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Our chaos

Fandom: FayeEng

Criado: 03/06/2026

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RomanceDramaAngústiaSombrioPsicológicoCrimeCiúmesLinguagem Explícita
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Marcas de Propriedade e Vidro Quebrado

O cheiro de tabaco barato impregnava a jaqueta de couro preta de Engfa, misturando-se ao odor metálico de sangue que emanava de seus nós dos dedos. Ela estava sentada no chão do quarto vasto e luxuoso, cercada por milhares de peças de um conjunto de Lego complexo que tentava montar. Seus dedos, embora brutos e marcados por cicatrizes de brigas recentes, moviam-se com uma precisão cirúrgica. Montar aquelas peças era a única coisa que silenciava a hiperatividade de sua mente e a raiva que latejava sob sua pele como um animal enjaulado.

A porta do quarto se abriu sem que ela precisasse olhar. O perfume de rosas importadas e vinho caro denunciou a presença antes mesmo que o som dos saltos ecoasse no piso de madeira.

— Outra briga, Engfa? — A voz de Faye era como seda, mas carregava aquele tom de autoridade que fazia os pelos da nuca de Engfa se arrepiarem.

Engfa não respondeu de imediato. Ela encaixou uma peça cinza pequena no topo de uma torre em miniatura. O silêncio era sua defesa, sua ironia silenciosa.

— Ele mereceu — resmungou Engfa, finalmente, sem desviar os olhos do brinquedo. — Ele tocou no meu ombro. Eu disse para não tocar.

Faye Malisorn caminhou até ela, a silhueta alta e elegante destacada pelo vestido carmesim que combinava perfeitamente com seus cabelos tingidos de um vermelho vibrante. Ela segurava uma taça de vinho tinto, o líquido girando perigosamente perto da borda. Faye se ajoelhou atrás de Engfa, ignorando o fato de que seu vestido de grife estava tocando o chão.

— Você sabe que eu odeio quando outros colocam as mãos no que é meu — disse Faye, inclinando-se para frente. Ela depositou a taça no chão e envolveu os ombros de Engfa com os braços, puxando-a para trás, contra seu peito. — Mas você também sabe que eu prefiro ser a única a causar marcas em você.

Faye enterrou o rosto na curva do pescoço de Engfa, inalando o cheiro de rebeldia e nicotina. Ela depositou um beijo úmido e demorado logo abaixo da orelha da mais nova, sentindo a tensão de Engfa diminuir por um breve segundo antes de se transformar em algo mais profundo.

— Me solta, Faye. Estou tentando terminar isso — disse Engfa, embora não fizesse nenhum movimento real para se afastar.

— Você está sempre tentando terminar algo — provocou Faye, os lábios roçando a pele quente. — Por que não termina de me contar como foi que o rosto daquele garoto ficou? Ouvi dizer que ele vai precisar de cirurgia plástica.

Engfa soltou uma risada seca, irônica.

— Ele falou demais. Pessoas que falam demais acabam engolindo os próprios dentes. É a lei da rua.

— A lei da rua não existe mais para você, pequena — Faye sussurrou, sua mão subindo para acariciar a mandíbula de Engfa, os dedos subindo até o corte fresco no lábio inferior da garota. — Você mora sob o meu teto agora. Sob a proteção dos Malisorn. Seus pais... bem, eles não podem mais te machucar, não é?

Um brilho sombrio passou pelos olhos castanho-escuros de Engfa. Fazia dois anos desde que seus pais haviam sido "eliminados" em um assalto mal sucedido que, convenientemente, deixou a órfã rebelde sob a tutela da família vizinha. Engfa ainda tinha as cicatrizes nas costas e na barriga, lembranças permanentes de uma infância de abusos e negligência. Ela nunca desconfiou que a mulher que agora a abraçava era a arquiteta de sua liberdade sangrenta.

— Eles estão no inferno — disse Engfa, a voz rouca. — E eu vou para lá também, eventualmente.

— Se você for, eu vou junto para garantir que você seja a rainha do lugar — Faye riu, uma risada baixa e perigosa. — Mas, por enquanto, você é minha.

Faye virou o corpo de Engfa com uma força surpreendente, forçando-a a encará-la. Os olhos de Faye, observadores e obcecados, percorreram cada detalhe do rosto da jovem de 17 anos. Ela odiava ver Engfa machucada, mas, ao mesmo tempo, amava o fato de que Engfa só permitia que ela cuidasse daquelas feridas.

— Você está sendo uma garota muito mal-educada, Engfa — Faye murmurou, aproximando o rosto. — Saiu sem me avisar, voltou cheia de sangue e agora está me ignorando por causa de pedaços de plástico.

— Eu não sou seu brinquedo, Faye — rebateu Engfa, as sobrancelhas franzidas em um desafio clássico. — Eu não sigo ordens.

— Ah, eu sei. É por isso que eu te amo tanto. A resistência torna tudo mais... saboroso.

Faye deslizou a mão para a nuca de Engfa, puxando-a para um beijo que não tinha nada de fraternal. Era um beijo faminto, possessivo, que carregava o peso de anos de uma obsessão que Faye cultivava desde que via a vizinha rebelde pular o muro de casa para fugir das surras do pai. Engfa correspondeu com a mesma intensidade agressiva, suas mãos agarrando a cintura de Faye e puxando-a para mais perto, derrubando algumas peças de Lego no processo.

O beijo parou por um segundo, apenas o suficiente para Faye morder o lábio inferior de Engfa, arrancando um gemido baixo da mais nova.

— Você cheira a cigarro — reclamou Faye entre os beijos, embora sua expressão mostrasse que ela não se importava nem um pouco.

— E você cheira a vinho caro e problemas — retrucou Engfa, com um sorriso sarcástico surgindo entre os lábios inchados.

— Vamos brincar de algo diferente hoje — sugeriu Faye, seus olhos brilhando com uma ideia pecaminosa. — Se você conseguir ficar cinco minutos sem tentar me morder ou me xingar enquanto eu te mimo, eu deixo você comprar aquela moto que você viu na semana passada.

Engfa semicerrou os olhos.

— Você sabe que eu odeio quando você tenta me controlar.

— Eu não estou controlando, estou propondo um acordo — Faye passou a língua pelo pescoço de Engfa, encontrando um ponto sensível que fez a garota arfar. — Mas se você perder... você vai ter que usar aquela coleira de prata que eu comprei. A discreta, com o brasão da minha família. Para que todos na festa de amanhã saibam a quem você pertence.

Engfa sentiu uma onda de adrenalina. Ela odiava a ideia de ser propriedade de alguém, mas a forma como Faye dizia aquilo, com tanta convicção e desejo, despertava algo sombrio e carente dentro dela.

— Você é louca, Malisorn — disse Engfa, as mãos subindo para as costas de Faye, sentindo a corrente de prata que a outra sempre usava.

— Louca por você. Isso não é novidade.

Faye empurrou Engfa levemente para trás, fazendo-a deitar sobre o tapete felpudo. Ela se posicionou sobre a mais nova, o cabelo vermelho caindo como uma cortina ao redor dos dois rostos.

— Você se lembra de quando eu te disse que cuidaria de você? — perguntou Faye, a voz agora séria, quase devocional.

— No dia em que me mudei para cá — respondeu Engfa, a voz falhando levemente. — Você me beijou no pescoço e disse que ninguém nunca mais encostaria a mão em mim sem a sua permissão.

— E eu cumpri, não cumpri? — Faye sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos, mas que carregava uma promessa de proteção eterna. — Eu tirei os monstros do seu caminho.

Engfa não sabia o quão literal aquela frase era, e Faye pretendia manter assim. Para Engfa, Faye era seu porto seguro e seu tormento pessoal. Para Faye, Engfa era sua obra-prima, uma criatura quebrada que ela estava reconstruindo peça por peça, exatamente como aqueles Legos no chão.

— Às vezes eu acho que você é o maior monstro de todos — sussurrou Engfa, puxando Faye pela nuca para outro beijo.

— Talvez eu seja — admitiu Faye contra os lábios dela. — Mas eu sou o seu monstro. E você é a minha pequena encrenqueira.

A tensão sexual no quarto era quase palpável, uma eletricidade que ameaçava quebrar as janelas. Engfa, impulsiva como sempre, inverteu as posições, prendendo Faye contra o chão e segurando seus pulsos acima da cabeça.

— Cinco minutos? — desafiou Engfa, um brilho selvagem nos olhos. — Eu não aguento cinco segundos com você me olhando desse jeito sem querer te marcar inteira.

Faye soltou uma risada vitoriosa, arqueando o corpo para mais perto da garota que ela havia "salvado" do mundo.

— Então perca o desafio, Engfa. Perca e me mostre o quanto você é possessiva.

Não houve mais palavras. O som das peças de Lego sendo espalhadas pelo chão foi abafado pelos suspiros e pelo som de lábios se encontrando com urgência. Naquela mansão, longe dos olhos do mundo que as viam apenas como irmãs de criação, a realidade era tecida com fios de obsessão, sangue e um amor que queimava mais que o fogo. E enquanto Engfa mordia o pescoço de Faye, deixando uma marca que levaria dias para sumir, Faye sorria, sabendo que tinha exatamente o que queria: o coração e a fúria de Engfa Waraha, trancados em sua gaiola de ouro.
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