
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
sequestro
Fandom: Bts
Criado: 31/05/2026
Tags
SombrioPsicológicoSuspenseCrimeAngústiaDramaMistérioViolência GráficaSobrevivênciaCiúmesRomance
O Aroma do Café e o Gosto do Medo
A cafeteria "Lumière" ficava em uma esquina estratégica, onde a luz amarelada dos postes mal alcançava o interior aconchegante. Era quase meia-noite, o horário em que o movimento cessava e o silêncio da cidade começava a sussurrar segredos perigosos. S/N limpava o balcão de madeira pela terceira vez, ansiosa para encerrar o expediente, quando o sino da porta anunciou a última visita da noite.
Ele entrou com passos silenciosos, as botas de couro quase não fazendo som contra o piso de cerâmica. Vestia um sobretudo preto longo e um boné que sombreava a maior parte de seu rosto, mas não o suficiente para esconder a intensidade de seus olhos escuros.
— Ainda estão aceitando pedidos? — A voz dele era baixa, um barítono aveludado que causou um arrepio involuntário na espinha de S/N.
— Sim, acabamos de fechar a máquina de expresso, mas posso preparar um café coado se você não se importar — respondeu ela, forçando um sorriso gentil. Ela não sabia que aquele homem era o rosto por trás das manchetes que aterrorizavam Seul. Para ela, ele era apenas um cliente noturno com uma aura melancólica.
— Um café preto. Sem açúcar — disse ele, sentando-se no banco alto do balcão, exatamente onde a luz era mais fraca.
— Com certeza. É novo no bairro? Nunca o vi por aqui antes.
— Estou apenas de passagem — mentiu Jeon Jungkook, observando as mãos dela enquanto ela preparava a bebida.
Ele a observou com uma curiosidade que rapidamente se transformou em algo mais sombrio e possessivo. Nas semanas seguintes, Jungkook tornou-se uma sombra constante. Ele aparecia sempre no mesmo horário, quando S/N estava sozinha, prestes a fechar. Eles conversavam sobre coisas triviais: a chuva, os livros que ela lia no intervalo, o cansaço do trabalho. Para Jungkook, S/N era uma anomalia. Em um mundo que ele via apenas como um campo de caça, ela era o único ponto de cor.
Mas a obsessão de um lobo nunca termina em um simples café.
— Você não deveria andar sozinha a esta hora, S/N — disse Jungkook em uma dessas noites, enquanto ela guardava o avental.
— Eu sei me cuidar, Jungkook. Além disso, a polícia está patrulhando mais por causa... bem, você sabe. Aquele louco que anda solto — ela soltou uma risada nervosa, sem notar o brilho metálico nos olhos dele.
— O louco... — Jungkook repetiu, saboreando a palavra. — Talvez ele não seja louco. Talvez ele apenas queira algo que não pode ter.
Naquela mesma noite, o mundo de S/N escureceu. Ela sentiu o cheiro de sândalo e metal antes de um pano ser pressionado contra seu rosto. O pânico foi substituído por um vazio negro.
Quando acordou, não estava mais no conforto de seu apartamento. O ar era frio e cheirava a mofo e perfume caro. Suas mãos estavam presas por cordas de seda em uma cama larga, em um quarto decorado com um luxo minimalista e sombrio.
A porta se abriu e a silhueta alta de Jungkook apareceu. Ele não usava mais o boné ou o sobretudo. Estava impecável em uma camisa social preta, os cabelos escuros caídos sobre a testa.
— Você acordou — disse ele, aproximando-se com uma bandeja que carregava uma xícara de café. O aroma era o mesmo da cafeteria.
— O que é isso? — S/N sentiu o coração martelar contra as costelas, mas forçou a voz a soar firme. — Jungkook, que brincadeira de mau gosto é essa? Me solta agora!
Jungkook colocou a bandeja na mesa de cabeceira e sentou-se na beira da cama, estendendo a mão para acariciar o rosto dela. Ela desviou o rosto bruscamente.
— Não é uma brincadeira, S/N. Eu não podia mais deixar você naquele lugar. Alguém poderia te machucar. O mundo lá fora é perigoso.
— O mundo lá fora? — Ela soltou uma risada seca, carregada de escárnio. — O perigo está sentado na minha cama! Você é o serial killer, não é? O "Assassino do Silêncio". Eu fui uma idiota por não perceber.
Jungkook inclinou a cabeça, um sorriso gélido brincando em seus lábios.
— Você é mais esperta do que eu pensava. Isso me agrada.
— Me solta, Jungkook. Se você acha que eu vou ficar aqui quietinha sendo sua boneca, você está muito enganado — desafiou ela, encarando-o nos olhos. — Eu não tenho medo de você.
Jungkook apertou o maxilar. A resistência dela era fascinante, mas também irritante. Ele se inclinou, o rosto a centímetros do dela, a frieza emanando de seu corpo.
— Você deveria ter medo — sussurrou ele. — Eu já fiz coisas com pessoas que me olharam da forma que você está me olhando agora... coisas que fariam você implorar pela morte.
— Então faça! — S/N cuspiu as palavras, sentindo as lágrimas de ódio picarem seus olhos, mas recusando-se a deixá-las cair. — Me mate logo ou me solte. Mas não espere que eu te agradeça por me manter em uma gaiola.
A mão de Jungkook desceu para o pescoço dela, não apertando, mas envolvendo-o com uma possessividade sufocante.
— Você não vai morrer. Você é minha. Mas se continuar a me desobedecer... se continuar a me enfrentar dessa forma, eu terei que ensinar a você como se comportar.
— Você é um monstro — disse ela, a voz falhando levemente pela primeira vez.
— Eu sou o monstro que escolheu amar você — ele respondeu, levantando-se e caminhando até a porta. — Beba o café. Está ficando frio.
— Eu não quero nada que venha de você! — gritou ela, tentando puxar as cordas, a pele dos pulsos começando a arder.
Jungkook parou no batente da porta e olhou para trás. Seu olhar era gélido, desprovido daquela doçura falsa que ele mostrava na cafeteria.
— Se eu voltar e essa xícara ainda estiver cheia, S/N, eu vou garantir que sua próxima refeição seja através de um tubo. Não me teste. Eu perco a paciência muito rápido com crianças teimosas.
Ele fechou a porta e o som da tranca ecoou pelo quarto como um tiro. S/N desabou contra os travesseiros, o peito subindo e descendo com força. Ela estava aterrorizada, cada fibra de seu ser gritava para ela fugir, mas sua mente trabalhava freneticamente. Ela não seria uma vítima passiva. Se Jungkook queria um jogo, ela daria um a ele, mesmo que tivesse que queimar cada centímetro de sua alma para vencer.
Algumas horas se passaram até que ele retornasse. S/N não havia tocado no café. Ela estava sentada, ou o máximo que as cordas permitiam, encarando a parede oposta com uma expressão de puro desdém.
Jungkook entrou e viu a xícara intocada. Ele suspirou, um som perigoso que parecia o rosnado de um animal ferido.
— Eu avisei você — disse ele, aproximando-se com passos lentos.
— E eu avisei que não queria — rebateu ela, sem olhar para ele. — O que vai fazer? Me bater? Me matar? Vá em frente.
Jungkook segurou o queixo dela com força, forçando-a a olhar para ele. Seus dedos enterraram-se na pele macia de S/N.
— Você acha que sua coragem vai te salvar? — perguntou ele, a voz carregada de uma fúria contida. — Aqui, eu sou o Deus. Eu decido quando você come, quando você dorme e quando você respira.
— Você pode controlar meu corpo, Jungkook, mas nunca vai controlar o que eu sinto por você. E agora, tudo o que sinto é nojo.
O impacto das palavras dela pareceu atingi-lo mais do que qualquer agressão física. Jungkook recuou um passo, a expressão vacilando entre a raiva e uma dor estranha que ele não sabia processar. Ele nunca se importou com o que suas vítimas sentiam. Mas S/N... ele queria que ela o olhasse com a mesma admiração de antes.
— Você vai aprender — disse ele, sua voz voltando ao tom frio e monótono. — Nem que eu tenha que quebrar cada pedaço da sua vontade até que não reste nada além de mim.
Ele saiu novamente, mas desta vez, não trancou apenas a porta. Ele apagou todas as luzes, deixando-a na escuridão total.
— Jungkook! — gritou ela, a voz ecoando no vazio. — Você é um covarde!
No escuro, S/N começou a tatear as cordas com os dedos, procurando qualquer fraqueza. Ela sentia o medo rastejar por sua pele como insetos, mas o ódio era mais forte. Ela se lembrou de um grampo que usava no cabelo, escondido sob a massa de fios desgrenhados. Com esforço hercúleo e ignorando a dor nos ombros, ela conseguiu derrubar o grampo no colchão.
Minutos depois, ou talvez horas, o som da porta se abrindo novamente a fez congelar. A luz do corredor desenhou a silhueta de Jungkook. Ele trazia uma bandeja com comida.
— Trouxe algo para você comer. Carne. Malpassada, como você gosta — ele disse, a voz soando quase normal, como se nada tivesse acontecido.
— Eu não vou comer — repetiu ela, escondendo o grampo entre os dedos da mão presa.
Ele suspirou e sentou-se ao lado dela.
— S/N, não torne as coisas mais difíceis. Eu não quero ser mau com você. Eu trouxe flores para o quarto. Tulipas brancas. Suas favoritas.
— Como você sabe que são minhas favoritas? — ela perguntou, a guarda baixando por um segundo.
— Eu observo você há muito tempo. Eu vi você comprando-as na feira de domingo. Eu vi você sorrindo para elas. Eu quero que você sorria para mim daquele jeito.
— Monstros não ganham sorrisos, Jungkook. Eles ganham correntes.
Ele largou a bandeja com violência, a comida respingando no tapete caro.
— Chega! — ele rugiu, agarrando os ombros dela e sacudindo-a. — Eu te dei tudo! Eu te tirei daquela vida medíocre, daquele trabalho de merda! Eu te dei segurança! Ninguém nunca mais vai encostar em você!
— Porque você já está fazendo o trabalho sujo por eles! — gritou ela de volta, o rosto vermelho de fúria.
Jungkook parou, os olhos fixos nos dela. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de uma tensão que beirava o insuportável. Lentamente, ele soltou os ombros dela e passou a mão pelo cabelo, visivelmente perturbado.
— Você me odeia tanto assim? — a pergunta saiu quase como um sussurro, desprovida de sua habitual arrogância.
S/N hesitou. Por um breve momento, ela viu o homem que tomava café na Lumière, o homem que parecia carregar o peso do mundo nos ombros. Mas então ela olhou para os próprios pulsos amarrados e a realidade voltou como um soco.
— Eu não odeio você, Jungkook. Eu tenho pena de você. Você é tão vazio que precisa sequestrar alguém para se sentir amado. Isso não é amor. É patológico.
Ele se levantou, a expressão tornando-se uma máscara de gelo novamente.
— Pena é a última coisa que você deveria sentir de mim.
Ele caminhou até a porta, mas antes de sair, ele se virou.
— Amanhã, começaremos as regras de verdade. Se você não comer, eu vou punir você. Se você me insultar, eu vou punir você. E S/N... — ele deu um sorriso que não chegou aos olhos. — Eu sou muito criativo quando se trata de punições.
A porta se fechou. S/N esperou o silêncio se estabilizar e então começou a trabalhar freneticamente com o grampo na fechadura das algemas de seda. Suas mãos tremiam, o suor frio escorria por seu pescoço, mas ela não parou.
— Você acha que me conhece, Jungkook — sussurrou ela para a escuridão. — Mas você não tem ideia do que eu sou capaz para ter minha liberdade de volta.
Lá fora, no corredor, Jungkook encostou a cabeça na parede, fechando os olhos. Ele podia ouvir os ruídos abafados vindos do quarto. Ele sabia que ela estava tentando escapar. Ele sabia que ela nunca pararia de lutar. E era exatamente por isso que ele não conseguia matá-la. Ela era o fogo que ele passara a vida tentando apagar nos outros, mas que, nela, ele queria apenas observar queimar, mesmo que isso acabasse por consumi-lo também.
O jogo estava apenas começando, e naquela casa de sombras, o aroma do café havia sido substituído pelo cheiro metálico de uma guerra iminente entre dois corações igualmente obstinados.
Ele entrou com passos silenciosos, as botas de couro quase não fazendo som contra o piso de cerâmica. Vestia um sobretudo preto longo e um boné que sombreava a maior parte de seu rosto, mas não o suficiente para esconder a intensidade de seus olhos escuros.
— Ainda estão aceitando pedidos? — A voz dele era baixa, um barítono aveludado que causou um arrepio involuntário na espinha de S/N.
— Sim, acabamos de fechar a máquina de expresso, mas posso preparar um café coado se você não se importar — respondeu ela, forçando um sorriso gentil. Ela não sabia que aquele homem era o rosto por trás das manchetes que aterrorizavam Seul. Para ela, ele era apenas um cliente noturno com uma aura melancólica.
— Um café preto. Sem açúcar — disse ele, sentando-se no banco alto do balcão, exatamente onde a luz era mais fraca.
— Com certeza. É novo no bairro? Nunca o vi por aqui antes.
— Estou apenas de passagem — mentiu Jeon Jungkook, observando as mãos dela enquanto ela preparava a bebida.
Ele a observou com uma curiosidade que rapidamente se transformou em algo mais sombrio e possessivo. Nas semanas seguintes, Jungkook tornou-se uma sombra constante. Ele aparecia sempre no mesmo horário, quando S/N estava sozinha, prestes a fechar. Eles conversavam sobre coisas triviais: a chuva, os livros que ela lia no intervalo, o cansaço do trabalho. Para Jungkook, S/N era uma anomalia. Em um mundo que ele via apenas como um campo de caça, ela era o único ponto de cor.
Mas a obsessão de um lobo nunca termina em um simples café.
— Você não deveria andar sozinha a esta hora, S/N — disse Jungkook em uma dessas noites, enquanto ela guardava o avental.
— Eu sei me cuidar, Jungkook. Além disso, a polícia está patrulhando mais por causa... bem, você sabe. Aquele louco que anda solto — ela soltou uma risada nervosa, sem notar o brilho metálico nos olhos dele.
— O louco... — Jungkook repetiu, saboreando a palavra. — Talvez ele não seja louco. Talvez ele apenas queira algo que não pode ter.
Naquela mesma noite, o mundo de S/N escureceu. Ela sentiu o cheiro de sândalo e metal antes de um pano ser pressionado contra seu rosto. O pânico foi substituído por um vazio negro.
Quando acordou, não estava mais no conforto de seu apartamento. O ar era frio e cheirava a mofo e perfume caro. Suas mãos estavam presas por cordas de seda em uma cama larga, em um quarto decorado com um luxo minimalista e sombrio.
A porta se abriu e a silhueta alta de Jungkook apareceu. Ele não usava mais o boné ou o sobretudo. Estava impecável em uma camisa social preta, os cabelos escuros caídos sobre a testa.
— Você acordou — disse ele, aproximando-se com uma bandeja que carregava uma xícara de café. O aroma era o mesmo da cafeteria.
— O que é isso? — S/N sentiu o coração martelar contra as costelas, mas forçou a voz a soar firme. — Jungkook, que brincadeira de mau gosto é essa? Me solta agora!
Jungkook colocou a bandeja na mesa de cabeceira e sentou-se na beira da cama, estendendo a mão para acariciar o rosto dela. Ela desviou o rosto bruscamente.
— Não é uma brincadeira, S/N. Eu não podia mais deixar você naquele lugar. Alguém poderia te machucar. O mundo lá fora é perigoso.
— O mundo lá fora? — Ela soltou uma risada seca, carregada de escárnio. — O perigo está sentado na minha cama! Você é o serial killer, não é? O "Assassino do Silêncio". Eu fui uma idiota por não perceber.
Jungkook inclinou a cabeça, um sorriso gélido brincando em seus lábios.
— Você é mais esperta do que eu pensava. Isso me agrada.
— Me solta, Jungkook. Se você acha que eu vou ficar aqui quietinha sendo sua boneca, você está muito enganado — desafiou ela, encarando-o nos olhos. — Eu não tenho medo de você.
Jungkook apertou o maxilar. A resistência dela era fascinante, mas também irritante. Ele se inclinou, o rosto a centímetros do dela, a frieza emanando de seu corpo.
— Você deveria ter medo — sussurrou ele. — Eu já fiz coisas com pessoas que me olharam da forma que você está me olhando agora... coisas que fariam você implorar pela morte.
— Então faça! — S/N cuspiu as palavras, sentindo as lágrimas de ódio picarem seus olhos, mas recusando-se a deixá-las cair. — Me mate logo ou me solte. Mas não espere que eu te agradeça por me manter em uma gaiola.
A mão de Jungkook desceu para o pescoço dela, não apertando, mas envolvendo-o com uma possessividade sufocante.
— Você não vai morrer. Você é minha. Mas se continuar a me desobedecer... se continuar a me enfrentar dessa forma, eu terei que ensinar a você como se comportar.
— Você é um monstro — disse ela, a voz falhando levemente pela primeira vez.
— Eu sou o monstro que escolheu amar você — ele respondeu, levantando-se e caminhando até a porta. — Beba o café. Está ficando frio.
— Eu não quero nada que venha de você! — gritou ela, tentando puxar as cordas, a pele dos pulsos começando a arder.
Jungkook parou no batente da porta e olhou para trás. Seu olhar era gélido, desprovido daquela doçura falsa que ele mostrava na cafeteria.
— Se eu voltar e essa xícara ainda estiver cheia, S/N, eu vou garantir que sua próxima refeição seja através de um tubo. Não me teste. Eu perco a paciência muito rápido com crianças teimosas.
Ele fechou a porta e o som da tranca ecoou pelo quarto como um tiro. S/N desabou contra os travesseiros, o peito subindo e descendo com força. Ela estava aterrorizada, cada fibra de seu ser gritava para ela fugir, mas sua mente trabalhava freneticamente. Ela não seria uma vítima passiva. Se Jungkook queria um jogo, ela daria um a ele, mesmo que tivesse que queimar cada centímetro de sua alma para vencer.
Algumas horas se passaram até que ele retornasse. S/N não havia tocado no café. Ela estava sentada, ou o máximo que as cordas permitiam, encarando a parede oposta com uma expressão de puro desdém.
Jungkook entrou e viu a xícara intocada. Ele suspirou, um som perigoso que parecia o rosnado de um animal ferido.
— Eu avisei você — disse ele, aproximando-se com passos lentos.
— E eu avisei que não queria — rebateu ela, sem olhar para ele. — O que vai fazer? Me bater? Me matar? Vá em frente.
Jungkook segurou o queixo dela com força, forçando-a a olhar para ele. Seus dedos enterraram-se na pele macia de S/N.
— Você acha que sua coragem vai te salvar? — perguntou ele, a voz carregada de uma fúria contida. — Aqui, eu sou o Deus. Eu decido quando você come, quando você dorme e quando você respira.
— Você pode controlar meu corpo, Jungkook, mas nunca vai controlar o que eu sinto por você. E agora, tudo o que sinto é nojo.
O impacto das palavras dela pareceu atingi-lo mais do que qualquer agressão física. Jungkook recuou um passo, a expressão vacilando entre a raiva e uma dor estranha que ele não sabia processar. Ele nunca se importou com o que suas vítimas sentiam. Mas S/N... ele queria que ela o olhasse com a mesma admiração de antes.
— Você vai aprender — disse ele, sua voz voltando ao tom frio e monótono. — Nem que eu tenha que quebrar cada pedaço da sua vontade até que não reste nada além de mim.
Ele saiu novamente, mas desta vez, não trancou apenas a porta. Ele apagou todas as luzes, deixando-a na escuridão total.
— Jungkook! — gritou ela, a voz ecoando no vazio. — Você é um covarde!
No escuro, S/N começou a tatear as cordas com os dedos, procurando qualquer fraqueza. Ela sentia o medo rastejar por sua pele como insetos, mas o ódio era mais forte. Ela se lembrou de um grampo que usava no cabelo, escondido sob a massa de fios desgrenhados. Com esforço hercúleo e ignorando a dor nos ombros, ela conseguiu derrubar o grampo no colchão.
Minutos depois, ou talvez horas, o som da porta se abrindo novamente a fez congelar. A luz do corredor desenhou a silhueta de Jungkook. Ele trazia uma bandeja com comida.
— Trouxe algo para você comer. Carne. Malpassada, como você gosta — ele disse, a voz soando quase normal, como se nada tivesse acontecido.
— Eu não vou comer — repetiu ela, escondendo o grampo entre os dedos da mão presa.
Ele suspirou e sentou-se ao lado dela.
— S/N, não torne as coisas mais difíceis. Eu não quero ser mau com você. Eu trouxe flores para o quarto. Tulipas brancas. Suas favoritas.
— Como você sabe que são minhas favoritas? — ela perguntou, a guarda baixando por um segundo.
— Eu observo você há muito tempo. Eu vi você comprando-as na feira de domingo. Eu vi você sorrindo para elas. Eu quero que você sorria para mim daquele jeito.
— Monstros não ganham sorrisos, Jungkook. Eles ganham correntes.
Ele largou a bandeja com violência, a comida respingando no tapete caro.
— Chega! — ele rugiu, agarrando os ombros dela e sacudindo-a. — Eu te dei tudo! Eu te tirei daquela vida medíocre, daquele trabalho de merda! Eu te dei segurança! Ninguém nunca mais vai encostar em você!
— Porque você já está fazendo o trabalho sujo por eles! — gritou ela de volta, o rosto vermelho de fúria.
Jungkook parou, os olhos fixos nos dela. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de uma tensão que beirava o insuportável. Lentamente, ele soltou os ombros dela e passou a mão pelo cabelo, visivelmente perturbado.
— Você me odeia tanto assim? — a pergunta saiu quase como um sussurro, desprovida de sua habitual arrogância.
S/N hesitou. Por um breve momento, ela viu o homem que tomava café na Lumière, o homem que parecia carregar o peso do mundo nos ombros. Mas então ela olhou para os próprios pulsos amarrados e a realidade voltou como um soco.
— Eu não odeio você, Jungkook. Eu tenho pena de você. Você é tão vazio que precisa sequestrar alguém para se sentir amado. Isso não é amor. É patológico.
Ele se levantou, a expressão tornando-se uma máscara de gelo novamente.
— Pena é a última coisa que você deveria sentir de mim.
Ele caminhou até a porta, mas antes de sair, ele se virou.
— Amanhã, começaremos as regras de verdade. Se você não comer, eu vou punir você. Se você me insultar, eu vou punir você. E S/N... — ele deu um sorriso que não chegou aos olhos. — Eu sou muito criativo quando se trata de punições.
A porta se fechou. S/N esperou o silêncio se estabilizar e então começou a trabalhar freneticamente com o grampo na fechadura das algemas de seda. Suas mãos tremiam, o suor frio escorria por seu pescoço, mas ela não parou.
— Você acha que me conhece, Jungkook — sussurrou ela para a escuridão. — Mas você não tem ideia do que eu sou capaz para ter minha liberdade de volta.
Lá fora, no corredor, Jungkook encostou a cabeça na parede, fechando os olhos. Ele podia ouvir os ruídos abafados vindos do quarto. Ele sabia que ela estava tentando escapar. Ele sabia que ela nunca pararia de lutar. E era exatamente por isso que ele não conseguia matá-la. Ela era o fogo que ele passara a vida tentando apagar nos outros, mas que, nela, ele queria apenas observar queimar, mesmo que isso acabasse por consumi-lo também.
O jogo estava apenas começando, e naquela casa de sombras, o aroma do café havia sido substituído pelo cheiro metálico de uma guerra iminente entre dois corações igualmente obstinados.
