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Gelo em chamas
Fandom: Patinação artística
Criado: 02/06/2026
Tags
RomanceDramaPWP (Enredo? Que enredo?)Linguagem ExplícitaEstudo de PersonagemRealismoCiúmesAngústiaAbuso de ÁlcoolCenário Canônico
Lâminas e Labaredas
O gelo de Novogorsk sempre foi o santuário de Julia Cenci. Brasileira de nascimento, mas moldada pela rigidez do sistema russo de patinação, ela aprendeu cedo que emoções eram luxos que custavam medalhas. Julia era conhecida no circuito como a "Rainha de Gelo" — calma, fria e absolutamente calculista. Cada salto era executado com a precisão de um relógio suíço, cada olhar era uma barreira impenetrável.
Exceto quando Ilia Malinin estava no mesmo rinque.
Eles se conheciam desde os tempos de competições infantis internacionais. Enquanto Julia era a personificação da disciplina, Ilia era o caos em forma de talento. O "Quad God" americano, com sua confiança que beirava a arrogância e um sorriso de lado que derretia as arquibancadas, era o oposto absoluto dela. E ele adorava isso.
Desde os dez anos, Ilia encontrava formas de perfurar a armadura de Julia. Ele puxava seus laços de cabelo antes das apresentações, trocava suas capas de lâmina por cores berrantes e, conforme cresciam, os insultos infantis deram lugar a provocações carregadas de um magnetismo perigoso.
— Cuidado para não congelar o próprio sangue, Cenci — ele costumava sussurrar ao passar por ela no túnel de entrada. — Um pouco de fogo faria bem para essa sua técnica perfeita e sem alma.
Julia sempre respondia com o silêncio, mas por dentro, o sangue fervia.
Tudo mudou aos quinze anos, no Mundial Júnior em Tallinn. Ambos tiveram apresentações desastrosas para seus padrões. Julia caiu em um Triple Axel que nunca errava; Ilia, tentando um quádruplo prematuro, beijou o gelo duas vezes. A frustração era um veneno compartilhado. Naquela noite, na festa de gala, o álcool contrabandeado fluiu mais rápido do que a razão.
Julia, querendo esquecer o fracasso, bebeu até que o mundo parasse de girar em eixos perfeitos. Ilia, egocêntrico e querendo provar que ainda era o melhor em algo, não saiu do seu lado. O que começou com insultos bêbados em um canto escuro do hotel terminou com Julia perdendo a virgindade com o garoto que ela jurava odiar.
Ele não foi gentil, e ela não foi passiva. Foi uma colisão de ressentimento e desejo reprimido. E, na manhã seguinte, Ilia garantiu que ela nunca esquecesse.
— Você grita muito mais do que demonstra na pista, Julia — ele disse, enquanto ela vestia as roupas às pressas, o rosto queimando de vergonha. — Talvez eu devesse ser seu treinador de expressão artística.
Anos se passaram, e a provocação só se tornou mais afiada. Agora, no auge de suas carreiras, o sorteio do Grand Prix os colocou novamente no mesmo hotel, na mesma cidade, respirando o mesmo ar carregado de eletricidade.
Julia terminou seu treino oficial e caminhava para o vestiário quando sentiu a presença dele. O cheiro de gelo e o perfume caro de Ilia eram inconfundíveis.
— Três anos desde aquela noite em Tallinn e você ainda foge de mim como se eu fosse um juiz rigoroso — a voz de Ilia ecoou pelo corredor vazio.
Julia parou, as lâminas dos seus patins batendo no chão de borracha. Ela se virou lentamente, os olhos castanhos gélidos fixos no rosto bonito e presunçoso dele.
— Eu não estou fugindo, Ilia. Estou apenas tentando manter minha higiene mental. Falar com você é um esforço que não pretendo fazer hoje.
Ilia deu um passo à frente, diminuindo a distância. Ele era mais alto agora, o corpo atlético e definido sob a jaqueta da equipe dos EUA.
— Mentira. Você está com medo — ele provocou, um sorriso ladino brincando em seus lábios. — Medo de que, se ficarmos sozinhos por cinco minutos, você esqueça essa pose de boneca russa e implore para que eu te coloque contra a parede de novo.
— Você é patético — Julia sibilou, mas seu coração deu um solavanco traidor.
— Sou? — Ele se inclinou, o hálito quente perto da orelha dela. — Então por que suas mãos estão tremendo, Julia?
Antes que ela pudesse responder, Ilia a segurou pelo pulso e a empurrou para dentro de uma sala de equipamentos aberta, chutando a porta para fechar atrás de si. A escuridão era quebrada apenas por uma fresta de luz vinda do corredor.
— Me solta! — Julia exigiu, mas sua voz não tinha a firmeza habitual.
— Me obriga — desafiou ele.
Ilia não esperou. Ele a prensou contra a porta de metal fria, suas mãos subindo para emoldurar o rosto dela. O beijo que se seguiu não foi um pedido; foi uma invasão. Julia tentou resistir por um segundo, mas o ódio e o desejo estavam tão entrelaçados que ela cedeu, abrindo a boca para a língua dele, devolvendo a agressividade com a mesma intensidade.
As mãos de Ilia desceram rapidamente, agarrando a cintura dela e puxando-a para cima. Julia entrelaçou as pernas na cintura dele, sentindo a rigidez por baixo da calça de treino dele contra sua intimidade.
— Você quer isso tanto quanto eu — ele rosnou entre os beijos, os dentes mordendo o lábio inferior dela. — Admite, sua fria de merda.
— Cala a boca e me fode, Ilia — ela rebateu, a voz rouca, as unhas cravando-se nos ombros dele.
Ele não precisou de outro convite. Com uma agilidade nascida de anos de atletismo, Ilia a colocou sobre uma mesa de massagem dobrada que estava encostada na parede. Ele se livrou da própria calça e puxou o collant de treino de Julia para o lado, sem paciência para despi-la completamente.
Quando ele entrou nela, um estocada profunda e possessiva, Julia soltou um gemido que ecoou pelas paredes de metal. Era intenso, cru, desprovido da elegância que ambos exibiam no gelo.
— Olha para mim — Ilia ordenou, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça.
Julia abriu os olhos, encontrando o azul ardente de Ilia. Não havia o "Quad God" ali, apenas um homem faminto, e não havia a "Rainha de Gelo", apenas uma mulher em chamas.
— Você é minha, Julia — ele sussurrou, aumentando o ritmo, cada estocada fazendo Julia arquear as costas. — No gelo, fora dele... ninguém te conhece como eu.
— Eu... odeio... você — ela arfou, as palavras perdendo o sentido enquanto o prazer começava a nublar sua visão.
— Ótimo — ele respondeu, afundando-se nela com força renovada. — Use esse ódio. Me arranhe, me morda, mas não ouse fechar os olhos.
O movimento era rítmico, frenético. O som da pele batendo contra a pele e a respiração pesada preenchiam o pequeno espaço. Julia sentia cada músculo de Ilia trabalhando, a força bruta que ele geralmente escondia sob saltos graciosos agora voltada inteiramente para o prazer dela. Ela se sentia desmoronar, a frieza calculista derretendo sob o calor dele.
Quando o ápice chegou, foi violento. Julia gritou o nome dele, as pernas apertando-o com força, enquanto Ilia se entregava com um rosnado baixo, descarregando toda a tensão de anos de rivalidade dentro dela.
Eles ficaram ali por alguns minutos, as respirações se acalmando, o suor esfriando na pele. Ilia se afastou devagar, recompondo-se com uma facilidade irritante. Ele ajeitou a roupa e olhou para Julia, que ainda tentava recuperar o fôlego, o cabelo loiro bagunçado e os lábios inchados.
Ele se inclinou e deu um beijo casto na ponta do nariz dela, o sorriso provocador de volta ao lugar.
— Ótima performance, Cenci. Nota dez em componentes técnicos.
Julia pegou uma toalha próxima e a jogou nele, recuperando sua máscara de frieza, embora seus olhos ainda brilhassem.
— Sai daqui, Malinin.
— Até amanhã no programa curto — ele disse, abrindo a porta e olhando para trás uma última vez. — Tente não pensar em mim enquanto estiver girando. Seria uma pena você cair por minha causa... de novo.
Ele saiu, assobiando uma melodia qualquer. Julia encostou a cabeça na parede, fechando os olhos. Ela o odiava. Realmente o odiava. Mas, enquanto sentia o rastro dele ainda presente em seu corpo, ela sabia que a verdadeira competição estava apenas começando. No gelo, ela seria a rainha. Mas naquela sala escura, ela tinha descoberto que até o gelo mais duro precisa de um pouco de fogo para não quebrar.
Exceto quando Ilia Malinin estava no mesmo rinque.
Eles se conheciam desde os tempos de competições infantis internacionais. Enquanto Julia era a personificação da disciplina, Ilia era o caos em forma de talento. O "Quad God" americano, com sua confiança que beirava a arrogância e um sorriso de lado que derretia as arquibancadas, era o oposto absoluto dela. E ele adorava isso.
Desde os dez anos, Ilia encontrava formas de perfurar a armadura de Julia. Ele puxava seus laços de cabelo antes das apresentações, trocava suas capas de lâmina por cores berrantes e, conforme cresciam, os insultos infantis deram lugar a provocações carregadas de um magnetismo perigoso.
— Cuidado para não congelar o próprio sangue, Cenci — ele costumava sussurrar ao passar por ela no túnel de entrada. — Um pouco de fogo faria bem para essa sua técnica perfeita e sem alma.
Julia sempre respondia com o silêncio, mas por dentro, o sangue fervia.
Tudo mudou aos quinze anos, no Mundial Júnior em Tallinn. Ambos tiveram apresentações desastrosas para seus padrões. Julia caiu em um Triple Axel que nunca errava; Ilia, tentando um quádruplo prematuro, beijou o gelo duas vezes. A frustração era um veneno compartilhado. Naquela noite, na festa de gala, o álcool contrabandeado fluiu mais rápido do que a razão.
Julia, querendo esquecer o fracasso, bebeu até que o mundo parasse de girar em eixos perfeitos. Ilia, egocêntrico e querendo provar que ainda era o melhor em algo, não saiu do seu lado. O que começou com insultos bêbados em um canto escuro do hotel terminou com Julia perdendo a virgindade com o garoto que ela jurava odiar.
Ele não foi gentil, e ela não foi passiva. Foi uma colisão de ressentimento e desejo reprimido. E, na manhã seguinte, Ilia garantiu que ela nunca esquecesse.
— Você grita muito mais do que demonstra na pista, Julia — ele disse, enquanto ela vestia as roupas às pressas, o rosto queimando de vergonha. — Talvez eu devesse ser seu treinador de expressão artística.
Anos se passaram, e a provocação só se tornou mais afiada. Agora, no auge de suas carreiras, o sorteio do Grand Prix os colocou novamente no mesmo hotel, na mesma cidade, respirando o mesmo ar carregado de eletricidade.
Julia terminou seu treino oficial e caminhava para o vestiário quando sentiu a presença dele. O cheiro de gelo e o perfume caro de Ilia eram inconfundíveis.
— Três anos desde aquela noite em Tallinn e você ainda foge de mim como se eu fosse um juiz rigoroso — a voz de Ilia ecoou pelo corredor vazio.
Julia parou, as lâminas dos seus patins batendo no chão de borracha. Ela se virou lentamente, os olhos castanhos gélidos fixos no rosto bonito e presunçoso dele.
— Eu não estou fugindo, Ilia. Estou apenas tentando manter minha higiene mental. Falar com você é um esforço que não pretendo fazer hoje.
Ilia deu um passo à frente, diminuindo a distância. Ele era mais alto agora, o corpo atlético e definido sob a jaqueta da equipe dos EUA.
— Mentira. Você está com medo — ele provocou, um sorriso ladino brincando em seus lábios. — Medo de que, se ficarmos sozinhos por cinco minutos, você esqueça essa pose de boneca russa e implore para que eu te coloque contra a parede de novo.
— Você é patético — Julia sibilou, mas seu coração deu um solavanco traidor.
— Sou? — Ele se inclinou, o hálito quente perto da orelha dela. — Então por que suas mãos estão tremendo, Julia?
Antes que ela pudesse responder, Ilia a segurou pelo pulso e a empurrou para dentro de uma sala de equipamentos aberta, chutando a porta para fechar atrás de si. A escuridão era quebrada apenas por uma fresta de luz vinda do corredor.
— Me solta! — Julia exigiu, mas sua voz não tinha a firmeza habitual.
— Me obriga — desafiou ele.
Ilia não esperou. Ele a prensou contra a porta de metal fria, suas mãos subindo para emoldurar o rosto dela. O beijo que se seguiu não foi um pedido; foi uma invasão. Julia tentou resistir por um segundo, mas o ódio e o desejo estavam tão entrelaçados que ela cedeu, abrindo a boca para a língua dele, devolvendo a agressividade com a mesma intensidade.
As mãos de Ilia desceram rapidamente, agarrando a cintura dela e puxando-a para cima. Julia entrelaçou as pernas na cintura dele, sentindo a rigidez por baixo da calça de treino dele contra sua intimidade.
— Você quer isso tanto quanto eu — ele rosnou entre os beijos, os dentes mordendo o lábio inferior dela. — Admite, sua fria de merda.
— Cala a boca e me fode, Ilia — ela rebateu, a voz rouca, as unhas cravando-se nos ombros dele.
Ele não precisou de outro convite. Com uma agilidade nascida de anos de atletismo, Ilia a colocou sobre uma mesa de massagem dobrada que estava encostada na parede. Ele se livrou da própria calça e puxou o collant de treino de Julia para o lado, sem paciência para despi-la completamente.
Quando ele entrou nela, um estocada profunda e possessiva, Julia soltou um gemido que ecoou pelas paredes de metal. Era intenso, cru, desprovido da elegância que ambos exibiam no gelo.
— Olha para mim — Ilia ordenou, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça.
Julia abriu os olhos, encontrando o azul ardente de Ilia. Não havia o "Quad God" ali, apenas um homem faminto, e não havia a "Rainha de Gelo", apenas uma mulher em chamas.
— Você é minha, Julia — ele sussurrou, aumentando o ritmo, cada estocada fazendo Julia arquear as costas. — No gelo, fora dele... ninguém te conhece como eu.
— Eu... odeio... você — ela arfou, as palavras perdendo o sentido enquanto o prazer começava a nublar sua visão.
— Ótimo — ele respondeu, afundando-se nela com força renovada. — Use esse ódio. Me arranhe, me morda, mas não ouse fechar os olhos.
O movimento era rítmico, frenético. O som da pele batendo contra a pele e a respiração pesada preenchiam o pequeno espaço. Julia sentia cada músculo de Ilia trabalhando, a força bruta que ele geralmente escondia sob saltos graciosos agora voltada inteiramente para o prazer dela. Ela se sentia desmoronar, a frieza calculista derretendo sob o calor dele.
Quando o ápice chegou, foi violento. Julia gritou o nome dele, as pernas apertando-o com força, enquanto Ilia se entregava com um rosnado baixo, descarregando toda a tensão de anos de rivalidade dentro dela.
Eles ficaram ali por alguns minutos, as respirações se acalmando, o suor esfriando na pele. Ilia se afastou devagar, recompondo-se com uma facilidade irritante. Ele ajeitou a roupa e olhou para Julia, que ainda tentava recuperar o fôlego, o cabelo loiro bagunçado e os lábios inchados.
Ele se inclinou e deu um beijo casto na ponta do nariz dela, o sorriso provocador de volta ao lugar.
— Ótima performance, Cenci. Nota dez em componentes técnicos.
Julia pegou uma toalha próxima e a jogou nele, recuperando sua máscara de frieza, embora seus olhos ainda brilhassem.
— Sai daqui, Malinin.
— Até amanhã no programa curto — ele disse, abrindo a porta e olhando para trás uma última vez. — Tente não pensar em mim enquanto estiver girando. Seria uma pena você cair por minha causa... de novo.
Ele saiu, assobiando uma melodia qualquer. Julia encostou a cabeça na parede, fechando os olhos. Ela o odiava. Realmente o odiava. Mas, enquanto sentia o rastro dele ainda presente em seu corpo, ela sabia que a verdadeira competição estava apenas começando. No gelo, ela seria a rainha. Mas naquela sala escura, ela tinha descoberto que até o gelo mais duro precisa de um pouco de fogo para não quebrar.
