Fanfy
.studio
Imagem de fundo

romance de festa junina

Fandom: Anny(EU) Erik(Melhor Amigo)e Joao Andrei

Criado: 02/06/2026

Tags

RomanceDramaFatias de VidaFofuraCiúmesEstudo de Personagem
Índice

Entre Passos Marcados e Olhares Perdidos

O ar da manhã de junho trazia aquele frescor característico, carregado com o cheiro de pipoca doce e serragem que já começava a invadir o pátio do colégio. Para a maioria dos alunos, era apenas o sinal de que as férias estavam próximas. Para Anny, era o início de uma tortura coreografada.

Ela estava parada no centro da quadra poliesportiva, ajustando a alça da mochila que pesava em seu ombro. O som alto da sanfona ecoava pelas caixas de som mal posicionadas, e o professor de educação física, com um apito pendurado no pescoço, tentava colocar ordem no caos de adolescentes que pareciam mais interessados em fofocar do que em aprender os passos da quadrilha.

— Anny! — Uma voz familiar e levemente ofegante surgiu atrás dela.

Ela não precisou se virar para saber quem era. Erik, seu melhor amigo desde que ambos mal conseguiam alcançar o balcão da cantina, jogou um braço sobre os ombros dela, quase a fazendo perder o equilíbrio.

— Preparada para o "olha a cobra"? — perguntou ele, abrindo um sorriso largo que sempre conseguia dissipar o mau humor de Anny. — Eu treinei o pulo ontem no meu quarto. Acho que desta vez não derrubo ninguém.

Anny riu, empurrando-o levemente com o cotovelo.

— Erik, você quase quebrou o tornozelo no ano passado tentando fazer aquele giro. Por favor, tente manter os dois pés no chão este ano.

— Onde está o espírito festivo, Anny? — Erik fez uma pose dramática, colocando a mão no peito. — A festa junina é a alma deste país. E eu sou o coração dessa alma.

— Você é um desastrado, isso sim — retrucou ela, mas seu sorriso era genuíno.

A conversa foi interrompida pelo som estridente do apito. O professor começou a organizar os pares. Anny sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com o clima frio de junho. Ela sabia que, naquele ano, as coisas seriam diferentes. Nos anos anteriores, ela e Erik sempre davam um jeito de serem pares, mas a nova regra da escola exigia um sorteio ou uma "escolha mútua" prévia para evitar que os mesmos grupos ficassem sempre juntos.

— Muito bem, pessoal! — gritou o professor. — Formem as filas. Meninos de um lado, meninas do outro. Vamos repassar a entrada.

Enquanto se posicionava, Anny sentiu um olhar sobre ela. Não era o olhar brincalhão de Erik, que estava ocupado tentando fazer uma careta para distraí-la da fila oposta. Era algo mais intenso, mais focado. Ela virou o rosto levemente e encontrou os olhos de João Andrei.

João era o oposto de Erik. Enquanto Erik era movimento, barulho e risadas, João era calmo, observado e carregava uma aura de mistério que atraía a atenção de metade da escola. Eles nunca tinham conversado muito, além de trocas educadas de "bom dia" no corredor, mas Anny sempre notava a presença dele.

Para sua surpresa, João se descolou da fila e caminhou em sua direção antes que o professor iniciasse a contagem.

— Anny — disse ele, a voz baixa e firme, cortando o ruído ambiente.

Ela piscou, surpresa pela abordagem direta.

— Oi, João. Algum problema com a fila?

— Nenhum — ele respondeu, esboçando um sorriso de canto que Anny nunca tinha visto de perto. — Eu só queria saber se você já tem um par definido para o baile da festa. O professor disse que podemos oficializar as duplas hoje antes do ensaio geral.

Anny sentiu o rosto esquentar instantaneamente. Pelo canto do olho, viu Erik parar de brincar. O melhor amigo agora observava a cena com uma expressão que Anny não conseguiu decifrar de imediato — uma mistura de surpresa e algo que parecia... desconforto?

— Ah, eu... bem, a gente ainda não tinha oficializado nada — gaguejou Anny, sentindo o peso da expectativa.

— Então — continuou João, dando um passo à frente, ignorando os sussurros que começavam a surgir ao redor —, você aceitaria dançar comigo?

O silêncio pareceu se expandir na quadra, embora a música continuasse tocando ao fundo. Anny olhou para João, depois para Erik. Erik desviou o olhar, chutando uma pedrinha invisível no chão da quadra, as mãos enfiadas nos bolsos do moletom.

— Eu... — Anny começou, mas foi interrompida pelo apito novamente.

— Posições! — berrou o professor. — Andrei, volte para o seu lugar se não for o par da Anny ainda. Vamos começar o grande círculo!

João não se moveu imediatamente. Ele manteve o olhar fixo no dela por mais um segundo, um desafio silencioso e um convite ao mesmo tempo.

— Pense nisso, Anny — disse ele, antes de dar meia-volta e retornar para o seu lugar na fila dos meninos.

O ensaio começou, mas a mente de Anny estava em qualquer lugar, menos nos passos da dança. Ela se movia mecanicamente, seguindo o ritmo da música. Quando chegou o momento do "grande círculo", onde todos se davam as mãos e giravam, ela acabou ficando exatamente entre Erik e João.

A mão de Erik estava quente e familiar, a pele áspera que ela conhecia de anos de brincadeiras e ajuda nos deveres de casa. A mão de João, do outro lado, era firme e fria, uma sensação nova que enviava pequenos choques pelo braço dela.

— Ele não perde tempo, não é? — sussurrou Erik, aproximando-se dela enquanto o círculo girava.

— O quê? — Anny perguntou, fingindo confusão.

— O João. O "galã do silêncio" — Erik zombou, mas não havia a alegria habitual em sua voz. — Ele veio direto em você.

— Ele só perguntou se eu queria dançar, Erik. Não é um pedido de casamento.

— Mas você vai aceitar? — Erik parou de girar por um milésimo de segundo, quase causando um engavetamento humano atrás dele.

— Eu não sei! — respondeu ela, um pouco mais alto do que pretendia. — Por que isso importa tanto para você? Nós sempre dançamos juntos porque somos amigos, mas você mesmo disse que queria tentar aquele passo novo com a Camila no mês passado.

Erik franziu a testa, parecendo genuinamente ofendido.

— Eu disse aquilo porque achei que você queria dançar com outra pessoa! Eu estava tentando ser um bom amigo, abrindo o caminho.

— Pois você fez um péssimo trabalho de comunicação — rebateu Anny, embora sentisse uma pontada de culpa.

Do outro lado, João Andrei permanecia em silêncio, mas Anny sentia que ele estava ouvindo cada palavra. Quando a dança exigiu que os pares trocassem de posição, João deslizou para a frente dela com uma elegância que Erik nunca conseguiria emular.

— Você parece tensa — comentou João, enquanto a conduzia pelo passo de dois para lá, dois para cá.

— É só o ensaio — mentiu ela. — Muita gente olhando.

— Eles estão olhando porque você é a melhor dançarina aqui — disse ele, com uma sinceridade que a desarmou. — E porque todo mundo quer saber o que você vai responder.

Anny olhou para João. Ele não estava brincando. Havia uma determinação em seus olhos escuros que a deixava sem fôlego.

— Por que eu, João? — perguntou ela em voz baixa. — Tem tantas meninas que adorariam que você pedisse.

— Mas eu não quero dançar com "tantas meninas" — respondeu ele, aproximando-se um pouco mais, o suficiente para que ela sentisse o perfume amadeirado dele. — Eu quero dançar com você, Anny. Desde o ano passado, quando te vi tropeçar naquele vestido de chita e rir de si mesma como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Eu gosto de quem não se leva tão a sério, mas que brilha sem tentar.

Anny sentiu o coração disparar. Aquilo era mais do que ela esperava de um simples convite para a festa junina. Antes que pudesse responder, a música parou bruscamente.

— Intervalo de dez minutos! — anunciou o professor. — Vão beber água e voltem focados!

João soltou a mão dela, mas não antes de dar um leve aperto.

— Pense com carinho. Eu te procuro no final do ensaio.

Ele se afastou, deixando Anny parada no meio da quadra, sentindo-se como um barco à deriva em um mar de emoções conflitantes. Ela procurou por Erik e o viu sentado na arquibancada, bebendo água de uma garrafa plástica com uma energia quase agressiva.

Ela caminhou até ele e sentou-se ao seu lado. O silêncio entre eles era pesado, algo raro na amizade de quase uma década.

— Você está estranho — disse ela, finalmente.

— Eu estou normal — mentiu Erik, sem olhar para ela. — Só estou cansado. Esse passo de "anarriê" acaba com os joelhos.

— Erik, olha para mim.

Ele suspirou e virou o rosto. Seus olhos, geralmente cheios de faíscas de travessura, pareciam opacos.

— O que foi, Anny? Vai lá falar com o seu novo par. Ele parece ser muito bom em... seja lá o que ele faz.

— Ele não é meu par — disse ela, enfática. — Ele me convidou, e eu ainda não respondi.

Erik soltou uma risada seca.

— Por que não responderia? Ele é o João Andrei. O cara que tira dez em física e joga basquete bem. Eu sou só o Erik que te faz passar vergonha nos ensaios.

Anny sentiu uma onda de raiva misturada com tristeza. Ela segurou o braço dele, forçando-o a prestar atenção.

— Você é o meu melhor amigo, Erik. Você é a pessoa que sabe que eu odeio amendoim na canjica e que eu morro de medo dos fogos de artifício. Você não é "só o Erik". Você é o meu Erik.

A expressão dele suavizou por um instante, mas a insegurança ainda estava lá, latente.

— Se eu te pedisse para dançar comigo... — começou ele, a voz falhando levemente — ... seria por costume ou porque você realmente quer?

Anny travou. Essa era a pergunta que ela mesma estava tentando evitar. Dançar com Erik era confortável, era seguro, era a extensão natural de suas vidas. Dançar com João era o novo, o emocionante, o desconhecido que acelerava seu pulso.

— Eu não sei, Erik — confessou ela com honestidade. — Eu sempre achei que a gente dançaria junto. Nunca pensei em outra opção até dez minutos atrás.

— Pois agora tem uma opção — disse Erik, levantando-se. — E eu não quero ser a escolha por falta de alternativa. Se você decidir dançar com ele, tudo bem. Eu sobrevivo. Posso até convidar a Camila, como você sugeriu.

Ele começou a se afastar, mas parou e olhou por cima do ombro.

— Mas saiba que, se eu te pedisse, não seria por costume. Seria porque eu não consigo imaginar estar naquela quadra com mais ninguém.

Ele saiu em direção ao bebedouro, deixando Anny com um nó na garganta.

O restante do ensaio foi um borrão. Anny tentava se concentrar nos comandos do professor, mas seus olhos pulavam constantemente entre a figura alta e calma de João e os movimentos erráticos e enérgicos de Erik.

Ela via João observando-a, esperando. E via Erik evitando olhar para ela, concentrado demais em não errar os passos, como se sua vida dependesse daquela precisão súbita.

Quando o ensaio finalmente terminou e os alunos começaram a se dispersar, Anny ficou para trás, guardando suas coisas lentamente. Ela sabia que precisava tomar uma decisão.

João Andrei foi o primeiro a se aproximar. Ele tinha uma expressão de expectativa contida.

— E então, Anny? — perguntou ele. — O que me diz? O ensaio de amanhã já poderia ser com a gente posicionado como par oficial.

Anny olhou para ele, vendo toda a promessa de um romance de cinema, de algo novo e excitante. João era incrível, e qualquer garota teria dito "sim" no primeiro segundo.

— João... — ela começou, a voz suave. — Eu fico muito, muito lisonjeada. De verdade. Você é um cara incrível.

O sorriso dele vacilou um pouco.

— Mas?

— Mas a festa junina, para mim, sempre foi sobre algo mais do que apenas a dança. É sobre quem está do meu lado quando as luzes se apagam e a música para. E tem alguém que esteve lá em todas as festas, desde que a gente usava dentes de leite.

João suspirou, mas não parecia zangado. Ele olhou para onde Erik estava, perto da saída da quadra, chutando o ar enquanto esperava, claramente fingindo que não estava esperando por ninguém.

— É o Erik, não é? — perguntou João.

— É o Erik — confirmou Anny, com um sorriso triste, mas decidido. — Eu preciso descobrir o que isso significa antes de tentar algo com qualquer outra pessoa.

João assentiu, compreensivo.

— Ele tem sorte. Mas não ache que eu vou desistir tão fácil da próxima vez que não tiver um ensaio de quadrilha envolvido.

Ele se despediu com um aceno e saiu da quadra com a mesma calma de sempre. Anny respirou fundo, sentindo um peso sair de seus ombros. Ela caminhou em direção a Erik, que ainda estava parado perto do portão.

— Ele foi embora sozinho — observou Erik, tentando manter o tom casual, mas falhando miseravelmente em esconder a esperança na voz.

— Ele foi — disse Anny, parando na frente dele.

— E você? Está sem par agora?

Anny cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.

— Depende. Tem um idiota que disse que não queria ser minha "falta de alternativa". Estou esperando para ver se ele muda de ideia.

Erik abriu um sorriso, aquele sorriso que iluminava a quadra inteira e fazia Anny ter certeza de que tinha feito a escolha certa.

— Bom, esse idiota é meio teimoso — disse Erik, aproximando-se e estendendo a mão para ela, imitando o gesto formal que João fizera mais cedo, mas com um brilho travesso nos olhos. — Mas ele também é louco por você. Anny, você aceita ser o meu par? Sem ser por costume, mas porque eu realmente, realmente quero?

Anny colocou a mão na dele, sentindo o calor familiar que sempre a fazia se sentir em casa.

— Aceito, Erik. Mas com uma condição.

— Qual?

— Você tem que prometer que não vai tentar o pulo dramático este ano. Eu não quero terminar a festa no pronto-socorro.

Erik riu, puxando-a para um abraço rápido e apertado que cheirava a amizade e a algo mais que estava apenas começando a florescer.

— Promessa de escoteiro — disse ele. — Mas não prometo que não vou te fazer rir no meio do casamento caipira.

— Disso eu já contava — respondeu ela, enquanto caminhavam juntos para fora da escola, sob o sol suave de junho.

Os ensaios para a festa junina estavam longe de terminar, e o coração de Anny ainda tinha muito o que aprender sobre o ritmo daquela nova música que começava a tocar entre ela e seu melhor amigo. Mas, enquanto caminhavam lado a lado, ela sabia que, independentemente do passo, ela nunca estaria fora de sintonia.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic