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O Hyung cuida de você

Fandom: Stray Kids

Criado: 30/05/2026

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Frequências em Desarmonia

O relógio digital na parede do estúdio marcava pouco mais de duas da manhã. O brilho azulado dos números era a única fonte de luz além dos três monitores gigantescos que dominavam a mesa de som de Bang Chan. O silêncio do prédio da empresa a essa hora era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido constante dos equipamentos de refrigeração e pelo clique rítmico do mouse de Chan.

Aos vinte e oito anos, Christopher Bang era o produtor de ouro da indústria. Sua mente trabalhava em camadas de graves, sintetizadores e harmonias que definiam o topo das paradas. Mas, ultimamente, sua maior inspiração — e sua maior distração — tinha nome, sobrenome e uma voz que parecia feita de veludo e mel: Kim Seungmin.

A porta do estúdio rangeu suavemente. Chan não precisou se virar para saber quem era. O perfume cítrico e suave de Seungmin sempre chegava antes dele.

— Ainda aqui, Channie-hyung? — A voz do trainee de vinte anos soou baixa, carregada de uma timidez que Chan sabia ser apenas uma fachada para a personalidade mordaz e determinada que o rapaz possuía.

Chan girou a cadeira de couro, soltando um suspiro cansado que se transformou em um sorriso instantâneo ao ver a figura alta e esguia na porta. Seungmin usava um moletom cinza largo demais para ele e calças de treino, os cabelos castanhos levemente bagunçados depois de horas na sala de dança.

— O comeback do grupo novo não vai se produzir sozinho, Minnie — respondeu Chan, estendendo a mão. — Mas eu já estava perdendo o juízo com esse refrão. O que faz aqui tão tarde? O toque de recolher do dormitório dos trainees não foi há duas horas?

Seungmin caminhou calmamente pelo estúdio, ignorando a mão estendida de Chan para contornar a mesa e parar logo atrás da cadeira dele.

— As regras são para quem não sabe passar despercebido pelos seguranças — disse Seungmin, inclinando-se para apoiar o queixo no ombro de Chan. — E eu senti sua falta.

Chan sentiu o corpo tencionar. Eles estavam namorando há seis meses, um segredo guardado a sete chaves entre as paredes de apartamentos discretos e estúdios trancados. A diferença de idade e de posição na empresa era um campo minado, mas a conexão entre eles era algo que Chan nunca havia experimentado. Seungmin era centrado, sério e, sob aquela aparência de bom moço, escondia uma audácia que frequentemente deixava o produtor sem fôlego.

— Você é perigoso, sabia? — Chan murmurou, virando o rosto para que seus lábios roçassem a bochecha do mais novo.

— Eu sou apenas um trainee dedicado querendo aprender com o melhor produtor da Coreia — Seungmin sussurrou, a voz subitamente mais grave.

Ele se afastou do ombro de Chan, mas em vez de se sentar no sofá ao fundo, ele começou a caminhar lentamente pelo estúdio, observando os equipamentos. Seus dedos longos deslizaram sobre a mesa de mixagem, parando propositalmente em alguns botões que ele sabia que não deveria tocar.

— Seungmin, cuidado com os faders, eu acabei de equilibrar o volume — avisou Chan, embora sua voz não tivesse autoridade nenhuma.

Seungmin não parou. Ele contornou a mesa e parou na frente de Chan, entre as pernas abertas do produtor. Ele se inclinou para frente, apoiando as mãos nos braços da cadeira, prendendo Chan ali.

— Você trabalha demais, hyung — disse Seungmin, os olhos fixos nos de Chan. — Às vezes eu acho que esses monitores recebem mais atenção do que eu.

— Isso não é verdade e você sabe disso — Chan rebateu, sentindo o calor subir pelo pescoço.

— É mesmo? — Seungmin arqueou uma sobrancelha. Ele se aproximou ainda mais, o rosto a poucos centímetros do de Chan. — Então prove.

— Seungmin... estamos no estúdio. Alguém pode aparecer para fazer uma checagem de segurança.

— Eu vi o guarda no térreo, ele está dormindo profundamente — Seungmin levou uma das mãos ao peito de Chan, sentindo o coração do mais velho bater acelerado sob a camiseta preta. — E você mesmo disse que o prédio está vazio.

O trainee deslizou a mão para cima, segurando a nuca de Chan e puxando-o para um beijo. Não foi um beijo suave como os que costumavam trocar nas despedidas. Foi exigente, carregado de uma fome que vinha crescendo há semanas. Chan gemeu baixo contra os lábios de Seungmin, suas mãos encontrando a cintura fina do rapaz e puxando-o para mais perto, eliminando qualquer espaço.

Seungmin se separou por um segundo, os lábios úmidos e os olhos brilhando com uma intensidade que fez as entranhas de Chan se revirarem.

— Eu quero que seja aqui — sussurrou Seungmin, a voz rouca. — Quero que você esqueça essas músicas por um momento e foque apenas em mim.

Chan sentiu a última gota de sua resistência evaporar. Ele amava o controle, amava a ordem, mas Seungmin era o caos que ele desejava desesperadamente. Sem dizer uma palavra, Chan empurrou a cadeira para trás e puxou Seungmin para o seu colo.

— Você não tem ideia do que está fazendo comigo — disse Chan, a voz falhando.

— Eu tenho uma ideia exata, hyung — Seungmin sorriu de lado, um sorriso predatório que não combinava com sua imagem de "vocalista anjo".

Ele começou a puxar a barra da camiseta de Chan, seus dedos frios encontrando a pele quente do abdômen do produtor. Chan ajudou-o, livrando-se da peça e jogando-a em algum lugar perto do sofá. Em seguida, suas mãos subiram para o moletom de Seungmin, desfazendo-se da camada de roupa até que o trainee estivesse apenas de calças, a pele pálida brilhando sob a luz azulada do estúdio.

Chan o beijou novamente, desta vez descendo para o pescoço de Seungmin, marcando a pele sensível ali. Ele sabia que teria que esconder aquelas marcas com maquiagem no dia seguinte, mas naquele momento, ele não se importava. Ele queria que Seungmin soubesse a quem pertencia.

— Channie... — Seungmin arqueou as costas, as mãos enterradas nos cabelos loiros de Chan, puxando as raízes levemente. — Agora. Por favor.

Chan levantou-se com Seungmin ainda em seus braços, sentando-o em cima da mesa de som, entre os monitores e o teclado MIDI. O contraste da frieza do metal contra a pele quente de Seungmin fez o rapaz soltar um suspiro agudo. Chan se posicionou entre as pernas dele, as mãos mapeando cada curva do corpo do trainee.

— Você tem certeza? — perguntou Chan, olhando nos olhos de Seungmin, buscando qualquer sinal de hesitação. — Uma vez que cruzarmos essa linha aqui, não tem volta.

Seungmin envolveu as pernas na cintura de Chan, puxando-o para o contato total.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida — respondeu ele, firme. — Eu amo você, Chan. E eu quero ser seu. Completamente.

Ouvir aquelas palavras vindas de Seungmin foi o gatilho final. Chan o beijou com uma paixão avassaladora, enquanto suas mãos trabalhavam com rapidez para livrar ambos do restante das roupas. O estúdio, que antes era um local de trabalho técnico e exaustivo, transformou-se em um santuário de desejo.

Quando Chan finalmente se uniu a ele, o mundo lá fora deixou de existir. Não havia k-pop, não havia trainees, não havia prazos. Havia apenas o som da respiração pesada de Seungmin, o ritmo sincronizado de seus corpos e a batida do coração de Chan que parecia seguir o BPM mais rápido que ele já havia produzido.

Seungmin apertava os ombros de Chan, escondendo o rosto na curva do pescoço do produtor enquanto alcançavam o ápice juntos. O silêncio do estúdio foi preenchido por sussurros de promessas e gemidos contidos, uma melodia secreta que apenas os dois conheciam.

Minutos depois, o silêncio retornou, mas era um silêncio diferente. Era confortável, denso e doce. Chan ainda abraçava Seungmin, que estava sentado em seu colo no chão acarpetado do estúdio, ambos envoltos em um dos cobertores que Chan mantinha ali para as noites em que dormia no trabalho.

— Acho que você quebrou meu processo criativo — brincou Chan, beijando o topo da cabeça de Seungmin. — Como vou conseguir olhar para essa mesa de som amanhã e pensar em trabalho?

Seungmin riu baixo, a voz ainda um pouco cansada.

— Você vai pensar em mim. E isso vai fazer você escrever a melhor música da sua carreira.

Chan sorriu, sabendo que ele tinha razão. Ele olhou para o rapaz em seus braços — seu trainee, seu namorado, sua musa. A diferença de oito anos parecia nada comparada à profundidade do que sentiam.

— Você é impossível, Kim Seungmin — disse Chan, apertando-o mais forte.

— E você está perdidamente apaixonado por mim, Bang Chan — rebateu Seungmin, fechando os olhos com um sorriso satisfeito.

— Estou — admitiu o produtor, olhando para os monitores agora escuros. — E eu não mudaria uma única nota disso.
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