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Entre o caos e o verão

Fandom: bts

Criado: 04/06/2026

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Território em Guerra e o Cheiro de Maresia

O sol de meio-dia castigava o asfalto da estrada costeira, mas dentro do SUV preto, o ar-condicionado no máximo mal dava conta de esfriar os ânimos. Kim Taehyung tamborilava os dedos no volante, os óculos de sol escondendo o brilho de antecipação em seus olhos. Ao seu lado, Namjoon conferia o GPS pela décima vez, enquanto no banco de trás, Yoongi parecia dormir — embora todos soubessem que ele estava apenas ignorando a existência humana — e San revisava a lista de compras para o primeiro churrasco da temporada.

— Eu só estou dizendo que, se a piscina não tiver pelo menos dois metros de profundidade, eu vou exigir um desconto — declarou Taehyung, fazendo uma curva acentuada que quase jogou San para cima de Yoongi.

— Foca na estrada, Tae — Namjoon suspirou, ajustando os óculos no rosto. — A casa é uma das melhores da região. O corretor garantiu que teríamos privacidade total. Dois meses sem ver ninguém conhecido, sem estresse, apenas nós quatro e o mar.

— E sem aqueles idiotas para estragar o nosso verão — San acrescentou com um sorriso convencido. — Ouvi dizer que o Jungkook e o grupinho dele alugaram um chalé caindo aos pedaços do outro lado da ilha.

Taehyung soltou uma risada anasalada. A simples menção ao nome de Jeon Jungkook fazia seu sangue circular mais rápido. A rivalidade entre eles era quase uma entidade viva, alimentada por anos de competições de natação, debates acadêmicos acalorados e disputas por quem conseguia a melhor mesa no refeitório da faculdade. Para Taehyung, o verão só seria perfeito se ele soubesse que estava se divertindo mais do que o seu nêmesis.

Quando o portão de ferro da mansão se abriu, os quatro ficaram em silêncio. A propriedade era monumental. Paredes de vidro, uma varanda que parecia flutuar sobre as rochas e uma piscina de borda infinita que se fundia com o azul do oceano.

— Finalmente — murmurou Yoongi, abrindo um olho. — Paz.

Mas a paz durou exatamente três minutos.

Enquanto Taehyung tirava a primeira mala do porta-malas, o som de um motor potente e barulhento ecoou pela subida da garagem. Um jipe branco, conversível e carregado de pranchas de surfe, freou bruscamente logo atrás do carro deles, levantando uma nuvem de poeira.

Taehyung travou o maxilar. Ele reconheceria aquela risada em qualquer lugar do mundo.

Do jipe, saltou Park Jimin, sacudindo o cabelo loiro, seguido por um Jung Hoseok que já parecia pronto para uma festa. Kim Seokjin saiu do banco do passageiro ajustando a gola de sua camisa de linho caríssima, e, por fim, o motorista desceu.

Jeon Jungkook.

Ele usava uma regata branca que deixava as tatuagens do braço à mostra e um boné virado para trás. Ao ver Taehyung parado ali, o sorriso de Jungkook desapareceu instantaneamente, sendo substituído por uma expressão de puro choque que rapidamente se transformou em desprezo.

— O que vocês estão fazendo na nossa casa? — Jungkook perguntou, dando um passo à frente e cruzando os braços.

Taehyung soltou a mala no chão com um baque surdo e caminhou até o limite do espaço entre os carros.

— "Sua" casa? Você deve ter batido a cabeça no volante, Jeon. Essa mansão foi alugada por nós há três meses. Saiam daqui antes que eu chame o segurança que, tecnicamente, eu estou pagando.

— Você está delirando — interveio Seokjin, aproximando-se com um tablet na mão. — Eu fiz a reserva pessoalmente. Casa 42, Ponta do Penhasco. De hoje até o final de agosto. Aqui está o comprovante.

Namjoon, mantendo a calma que lhe era característica, pegou o próprio celular e abriu o e-mail de confirmação.

— Tem algum erro aqui. Nós temos o mesmo endereço, a mesma data e o mesmo código de acesso.

Os oito jovens se agruparam no pátio, a tensão subindo como o vapor do asfalto quente. Jimin e Yoongi trocaram olhares que poderiam cortar aço. Hoseok e San se mediam de cima a baixo, lembrando-se da última final de vôlei onde quase saíram no soco.

— Eu não vou dividir o teto com o Taehyung — Jungkook afirmou, a voz subindo de tom. — Prefiro dormir no carro.

— Ótimo, o carro é todo seu — Taehyung rebateu, aproximando-se o suficiente para que Jungkook sentisse o perfume dele. — Porque eu não vou arredar o pé daqui. Eu planejei esse verão para ser perfeito, e isso inclui não ter que olhar para a sua cara de perdedor todos os dias.

— Perdedor? — Jungkook riu, uma risada seca e sem humor. — Quem foi que ficou em segundo lugar no torneio de tiro ao alvo no mês passado? Ah, é. Foi você.

— Por causa de uma distração barata que você causou!

— Chega! — Namjoon gritou, sua voz de líder ecoando pelas paredes de pedra da mansão. — Seokjin, liga para a agência. Agora.

Os próximos trinta minutos foram um caos de ligações frenéticas e discussões acaloradas ao telefone. O veredito, porém, foi o pior possível. Houve uma falha no sistema da plataforma de aluguel de luxo. A casa foi anunciada em dois sites diferentes que não sincronizaram. Como era alta temporada e a região estava lotada, não havia um único quarto de hotel disponível num raio de cem quilômetros, muito menos outra mansão. O reembolso levaria dias para ser processado, e nenhum dos grupos tinha intenção de voltar para a cidade e admitir derrota.

— Eles sugeriram que dividíssemos a casa — disse Seokjin, desligando o celular com uma expressão de puro desgosto. — Disseram que, como a mansão tem oito suítes, há espaço suficiente.

— Nem pensar — disseram Taehyung e Jungkook em uníssono.

— Escutem aqui — Yoongi falou, finalmente saindo da sombra de uma árvore. — Eu dirigi por cinco horas. Eu estou com fome, estou com calor e não vou voltar para Seul. A casa é enorme. Se cada um ficar no seu canto, talvez a gente não se mate até segunda-feira.

— Eu concordo com o Yoongi — Jimin disse, surpreendendo a todos. — Eu não vou perder minhas férias por causa de uma briga de ego entre o Jungkook e o Taehyung. Eu fico com a suíte com vista para o leste.

— Ah, mas não vai mesmo! — San protestou. — Essa é a melhor suíte, e nós chegamos primeiro.

— Chegamos ao mesmo tempo! — Hoseok rebateu. — Eu vi o pneu do seu carro cruzar a linha do portão um segundo antes do nosso, isso não conta nada!

O que se seguiu foi uma corrida desordenada para dentro da casa. Taehyung e Jungkook dispararam na frente, subindo as escadas de mármore como se estivessem em uma maratona olímpica.

Taehyung alcançou a porta da suíte master primeiro, mas Jungkook colocou o pé entre a porta e o batente antes que ele pudesse trancá-la.

— Sai, Jeon! — Taehyung empurrava a porta com todo o peso do corpo.

— Nem morto! — Jungkook forçou a entrada, conseguindo invadir o quarto. — Esse quarto é o dobro dos outros. Eu preciso de espaço para os meus equipamentos de treino.

— E eu preciso de espaço para as minhas roupas e meu cavalete! — Taehyung bufou, soltando a porta e encarando o outro. — Você é tão egoísta. Sempre quer o melhor de tudo.

— Olha quem fala! O príncipe de Daegu que não pode ver um espelho sem se elogiar por meia hora.

Eles estavam perigosamente próximos. Taehyung conseguia ver as pequenas gotas de suor na têmpora de Jungkook e o brilho desafiador em suas pupilas escuras. O ar entre eles parecia carregar uma voltagem elétrica, uma mistura de ódio antigo e algo que nenhum dos dois ousava nomear.

— Vamos dividir — Taehyung propôs subitamente, sua voz baixando para um tom perigosamente suave.

Jungkook franziu a testa.

— O quê?

— O quarto. Vamos dividir. Tem uma cama king size que cabe três pessoas. A gente coloca uma barreira de travesseiros no meio. Eu não vou ceder este quarto para você, e sei que você não vai sair. Então, vamos transformar isso aqui em uma zona de guerra compartilhada.

Jungkook semicerrou os olhos, analisando a proposta.

— Se você tocar nas minhas coisas, eu jogo você da varanda.

— E se você roncar, eu te sufoco com o travesseiro — Taehyung sorriu, mas não era um sorriso gentil. Era um aviso.

Enquanto isso, no andar de baixo, a cozinha era o novo campo de batalha. Seokjin e Namjoon discutiam sobre a organização da geladeira.

— Não, Namjoon! As proteínas ficam na prateleira de baixo para não contaminar os vegetais caso algo vaze — Seokjin explicava, gesticulando dramaticamente. — É ciência básica de cozinha!

— Eu sou doutorando, Seokjin, eu sei o que é contaminação cruzada — Namjoon respondeu, tentando manter a paciência. — Mas nós compramos metade da geladeira e vocês a outra metade. É mais lógico dividir por lado, não por tipo de alimento.

— Lógica não enche barriga, organização sim! — Seokjin bateu o pé.

Perto da piscina, Jimin havia estendido sua toalha exatamente sobre o lugar onde Yoongi planejava colocar sua cadeira de descanso.

— Você tem o jardim inteiro — Yoongi disse, parado de braços cruzados, olhando para o loiro que já estava de olhos fechados, aproveitando o sol.

— Mas aqui bate o melhor sol para o bronzeado — Jimin respondeu sem abrir os olhos. — Por que você não vai para aquela sombra ali? Combina mais com a sua aura de vampiro rabugento.

Yoongi soltou um suspiro pesado, mas, em vez de sair, arrastou sua cadeira para apenas alguns centímetros da de Jimin e ligou sua música no volume máximo. Jimin soltou um resmungo irritado, mas não se moveu.

Hoseok e San eram os únicos que pareciam minimamente civilizados, embora a competição estivesse no ar. Eles estavam na garagem, decidindo quem usaria a única prancha de stand-up paddle disponível na casa.

— Que tal um desafio? — San sugeriu, girando a chave do jipe no dedo. — Quem fizer mais embaixadinhas com a bola de futebol fica com a prancha amanhã de manhã.

Hoseok sorriu, um brilho competitivo surgindo em seus olhos.

— Você está pedindo para perder, San. Eu fui capitão do time da escola.

— E eu fui o atacante que marcou o gol da vitória contra o seu time — San rebateu com uma piscadela.

A primeira noite na mansão foi marcada por um silêncio tenso durante o jantar, que foi preparado em duas panelas separadas, em dois lados opostos do fogão industrial. Taehyung observava Jungkook mastigar com uma intensidade quase agressiva, enquanto Jungkook evitava olhar para Taehyung para não perder o apetite.

— Regra número um — Namjoon anunciou, batendo com o garfo no copo para atrair a atenção de todos. — Ninguém entra no quarto do outro sem bater.

— Regra número dois — Seokjin acrescentou. — A cozinha deve ser limpa imediatamente após o uso. Eu não sou empregado de ninguém.

— Regra número três — Taehyung disse, olhando fixamente para Jungkook. — Nada de música alta depois das onze. Algumas pessoas valorizam o sono de beleza.

— Regra número quatro — Jungkook rebateu instantaneamente. — O ginásio de esportes é meu das seis às oito da manhã. Se eu vir um pincel ou uma tela lá dentro, eu vou usar como alvo de dardo.

— Você não se atreveria — Taehyung sibilou.

— Tenta a sorte, Kim.

O clima estava tão pesado que até a brisa marinha parecia ter dificuldade em entrar pelas janelas abertas. Eram oito personalidades fortes, quatro rivalidades consolidadas e sessenta dias pela frente.

Mais tarde, quando todos já haviam se recolhido, Taehyung entrou na suíte master e encontrou Jungkook apenas de calça de moletom, jogado no lado esquerdo da cama, mexendo no celular. A luz da lua entrava pelo janelão de vidro, iluminando os contornos dos músculos das costas de Jungkook. Taehyung sentiu um aperto estranho no estômago, que ele atribuiu rapidamente à raiva.

— O lado direito é meu — Taehyung disse, jogando sua necessaire sobre a cama.

Jungkook nem levantou o olhar.

— Tanto faz. Só apaga a luz.

Taehyung deitou-se, sentindo o colchão afundar. O espaço entre eles era grande, mas a consciência da presença um do outro era esmagadora.

— Eu vou tornar a sua vida um inferno nestas férias, Jungkook — Taehyung sussurrou no escuro.

Houve uma pequena pausa antes de Jungkook responder, sua voz rouca e carregada de uma promessa perigosa.

— Eu estava contando com isso, Taehyung. Boa noite.

Do lado de fora, as ondas quebravam contra as rochas com violência, antecipando a tempestade que, cedo ou tarde, atingiria aquela casa. O verão estava apenas começando, e a guerra estava longe de terminar. Na verdade, as batalhas mais intensas ainda nem haviam sido travadas, e as feridas mais profundas seriam aquelas que nenhum deles esperava abrir.

Entre discussões por horários de banho e disputas por espaço na despensa, a mansão à beira-mar tornara-se um tabuleiro de xadrez onde cada movimento era calculado. Mas, em um jogo onde todos queriam vencer, o maior perigo era esquecer que, às vezes, a derrota é o único caminho para algo muito mais real.

Naquela noite, ninguém dormiu verdadeiramente bem. O som do mar era constante, mas eram os batimentos cardíacos acelerados e os pensamentos de revanche que mantinham os oito jovens alertas. O verão prometia ser longo, quente e, acima de tudo, inesquecível.
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