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Herança
Fandom: Swanqueen
Criado: 31/05/2026
Tags
RomanceFantasiaDramaUA (Universo Alternativo)História DomésticaGravidez Não Planejada/IndesejadaCiúmesCenário CanônicoDivergência
O Milagre de Neverland
O hospital de Storybrooke tinha aquele cheiro estéril de antisséptico que Regina Mills sempre detestou. Sentada na maca, ela alisava a saia de seu conjunto de seda azul-marinho, tentando manter a postura impecável que era sua marca registrada. No entanto, sua palidez denunciava que algo estava errado.
Ao seu lado, Mary Margaret — ou Snow White, como Regina ainda pensava nela nos momentos de irritação — segurava sua mão com uma insistência que beirava o irritante.
— Vai ficar tudo bem, Regina. Deve ser apenas estresse. A viagem para a Terra do Nunca foi exaustiva para todos nós — disse Snow, com aquele otimismo inabalável.
Regina soltou um suspiro cansado.
— Eu sou a Rainha Má, Snow. Eu sobrevivi a guerras, maldições e ao próprio Peter Pan. Não fico "mareada" por estresse.
A porta se abriu e o Dr. Whale entrou segurando alguns papéis, com uma expressão que misturava confusão e choque profissional. Ele olhou para Regina, depois para os exames, e pigarreou.
— Bem... os resultados são definitivos. Regina, a razão dos seus enjoos e desmaios é que você está grávida. De aproximadamente oito semanas.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que poderia ser cortado com uma adaga de prata. Regina sentiu o sangue fugir de seu rosto.
— Isso é impossível — sussurrou ela, a voz falhando pela primeira vez em anos. — Eu sou estéril. A poção que tomei na juventude... as consequências da magia negra... eu não posso conceber.
— A ciência diz o contrário — Whale deu de ombros, igualmente perplexo. — E a magia de Storybrooke parece ter encontrado um caminho. O feto está saudável e crescendo em um ritmo impressionante.
Snow White soltou um gritinho de alegria e abraçou Regina, que permaneceu estática, como uma estátua de mármore.
— Um bebê! Regina, isso é um milagre! — Snow exclamou, as lágrimas já brilhando nos olhos. Mas então, a expressão da princesa mudou para uma de dúvida genuína. — Mas... Regina... o Robin está fora da cidade em uma missão na floresta há dois meses. Como isso...? Quem é o pai?
Regina não ouviu o resto. Sua mente viajou de volta para as selvas úmidas e perigosas da Terra do Nunca. Ela se lembrou da noite em que ela e Emma se distanciaram do acampamento, exaustas pela busca por Henry e pela tensão constante entre as duas. A discussão que começou com insultos terminou com um beijo desesperado, e o que se seguiu foi a experiência mais intensa da vida de Regina.
Ela se lembrou da pele dourada de Emma sob o luar, da força atlética da Salvadora e, principalmente, do momento do clímax. Quando elas se uniram, uma onda de magia branca e pura explodiu entre seus corpos, uma energia tão poderosa que iluminou a clareira por segundos. Na época, elas pensaram ser apenas a conexão de seus poderes. Agora, Regina percebia que tinha sido algo muito mais profundo.
***
No Granny’s, Emma Swan estava terminando seu terceiro café quando Snow entrou correndo, transbordando a notícia.
— Emma! Você não vai acreditar! A Regina está grávida!
Emma engasgou com o café, tossindo violentamente enquanto sentia o coração despencar até o estômago.
— O quê? — Emma conseguiu dizer, a voz rouca. — Grávida? Mas... como? Do Robin?
— Não pode ser do Robin — Snow disse, baixando o tom de voz, embora o restaurante estivesse quase vazio. — Ele está fora há muito tempo. Regina não disse quem é, mas ela parecia em choque. Pobre Regina, deve ter sido algum encontro que ela manteve em segredo. Mas quem poderia ter quebrado a maldição da infertilidade dela?
Emma sentiu uma mistura tóxica de mágoa e ciúmes arder em seu peito. A imagem de Regina nos braços de outro homem, de algum desconhecido que Storybrooke não sabia, fazia seu sangue ferver. Elas tinham compartilhado algo sagrado na Terra do Nunca. Ou pelo menos, Emma achava que sim.
Sem dizer uma palavra, Emma se levantou, pegou sua jaqueta de couro vermelha e saiu a passos largos em direção à mansão da prefeita.
Ela não bateu. Simplesmente entrou, usando sua magia latente para destrancar a porta. Regina estava na sala, diante da lareira, com uma taça de suco nas mãos e o olhar perdido nas chamas.
— De quem é? — Emma disparou, a voz carregada de veneno e dor.
Regina se virou lentamente. Seus olhos estavam vermelhos, mas ela mantinha a cabeça erguida.
— Emma, saia da minha casa.
— Não! — Emma avançou, parando a poucos centímetros dela. — Eu não consigo suportar a ideia, Regina. Depois de tudo o que aconteceu naquela ilha... depois de como você se entregou a mim... como você pôde correr para os braços de outro assim que voltamos? Quem é o pai? Quem tocou você?
Regina soltou uma risada amarga, que logo se transformou em um soluço sufocado.
— Você é uma idiota, Swan. Uma completa e absoluta idiota.
— Me diz o nome dele! — Emma gritou, as mãos tremendo de raiva.
— É seu! — Regina gritou de volta, as lágrimas finalmente caindo. — O filho é seu, Emma!
Emma congelou. O mundo pareceu parar de girar.
— O quê? Regina... isso não faz sentido biológico. Nós somos... eu sou...
— Nós somos magia, Emma! — Regina deu um passo à frente, batendo no peito da loira. — Você se lembra daquela noite? Você se lembra da luz? Da energia que nos envolveu? O Dr. Whale disse que a gravidez tem oito semanas. O tempo exato. A sua magia de Salvadora, o meu desejo reprimido de ser mãe novamente... a nossa conexão... a magia deu um jeito.
Emma sentiu o ar faltar. Ela olhou para a barriga ainda plana de Regina, coberta pelo tecido caro, e lentamente levou a mão até lá. Regina não recuou. Quando a palma de Emma tocou o ventre de Regina, uma faísca dourada saltou entre elas, um reconhecimento imediato.
— É meu... — Emma sussurou, agora com um sorriso bobo e orgulhoso começando a surgir. — Eu engravidei a Rainha Má.
Regina revirou os olhos, embora estivesse sorrindo entre as lágrimas.
— Não se sinta tão especial, Swan.
— Ah, eu me sinto muito especial — Emma a puxou para um beijo profundo, cheio de alívio e uma paixão renovada. — Meu Deus, Regina... um bebê nosso.
***
As semanas seguintes foram um borrão de segredos e encontros clandestinos. Elas decidiram manter a verdade em sigilo até que soubessem como explicar a situação para Henry e para o resto da cidade. Emma passava quase todas as noites na mansão, onde as "conversas" sobre o futuro invariavelmente terminavam em lençóis revirados e uma urgência que parecia crescer junto com a barriga de Regina.
— Emma... — Regina arquejou certa noite, as mãos cravadas nos ombros da loira enquanto se moviam em um ritmo frenético. — Nós temos que... contar...
— Depois — Emma murmurou contra o pescoço dela, beijando a pele sedosa. — Agora, você é só minha.
No entanto, a bolha estava prestes a estourar.
Uma semana depois, Regina estava na sala organizando alguns papéis quando a porta se abriu abruptamente. Robin Hood entrou, com as roupas de viagem sujas de terra e um sorriso radiante no rosto.
— Regina! Meu amor, eu voltei! — Ele correu para ela, tentando abraçá-la.
Regina recuou um passo, as mãos protegendo instintivamente o ventre, que agora já exibia uma pequena e delicada saliência.
— Robin, precisamos conversar. Muita coisa mudou.
Robin parou, o olhar caindo para a barriga dela. Seus olhos se arregalaram em choque e alegria.
— Regina... você está...? É o que estou vendo?
— Robin, eu... eu tentei te enviar uma mensagem, mas...
— Não precisa dizer nada! — Ele a interrompeu, os olhos brilhando. — Eu sabia que o nosso amor era capaz de milagres! Um filho! O nosso filho!
Antes que Regina pudesse protestar, Robin a envolveu em um abraço apertado e se ajoelhou, colocando as mãos sobre a barriga dela.
— Olá, pequeno. O papai chegou.
Nesse exato momento, a porta da frente se abriu com um estrondo. Emma Swan entrou carregando sacolas de comida tailandesa, parando bruscamente ao ver a cena. O ciúme que ela vinha tentando controlar explodiu como um vulcão.
— Tira a mão da minha mulher e do meu filho! — Emma rugiu, a voz ecoando por toda a mansão.
Robin levantou-se rapidamente, confuso e ultrajado.
— O que você disse, Swan? Sua mulher? Regina, do que ela está falando?
Regina suspirou, sentindo a dor de cabeça começar.
— Robin, eu ia te contar. Eu tentei terminar com você antes que partisse, mas as coisas aconteceram rápido demais.
— Terminar? — Robin olhou de uma para a outra, a ficha finalmente caindo. — Você me traiu? Com ela? E esse filho... você está me dizendo que esse filho é da Salvadora? Isso é uma piada de mau gosto?
— Não é traição quando o que temos é real, Robin — Emma deu um passo à frente, o olhar desafiador. — E sim, o bebê é meu. Magia, destino, chame do que quiser. Mas afaste-se da Regina.
Robin, cego pela humilhação, avançou para Emma.
— Você roubou tudo de mim! Primeiro meu lugar nesta cidade, agora minha mulher!
Ele tentou empurrar Emma, mas a loira foi mais rápida, segurando o braço dele e o prendendo contra a parede com uma força sobre-humana.
— Eu não roubei nada que já não fosse meu por direito — Emma sibilou. — Saia daqui antes que eu esqueça que você é um dos "mocinhos".
Robin olhou para Regina, esperando algum apoio, mas encontrou apenas um olhar frio e decidido. Ele soltou um rosnado de frustração e saiu da casa, batendo a porta com tanta força que os quadros nas paredes tremeram.
Regina desabou no sofá, massageando as têmporas.
— Bem... acho que agora Storybrooke inteira saberá em menos de uma hora.
***
Ela estava certa. O boato se espalhou como fogo em palha seca. No dia seguinte, o Granny’s estava lotado de pessoas cochichando. Quando Emma e Regina entraram juntas, de mãos dadas — uma declaração pública de guerra e amor —, o silêncio foi absoluto.
Snow White e David estavam sentados em uma mesa de canto, ambos parecendo que tinham acabado de ver um fantasma.
— Emma — David começou, a voz trêmula. — O Robin está dizendo coisas... coisas impossíveis na taverna. Ele diz que o bebê da Regina é... seu?
Emma puxou Regina para mais perto, sentindo a confiança fluir através da conexão delas.
— É verdade, pai. Regina e eu estamos juntas. E esse bebê é o fruto da nossa magia.
Snow White piscou várias vezes, processando a informação. Ela olhou para Regina, depois para a filha, e então para a barriga da ex-madrasta. Lentamente, um sorriso começou a se espalhar por seu rosto.
— Então... eu vou ser avó? De novo? Da Regina?
David enterrou o rosto nas mãos.
— Snow, isso é tecnicamente um pesadelo genealógico. A Regina é sua madrasta, o que torna esse bebê seu irmão e seu neto ao mesmo tempo...
— Oh, cale a boca, David! — Snow se levantou e correu para abraçar as duas. — É um milagre de amor verdadeiro! Eu sempre soube que vocês duas tinham uma tensão mal resolvida!
Regina soltou um riso curto, sentindo o peso do mundo diminuir um pouco.
— Só você para ver o lado positivo de um escândalo místico, Snow.
Henry desceu as escadas do restaurante naquele momento, olhando para a cena com um sorriso de quem já sabia de tudo há muito tempo.
— Já era hora — disse o garoto, pegando uma batata frita do prato de David. — Eu já estava cansado de fingir que não via a mãe Emma saindo de fininho da mansão toda manhã.
Emma corou violentamente, enquanto Regina tentava manter sua dignidade real.
— Henry! — ambas exclamaram ao mesmo tempo.
A cidade de Storybrooke teria muito o que falar nos próximos meses. Haveria desafios, o julgamento dos puritanos e a complexidade de criar um bebê nascido da magia mais pura. Mas, enquanto Emma envolvia Regina em seus braços protetores e Regina descansava a cabeça no ombro da loira, ambas sabiam que, pela primeira vez, não estavam apenas sobrevivendo a uma maldição.
Elas estavam finalmente começando sua própria história. E desta vez, o "felizes para sempre" não era apenas um conto de fadas, mas uma realidade que crescia, batida a batida, no ventre da Rainha.
Ao seu lado, Mary Margaret — ou Snow White, como Regina ainda pensava nela nos momentos de irritação — segurava sua mão com uma insistência que beirava o irritante.
— Vai ficar tudo bem, Regina. Deve ser apenas estresse. A viagem para a Terra do Nunca foi exaustiva para todos nós — disse Snow, com aquele otimismo inabalável.
Regina soltou um suspiro cansado.
— Eu sou a Rainha Má, Snow. Eu sobrevivi a guerras, maldições e ao próprio Peter Pan. Não fico "mareada" por estresse.
A porta se abriu e o Dr. Whale entrou segurando alguns papéis, com uma expressão que misturava confusão e choque profissional. Ele olhou para Regina, depois para os exames, e pigarreou.
— Bem... os resultados são definitivos. Regina, a razão dos seus enjoos e desmaios é que você está grávida. De aproximadamente oito semanas.
O silêncio que se seguiu foi tão denso que poderia ser cortado com uma adaga de prata. Regina sentiu o sangue fugir de seu rosto.
— Isso é impossível — sussurrou ela, a voz falhando pela primeira vez em anos. — Eu sou estéril. A poção que tomei na juventude... as consequências da magia negra... eu não posso conceber.
— A ciência diz o contrário — Whale deu de ombros, igualmente perplexo. — E a magia de Storybrooke parece ter encontrado um caminho. O feto está saudável e crescendo em um ritmo impressionante.
Snow White soltou um gritinho de alegria e abraçou Regina, que permaneceu estática, como uma estátua de mármore.
— Um bebê! Regina, isso é um milagre! — Snow exclamou, as lágrimas já brilhando nos olhos. Mas então, a expressão da princesa mudou para uma de dúvida genuína. — Mas... Regina... o Robin está fora da cidade em uma missão na floresta há dois meses. Como isso...? Quem é o pai?
Regina não ouviu o resto. Sua mente viajou de volta para as selvas úmidas e perigosas da Terra do Nunca. Ela se lembrou da noite em que ela e Emma se distanciaram do acampamento, exaustas pela busca por Henry e pela tensão constante entre as duas. A discussão que começou com insultos terminou com um beijo desesperado, e o que se seguiu foi a experiência mais intensa da vida de Regina.
Ela se lembrou da pele dourada de Emma sob o luar, da força atlética da Salvadora e, principalmente, do momento do clímax. Quando elas se uniram, uma onda de magia branca e pura explodiu entre seus corpos, uma energia tão poderosa que iluminou a clareira por segundos. Na época, elas pensaram ser apenas a conexão de seus poderes. Agora, Regina percebia que tinha sido algo muito mais profundo.
***
No Granny’s, Emma Swan estava terminando seu terceiro café quando Snow entrou correndo, transbordando a notícia.
— Emma! Você não vai acreditar! A Regina está grávida!
Emma engasgou com o café, tossindo violentamente enquanto sentia o coração despencar até o estômago.
— O quê? — Emma conseguiu dizer, a voz rouca. — Grávida? Mas... como? Do Robin?
— Não pode ser do Robin — Snow disse, baixando o tom de voz, embora o restaurante estivesse quase vazio. — Ele está fora há muito tempo. Regina não disse quem é, mas ela parecia em choque. Pobre Regina, deve ter sido algum encontro que ela manteve em segredo. Mas quem poderia ter quebrado a maldição da infertilidade dela?
Emma sentiu uma mistura tóxica de mágoa e ciúmes arder em seu peito. A imagem de Regina nos braços de outro homem, de algum desconhecido que Storybrooke não sabia, fazia seu sangue ferver. Elas tinham compartilhado algo sagrado na Terra do Nunca. Ou pelo menos, Emma achava que sim.
Sem dizer uma palavra, Emma se levantou, pegou sua jaqueta de couro vermelha e saiu a passos largos em direção à mansão da prefeita.
Ela não bateu. Simplesmente entrou, usando sua magia latente para destrancar a porta. Regina estava na sala, diante da lareira, com uma taça de suco nas mãos e o olhar perdido nas chamas.
— De quem é? — Emma disparou, a voz carregada de veneno e dor.
Regina se virou lentamente. Seus olhos estavam vermelhos, mas ela mantinha a cabeça erguida.
— Emma, saia da minha casa.
— Não! — Emma avançou, parando a poucos centímetros dela. — Eu não consigo suportar a ideia, Regina. Depois de tudo o que aconteceu naquela ilha... depois de como você se entregou a mim... como você pôde correr para os braços de outro assim que voltamos? Quem é o pai? Quem tocou você?
Regina soltou uma risada amarga, que logo se transformou em um soluço sufocado.
— Você é uma idiota, Swan. Uma completa e absoluta idiota.
— Me diz o nome dele! — Emma gritou, as mãos tremendo de raiva.
— É seu! — Regina gritou de volta, as lágrimas finalmente caindo. — O filho é seu, Emma!
Emma congelou. O mundo pareceu parar de girar.
— O quê? Regina... isso não faz sentido biológico. Nós somos... eu sou...
— Nós somos magia, Emma! — Regina deu um passo à frente, batendo no peito da loira. — Você se lembra daquela noite? Você se lembra da luz? Da energia que nos envolveu? O Dr. Whale disse que a gravidez tem oito semanas. O tempo exato. A sua magia de Salvadora, o meu desejo reprimido de ser mãe novamente... a nossa conexão... a magia deu um jeito.
Emma sentiu o ar faltar. Ela olhou para a barriga ainda plana de Regina, coberta pelo tecido caro, e lentamente levou a mão até lá. Regina não recuou. Quando a palma de Emma tocou o ventre de Regina, uma faísca dourada saltou entre elas, um reconhecimento imediato.
— É meu... — Emma sussurou, agora com um sorriso bobo e orgulhoso começando a surgir. — Eu engravidei a Rainha Má.
Regina revirou os olhos, embora estivesse sorrindo entre as lágrimas.
— Não se sinta tão especial, Swan.
— Ah, eu me sinto muito especial — Emma a puxou para um beijo profundo, cheio de alívio e uma paixão renovada. — Meu Deus, Regina... um bebê nosso.
***
As semanas seguintes foram um borrão de segredos e encontros clandestinos. Elas decidiram manter a verdade em sigilo até que soubessem como explicar a situação para Henry e para o resto da cidade. Emma passava quase todas as noites na mansão, onde as "conversas" sobre o futuro invariavelmente terminavam em lençóis revirados e uma urgência que parecia crescer junto com a barriga de Regina.
— Emma... — Regina arquejou certa noite, as mãos cravadas nos ombros da loira enquanto se moviam em um ritmo frenético. — Nós temos que... contar...
— Depois — Emma murmurou contra o pescoço dela, beijando a pele sedosa. — Agora, você é só minha.
No entanto, a bolha estava prestes a estourar.
Uma semana depois, Regina estava na sala organizando alguns papéis quando a porta se abriu abruptamente. Robin Hood entrou, com as roupas de viagem sujas de terra e um sorriso radiante no rosto.
— Regina! Meu amor, eu voltei! — Ele correu para ela, tentando abraçá-la.
Regina recuou um passo, as mãos protegendo instintivamente o ventre, que agora já exibia uma pequena e delicada saliência.
— Robin, precisamos conversar. Muita coisa mudou.
Robin parou, o olhar caindo para a barriga dela. Seus olhos se arregalaram em choque e alegria.
— Regina... você está...? É o que estou vendo?
— Robin, eu... eu tentei te enviar uma mensagem, mas...
— Não precisa dizer nada! — Ele a interrompeu, os olhos brilhando. — Eu sabia que o nosso amor era capaz de milagres! Um filho! O nosso filho!
Antes que Regina pudesse protestar, Robin a envolveu em um abraço apertado e se ajoelhou, colocando as mãos sobre a barriga dela.
— Olá, pequeno. O papai chegou.
Nesse exato momento, a porta da frente se abriu com um estrondo. Emma Swan entrou carregando sacolas de comida tailandesa, parando bruscamente ao ver a cena. O ciúme que ela vinha tentando controlar explodiu como um vulcão.
— Tira a mão da minha mulher e do meu filho! — Emma rugiu, a voz ecoando por toda a mansão.
Robin levantou-se rapidamente, confuso e ultrajado.
— O que você disse, Swan? Sua mulher? Regina, do que ela está falando?
Regina suspirou, sentindo a dor de cabeça começar.
— Robin, eu ia te contar. Eu tentei terminar com você antes que partisse, mas as coisas aconteceram rápido demais.
— Terminar? — Robin olhou de uma para a outra, a ficha finalmente caindo. — Você me traiu? Com ela? E esse filho... você está me dizendo que esse filho é da Salvadora? Isso é uma piada de mau gosto?
— Não é traição quando o que temos é real, Robin — Emma deu um passo à frente, o olhar desafiador. — E sim, o bebê é meu. Magia, destino, chame do que quiser. Mas afaste-se da Regina.
Robin, cego pela humilhação, avançou para Emma.
— Você roubou tudo de mim! Primeiro meu lugar nesta cidade, agora minha mulher!
Ele tentou empurrar Emma, mas a loira foi mais rápida, segurando o braço dele e o prendendo contra a parede com uma força sobre-humana.
— Eu não roubei nada que já não fosse meu por direito — Emma sibilou. — Saia daqui antes que eu esqueça que você é um dos "mocinhos".
Robin olhou para Regina, esperando algum apoio, mas encontrou apenas um olhar frio e decidido. Ele soltou um rosnado de frustração e saiu da casa, batendo a porta com tanta força que os quadros nas paredes tremeram.
Regina desabou no sofá, massageando as têmporas.
— Bem... acho que agora Storybrooke inteira saberá em menos de uma hora.
***
Ela estava certa. O boato se espalhou como fogo em palha seca. No dia seguinte, o Granny’s estava lotado de pessoas cochichando. Quando Emma e Regina entraram juntas, de mãos dadas — uma declaração pública de guerra e amor —, o silêncio foi absoluto.
Snow White e David estavam sentados em uma mesa de canto, ambos parecendo que tinham acabado de ver um fantasma.
— Emma — David começou, a voz trêmula. — O Robin está dizendo coisas... coisas impossíveis na taverna. Ele diz que o bebê da Regina é... seu?
Emma puxou Regina para mais perto, sentindo a confiança fluir através da conexão delas.
— É verdade, pai. Regina e eu estamos juntas. E esse bebê é o fruto da nossa magia.
Snow White piscou várias vezes, processando a informação. Ela olhou para Regina, depois para a filha, e então para a barriga da ex-madrasta. Lentamente, um sorriso começou a se espalhar por seu rosto.
— Então... eu vou ser avó? De novo? Da Regina?
David enterrou o rosto nas mãos.
— Snow, isso é tecnicamente um pesadelo genealógico. A Regina é sua madrasta, o que torna esse bebê seu irmão e seu neto ao mesmo tempo...
— Oh, cale a boca, David! — Snow se levantou e correu para abraçar as duas. — É um milagre de amor verdadeiro! Eu sempre soube que vocês duas tinham uma tensão mal resolvida!
Regina soltou um riso curto, sentindo o peso do mundo diminuir um pouco.
— Só você para ver o lado positivo de um escândalo místico, Snow.
Henry desceu as escadas do restaurante naquele momento, olhando para a cena com um sorriso de quem já sabia de tudo há muito tempo.
— Já era hora — disse o garoto, pegando uma batata frita do prato de David. — Eu já estava cansado de fingir que não via a mãe Emma saindo de fininho da mansão toda manhã.
Emma corou violentamente, enquanto Regina tentava manter sua dignidade real.
— Henry! — ambas exclamaram ao mesmo tempo.
A cidade de Storybrooke teria muito o que falar nos próximos meses. Haveria desafios, o julgamento dos puritanos e a complexidade de criar um bebê nascido da magia mais pura. Mas, enquanto Emma envolvia Regina em seus braços protetores e Regina descansava a cabeça no ombro da loira, ambas sabiam que, pela primeira vez, não estavam apenas sobrevivendo a uma maldição.
Elas estavam finalmente começando sua própria história. E desta vez, o "felizes para sempre" não era apenas um conto de fadas, mas uma realidade que crescia, batida a batida, no ventre da Rainha.
