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entre tapas e beijos
Fandom: nao tem
Criado: 04/06/2026
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RomanceFatias de VidaEstudo de PersonagemRealismoLinguagem ExplícitaDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesFofuraOrientação MistaCenário Canônico
O Peso do Silêncio no Galpão 4
A chuva martelava o teto de zinco do galpão abandonado com uma persistência irritante, criando um isolamento acústico que fazia o resto do mundo parecer uma memória distante. Ali dentro, o ar cheirava a poeira antiga, madeira úmida e algo mais — algo que Deb tentava ignorar desesperadamente: o perfume de Moon.
Deb estava encostada em uma pilha de paletes, tentando ajustar a gola de sua jaqueta jeans oversized. Ela sempre se sentiu mais confortável assim, com roupas que escondiam suas curvas e uma postura que impunha um respeito quase fraternal. Mas, naquele momento, sua pose de "um dos caras" estava desmoronando. Seus dedos tremiam levemente, e ela os escondeu nos bolsos.
— Você vai ficar aí parada como se estivesse esperando um ônibus, ou vai me ajudar a decidir o que fazer com essa goteira? — A voz de Moon ecoou, carregada de um deboche suave que sempre fazia o estômago de Deb dar piruetas.
Moon estava sentada em cima de uma mesa de trabalho velha, balançando as pernas. Ela usava uma regata preta que deixava à mostra as tatuagens nos antebraços e o corte de cabelo sidecut que emoldurava seu rosto de forma perigosamente atraente. Moon era aberta, livre, pansexual e resolvida. Deb, por outro lado, vivia sob a fachada da "amiga hétero e durona", um papel que estava ficando cada vez mais difícil de sustentar.
— Não tem o que fazer, Moon. É um galpão caindo aos pedaços. A gente só precisa esperar a chuva passar para voltar pro campus — respondeu Deb, tentando manter a voz firme e grave.
— "A gente só precisa esperar" — Moon imitou, afinando a voz de um jeito engraçado, mas sem tirar os olhos de Deb. — Você é tão certinha às vezes, Deb. Chega a ser fofo. Ou irritante. Ainda não decidi.
Moon pulou da mesa e caminhou em direção a ela. O espaço entre as duas, que já era pequeno devido ao acúmulo de tralhas no galpão, pareceu encolher drasticamente. Deb sentiu as costas pressionarem a madeira dura dos paletes. Ela era mais alta que Moon, tinha ombros mais largos e uma presença física que geralmente intimidava as pessoas, mas Moon parecia imune a isso. Na verdade, Moon parecia se alimentar daquela energia.
— Eu não sou certinha. Só sou prática — rebateu Deb, forçando um sorriso de lado, sua marca registrada. — Diferente de certas pessoas que acham que a vida é um videoclipe de indie rock.
Moon parou a poucos centímetros dela. O calor que emanava do corpo da outra garota era quase palpável.
— Um videoclipe, é? — Moon inclinou a cabeça, um sorriso travesso brincando em seus lábios. — E qual seria o tema desse clipe? Tensão? Drama? Ou aquele clichê de duas pessoas presas em um lugar isolado enquanto o clima esquenta?
Deb sentiu o sangue subir para o rosto. Ela odiava o quanto era fácil para Moon desarmá-la.
— Você fala demais, Moon. É sério. Às vezes eu acho que você só quer ouvir a própria voz.
— E eu acho que você usa essa marra toda para esconder que está morrendo de vontade de me calar — Moon deu um passo final, eliminando qualquer distância. Ela colocou uma das mãos na parede de paletes, logo acima do ombro de Deb, cercando-a.
A respiração de Deb travou. Ela podia ver as pequenas sardas no nariz de Moon, o brilho divertido e desafiador em seus olhos escuros. A tensão sexual entre as duas não era algo novo — era um fio invisível que vinha sendo esticado há meses em cada piada interna, cada toque "acidental" e cada olhar prolongado. Mas ali, no silêncio do galpão, o fio parecia prestes a arrebentar.
— Você se acha muito, não acha? — sussurrou Deb, a voz perdendo a força. — Só porque todo mundo cai no seu papinho...
— Todo mundo, Deb? — Moon aproximou o rosto, o nariz quase roçando o de Deb. — Eu não me importo com todo mundo. Eu estou perguntando de você. Por que você fica toda tensa quando eu chego perto? Por que suas mãos estão suando agora?
— Minhas mãos não estão suando — mentiu Deb, embora sentisse as palmas úmidas dentro dos bolsos.
— Está mentindo — Moon murmurou, sua voz agora mais baixa, mais rouca. — Você é uma péssima mentirosa quando se trata de nós duas. Você se faz de durona, de "hétero convicta", de braço direito... mas seus olhos dizem outra coisa toda vez que eu beijo outra pessoa na sua frente.
Deb sentiu uma pontada de raiva misturada com desejo. A audácia de Moon era irritante, mas era exatamente o que a atraía. Deb sempre teve a atitude, sempre foi a que resolvia as coisas, a que protegia, mas com Moon, ela se sentia exposta.
— E o que meus olhos dizem, sabichona? — desafiou Deb, tentando retomar o controle, aproximando seu rosto de forma agressiva, mas parando a milímetros da boca de Moon.
— Eles dizem que você quer me beijar desde o primeiro dia em que a gente se viu naquela aula de artes — Moon não recuou. Pelo contrário, ela deslizou a mão livre pela jaqueta de Deb, sentindo o tecido rígido até chegar à gola, puxando-a levemente para baixo. — Eles dizem que você está cansada de fingir.
— Você é muito convencida — Deb riu, um som seco e nervoso, mas não se afastou. — E se eu quiser? O que você vai fazer? Continuar falando até eu dormir de tédio?
Moon soltou uma risadinha curta e deliciada.
— Ah, então a Deb tem garras. Eu sabia.
— Eu tenho mais do que garras, Moon. Só não tenho paciência para joguinhos.
— Ótimo — Moon sussurrou, a boca quase colada à de Deb. — Porque eu cansei de jogar.
O primeiro toque foi hesitante, um roçar de lábios que testava o terreno. Deb sentiu um choque percorrer sua espinha, uma descarga elétrica que a fez esquecer todas as defesas que construíra. No momento seguinte, a hesitação desapareceu. Deb agarrou a cintura de Moon com uma urgência que a surpreendeu, puxando-a para mais perto, enquanto Moon enroscava os dedos nos cabelos curtos da nuca de Deb.
O beijo era faminto, carregado de meses de palavras não ditas e negações frustradas. Moon tinha um gosto de chiclete de menta e de algo puramente ela, um calor que parecia incendiar o galpão frio. Deb, apesar da timidez inicial, assumiu a liderança com a atitude que lhe era natural, pressionando Moon contra a madeira, explorando cada curva com uma intensidade que fazia Moon soltar pequenos sons de aprovação contra seus lábios.
— Eu sabia... — arquejou Moon, quando se separaram por um segundo para respirar, as testas coladas. — Eu sabia que você era assim.
— Cala a boca, Moon — disse Deb, mas dessa vez havia um sorriso real em seu rosto, um brilho de libertação. — Você estraga o momento quando fala.
— Ah, é? Então me faz calar a boca de novo.
Deb não precisou de um segundo convite. Ela avançou novamente, dessa vez descendo os beijos pelo pescoço de Moon, sentindo a pele macia e o pulso acelerado da outra garota. Moon inclinou a cabeça para trás, os olhos fechados, entregando-se ao toque de Deb. A timidez de Deb havia evaporado, substituída por uma confiança crua. Ela a conhecia tão bem como amiga, mas descobri-la daquela forma era como ler um livro favorito em uma língua nova.
As mãos de Moon exploravam os ombros largos de Deb, descendo pelas costas, sentindo a força sob a jaqueta. Ela amava aquele contraste: a aparência mais masculina e protetora de Deb escondendo uma sensibilidade que só ela parecia capaz de acessar.
— Deb... — Moon murmurou, a voz trêmula. — A gente devia... a chuva está parando.
Deb parou por um momento, as mãos ainda firmes nos quadris de Moon. Ela olhou para a pequena janela no alto do galpão. A luz cinzenta estava começando a clarear, indicando que o temporal realmente diminuía.
— E daí? — perguntou Deb, a voz rouca. — Você está com pressa de voltar para o mundo real?
Moon abriu os olhos e sorriu, um sorriso que não tinha nada de provocação e tudo de carinho. Ela acariciou o rosto de Deb, o polegar passando pela linha do maxilar.
— Nem um pouco. Na verdade, eu acho que esse galpão é o meu lugar favorito no mundo agora.
Deb relaxou, encostando a testa no ombro de Moon. O peso do segredo que ela carregava parecia ter sumido, deixado para trás naquela poeira do galpão.
— Eu não sou "hétero", Moon — confessou Deb em um sussurro baixo, quase inaudível se não estivessem tão perto. — Eu só... eu não sabia como ser eu mesma perto de você sem perder o que a gente tinha.
Moon a abraçou apertado, escondendo o rosto no pescoço de Deb.
— Você nunca ia me perder, sua boba. Eu só estava esperando você perceber que a gente é muito melhor assim.
— Você é muito irritante — Deb riu, apertando o abraço.
— E você é louca por mim.
Deb se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Moon. Ela recuperou sua expressão engraçadinha e confiante, aquela que usava para esconder suas fraquezas, mas que agora era genuína.
— Talvez eu seja. Mas se você contar para alguém que eu fiquei toda sentimental aqui dentro, eu nego tudo e digo que foi a goteira que molhou meus olhos.
Moon riu alto, o som ecoando pelas vigas de metal.
— Combinado, "hétero" misteriosa. Seu segredo está a salvo comigo. Pelo menos até a gente chegar no refeitório e eu começar a implicar com você de novo.
— Eu não esperaria nada diferente de você — disse Deb, antes de puxá-la para mais um beijo, ignorando o fato de que a chuva já tinha parado completamente e que o resto da vida as esperava lá fora. Ali, naquele isolamento, elas finalmente tinham encontrado o ritmo certo.
Deb estava encostada em uma pilha de paletes, tentando ajustar a gola de sua jaqueta jeans oversized. Ela sempre se sentiu mais confortável assim, com roupas que escondiam suas curvas e uma postura que impunha um respeito quase fraternal. Mas, naquele momento, sua pose de "um dos caras" estava desmoronando. Seus dedos tremiam levemente, e ela os escondeu nos bolsos.
— Você vai ficar aí parada como se estivesse esperando um ônibus, ou vai me ajudar a decidir o que fazer com essa goteira? — A voz de Moon ecoou, carregada de um deboche suave que sempre fazia o estômago de Deb dar piruetas.
Moon estava sentada em cima de uma mesa de trabalho velha, balançando as pernas. Ela usava uma regata preta que deixava à mostra as tatuagens nos antebraços e o corte de cabelo sidecut que emoldurava seu rosto de forma perigosamente atraente. Moon era aberta, livre, pansexual e resolvida. Deb, por outro lado, vivia sob a fachada da "amiga hétero e durona", um papel que estava ficando cada vez mais difícil de sustentar.
— Não tem o que fazer, Moon. É um galpão caindo aos pedaços. A gente só precisa esperar a chuva passar para voltar pro campus — respondeu Deb, tentando manter a voz firme e grave.
— "A gente só precisa esperar" — Moon imitou, afinando a voz de um jeito engraçado, mas sem tirar os olhos de Deb. — Você é tão certinha às vezes, Deb. Chega a ser fofo. Ou irritante. Ainda não decidi.
Moon pulou da mesa e caminhou em direção a ela. O espaço entre as duas, que já era pequeno devido ao acúmulo de tralhas no galpão, pareceu encolher drasticamente. Deb sentiu as costas pressionarem a madeira dura dos paletes. Ela era mais alta que Moon, tinha ombros mais largos e uma presença física que geralmente intimidava as pessoas, mas Moon parecia imune a isso. Na verdade, Moon parecia se alimentar daquela energia.
— Eu não sou certinha. Só sou prática — rebateu Deb, forçando um sorriso de lado, sua marca registrada. — Diferente de certas pessoas que acham que a vida é um videoclipe de indie rock.
Moon parou a poucos centímetros dela. O calor que emanava do corpo da outra garota era quase palpável.
— Um videoclipe, é? — Moon inclinou a cabeça, um sorriso travesso brincando em seus lábios. — E qual seria o tema desse clipe? Tensão? Drama? Ou aquele clichê de duas pessoas presas em um lugar isolado enquanto o clima esquenta?
Deb sentiu o sangue subir para o rosto. Ela odiava o quanto era fácil para Moon desarmá-la.
— Você fala demais, Moon. É sério. Às vezes eu acho que você só quer ouvir a própria voz.
— E eu acho que você usa essa marra toda para esconder que está morrendo de vontade de me calar — Moon deu um passo final, eliminando qualquer distância. Ela colocou uma das mãos na parede de paletes, logo acima do ombro de Deb, cercando-a.
A respiração de Deb travou. Ela podia ver as pequenas sardas no nariz de Moon, o brilho divertido e desafiador em seus olhos escuros. A tensão sexual entre as duas não era algo novo — era um fio invisível que vinha sendo esticado há meses em cada piada interna, cada toque "acidental" e cada olhar prolongado. Mas ali, no silêncio do galpão, o fio parecia prestes a arrebentar.
— Você se acha muito, não acha? — sussurrou Deb, a voz perdendo a força. — Só porque todo mundo cai no seu papinho...
— Todo mundo, Deb? — Moon aproximou o rosto, o nariz quase roçando o de Deb. — Eu não me importo com todo mundo. Eu estou perguntando de você. Por que você fica toda tensa quando eu chego perto? Por que suas mãos estão suando agora?
— Minhas mãos não estão suando — mentiu Deb, embora sentisse as palmas úmidas dentro dos bolsos.
— Está mentindo — Moon murmurou, sua voz agora mais baixa, mais rouca. — Você é uma péssima mentirosa quando se trata de nós duas. Você se faz de durona, de "hétero convicta", de braço direito... mas seus olhos dizem outra coisa toda vez que eu beijo outra pessoa na sua frente.
Deb sentiu uma pontada de raiva misturada com desejo. A audácia de Moon era irritante, mas era exatamente o que a atraía. Deb sempre teve a atitude, sempre foi a que resolvia as coisas, a que protegia, mas com Moon, ela se sentia exposta.
— E o que meus olhos dizem, sabichona? — desafiou Deb, tentando retomar o controle, aproximando seu rosto de forma agressiva, mas parando a milímetros da boca de Moon.
— Eles dizem que você quer me beijar desde o primeiro dia em que a gente se viu naquela aula de artes — Moon não recuou. Pelo contrário, ela deslizou a mão livre pela jaqueta de Deb, sentindo o tecido rígido até chegar à gola, puxando-a levemente para baixo. — Eles dizem que você está cansada de fingir.
— Você é muito convencida — Deb riu, um som seco e nervoso, mas não se afastou. — E se eu quiser? O que você vai fazer? Continuar falando até eu dormir de tédio?
Moon soltou uma risadinha curta e deliciada.
— Ah, então a Deb tem garras. Eu sabia.
— Eu tenho mais do que garras, Moon. Só não tenho paciência para joguinhos.
— Ótimo — Moon sussurrou, a boca quase colada à de Deb. — Porque eu cansei de jogar.
O primeiro toque foi hesitante, um roçar de lábios que testava o terreno. Deb sentiu um choque percorrer sua espinha, uma descarga elétrica que a fez esquecer todas as defesas que construíra. No momento seguinte, a hesitação desapareceu. Deb agarrou a cintura de Moon com uma urgência que a surpreendeu, puxando-a para mais perto, enquanto Moon enroscava os dedos nos cabelos curtos da nuca de Deb.
O beijo era faminto, carregado de meses de palavras não ditas e negações frustradas. Moon tinha um gosto de chiclete de menta e de algo puramente ela, um calor que parecia incendiar o galpão frio. Deb, apesar da timidez inicial, assumiu a liderança com a atitude que lhe era natural, pressionando Moon contra a madeira, explorando cada curva com uma intensidade que fazia Moon soltar pequenos sons de aprovação contra seus lábios.
— Eu sabia... — arquejou Moon, quando se separaram por um segundo para respirar, as testas coladas. — Eu sabia que você era assim.
— Cala a boca, Moon — disse Deb, mas dessa vez havia um sorriso real em seu rosto, um brilho de libertação. — Você estraga o momento quando fala.
— Ah, é? Então me faz calar a boca de novo.
Deb não precisou de um segundo convite. Ela avançou novamente, dessa vez descendo os beijos pelo pescoço de Moon, sentindo a pele macia e o pulso acelerado da outra garota. Moon inclinou a cabeça para trás, os olhos fechados, entregando-se ao toque de Deb. A timidez de Deb havia evaporado, substituída por uma confiança crua. Ela a conhecia tão bem como amiga, mas descobri-la daquela forma era como ler um livro favorito em uma língua nova.
As mãos de Moon exploravam os ombros largos de Deb, descendo pelas costas, sentindo a força sob a jaqueta. Ela amava aquele contraste: a aparência mais masculina e protetora de Deb escondendo uma sensibilidade que só ela parecia capaz de acessar.
— Deb... — Moon murmurou, a voz trêmula. — A gente devia... a chuva está parando.
Deb parou por um momento, as mãos ainda firmes nos quadris de Moon. Ela olhou para a pequena janela no alto do galpão. A luz cinzenta estava começando a clarear, indicando que o temporal realmente diminuía.
— E daí? — perguntou Deb, a voz rouca. — Você está com pressa de voltar para o mundo real?
Moon abriu os olhos e sorriu, um sorriso que não tinha nada de provocação e tudo de carinho. Ela acariciou o rosto de Deb, o polegar passando pela linha do maxilar.
— Nem um pouco. Na verdade, eu acho que esse galpão é o meu lugar favorito no mundo agora.
Deb relaxou, encostando a testa no ombro de Moon. O peso do segredo que ela carregava parecia ter sumido, deixado para trás naquela poeira do galpão.
— Eu não sou "hétero", Moon — confessou Deb em um sussurro baixo, quase inaudível se não estivessem tão perto. — Eu só... eu não sabia como ser eu mesma perto de você sem perder o que a gente tinha.
Moon a abraçou apertado, escondendo o rosto no pescoço de Deb.
— Você nunca ia me perder, sua boba. Eu só estava esperando você perceber que a gente é muito melhor assim.
— Você é muito irritante — Deb riu, apertando o abraço.
— E você é louca por mim.
Deb se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Moon. Ela recuperou sua expressão engraçadinha e confiante, aquela que usava para esconder suas fraquezas, mas que agora era genuína.
— Talvez eu seja. Mas se você contar para alguém que eu fiquei toda sentimental aqui dentro, eu nego tudo e digo que foi a goteira que molhou meus olhos.
Moon riu alto, o som ecoando pelas vigas de metal.
— Combinado, "hétero" misteriosa. Seu segredo está a salvo comigo. Pelo menos até a gente chegar no refeitório e eu começar a implicar com você de novo.
— Eu não esperaria nada diferente de você — disse Deb, antes de puxá-la para mais um beijo, ignorando o fato de que a chuva já tinha parado completamente e que o resto da vida as esperava lá fora. Ali, naquele isolamento, elas finalmente tinham encontrado o ritmo certo.
