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Fandom: BTS

Criado: 30/05/2026

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O Homem de Preto e o Caos no Camarote

A música eletrônica da Elysium não era apenas som; era uma vibração que reverberava nos ossos, um batimento cardíaco artificial que ditava o ritmo da noite de Seul. Jimin sentia o baixo pulsar em seu peito, mas seus olhos ainda estavam fixos no ponto escuro do camarote superior.

— Jimin, você está em transe ou o quê? — Jin perguntou, cutucando o ombro do amigo enquanto segurava uma taça de cristal preenchida com o champanhe mais caro da casa. — Eu sei que sou lindo, mas você está olhando para a direção errada.

Jimin finalmente desviou o olhar, sentindo um calor estranho subir pelo pescoço. Ele pegou seu próprio drink, um coquetel azul neon que combinava perfeitamente com a estética futurista do lugar.

— Quem é aquele? — Jimin perguntou, inclinando a cabeça levemente para cima. — O de preto. No centro de tudo.

Yoongi, que até então parecia estar tentando se fundir ao sofá de couro da área VIP para evitar interação humana, abriu um olho e olhou para onde Jimin apontava. Ele soltou um suspiro pesado, o tipo de suspiro de quem sabe demais e preferia não saber de nada.

— Aquele, meu caro influenciador alienado, é Jeon Jungkook — Yoongi respondeu, a voz rouca quase engolida pela música. — E se você tiver juízo, vai continuar fingindo que ele é um holograma.

Jimin arqueou uma sobrancelha, o brilho de curiosidade em seus olhos de ômega lúpus tornando-se quase palpável.

— Jeon Jungkook? O dono da Elysium?

— O dono de metade de Seul, se os boatos forem reais — Jin interveio, aproximando-se para fofocar, o que era seu esporte favorito. — Dizem que ele é o cabeça da Noctis. Sabe, aquela "organização" que faz o governo tremer na base? Pois é. O homem é puro perigo, fumaça e mistério. E ele não costuma olhar para ninguém por mais de dois segundos.

— Ele está olhando para cá faz cinco minutos — Jimin rebateu, dando um gole em sua bebida sem desviar o foco.

— Ele está olhando para você, Jimin — corrigiu Yoongi, agora totalmente acordado. — E isso geralmente significa que ou ele quer te contratar, ou ele quer te sumir do mapa. Como você vive postando onde está a cada cinco segundos, acho que ele só está chocado que alguém consiga ser tão barulhento na internet.

Jimin revirou os olhos e pegou o celular, abrindo o grupo "Manicômio" no KakaoTalk, mesmo que os dois estivessem literalmente ao seu lado. Era uma questão de princípio.

*Jimin: "Gente, o tal do Jeon é um sabor, né? Pura vibe 'eu vou te sequestrar e você vai agradecer'."*

*Jin: "Pelo amor de Deus, Park Jimin, controle seus hormônios de lúpus. O homem é um Alfa Lúpus puro. Ele respira e desmaia três ômegas num raio de um quilômetro."*

*Yoongi: "pode parar. se ele vier aqui eu vou embora. não recebo insalubridade pra lidar com máfia."*

Jimin riu, a risada cristalina sendo abafada pela batida da música. Ele guardou o aparelho e, num surto de coragem — ou talvez pela audácia que vinha com quarenta milhões de seguidores —, sustentou o olhar do homem no camarote superior. Ele ergueu sua taça em um brinde silencioso, um sorriso ladino e atrevido brincando em seus lábios cheios.

Lá em cima, Jeon Jungkook não se moveu. Mas seus olhos escuros brilharam com algo que não era apenas desdém.



No camarote da Noctis, o ar era diferente. Enquanto a pista de dança era puro caos, ali o silêncio era mantido por uma tensão respeitosa.

Jungkook estava sentado na poltrona central, os dedos longos tamborilando no braço de couro. Ao seu lado, Kim Namjoon, seu braço direito e estrategista, observava a movimentação da casa com a calma de um predador veterano.

— Você está encarando o garoto do Instagram faz tempo, Jungkook — comentou Namjoon, a voz grave cortando o ar. — Vai acabar assustando o rapaz. Ou fazendo ele ganhar mais um milhão de seguidores só com a força do seu pensamento.

Jungkook não desviou os olhos do ômega de cabelos loiros acinzentados lá embaixo.

— Ele é... barulhento — Jungkook finalmente disse. A voz era como veludo sobre pedra.

— Ele é Park Jimin — disse uma voz mais jovem vinda do canto. Jeon Jungwon, o irmão mais novo de Jungkook, estava jogado em um dos sofás, mexendo no celular. — Ele é literalmente a pessoa mais famosa da Coreia hoje em dia, hyung. Até eu sigo ele. Ele postou um story agora mesmo dizendo que a bebida está "babadeira".

Jungkook franziu a testa.

— O que é "babadeira"?

Jungwon suspirou, olhando para o irmão com pena.

— Você é um idoso de vinte e sete anos, é isso que você é. Significa que está incrível.

Jungkook voltou a observar Jimin. O ômega estava agora dançando de forma descontraída com seus dois amigos. O mais alto deles, um ômega de ombros largos e risada escandalosa, parecia estar tentando ensinar um passo de dança novo para um terceiro rapaz, que parecia querer estar em qualquer lugar, menos ali.

— Quem são os outros? — perguntou Namjoon, mas seus olhos não estavam em Jimin. Eles estavam fixos no ômega de ombros largos que acabara de jogar a cabeça para trás em uma gargalhada vibrante.

— Kim Seokjin, dono de restaurantes de luxo, e Min Yoongi, produtor musical — informou Kim Jisung, o chefe da segurança, que permanecia em pé atrás de Jungkook, mas cujos olhos teimavam em descer para onde Jungwon estava, vigiando o mais novo com uma intensidade que ia além do dever profissional.

Namjoon ajeitou a gravata, algo que ele raramente fazia por nervosismo.

— O restaurante do Kim é excelente. Ele tem bom gosto.

Jungkook soltou um som baixo, quase um rosnado de diversão.

— Parece que a mesa dos influenciadores está atraindo muita atenção hoje.

Do outro lado do camarote, dois alfas se aproximaram da grade. Jung Hoseok e Kim Taehyung, parceiros de longa data e membros cruciais da Noctis, observavam a cena com sorrisos idênticos de entretenimento.

— Aquele de pele pálida e cara de tédio... — Taehyung começou, apontando para Yoongi. — Ele tem uma energia interessante, não acha, Hobi?

Hoseok riu, os olhos brilhando sob as luzes estroboscópicas.

— Ele parece que morderia a gente se tentássemos dar um "oi". Adorei.

Jungkook se levantou. O movimento foi fluido, quase felino. Imediatamente, todos os seus homens ficaram em alerta.

— Onde você vai? — perguntou Namjoon.

— Vou ver o que há de tão "babadeiro" naquela bebida — respondeu Jungkook, a ironia sutil em sua voz enquanto ele começava a descer as escadas privativas em direção à área VIP de Jimin.



Na mesa do "Manicômio", a energia tinha acabado de mudar.

— Gente, o sinal de alerta do meu útero acabou de apitar — sussurrou Jin, endireitando a postura e tentando, sem sucesso, esconder o fato de que estava retocando o gloss. — Tem um combo de alfas vindo para cá. E não são alfas comuns. São alfas que cheiram a dinheiro, poder e problemas fiscais.

Jimin sentiu o perfume antes mesmo de ver a sombra. Era um cheiro de madeira, sândalo e algo metálico, como chuva no asfalto quente. Era o cheiro de Jeon Jungkook.

Quando o grupo da Noctis parou diante da mesa deles, o espaço pareceu encolher.

— Boa noite — disse Jungkook. Ele não olhou para Jin, nem para Yoongi. Seus olhos estavam grudados em Jimin, que permanecia sentado, olhando de baixo para cima com uma expressão de quem não estava nem um pouco intimidado.

— Boa noite, Sr. Jeon — Jimin respondeu, sua voz saindo mais doce do que ele pretendia. — Veio pedir uma foto ou o senhor também é fã das minhas dicas de skincare?

Jin engasgou com o champanhe. Yoongi fechou os olhos, provavelmente rezando.

Jungkook deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Jimin. Ele se inclinou, apoiando uma das mãos no encosto do sofá, cercando o ômega.

— Eu não uso redes sociais, Park Jimin — Jungkook murmurou, o tom de voz fazendo os pelos do braço de Jimin se arrepiarem. — Mas você é difícil de ignorar.

— Eu ouço muito isso — Jimin rebateu, inclinando o rosto para ficar a centímetros do dele. — Geralmente é porque eu sou muito bonito.

— É porque você é barulhento — corrigiu Jungkook, mas havia um brilho de admiração em sua íris escura. — E você está na minha mesa privativa.

— O Jin disse que reservou — Jimin apontou para o amigo, que estava ocupado demais sendo encarado por Namjoon para responder.

— Eu sou o dono do lugar — Jungkook lembrou, sua voz baixando ainda mais. — Todas as mesas são minhas.

— Que capitalismo opressor — Jimin fez um biquinho dramático. — Vai me expulsar, Sr. Mafioso?

Um silêncio tenso caiu sobre o grupo. Ninguém chamava Jungkook de mafioso em público e saía ileso. Mas Jungkook apenas soltou um suspiro curto, que quase pareceu uma risada abafada.

— Vou deixar você ficar. Com uma condição.

— Adoro condições. Elas fazem a vida parecer um dorama — Jimin sorriu, pegando o celular. — Qual é?

— Guarde isso — Jungkook apontou para o aparelho. — Pelo menos por dez minutos. Quero ver se você existe de verdade ou se é apenas um filtro de luz.

Jimin olhou para o celular e depois para Jungkook. Com um movimento teatral, ele desligou a tela e jogou o aparelho no sofá.

— Dez minutos. Mas você vai ter que me entreter, Jeon. Eu me entedio fácil.

Enquanto os dois se perdiam em sua própria bolha de tensão e flerte, o restante do grupo tentava entender o que estava acontecendo.

Namjoon se aproximou de Seokjin, que ainda tentava manter a pose de dono de restaurante chique.

— Kim Seokjin, certo? — Namjoon perguntou, oferecendo um sorriso que mostrava suas covinhas. — Eu jantei no seu estabelecimento na semana passada. O vinho estava excelente, mas a companhia do dono teria sido melhor.

Jin piscou, o rosto ganhando um tom de rosa que não tinha nada a ver com a maquiagem.

— Ah... bem... eu costumo ficar na cozinha. Mas posso abrir uma exceção para clientes que sabem apreciar uma boa safra. E um bom terno.

Perto dali, Yoongi se viu cercado por Hoseok e Taehyung. Ele olhou para um, depois para o outro, e soltou um longo suspiro.

— Se vocês vieram me pedir para produzir uma track de trap, a resposta é não — disse Yoongi, cruzando os braços.

— Na verdade — Taehyung sorriu, aquele sorriso quadrado que era famoso por desarmar qualquer um — viemos perguntar se você quer sair daqui e ir para um lugar mais silencioso. O Hobi tem um estúdio incrível e eu tenho uma coleção de jazz que você ia adorar.

Yoongi estreitou os olhos.

— Vocês são um casal?

— Somos — respondeu Hoseok, inclinando-se para frente. — Mas sempre há espaço para mais um neurônio no nosso grupo. E o seu parece ser bem interessante.

Yoongi olhou para Jimin, que estava ocupado demais tentando ensinar Jungkook a usar uma gíria nova, e depois para Jin, que estava praticamente flutuando com os elogios de Namjoon.

— Que seja — resmungou Yoongi, embora um pequeno sorriso estivesse tentando aparecer no canto de sua boca. — Mas eu não vou carregar ninguém no colo.

No canto, Kim Jisung observava tudo com seriedade, até sentir um puxão em seu paletó. Era Jungwon, o irmão de Jungkook.

— Jisung-ah, pare de olhar para eles como se fosse prender todo mundo — Jungwon reclamou, sorrindo de um jeito travesso. — Vem dançar comigo. O Jimin disse que eu preciso "viver a vida intensamente".

— Sr. Jungwon, eu estou em serviço — Jisung respondeu, embora sua postura já estivesse relaxando.

— É uma ordem do irmão do chefe — Jungwon piscou. E Jisung, que morreria por aquela família, não teve outra escolha a não ser se deixar levar para a pista de dança.

De volta ao sofá central, Jimin observava Jungkook com uma curiosidade genuína. O alfa não era o monstro que os tabloides pintavam, ou pelo menos, não naquele momento. Ele era apenas um homem que parecia ter esquecido como era conversar sem dar ordens.

— Então — Jimin começou, balançando as pernas — como é ser o homem mais temido de Seul? É solitário ou você só economiza em presentes de Natal porque ninguém tem coragem de te cobrar?

Jungkook olhou para o ômega, sentindo uma leveza que não experimentava há anos.

— É ocupado — respondeu Jungkook. — Mas agora que conheci o homem mais barulhento da internet, acho que o silêncio vai começar a me incomodar.

Jimin sorriu, e desta vez não foi para a câmera. Foi um sorriso real, que fez seus olhos se transformarem em dois pequenos riscos de felicidade.

— Dez minutos acabaram, Jeon — Jimin disse, pegando o celular. — Mas eu não vou ligar ele ainda.

— Por que não?

— Porque a iluminação aqui é péssima — Jimin mentiu, aproximando-se do ouvido do alfa. — E porque eu quero ver até onde essa sua paciência de mafioso vai.

Jungkook não respondeu com palavras. Ele apenas colocou a mão sobre a de Jimin, um gesto possessivo, mas estranhamente gentil.

A noite estava apenas começando, e para Park Jimin, o mundo digital nunca pareceu tão sem graça comparado ao brilho perigoso nos olhos de Jeon Jungkook. Naquela noite, a hashtag mais usada na Coreia seria apenas o começo de uma história que nenhum algoritmo poderia prever.
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