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isso é apenas luxuria

Fandom: nenhum

Criado: 02/06/2026

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Entre Pixels e Suspiros: O Peso do Desejo

O brilho azulado da tela do computador era a única fonte de luz no quarto de Ana Clara. Passava das duas da manhã, e o silêncio da casa só era quebrado pelo clique frenético do mouse e o som abafado dos fones de ouvido. Ana suspirou, ajeitando a postura na cadeira que rangia sob seus 97 quilos. Ela sabia como o mundo a via: para a sociedade, ela era apenas alguém fora do padrão, um número em uma balança que muitos usavam para ditar seu valor. Mas, na penumbra daquele quarto e na imensidão da internet, Ana era outra pessoa. Ou talvez, fosse mais ela mesma do que nunca.

Ela tinha consciência de que suas curvas, embora criticadas por uns, eram o objeto de cobiça de outros. Já havia se acostumado com os olhares predatórios de homens que não queriam saber seu sobrenome, mas que salivavam diante de suas fotos. No fundo, porém, por trás da fachada de garota safada que sabia jogar o jogo da sedução, existia um coração que pulsava por algo real. Ana queria ser amada, não apenas consumida.

Foi em uma dessas noites de insônia, em uma sala de chat de um jogo online, que ela conheceu Lucas Brito. No início, ele era apenas mais um avatar, alguém com respostas curtas e uma sinceridade que beirava a grosseria.

— Você joga mal pra caramba — ele escreveu no chat global após uma partida desastrosa.

Ana riu, os dedos voando pelo teclado.

— E você fala demais para quem só ficou escondido no mapa.

A partir dali, as provocações se tornaram rotina. Lucas tinha 18 anos, uma voz que, quando finalmente decidiram entrar em call, se revelou profunda e levemente rouca. Ele era ignorante, sim; não media palavras e não fazia questão de ser gentil. Mas havia algo naquela brutalidade honesta que atraía Ana. Ele não fingia ser um príncipe encantado.

— Sai desse chat público — disse Lucas um dia, a voz ressoando nos fones dela. — Vamos para um lugar mais privado. Quero ouvir sua voz sem esse barulho de fundo.

Eles migraram para o Discord. O que começou com estratégias de jogo rapidamente descambou para conversas que varavam a madrugada. Lucas era um sedutor nato, mas de um jeito sombrio. Ele não elogiava o sorriso dela; ele falava sobre como imaginava as mãos dele apertando a pele de Ana.

— Me manda uma foto — ele pediu em uma terça-feira chuvosa. — Quero ver se você é tudo isso que sua voz promete.

Ana hesitou. Ela conhecia o roteiro. Mandaria a foto, ele veria seu corpo, faria comentários luxuriosos e tudo se resumiria a isso. Mas havia um frio na barriga, um desejo de ser vista por ele que ela não conseguia ignorar. Ela tirou uma foto no espelho, vestindo uma camisola de seda preta que abraçava cada uma de suas curvas, destacando o busto farto e a largura de seus quadris.

O silêncio de Lucas após o recebimento da imagem durou longos minutos. Ana sentiu o suor frio nas mãos.

— Você é um absurdo, Ana Clara — ele finalmente disse, a voz carregada de uma tensão evidente. — Você tem noção do que eu faria com você se estivesse na minha frente agora?

— O que você faria? — ela sussurrou, sentindo o calor subir pelo pescoço.

— Eu quebraria essa sua pose de menina boazinha em dois minutos — ele respondeu, curto e grosso. — Eu gosto de domínio, Ana. E você... você parece que foi feita para ser dominada por mim.

As palavras dele dispararam um gatilho nela. Ana sempre soube que tinha um lado mais "sujo", uma mente que trabalhava em cenários pecaminosos, mas Lucas evocava algo mais profundo. Ele mencionava o prazer através da dor, o controle absoluto, a entrega total. Era sadomasoquista em suas palavras, e a cada descrição detalhada do que queria fazer, Ana se sentia mais presa a ele.

No entanto, conforme os dias passavam, um conflito começou a crescer no peito dela. Entre os gemidos abafados nas ligações e as fotos trocadas, Ana percebeu que estava se apaixonando. Ela queria saber se Lucas tinha medo de escuro, qual era a comida favorita dele, se ele já tinha chorado por alguém. Mas Lucas parecia um muro de pedra. Sempre que ela tentava entrar em assuntos sentimentais, ele cortava o clima com uma frase obscena ou uma ordem.

— Lucas, você já pensou em como seria se a gente se encontrasse de verdade? — perguntou ela, certa noite, após uma sessão de "dirty talk" que a deixara exausta e carente. — Sem ser pelo computador. Só a gente.

— Para quê? — a resposta dele veio seca. — Para a gente perder tempo falando de sentimentos que não existem? O que a gente tem aqui é tesão, Ana. É puro. É direto. Não estraga as coisas tentando colocar flores onde só existe fogo.

— Não é estragar — rebateu ela, sentindo uma pontada de mágoa. — É que eu sinto que te conheço. E eu gosto de quem você é, não só do que você diz que quer fazer comigo.

— Você não me conhece — Lucas riu, um som sem alegria. — Você conhece o que eu deixo você ver. Eu sou um cara difícil, Ana. Eu sou ciumento, eu sou possessivo e eu não tenho paciência para romancezinho de cinema. Se você quer alguém para te levar para jantar, procurou o cara errado.

— Eu não quero jantar, Lucas! — ela exclamou, as lágrimas ameaçando cair. — Eu quero saber que, quando a ligação cair, eu ainda significo algo para você além de um corpo para você se satisfazer à distância.

— Você significa que é minha — ele disse, com uma autoridade que a fez estremecer. — Enquanto estivermos nessa linha, você é minha propriedade. Isso não é o suficiente para você?

Ana desligou o microfone por um momento para respirar. Ele era tão sincero que chegava a ser cruel. Lucas não mentia sobre suas intenções, e era exatamente essa honestidade bruta que a mantinha ali. Ela se sentia desejada como nunca antes, mas se sentia vazia emocionalmente. Era um paradoxo doloroso: o homem que a fazia sentir a mulher mais gostosa do mundo era o mesmo que se recusava a ver a alma por trás dos quilos que ele tanto dizia adorar.

Alguns dias depois, o clima entre eles estava tenso. Lucas estava mais ignorante do que o habitual, reclamando de tudo, mas o ciúme dele havia atingido um novo patamar.

— Quem era aquele cara comentando na sua foto do Instagram? — ele disparou assim que ela atendeu a chamada de vídeo.

— Um amigo de infância, Lucas. Por que?

— Não gosto dele. Apaga o comentário e bloqueia — ordenou ele, os olhos fixos na câmera, transmitindo uma intensidade assustadora.

— Você não manda em mim desse jeito — ela tentou desafiar, embora seu corpo reagisse positivamente àquela possessividade.

— Eu mando em você a partir do momento em que você se entregou para mim naquela primeira ligação — ele retrucou, a voz baixando de tom. — Você é minha submissa, Ana. Esqueceu? Ou quer que eu te lembre de um jeito mais doloroso?

Ana engoliu em seco. A dinâmica deles era perigosa. Ela amava o jogo, amava a sensação de pertencer a alguém tão forte e decidido, mas a falta de afeto real estava começando a corroer sua autoestima.

— Eu faço o que você quiser — ela cedeu, a voz trêmula. — Mas, por favor... só por hoje, fala comigo como se eu fosse a Ana. Não a "sua" Ana, apenas a garota que está aqui do outro lado, querendo um pouco de carinho.

Houve um longo silêncio. Lucas desviou o olhar da câmera, algo raro para ele. Ele parecia travar uma batalha interna. A sinceridade de Ana era o seu ponto fraco, embora ele jamais admitisse.

— Você é irritante — ele disse, finalmente, mas o tom tinha perdido a agressividade. — É teimosa e gasta tempo demais com bobagem.

— Eu sei — ela sorriu tristemente.

— Mas... — Lucas suspirou, passando a mão pelo cabelo curto. — Se eu não me importasse nem um pouco, eu não ficaria cinco horas por noite ouvindo sua respiração. Eu já teria partido para outra. Tem um milhão de garotas por aí, Ana. Mas eu continuo aqui, não continuo?

Aquela foi a maior declaração de amor que ela já havia recebido dele. Não era um "eu te amo", não era um poema, mas vindo de Lucas Brito, era o equivalente a uma rendição.

— Você continua aqui — ela concordou, sentindo o coração acelerar.

— Então para de pedir por migalhas de romance — ele disse, voltando ao seu modo autoritário, mas com um brilho diferente no olhar. — Eu não sei ser doce, Ana. Eu sei ser intenso. Eu sei ser seu dono. Se você conseguir aguentar o tranco, talvez um dia você descubra o que tem por trás desse "muro" que você tanto reclama.

— Eu não vou a lugar nenhum, Lucas — ela afirmou, sentindo uma nova esperança.

— Ótimo — ele deu um sorriso de lado, sedutor e perigoso. — Agora, levanta essa camisola. Eu quero ver o que é meu e quero que você faça exatamente o que eu mandar. Sem perguntas, sem sentimentos... apenas obediência.

Ana obedeceu. O desejo explodiu novamente, preenchendo o quarto e a fibra óptica que os unia. Ela sabia que o caminho com Lucas seria tortuoso, cheio de espinhos e de uma luxúria que beirava o insuportável. Ele era difícil, era bruto e muitas vezes a via apenas como um objeto de prazer. Mas, naquela noite, pela primeira vez, Ana sentiu que, por trás de cada ordem e de cada palavra suja, havia um fio invisível de conexão que ia muito além da pele.

Ela era a garota de 97 quilos que o mundo tentava esconder, e ele era o rapaz de 18 anos que o mundo tentava endurecer. Juntos, em meio a gemidos e comandos, eles estavam criando um universo onde o peso não importava, e onde a única coisa real era a eletricidade que corria entre dois corações tão opostos, mas tão desesperadamente necessitados um do outro.

— Você é perfeita assim, sabia? — ele murmurou, quase inaudível, no auge do êxtase.

Ana fechou os olhos, guardando aquela frase como um tesouro. Talvez, apenas talvez, o amor estivesse escondido nos lugares mais sombrios e improváveis. E ela estava disposta a mergulhar naquela escuridão para descobrir.
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