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Fandom: Nenhum

Criado: 01/06/2026

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O Equilíbrio do Caos e a Doçura do Acaso

O estúdio principal de Emanuel, localizado no coração pulsante da cidade, exalava um aroma de tinta fresca, álcool isopropílico e café caro. As paredes eram adornadas com esboços complexos, prêmios internacionais e fotografias de celebridades que haviam passado sob suas agulhas. Aos vinte e cinco anos, Emanuel não era apenas um tatuador; ele era um império. Sua postura firme e o olhar cansado, mas atento, denunciavam o peso de gerir negócios que se estendiam por vários continentes.

Sentada em uma cadeira de couro italiano, Sara cruzava as pernas longas, o som do atrito do tecido justo de sua saia ecoando no silêncio da sala VIP. Ela retocava o batom vermelho enquanto observava Emanuel analisar uma planilha de custos.

— Os números de Londres estão ótimos, querido — disse ela, guardando o espelho na bolsa de grife. — Mas você está tenso. Consigo sentir o cheiro do seu estresse daqui.

Emanuel suspirou, passando a mão pelo cabelo curto. Ele amava Sara. Amava a eficiência dela, a forma como ela não se intimidava com o mundo corporativo e, principalmente, a maneira como ela entendia os seus desejos mais obscuros sem julgamentos.

— É apenas cansaço, Sara. O jantar na casa da minha mãe hoje... você sabe como ela é. Quer que tudo seja perfeito.

Sara se levantou, caminhando com uma confiança que preenchia o ambiente. Ela parou atrás de Emanuel, massageando seus ombros com as unhas bem feitas.

— Eu sei o que você precisa. E eu já te disse: eu não me importo. Na verdade, a ideia de ver você com outra, de saber que eu sou a sua rainha e que você tem uma pequena protegida para cuidar... isso me excita. Eu sou sua parceira, Emanuel. Em tudo.

Emanuel fechou os olhos, sentindo a tensão diminuir levemente.

— Você é única, Sara. Nenhuma outra mulher chegaria aos seus pés.

— Eu sei disso — ela riu, um som rouco e provador. — Por isso mesmo, quero que você encontre alguém. Alguém que seja o oposto de mim. Alguém que precise de você de um jeito que eu nunca vou precisar.

O jantar na casa da mãe de Emanuel, Dona Heloísa, era um evento formal, mas com a energia vibrante de uma família que nunca parava. Quando Emanuel e Sara chegaram, a casa já estava cheia. Foi então que ele a viu.

Eduarda estava sentada em um canto do sofá, cercada por seus irmãos mais velhos, que pareciam uma barreira protetora ao redor dela. Ela usava um vestido de linho bege, simples e fluido, que contrastava com a exuberância de Sara. Aos vinte anos, a estudante de História da Arte parecia uma pintura renascentista que ganhou vida: traços finos, pele clara e olhos que carregavam uma melancolia doce e observadora.

Emanuel sentiu um soco no estômago. Não era apenas desejo; era um instinto de posse imediato e avassalador.

— Quem é ela? — perguntou ele, a voz saindo mais baixa do que o pretendido.

Sara, que já escaneava o ambiente com seu olhar clínico, sorriu de lado. Ela notou a forma como a menina encolheu os ombros quando Emanuel entrou na sala.

— É a filha da amiga da sua mãe, a Eduarda. Lembra dela? Era aquela garotinha que vivia escondida atrás dos livros. Parece que ela cresceu... e ficou muito interessante.

Emanuel não conseguia desviar o olhar. Eduarda sentiu a intensidade do escrutínio e levantou os olhos. Quando eles se encontraram com os dele, ela corou instantaneamente, desviando a atenção para as próprias mãos. Ela sempre fora apaixonada por ele, desde os quinze anos, mas Emanuel sempre fora o "homem de negócios" distante, o amigo da família que nunca notaria alguém tão comum como ela.

Durante o jantar, a dinâmica era palpável. Sara dominava a conversa, falando sobre os novos empreendimentos e rindo das piadas dos pais de Eduarda, que eram modernos e liberais. Eduarda, por outro lado, mal tocava na comida, sentindo o olhar de Emanuel queimando sua pele a cada movimento.

— Eduarda, soube que você está se destacando na faculdade — disse Emanuel, sua voz cortando o burburinho da mesa.

Ela deu um pequeno salto na cadeira, surpresa por ele ter se dirigido a ela.

— Eu... eu gosto muito do que faço — respondeu ela, quase num sussurro. — A arte explica muito sobre quem somos.

— Ela é brilhante — interrompeu um dos irmãos de Eduarda, passando o braço pelo ombro dela de forma protetora. — Mas é tímida demais. Às vezes acho que ela prefere as estátuas de mármore às pessoas reais.

Emanuel sentiu uma pontada de irritação com a proximidade do irmão. Ele queria que ela estivesse perto dele. Ele queria protegê-la daquela forma, mas de um jeito muito mais profundo.

Após o jantar, Eduarda tentou escapar para o jardim, buscando o ar fresco da noite para acalmar o coração que batia descompassado. Ela não esperava que Emanuel a seguisse.

— Você está fugindo de mim, Eduarda? — A voz dele era firme, carregada de uma autoridade que a fez parar no lugar.

Ela se virou lentamente, os dedos mexendo nervosamente na barra do vestido.

— Eu só precisava de um pouco de silêncio. A casa está muito cheia.

Emanuel se aproximou, invadindo o espaço pessoal dela. Ele era muito mais alto, sua presença física era esmagadora e cheia de uma estabilidade que ela, em sua insegurança, sempre desejou.

— Você cresceu — ele disse, estendendo a mão para tocar uma mecha do cabelo castanho dela. — E se tornou a coisa mais bonita que eu já vi.

Eduarda estremeceu com o toque. O medo e o desejo lutavam dentro dela.

— Você tem namorada, Emanuel. A Sara é... ela é incrível. Eu não sou nada perto dela.

Emanuel deu um passo à frente, obrigando-a a recuar até que suas costas encontrassem o tronco de uma árvore.

— Sara é minha rainha, Eduarda. Mas eu decidi que quero você também. Eu quero cuidar de você. Quero que você more comigo, que estude suas artes sob o meu teto.

— Isso é loucura — sussurrou ela, as lágrimas começando a brotar nos olhos sensíveis. — Eu não posso... eu não sou esse tipo de garota.

— Você é exatamente o tipo de garota que eu quero — ele afirmou, a expressão séria e possessiva. — Eu não estou pedindo permissão, estou apenas avisando o que vai acontecer.

Eduarda tentou passar por ele, mas Emanuel segurou seu braço com delicadeza, mas firmeza.

— Me solta, por favor.

Nesse momento, Sara apareceu na porta que dava para o jardim, observando a cena com um sorriso satisfeito. Ela caminhou até eles, o salto agulha estalando no piso de pedra.

— Não a assuste tanto, Emanuel. Ela é sensível — disse Sara, parando ao lado deles. Ela olhou para Eduarda, não com ódio, mas com uma espécie de simpatia predatória. — Você é uma gracinha, Eduarda. Eu entendo perfeitamente por que ele ficou assim.

Eduarda olhou de um para o outro, sentindo-se pequena e vulnerável.

— Vocês são loucos — disse ela, finalmente conseguindo se soltar e correndo de volta para dentro de casa.

Emanuel fez menção de ir atrás dela, mas Sara colocou a mão em seu peito.

— Deixe-a ir agora. Ela precisa processar. Amanhã, nós vamos atrás dela. Eu ajudo você a montar o quarto dela na cobertura.

Emanuel olhou para a direção onde Eduarda desaparecera, o estresse acumulado do dia sendo substituído por uma nova obsessão.

— Eu a quero, Sara. Não vou aceitar um não.

— Eu sei, meu amor — Sara respondeu, abraçando-o pelo pescoço. — E você vai ter. Nós vamos ter.

No dia seguinte, Eduarda tentou manter sua rotina na faculdade. Ela se sentava nas últimas fileiras das salas de aula, tentando se perder na história das pinceladas de Caravaggio. Mas a imagem de Emanuel não saía de sua mente. O cheiro dele, a firmeza de sua voz... ela o amava em segredo há anos, mas a realidade era assustadora.

Ao sair da aula, ela viu um carro preto luxuoso estacionado em frente ao portão principal. Emanuel estava encostado na porta, usando óculos escuros e uma expressão de quem não aceitava recusas.

Eduarda tentou mudar de direção, mas ele foi mais rápido.

— Entre no carro, Eduarda.

— Não — ela disse, a voz trêmula. — Meus pais estão me esperando para o almoço.

— Eu já liguei para eles — disse Emanuel, abrindo a porta do passageiro. — Disse que íamos almoçar para discutir um projeto de restauração que quero patrocinar. Eles ficaram encantados.

Eduarda sentiu o chão sumir. Ele era calculista, prático e usava sua influência para cercá-la.

— Por que está fazendo isso? — perguntou ela, sentindo as lágrimas voltarem.

Emanuel tirou os óculos, revelando o olhar observador e intenso.

— Porque desde o momento em que te vi ontem, eu não consigo pensar em mais nada. Você é a paz que eu preciso no meio do meu caos, Eduarda. E eu vou te dar o mundo, se você deixar.

— E a Sara? — ela perguntou, a voz quase sumindo.

— A Sara está em casa, esperando por nós. Ela quer você lá tanto quanto eu.

Eduarda hesitou. Ela sabia que se entrasse naquele carro, sua vida mudaria para sempre. Ela seria protegida, amada e cuidada, mas também perderia a autonomia que mal começara a explorar. No entanto, o apego emocional que sentia por ele, a necessidade de se apoiar em alguém forte, falou mais alto.

Ela entrou no carro.

O trajeto até a cobertura de Emanuel foi silencioso. Eduarda olhava pela janela, vendo a cidade passar como um borrão. Quando chegaram, ela ficou impressionada com o luxo do lugar. Era minimalista, moderno e exalava o sucesso de Emanuel.

Sara os recebeu com duas taças de vinho. Ela usava um robe de seda que deixava pouco para a imaginação, mas seu sorriso para Eduarda era quase acolhedor.

— Bem-vinda ao seu novo lar, pequena — disse Sara, aproximando-se e passando a mão pelo rosto de Eduarda. — Não precisa ter medo. Aqui, ninguém vai te machucar.

— Eu... eu não sei se consigo fazer isso — soluçou Eduarda, sentindo-se sobrecarregada.

Emanuel caminhou até ela, abraçando-a por trás e enterrando o rosto em seu pescoço.

— Você não precisa fazer nada, Eduarda. Apenas seja você. Deixe que eu cuido de tudo. Deixe que a Sara cuide de você também.

— Nós somos um time — completou Sara, bebendo um gole do vinho. — Eu cuido dos negócios e da estrutura. Emanuel cuida da proteção e do provimento. E você... você é o coração. A doçura que falta nesta casa.

Eduarda se deixou levar pelo abraço de Emanuel. Era o que ela sempre quis, embora o formato fosse muito diferente do que ela imaginara em seus sonhos de adolescente.

— Meus irmãos vão vir atrás de mim — disse ela, tentando encontrar uma última resistência.

— Deixe que eles venham — respondeu Emanuel, sua voz agora carregada de uma frieza profissional. — Eu tenho recursos para convencê-los de que você está no melhor lugar possível. E seus pais já confiam em mim.

Sara se aproximou e beijou a testa de Eduarda.

— Você vai amar o quarto que decoramos para você. Tem vista para o parque e todos os livros de arte que você possa imaginar.

Eduarda olhou para os dois. Emanuel, o homem que ela amava e temia pela intensidade; e Sara, a mulher vibrante que parecia orquestrar tudo com uma maestria assustadora. Ela se sentiu como uma boneca de porcelana sendo colocada em uma vitrine de ouro, mas, ao mesmo tempo, sentiu uma segurança que nunca experimentara antes.

— Eu quero continuar estudando — disse Eduarda, num último esforço de individualidade.

— Você vai — afirmou Emanuel, apertando o abraço. — Eu mesmo vou te levar e buscar todos os dias. Você terá tudo o que quiser.

Naquela noite, Eduarda não voltou para casa. Ela foi instalada em um quarto que parecia um santuário de delicadeza no meio do império de Emanuel. Enquanto ela tentava dormir, ouviu o murmúrio de vozes no corredor.

— Ela vai se adaptar rápido, não vai? — era a voz de Sara.

— Ela não tem escolha — respondeu Emanuel. — Ela é minha agora.

— Nossa, querido. Ela é nossa.

Eduarda fechou os olhos, sentindo o peso daquela nova realidade. Ela era a protegida, a peça que faltava no quebra-cabeça de um homem poderoso e de uma mulher ambiciosa. E, apesar do medo, uma parte dela, aquela parte manhosa e carente, finalmente sentia que tinha encontrado o seu lugar.

O conflito entre o desejo de fuga e a necessidade de proteção continuaria a assombrá-la, mas sob o teto de Emanuel, o mundo lá fora parecia cada vez mais distante e irrelevante. Ela era a nova joia da coroa, e Emanuel e Sara fariam de tudo para que ela nunca perdesse o brilho.
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