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Adrien eu amo-te
Fandom: Romance, intimidade e violência
Criado: 01/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoFatias de VidaPsicológicoHistória DomésticaEstudo de Personagem
Cicatrizes e Confissões sob a Luz da Lua
O silêncio do quarto de Adrien era pesado, preenchido apenas pelo som rítmico da chuva batendo contra a vidraça. Ele estava sentado na beira da cama, os dedos longos perdidos entre os caracóis loiros, a cabeça baixa. Para o mundo lá fora, Adrien era o epítome da perfeição, mas, por dentro, ele era um mosaico de cacos de vidro que nunca pareciam colar direito. A morte de sua mãe deixara um vazio abissal, e o desprezo gélido de seu pai era o sal constante em suas feridas abertas.
A porta do quarto se abriu suavemente, e o perfume de baunilha e flores silvestres invadiu o ambiente antes mesmo que ela desse o primeiro passo. Marinette entrou com aquela leveza que só ela possuía, os cabelos castanhos encaracolados caindo sobre os ombros, emoldurando um rosto que, para Adrien, era o único porto seguro em meio à tempestade.
— Adrien? — A voz dela era um sussurro carinhoso. — Você sumiu da festa da Bia. O Daniel ficou preocupado.
Adrien levantou o olhar, os olhos verdes marejados, mas ele forçou um sorriso que não chegou a alcançar sua expressão.
— Eu só precisava de um pouco de ar, Mari. O Daniel se preocupa demais.
Marinette caminhou até ele e sentou-se ao seu lado, sentindo o calor que emanava do corpo dele. Ela sabia que aquele "precisava de ar" era um código para "meu pai disse algo terrível de novo". Fazia cinco anos que eram melhores amigos, e agora, há alguns meses, eram namorados — uma ideia que Daniel vinha plantando na cabeça de Adrien há eras. "Ela é a única que te entende, cara", Daniel costumava dizer enquanto jogavam videogame. "Não deixa a garota da sua vida ser apenas a sua melhor amiga". Daniel estava certo.
— Ele não é o único que se preocupa — disse Marinette, pegando a mão de Adrien e entrelaçando seus dedos nos dele. — Sabe que pode me contar qualquer coisa. Sempre resolvemos tudo juntos, não é?
Adrien soltou um suspiro trêmulo e deitou a cabeça no ombro de Marinette.
— Ele disse que eu sou uma decepção. Que cada vez que olha para mim, vê o motivo de ela ter partido. Mari, dói tanto... Às vezes eu sinto que a violência das palavras dele é pior do que qualquer golpe físico.
Marinette sentiu uma onda de fúria percorrer seu corpo. Ela odiava o modo como o pai de Adrien o tratava, mas sabia que, naquele momento, Adrien não precisava de sua raiva, mas sim do seu amor. Ela se inclinou e beijou o topo da cabeça dele, sentindo a maciez de seus caracóis.
— Ele está errado — afirmou ela com firmeza. — Você é a pessoa mais incrível que eu conheço. É gentil, compreensivo e forte por aguentar tudo isso. Eu estou aqui, Adrien. Eu não vou a lugar nenhum.
Eles ficaram assim por um longo tempo, envoltos na intimidade que construíram ao longo de meia década. Para Marinette, a proximidade física era uma linguagem. Ela gostava do toque, do calor da pele, da confirmação de que ele era real e estava ali. Adrien, embora carregasse traumas profundos, encontrava no toque de Marinette a cura que nenhum terapeuta jamais conseguira oferecer.
Enquanto isso, no andar de baixo, o clima era diferente. Bia estava encostada na parede do corredor, os longos cabelos loiros lisos brilhando sob a luz amarela da arandela. Ela cruzava os braços, observando Daniel, que parecia ansioso.
— Você acha que eles estão bem? — perguntou Daniel, passando a mão pelos cabelos castanhos encaracolados. — O Adrien parecia realmente mal quando saiu.
— Eles estão juntos, Daniel — respondeu Bia, com seu tom rebelde de sempre. — A Marinette sabe lidar com ele melhor do que ninguém. Sinceramente, eu não sei como eles conseguem ficar grudados o tempo todo. Me dá um pouco de agonia só de olhar.
Daniel riu, aproximando-se da namorada, mas mantendo uma distância respeitosa. Ele sabia que Bia não era fã de demonstrações públicas de afeto ou de intimidade excessiva. Eles tinham o seu próprio ritmo, um equilíbrio que funcionava para dois corações que preferiam a liberdade ao contato constante.
— Nem todo mundo é como a gente, Bia — disse Daniel, sorrindo. — O Adrien precisa desse contato. Ele foi privado de afeto a vida toda. A Marinette é o sol dele.
— Eu sei, eu sei — Bia suspirou, descruzando os braços e relaxando os ombros. — Só espero que ele não se quebre de novo. O pai dele é um monstro. Se eu pudesse, daria uma lição naquele homem.
— Você e sua mania de resolver tudo na base da rebeldia — brincou Daniel, embora no fundo concordasse com ela. A violência psicológica que Adrien sofria era algo que todos os amigos sentiam na pele.
Lá em cima, no quarto, a atmosfera havia mudado. A tristeza inicial de Adrien dera lugar a uma necessidade urgente de conexão. Ele se afastou um pouco para olhar nos olhos castanhos claros de Marinette, encontrando ali um reflexo de aceitação pura.
— Obrigado por me convencer a aceitar o que eu sentia, Mari — sussurrou ele. — O Daniel passou meses me dizendo que eu estava sendo um idiota por não te pedir em namoro.
— O Daniel pode ser muito persuasivo quando quer — Marinette riu baixo, a mão subindo pelo pescoço de Adrien, sentindo a pulsação dele. — Mas eu fico feliz que ele tenha feito isso. Eu já te amava muito antes de você perceber, seu bobo loiro.
— Eu também te amava — admitiu Adrien, a voz falhando levemente. — Só tinha medo de que o meu caos estragasse a sua luz.
— O seu caos faz parte de quem você é — disse ela, aproximando o rosto do dele. — E eu amo cada pedaço desse caos.
O beijo que se seguiu foi lento e carregado de uma intimidade profunda. Não era apenas desejo; era um pacto de proteção. Marinette explorava cada espaço, cada suspiro de Adrien, querendo apagar com seus lábios as marcas invisíveis que o pai dele deixava. Adrien, por sua vez, envolvia a cintura dela com força, como se ela fosse a única coisa que o impedia de flutuar para longe, para o vazio de sua solidão.
Eles se deitaram na cama, os corpos entrelaçados. Marinette começou a traçar padrões imaginários no peito de Adrien, enquanto ele brincava com uma mecha dos cabelos dela.
— Sabe — disse Adrien, a voz agora mais calma —, às vezes eu sinto que a vida é uma sequência de momentos violentos, e você é a minha única pausa de paz.
— Então eu serei a sua paz eterna — prometeu Marinette, olhando para ele com uma intensidade que o fez estremecer. — Não importa o que aconteça, Adrien. Se o mundo for violento lá fora, aqui dentro seremos só nós dois.
— Promete? — perguntou ele, a vulnerabilidade brilhando em seus olhos verdes.
— Prometo — respondeu ela, selando a promessa com um beijo terno na testa dele.
Enquanto a chuva continuava a cair lá fora, lavando as ruas da cidade, dentro daquele quarto, o amor e a intimidade serviam de escudo contra a dor. Adrien sabia que as cicatrizes ainda estavam lá, e que seu pai provavelmente tentaria feri-lo novamente na manhã seguinte. Mas, pela primeira vez em sua vida, ele não tinha medo. Porque ele tinha Marinette, e juntos, eles eram invencíveis.
No corredor, Bia e Daniel decidiram finalmente sair para o jardim coberto, onde o som da chuva era mais alto.
— Você acha que eles vão descer para comer? — perguntou Bia, pegando o celular.
— Duvido muito — Daniel sorriu, abraçando-a de lado por um breve momento antes de ela se esquivar com um sorriso brincalhão. — Eles têm muito o que conversar. E, honestamente, acho que o Adrien finalmente encontrou o remédio que precisava.
— É — concordou Bia, olhando para a janela. — O amor é uma coisa estranha, não é? Faz as pessoas ficarem moles.
— Ou faz elas ficarem fortes o suficiente para enfrentar qualquer coisa — retrucou Daniel.
E, no silêncio da noite, os quatro amigos, cada um à sua maneira, navegavam pelas águas complexas do amadurecimento, da dor e da descoberta de que, às vezes, a maior rebeldia contra um mundo cruel é o simples ato de amar alguém com toda a alma.
A porta do quarto se abriu suavemente, e o perfume de baunilha e flores silvestres invadiu o ambiente antes mesmo que ela desse o primeiro passo. Marinette entrou com aquela leveza que só ela possuía, os cabelos castanhos encaracolados caindo sobre os ombros, emoldurando um rosto que, para Adrien, era o único porto seguro em meio à tempestade.
— Adrien? — A voz dela era um sussurro carinhoso. — Você sumiu da festa da Bia. O Daniel ficou preocupado.
Adrien levantou o olhar, os olhos verdes marejados, mas ele forçou um sorriso que não chegou a alcançar sua expressão.
— Eu só precisava de um pouco de ar, Mari. O Daniel se preocupa demais.
Marinette caminhou até ele e sentou-se ao seu lado, sentindo o calor que emanava do corpo dele. Ela sabia que aquele "precisava de ar" era um código para "meu pai disse algo terrível de novo". Fazia cinco anos que eram melhores amigos, e agora, há alguns meses, eram namorados — uma ideia que Daniel vinha plantando na cabeça de Adrien há eras. "Ela é a única que te entende, cara", Daniel costumava dizer enquanto jogavam videogame. "Não deixa a garota da sua vida ser apenas a sua melhor amiga". Daniel estava certo.
— Ele não é o único que se preocupa — disse Marinette, pegando a mão de Adrien e entrelaçando seus dedos nos dele. — Sabe que pode me contar qualquer coisa. Sempre resolvemos tudo juntos, não é?
Adrien soltou um suspiro trêmulo e deitou a cabeça no ombro de Marinette.
— Ele disse que eu sou uma decepção. Que cada vez que olha para mim, vê o motivo de ela ter partido. Mari, dói tanto... Às vezes eu sinto que a violência das palavras dele é pior do que qualquer golpe físico.
Marinette sentiu uma onda de fúria percorrer seu corpo. Ela odiava o modo como o pai de Adrien o tratava, mas sabia que, naquele momento, Adrien não precisava de sua raiva, mas sim do seu amor. Ela se inclinou e beijou o topo da cabeça dele, sentindo a maciez de seus caracóis.
— Ele está errado — afirmou ela com firmeza. — Você é a pessoa mais incrível que eu conheço. É gentil, compreensivo e forte por aguentar tudo isso. Eu estou aqui, Adrien. Eu não vou a lugar nenhum.
Eles ficaram assim por um longo tempo, envoltos na intimidade que construíram ao longo de meia década. Para Marinette, a proximidade física era uma linguagem. Ela gostava do toque, do calor da pele, da confirmação de que ele era real e estava ali. Adrien, embora carregasse traumas profundos, encontrava no toque de Marinette a cura que nenhum terapeuta jamais conseguira oferecer.
Enquanto isso, no andar de baixo, o clima era diferente. Bia estava encostada na parede do corredor, os longos cabelos loiros lisos brilhando sob a luz amarela da arandela. Ela cruzava os braços, observando Daniel, que parecia ansioso.
— Você acha que eles estão bem? — perguntou Daniel, passando a mão pelos cabelos castanhos encaracolados. — O Adrien parecia realmente mal quando saiu.
— Eles estão juntos, Daniel — respondeu Bia, com seu tom rebelde de sempre. — A Marinette sabe lidar com ele melhor do que ninguém. Sinceramente, eu não sei como eles conseguem ficar grudados o tempo todo. Me dá um pouco de agonia só de olhar.
Daniel riu, aproximando-se da namorada, mas mantendo uma distância respeitosa. Ele sabia que Bia não era fã de demonstrações públicas de afeto ou de intimidade excessiva. Eles tinham o seu próprio ritmo, um equilíbrio que funcionava para dois corações que preferiam a liberdade ao contato constante.
— Nem todo mundo é como a gente, Bia — disse Daniel, sorrindo. — O Adrien precisa desse contato. Ele foi privado de afeto a vida toda. A Marinette é o sol dele.
— Eu sei, eu sei — Bia suspirou, descruzando os braços e relaxando os ombros. — Só espero que ele não se quebre de novo. O pai dele é um monstro. Se eu pudesse, daria uma lição naquele homem.
— Você e sua mania de resolver tudo na base da rebeldia — brincou Daniel, embora no fundo concordasse com ela. A violência psicológica que Adrien sofria era algo que todos os amigos sentiam na pele.
Lá em cima, no quarto, a atmosfera havia mudado. A tristeza inicial de Adrien dera lugar a uma necessidade urgente de conexão. Ele se afastou um pouco para olhar nos olhos castanhos claros de Marinette, encontrando ali um reflexo de aceitação pura.
— Obrigado por me convencer a aceitar o que eu sentia, Mari — sussurrou ele. — O Daniel passou meses me dizendo que eu estava sendo um idiota por não te pedir em namoro.
— O Daniel pode ser muito persuasivo quando quer — Marinette riu baixo, a mão subindo pelo pescoço de Adrien, sentindo a pulsação dele. — Mas eu fico feliz que ele tenha feito isso. Eu já te amava muito antes de você perceber, seu bobo loiro.
— Eu também te amava — admitiu Adrien, a voz falhando levemente. — Só tinha medo de que o meu caos estragasse a sua luz.
— O seu caos faz parte de quem você é — disse ela, aproximando o rosto do dele. — E eu amo cada pedaço desse caos.
O beijo que se seguiu foi lento e carregado de uma intimidade profunda. Não era apenas desejo; era um pacto de proteção. Marinette explorava cada espaço, cada suspiro de Adrien, querendo apagar com seus lábios as marcas invisíveis que o pai dele deixava. Adrien, por sua vez, envolvia a cintura dela com força, como se ela fosse a única coisa que o impedia de flutuar para longe, para o vazio de sua solidão.
Eles se deitaram na cama, os corpos entrelaçados. Marinette começou a traçar padrões imaginários no peito de Adrien, enquanto ele brincava com uma mecha dos cabelos dela.
— Sabe — disse Adrien, a voz agora mais calma —, às vezes eu sinto que a vida é uma sequência de momentos violentos, e você é a minha única pausa de paz.
— Então eu serei a sua paz eterna — prometeu Marinette, olhando para ele com uma intensidade que o fez estremecer. — Não importa o que aconteça, Adrien. Se o mundo for violento lá fora, aqui dentro seremos só nós dois.
— Promete? — perguntou ele, a vulnerabilidade brilhando em seus olhos verdes.
— Prometo — respondeu ela, selando a promessa com um beijo terno na testa dele.
Enquanto a chuva continuava a cair lá fora, lavando as ruas da cidade, dentro daquele quarto, o amor e a intimidade serviam de escudo contra a dor. Adrien sabia que as cicatrizes ainda estavam lá, e que seu pai provavelmente tentaria feri-lo novamente na manhã seguinte. Mas, pela primeira vez em sua vida, ele não tinha medo. Porque ele tinha Marinette, e juntos, eles eram invencíveis.
No corredor, Bia e Daniel decidiram finalmente sair para o jardim coberto, onde o som da chuva era mais alto.
— Você acha que eles vão descer para comer? — perguntou Bia, pegando o celular.
— Duvido muito — Daniel sorriu, abraçando-a de lado por um breve momento antes de ela se esquivar com um sorriso brincalhão. — Eles têm muito o que conversar. E, honestamente, acho que o Adrien finalmente encontrou o remédio que precisava.
— É — concordou Bia, olhando para a janela. — O amor é uma coisa estranha, não é? Faz as pessoas ficarem moles.
— Ou faz elas ficarem fortes o suficiente para enfrentar qualquer coisa — retrucou Daniel.
E, no silêncio da noite, os quatro amigos, cada um à sua maneira, navegavam pelas águas complexas do amadurecimento, da dor e da descoberta de que, às vezes, a maior rebeldia contra um mundo cruel é o simples ato de amar alguém com toda a alma.
