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Melhor amigo
Fandom: Bts
Criado: 01/06/2026
Tags
RomanceAngústiaFatias de VidaFofuraHistória DomésticaCiúmesEstudo de PersonagemHumor
O Limiar do que Não Foi Dito
A luz alaranjada do final de tarde banhava o pátio da escola, criando sombras longas que pareciam dançar conforme o vento soprava as folhas secas. Para Jungkook, aquele era o momento mais esperado da semana. Sexta-feira significava que as próximas quarenta e oito horas pertenciam exclusivamente a ele e Nari. Era a tradição sagrada deles desde que tinham dez anos: maratona de filmes ruins, competições de videogame e comida coreana pedida por delivery.
Jungkook ajustou a alça da mochila, sentindo um frio na barriga que, honestamente, já deveria ter passado depois de tantos anos de amizade. Mas, ultimamente, olhar para Nari era como tentar encarar o sol por muito tempo; ele acabava meio tonto e com o coração batendo fora de ritmo.
— Kook! — Nari exclamou, saindo pelo portão principal com um sorriso que fazia os olhos dela se transformarem em duas meias-luas adoráveis. — Já decidiu o que vamos assistir hoje? Eu estava pensando em terror, mas sei que você vai acabar escondido atrás das almofadas.
Jungkook soltou uma risada anasalada, tentando disfarçar o quanto aquele apelido ainda o afetava.
— Eu não me escondo, Nari. Eu só... protejo meus olhos da luz azul excessiva — brincou ele, aproximando-se dela. — E hoje é minha vez de escolher, então prepare-se para três horas de documentário sobre o espaço.
Nari revirou os olhos, mas o brilho em seu olhar denunciava que ela aceitaria qualquer coisa, desde que fosse com ele. Eles começaram a caminhar em direção ao portão de saída, o ombro dele roçando levemente no dela, um contato casual que fazia o sangue de Jungkook ferver.
No entanto, o universo parecia ter outros planos para aquela tarde perfeita.
— Hey! Nari! Jungkook! — Uma voz profunda e excessivamente animada ecoou pelo estacionamento.
Jungkook sentiu seu sorriso murchar instantaneamente. Ele conhecia aquela voz. Era Kim Taehyung, um dos caras mais populares e genuinamente legais da escola, o que tornava quase impossível odiá-lo de verdade, embora Jungkook estivesse tentando muito naquele momento.
Taehyung correu até eles, os cabelos levemente bagunçados e um sorriso quadrado que parecia iluminar todo o quarteirão.
— Oi, Tae! — Nari acenou, a energia dela subindo um degrau. — O que ainda está fazendo por aqui? O treino de basquete não acabou cedo hoje?
— Acabou sim, mas eu estava esperando o ônibus que nunca passa — Taehyung riu, passando a mão pelo pescoço. — E vocês? Indo para o refúgio secreto dos melhores amigos?
Jungkook abriu a boca para dizer "sim, e é privado", mas Nari foi mais rápida. Muito mais rápida.
— Sim! Na verdade, estávamos indo para minha casa agora. Por que você não vem com a gente, Tae? O Jungkook vai escolher um documentário chato, eu preciso de um aliado para votar em um filme de ação!
O mundo de Jungkook pareceu girar em câmera lenta por um segundo. Ele olhou para Nari com uma expressão de pura traição, mas ela estava ocupada demais sorrindo para Taehyung.
— Ah, eu não queria incomodar... — Taehyung começou, mas seus olhos brilharam com a ideia.
— Não incomoda nada! — Nari insistiu, dando um tapinha amigável no braço de Taehyung. — Não é, Jungkook?
Jungkook forçou um sorriso que mais parecia uma careta de dor.
— É... claro. Quanto mais gente, melhor. Eu acho.
A caminhada até a casa de Nari, que costumava ser o momento favorito de Jungkook para conversar sobre coisas bobas, transformou-se em um teste de resistência. Taehyung e Nari engajaram em uma conversa animada sobre uma nova série da Netflix, enquanto Jungkook caminhava meio passo atrás, chutando pedrinhas invisíveis e sentindo um nó crescer em sua garganta.
Ele não odiava Taehyung. Taehyung era incrível. E era exatamente esse o problema. Como Jungkook poderia competir com alguém tão naturalmente charmoso enquanto ele se sentia apenas como o "Kook de sempre"?
Ao chegarem na casa de Nari, a dinâmica não melhorou. Em vez da habitual proximidade no sofá pequeno, onde seus joelhos sempre se tocavam, eles se acomodaram na sala ampla. Nari sentou-se no meio, com Taehyung de um lado e Jungkook do outro.
— Vamos pedir pizza! — sugeriu Nari, pegando o celular. — Metade pepperoni e metade...
— Abacaxi! — Taehyung e Nari disseram ao mesmo tempo, caindo na risada logo em seguida.
Jungkook sentiu uma pontada de ciúme tão forte que jurou ter sentido um gosto amargo na boca.
— Eu prefiro frango com catupiry — resmungou Jungkook, cruzando os braços.
— Ah, Kook, mas você sempre come isso — Nari disse, sem tirar os olhos do cardápio digital. — Vamos experimentar algo diferente hoje, vai ser legal!
As horas seguintes foram uma tortura lenta para o coração do jovem Jeon. Ele assistiu, em silêncio quase absoluto, enquanto Taehyung fazia piadas que faziam Nari gargalhar até perder o fôlego. Ele viu como Taehyung era atencioso, passando o guardanapo para ela ou comentando sobre as notas altas que ela tirara em química.
Para Nari, aquilo era apenas uma tarde divertida com dois amigos. Ela via o bico de Jungkook, o modo como ele evitava contato visual e como ele respondia com frases curtas, mas ela apenas sorria internamente. "Lá vem o ciúme de melhor amigo", ela pensava. Para ela, Jungkook era como um irmão protetor que não gostava de dividir sua atenção, e ela achava aquela possessividade platônica a coisa mais fofa do mundo. Ela não tinha a menor ideia de que, toda vez que ela tocava no braço de Taehyung, Jungkook sentia como se estivesse sendo eletrocutado.
Quando o relógio marcou quase dez da noite, Taehyung finalmente se levantou.
— Bom, pessoal, eu preciso ir. Minha mãe já mandou três mensagens perguntando se eu fui sequestrado — Taehyung riu, pegando sua mochila. — Obrigado pela tarde, Nari. Foi realmente incrível. Jungkook, valeu por me deixar 'invadir' o espaço de vocês.
— Sem problemas — mentiu Jungkook, levantando-se apenas por educação.
Nari acompanhou Taehyung até a porta, e Jungkook ficou parado no meio da sala, ouvindo os sussurros e risadas que vinham do corredor. Quando a porta finalmente se fechou e Nari voltou para a sala, ela encontrou um Jungkook transformado.
Ele estava sentado no chão, de braços cruzados, o lábio inferior projetado para frente em um bico monumental.
— Ele finalmente foi embora? — perguntou Jungkook, a voz carregada de um tom infantil proposital.
Nari soltou uma risadinha, caminhando até ele e sentando-se no sofá, olhando-o de cima.
— Sim, Kook. O "intruso" se foi. Por que você está com essa cara?
— Eu não estou com cara nenhuma — ele respondeu, desviando o olhar para a TV desligada. — Só acho que a gente tinha planos. Planos de dois. Não de três.
— Ah, não seja bobo — Nari se inclinou para frente, bagunçando o cabelo dele. — O Tae é legal, você sabe disso. Foi bom mudar um pouco a rotina.
— Eu não gosto de mudar a rotina — Jungkook murmurou, fazendo o bico aumentar. — E ele fala demais. E ele ri de um jeito estranho. E ele gosta de abacaxi na pizza, Nari! Quem em sã consciência faz isso?
Nari explodiu em uma gargalhada genuína, achando a cena a coisa mais adorável do planeta. Para ela, ver o "grande e forte" Jungkook fazendo birra por causa de atenção era o ápice da fofura da amizade deles.
— Você é tão ciumento, sabia? — ela disse, esticando-se para apertar as bochechas dele. — Não precisa ficar assim, Kook. Ninguém vai roubar o seu lugar de melhor amigo. Você é insubstituível.
Jungkook sentiu o coração afundar. *Melhor amigo*. Novamente aquela barreira invisível e intransponível. Ele se soltou das mãos dela, mas não se afastou. Em vez disso, ele se deitou no tapete, olhando para o teto.
— Não é ciúme de amigo, Nari — ele sussurrou, tão baixo que quase se perdeu no som do ventilador de teto.
— O que você disse? — ela perguntou, inclinando a cabeça, sem desfazer o sorriso brincalhão.
— Eu disse que estou com sono — ele mentiu, fechando os olhos com força. — A pizza de abacaxi me deu fadiga.
Nari revirou os olhos, ainda achando que ele estava apenas sendo dramático. Ela desceu do sofá e se sentou no chão ao lado dele, começando a traçar desenhos imaginários no braço do garoto.
— Você é meu rabugento favorito — ela murmurou com carinho. — Sabe que eu te amo, né?
Jungkook abriu um dos olhos, encontrando o olhar doce e inocente de Nari. Ela falava aquilo com a naturalidade de quem ama um irmão, ou um animal de estimação querido. Ela não via o fogo que queimava nele toda vez que ela chegava perto.
— Eu também te amo — ele respondeu, a voz subitamente séria. — Mais do que você imagina.
Nari deu um tapinha leve no ombro dele.
— Eu sei, eu sei! Agora para de fazer birra e vamos arrumar essa bagunça. Amanhã ainda é sábado e eu prometo que vai ser só nós dois. Sem Taehyung, sem abacaxi, só a gente. Combinado?
Jungkook suspirou, sentindo uma mistura de alívio e frustração. Ele se levantou, ajudando-a a recolher as caixas de pizza.
— Combinado. Mas se você convidar o porteiro para o café da manhã, eu vou embora e nunca mais volto.
Nari riu, jogando uma almofada nele.
— Bobo!
Enquanto ela caminhava em direção à cozinha, Jungkook a observou por um momento. Ele sabia que, para ela, ele era o porto seguro, o amigo de infância, o "Kook". E, embora doesse ver que ela não percebia seus sentimentos reais, ele ainda preferia ter aqueles momentos de birra e ciúme do que não ter nada.
Ele só esperava que, um dia, ela olhasse para ele e visse algo além do melhor amigo. Mas, por enquanto, ele se contentaria em ser o único a saber o quanto o sorriso dela era a única coisa que realmente importava em seus finais de semana. Ele guardaria seu segredo um pouco mais, protegido pelo disfarce conveniente de um ciúme que ela considerava "fofo", esperando o momento em que a amizade não seria mais o suficiente para conter o que ele sentia.
Jungkook ajustou a alça da mochila, sentindo um frio na barriga que, honestamente, já deveria ter passado depois de tantos anos de amizade. Mas, ultimamente, olhar para Nari era como tentar encarar o sol por muito tempo; ele acabava meio tonto e com o coração batendo fora de ritmo.
— Kook! — Nari exclamou, saindo pelo portão principal com um sorriso que fazia os olhos dela se transformarem em duas meias-luas adoráveis. — Já decidiu o que vamos assistir hoje? Eu estava pensando em terror, mas sei que você vai acabar escondido atrás das almofadas.
Jungkook soltou uma risada anasalada, tentando disfarçar o quanto aquele apelido ainda o afetava.
— Eu não me escondo, Nari. Eu só... protejo meus olhos da luz azul excessiva — brincou ele, aproximando-se dela. — E hoje é minha vez de escolher, então prepare-se para três horas de documentário sobre o espaço.
Nari revirou os olhos, mas o brilho em seu olhar denunciava que ela aceitaria qualquer coisa, desde que fosse com ele. Eles começaram a caminhar em direção ao portão de saída, o ombro dele roçando levemente no dela, um contato casual que fazia o sangue de Jungkook ferver.
No entanto, o universo parecia ter outros planos para aquela tarde perfeita.
— Hey! Nari! Jungkook! — Uma voz profunda e excessivamente animada ecoou pelo estacionamento.
Jungkook sentiu seu sorriso murchar instantaneamente. Ele conhecia aquela voz. Era Kim Taehyung, um dos caras mais populares e genuinamente legais da escola, o que tornava quase impossível odiá-lo de verdade, embora Jungkook estivesse tentando muito naquele momento.
Taehyung correu até eles, os cabelos levemente bagunçados e um sorriso quadrado que parecia iluminar todo o quarteirão.
— Oi, Tae! — Nari acenou, a energia dela subindo um degrau. — O que ainda está fazendo por aqui? O treino de basquete não acabou cedo hoje?
— Acabou sim, mas eu estava esperando o ônibus que nunca passa — Taehyung riu, passando a mão pelo pescoço. — E vocês? Indo para o refúgio secreto dos melhores amigos?
Jungkook abriu a boca para dizer "sim, e é privado", mas Nari foi mais rápida. Muito mais rápida.
— Sim! Na verdade, estávamos indo para minha casa agora. Por que você não vem com a gente, Tae? O Jungkook vai escolher um documentário chato, eu preciso de um aliado para votar em um filme de ação!
O mundo de Jungkook pareceu girar em câmera lenta por um segundo. Ele olhou para Nari com uma expressão de pura traição, mas ela estava ocupada demais sorrindo para Taehyung.
— Ah, eu não queria incomodar... — Taehyung começou, mas seus olhos brilharam com a ideia.
— Não incomoda nada! — Nari insistiu, dando um tapinha amigável no braço de Taehyung. — Não é, Jungkook?
Jungkook forçou um sorriso que mais parecia uma careta de dor.
— É... claro. Quanto mais gente, melhor. Eu acho.
A caminhada até a casa de Nari, que costumava ser o momento favorito de Jungkook para conversar sobre coisas bobas, transformou-se em um teste de resistência. Taehyung e Nari engajaram em uma conversa animada sobre uma nova série da Netflix, enquanto Jungkook caminhava meio passo atrás, chutando pedrinhas invisíveis e sentindo um nó crescer em sua garganta.
Ele não odiava Taehyung. Taehyung era incrível. E era exatamente esse o problema. Como Jungkook poderia competir com alguém tão naturalmente charmoso enquanto ele se sentia apenas como o "Kook de sempre"?
Ao chegarem na casa de Nari, a dinâmica não melhorou. Em vez da habitual proximidade no sofá pequeno, onde seus joelhos sempre se tocavam, eles se acomodaram na sala ampla. Nari sentou-se no meio, com Taehyung de um lado e Jungkook do outro.
— Vamos pedir pizza! — sugeriu Nari, pegando o celular. — Metade pepperoni e metade...
— Abacaxi! — Taehyung e Nari disseram ao mesmo tempo, caindo na risada logo em seguida.
Jungkook sentiu uma pontada de ciúme tão forte que jurou ter sentido um gosto amargo na boca.
— Eu prefiro frango com catupiry — resmungou Jungkook, cruzando os braços.
— Ah, Kook, mas você sempre come isso — Nari disse, sem tirar os olhos do cardápio digital. — Vamos experimentar algo diferente hoje, vai ser legal!
As horas seguintes foram uma tortura lenta para o coração do jovem Jeon. Ele assistiu, em silêncio quase absoluto, enquanto Taehyung fazia piadas que faziam Nari gargalhar até perder o fôlego. Ele viu como Taehyung era atencioso, passando o guardanapo para ela ou comentando sobre as notas altas que ela tirara em química.
Para Nari, aquilo era apenas uma tarde divertida com dois amigos. Ela via o bico de Jungkook, o modo como ele evitava contato visual e como ele respondia com frases curtas, mas ela apenas sorria internamente. "Lá vem o ciúme de melhor amigo", ela pensava. Para ela, Jungkook era como um irmão protetor que não gostava de dividir sua atenção, e ela achava aquela possessividade platônica a coisa mais fofa do mundo. Ela não tinha a menor ideia de que, toda vez que ela tocava no braço de Taehyung, Jungkook sentia como se estivesse sendo eletrocutado.
Quando o relógio marcou quase dez da noite, Taehyung finalmente se levantou.
— Bom, pessoal, eu preciso ir. Minha mãe já mandou três mensagens perguntando se eu fui sequestrado — Taehyung riu, pegando sua mochila. — Obrigado pela tarde, Nari. Foi realmente incrível. Jungkook, valeu por me deixar 'invadir' o espaço de vocês.
— Sem problemas — mentiu Jungkook, levantando-se apenas por educação.
Nari acompanhou Taehyung até a porta, e Jungkook ficou parado no meio da sala, ouvindo os sussurros e risadas que vinham do corredor. Quando a porta finalmente se fechou e Nari voltou para a sala, ela encontrou um Jungkook transformado.
Ele estava sentado no chão, de braços cruzados, o lábio inferior projetado para frente em um bico monumental.
— Ele finalmente foi embora? — perguntou Jungkook, a voz carregada de um tom infantil proposital.
Nari soltou uma risadinha, caminhando até ele e sentando-se no sofá, olhando-o de cima.
— Sim, Kook. O "intruso" se foi. Por que você está com essa cara?
— Eu não estou com cara nenhuma — ele respondeu, desviando o olhar para a TV desligada. — Só acho que a gente tinha planos. Planos de dois. Não de três.
— Ah, não seja bobo — Nari se inclinou para frente, bagunçando o cabelo dele. — O Tae é legal, você sabe disso. Foi bom mudar um pouco a rotina.
— Eu não gosto de mudar a rotina — Jungkook murmurou, fazendo o bico aumentar. — E ele fala demais. E ele ri de um jeito estranho. E ele gosta de abacaxi na pizza, Nari! Quem em sã consciência faz isso?
Nari explodiu em uma gargalhada genuína, achando a cena a coisa mais adorável do planeta. Para ela, ver o "grande e forte" Jungkook fazendo birra por causa de atenção era o ápice da fofura da amizade deles.
— Você é tão ciumento, sabia? — ela disse, esticando-se para apertar as bochechas dele. — Não precisa ficar assim, Kook. Ninguém vai roubar o seu lugar de melhor amigo. Você é insubstituível.
Jungkook sentiu o coração afundar. *Melhor amigo*. Novamente aquela barreira invisível e intransponível. Ele se soltou das mãos dela, mas não se afastou. Em vez disso, ele se deitou no tapete, olhando para o teto.
— Não é ciúme de amigo, Nari — ele sussurrou, tão baixo que quase se perdeu no som do ventilador de teto.
— O que você disse? — ela perguntou, inclinando a cabeça, sem desfazer o sorriso brincalhão.
— Eu disse que estou com sono — ele mentiu, fechando os olhos com força. — A pizza de abacaxi me deu fadiga.
Nari revirou os olhos, ainda achando que ele estava apenas sendo dramático. Ela desceu do sofá e se sentou no chão ao lado dele, começando a traçar desenhos imaginários no braço do garoto.
— Você é meu rabugento favorito — ela murmurou com carinho. — Sabe que eu te amo, né?
Jungkook abriu um dos olhos, encontrando o olhar doce e inocente de Nari. Ela falava aquilo com a naturalidade de quem ama um irmão, ou um animal de estimação querido. Ela não via o fogo que queimava nele toda vez que ela chegava perto.
— Eu também te amo — ele respondeu, a voz subitamente séria. — Mais do que você imagina.
Nari deu um tapinha leve no ombro dele.
— Eu sei, eu sei! Agora para de fazer birra e vamos arrumar essa bagunça. Amanhã ainda é sábado e eu prometo que vai ser só nós dois. Sem Taehyung, sem abacaxi, só a gente. Combinado?
Jungkook suspirou, sentindo uma mistura de alívio e frustração. Ele se levantou, ajudando-a a recolher as caixas de pizza.
— Combinado. Mas se você convidar o porteiro para o café da manhã, eu vou embora e nunca mais volto.
Nari riu, jogando uma almofada nele.
— Bobo!
Enquanto ela caminhava em direção à cozinha, Jungkook a observou por um momento. Ele sabia que, para ela, ele era o porto seguro, o amigo de infância, o "Kook". E, embora doesse ver que ela não percebia seus sentimentos reais, ele ainda preferia ter aqueles momentos de birra e ciúme do que não ter nada.
Ele só esperava que, um dia, ela olhasse para ele e visse algo além do melhor amigo. Mas, por enquanto, ele se contentaria em ser o único a saber o quanto o sorriso dela era a única coisa que realmente importava em seus finais de semana. Ele guardaria seu segredo um pouco mais, protegido pelo disfarce conveniente de um ciúme que ela considerava "fofo", esperando o momento em que a amizade não seria mais o suficiente para conter o que ele sentia.
