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Infantilismo
Fandom: Bts
Criado: 31/05/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFofuraHistória DomésticaCiúmesEstudo de Personagem
Entre o Gelo e o Algodão-Doce
O escritório de Jeon Jungkook, localizado no quadragésimo andar de um dos prédios mais imponentes de Seul, exalava o mesmo aroma que o dono: perfume caro, café amargo e uma frieza que fazia qualquer funcionário hesitar antes de bater à porta. Aos vinte e dois anos, Jeon era um prodígio do mundo corporativo, um homem cujos olhos escuros raramente mostravam qualquer emoção que não fosse tédio ou autoridade.
No entanto, sentado no sofá de couro preto daquela sala austera, havia um contraste gritante. Kim Nari, com seus vinte anos e um vestido rosa decorado com pequenos coelhos, balançava as pernas freneticamente, fazendo o solado de seus sapatos de boneca baterem um no outro.
— Nari, eu já disse para ficar quieta. Estou tentando terminar este relatório — disse Jungkook, sem tirar os olhos da tela do notebook. Sua voz era profunda e linear, desprovida de doçura.
— Mas o Kookie prometeu! — Nari inflou as bochechas, cruzando os braços sobre o peito. — Prometeu que ia levar a Nari para tomar sorvete quando o ponteiro grande chegasse no doze. Já passou do doze!
Jungkook suspirou, fechando o notebook com um estalo seco. Ele massageou as têmporas, sentindo a costumeira dor de cabeça surgir. Ele amava Nari, à sua maneira possessiva e protetora, mas lidar com o infantilismo dela exigia uma paciência que ele, muitas vezes, não tinha interesse em cultivar.
— Surgiram imprevistos. Eu sou um homem ocupado, Nari. Você precisa aprender a esperar — ele respondeu, levantando-se e caminhando até a mesa de carvalho.
— Não quero esperar! O Kookie é chato! — Nari se levantou, batendo o pé com força no carpete. — A Nari vai embora então. Vai pedir para o Tio Taehyung levar ela. O Tio Tae sempre tem tempo!
O maxilar de Jungkook travou instantaneamente ao ouvir o nome de seu melhor amigo. Taehyung tinha um jeito natural com Nari, uma paciência lúdica que Jungkook se recusava a emular. O ciúme, um sentimento que ele considerava irracional, mas que o dominava completamente, subiu por sua garganta.
— Você não vai a lugar nenhum com o Taehyung — declarou Jungkook, a voz agora um tom mais baixa e perigosa. — E não me responda desse jeito. Onde estão seus modos?
— Sumiram! — Nari rebateu, fazendo um bico teimoso. — A Nari está malcriada hoje porque o Kookie é um gelo. Um cubo de gelo grande e bobo!
Antes que Jungkook pudesse repreendê-la, a porta do escritório se abriu após duas batidas leves. Minji, a secretária pessoal de Jungkook, entrou na sala segurando uma pasta de couro. Ela era alta, usava uma saia lápis ajustada e um sorriso profissional que Nari detestava com todas as suas forças.
— Com licença, Senhor Jeon. Os documentos da fusão com a conta de Tóquio chegaram. Preciso da sua assinatura em todas as páginas — disse Minji, aproximando-se da mesa e inclinando-se levemente para mostrar os papéis.
Nari parou de bater o pé. Seus olhos pequenos e brilhantes se estreitaram enquanto observava a interação. Ela viu como Minji tocou levemente o braço de Jungkook para indicar uma cláusula, e como Jungkook não se afastou.
— Kookie! — Nari exclamou, correndo até a mesa e se enfiando entre Jungkook e a secretária. — A Nari quer desenhar. Dá um papel para a Nari agora!
— Nari, agora não. Saia da frente — ordenou Jungkook, tentando afastá-la gentilmente pelo ombro, mas ela se agarrou à sua cintura.
— Não! Essa moça é feia. Ela está encostando no meu Kookie! — Nari apontou o dedo para Minji, que pareceu visivelmente desconfortável.
— Senhorita Kim, por favor, comporte-se — Jungkook disse, usando o sobrenome dela, o que era um sinal claro de que ele estava perdendo a paciência. — Minji, pode deixar os papéis. Eu assino e você retira em dez minutos.
— Sim, Senhor Jeon — a secretária respondeu com uma reverência rápida, lançando um olhar confuso para Nari antes de sair.
Assim que a porta se fechou, Nari soltou Jungkook e virou as costas para ele, sentando-se no chão, bem no meio da sala, em um protesto silencioso.
— Levante-se do chão, Nari. Você vai sujar seu vestido — ele disse, voltando a se sentar.
— Não ligo. O Kookie gosta mais daquela moça do que da Nari. Ela é grande e a Nari é pequena — ela fungou, os olhos começando a marejar.
Jungkook soltou um suspiro pesado. Ele se levantou, contornou a mesa e agachou-se na frente dela. Ele não era bom com palavras doces, mas a visão de Nari prestes a chorar sempre causava um aperto desconfortável em seu peito.
— Eu não gosto dela, Nari. Ela é apenas uma funcionária. Pare de ser boba — ele disse, tentando secar uma lágrima que escapou.
— Então por que o Kookie não dá atenção para a Nari? — ela perguntou, com a voz embargada.
— Porque eu tenho responsabilidades. Coisas que você ainda não entende — ele respondeu de forma ríspida, levantando-se novamente. — Agora, levante-se. Vou chamar o motorista para te levar para casa. Tenho um jantar de negócios e chegarei tarde.
— A Nari não quer o motorista! O Jimin disse que ia me encontrar na frente da escola de artes hoje. Ele vai me levar para comer tteokbokki! — Nari se levantou, limpando o rosto com as costas das mãos.
Jungkook parou no meio do caminho. Jimin era o "melhor amigo" de Nari na escola especializada que ela frequentava para suas terapias e aulas de artes. Um rapaz da idade dela, que também tinha suas particularidades, mas que Jungkook via como uma ameaça constante.
— Você não vai encontrar o Jimin. E muito menos comer comida de rua com ele — Jungkook sentenciou, sua frieza voltando com força total. — Você vai para casa, vai tomar seu banho e esperar por mim.
— O Kookie não manda na Nari! O Jimin é legal, ele me dá doces e não fica olhando para o computador o tempo todo! — Nari gritou, a rebeldia atingindo o ápice.
— Nari, chega! — O grito de Jungkook ecoou pela sala, fazendo a menina encolher os ombros e arregalar os olhos. — Você está sendo mimada e desobediente. Se disser mais uma palavra sobre o Jimin ou sobre o Taehyung, eu vou tirar todos os seus bichos de pelúcia por uma semana. Entendeu?
Nari tremeu. O lábio inferior vibrou violentamente. Ela odiava quando ele usava aquele tom de "chefe" com ela. Sem dizer nada, ela pegou sua mochila de coelhinho e correu para a porta, saindo do escritório antes que ele pudesse impedi-la.
Jungkook não foi atrás dela de imediato. Ele sabia que os seguranças a acompanhariam até o carro. Ele voltou para sua cadeira, sentindo o silêncio da sala pesar. Ele era um homem de lógica, mas Nari era o caos em forma de doçura.
Duas horas depois, o celular de Jungkook vibrou sobre a mesa. Era uma notificação de uma rede social. Ele abriu e sentiu o sangue ferver. Taehyung havia postado uma foto. Nari estava sentada em um balanço, rindo, com um sorvete de morango na mão. A legenda dizia: "Cuidando da pequena princesa já que o rei está ocupado sendo um bloco de gelo".
Jungkook jogou o celular sobre a mesa e levantou-se abruptamente. O jantar de negócios poderia esperar. A fusão com Tóquio poderia esperar.
Ele chegou à casa de Taehyung em tempo recorde. Ao entrar — ele tinha a chave, para o seu próprio desgosto agora —, encontrou Nari sentada no tapete da sala, desenhando em um caderno grande, enquanto Taehyung preparava chocolate quente na cozinha aberta.
— Ora, se não é o Sr. CEO — Taehyung disse, com um sorriso sarcástico, encostando-se no balcão. — Decidiu que o trabalho não é tão atraente quanto sua namorada?
Jungkook ignorou o amigo e caminhou até Nari. Ela nem sequer olhou para cima.
— Nari, vamos para casa. Agora — ele ordenou.
— Não. A Nari mora aqui agora. O Tio Tae é bonzinho — ela disse, continuando a pintar um sol amarelo muito forte.
— Nari, eu não vou repetir.
— Deixe ela em paz, Jungkook — Taehyung interveio, caminhando até eles. — Ela estava chorando quando me ligou. Você não pode tratá-la como se fosse um de seus subordinados. Ela tem sentimentos, mesmo que os processe de forma diferente.
— Eu sei perfeitamente como tratar a minha namorada, Taehyung. Não preciso de lições de moral de alguém que ainda vive como um adolescente — Jungkook rebateu, os olhos faiscando.
Ele se inclinou e, sem aviso, pegou Nari no colo. Ela começou a protestar, batendo nos ombros dele com suas mãos pequenas.
— Me solta! Kookie feio! Kookie malvado! — ela gritava.
— Tchau, Taehyung — Jungkook disse friamente, saindo da casa enquanto carregava a menina que se debatia.
No carro, o silêncio era tenso. Nari estava sentada no banco de trás, o mais longe possível de Jungkook, olhando fixamente pela janela. Ela estava com o rosto inchado de tanto chorar e se recusava a aceitar o urso de pelúcia que ele mantinha no banco para emergências.
Quando chegaram à cobertura de Jungkook, ele a levou direto para o quarto dela, um ambiente decorado com cores pastéis e nuvens no teto.
— Você passou de todos os limites hoje, Nari — ele disse, encostando-se na porta enquanto a observava se sentar na cama.
— O Kookie que é ruim. Você não me ama. Você só gosta de mandar — ela murmurou, abraçando os próprios joelhos.
Jungkook sentiu uma fisgada no peito. Ele caminhou até a cama e sentou-se na beirada, mantendo uma distância segura. Sua expressão suavizou apenas um pouco, o máximo que ele conseguia permitir.
— Eu não sou bom com essas coisas, Nari. Você sabe disso. Eu tenho um império para gerir e muitas pessoas dependem de mim — ele começou, a voz menos cortante. — Mas isso não significa que eu não me importe com você. Só que... eu não suporto quando você busca em outros o que eu deveria te dar.
— Mas você não dá! — ela exclamou, olhando para ele. — Você não dá atenção, não dá carinho, só dá ordens! O Jimin me ouve. O Tio Tae brinca comigo. O Kookie só trabalha.
Jungkook suspirou. Ele estendeu a mão e, desta vez, ela não recuou quando ele acariciou seu cabelo.
— Eu tenho ciúmes, Nari — ele confessou, a palavra soando estranha em sua boca. — Eu odeio ver o Taehyung te fazendo rir quando eu só consigo te fazer chorar. E eu odeio aquele garoto da escola porque ele pode passar o dia todo com você enquanto eu estou preso em reuniões.
Nari parou de soluçar. Ela inclinou a cabeça, processando a informação.
— O Kookie tem ciúmes? — ela perguntou, com uma ponta de curiosidade.
— Sim. Muito.
— Então o Kookie me ama?
Jungkook hesitou por um segundo, sua natureza fria lutando contra a vulnerabilidade do momento.
— Sim, Nari. Eu amo você. Do meu jeito, mas amo.
Nari se arrastou pela cama e se jogou nos braços dele, escondendo o rosto em seu pescoço. Jungkook a envolveu em um abraço apertado, sentindo o cheiro de xampu de morango que ela usava.
— Então prova — ela disse, a voz abafada contra a pele dele.
— Provar como?
— Amanhã o Kookie vai ficar em casa. Vamos ver desenhos e comer pipoca o dia todo. Sem telefone. Sem secretária feia. E sem trabalho.
Jungkook fechou os olhos, pensando na agenda lotada de amanhã, nos milhões de dólares em jogo e nas reuniões que teria que cancelar. Ele pensou na frieza de sua vida sem o brilho caótico de Nari.
— Tudo bem — ele cedeu, beijando o topo da cabeça dela. — Amanhã será o seu dia. Mas com uma condição.
Nari se afastou um pouco para olhar para ele.
— Qual?
— Nada de falar do Jimin. E nada de ligar para o Taehyung. Amanhã você é só minha.
Nari abriu um sorriso largo, mostrando os dentes branquinhos, e selou o acordo com um beijo estalado na bochecha de Jungkook.
— Combinado, Kookie! Mas se você atender o telefone, a Nari vai esconder todas as suas gravatas chatas!
Jungkook soltou uma risada curta e rara, apertando-a mais uma vez. Ele ainda era o empresário frio e implacável para o resto do mundo, mas ali, naquele quarto cheio de nuvens e pelúcias, ele era apenas o porto seguro de uma menina que via o mundo com cores que ele há muito havia esquecido.
No entanto, sentado no sofá de couro preto daquela sala austera, havia um contraste gritante. Kim Nari, com seus vinte anos e um vestido rosa decorado com pequenos coelhos, balançava as pernas freneticamente, fazendo o solado de seus sapatos de boneca baterem um no outro.
— Nari, eu já disse para ficar quieta. Estou tentando terminar este relatório — disse Jungkook, sem tirar os olhos da tela do notebook. Sua voz era profunda e linear, desprovida de doçura.
— Mas o Kookie prometeu! — Nari inflou as bochechas, cruzando os braços sobre o peito. — Prometeu que ia levar a Nari para tomar sorvete quando o ponteiro grande chegasse no doze. Já passou do doze!
Jungkook suspirou, fechando o notebook com um estalo seco. Ele massageou as têmporas, sentindo a costumeira dor de cabeça surgir. Ele amava Nari, à sua maneira possessiva e protetora, mas lidar com o infantilismo dela exigia uma paciência que ele, muitas vezes, não tinha interesse em cultivar.
— Surgiram imprevistos. Eu sou um homem ocupado, Nari. Você precisa aprender a esperar — ele respondeu, levantando-se e caminhando até a mesa de carvalho.
— Não quero esperar! O Kookie é chato! — Nari se levantou, batendo o pé com força no carpete. — A Nari vai embora então. Vai pedir para o Tio Taehyung levar ela. O Tio Tae sempre tem tempo!
O maxilar de Jungkook travou instantaneamente ao ouvir o nome de seu melhor amigo. Taehyung tinha um jeito natural com Nari, uma paciência lúdica que Jungkook se recusava a emular. O ciúme, um sentimento que ele considerava irracional, mas que o dominava completamente, subiu por sua garganta.
— Você não vai a lugar nenhum com o Taehyung — declarou Jungkook, a voz agora um tom mais baixa e perigosa. — E não me responda desse jeito. Onde estão seus modos?
— Sumiram! — Nari rebateu, fazendo um bico teimoso. — A Nari está malcriada hoje porque o Kookie é um gelo. Um cubo de gelo grande e bobo!
Antes que Jungkook pudesse repreendê-la, a porta do escritório se abriu após duas batidas leves. Minji, a secretária pessoal de Jungkook, entrou na sala segurando uma pasta de couro. Ela era alta, usava uma saia lápis ajustada e um sorriso profissional que Nari detestava com todas as suas forças.
— Com licença, Senhor Jeon. Os documentos da fusão com a conta de Tóquio chegaram. Preciso da sua assinatura em todas as páginas — disse Minji, aproximando-se da mesa e inclinando-se levemente para mostrar os papéis.
Nari parou de bater o pé. Seus olhos pequenos e brilhantes se estreitaram enquanto observava a interação. Ela viu como Minji tocou levemente o braço de Jungkook para indicar uma cláusula, e como Jungkook não se afastou.
— Kookie! — Nari exclamou, correndo até a mesa e se enfiando entre Jungkook e a secretária. — A Nari quer desenhar. Dá um papel para a Nari agora!
— Nari, agora não. Saia da frente — ordenou Jungkook, tentando afastá-la gentilmente pelo ombro, mas ela se agarrou à sua cintura.
— Não! Essa moça é feia. Ela está encostando no meu Kookie! — Nari apontou o dedo para Minji, que pareceu visivelmente desconfortável.
— Senhorita Kim, por favor, comporte-se — Jungkook disse, usando o sobrenome dela, o que era um sinal claro de que ele estava perdendo a paciência. — Minji, pode deixar os papéis. Eu assino e você retira em dez minutos.
— Sim, Senhor Jeon — a secretária respondeu com uma reverência rápida, lançando um olhar confuso para Nari antes de sair.
Assim que a porta se fechou, Nari soltou Jungkook e virou as costas para ele, sentando-se no chão, bem no meio da sala, em um protesto silencioso.
— Levante-se do chão, Nari. Você vai sujar seu vestido — ele disse, voltando a se sentar.
— Não ligo. O Kookie gosta mais daquela moça do que da Nari. Ela é grande e a Nari é pequena — ela fungou, os olhos começando a marejar.
Jungkook soltou um suspiro pesado. Ele se levantou, contornou a mesa e agachou-se na frente dela. Ele não era bom com palavras doces, mas a visão de Nari prestes a chorar sempre causava um aperto desconfortável em seu peito.
— Eu não gosto dela, Nari. Ela é apenas uma funcionária. Pare de ser boba — ele disse, tentando secar uma lágrima que escapou.
— Então por que o Kookie não dá atenção para a Nari? — ela perguntou, com a voz embargada.
— Porque eu tenho responsabilidades. Coisas que você ainda não entende — ele respondeu de forma ríspida, levantando-se novamente. — Agora, levante-se. Vou chamar o motorista para te levar para casa. Tenho um jantar de negócios e chegarei tarde.
— A Nari não quer o motorista! O Jimin disse que ia me encontrar na frente da escola de artes hoje. Ele vai me levar para comer tteokbokki! — Nari se levantou, limpando o rosto com as costas das mãos.
Jungkook parou no meio do caminho. Jimin era o "melhor amigo" de Nari na escola especializada que ela frequentava para suas terapias e aulas de artes. Um rapaz da idade dela, que também tinha suas particularidades, mas que Jungkook via como uma ameaça constante.
— Você não vai encontrar o Jimin. E muito menos comer comida de rua com ele — Jungkook sentenciou, sua frieza voltando com força total. — Você vai para casa, vai tomar seu banho e esperar por mim.
— O Kookie não manda na Nari! O Jimin é legal, ele me dá doces e não fica olhando para o computador o tempo todo! — Nari gritou, a rebeldia atingindo o ápice.
— Nari, chega! — O grito de Jungkook ecoou pela sala, fazendo a menina encolher os ombros e arregalar os olhos. — Você está sendo mimada e desobediente. Se disser mais uma palavra sobre o Jimin ou sobre o Taehyung, eu vou tirar todos os seus bichos de pelúcia por uma semana. Entendeu?
Nari tremeu. O lábio inferior vibrou violentamente. Ela odiava quando ele usava aquele tom de "chefe" com ela. Sem dizer nada, ela pegou sua mochila de coelhinho e correu para a porta, saindo do escritório antes que ele pudesse impedi-la.
Jungkook não foi atrás dela de imediato. Ele sabia que os seguranças a acompanhariam até o carro. Ele voltou para sua cadeira, sentindo o silêncio da sala pesar. Ele era um homem de lógica, mas Nari era o caos em forma de doçura.
Duas horas depois, o celular de Jungkook vibrou sobre a mesa. Era uma notificação de uma rede social. Ele abriu e sentiu o sangue ferver. Taehyung havia postado uma foto. Nari estava sentada em um balanço, rindo, com um sorvete de morango na mão. A legenda dizia: "Cuidando da pequena princesa já que o rei está ocupado sendo um bloco de gelo".
Jungkook jogou o celular sobre a mesa e levantou-se abruptamente. O jantar de negócios poderia esperar. A fusão com Tóquio poderia esperar.
Ele chegou à casa de Taehyung em tempo recorde. Ao entrar — ele tinha a chave, para o seu próprio desgosto agora —, encontrou Nari sentada no tapete da sala, desenhando em um caderno grande, enquanto Taehyung preparava chocolate quente na cozinha aberta.
— Ora, se não é o Sr. CEO — Taehyung disse, com um sorriso sarcástico, encostando-se no balcão. — Decidiu que o trabalho não é tão atraente quanto sua namorada?
Jungkook ignorou o amigo e caminhou até Nari. Ela nem sequer olhou para cima.
— Nari, vamos para casa. Agora — ele ordenou.
— Não. A Nari mora aqui agora. O Tio Tae é bonzinho — ela disse, continuando a pintar um sol amarelo muito forte.
— Nari, eu não vou repetir.
— Deixe ela em paz, Jungkook — Taehyung interveio, caminhando até eles. — Ela estava chorando quando me ligou. Você não pode tratá-la como se fosse um de seus subordinados. Ela tem sentimentos, mesmo que os processe de forma diferente.
— Eu sei perfeitamente como tratar a minha namorada, Taehyung. Não preciso de lições de moral de alguém que ainda vive como um adolescente — Jungkook rebateu, os olhos faiscando.
Ele se inclinou e, sem aviso, pegou Nari no colo. Ela começou a protestar, batendo nos ombros dele com suas mãos pequenas.
— Me solta! Kookie feio! Kookie malvado! — ela gritava.
— Tchau, Taehyung — Jungkook disse friamente, saindo da casa enquanto carregava a menina que se debatia.
No carro, o silêncio era tenso. Nari estava sentada no banco de trás, o mais longe possível de Jungkook, olhando fixamente pela janela. Ela estava com o rosto inchado de tanto chorar e se recusava a aceitar o urso de pelúcia que ele mantinha no banco para emergências.
Quando chegaram à cobertura de Jungkook, ele a levou direto para o quarto dela, um ambiente decorado com cores pastéis e nuvens no teto.
— Você passou de todos os limites hoje, Nari — ele disse, encostando-se na porta enquanto a observava se sentar na cama.
— O Kookie que é ruim. Você não me ama. Você só gosta de mandar — ela murmurou, abraçando os próprios joelhos.
Jungkook sentiu uma fisgada no peito. Ele caminhou até a cama e sentou-se na beirada, mantendo uma distância segura. Sua expressão suavizou apenas um pouco, o máximo que ele conseguia permitir.
— Eu não sou bom com essas coisas, Nari. Você sabe disso. Eu tenho um império para gerir e muitas pessoas dependem de mim — ele começou, a voz menos cortante. — Mas isso não significa que eu não me importe com você. Só que... eu não suporto quando você busca em outros o que eu deveria te dar.
— Mas você não dá! — ela exclamou, olhando para ele. — Você não dá atenção, não dá carinho, só dá ordens! O Jimin me ouve. O Tio Tae brinca comigo. O Kookie só trabalha.
Jungkook suspirou. Ele estendeu a mão e, desta vez, ela não recuou quando ele acariciou seu cabelo.
— Eu tenho ciúmes, Nari — ele confessou, a palavra soando estranha em sua boca. — Eu odeio ver o Taehyung te fazendo rir quando eu só consigo te fazer chorar. E eu odeio aquele garoto da escola porque ele pode passar o dia todo com você enquanto eu estou preso em reuniões.
Nari parou de soluçar. Ela inclinou a cabeça, processando a informação.
— O Kookie tem ciúmes? — ela perguntou, com uma ponta de curiosidade.
— Sim. Muito.
— Então o Kookie me ama?
Jungkook hesitou por um segundo, sua natureza fria lutando contra a vulnerabilidade do momento.
— Sim, Nari. Eu amo você. Do meu jeito, mas amo.
Nari se arrastou pela cama e se jogou nos braços dele, escondendo o rosto em seu pescoço. Jungkook a envolveu em um abraço apertado, sentindo o cheiro de xampu de morango que ela usava.
— Então prova — ela disse, a voz abafada contra a pele dele.
— Provar como?
— Amanhã o Kookie vai ficar em casa. Vamos ver desenhos e comer pipoca o dia todo. Sem telefone. Sem secretária feia. E sem trabalho.
Jungkook fechou os olhos, pensando na agenda lotada de amanhã, nos milhões de dólares em jogo e nas reuniões que teria que cancelar. Ele pensou na frieza de sua vida sem o brilho caótico de Nari.
— Tudo bem — ele cedeu, beijando o topo da cabeça dela. — Amanhã será o seu dia. Mas com uma condição.
Nari se afastou um pouco para olhar para ele.
— Qual?
— Nada de falar do Jimin. E nada de ligar para o Taehyung. Amanhã você é só minha.
Nari abriu um sorriso largo, mostrando os dentes branquinhos, e selou o acordo com um beijo estalado na bochecha de Jungkook.
— Combinado, Kookie! Mas se você atender o telefone, a Nari vai esconder todas as suas gravatas chatas!
Jungkook soltou uma risada curta e rara, apertando-a mais uma vez. Ele ainda era o empresário frio e implacável para o resto do mundo, mas ali, naquele quarto cheio de nuvens e pelúcias, ele era apenas o porto seguro de uma menina que via o mundo com cores que ele há muito havia esquecido.
