com o braço apoiado no encosto da cadeira de S/N, aproximando-se para sussurrar algo no ouvido dela que a fez soltar uma gargalhada alta e genuína. A mão dela repousava levemente no antebraço de Taehyung enquanto ela ria.

O sangue de Jungkook ferveu. A lógica desapareceu, substituída por aquela possessividade cega que sempre o metia em problemas. Ele caminhou até a mesa, mas em vez de se sentar, parou atrás de S/N.

— S/N, precisamos ir — disse ele, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade que ele não tinha o direito de exercer naquele momento.

Ela finalmente olhou para ele, mas não havia amor ou arrependimento em seus olhos. Apenas um frio glacial.

— Eu não terminei meu jantar, Jungkook — respondeu ela, voltando-se para Taehyung imediatamente. — Então, Tae, como eu dizia, a iluminação daquela galeria é perfeita para fotos em preto e branco.

— S/N, eu estou falando com você — Jungkook insistiu, a mão agora pousada no ombro dela, apertando um pouco mais do que o necessário.

Taehyung percebeu a mudança no clima e pigarreou, tentando amenizar a situação.

— Ei, JK, relaxa um pouco. Estamos apenas conversando.

— Eu não perguntei nada a você, Taehyung — Jungkook disparou, os olhos faiscando. — S/N, levante-se. Agora.

A mesa ficou em silêncio absoluto. Namjoon, percebendo que as coisas estavam saindo do controle, interveio.

— Jungkook, senta. Você está criando uma cena.

— Eu estou criando uma cena? — Jungkook riu, uma risada seca e sem humor. — Ela está me ignorando a noite toda e agindo como se estivesse em um encontro com o Taehyung na minha frente!

S/N levantou-se lentamente. Ela não parecia intimidada; parecia exausta.

— Eu não estou em um encontro com o Taehyung, Jungkook — disse ela, sua voz calma sendo mais cortante do que qualquer grito. — Eu estou em um jantar com meus amigos. O fato de você não conseguir suportar que eu tenha uma vida social fora da sua sombra é o problema.

— Você está sendo desrespeitosa! — ele exclamou, deixando o ciúme falar mais alto que a razão. — Olhe para como você toca nele, para como você olha para ele!

— Eu olho para ele como o amigo que ele é! — S/N rebateu, dando um passo à frente. — O mesmo amigo que você acusa toda vez que quer descontar sua insegurança em mim. Eu cansei disso, Jungkook. Eu tentei te mostrar como é ser ignorado, como é ser tratado como se não importasse, mas você não aprendeu nada. Você só ficou mais agressivo.

— Porque eu te amo! — ele gritou, atraindo a atenção de outras mesas, apesar do esforço dos seguranças em manter a privacidade.

— Não, isso não é amor — S/N disse, a voz agora embargada, mas firme. — Isso é controle. E eu não sou algo que você possa controlar.

Ela pegou sua bolsa, sem olhar para trás.

— Taehyung, você pode me levar para casa? — perguntou ela.

Taehyung olhou de S/N para Jungkook, hesitando por um segundo diante da fúria no rosto do amigo, mas ao ver as lágrimas contidas nos olhos de S/N, ele se levantou.

— Claro, S/N. Vamos.

— Você não vai com ele! — Jungkook tentou segurar o braço dela, mas foi impedido por Yoongi e Namjoon, que se levantaram rapidamente.

— Deixa ela ir, Jungkook — Yoongi disse, segurando o ombro do mais novo com firmeza. — Você já fez estrago suficiente por uma noite.

Jungkook assistiu, paralisado pela própria raiva e por uma súbita e avassaladora onda de arrependimento, enquanto S/N saía do restaurante acompanhada por Taehyung. O silêncio que se seguiu na mesa era ensurdecedor.

— Você realmente não entende, não é? — Jin comentou, suspirando enquanto deixava os hashis de lado. — Ela não estava te punindo porque queria te magoar. Ela estava tentando te mostrar o limite. E você acabou de saltar do penhasco.

Jungkook caiu de volta na cadeira, cobrindo o rosto com as mãos. O cheiro do perfume dela ainda pairava no ar ao seu redor, uma lembrança dolorosa do que ele estava prestes a perder. Ele queria correr atrás dela, implorar por perdão, dizer que o ciúme era apenas o medo de perdê-la para alguém melhor, alguém mais calmo, alguém como Taehyung.

Mas ele sabia que, desta vez, palavras não seriam suficientes. O silêncio de S/N tinha sido um aviso. O grito dele tinha sido a ruptura.

— Eu estraguei tudo — sussurrou ele entre os dedos.

— Sim, estragou — Namjoon concordou, sentando-se ao lado dele. — Mas a questão agora não é o quanto você está sofrendo. É o quanto você está disposto a mudar para que ela não precise mais se proteger de você.

Jungkook olhou para a porta por onde ela saiu. O ciúme ainda queimava como uma brasa em seu peito, mas a frieza da ausência dela era um incêndio muito maior. Ele percebeu, tarde demais, que ao tentar segurá-la com tanta força para que ela não partisse, ele mesmo tinha sido o vento que a empurrou para longe.

— Eu preciso falar com ela — disse Jungkook, levantando-se novamente, mas desta vez sem a agressividade de antes. Havia apenas um desespero silencioso.

— Dê tempo a ela — aconselhou Jimin, com a voz suave. — Se você for agora, com esse sangue quente, só vai piorar as coisas. Deixe ela respirar. E você... tente aprender a respirar sem querer controlar o ar dela.

Jungkook assentiu levemente, embora cada fibra de seu ser quisesse correr pelas ruas de Seul atrás daquele carro. Ele se sentou novamente, encarando o prato intocado de S/N. A noite que deveria ser de celebração havia se tornado o cenário de sua maior derrota. E o pior de tudo era saber que o inimigo contra o qual ele tanto lutava não era Taehyung, mas o reflexo que ele via no espelho todas as manhãs.
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