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Fandom: Nenhum
Criado: 31/05/2026
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RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoHistória DomésticaRealismoEstudo de Personagem
Entre o Controle e o Desejo
O som das máquinas de tatuagem era algo que Emanuel costumava considerar terapêutico, mas hoje, o zumbido constante apenas alimentava a enxaqueca que latejava em suas têmporas. Sentado em sua cadeira de couro no escritório principal de seu estúdio em São Paulo, ele observava três relatórios de faturamento de suas unidades em Londres e Tóquio. Ao seu lado, Sara, impecável em um vestido vermelho justo que deixava pouco para a imaginação, deslizava os dedos pelas planilhas com uma agilidade invejável.
— O fluxo de caixa da unidade de Shibuya está com uma retenção desnecessária, Emanuel — comentou Sara, a voz carregada de um sarcasmo vibrante enquanto ajeitava o cabelo loiro platinado, perfeitamente alinhado. — Eu já avisei ao gerente que, se ele não ajustar os impostos locais conforme o plano que eu tracei, eu mesma vou lá pessoalmente cortar os privilégios dele. E você sabe que eu não uso tesoura cega.
Emanuel soltou um suspiro pesado, fechando os olhos por um momento. Sara era eficiente, uma força da natureza na administração de seus negócios, e sua presença exalava uma confiança que beirava a agressividade. Ele gostava disso. Gostava do fato de que ela não precisava de proteção, mas sim de um desafio. No entanto, o vazio no lado esquerdo de sua mesa — onde ele imaginava uma presença muito mais suave — o incomodava.
— Você fez um bom trabalho, Sara. Como sempre — disse ele, a voz rouca. — Mas agora eu preciso focar em outra coisa. Que horas são?
Sara olhou para o relógio de ouro no pulso, dando um sorriso de lado, sabendo exatamente o que ele estava pensando.
— São quase seis da tarde, meu amor. O horário de Cinderela da sua pequena estagiária de arte está chegando, não é? — Ela se levantou, caminhando até ele e sentando-se na borda da mesa, cruzando as pernas torneadas. — É fascinante como você, um homem que comanda um império, se deixa dobrar pelas regras de um sogro que acha que estamos em 1950.
Emanuel sentiu a mandíbula travar.
— Não é sobre me dobrar, Sara. É sobre a Eduarda. A situação dela é delicada.
— Ela é uma boneca de porcelana, Emanuel. E você está obcecado em não deixar ninguém quebrá-la — Sara esticou a mão, brincando com o colarinho da camisa dele. — Eu não me importo de dividir a cama e a vida com ela, você sabe disso. Eu até gosto da coisinha. Ela é doce, não me dá trabalho e tem um gosto artístico que, confesso, é útil para os novos designs. Mas essa distância... isso está deixando você insuportável.
Ela tinha razão. Emanuel estava no limite. Fazia quatro meses que Eduarda havia entrado em sua vida como um sopro de ar fresco, com seus olhos expressivos e seu jeito manhoso que despertava nele um instinto protetor que ele nem sabia que possuía. Mas o muro construído pelo pai dela, um homem que via em Emanuel apenas o "tatuador rico e perigoso", era uma barreira que sua lógica e dinheiro ainda não tinham conseguido derrubar.
O celular de Emanuel vibrou sobre a mesa. Uma mensagem de Eduarda.
"Manu... meu pai já chegou para me buscar na faculdade. Não vou conseguir passar no estúdio hoje. Queria tanto o seu colo. Desculpa? :( "
Emanuel levantou-se bruscamente, derrubando a caneta de metal no chão. O som metálico ecoou pelo escritório.
— Isso vai acabar hoje — rosnou ele.
***
A casa da família de Eduarda ficava em um bairro nobre e tranquilo. Quando o SUV preto de Emanuel estacionou em frente ao portão, o clima de tensão já era palpável. Ele não estava sozinho; Sara insistira em ir junto. Ela alegava que "uma perspectiva feminina e pragmática" ajudaria, mas Emanuel sabia que ela só queria ver o circo pegar fogo ou, na melhor das hipóteses, garantir que ele voltasse para casa com a outra namorada.
— Comporte-se — advertiu Emanuel enquanto saíam do carro.
— Eu sempre me comporto, querido. Sou a personificação da diplomacia — Sara respondeu, ajeitando o decote e sorrindo de forma predatória.
Eles foram recebidos pela mãe de Eduarda, uma mulher de aparência jovem e sorriso gentil, que parecia estar em um estado constante de tentativa de apaziguar os ânimos da casa.
— Emanuel, que surpresa — disse ela, lançando um olhar nervoso para as escadas. — A Duda está lá em cima, ela ficou bem triste por não te ver.
— Eu vim buscá-la, Helena — Emanuel foi direto, sua voz firme de quem não aceitava negativas. — Isso de horários e proibições de dormir fora... a Eduarda tem vinte anos. Ela é uma mulher. Minha mulher.
— Quem ela é ou deixa de ser é decisão minha enquanto viver sob meu teto — a voz grossa do pai de Eduarda surgiu do topo da escada. Ele desceu os degraus com uma postura rígida, encarando Emanuel com desconfiança. Seu olhar então caiu sobre Sara, e ele franziu o cenho. — E vejo que trouxe sua... outra acompanhante.
Sara deu um passo à frente, com um sorriso cínico.
— Boa noite para o senhor também. E o termo correto é "namorada", ou "parceira de vida", se o senhor preferir algo mais moderno. Mas estamos aqui pela Duda.
— Papai? — A voz pequena e suave de Eduarda veio de trás do pai. Ela apareceu, parecendo ainda menor em um cardigã bege claro e calças de linho. Seus olhos castanhos estavam levemente avermelhados, e assim que viu Emanuel, seu rosto se iluminou por um segundo antes de se fechar em timidez.
Emanuel sentiu o coração apertar. Ele caminhou até a base da escada e estendeu a mão.
— Vem aqui, pequena.
Eduarda hesitou, olhando para o pai, mas o desejo de proximidade foi maior. Ela desceu os degraus e praticamente se fundiu ao corpo de Emanuel, escondendo o rosto em seu peito. Ele a abraçou com força, sentindo o cheiro de baunilha que ela sempre exalava.
— Eu quero que ela more comigo — Emanuel declarou, olhando fixamente para o pai de Eduarda. — Eu tenho estrutura, ela terá tudo o que precisar. Sara e eu já conversamos, e queremos que a Eduarda faça parte da nossa rotina integralmente.
— Isso é um absurdo! — o pai exclamou. — Uma vida... promíscua? Com duas mulheres? Eu não criei minha filha para ser parte de um experimento social, Emanuel. Ela é sensível, ela é pura.
— Ela é amada — rebateu Emanuel, a voz subindo de tom. — E ela está infeliz com essa sua redoma de vidro. Você a protege tanto que a está sufocando.
Sara, que observava a cena com os braços cruzados, resolveu intervir.
— Escute, senhor. Eu entendo sua preocupação, de verdade. O senhor olha para mim e vê tudo o que teme para sua filha. Mas olhe para o Emanuel. Ele é um homem que construiu um império do nada. Ele cuida dela melhor do que qualquer garoto da faculdade de arte cuidaria. E, honestamente? Eu cuido dela também. Se alguém tentar machucar a Duda, terá que passar por mim primeiro, e eu garanto que não sou tão gentil quanto o Emanuel.
Eduarda se afastou um pouco do peito de Emanuel, ainda segurando a mão dele com força, os dedos entrelaçados.
— Pai... — ela começou, a voz trêmula. — Eu amo o Emanuel. E eu gosto da Sara. Eu me sinto segura com eles. Por favor, não me faça escolher entre a minha família e a minha felicidade. Eu só quero... eu quero poder acordar ao lado dele sem ter um cronômetro na cabeça.
O silêncio que se seguiu foi pesado. A mãe de Eduarda aproximou-se do marido, colocando a mão em seu ombro.
— Ricardo, talvez seja hora de deixarmos ela crescer. O Emanuel é um homem sério, apesar das escolhas de vida diferentes das nossas. Veja como ela olha para ele.
O pai de Eduarda suspirou, parecendo envelhecer dez anos em um segundo. Ele olhou para a filha, depois para a mão de Emanuel possessivamente fechada sobre a dela.
— Se ela chorar uma única vez por causa dessa "dinâmica"... — ele ameaçou, apontando o dedo para Emanuel.
— Ela não vai — Emanuel interrompeu. — Eu dou a minha palavra.
***
Cerca de uma hora depois, o SUV estava a caminho da cobertura de Emanuel. No banco de trás, Eduarda estava aninhada entre Emanuel e Sara. Ela parecia exausta, mas havia um sorriso sereno em seus lábios.
— Você foi muito corajosa, boneca — disse Sara, passando a mão pelos cabelos castanhos de Eduarda de forma quase maternal, apesar do batom carregado e das unhas compridas. — Gostei de ver.
— Eu estava com muito medo — confessou Eduarda, a voz baixa, buscando a mão de Emanuel. — Obrigada por terem ido me buscar.
Emanuel beijou o topo da cabeça dela, sentindo o estresse do dia finalmente começar a dissipar.
— Eu não aguentava mais um dia sem você naquela casa, Duda. Agora, as coisas vão ser do meu jeito. Do nosso jeito.
Ao chegarem na cobertura de luxo, o ambiente era o oposto da casa dos pais de Eduarda. Móveis de design moderno, obras de arte contemporâneas e uma vista de tirar o fôlego da cidade. Emanuel levou Eduarda até o quarto principal, onde uma parte do closet já havia sido esvaziada por Sara para dar lugar às roupas leves e românticas da moça.
— Vou deixar vocês dois um pouco — disse Sara, encostada no batente da porta, observando a cena com um brilho de satisfação. — Vou abrir um vinho e checar os e-mails de Londres. Não demorem, quero comemorar nossa nova moradora.
Quando Sara saiu, Eduarda sentou-se na beira da cama king-size, olhando ao redor com os olhos arregalados.
— Manu... você tem certeza disso? Ela não se importa mesmo?
Emanuel ajoelhou-se à frente dela, pegando suas mãos pequenas nas suas, que eram marcadas por tatuagens e calos de anos de trabalho.
— A Sara é prática, Duda. Ela te quer aqui tanto quanto eu, à maneira dela. E eu... eu preciso de você para manter minha sanidade. Você é a paz que eu não encontro nos negócios.
Eduarda inclinou-se para frente, roçando o nariz no dele, um gesto manhoso que sempre o desarmava.
— Eu vou cuidar de você também — sussurrou ela. — Do meu jeito quietinho.
— É tudo o que eu peço — respondeu ele, antes de selar os lábios nos dela em um beijo calmo, cheio de promessas de proteção.
A dinâmica era incomum, um equilíbrio precário entre a força bruta de Emanuel, a audácia de Sara e a delicadeza de Eduarda. Mas, enquanto os três se reuniam na sala minutos depois, dividindo o sofá e o vinho, Emanuel sentiu, pela primeira vez em muito tempo, que o controle que ele tanto buscava não estava no poder ou no dinheiro, mas ali, naquele estranho e perfeito porto seguro que eles haviam construído.
— Amanhã — disse Sara, servindo mais uma taça — vamos redecorar aquele canto da biblioteca para ser o seu ateliê de estudos, Duda. Se vamos viver juntos, vamos fazer isso com estilo.
Eduarda sorriu, encostando a cabeça no ombro de Sara enquanto Emanuel passava o braço por cima das duas, unindo-as em seu abraço. O conflito com o mundo lá fora ainda existia, mas dentro daquelas quatro paredes, Emanuel finalmente tinha tudo o que queria.
— O fluxo de caixa da unidade de Shibuya está com uma retenção desnecessária, Emanuel — comentou Sara, a voz carregada de um sarcasmo vibrante enquanto ajeitava o cabelo loiro platinado, perfeitamente alinhado. — Eu já avisei ao gerente que, se ele não ajustar os impostos locais conforme o plano que eu tracei, eu mesma vou lá pessoalmente cortar os privilégios dele. E você sabe que eu não uso tesoura cega.
Emanuel soltou um suspiro pesado, fechando os olhos por um momento. Sara era eficiente, uma força da natureza na administração de seus negócios, e sua presença exalava uma confiança que beirava a agressividade. Ele gostava disso. Gostava do fato de que ela não precisava de proteção, mas sim de um desafio. No entanto, o vazio no lado esquerdo de sua mesa — onde ele imaginava uma presença muito mais suave — o incomodava.
— Você fez um bom trabalho, Sara. Como sempre — disse ele, a voz rouca. — Mas agora eu preciso focar em outra coisa. Que horas são?
Sara olhou para o relógio de ouro no pulso, dando um sorriso de lado, sabendo exatamente o que ele estava pensando.
— São quase seis da tarde, meu amor. O horário de Cinderela da sua pequena estagiária de arte está chegando, não é? — Ela se levantou, caminhando até ele e sentando-se na borda da mesa, cruzando as pernas torneadas. — É fascinante como você, um homem que comanda um império, se deixa dobrar pelas regras de um sogro que acha que estamos em 1950.
Emanuel sentiu a mandíbula travar.
— Não é sobre me dobrar, Sara. É sobre a Eduarda. A situação dela é delicada.
— Ela é uma boneca de porcelana, Emanuel. E você está obcecado em não deixar ninguém quebrá-la — Sara esticou a mão, brincando com o colarinho da camisa dele. — Eu não me importo de dividir a cama e a vida com ela, você sabe disso. Eu até gosto da coisinha. Ela é doce, não me dá trabalho e tem um gosto artístico que, confesso, é útil para os novos designs. Mas essa distância... isso está deixando você insuportável.
Ela tinha razão. Emanuel estava no limite. Fazia quatro meses que Eduarda havia entrado em sua vida como um sopro de ar fresco, com seus olhos expressivos e seu jeito manhoso que despertava nele um instinto protetor que ele nem sabia que possuía. Mas o muro construído pelo pai dela, um homem que via em Emanuel apenas o "tatuador rico e perigoso", era uma barreira que sua lógica e dinheiro ainda não tinham conseguido derrubar.
O celular de Emanuel vibrou sobre a mesa. Uma mensagem de Eduarda.
"Manu... meu pai já chegou para me buscar na faculdade. Não vou conseguir passar no estúdio hoje. Queria tanto o seu colo. Desculpa? :( "
Emanuel levantou-se bruscamente, derrubando a caneta de metal no chão. O som metálico ecoou pelo escritório.
— Isso vai acabar hoje — rosnou ele.
***
A casa da família de Eduarda ficava em um bairro nobre e tranquilo. Quando o SUV preto de Emanuel estacionou em frente ao portão, o clima de tensão já era palpável. Ele não estava sozinho; Sara insistira em ir junto. Ela alegava que "uma perspectiva feminina e pragmática" ajudaria, mas Emanuel sabia que ela só queria ver o circo pegar fogo ou, na melhor das hipóteses, garantir que ele voltasse para casa com a outra namorada.
— Comporte-se — advertiu Emanuel enquanto saíam do carro.
— Eu sempre me comporto, querido. Sou a personificação da diplomacia — Sara respondeu, ajeitando o decote e sorrindo de forma predatória.
Eles foram recebidos pela mãe de Eduarda, uma mulher de aparência jovem e sorriso gentil, que parecia estar em um estado constante de tentativa de apaziguar os ânimos da casa.
— Emanuel, que surpresa — disse ela, lançando um olhar nervoso para as escadas. — A Duda está lá em cima, ela ficou bem triste por não te ver.
— Eu vim buscá-la, Helena — Emanuel foi direto, sua voz firme de quem não aceitava negativas. — Isso de horários e proibições de dormir fora... a Eduarda tem vinte anos. Ela é uma mulher. Minha mulher.
— Quem ela é ou deixa de ser é decisão minha enquanto viver sob meu teto — a voz grossa do pai de Eduarda surgiu do topo da escada. Ele desceu os degraus com uma postura rígida, encarando Emanuel com desconfiança. Seu olhar então caiu sobre Sara, e ele franziu o cenho. — E vejo que trouxe sua... outra acompanhante.
Sara deu um passo à frente, com um sorriso cínico.
— Boa noite para o senhor também. E o termo correto é "namorada", ou "parceira de vida", se o senhor preferir algo mais moderno. Mas estamos aqui pela Duda.
— Papai? — A voz pequena e suave de Eduarda veio de trás do pai. Ela apareceu, parecendo ainda menor em um cardigã bege claro e calças de linho. Seus olhos castanhos estavam levemente avermelhados, e assim que viu Emanuel, seu rosto se iluminou por um segundo antes de se fechar em timidez.
Emanuel sentiu o coração apertar. Ele caminhou até a base da escada e estendeu a mão.
— Vem aqui, pequena.
Eduarda hesitou, olhando para o pai, mas o desejo de proximidade foi maior. Ela desceu os degraus e praticamente se fundiu ao corpo de Emanuel, escondendo o rosto em seu peito. Ele a abraçou com força, sentindo o cheiro de baunilha que ela sempre exalava.
— Eu quero que ela more comigo — Emanuel declarou, olhando fixamente para o pai de Eduarda. — Eu tenho estrutura, ela terá tudo o que precisar. Sara e eu já conversamos, e queremos que a Eduarda faça parte da nossa rotina integralmente.
— Isso é um absurdo! — o pai exclamou. — Uma vida... promíscua? Com duas mulheres? Eu não criei minha filha para ser parte de um experimento social, Emanuel. Ela é sensível, ela é pura.
— Ela é amada — rebateu Emanuel, a voz subindo de tom. — E ela está infeliz com essa sua redoma de vidro. Você a protege tanto que a está sufocando.
Sara, que observava a cena com os braços cruzados, resolveu intervir.
— Escute, senhor. Eu entendo sua preocupação, de verdade. O senhor olha para mim e vê tudo o que teme para sua filha. Mas olhe para o Emanuel. Ele é um homem que construiu um império do nada. Ele cuida dela melhor do que qualquer garoto da faculdade de arte cuidaria. E, honestamente? Eu cuido dela também. Se alguém tentar machucar a Duda, terá que passar por mim primeiro, e eu garanto que não sou tão gentil quanto o Emanuel.
Eduarda se afastou um pouco do peito de Emanuel, ainda segurando a mão dele com força, os dedos entrelaçados.
— Pai... — ela começou, a voz trêmula. — Eu amo o Emanuel. E eu gosto da Sara. Eu me sinto segura com eles. Por favor, não me faça escolher entre a minha família e a minha felicidade. Eu só quero... eu quero poder acordar ao lado dele sem ter um cronômetro na cabeça.
O silêncio que se seguiu foi pesado. A mãe de Eduarda aproximou-se do marido, colocando a mão em seu ombro.
— Ricardo, talvez seja hora de deixarmos ela crescer. O Emanuel é um homem sério, apesar das escolhas de vida diferentes das nossas. Veja como ela olha para ele.
O pai de Eduarda suspirou, parecendo envelhecer dez anos em um segundo. Ele olhou para a filha, depois para a mão de Emanuel possessivamente fechada sobre a dela.
— Se ela chorar uma única vez por causa dessa "dinâmica"... — ele ameaçou, apontando o dedo para Emanuel.
— Ela não vai — Emanuel interrompeu. — Eu dou a minha palavra.
***
Cerca de uma hora depois, o SUV estava a caminho da cobertura de Emanuel. No banco de trás, Eduarda estava aninhada entre Emanuel e Sara. Ela parecia exausta, mas havia um sorriso sereno em seus lábios.
— Você foi muito corajosa, boneca — disse Sara, passando a mão pelos cabelos castanhos de Eduarda de forma quase maternal, apesar do batom carregado e das unhas compridas. — Gostei de ver.
— Eu estava com muito medo — confessou Eduarda, a voz baixa, buscando a mão de Emanuel. — Obrigada por terem ido me buscar.
Emanuel beijou o topo da cabeça dela, sentindo o estresse do dia finalmente começar a dissipar.
— Eu não aguentava mais um dia sem você naquela casa, Duda. Agora, as coisas vão ser do meu jeito. Do nosso jeito.
Ao chegarem na cobertura de luxo, o ambiente era o oposto da casa dos pais de Eduarda. Móveis de design moderno, obras de arte contemporâneas e uma vista de tirar o fôlego da cidade. Emanuel levou Eduarda até o quarto principal, onde uma parte do closet já havia sido esvaziada por Sara para dar lugar às roupas leves e românticas da moça.
— Vou deixar vocês dois um pouco — disse Sara, encostada no batente da porta, observando a cena com um brilho de satisfação. — Vou abrir um vinho e checar os e-mails de Londres. Não demorem, quero comemorar nossa nova moradora.
Quando Sara saiu, Eduarda sentou-se na beira da cama king-size, olhando ao redor com os olhos arregalados.
— Manu... você tem certeza disso? Ela não se importa mesmo?
Emanuel ajoelhou-se à frente dela, pegando suas mãos pequenas nas suas, que eram marcadas por tatuagens e calos de anos de trabalho.
— A Sara é prática, Duda. Ela te quer aqui tanto quanto eu, à maneira dela. E eu... eu preciso de você para manter minha sanidade. Você é a paz que eu não encontro nos negócios.
Eduarda inclinou-se para frente, roçando o nariz no dele, um gesto manhoso que sempre o desarmava.
— Eu vou cuidar de você também — sussurrou ela. — Do meu jeito quietinho.
— É tudo o que eu peço — respondeu ele, antes de selar os lábios nos dela em um beijo calmo, cheio de promessas de proteção.
A dinâmica era incomum, um equilíbrio precário entre a força bruta de Emanuel, a audácia de Sara e a delicadeza de Eduarda. Mas, enquanto os três se reuniam na sala minutos depois, dividindo o sofá e o vinho, Emanuel sentiu, pela primeira vez em muito tempo, que o controle que ele tanto buscava não estava no poder ou no dinheiro, mas ali, naquele estranho e perfeito porto seguro que eles haviam construído.
— Amanhã — disse Sara, servindo mais uma taça — vamos redecorar aquele canto da biblioteca para ser o seu ateliê de estudos, Duda. Se vamos viver juntos, vamos fazer isso com estilo.
Eduarda sorriu, encostando a cabeça no ombro de Sara enquanto Emanuel passava o braço por cima das duas, unindo-as em seu abraço. O conflito com o mundo lá fora ainda existia, mas dentro daquelas quatro paredes, Emanuel finalmente tinha tudo o que queria.
