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enemies to love

Fandom: dark romance, ali hazenwood

Criado: 01/06/2026

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O Som de uma Cereja e o Peso de um Olhar

O segundo bimestre no Colégio Saint Jude sempre fora marcado pela monotonia das provas de física e pelo cheiro de café barato na biblioteca, mas a chegada de Nick Salvatori mudou a gravidade do lugar. Quando ele cruzou o corredor pela primeira vez, Anne Isabella sentiu que o ar havia ficado mais denso. Ele era alto demais para um garoto de quinze anos, com um porte físico que não deveria pertencer a alguém que passava as tardes resolvendo equações complexas de cálculo.

Anne, com seu cabelo mel cortado na altura dos ombros e seus inseparáveis brincos de cereja que balançavam a cada movimento entusiasmado, era o oposto solar dele. Ela era a garota que falava rápido demais sobre Star Wars e que tirava notas altas sem precisar esconder o sorriso. Nick, por outro lado, era uma tempestade silenciosa. Cabelos pretos levemente ondulados, olhos escuros que pareciam ler a alma de qualquer um e uma aura de mistério que atraía todos os olhares.

Tudo começou com um erro. Um erro estúpido que Anne Isabella guardava como uma cicatriz no peito.

Duas semanas após a chegada de Nick, ela passava pelo corredor dos armários quando ouviu a voz grave dele. Ele falava com um colega de sala, e o nome "Anne" saiu de seus lábios com um tom de desdém que a fez congelar.

— Eu não suporto a Anne — Nick dissera, a voz fria como gelo. — Ela é irritante, barulhenta e não sabe a hora de fechar a boca. Sinceramente, não sei como alguém consegue ficar perto dela por mais de cinco minutos.

Anne Isabella sentiu o mundo girar. Seus dedos tocaram instintivamente o brinco de cereja, o coração acelerado. Ela não ficou para ouvir o resto. Não ouviu quando o amigo dele perguntou se ele estava falando da Anne Caroline, a garota que vivia tentando copiar as notas de Nick, e nem ouviu a confirmação dele. Para Isa, o veredito estava dado: Nick Salvatori a odiava.

E, a partir daquele dia, ela decidiu que o odiaria de volta com a mesma intensidade.

Três meses se passaram, e a dinâmica entre os dois se transformou em uma guerra fria de inteligência e sarcasmo. Se Nick era o primeiro da classe em Química, Anne Isabella garantia o topo em Literatura. Se ele respondia a uma pergunta difícil do professor, ela levantava a mão logo em seguida para complementar com um detalhe ainda mais obscuro.

— Com licença, pequena — a voz de Nick ressoou atrás dela na saída da aula de Biologia.

Anne sentiu a pressão familiar de uma mão grande e firme em sua cintura. Nick não a empurrava; ele simplesmente a guiava para o lado para que pudesse passar pelo batente estreito da porta. O toque durou apenas dois segundos, mas o calor da palma dele atravessou o tecido fino de sua blusa, enviando um choque elétrico por sua espinha.

— Não me chame assim, Salvatori — Anne rebateu, virando-se com os olhos faiscando. — E não precisa me tocar para passar. O corredor é público, mas o meu espaço pessoal não é.

Nick inclinou a cabeça levemente para o lado. Um cacho preto caiu sobre sua testa, emoldurando os olhos marrons que a observavam com uma intensidade perturbadora. Ele não parecia irritado; havia algo ali, um brilho sombrio que ela não conseguia decifrar.

— Você está sempre no caminho, Furacãozinho — ele murmurou, a voz baixando um oitavo. — É difícil ignorar algo que faz tanto barulho.

— Engraçado — Anne cruzou os braços, fazendo o corpo ampulheta se destacar sob o uniforme — que você se sinta tão incomodado, mas esteja sempre por perto. É obsessão ou apenas falta de hobbies?

Um sorriso de canto, quase imperceptível, surgiu nos lábios de Nick. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço que ela acabara de reclamar. Com 1,90 de altura, ele a obrigava a inclinar a cabeça para trás.

— Talvez eu só goste de ver você tentando me enfrentar — disse ele, a voz rouca. — Seus brincos de cereja estão balançando. Você fica nervosa quando eu chego perto, bb?

— Eu fico irritada, Nick. Há uma diferença biológica clara entre irritação e nervosismo, embora ambos envolvam a liberação de adrenalina — Anne disparou, tentando manter a voz firme apesar do modo como o perfume dele — algo que lembrava floresta e couro — a estava deixando tonta.

Nick soltou uma risada curta, um som seco que não chegou aos olhos.

— Você e suas explicações nerds... — Ele estendeu a mão e, antes que ela pudesse reagir, tocou levemente em um dos brincos de cereja dela. — Cuidado para não se engasgar com o próprio veneno.

Ele se afastou sem dizer mais nada, deixando Anne parada no corredor, com o coração martelando contra as costelas. Ela o odiava. Tinha certeza disso. Mas por que, então, a marca da mão dele em sua cintura parecia queimar por horas depois de cada encontro?

O que Anne Isabella não sabia — e sua inteligência acima da média não parecia ajudá-la a perceber — era que Nick Salvatori não olhava para mais ninguém naquela escola. Ele sabia exatamente em que página do livro ela estava durante as aulas. Ele sabia que ela mordia o lábio inferior quando estava concentrada em um problema de álgebra. Ele sabia que ela usava aqueles brincos de cereja porque eram um presente da avó e que ela se sentia protegida com eles.

Nick não odiava Anne Isabella. Ele a venerava de uma forma sombria e possessiva que nem ele mesmo entendia completamente aos quinze anos. A conversa que ela ouvira meses atrás fora sobre Caroline, uma garota que Nick mal notava, exceto pelo fato de ter o mesmo nome da única pessoa que realmente importava.

Naquela tarde, a biblioteca estava quase vazia. Anne estava sentada em uma mesa nos fundos, cercada por livros de física quântica. Ela estava tão imersa na leitura que não percebeu a presença de Nick até que a cadeira à sua frente foi puxada.

— O que você quer agora? — ela perguntou, sem tirar os olhos do livro. — O setor de livros para pessoas pretensiosas fica do outro lado.

— Achei que você fosse gostar disso — Nick disse, ignorando o insulto. Ele deslizou um pequeno papel sobre a mesa. Era uma resolução manuscrita para o problema que ela estava tentando resolver há vinte minutos.

Anne olhou para o papel e depois para ele. A caligrafia dele era elegante, precisa.

— Eu não pedi sua ajuda.

— Eu sei — Nick se inclinou para frente, apoiando os braços musculosos na mesa de madeira. — Mas você estava franzindo a testa. Isso cria rugas precoces, e seria um desperdício estragar um rosto tão... interessante.

— Você é impossível — Anne bufou, fechando o livro com força. — Por que você faz isso? Um dia você diz para metade da escola que me acha irritante e no outro fica me seguindo como um stalker de 1,90 de altura.

Nick franziu o cenho, a expressão escurecendo instantaneamente.

— Quando foi que eu disse que você era irritante para a escola?

— Eu ouvi, Nick! No corredor, no segundo bimestre. Você disse que não suportava a Anne, que ela era barulhenta e que ninguém aguentava ficar perto dela.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Nick a encarou por um longo tempo, os olhos escuros brilhando com uma compreensão súbita. Ele soltou um suspiro pesado e, por um momento, a máscara de frieza caiu.

— Eu estava falando da Anne Caroline — ele disse, a voz baixa e perigosamente calma. — Ela tinha passado a aula inteira tentando pegar meu caderno e falando no meu ouvido.

Anne piscou, confusa.

— O quê?

— Eu nunca diria isso de você, Isa — ele continuou, usando o apelido que ela raramente permitia que alguém usasse. Ele se levantou e contornou a mesa, parando ao lado da cadeira dela. — Eu gosto que você seja barulhenta. Gosto do jeito que você ocupa o espaço.

Ele se inclinou, as mãos espalmadas na mesa, prendendo-a entre seus braços. O corpo musculoso dele era uma barreira intransponível.

— Eu sou obcecado por você desde o primeiro dia em que entrei naquela sala e você me corrigiu sobre a teoria das cordas — ele sussurrou perto do ouvido dela, o hálito quente fazendo-a estremecer. — Você acha que eu coloco a mão na sua cintura por acaso? Acha que eu te sigo porque não tenho nada melhor para fazer?

Anne sentiu a garganta secar. A atmosfera "dark romance" que Nick sempre carregava parecia ter atingido o ápice. Ela olhou para cima, encontrando o olhar possessivo dele.

— Você... você é um esquisito, Salvatori — ela murmurou, mas não havia raiva em sua voz.

— Eu sou o seu esquisito — ele corrigiu, aproximando o rosto do dela. — E se você ainda não percebeu que eu destruiria qualquer um que falasse mal de você, então talvez você não seja tão nerd quanto pensa.

Nick estendeu a mão e tocou suavemente o queixo dela, forçando-a a manter o contato visual.

— Agora, termine esse problema de física, pequena. Ou eu vou ter que te dar aulas particulares na minha casa. E eu não acho que a gente estudaria muita física.

Anne Isabella sentiu o rosto esquentar, o coração batendo em um ritmo frenético. O ódio que ela cultivara como uma armadura estava derretendo sob o calor do olhar dele. Ela percebeu que a guerra entre eles nunca fora sobre inimizade. Era sobre gravidade. E Nick Salvatori era o sol negro em torno do qual ela estava destinada a orbitar.

— Eu termino sozinha — ela disse, tentando recuperar a postura, embora sua mão estivesse tremendo levemente.

— Veremos — Nick deu um passo para trás, voltando à sua postura habitual de indiferença elegante, mas com um brilho de vitória no olhar. — Te vejo amanhã, Furacãozinho. Não esqueça os brincos. Eu gosto do som que eles fazem quando você está brava comigo.

Ele saiu da biblioteca com passos pesados e decididos, deixando para trás uma Anne Isabella que, pela primeira vez na vida, não tinha uma resposta inteligente na ponta da língua. Ela apenas tocou o brinco de cereja, sentindo o metal frio contra a pele quente, e sorriu. A guerra estava longe de terminar, mas as regras tinham acabado de mudar completamente.
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