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Fandom: nenhum
Criado: 01/06/2026
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RomanceDramaPsicológicoDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesLinguagem ExplícitaAbuso de Álcool
O Erro Mais Doce
A penumbra do corredor da casa dos Silva era cortada apenas por uma fresta de luz que vinha da cozinha, onde o irmão de Eduarda ainda terminava de arrumar as coisas antes de desmaiar no sofá. Emanuel, aos 23 anos, já carregava no corpo a marca do sucesso precoce; seus braços eram telas vivas de tinta preta e sombreados impecáveis, e sua mente, um labirinto de estratégias para expandir seus estúdios de tatuagem. Ele estava exausto. O dia tinha sido longo, as negociações com fornecedores haviam drenado sua paciência, e tudo o que ele queria era a cama de hóspedes.
Ele já namorava Sara há três anos. O relacionamento deles era intenso, pautado em uma liberdade acordada e em uma paixão que beirava o caos. Sara era o furacão que o mantinha alerta; Eduarda, a irmã mais nova de seu melhor amigo, era apenas uma sombra doce e silenciosa que ele via ocasionalmente durante os jantares de família.
Emanuel empurrou a porta de madeira, acreditando ser o quarto de hóspedes. O ambiente estava imerso em uma luz suave, vinda de um abajur de sal rosa no canto, e o cheiro de baunilha e vinho doce pairava no ar. Seus olhos demoraram alguns segundos para se ajustar, mas, quando o fizeram, seu coração falhou uma batida.
Não era o quarto de hóspedes.
Eduarda estava deitada sobre os lençóis de algodão claro, vestindo apenas uma camisola de seda branca, tão fina que era quase transparente. Suas bochechas estavam coradas, um reflexo nítido do vinho que a garrafa quase vazia na mesa de cabeceira denunciava. Ela tinha dezoito anos recém-completados, uma fragilidade que sempre fizera Emanuel desviar o olhar por puro instinto de preservação. Mas agora, ela não parecia a menina tímida que se escondia atrás dos livros de história da arte.
Ele a viu. Seus dedos pequenos e delicados estavam ocupados, uma das mãos massageava um dos seios médios e macios por cima do tecido, enquanto a outra, escondida entre as coxas levemente abertas, movia-se em um ritmo lento e torturante. Um gemido baixo, manhoso e sibilante escapou dos lábios dela antes que ela percebesse a presença dele.
Emanuel congelou. A racionalidade que o definia gritou para ele sair dali, para fechar a porta e fingir que nada aconteceu. Mas o homem dentro dele, o tatuador que apreciava cada curva e detalhe da anatomia humana, ficou hipnotizado pela cena.
— Eduarda? — A voz dele saiu rouca, carregada de uma tensão que ele não conseguiu esconder.
Ela deu um sobressalto, os olhos grandes e castanhos encontrando os dele. O pânico brilhou por um segundo, mas foi rapidamente substituído por uma névoa de desejo e pela desinibição provocada pelo álcool. Em vez de se cobrir, ela soltou um suspiro trêmulo e deixou as mãos caírem ao lado do corpo, expondo-se de uma forma que Emanuel nunca imaginou.
— Emanuel... — ela sussurrou, a voz arrastada, doce como mel. — Você não devia estar aqui.
— Eu errei o quarto. Eu... eu vou sair. — Ele deu um passo para trás, mas seus pés pareciam colados ao chão.
Eduarda se sentou devagar, a camisola escorrendo pelo ombro, revelando a pele alva e impecável. Ela era esguia, delicada, o oposto absoluto da presença agressiva de Sara.
— Não vai... — Ela estendeu a mão, o gesto carregado de uma carência que atingiu Emanuel em cheio. — Está tão frio aqui. E eu me sinto tão estranha.
— Você bebeu, Duda. Precisa dormir. — Ele tentou ser firme, mas sua mão apertava a maçaneta com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
— Eu quero que você me toque — ela disse, com uma honestidade que só a embriaguez e a inocência poderiam produzir. — Eu sempre quis saber como são essas mãos... as mãos que criam coisas tão lindas.
Emanuel sentiu o controle escapar por entre seus dedos. Ele conhecia o protocolo com Sara; eles pegavam quem queriam, desde que voltassem um para o outro. Mas Eduarda era diferente. Ela era intocada. Ela era a irmã do seu amigo. E, no entanto, quando ela se arrastou até a beira da cama, ajoelhando-se com aquele olhar suplicante e manhoso, ele soube que estava perdido.
Ele fechou a porta atrás de si, o clique do trinco ecoando como um veredito final.
— Você tem certeza disso? — Ele se aproximou, a sombra de seu corpo alto cobrindo a silhueta pequena dela. — Se eu começar, eu não vou parar, Eduarda.
— Por favor... — ela murmurou, puxando-o pela barra da camiseta. — Seja gentil comigo?
Emanuel se ajoelhou entre as pernas dela, as mãos grandes e calejadas segurando o rosto delicado. Ele a beijou com uma fome que o surpreendeu. Não era o beijo voraz e técnico que trocava com Sara, era algo que pedia cuidado, mas que exigia posse. O gosto do vinho estava nos lábios dela, e o som que ela soltou contra a boca dele — um ganido de surpresa e entrega — o fez perder a cabeça.
Ele a deitou de volta nos lençóis, despindo-se com movimentos rápidos e precisos. Quando ele removeu a seda branca dela, o contraste foi absoluto: ele, coberto de tinta escura e músculos tensos; ela, pálida, macia e pura.
— Você é tão linda — ele sussurrou, as mãos descendo pelos seios dela, sentindo a textura aveludada da pele.
Eduarda arqueou o corpo, fechando os olhos. Ela era sensível a cada toque, reagindo com pequenos espasmos de prazer que alimentavam o ego e o desejo de Emanuel. Quando ele desceu o beijo pelo pescoço dela até o abdômen reto, sentiu-a tremer sob ele.
— Emanuel, dói? — ela perguntou, a voz falhando, a insegurança típica de sua personalidade vindo à tona.
— Shh... eu vou cuidar de você, pequena. — Ele a acalmou, usando o tom protetor que se tornaria a base da dinâmica deles nos anos seguintes.
Ele usou os dedos para prepará-la, sendo paciente, mesmo que o suor escorresse por suas têmporas e a vontade de tomá-la fosse quase insuportável. Eduarda era apertada, quente, e cada vez que ele entrava um pouco mais, ela soltava aquele choro manhoso que o deixava louco.
— Olha para mim — ele ordenou suavemente.
Ela abriu os olhos, as pupilas dilatadas, as lágrimas de tensão brilhando nos cílios. Quando ele finalmente rompeu a última barreira, unindo seus corpos por completo, o gemido dela foi abafado contra o ombro tatuado dele. Emanuel parou, permitindo que ela se acostumasse, beijando sua testa e sussurrando palavras de conforto que ele nem sabia que existiam em seu vocabulário.
— Pronto... passou. Agora é só prazer, Duda.
O ritmo que se seguiu foi uma dança de opostos. A força bruta e controlada de Emanuel contra a fragilidade entregue de Eduarda. Ela se agarrava aos braços dele, as unhas curtas cravando-se na pele tatuada, enquanto buscava o ápice com uma intensidade que o vinho apenas potencializava. Quando o clímax os atingiu, Emanuel sentiu algo que nunca havia sentido com Sara. Com Sara era fogo e explosão; com Eduarda, era como se algo estivesse sendo costurado em sua alma.
Horas depois, com o sol ameaçando surgir no horizonte, Emanuel observava Eduarda dormir. Ela parecia um anjo, o rosto sereno, um contraste gritante com a bagunça de lençóis e o cheiro de sexo no quarto.
— O que eu fiz? — ele se perguntou em silêncio, passando a mão pelos cabelos castanhos dela.
Ele amava Sara. Amava a inteligência dela, a forma como ela administrava sua vida e seus negócios, a vulgaridade confiante que o excitava. Mas agora, olhando para a vulnerabilidade de Eduarda, ele percebeu que havia um espaço em seu peito que Sara nunca preencheria. Um espaço que precisava de doçura, de alguém para proteger, de alguém que dependesse dele de uma forma quase infantil.
Ele sabia que Sara não se importaria com a traição física. Eles tinham esse acordo. Mas o que ele sentia agora não era apenas físico. Era o início de uma obsessão protetora.
Nos dois anos que se seguiram, a vida de Emanuel se transformou em um exercício de equilíbrio impossível. Ele se tornou um dos tatuadores mais ricos e influentes do mundo, com Sara ao seu lado, comandando sua equipe de administração com punho de ferro e um sorriso sarcástico nos lábios loiros. Ela era a namorada oficial, a mulher que morava em sua cobertura de luxo, a parceira de negócios que sabia todos os seus segredos.
E havia Eduarda.
Emanuel não conseguiu deixá-la. Ele a pediu em namoro meses depois daquela noite, para a surpresa de todos. No início, Sara achou que seria apenas uma fase, um "brinquedinho" que Emanuel logo descartaria. Mas, com o tempo, ela percebeu que a pequena universitária de história da arte tinha raízes profundas no coração do seu homem.
Sara, com sua confiança inabalável, decidiu aceitar. Ela não via Eduarda como uma ameaça real ao seu posto de "namorada principal". Para ela, Eduarda era uma distração necessária para o lado mais calmo de Emanuel, algo que ela mesma não tinha paciência para suprir.
A convivência era estranha, mas funcional.
— Você vai de novo para a casa dela? — Sara perguntou naquela manhã, enquanto ajeitava o sutiã de renda preta em frente ao espelho, os seios siliconados empinados com orgulho.
Emanuel, vestindo uma camisa preta simples que destacava seu porte firme, suspirou.
— Ela tem uma prova importante hoje. Quero ter certeza de que ela comeu e está calma.
— Ela é tão manhosa, Emanuel. Às vezes me pergunto como ela sobrevive sem você para limpar as lágrimas dela — Sara provocou, mas sem veneno real, apenas com seu sarcasmo habitual.
— Ela é sensível, Sara. Você sabe disso.
— Eu sei. E sei que você adora bancar o herói. — Ela se aproximou, dando-lhe um beijo casto, mas possessivo. — Só não se atrase para a reunião com os investidores de Tóquio. Eu organizei tudo, não estrague meu trabalho.
— Eu estarei lá.
Emanuel saiu do apartamento que dividia com Sara e dirigiu até a casa dos pais de Eduarda. O fato de ela ainda morar com os pais o irritava profundamente. Ele tinha dinheiro, tinha casas, queria que ela estivesse sob seu teto, sob seu controle total, onde ele pudesse protegê-la 24 horas por dia. Mas Eduarda, apesar de toda a sua timidez, tinha uma teimosia silenciosa.
— Eu ainda não estou pronta, Manu — ela dizia sempre, com aquele olhar doce que desarmava qualquer argumento lógico dele. — Meus pais são modernos, eles não se importam que você durma aqui. Por que a pressa?
A pressa, que Emanuel não admitia, era a necessidade de tê-la longe da influência de qualquer outra pessoa. Ele queria que ela fosse o seu refúgio, o lugar onde o estresse dos estúdios e a intensidade de Sara não pudessem alcançá-lo.
Ao chegar, ele a encontrou na cozinha, tomando café com os pais — um casal jovem que via em Emanuel não o "tatuador perigoso", mas o genro bem-sucedido que cuidava da filha deles.
— Bom dia — ele disse, sua presença preenchendo o ambiente.
Eduarda se levantou imediatamente, correndo para os braços dele. Ela usava um vestido leve de flores miúdas, os cabelos castanhos presos em um coque frouxo.
— Você veio — ela murmurou, escondendo o rosto no peito dele.
— Eu disse que viria. — Ele a apertou, sentindo a fragilidade dela contra seu corpo.
Ele olhou para o relógio. Tinha uma vida dividida entre duas mulheres, dois mundos e uma pressão constante para manter o controle. Sara era o seu pilar de sustentação no mundo exterior; Eduarda era a sua paz interior. Ele as amava de formas diferentes, mas com a mesma intensidade possessiva.
E, enquanto beijava o topo da cabeça de Eduarda, Emanuel sabia que, não importava o quanto a situação fosse atípica ou o quanto Sara e Eduarda fossem opostas, ele não abriria mão de nenhuma delas. Ele era o mestre do controle, e faria de tudo para que aquele equilíbrio precário nunca se quebrasse.
Ele já namorava Sara há três anos. O relacionamento deles era intenso, pautado em uma liberdade acordada e em uma paixão que beirava o caos. Sara era o furacão que o mantinha alerta; Eduarda, a irmã mais nova de seu melhor amigo, era apenas uma sombra doce e silenciosa que ele via ocasionalmente durante os jantares de família.
Emanuel empurrou a porta de madeira, acreditando ser o quarto de hóspedes. O ambiente estava imerso em uma luz suave, vinda de um abajur de sal rosa no canto, e o cheiro de baunilha e vinho doce pairava no ar. Seus olhos demoraram alguns segundos para se ajustar, mas, quando o fizeram, seu coração falhou uma batida.
Não era o quarto de hóspedes.
Eduarda estava deitada sobre os lençóis de algodão claro, vestindo apenas uma camisola de seda branca, tão fina que era quase transparente. Suas bochechas estavam coradas, um reflexo nítido do vinho que a garrafa quase vazia na mesa de cabeceira denunciava. Ela tinha dezoito anos recém-completados, uma fragilidade que sempre fizera Emanuel desviar o olhar por puro instinto de preservação. Mas agora, ela não parecia a menina tímida que se escondia atrás dos livros de história da arte.
Ele a viu. Seus dedos pequenos e delicados estavam ocupados, uma das mãos massageava um dos seios médios e macios por cima do tecido, enquanto a outra, escondida entre as coxas levemente abertas, movia-se em um ritmo lento e torturante. Um gemido baixo, manhoso e sibilante escapou dos lábios dela antes que ela percebesse a presença dele.
Emanuel congelou. A racionalidade que o definia gritou para ele sair dali, para fechar a porta e fingir que nada aconteceu. Mas o homem dentro dele, o tatuador que apreciava cada curva e detalhe da anatomia humana, ficou hipnotizado pela cena.
— Eduarda? — A voz dele saiu rouca, carregada de uma tensão que ele não conseguiu esconder.
Ela deu um sobressalto, os olhos grandes e castanhos encontrando os dele. O pânico brilhou por um segundo, mas foi rapidamente substituído por uma névoa de desejo e pela desinibição provocada pelo álcool. Em vez de se cobrir, ela soltou um suspiro trêmulo e deixou as mãos caírem ao lado do corpo, expondo-se de uma forma que Emanuel nunca imaginou.
— Emanuel... — ela sussurrou, a voz arrastada, doce como mel. — Você não devia estar aqui.
— Eu errei o quarto. Eu... eu vou sair. — Ele deu um passo para trás, mas seus pés pareciam colados ao chão.
Eduarda se sentou devagar, a camisola escorrendo pelo ombro, revelando a pele alva e impecável. Ela era esguia, delicada, o oposto absoluto da presença agressiva de Sara.
— Não vai... — Ela estendeu a mão, o gesto carregado de uma carência que atingiu Emanuel em cheio. — Está tão frio aqui. E eu me sinto tão estranha.
— Você bebeu, Duda. Precisa dormir. — Ele tentou ser firme, mas sua mão apertava a maçaneta com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
— Eu quero que você me toque — ela disse, com uma honestidade que só a embriaguez e a inocência poderiam produzir. — Eu sempre quis saber como são essas mãos... as mãos que criam coisas tão lindas.
Emanuel sentiu o controle escapar por entre seus dedos. Ele conhecia o protocolo com Sara; eles pegavam quem queriam, desde que voltassem um para o outro. Mas Eduarda era diferente. Ela era intocada. Ela era a irmã do seu amigo. E, no entanto, quando ela se arrastou até a beira da cama, ajoelhando-se com aquele olhar suplicante e manhoso, ele soube que estava perdido.
Ele fechou a porta atrás de si, o clique do trinco ecoando como um veredito final.
— Você tem certeza disso? — Ele se aproximou, a sombra de seu corpo alto cobrindo a silhueta pequena dela. — Se eu começar, eu não vou parar, Eduarda.
— Por favor... — ela murmurou, puxando-o pela barra da camiseta. — Seja gentil comigo?
Emanuel se ajoelhou entre as pernas dela, as mãos grandes e calejadas segurando o rosto delicado. Ele a beijou com uma fome que o surpreendeu. Não era o beijo voraz e técnico que trocava com Sara, era algo que pedia cuidado, mas que exigia posse. O gosto do vinho estava nos lábios dela, e o som que ela soltou contra a boca dele — um ganido de surpresa e entrega — o fez perder a cabeça.
Ele a deitou de volta nos lençóis, despindo-se com movimentos rápidos e precisos. Quando ele removeu a seda branca dela, o contraste foi absoluto: ele, coberto de tinta escura e músculos tensos; ela, pálida, macia e pura.
— Você é tão linda — ele sussurrou, as mãos descendo pelos seios dela, sentindo a textura aveludada da pele.
Eduarda arqueou o corpo, fechando os olhos. Ela era sensível a cada toque, reagindo com pequenos espasmos de prazer que alimentavam o ego e o desejo de Emanuel. Quando ele desceu o beijo pelo pescoço dela até o abdômen reto, sentiu-a tremer sob ele.
— Emanuel, dói? — ela perguntou, a voz falhando, a insegurança típica de sua personalidade vindo à tona.
— Shh... eu vou cuidar de você, pequena. — Ele a acalmou, usando o tom protetor que se tornaria a base da dinâmica deles nos anos seguintes.
Ele usou os dedos para prepará-la, sendo paciente, mesmo que o suor escorresse por suas têmporas e a vontade de tomá-la fosse quase insuportável. Eduarda era apertada, quente, e cada vez que ele entrava um pouco mais, ela soltava aquele choro manhoso que o deixava louco.
— Olha para mim — ele ordenou suavemente.
Ela abriu os olhos, as pupilas dilatadas, as lágrimas de tensão brilhando nos cílios. Quando ele finalmente rompeu a última barreira, unindo seus corpos por completo, o gemido dela foi abafado contra o ombro tatuado dele. Emanuel parou, permitindo que ela se acostumasse, beijando sua testa e sussurrando palavras de conforto que ele nem sabia que existiam em seu vocabulário.
— Pronto... passou. Agora é só prazer, Duda.
O ritmo que se seguiu foi uma dança de opostos. A força bruta e controlada de Emanuel contra a fragilidade entregue de Eduarda. Ela se agarrava aos braços dele, as unhas curtas cravando-se na pele tatuada, enquanto buscava o ápice com uma intensidade que o vinho apenas potencializava. Quando o clímax os atingiu, Emanuel sentiu algo que nunca havia sentido com Sara. Com Sara era fogo e explosão; com Eduarda, era como se algo estivesse sendo costurado em sua alma.
Horas depois, com o sol ameaçando surgir no horizonte, Emanuel observava Eduarda dormir. Ela parecia um anjo, o rosto sereno, um contraste gritante com a bagunça de lençóis e o cheiro de sexo no quarto.
— O que eu fiz? — ele se perguntou em silêncio, passando a mão pelos cabelos castanhos dela.
Ele amava Sara. Amava a inteligência dela, a forma como ela administrava sua vida e seus negócios, a vulgaridade confiante que o excitava. Mas agora, olhando para a vulnerabilidade de Eduarda, ele percebeu que havia um espaço em seu peito que Sara nunca preencheria. Um espaço que precisava de doçura, de alguém para proteger, de alguém que dependesse dele de uma forma quase infantil.
Ele sabia que Sara não se importaria com a traição física. Eles tinham esse acordo. Mas o que ele sentia agora não era apenas físico. Era o início de uma obsessão protetora.
Nos dois anos que se seguiram, a vida de Emanuel se transformou em um exercício de equilíbrio impossível. Ele se tornou um dos tatuadores mais ricos e influentes do mundo, com Sara ao seu lado, comandando sua equipe de administração com punho de ferro e um sorriso sarcástico nos lábios loiros. Ela era a namorada oficial, a mulher que morava em sua cobertura de luxo, a parceira de negócios que sabia todos os seus segredos.
E havia Eduarda.
Emanuel não conseguiu deixá-la. Ele a pediu em namoro meses depois daquela noite, para a surpresa de todos. No início, Sara achou que seria apenas uma fase, um "brinquedinho" que Emanuel logo descartaria. Mas, com o tempo, ela percebeu que a pequena universitária de história da arte tinha raízes profundas no coração do seu homem.
Sara, com sua confiança inabalável, decidiu aceitar. Ela não via Eduarda como uma ameaça real ao seu posto de "namorada principal". Para ela, Eduarda era uma distração necessária para o lado mais calmo de Emanuel, algo que ela mesma não tinha paciência para suprir.
A convivência era estranha, mas funcional.
— Você vai de novo para a casa dela? — Sara perguntou naquela manhã, enquanto ajeitava o sutiã de renda preta em frente ao espelho, os seios siliconados empinados com orgulho.
Emanuel, vestindo uma camisa preta simples que destacava seu porte firme, suspirou.
— Ela tem uma prova importante hoje. Quero ter certeza de que ela comeu e está calma.
— Ela é tão manhosa, Emanuel. Às vezes me pergunto como ela sobrevive sem você para limpar as lágrimas dela — Sara provocou, mas sem veneno real, apenas com seu sarcasmo habitual.
— Ela é sensível, Sara. Você sabe disso.
— Eu sei. E sei que você adora bancar o herói. — Ela se aproximou, dando-lhe um beijo casto, mas possessivo. — Só não se atrase para a reunião com os investidores de Tóquio. Eu organizei tudo, não estrague meu trabalho.
— Eu estarei lá.
Emanuel saiu do apartamento que dividia com Sara e dirigiu até a casa dos pais de Eduarda. O fato de ela ainda morar com os pais o irritava profundamente. Ele tinha dinheiro, tinha casas, queria que ela estivesse sob seu teto, sob seu controle total, onde ele pudesse protegê-la 24 horas por dia. Mas Eduarda, apesar de toda a sua timidez, tinha uma teimosia silenciosa.
— Eu ainda não estou pronta, Manu — ela dizia sempre, com aquele olhar doce que desarmava qualquer argumento lógico dele. — Meus pais são modernos, eles não se importam que você durma aqui. Por que a pressa?
A pressa, que Emanuel não admitia, era a necessidade de tê-la longe da influência de qualquer outra pessoa. Ele queria que ela fosse o seu refúgio, o lugar onde o estresse dos estúdios e a intensidade de Sara não pudessem alcançá-lo.
Ao chegar, ele a encontrou na cozinha, tomando café com os pais — um casal jovem que via em Emanuel não o "tatuador perigoso", mas o genro bem-sucedido que cuidava da filha deles.
— Bom dia — ele disse, sua presença preenchendo o ambiente.
Eduarda se levantou imediatamente, correndo para os braços dele. Ela usava um vestido leve de flores miúdas, os cabelos castanhos presos em um coque frouxo.
— Você veio — ela murmurou, escondendo o rosto no peito dele.
— Eu disse que viria. — Ele a apertou, sentindo a fragilidade dela contra seu corpo.
Ele olhou para o relógio. Tinha uma vida dividida entre duas mulheres, dois mundos e uma pressão constante para manter o controle. Sara era o seu pilar de sustentação no mundo exterior; Eduarda era a sua paz interior. Ele as amava de formas diferentes, mas com a mesma intensidade possessiva.
E, enquanto beijava o topo da cabeça de Eduarda, Emanuel sabia que, não importava o quanto a situação fosse atípica ou o quanto Sara e Eduarda fossem opostas, ele não abriria mão de nenhuma delas. Ele era o mestre do controle, e faria de tudo para que aquele equilíbrio precário nunca se quebrasse.
