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Amores e lutas
Fandom: O sr dos aneis
Criado: 04/06/2026
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UA (Universo Alternativo)Fatias de VidaHumorAventuraEstudo de PersonagemRecontarFilme de Amigos
Sombras de Isengard e o Sino da Primeira Aula
A fachada da Escola Golden Stone não se parecia em nada com as descrições bucólicas do Condado ou com a elegância etérea de Valfenda. Era uma estrutura imponente de granito e vidro, cercada por jardins impecavelmente aparados que, de alguma forma, faziam Alice se sentir como se estivesse cruzando os portões de Minas Tirith em um dia de julgamento. O sol da manhã refletia nas janelas altas, cegando-a momentaneamente enquanto ela ajustava a alça da mochila pesada.
Alice respirou fundo, sentindo o cheiro de grama cortada e polimento de móveis. Ela ajeitou uma mecha de seu cabelo loiro ondulado atrás da orelha, sentindo o peso familiar do coque que costumava usar por baixo do protetor de cabeça no judô. Embora estivesse vestindo o uniforme da escola e não seu quimono surrado, ela se sentia em guarda. Para ela, novos ambientes eram como um tatame desconhecido: você não ataca até conhecer o alcance do oponente.
— Você está parecendo o Frodo encarando os Portões Negros, sabia? — A voz de Mateus veio logo atrás dela, carregada de um tom divertido que instantaneamente quebrou o transe de Alice.
Ela se virou para o irmão, que parecia irritantemente relaxado. Mateus era mais alto que ela, com o cabelo loiro liso caindo levemente sobre a testa, e exibia aquele meio sorriso que ele usava para disfarçar o próprio nervosismo. Embora não fosse de sair puxando conversa com estranhos, ele tinha o dom de encontrar humor no absurdo.
— Eu só estou analisando o terreno, Mateus — respondeu Alice, cruzando os braços. — E não são os Portões Negros. Está mais para a entrada de Isengard antes dos Ents destruírem tudo. Muito organizado, entende? Suspeito.
Mateus soltou uma risada curta e caminhou para o lado dela, parando para observar o fluxo de alunos que passava por eles.
— Bom, se o diretor aparecer montado em um cavalo branco e começar a falar sobre a união dos povos, eu juro que peço transferência — brincou ele, embora seus olhos estivessem atentos aos detalhes da arquitetura. — Vamos lá, faixa roxa. Se alguém tentar nos morder, a gente aplica um *ippon* e sai correndo.
Eles entraram no saguão principal, onde o mármore ecoava o som de centenas de conversas cruzadas. Para Alice, o barulho era opressor. Ela preferia o silêncio focado do dojô, onde o único som era o atrito dos pés no tapete e a respiração controlada. Ali, ela se sentia pequena, apesar de seus 1,65m e da força que cultivava nos treinos de judô.
— Sala 204, História da Terra Média e Sociedades Antigas — leu Mateus em seu cronograma, franzindo o cenho. — Pelo menos o currículo parece interessante. Será que eles ensinam como forjar anéis de poder no laboratório de química?
— Mateus, foca — repreendeu Alice, embora um pequeno sorriso tivesse escapado. — Temos que achar o armário e depois a sala. Não quero chegar atrasada no primeiro dia.
Enquanto caminhavam pelo corredor, Alice percebeu os olhares. Alguns eram curiosos, outros indiferentes. Ela se encolheu levemente, odiando ser o centro das atenções. Mateus, por outro lado, parecia estar contando os passos, mantendo a postura ereta de quem passou anos praticando quedas e rolamentos.
— Olha só — sussurrou Mateus, indicando um grupo de alunos mais velhos perto de uma estátua de bronze. — Aquele ali no canto parece o Boromir depois de uma noite mal dormida.
Alice olhou e conteve o riso. O rapaz em questão tinha um porte atlético e uma expressão permanentemente fechada.
— Não seja maldoso. Ele só parece... intenso.
— Intenso é o seu olhar quando você está prestes a me dar um *seoi-nage* — rebateu ele.
Eles finalmente encontraram a sala 204. O professor, um homem de barba grisalha e olhos que pareciam ter visto eras passarem, já estava organizando alguns mapas na lousa digital. O nome na placa da mesa dizia "Prof. Curunír", o que fez Alice trocar um olhar rápido com Mateus.
— Se ele começar a falar sobre a ordem das coisas e o poder das cores, eu saio pela janela — Mateus murmurou, sentando-se em uma das cadeiras do fundo.
Alice sentou-se ao lado dele, tirando seu caderno e uma caneta. Ela gostava de se sentar perto da parede; dava-lhe uma sensação de segurança, um ângulo de visão completo da sala.
— Bom dia, classe — disse o professor, sua voz ressoando com uma autoridade calma que silenciou o burburinho instantaneamente. — Vejo rostos novos hoje. Alice e Mateus, suponho?
Alice sentiu o sangue subir às bochechas. Ela apenas assentiu levemente, enquanto Mateus deu um aceno casual.
— Sejam bem-vindos à Golden Stone. Aqui, não estudamos apenas o passado; estudamos as forças que moldam o destino. Hoje, começaremos falando sobre a queda de Númenor e como a arrogância pode desmoronar impérios.
A aula seguiu de forma fascinante, e Alice se viu perdendo a timidez inicial enquanto mergulhava nos detalhes estratégicos das batalhas navais. Ela era inteligente e adorava táticas; para ela, a história era como uma grande luta de judô, onde o equilíbrio e a alavancagem decidiam o vencedor.
No entanto, o verdadeiro teste do primeiro dia veio no intervalo. O refeitório da Golden Stone era vasto e barulhento, um verdadeiro campo de batalha social.
— Mesa vazia às dez horas — anunciou Mateus, apontando para um canto mais afastado.
— Parece seguro — concordou Alice.
Eles se sentaram e começaram a comer em silêncio por alguns minutos, observando a dinâmica do lugar. Foi quando um grupo de três garotos se aproximou. O líder era o rapaz que Mateus chamara de "Boromir" mais cedo.
— Mesa ocupada, novatos — disse o rapaz, não com agressividade, mas com uma arrogância que fez os pelos da nuca de Alice se arrepiarem. — Este é o nosso lugar desde o semestre passado.
Mateus engoliu um pedaço de sua maçã e olhou para cima, mantendo a expressão calma.
— Engraçado — disse ele, com um tom de voz perfeitamente neutro. — Eu não vi nenhum brasão de família ou escritura de propriedade colada no chiclete embaixo da mesa.
Alice sentiu a tensão subir. Ela sabia que Mateus não estava tentando brigar, ele apenas não conseguia evitar ser irônico quando confrontado com absurdos. Ela, por sua vez, ajustou sua postura na cadeira, distribuindo o peso do corpo de forma que pudesse se levantar rapidamente se necessário. O reflexo da faixa roxa estava enraizado em seus ossos.
O rapaz franziu a testa, dando um passo à frente.
— Você é engraçadinho, loiro. Mas aqui as coisas funcionam de um jeito diferente.
— Mateus, não vale a pena — disse Alice em voz baixa, sua voz saindo firme apesar da timidez. — Podemos nos mudar.
— Não, Alice. Eu gosto da vista daqui — Mateus respondeu, olhando diretamente para o rapaz. — E, sinceramente, acho que há espaço para todos. É uma mesa para oito pessoas e vocês são três. A aritmética está a nosso favor.
O clima pesou. Outros alunos começaram a observar. Alice sentiu aquela descarga de adrenalina familiar, a mesma que sentia antes de uma competição. Ela avaliou a distância entre ela e o rapaz, notando que ele estava com o centro de gravidade muito alto. Um puxão rápido no braço e um giro de quadril o mandariam direto para o chão.
— O que está acontecendo aqui? — Uma voz feminina e autoritária cortou o ar.
Uma garota de cabelos escuros e olhos penetrantes, vestindo um broche que parecia uma estrela de prata, aproximou-se. Ela tinha uma aura de comando que lembrava Galadriel em seus momentos mais severos.
— Nada, Éowyn — resmungou o rapaz, embora o nome dela claramente não fosse esse, era como Mateus a apelidou mentalmente na hora. — Só estávamos explicando as regras da casa para os novos.
— As regras da casa dizem que ninguém é dono do refeitório, Boromir — rebateu a garota, cruzando os braços. — Voltem para a mesa de vocês antes que eu reporte esse comportamento ao Inspetor Aragorn.
O grupo de rapazes bufou e se retirou, lançando olhares de soslaio para Mateus, que apenas acenou com a maçã.
A garota se voltou para os dois irmãos.
— Desculpem por isso. Eles acham que a escola é o reino pessoal deles. Eu sou a Elanor, do conselho estudantil.
— Alice — disse ela, relaxando os ombros pela primeira vez no dia. — E este é o meu irmão, o Mateus. Ele tem um problema crônico de não saber quando ficar calado.
— Eu chamo isso de "manter a integridade do diálogo" — corrigiu Mateus, sorrindo para Elanor. — Obrigado pela intervenção. Eu estava quase tendo que usar diplomacia agressiva.
Elanor riu e se sentou por um momento com eles.
— Vocês são os novos alunos que fazem artes marciais, certo? O boato corre rápido.
— Judô — disse Alice, sentindo-se um pouco mais confiante. — Somos faixas roxas.
— Impressionante — comentou Elanor. — Vamos precisar de pessoas que saibam manter o equilíbrio por aqui. Esta escola pode ser um pouco... intensa. Como se estivéssemos sempre à beira de uma grande mudança.
O resto do dia passou de forma mais suave. Alice e Mateus caminharam pelos corredores com uma nova percepção. Eles não eram apenas "os novatos"; eram uma equipe.
Ao final da última aula, enquanto caminhavam em direção à saída, o sol da tarde banhava a Golden Stone com um tom alaranjado que lembrava as fogueiras de acampamento nas histórias que o pai deles contava.
— E aí? — perguntou Mateus, enquanto atravessavam o portão de granito. — Sobrevivemos ao primeiro dia na Terra Média moderna. O que achou?
Alice olhou para trás, vendo a silhueta da escola contra o céu. Ela sentia os músculos levemente tensos, mas sua mente estava em paz.
— Acho que vai ser interessante — admitiu ela. — Mas amanhã eu vou trazer meu protetor bucal. Só por precaução.
Mateus riu e passou o braço pelos ombros da irmã.
— Esse é o espírito. Mas admita, a minha piada sobre o Boromir foi certeira.
— Foi péssima, Mateus. Absolutamente terrível.
— Mas você quase riu.
— Quase não conta no judô e nem na vida — disse ela, embora estivesse sorrindo abertamente agora.
Enquanto se afastavam, dois jovens loiros sob a luz do entardecer, eles pareciam prontos para enfrentar qualquer jornada que aquela nova escola lhes reservasse. Afinal, como dizia o velho mestre no dojô, o caminho mais longo começa com um único passo — ou, no caso deles, com uma maçã e um pouco de ironia em um refeitório lotado.
— Ei, Alice? — Mateus parou por um segundo antes de entrarem no carro.
— O quê?
— Acha que a cafeteria serve *lembas*? Estou morrendo de fome.
Alice revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o carinho.
— Vamos para casa, Mateus. Eu faço um sanduíche para você. Um sanduíche digno de um rei.
— Com bacon? — perguntou ele, esperançoso.
— Com muito bacon.
E assim, o primeiro capítulo da história deles na Golden Stone se encerrou, não com uma batalha épica, mas com a promessa de que, contanto que estivessem juntos, nenhuma sombra — ou valentão de refeitório — seria capaz de detê-los.
Alice respirou fundo, sentindo o cheiro de grama cortada e polimento de móveis. Ela ajeitou uma mecha de seu cabelo loiro ondulado atrás da orelha, sentindo o peso familiar do coque que costumava usar por baixo do protetor de cabeça no judô. Embora estivesse vestindo o uniforme da escola e não seu quimono surrado, ela se sentia em guarda. Para ela, novos ambientes eram como um tatame desconhecido: você não ataca até conhecer o alcance do oponente.
— Você está parecendo o Frodo encarando os Portões Negros, sabia? — A voz de Mateus veio logo atrás dela, carregada de um tom divertido que instantaneamente quebrou o transe de Alice.
Ela se virou para o irmão, que parecia irritantemente relaxado. Mateus era mais alto que ela, com o cabelo loiro liso caindo levemente sobre a testa, e exibia aquele meio sorriso que ele usava para disfarçar o próprio nervosismo. Embora não fosse de sair puxando conversa com estranhos, ele tinha o dom de encontrar humor no absurdo.
— Eu só estou analisando o terreno, Mateus — respondeu Alice, cruzando os braços. — E não são os Portões Negros. Está mais para a entrada de Isengard antes dos Ents destruírem tudo. Muito organizado, entende? Suspeito.
Mateus soltou uma risada curta e caminhou para o lado dela, parando para observar o fluxo de alunos que passava por eles.
— Bom, se o diretor aparecer montado em um cavalo branco e começar a falar sobre a união dos povos, eu juro que peço transferência — brincou ele, embora seus olhos estivessem atentos aos detalhes da arquitetura. — Vamos lá, faixa roxa. Se alguém tentar nos morder, a gente aplica um *ippon* e sai correndo.
Eles entraram no saguão principal, onde o mármore ecoava o som de centenas de conversas cruzadas. Para Alice, o barulho era opressor. Ela preferia o silêncio focado do dojô, onde o único som era o atrito dos pés no tapete e a respiração controlada. Ali, ela se sentia pequena, apesar de seus 1,65m e da força que cultivava nos treinos de judô.
— Sala 204, História da Terra Média e Sociedades Antigas — leu Mateus em seu cronograma, franzindo o cenho. — Pelo menos o currículo parece interessante. Será que eles ensinam como forjar anéis de poder no laboratório de química?
— Mateus, foca — repreendeu Alice, embora um pequeno sorriso tivesse escapado. — Temos que achar o armário e depois a sala. Não quero chegar atrasada no primeiro dia.
Enquanto caminhavam pelo corredor, Alice percebeu os olhares. Alguns eram curiosos, outros indiferentes. Ela se encolheu levemente, odiando ser o centro das atenções. Mateus, por outro lado, parecia estar contando os passos, mantendo a postura ereta de quem passou anos praticando quedas e rolamentos.
— Olha só — sussurrou Mateus, indicando um grupo de alunos mais velhos perto de uma estátua de bronze. — Aquele ali no canto parece o Boromir depois de uma noite mal dormida.
Alice olhou e conteve o riso. O rapaz em questão tinha um porte atlético e uma expressão permanentemente fechada.
— Não seja maldoso. Ele só parece... intenso.
— Intenso é o seu olhar quando você está prestes a me dar um *seoi-nage* — rebateu ele.
Eles finalmente encontraram a sala 204. O professor, um homem de barba grisalha e olhos que pareciam ter visto eras passarem, já estava organizando alguns mapas na lousa digital. O nome na placa da mesa dizia "Prof. Curunír", o que fez Alice trocar um olhar rápido com Mateus.
— Se ele começar a falar sobre a ordem das coisas e o poder das cores, eu saio pela janela — Mateus murmurou, sentando-se em uma das cadeiras do fundo.
Alice sentou-se ao lado dele, tirando seu caderno e uma caneta. Ela gostava de se sentar perto da parede; dava-lhe uma sensação de segurança, um ângulo de visão completo da sala.
— Bom dia, classe — disse o professor, sua voz ressoando com uma autoridade calma que silenciou o burburinho instantaneamente. — Vejo rostos novos hoje. Alice e Mateus, suponho?
Alice sentiu o sangue subir às bochechas. Ela apenas assentiu levemente, enquanto Mateus deu um aceno casual.
— Sejam bem-vindos à Golden Stone. Aqui, não estudamos apenas o passado; estudamos as forças que moldam o destino. Hoje, começaremos falando sobre a queda de Númenor e como a arrogância pode desmoronar impérios.
A aula seguiu de forma fascinante, e Alice se viu perdendo a timidez inicial enquanto mergulhava nos detalhes estratégicos das batalhas navais. Ela era inteligente e adorava táticas; para ela, a história era como uma grande luta de judô, onde o equilíbrio e a alavancagem decidiam o vencedor.
No entanto, o verdadeiro teste do primeiro dia veio no intervalo. O refeitório da Golden Stone era vasto e barulhento, um verdadeiro campo de batalha social.
— Mesa vazia às dez horas — anunciou Mateus, apontando para um canto mais afastado.
— Parece seguro — concordou Alice.
Eles se sentaram e começaram a comer em silêncio por alguns minutos, observando a dinâmica do lugar. Foi quando um grupo de três garotos se aproximou. O líder era o rapaz que Mateus chamara de "Boromir" mais cedo.
— Mesa ocupada, novatos — disse o rapaz, não com agressividade, mas com uma arrogância que fez os pelos da nuca de Alice se arrepiarem. — Este é o nosso lugar desde o semestre passado.
Mateus engoliu um pedaço de sua maçã e olhou para cima, mantendo a expressão calma.
— Engraçado — disse ele, com um tom de voz perfeitamente neutro. — Eu não vi nenhum brasão de família ou escritura de propriedade colada no chiclete embaixo da mesa.
Alice sentiu a tensão subir. Ela sabia que Mateus não estava tentando brigar, ele apenas não conseguia evitar ser irônico quando confrontado com absurdos. Ela, por sua vez, ajustou sua postura na cadeira, distribuindo o peso do corpo de forma que pudesse se levantar rapidamente se necessário. O reflexo da faixa roxa estava enraizado em seus ossos.
O rapaz franziu a testa, dando um passo à frente.
— Você é engraçadinho, loiro. Mas aqui as coisas funcionam de um jeito diferente.
— Mateus, não vale a pena — disse Alice em voz baixa, sua voz saindo firme apesar da timidez. — Podemos nos mudar.
— Não, Alice. Eu gosto da vista daqui — Mateus respondeu, olhando diretamente para o rapaz. — E, sinceramente, acho que há espaço para todos. É uma mesa para oito pessoas e vocês são três. A aritmética está a nosso favor.
O clima pesou. Outros alunos começaram a observar. Alice sentiu aquela descarga de adrenalina familiar, a mesma que sentia antes de uma competição. Ela avaliou a distância entre ela e o rapaz, notando que ele estava com o centro de gravidade muito alto. Um puxão rápido no braço e um giro de quadril o mandariam direto para o chão.
— O que está acontecendo aqui? — Uma voz feminina e autoritária cortou o ar.
Uma garota de cabelos escuros e olhos penetrantes, vestindo um broche que parecia uma estrela de prata, aproximou-se. Ela tinha uma aura de comando que lembrava Galadriel em seus momentos mais severos.
— Nada, Éowyn — resmungou o rapaz, embora o nome dela claramente não fosse esse, era como Mateus a apelidou mentalmente na hora. — Só estávamos explicando as regras da casa para os novos.
— As regras da casa dizem que ninguém é dono do refeitório, Boromir — rebateu a garota, cruzando os braços. — Voltem para a mesa de vocês antes que eu reporte esse comportamento ao Inspetor Aragorn.
O grupo de rapazes bufou e se retirou, lançando olhares de soslaio para Mateus, que apenas acenou com a maçã.
A garota se voltou para os dois irmãos.
— Desculpem por isso. Eles acham que a escola é o reino pessoal deles. Eu sou a Elanor, do conselho estudantil.
— Alice — disse ela, relaxando os ombros pela primeira vez no dia. — E este é o meu irmão, o Mateus. Ele tem um problema crônico de não saber quando ficar calado.
— Eu chamo isso de "manter a integridade do diálogo" — corrigiu Mateus, sorrindo para Elanor. — Obrigado pela intervenção. Eu estava quase tendo que usar diplomacia agressiva.
Elanor riu e se sentou por um momento com eles.
— Vocês são os novos alunos que fazem artes marciais, certo? O boato corre rápido.
— Judô — disse Alice, sentindo-se um pouco mais confiante. — Somos faixas roxas.
— Impressionante — comentou Elanor. — Vamos precisar de pessoas que saibam manter o equilíbrio por aqui. Esta escola pode ser um pouco... intensa. Como se estivéssemos sempre à beira de uma grande mudança.
O resto do dia passou de forma mais suave. Alice e Mateus caminharam pelos corredores com uma nova percepção. Eles não eram apenas "os novatos"; eram uma equipe.
Ao final da última aula, enquanto caminhavam em direção à saída, o sol da tarde banhava a Golden Stone com um tom alaranjado que lembrava as fogueiras de acampamento nas histórias que o pai deles contava.
— E aí? — perguntou Mateus, enquanto atravessavam o portão de granito. — Sobrevivemos ao primeiro dia na Terra Média moderna. O que achou?
Alice olhou para trás, vendo a silhueta da escola contra o céu. Ela sentia os músculos levemente tensos, mas sua mente estava em paz.
— Acho que vai ser interessante — admitiu ela. — Mas amanhã eu vou trazer meu protetor bucal. Só por precaução.
Mateus riu e passou o braço pelos ombros da irmã.
— Esse é o espírito. Mas admita, a minha piada sobre o Boromir foi certeira.
— Foi péssima, Mateus. Absolutamente terrível.
— Mas você quase riu.
— Quase não conta no judô e nem na vida — disse ela, embora estivesse sorrindo abertamente agora.
Enquanto se afastavam, dois jovens loiros sob a luz do entardecer, eles pareciam prontos para enfrentar qualquer jornada que aquela nova escola lhes reservasse. Afinal, como dizia o velho mestre no dojô, o caminho mais longo começa com um único passo — ou, no caso deles, com uma maçã e um pouco de ironia em um refeitório lotado.
— Ei, Alice? — Mateus parou por um segundo antes de entrarem no carro.
— O quê?
— Acha que a cafeteria serve *lembas*? Estou morrendo de fome.
Alice revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o carinho.
— Vamos para casa, Mateus. Eu faço um sanduíche para você. Um sanduíche digno de um rei.
— Com bacon? — perguntou ele, esperançoso.
— Com muito bacon.
E assim, o primeiro capítulo da história deles na Golden Stone se encerrou, não com uma batalha épica, mas com a promessa de que, contanto que estivessem juntos, nenhuma sombra — ou valentão de refeitório — seria capaz de detê-los.
