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Fandom: Nenhum
Criado: 31/05/2026
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RomanceDramaAngústiaFatias de VidaHistória DomésticaEstudo de PersonagemCiúmesRealismoPsicológicoDor/ConfortoHumorCrack / Humor ParódicoSátira
Entre a Lógica e o Desejo
O ar no interior do estúdio principal de Emanuel era impregnado com o cheiro metálico de tinta e o odor antisséptico característico. Era o seu santuário, o lugar onde ele transformava o caos mental em arte definitiva na pele alheia. Emanuel, aos vinte e cinco anos, carregava nos ombros o peso de um império de tatuagens que se estendia por vários continentes, mas nada em seus negócios era tão complexo quanto a dinâmica que mantinha fora das paredes de vidro de seu escritório.
Ele observou Sara através da divisória transparente. Ela estava sentada à mesa de reuniões, discutindo planilhas com dois contadores. O cabelo loiro platinado estava impecavelmente escovado, caindo em ondas sobre o vestido justo de seda vermelha que acentuava cada curva de seu corpo esculpido. Sara era uma força da natureza; vulgar para alguns, magnética para ele. Ela gesticulava com unhas longas e decoradas, a voz firme ditando ordens. Embora Emanuel fosse o dono de tudo, a competência dela na administração era inegável. Ela não era a razão do seu sucesso, mas era, certamente, a guardiã dele.
Emanuel sentiu uma pontada de ansiedade. Ele amava Sara. Amava a agressividade dela, a forma como ela não recuava diante de um desafio. Mas havia um vazio que Sara, com toda a sua presença vibrante, não conseguia preencher. Um vazio que tinha nome, cheiro de baunilha e uma voz que raramente passava de um sussurro.
Eduarda.
Ele pegou o celular e viu a foto de fundo: Eduarda, com seus vinte anos, os cabelos castanhos caindo desordenadamente sobre os ombros, os olhos grandes e expressivos olhando para a câmera com aquela timidez que o desarmava. Ela era estudante de História da Arte, uma alma sensível que preferia o silêncio dos museus ao barulho das festas que Sara tanto amava.
Emanuel decidiu que hoje seria o dia. Ele queria as duas. Queria a estrutura que Sara oferecia e a doçura que Eduarda proporcionava. Para ele, a lógica era simples: se ele as amava e provia para ambas, por que não estarem todos sob o mesmo teto?
— Sara — chamou ele, saindo da sala técnica.
A loira levantou os olhos, um sorriso de canto surgindo nos lábios pintados de um batom escuro. Ela se despediu dos contadores com um aceno curto e caminhou até Emanuel, o quadril balançando de forma provocativa.
— Diga, meu rei. Problemas com os fornecedores de Berlim ou só saudade da sua administradora favorita? — Ela passou as mãos pelo peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a camiseta preta.
Emanuel segurou os pulsos dela, o rosto sério.
— Vou buscar a Duda. Vou pedir hoje.
Sara soltou uma risadinha anasalada, revirando os olhos, mas não havia ódio em seu gesto. Ela via Eduarda como uma espécie de animal de estimação exótico ou uma irmã mais nova que precisava de cuidados. Para Sara, Eduarda não era uma ameaça ao seu trono; ela era a "namorada principal", a mulher que morava com ele, que geria seus milhões. Eduarda era apenas o descanso emocional de Emanuel.
— Boa sorte com a bonequinha de porcelana — Sara disse, ajeitando a gola dele. — Mas já aviso: se ela vier morar aqui, eu não vou baixar o volume da TV nem parar de andar de calcinha pela sala. Ela que se mude para o nosso ritmo, não o contrário.
— Veremos, Sara. Apenas... seja civilizada quando voltarmos.
***
O jantar com Eduarda foi em um restaurante discreto, com luz suave, exatamente como ela gostava. Eduarda usava um vestido de algodão cru, leve e romântico, que parecia flutuar ao redor de seu corpo esguio. Ela agia de forma manhosa, encostando a cabeça no ombro de Emanuel sempre que o garçom se afastava, buscando aquela proteção que só ele parecia oferecer.
— Você está tão quieto, Manu — sussurrou ela, os dedos pequenos traçando as tatuagens no antebraço dele. — Aconteceu alguma coisa nos estúdios?
Emanuel suspirou, deixando a rigidez de lado por um momento para acariciar o rosto dela.
— Só estou pensando no futuro, Duda. No nosso futuro.
Ele não era homem de rodeios. Tirou uma pequena caixa de veludo do bolso. Não era um anel de noivado de casamento tradicional, mas um compromisso.
— Eduarda, estamos juntos há quatro meses. Você sabe o que eu sinto. Quero que isso seja oficial. Quero que você seja minha namorada, de verdade, perante todo mundo.
Os olhos dela brilharam, inundando-se de uma emoção rápida.
— Ah, Manu... eu aceito. Claro que eu aceito! — Ela se inclinou e o beijou, um beijo doce, com gosto de vinho e promessas.
Emanuel sorriu, sentindo o controle da situação retornar. Mas ele não parou por ali.
— E tem mais. Eu quero que você venha morar comigo. A casa é grande, a Sara já concordou e... eu quero ter você por perto o tempo todo. Não aguento mais te deixar na casa dos seus pais e ter que esperar dias para te ver por causa da sua faculdade.
O corpo de Eduarda enrijeceu instantaneamente. Ela se afastou alguns centímetros, a expressão doce sendo substituída por uma nuvem de insegurança e timidez. Ela olhou para as próprias mãos, brincando com a barra da toalha de mesa.
— Manu... eu... eu fico tão feliz com o pedido de namoro. De verdade. Mas morar com você? Agora?
Emanuel franziu o cenho, a irritação começando a borbulhar sob a superfície.
— Qual o problema? Eu posso te dar tudo. Você teria um ateliê para estudar suas artes, motorista para a faculdade, o que quisesse.
— Não é sobre o que você pode me dar — disse ela, a voz trêmula, mas firme em sua essência. — É sobre o tempo. Só faz quatro meses, Emanuel. Eu ainda estou processando como é estar em uma relação assim, com você e com a Sara. Meus pais são modernos, eles sabem que eu estou saindo com você, mas me mudar para a casa de um homem que já vive com outra mulher... eu preciso de tempo. Eu não estou pronta.
— Tempo? — Emanuel elevou um pouco o tom de voz, atraindo olhares de mesas próximas. Ele se controlou, respirando fundo. — Eu estou tentando facilitar a nossa vida. A Sara é prática, ela não vai te morder. O que mais você quer?
— Eu quero que você tenha paciência — pediu ela, os olhos suplicantes, buscando a mão dele sobre a mesa. — Por favor. Eu amo o seu cuidado, amo como você me protege, mas eu ainda moro com meus pais. Eu tenho vinte anos, Manu. Não quero atropelar as coisas e acabar me fechando por medo.
Emanuel sentiu um nó de frustração. Sua mente racional não compreendia a recusa. Na cabeça dele, a solução era óbvia e funcional. Ter as duas mulheres sob seu teto significaria menos estresse, menos deslocamento e o controle total sobre seu ambiente emocional.
— Isso é ridículo, Eduarda. É uma oportunidade de estarmos juntos.
— É o meu limite — ela respondeu baixinho, os olhos começando a marejar. — Por favor, não fique bravo comigo.
Ele desviou o olhar, o maxilar trincado. O silêncio se estendeu de forma desconfortável até o final do jantar.
***
Quando chegaram à cobertura de Emanuel, o clima era pesado. Sara estava na sala, bebendo uma taça de vinho e assistindo a um reality show qualquer. Ela usava um hobby de seda curto que deixava pouco para a imaginação. Ao ver a cara de Emanuel e o rosto inchado de Eduarda, ela desligou a TV com um estalo.
— Pelo visto, a bonequinha disse "não" — provocou Sara, levantando-se e caminhando até eles.
— Sara, agora não — rosnou Emanuel, jogando as chaves sobre o aparador de mármore.
Eduarda se encolheu, buscando um canto do sofá. Ela se sentia pequena naquela sala tão moderna e imponente, sentia-se invadida pela presença esmagadora de Sara.
— Por que não? — Sara continuou, aproximando-se de Eduarda. Ela não tinha maldade pura, mas sua forma de se comunicar era como um trator. — Escuta aqui, garota. O Emanuel é um homem ocupado. Ele não tem tempo para ficar fazendo joguinhos de "me mudo ou não me mudo". Se você gosta dele, vem logo. Eu não mordo, sabia? No máximo, eu te ensino a usar um salto alto que não te faça parecer uma colegial perdida.
— Não é joguinho — Eduarda disse, a voz saindo mais forte do que ela esperava, embora ainda trêmula. — Eu só tenho o meu tempo. Eu não sou como você, Sara. Não decido as coisas na impulsividade.
Sara soltou uma gargalhada genuína, olhando para Emanuel.
— Viu? Ela tem garras. Pequenininhas, mas tem.
Emanuel caminhou até o centro da sala, ficando entre as duas. Ele sentia a pressão vindo de ambos os lados. Sara, a pressão da realidade nua e crua, da impaciência; Eduarda, a pressão emocional, a necessidade de ternura e respeito ao seu ritmo.
— Chega — disse ele, a voz de comando que usava nos estúdios. — Eduarda, eu te trouxe aqui para conversarmos com calma. Sara, pare de provocar.
— Eu não estou provocando, Manu! Estou sendo prática — defendeu-se Sara, cruzando os braços, o que realçava o silicone sob a seda. — Se ela não vem, você vai continuar estressado, correndo de um lado para o outro, e quem aguenta o seu mau humor sou eu.
Emanuel sentiu a têmpora latejar. Ele olhou para Eduarda, que estava sentada na ponta do sofá, parecendo tão frágil que ele sentiu uma vontade súbita de abraçá-la e pedir desculpas. Mas, ao mesmo tempo, a rigidez de sua personalidade controladora o impedia.
— Duda — ele começou, suavizando o tom —, eu só quero que você entenda que eu faço isso por nós.
— Eu sei, Manu — ela disse, levantando-se e caminhando até ele com passos leves. Ela ignorou a presença de Sara e envolveu a cintura de Emanuel com os braços, escondendo o rosto em seu peito. — Mas se você me ama, precisa respeitar que eu ainda não pertenço a esse mundo totalmente. Quatro meses é pouco para quem quer que seja para sempre. Tenha paciência comigo... por favor.
Emanuel sentiu o calor do corpo dela, a maciez que sempre o acalmava. Ele olhou por cima da cabeça de Eduarda e viu Sara observando a cena. A loira deu de ombros, tomou o resto do seu vinho e suspirou.
— Ela é manhosa demais, Emanuel. Você mima ela e depois sobra para mim — Sara disse, mas havia um tom de resignação na voz. Ela se aproximou e tocou o ombro de Eduarda. — Olha, pequena historiadora... eu não vou te esperar para sempre com flores na porta. Mas o convite do Emanuel é para o seu bem. Pensa nisso sem esse drama todo de "tempo".
Eduarda olhou para Sara. Havia uma simpatia estranha ali, uma convivência que, embora não fosse amizade, era baseada em uma honestidade brutal.
— Eu vou pensar, Sara. Eu prometo.
Emanuel suspirou, sentindo que tinha perdido aquela batalha, mas talvez não a guerra. Ele abraçou Eduarda com mais força, enquanto Sara se encostava no balcão da cozinha, observando os dois.
— Tudo bem — disse Emanuel, finalmente. — Eu vou ter paciência. Mas não espere que eu pare de tentar te convencer todos os dias.
Eduarda sorriu, aquele sorriso doce que iluminava o rosto fino.
— Eu não esperaria nada diferente de você.
Naquela noite, o silêncio na cobertura de luxo era carregado de significados diferentes. Para Sara, era apenas mais um adiamento de algo inevitável. Para Eduarda, era uma pequena vitória de sua identidade sobre o turbilhão que era a vida de Emanuel. E para Emanuel, era o lembrete constante de que, por mais rico e poderoso que fosse, o coração humano — especialmente o de uma mulher sensível — era o único território que ele não podia conquistar apenas com lógica e autoridade.
Ele teria que aprender a esperar. E, para um homem que tinha o mundo aos seus pés, a espera era a maior de todas as torturas. Mas, olhando para as duas mulheres em sua sala — a força loira de Sara e a delicadeza castanha de Eduarda —, ele sabia que qualquer esforço valeria a pena para manter as duas em sua órbita. Mesmo que, por enquanto, o seu universo estivesse dividido entre dois endereços.
Ele observou Sara através da divisória transparente. Ela estava sentada à mesa de reuniões, discutindo planilhas com dois contadores. O cabelo loiro platinado estava impecavelmente escovado, caindo em ondas sobre o vestido justo de seda vermelha que acentuava cada curva de seu corpo esculpido. Sara era uma força da natureza; vulgar para alguns, magnética para ele. Ela gesticulava com unhas longas e decoradas, a voz firme ditando ordens. Embora Emanuel fosse o dono de tudo, a competência dela na administração era inegável. Ela não era a razão do seu sucesso, mas era, certamente, a guardiã dele.
Emanuel sentiu uma pontada de ansiedade. Ele amava Sara. Amava a agressividade dela, a forma como ela não recuava diante de um desafio. Mas havia um vazio que Sara, com toda a sua presença vibrante, não conseguia preencher. Um vazio que tinha nome, cheiro de baunilha e uma voz que raramente passava de um sussurro.
Eduarda.
Ele pegou o celular e viu a foto de fundo: Eduarda, com seus vinte anos, os cabelos castanhos caindo desordenadamente sobre os ombros, os olhos grandes e expressivos olhando para a câmera com aquela timidez que o desarmava. Ela era estudante de História da Arte, uma alma sensível que preferia o silêncio dos museus ao barulho das festas que Sara tanto amava.
Emanuel decidiu que hoje seria o dia. Ele queria as duas. Queria a estrutura que Sara oferecia e a doçura que Eduarda proporcionava. Para ele, a lógica era simples: se ele as amava e provia para ambas, por que não estarem todos sob o mesmo teto?
— Sara — chamou ele, saindo da sala técnica.
A loira levantou os olhos, um sorriso de canto surgindo nos lábios pintados de um batom escuro. Ela se despediu dos contadores com um aceno curto e caminhou até Emanuel, o quadril balançando de forma provocativa.
— Diga, meu rei. Problemas com os fornecedores de Berlim ou só saudade da sua administradora favorita? — Ela passou as mãos pelo peito dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a camiseta preta.
Emanuel segurou os pulsos dela, o rosto sério.
— Vou buscar a Duda. Vou pedir hoje.
Sara soltou uma risadinha anasalada, revirando os olhos, mas não havia ódio em seu gesto. Ela via Eduarda como uma espécie de animal de estimação exótico ou uma irmã mais nova que precisava de cuidados. Para Sara, Eduarda não era uma ameaça ao seu trono; ela era a "namorada principal", a mulher que morava com ele, que geria seus milhões. Eduarda era apenas o descanso emocional de Emanuel.
— Boa sorte com a bonequinha de porcelana — Sara disse, ajeitando a gola dele. — Mas já aviso: se ela vier morar aqui, eu não vou baixar o volume da TV nem parar de andar de calcinha pela sala. Ela que se mude para o nosso ritmo, não o contrário.
— Veremos, Sara. Apenas... seja civilizada quando voltarmos.
***
O jantar com Eduarda foi em um restaurante discreto, com luz suave, exatamente como ela gostava. Eduarda usava um vestido de algodão cru, leve e romântico, que parecia flutuar ao redor de seu corpo esguio. Ela agia de forma manhosa, encostando a cabeça no ombro de Emanuel sempre que o garçom se afastava, buscando aquela proteção que só ele parecia oferecer.
— Você está tão quieto, Manu — sussurrou ela, os dedos pequenos traçando as tatuagens no antebraço dele. — Aconteceu alguma coisa nos estúdios?
Emanuel suspirou, deixando a rigidez de lado por um momento para acariciar o rosto dela.
— Só estou pensando no futuro, Duda. No nosso futuro.
Ele não era homem de rodeios. Tirou uma pequena caixa de veludo do bolso. Não era um anel de noivado de casamento tradicional, mas um compromisso.
— Eduarda, estamos juntos há quatro meses. Você sabe o que eu sinto. Quero que isso seja oficial. Quero que você seja minha namorada, de verdade, perante todo mundo.
Os olhos dela brilharam, inundando-se de uma emoção rápida.
— Ah, Manu... eu aceito. Claro que eu aceito! — Ela se inclinou e o beijou, um beijo doce, com gosto de vinho e promessas.
Emanuel sorriu, sentindo o controle da situação retornar. Mas ele não parou por ali.
— E tem mais. Eu quero que você venha morar comigo. A casa é grande, a Sara já concordou e... eu quero ter você por perto o tempo todo. Não aguento mais te deixar na casa dos seus pais e ter que esperar dias para te ver por causa da sua faculdade.
O corpo de Eduarda enrijeceu instantaneamente. Ela se afastou alguns centímetros, a expressão doce sendo substituída por uma nuvem de insegurança e timidez. Ela olhou para as próprias mãos, brincando com a barra da toalha de mesa.
— Manu... eu... eu fico tão feliz com o pedido de namoro. De verdade. Mas morar com você? Agora?
Emanuel franziu o cenho, a irritação começando a borbulhar sob a superfície.
— Qual o problema? Eu posso te dar tudo. Você teria um ateliê para estudar suas artes, motorista para a faculdade, o que quisesse.
— Não é sobre o que você pode me dar — disse ela, a voz trêmula, mas firme em sua essência. — É sobre o tempo. Só faz quatro meses, Emanuel. Eu ainda estou processando como é estar em uma relação assim, com você e com a Sara. Meus pais são modernos, eles sabem que eu estou saindo com você, mas me mudar para a casa de um homem que já vive com outra mulher... eu preciso de tempo. Eu não estou pronta.
— Tempo? — Emanuel elevou um pouco o tom de voz, atraindo olhares de mesas próximas. Ele se controlou, respirando fundo. — Eu estou tentando facilitar a nossa vida. A Sara é prática, ela não vai te morder. O que mais você quer?
— Eu quero que você tenha paciência — pediu ela, os olhos suplicantes, buscando a mão dele sobre a mesa. — Por favor. Eu amo o seu cuidado, amo como você me protege, mas eu ainda moro com meus pais. Eu tenho vinte anos, Manu. Não quero atropelar as coisas e acabar me fechando por medo.
Emanuel sentiu um nó de frustração. Sua mente racional não compreendia a recusa. Na cabeça dele, a solução era óbvia e funcional. Ter as duas mulheres sob seu teto significaria menos estresse, menos deslocamento e o controle total sobre seu ambiente emocional.
— Isso é ridículo, Eduarda. É uma oportunidade de estarmos juntos.
— É o meu limite — ela respondeu baixinho, os olhos começando a marejar. — Por favor, não fique bravo comigo.
Ele desviou o olhar, o maxilar trincado. O silêncio se estendeu de forma desconfortável até o final do jantar.
***
Quando chegaram à cobertura de Emanuel, o clima era pesado. Sara estava na sala, bebendo uma taça de vinho e assistindo a um reality show qualquer. Ela usava um hobby de seda curto que deixava pouco para a imaginação. Ao ver a cara de Emanuel e o rosto inchado de Eduarda, ela desligou a TV com um estalo.
— Pelo visto, a bonequinha disse "não" — provocou Sara, levantando-se e caminhando até eles.
— Sara, agora não — rosnou Emanuel, jogando as chaves sobre o aparador de mármore.
Eduarda se encolheu, buscando um canto do sofá. Ela se sentia pequena naquela sala tão moderna e imponente, sentia-se invadida pela presença esmagadora de Sara.
— Por que não? — Sara continuou, aproximando-se de Eduarda. Ela não tinha maldade pura, mas sua forma de se comunicar era como um trator. — Escuta aqui, garota. O Emanuel é um homem ocupado. Ele não tem tempo para ficar fazendo joguinhos de "me mudo ou não me mudo". Se você gosta dele, vem logo. Eu não mordo, sabia? No máximo, eu te ensino a usar um salto alto que não te faça parecer uma colegial perdida.
— Não é joguinho — Eduarda disse, a voz saindo mais forte do que ela esperava, embora ainda trêmula. — Eu só tenho o meu tempo. Eu não sou como você, Sara. Não decido as coisas na impulsividade.
Sara soltou uma gargalhada genuína, olhando para Emanuel.
— Viu? Ela tem garras. Pequenininhas, mas tem.
Emanuel caminhou até o centro da sala, ficando entre as duas. Ele sentia a pressão vindo de ambos os lados. Sara, a pressão da realidade nua e crua, da impaciência; Eduarda, a pressão emocional, a necessidade de ternura e respeito ao seu ritmo.
— Chega — disse ele, a voz de comando que usava nos estúdios. — Eduarda, eu te trouxe aqui para conversarmos com calma. Sara, pare de provocar.
— Eu não estou provocando, Manu! Estou sendo prática — defendeu-se Sara, cruzando os braços, o que realçava o silicone sob a seda. — Se ela não vem, você vai continuar estressado, correndo de um lado para o outro, e quem aguenta o seu mau humor sou eu.
Emanuel sentiu a têmpora latejar. Ele olhou para Eduarda, que estava sentada na ponta do sofá, parecendo tão frágil que ele sentiu uma vontade súbita de abraçá-la e pedir desculpas. Mas, ao mesmo tempo, a rigidez de sua personalidade controladora o impedia.
— Duda — ele começou, suavizando o tom —, eu só quero que você entenda que eu faço isso por nós.
— Eu sei, Manu — ela disse, levantando-se e caminhando até ele com passos leves. Ela ignorou a presença de Sara e envolveu a cintura de Emanuel com os braços, escondendo o rosto em seu peito. — Mas se você me ama, precisa respeitar que eu ainda não pertenço a esse mundo totalmente. Quatro meses é pouco para quem quer que seja para sempre. Tenha paciência comigo... por favor.
Emanuel sentiu o calor do corpo dela, a maciez que sempre o acalmava. Ele olhou por cima da cabeça de Eduarda e viu Sara observando a cena. A loira deu de ombros, tomou o resto do seu vinho e suspirou.
— Ela é manhosa demais, Emanuel. Você mima ela e depois sobra para mim — Sara disse, mas havia um tom de resignação na voz. Ela se aproximou e tocou o ombro de Eduarda. — Olha, pequena historiadora... eu não vou te esperar para sempre com flores na porta. Mas o convite do Emanuel é para o seu bem. Pensa nisso sem esse drama todo de "tempo".
Eduarda olhou para Sara. Havia uma simpatia estranha ali, uma convivência que, embora não fosse amizade, era baseada em uma honestidade brutal.
— Eu vou pensar, Sara. Eu prometo.
Emanuel suspirou, sentindo que tinha perdido aquela batalha, mas talvez não a guerra. Ele abraçou Eduarda com mais força, enquanto Sara se encostava no balcão da cozinha, observando os dois.
— Tudo bem — disse Emanuel, finalmente. — Eu vou ter paciência. Mas não espere que eu pare de tentar te convencer todos os dias.
Eduarda sorriu, aquele sorriso doce que iluminava o rosto fino.
— Eu não esperaria nada diferente de você.
Naquela noite, o silêncio na cobertura de luxo era carregado de significados diferentes. Para Sara, era apenas mais um adiamento de algo inevitável. Para Eduarda, era uma pequena vitória de sua identidade sobre o turbilhão que era a vida de Emanuel. E para Emanuel, era o lembrete constante de que, por mais rico e poderoso que fosse, o coração humano — especialmente o de uma mulher sensível — era o único território que ele não podia conquistar apenas com lógica e autoridade.
Ele teria que aprender a esperar. E, para um homem que tinha o mundo aos seus pés, a espera era a maior de todas as torturas. Mas, olhando para as duas mulheres em sua sala — a força loira de Sara e a delicadeza castanha de Eduarda —, ele sabia que qualquer esforço valeria a pena para manter as duas em sua órbita. Mesmo que, por enquanto, o seu universo estivesse dividido entre dois endereços.
