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entre sangue e explosões

Fandom: boku no hero academy

Criado: 31/05/2026

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AçãoDramaDor/ConfortoRomanceFatias de VidaCenário CanônicoEstudo de PersonagemDiscriminação
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Pulsação Escarlate e Faíscas de Ódio

A luz do sol de outono atravessava as janelas imensas da U.A. High School, refletindo-se nos cabelos platinados de Sophia Chokuko enquanto ela caminhava pelos corredores. Seus olhos, da cor de cristais límpidos, observavam cada detalhe do prédio com uma mistura de deslumbramento e ansiedade. Ela era estrangeira, e embora o Japão fosse a terra natal de seu falecido pai, tudo ali ainda parecia novo e, de certa forma, intimidador.

Sophia ajeitou a saia do uniforme, sentindo a leve tontura que a acompanhava naquela manhã. Sua anemia era uma batalha constante, um preço alto a pagar por uma individualidade que muitos consideravam amaldiçoada. Controlar o próprio sangue não era apenas uma técnica de combate; era um sacrifício biológico.

— Ei, você deve ser a aluna nova! — Uma voz estridente e alegre quebrou seus pensamentos.

Sophia virou-se e deu de cara com uma garota de pele rosada e chifres amarelos, que exalava uma energia contagiante.

— Sou a Mina Ashido! — A menina sorriu, aproximando-se com saltinhos. — Você é a Sophia, certo? A garota que veio de fora? Nossa, seu cabelo é incrível! Parece feito de prata.

— Oh, olá! Sim, sou eu. — Sophia sorriu docemente, suas bochechas ganhando um tom levemente mais rosado. — É um prazer, Ashido-san. Espero não estar perdida, estou procurando a sala 1-A.

— Está no lugar certo! Eu também sou de lá. Vem, eu te apresento pro pessoal. Mas já vou avisando, nossa sala é meio... explosiva.

Sophia soltou uma risadinha, sem imaginar o quão literal aquela palavra seria.

Ao cruzarem a porta da sala, o barulho cessou por um instante. Sophia sentiu vários olhares sobre si, mas um, em especial, queimou mais do que os outros. Sentado em uma das primeiras fileiras, com os pés sobre a mesa e uma expressão de tédio agressivo, estava um garoto de cabelos loiros espetados e olhos vermelhos como rubis em brasa.

— Quem é a extra? — rosnou Katsuki Bakugou, sem desviar o olhar dela.

Sophia sentiu um calafrio, mas não de medo. Foi uma sensação estranha, uma pulsação forte em suas veias. Ela conseguia sentir o sangue dele à distância; era quente, acelerado, carregado de uma adrenalina constante. O tipo sanguíneo dele era O, e a energia que emanava daquele garoto era quase palpável.

— Não seja rude, Bakugou! — repreendeu Mina, puxando Sophia pelo braço. — Essa é a Sophia Chokuko. Ela é nova aqui.

— Não me importa o nome dela — Bakugou desviou o olhar, soltando um estalo de faíscas na palma da mão. — Só espero que não seja mais um fardo para atrapalhar meu caminho até o topo.

Sophia sentiu uma pontada de irritação, mas seu instinto gentil prevaleceu. Ela deu um passo à frente, ignorando o aviso interno de que aquele garoto era problema.

— Eu não pretendo atrapalhar ninguém, Bakugou-kun — disse ela, mantendo a voz suave, mas firme. — Na verdade, pretendo ser uma heroína tão boa quanto qualquer um aqui.

Bakugou soltou uma risada nasalada, voltando a encará-la.

— Uma heroína com essa cara de boneca de porcelana? Você parece que vai quebrar se eu gritar mais alto.

— Você ficaria surpreso com o que eu posso aguentar — rebateu ela, sustentando o olhar.

A tensão entre os dois foi interrompida pela entrada de Shota Aizawa, que, com seu habitual saco de dormir, ordenou que todos se sentassem.

As primeiras aulas passaram como um borrão, mas o teste prático da tarde foi onde as coisas realmente ficaram interessantes. A turma foi levada para o Ground Beta para exercícios de combate em dupla. Por ironia do destino — ou por uma tática deliberada de Aizawa para testar temperamentos opostos —, Sophia foi colocada na mesma equipe que Bakugou.

— Nem pense em ficar no meu caminho, entendeu? — Bakugou disse enquanto caminhavam para a área de início. — Eu cuido do ataque. Você fica aí atrás e tenta não desmaiar.

— Meu poder exige concentração, Bakugou — explicou Sophia, tentando manter a paciência. — Eu posso criar barreiras e até clones de sangue para nos dar cobertura. Se trabalharmos juntos...

— Eu não trabalho "junto" com ninguém! — ele gritou, virando-se para ela. — Eu venço sozinho. O seu poder é nojento, garota. Manipular sangue? Isso é coisa de vilão.

Aquelas palavras atingiram Sophia como um soco. Era o rótulo que ela carregara a vida toda. O medo nos olhos das pessoas quando viam o fluido escarlate moldando-se em lâminas. A lembrança de seu pai, morrendo para proteger o Japão com aquela mesma habilidade "maligna", ardeu em seu peito.

— Meu pai morreu usando esse poder para salvar pessoas como você — disse ela, a voz agora fria e trêmula de raiva. — Se você é incapaz de ver além do preconceito, talvez o "extra" aqui seja você.

Bakugou paralisou. Ninguém costumava enfrentá-lo daquela forma, especialmente não alguém que parecia tão frágil. Antes que ele pudesse responder, o sinal de início soou.

O objetivo era capturar uma "bomba" protegida por robôs de elite. Bakugou se lançou à frente como um foguete, as explosões impulsionando-o pelo ar. Sophia não ficou para trás. Ela fez um pequeno corte na palma da mão — uma ação rápida e precisa. O sangue fluiu, mas em vez de cair, ele se expandiu, endurecendo instantaneamente em uma plataforma que a elevou, permitindo que ela deslizasse pelo campo de batalha.

— O que pensa que está fazendo?! — gritou Bakugou, destruindo um robô com uma explosão massiva.

— O meu trabalho! — Sophia respondeu. Ela moldou o sangue em finas agulhas cristalizadas e as disparou contra as articulações dos robôs que tentavam cercar Bakugou por trás.

— Eu não pedi ajuda! — Ele avançou para o próximo nível, mas um robô gigante emergiu dos escombros, preparando um canhão de laser direto para o peito de Bakugou, que estava no meio de um salto e sem apoio.

— Bakugou, cuidado! — Sophia gritou.

Sem hesitar, ela forçou seu corpo ao limite. O sangue saiu de seus poros, criando uma barreira sólida e translúcida de um vermelho profundo à frente do loiro. O laser atingiu o escudo, causando um impacto estrondoso. Sophia sentiu a dor da pressão em seu próprio sistema circulatório; manter o sangue fora do corpo por muito tempo ou sob grande estresse físico exauria suas reservas de ferro.

Bakugou aproveitou a abertura, girando no ar e entregando uma explosão de curta distância que dizimou o robô. Ele pousou pesadamente, bufando.

Sophia caiu de joelhos logo em seguida. Sua pele, já pálida, parecia agora quase transparente. Ela rapidamente recolheu o sangue de volta para seu corpo, mas o processo de regeneração era lento.

— Eu disse para não... — Bakugou começou a gritar, mas parou ao ver o estado dela.

Ele se aproximou, a expressão de raiva sendo substituída por algo que ele nunca admitiria ser preocupação.

— Ei, o que foi? Por que está tão branca, droga?

— Anemia... — Sophia murmurou, tentando se levantar. — Eu usei muito de uma vez. Eu preciso de... comida. Açúcar.

Bakugou a observou por um segundo, os olhos vermelhos fixos nos dela. Ele estendeu a mão, mas hesitou antes de segurar o braço dela com uma força bruta, porém estranhamente cuidadosa, para ajudá-la a ficar de pé.

— Você é uma idiota — resmungou ele, embora o tom não tivesse a mesma agressividade de antes. — Usar um poder que te mata aos poucos... que tipo de estratégia é essa?

— É a estratégia de quem quer salvar alguém — Sophia sorriu fracamente, olhando para ele. — Mesmo que esse alguém seja um grosso como você.

Bakugou sentiu o rosto esquentar. Ele desviou o olhar rapidamente, sentindo aquela atração estranha que vinha ignorando desde que ela entrara na sala. O cheiro dela era diferente — não era apenas sangue, era algo doce, como flores silvestres.

— Vamos logo terminar essa prova, sua estranha — disse ele, começando a caminhar, mas sem soltar o braço dela. — E depois... você vai comer alguma coisa decente. Eu não vou deixar que digam que meu par de equipe morreu de fome.

— Isso é um convite para almoçar, Bakugou-kun? — Sophia provocou, sentindo uma pontada de energia retornar ao ver a irritação dele.

— Cala a boca! É uma ordem!

Eles conseguiram completar o teste com uma eficiência que surpreendeu até Aizawa. No final do dia, enquanto a maioria dos alunos se dirigia aos dormitórios, Bakugou e Sophia estavam sentados em uma mesa isolada da lanchonete. Ele havia literalmente jogado um prato de bife e espinafre na frente dela, junto com um suco de frutas vermelhas.

— Come — ordenou ele, cruzando os braços.

— Obrigada, Katsuki — disse ela, usando o primeiro nome dele de propósito.

Bakugou quase engasgou com o próprio refrigerante.

— Quem te deu permissão para me chamar assim, Chokuko?!

— Bem, você salvou minha vida hoje, e eu salvei a sua. Acho que somos amigos agora.

— Nós não somos amigos! — ele rebateu, mas não se levantou da mesa.

Mina Ashido passou por perto, observando a cena de longe com um sorriso malicioso. Ela se aproximou sorrateiramente, apoiando os cotovelos na mesa.

— Olha só! Já estão tendo o primeiro encontro? Que fofos!

— SAI DAQUI, CABELO DE ALGODÃO-DOCE! — Bakugou explodiu, pequenas faíscas saltando de suas mãos.

Mina saiu correndo, rindo alto. Sophia também riu, um som cristalino que fez o coração de Bakugou dar um solavanco involuntário.

— Sabe, Katsuki — começou Sophia, agora mais séria —, eu sei que as pessoas têm medo do meu poder. E eu sei que você quer ser o número um. Mas eu não sou sua inimiga. E eu não sou vilã.

Bakugou olhou para as mãos dela, onde as pequenas cicatrizes dos cortes que ela fazia para liberar o sangue eram visíveis. Ele pensou em sua própria individualidade — algo feito para destruir, para explodir. De certa forma, eles não eram tão diferentes. Ambos possuíam poderes que poderiam ser facilmente mal interpretados.

— Eu não acho que seu poder seja de vilão — murmurou ele, tão baixo que Sophia quase não ouviu. — É só... irritante. Como você.

Sophia sorriu, sabendo que, vindo de Bakugou, aquilo era quase um elogio.

— Eu também te acho irritante — ela respondeu, bebendo o suco. — Mas seu sangue... ele tem um ritmo interessante. É forte.

Bakugou franziu a testa, confuso.

— O que isso quer dizer?

— Quer dizer que eu consigo sentir o quão determinado você é apenas por estar perto. É uma pulsação que não desiste.

O loiro sentiu um nó na garganta. Ele se levantou bruscamente, tentando esconder o constrangimento.

— Tanto faz! Termina de comer e vai descansar. Amanhã teremos treino de combate corpo a corpo, e eu não vou pegar leve só porque você é anêmica.

— Eu não esperaria nada menos de você — Sophia piscou para ele.

Enquanto Bakugou se afastava, ele sentia o calor em suas palmas. Não era a nitroglicerina. Era algo novo, algo que ele não conseguia explodir ou afastar com gritos. Ele olhou de relance para trás e viu Sophia conversando animadamente com Mina, o brilho platinado de seu cabelo iluminado pelas luzes da lanchonete.

A jornada na U.A. estava apenas começando, e Sophia Chokuko já havia feito o impossível: ela havia encontrado uma frequência que ressoava com a alma explosiva de Katsuki Bakugou. Entre o sangue e as faíscas, um vínculo estranho e indomável estava sendo forjado.

Sophia, por sua vez, sentiu o coração acelerar. Ela sabia que a vida ao lado de Bakugou seria uma aventura constante de discussões e perigos, mas pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que não precisava esconder quem era. Se o mundo a visse como um monstro, ela teria o garoto mais explosivo do Japão ao seu lado para explodir qualquer um que ousasse tocar nela.

— É — sussurrou Sophia para si mesma, sentindo o gosto de ferro e do suco doce —, este ano vai ser interessante.
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