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isso é apenas luxuria

Fandom: nenhum

Criado: 02/06/2026

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RomanceDramaAngústiaRealismoEstudo de PersonagemCiúmesLinguagem Explícita
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Entre a Realidade e o Desejo

O ar da rodoviária era pesado, uma mistura de fumaça de óleo diesel, café barato e a ansiedade que corroía o estômago de Ana Clara como ácido. Ela ajeitou a alça da mochila no ombro, sentindo o suor frio brotar na nuca. Seus dedos brincavam nervosamente com a barra da blusa justa, que desenhava cada curva de seus 97 quilos. Na internet, protegida pela luz azul da tela do celular, ela se sentia uma deusa, a "gostosa" que Lucas tanto cobiçava em chamadas de vídeo que duravam madrugadas inteiras. Mas ali, sob a luz crua do sol da manhã e os olhares de estranhos, ela se sentia vulnerável, temendo que a realidade fosse decepcionante demais para o rapaz que não aceitava nada menos que a perfeição de seus próprios fetiches.

Ela olhou o visor do celular. Duas mensagens não lidas.

— "Estou perto da pilastra 4. Não demora." — A mensagem de Lucas era curta, direta, exatamente como ele era nas ligações. Sem rodeios, sem "bom dia", apenas a ordem.

Ana respirou fundo, tentando controlar o tremor nas pernas. Quando contornou a grande coluna de concreto, o mundo pareceu desacelerar. Lá estava ele.

Lucas Brito era exatamente como nas fotos, mas a presença física dele tinha um peso que o pixel nenhum conseguia capturar. A pele era muito pálida, quase translúcida sob o sol, destacando as veias leves nos braços. O cabelo enrolado, escuro e levemente bagunçado, caía sobre a testa, e os olhos escuros pareciam ler a alma dela antes mesmo de focarem em seu rosto. A diferença de altura foi o que mais a chocou; Ana não era baixa, mas perto dele, sentia-se pequena, uma sensação que raramente experimentava e que, estranhamente, despertou um frio no baixo ventre.

Ele a viu. Lucas não sorriu de imediato. Em vez disso, seus olhos percorreram o corpo dela de cima a baixo, demorando-se nos quadris largos e no busto farto, com uma intensidade que a fez corar instantaneamente.

— Você demorou — disse ele, a voz rouca e grave ecoando perto do ouvido dela quando ele finalmente se aproximou.

— O ônibus atrasou dez minutos, Lucas. Oi para você também — respondeu Ana, tentando manter a dignidade, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas.

Lucas deu um meio sorriso, um tanto sarcástico, e estendeu a mão para pegar a mochila dela. O toque de seus dedos contra os dela, ainda que acidental, enviou uma descarga elétrica pelo corpo de Ana.

— Oi, Ana Clara. Você é mais... real do que eu imaginei.

— Isso é bom ou ruim? — perguntou ela, mordendo o lábio inferior, um hábito que ela sabia que o levava à loucura nas ligações.

— É perigoso — ele murmurou, aproximando-se mais, quebrando qualquer barreira de espaço pessoal. — Vamos. Só temos um dia e eu não pretendo gastar nem um minuto dele aqui no meio desse povo todo.

Eles caminharam em direção ao carro dele em um silêncio carregado. Ana sentia o olhar de Lucas sobre ela de soslaio. Ela sabia que ele era difícil, que muitas vezes ele a tratava como um objeto de luxúria, focando apenas no quanto ela era "gostosa" e no que ele queria fazer com ela entre quatro paredes. Mas, no fundo, Ana queria mais. Ela queria que aquele encontro provasse que a conexão deles ia além do tesão, que ele pudesse ver a garota que amava ler, que tinha sonhos e que queria ser cuidada.

Ao entrarem no carro, o perfume dele — algo amadeirado e forte — preencheu os pulmões de Ana. Lucas ligou o motor, mas antes de dar a partida, ele se inclinou sobre o console central, prendendo-a contra o banco de couro.

— Você está nervosa? — perguntou ele, a mão subindo pela coxa dela, apertando a carne com uma firmeza que beirava a possessividade.

— Um pouco — confessou ela, a respiração falhando. — É diferente estar cara a cara.

— Eu sou sincero, Ana. Você sabe disso — ele disse, os olhos fixos nos dela. — Eu não vim aqui para passear no parque. Eu quero você desde o primeiro minuto em que te vi naquela ligação. E agora que estou vendo esse seu corpo de perto... eu quero ver se você é tão safada quanto diz ser.

Ana sentiu uma pontada de tristeza misturada ao desejo. Ele sempre voltava para aquilo. Para a luxúria.

— Eu sou muito mais do que você vê, Lucas. Mas parece que você só se importa com uma parte de mim.

Lucas soltou um riso curto, mas não retirou a mão de sua perna.

— Eu me importo com o que me dá prazer. E você me dá muito prazer, mesmo a quilômetros de distância. Agora, imagine o que eu vou fazer tendo você por vinte e quatro horas na minha cidade.

Ele deu partida no carro e saiu do estacionamento com uma rapidez que refletia sua impaciência. O trajeto até o apartamento dele foi curto, mas para Ana, pareceu uma eternidade. Ela olhava pela janela, observando as ruas da cidade dele, tentando imaginar como seria a vida ali. Ela só tinha um dia. Um dia para marcar a vida dele, para ser mais do que apenas uma fantasia de tela.

Quando chegaram ao apartamento, um lugar moderno, mas com uma decoração minimalista e fria, Lucas jogou a mochila dela no sofá e trancou a porta. O som da fechadura girando pareceu um veredito.

— Está com fome? — perguntou ele, embora o modo como ele a olhava sugerisse que a comida era a última coisa em sua mente.

— Um pouco. Mas acho que você tem outros planos — disse ela, tentando soar audaciosa, escondendo a insegurança que seu peso às vezes lhe trazia.

Lucas caminhou até ela, reduzindo a distância até que seus corpos se tocassem. A diferença de altura a obrigava a inclinar a cabeça para trás. Ele era pálido, magro, mas forte, e o contraste com as curvas generosas de Ana era visualmente poderoso.

— Eu sou um homem de desejos específicos, Ana — ele começou, a voz caindo para um sussurro perigoso. — Eu sou ciumento, sou ignorante às vezes, e você sabe que eu gosto de controle.

— Eu sei — respondeu ela, sentindo o calor dele. — Você me disse tudo isso. Mas eu também tenho desejos. Eu quero que você me veja de verdade.

— Eu estou vendo — ele disse, as mãos agora agarrando a cintura dela, os dedos cravando-se na pele por cima do tecido. — Eu vejo cada curva. Eu vejo como você fica quando eu te toco assim.

Ele a puxou para um beijo avassalador. Não foi um beijo romântico, de filmes. Foi um beijo de posse, de urgência. A língua dele explorava a dela com uma agressividade que a deixava sem fôlego. Ana correspondeu, suas mãos subindo para o cabelo enrolado dele, puxando-o levemente, sentindo a textura macia entre os dedos.

Lucas a empurrou levemente em direção ao quarto, e Ana o seguiu, sentindo que estava entrando em um território onde as regras eram dele. No quarto, a luz estava baixa. Ele a fez sentar na beira da cama e ficou de pé entre suas pernas.

— Você é linda, sabia? — disse ele, de repente, com uma sinceridade que a pegou de surpresa. — De um jeito que me irrita.

— Por que te irrita? — perguntou ela, a voz trêmula.

— Porque eu não gosto de sentir que preciso de alguém. E eu passei as últimas semanas contando as horas para esse dia — ele confessou, passando o polegar pelo lábio inferior dela. — Mas não se engane. Eu não vou ser gentil o tempo todo.

— Eu não pedi para você ser gentil — desafiou ela, sua faceta mais ousada vindo à tona. — Eu quero o Lucas que eu conheci nas ligações. O Lucas que sabe exatamente o que quer.

Os olhos dele brilharam com uma centelha sadomasoquista que ela já conhecia pelas palavras. Ele se inclinou e sussurrou algo no ouvido dela, uma ordem que a fez estremecer por completo.

— Então tire a roupa. Devagar. Eu quero ver cada detalhe do que é meu por hoje.

Ana hesitou por um segundo. A luz do quarto, embora fraca, ainda mostrava tudo. Ela pensou em suas estrias, na largura de seus quadris, no peso que a sociedade dizia ser "errado". Mas então viu o olhar de Lucas. Não havia julgamento ali. Havia fome. Uma fome puramente carnal, mas que, para Ana, naquele momento, era a forma mais honesta de aceitação que ela já recebera.

Ela começou a se despir, os olhos fixos nos dele. Lucas não desviou o olhar nem por um segundo. Ele parecia estar devorando-a com os olhos, os punhos cerrados ao lado do corpo, lutando contra o impulso de avançar.

— Você é perfeita para mim — ele murmurou, a voz quase inaudível.

Quando ela ficou apenas de lingerie, ele se aproximou novamente.

— Agora — disse ele, a voz voltando ao tom autoritário —, vamos ver se você aguenta o que tanto pediu nas nossas conversas.

O restante da tarde foi uma névoa de sensações intensas. Lucas era, como prometido, um mestre no controle. Ele explorava cada centímetro do corpo de Ana com uma mistura de brutalidade e adoração que a deixava em êxtase. Ele era ciumento até com os próprios pensamentos dela, exigindo que ela focasse apenas nele, apenas no que estavam sentindo.

No entanto, entre um momento de luxúria e outro, Ana buscava brechas. Quando ele parava para recuperar o fôlego, ela acariciava o rosto dele, buscando o garoto de 18 anos que, por trás da fachada de durão e sadomasoquista, também parecia buscar alguma forma de conexão.

— Lucas — chamou ela, enquanto estavam deitados, a pele suada colada uma na outra.

— Hum? — ele respondeu, os olhos fechados, a mão ainda repousada possessivamente sobre o quadril dela.

— Você já pensou no que acontece depois que essas vinte e quatro horas acabarem?

Ele abriu os olhos. A sinceridade ignorante dele voltou à tona.

— Eu não penso no amanhã, Ana. Eu vivo o agora. E agora, você está aqui.

— Mas eu não quero ser apenas um "agora" — disse ela, a coragem crescendo. — Eu sinto algo por você. Algo que não é só o que acabamos de fazer.

Lucas sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos bagunçados. Ele parecia desconfortável com a direção da conversa.

— Você sabe como eu sou. Eu não sou o cara dos romances, das flores e das juras de amor. Eu sou o cara que vai te morder e te deixar marcada para que você não esqueça de quem você é.

— E se eu quiser os dois? — rebateu ela. — E se eu quiser as marcas e o carinho?

Ele olhou para ela, e por um breve momento, a armadura dele pareceu vacilar. Ele viu a garota doce, a garota que tinha um amor imenso para entregar, escondida atrás da mulher que ele acabara de possuir com tanta força.

— Você é difícil, Ana Clara — ele disse, aproximando-se e puxando-a para um abraço, desta vez mais suave. — Você quer entrar em lugares da minha cabeça que eu mantenho trancados.

— Eu tenho o dia todo para encontrar a chave — sussurrou ela contra o peito dele.

Lucas soltou um suspiro pesado, mas a apertou mais forte.

— Você só tem um dia. É melhor não gastar tentando me mudar.

— Eu não quero te mudar. Só quero que você admita que gosta de mim além do meu corpo.

Ele se afastou um pouco para olhar nos olhos dela. O silêncio se prolongou, tenso e carregado.

— Talvez — admitiu ele, finalmente. — Talvez eu goste do jeito que você me desafia. Mas não espere que eu diga isso de novo.

Para Ana, aquilo era quase uma declaração. Ela sorriu, sentindo que, apesar da natureza complicada de Lucas, havia uma esperança. O dia estava apenas começando, e ela pretendia fazer com que cada segundo valesse a pena, explorando não apenas o prazer físico que os unia, mas as camadas escondidas daquele garoto pálido e intenso que a fazia se sentir, pela primeira vez, completamente desejada por ser exatamente quem era.

— O que vamos fazer agora? — perguntou ela, com um brilho travesso nos olhos.

Lucas deu um sorriso predatório, o clima de vulnerabilidade desaparecendo tão rápido quanto surgira.

— Agora? Agora eu vou te mostrar por que você não deveria ter vindo me visitar se queria dormir.

Ele a puxou de volta para o centro da cama, e Ana riu, entregando-se novamente ao turbilhão que era Lucas Brito. Ela sabia que ele era difícil, que a luxúria era o escudo dele, mas naquele pequeno apartamento, no meio de uma cidade desconhecida, ela se sentia mais em casa do que em qualquer outro lugar. O peso de seu corpo, que o mundo via como um problema, ali era o mapa de um tesouro que Lucas estava ansioso para desbravar, centímetro por centímetro, até que o sol se pusesse e o tempo deles se esgotasse. Mas, por enquanto, o relógio era o menor dos seus problemas. O que importava era o toque, o calor e a promessa silenciosa de que aquele encontro era apenas o começo de algo muito mais profundo e perigoso do que qualquer ligação de vídeo poderia prever.

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