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Fandom: Nenhum
Criado: 05/06/2026
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RomanceDramaAngústiaDetetiveCrimeHistória DomésticaPsicológicoCiúmesSuspenseDor/ConfortoSombrioEstudo de PersonagemAçãoViolência GráficaMistérioLinguagem Explícita
Entre Tintas e Sombras
O silêncio no apartamento de luxo de Emanuel era um artigo raro, mas naquela manhã de terça-feira, ele parecia pesado, carregado pela tensão que emanava do escritório. Emanuel estava curvado sobre a mesa de carvalho escuro, os olhos fixos em fotografias de cenas de crimes que fariam qualquer estômago revirar. Como investigador de elite, ele lidava com o pior da humanidade; como tatuador e empresário, lidava com a estética e o controle. O contraste era o que o mantinha funcional, mas o caso atual — um assassino em série que deixava marcas geométricas em suas vítimas — estava drenando suas últimas reservas de paciência.
A porta do escritório se abriu sem que ninguém batesse. Sara entrou, o barulho de seus saltos agulha ecoando no piso de porcelanato. Ela usava um vestido de seda vermelho, curto e justo, que acentuava cada curva realçada pelo silicone. O cabelo loiro estava impecavelmente escovado, caindo em ondas sobre os ombros.
— Você vai acabar tendo um aneurisma se continuar olhando para esses monstros, Manu — disse ela, aproximando-se e deixando uma pasta de couro sobre a mesa. — Aqui estão os relatórios financeiros das unidades de Londres e Tóquio. A equipe de administração já revisou, mas eu dei o meu toque. O lucro subiu 15% este mês.
Emanuel levantou o olhar, as olheiras profundas contrastando com a expressão rígida. Ele esticou o braço, puxando Sara pela cintura para um beijo rápido, mas possessivo.
— Você é eficiente, Sara. Eu não sei o que faria sem você cuidando do império enquanto eu caço demônios.
Sara sorriu, uma expressão de triunfo brilhando em seus olhos. Ela adorava ser indispensável.
— Eu sei. Agora, vê se descansa. As meninas estão acordando e a "sua outra" deve chegar a qualquer momento para o café.
Emanuel suspirou, a menção a Eduarda trazendo uma mistura de conforto e irritação latente.
— Ela ainda não me deu uma resposta sobre a mudança, Sara.
— E nem vai dar tão cedo, querido — provocou Sara, afastando-se para conferir o batom no reflexo de um quadro. — Eduarda é um passarinho assustado. Ela prefere o ninho dos pais do que enfrentar a realidade de uma casa de verdade. Comigo e com as crianças. Ela é manhosa demais para ser mulher de um homem como você, mas quem sou eu para julgar seus gostos exóticos?
Antes que Emanuel pudesse responder, o interfone tocou. Poucos minutos depois, Eduarda entrou na sala. Ela parecia uma visão de suavidade: usava uma saia plissada em tom pastel e uma blusa de tricô leve. O cabelo castanho estava preso em um coque frouxo, e seus olhos grandes e expressivos brilhavam com uma timidez que nunca desaparecia, mesmo após dois anos de relacionamento.
— Oi... — sussurrou ela, aproximando-se de Emanuel com passos leves de bailarina. — Atrapalho?
Emanuel se levantou imediatamente, sua postura endurecida suavizando-se apenas para ela. Ele a envolveu em um abraço protetor, sentindo o cheiro de baunilha que ela exalava.
— Nunca, Duda. Eu estava esperando por você.
— Oi para você também, Sara — disse Eduarda, com a voz pequena, buscando o olhar da loira.
— Bom dia, querida — respondeu Sara, com um tom de ironia quase imperceptível. — Chegou a tempo de ajudar com as feras. Ágata já está exigindo atenção e Maya... bem, Maya provavelmente está chorando por nada, como sempre.
Eduarda sentiu uma pontada no peito. Ela amava as gêmeas como se fossem suas, mas a conexão com Maya era algo místico. Enquanto Ágata era a imagem de Sara — independente, barulhenta e já demonstrando uma vaidade precoce aos oito meses —, Maya era o espelho da alma de Eduarda.
No berçário, o choro baixinho de Maya cessou no instante em que Eduarda entrou no quarto. A bebê, com seus fios castanhos e olhos úmidos, esticou os bracinhos gordinhos para a jovem estudante de História da Arte.
— Vem cá, meu anjinho — murmurou Eduarda, pegando a bebê e aninhando-a no pescoço. — A tia Duda está aqui.
Sara, que vinha logo atrás com Ágata no colo — a bebê loira já tentando puxar os colares de ouro da mãe —, revirou os olhos.
— É impressionante. Ela é sua cópia cuspida e escarrada, Eduarda. Sensível, chorona e grudenta. Eu juro que tentei fazer dela uma menina forte, mas ela se desmancha por qualquer coisa.
— Ela só é sensível, Sara — defendeu Eduarda, balançando Maya suavemente. — Ela sente o mundo de um jeito mais intenso. Não é um defeito.
— Para mim, é fraqueza — retrucou Sara, embora houvesse um brilho de cuidado no modo como ela segurava Ágata. — Ágata, por outro lado, já sabe o que quer. Não é, minha mini diva?
Emanuel apareceu na porta, observando a cena. Aquela era a imagem que ele queria todos os dias: suas duas mulheres e suas filhas sob o mesmo teto. A frustração de ter Eduarda apenas por algumas horas ou dias na semana era uma ferida aberta em sua necessidade de controle.
— Duda — chamou ele, a voz firme. — Precisamos conversar sobre o quarto de hóspedes. Eu mandei os arquitetos limparem tudo. Quero que você traga suas coisas de dança e seus livros esta semana.
Eduarda estremeceu levemente, apertando Maya contra o peito.
— Emanuel... nós já falamos sobre isso. Meus pais... eles gostam de me ter por perto, e eu ainda tenho as aulas presenciais na faculdade, é mais perto de lá...
— Chega de desculpas — cortou ele, a rigidez de investigador assumindo o controle. — Eu tenho recursos para te levar e buscar onde você quiser. Eu sou um homem rico, Eduarda. Eu sou um homem perigoso por causa do meu trabalho. Eu quero você aqui, onde eu possa te proteger. Onde eu possa ver você e a Sara convivendo como uma família.
— Ela não está pronta, Manu — alfinetou Sara, sentando-se na poltrona de amamentação com Ágata. — Ela tem medo de mim. Ou talvez tenha medo de crescer.
— Não é medo — disse Eduarda, os olhos começando a lacrimejar. — É que... tudo é muito rápido. Você já tem uma vida montada com a Sara. Eu me sinto uma intrusa às vezes.
Emanuel caminhou até ela, ignorando o choro iminente. Ele tocou o rosto de Eduarda com a mão calejada, o polegar acariciando a pele macia.
— Você não é uma intrusa. Você é parte de mim. Mas minha paciência está no limite, Duda. O caso que estou investigando... as coisas estão ficando feias. Eu não quero você sozinha naquela casa, mesmo com seus pais.
— Meus pais são jovens, eles entendem a gente, mas... — Eduarda tentou argumentar, mas a força de vontade de Emanuel era uma barreira intransponível.
— Sem "mas". No próximo final de semana, eu mesmo vou buscar suas malas.
O clima na sala pesou. Sara observava a cena com um sorriso de lado, satisfeita por ver Emanuel exercendo autoridade, mas secretamente irritada por ele desejar tanto a presença da "sonsa", como ela chamava Eduarda mentalmente. Para Sara, ela era a rainha do castelo, a mulher que entendia os negócios, que gerava lucro e que lidava com o temperamento explosivo dele. Eduarda era apenas o refúgio doce, a sobremesa que Emanuel não conseguia abandonar.
— Por que você não vai para a cozinha preparar o café, Duda? — sugeriu Sara, mudando o foco. — A cozinheira saiu para o mercado. E você sabe que o Manu gosta do jeito que você faz as torradas.
Eduarda assentiu, grata pela oportunidade de sair do centro do conflito. Ela colocou Maya, que já bocejava, no cercadinho e saiu do quarto em silêncio.
Emanuel ficou para trás, observando Sara.
— Você não ajuda, Sara. Fica provocando ela.
— Eu falo a verdade, Emanuel. Você a trata como uma boneca de porcelana. Se quer que ela more aqui, ela tem que aprender que a vida não é um balé clássico. Aqui o ritmo é outro.
Emanuel suspirou, passando a mão pelo cabelo curto. O estresse do caso de assassinato latejava em suas têmporas.
— Eu só quero ordem. Quero minhas filhas seguras e minhas mulheres juntas. É pedir muito?
— É pedir o impossível para uma garota que ainda pede permissão aos pais para dormir fora — riu Sara, levantando-se com Ágata, que começou a balbuciar algo que parecia uma ordem. — Mas não se preocupe. Se ela vier, eu dou um jeito de transformar aquela manteiga derretida em algo útil.
Enquanto isso, na cozinha, Eduarda deixava as lágrimas caírem silenciosamente enquanto preparava o café. Ela amava Emanuel com uma intensidade que a assustava. Amava o modo como ele a protegia, o modo como suas mãos de tatuador, cheias de arte e cicatrizes, podiam ser tão gentis com ela. Mas a presença vibrante e esmagadora de Sara, somada à pressão de Emanuel, a fazia sentir que estava se afogando em um mar de expectativas.
Maya, no quarto, começou a chorar novamente. Não era um choro de fome ou dor, era o choro de quem sentia a falta de uma conexão específica.
Eduarda limpou o rosto rapidamente e voltou para o corredor. Ela encontrou Emanuel no meio do caminho. Ele a parou, segurando seus ombros.
— Você estava chorando? — perguntou ele, a voz carregada de uma mistura de culpa e irritação.
— Eu só... eu amo você, Manu. Mas é difícil.
Emanuel a puxou para um beijo profundo, um beijo que selava qualquer discussão.
— Vai ficar tudo bem, pequena. Eu cuido de tudo. Eu sempre cuido.
Ele a soltou e seguiu para o escritório. O dever o chamava. Mais uma vítima havia sido encontrada, e o padrão geométrico de sangue clamava por sua lógica implacável.
Eduarda entrou no quarto das gêmeas. Sara estava tentando distrair Maya com um brinquedo barulhento, mas a bebê ignorava, olhando para a porta. Quando viu Eduarda, os olhinhos de Maya brilharam e o choro cessou instantaneamente.
— Viu só? — disse Sara, entregando a bebê para Eduarda com um suspiro de impaciência. — É um caso perdido. Vocês duas foram feitas do mesmo material frágil.
— Talvez — respondeu Eduarda, encontrando uma coragem repentina enquanto abraçava a pequena Maya. — Mas a fragilidade também tem sua força, Sara. Ela sobrevive onde a dureza quebra.
Sara arqueou uma sobrancelha, surpresa com a resposta. Ela deu um sorriso de canto, um reconhecimento silencioso de que, talvez, a convivência sob o mesmo teto fosse mais interessante do que ela imaginava.
— Veremos, bailarina. Veremos.
A manhã seguiu com o som das máquinas de tatuagem sendo preparadas nos estúdios da cidade, com Emanuel mergulhado em arquivos sombrios de crimes e com duas mulheres tão opostas tentando encontrar um equilíbrio impossível, unidas pelo amor a um homem que não aceitava nada menos do que ter o mundo inteiro em suas mãos.
A porta do escritório se abriu sem que ninguém batesse. Sara entrou, o barulho de seus saltos agulha ecoando no piso de porcelanato. Ela usava um vestido de seda vermelho, curto e justo, que acentuava cada curva realçada pelo silicone. O cabelo loiro estava impecavelmente escovado, caindo em ondas sobre os ombros.
— Você vai acabar tendo um aneurisma se continuar olhando para esses monstros, Manu — disse ela, aproximando-se e deixando uma pasta de couro sobre a mesa. — Aqui estão os relatórios financeiros das unidades de Londres e Tóquio. A equipe de administração já revisou, mas eu dei o meu toque. O lucro subiu 15% este mês.
Emanuel levantou o olhar, as olheiras profundas contrastando com a expressão rígida. Ele esticou o braço, puxando Sara pela cintura para um beijo rápido, mas possessivo.
— Você é eficiente, Sara. Eu não sei o que faria sem você cuidando do império enquanto eu caço demônios.
Sara sorriu, uma expressão de triunfo brilhando em seus olhos. Ela adorava ser indispensável.
— Eu sei. Agora, vê se descansa. As meninas estão acordando e a "sua outra" deve chegar a qualquer momento para o café.
Emanuel suspirou, a menção a Eduarda trazendo uma mistura de conforto e irritação latente.
— Ela ainda não me deu uma resposta sobre a mudança, Sara.
— E nem vai dar tão cedo, querido — provocou Sara, afastando-se para conferir o batom no reflexo de um quadro. — Eduarda é um passarinho assustado. Ela prefere o ninho dos pais do que enfrentar a realidade de uma casa de verdade. Comigo e com as crianças. Ela é manhosa demais para ser mulher de um homem como você, mas quem sou eu para julgar seus gostos exóticos?
Antes que Emanuel pudesse responder, o interfone tocou. Poucos minutos depois, Eduarda entrou na sala. Ela parecia uma visão de suavidade: usava uma saia plissada em tom pastel e uma blusa de tricô leve. O cabelo castanho estava preso em um coque frouxo, e seus olhos grandes e expressivos brilhavam com uma timidez que nunca desaparecia, mesmo após dois anos de relacionamento.
— Oi... — sussurrou ela, aproximando-se de Emanuel com passos leves de bailarina. — Atrapalho?
Emanuel se levantou imediatamente, sua postura endurecida suavizando-se apenas para ela. Ele a envolveu em um abraço protetor, sentindo o cheiro de baunilha que ela exalava.
— Nunca, Duda. Eu estava esperando por você.
— Oi para você também, Sara — disse Eduarda, com a voz pequena, buscando o olhar da loira.
— Bom dia, querida — respondeu Sara, com um tom de ironia quase imperceptível. — Chegou a tempo de ajudar com as feras. Ágata já está exigindo atenção e Maya... bem, Maya provavelmente está chorando por nada, como sempre.
Eduarda sentiu uma pontada no peito. Ela amava as gêmeas como se fossem suas, mas a conexão com Maya era algo místico. Enquanto Ágata era a imagem de Sara — independente, barulhenta e já demonstrando uma vaidade precoce aos oito meses —, Maya era o espelho da alma de Eduarda.
No berçário, o choro baixinho de Maya cessou no instante em que Eduarda entrou no quarto. A bebê, com seus fios castanhos e olhos úmidos, esticou os bracinhos gordinhos para a jovem estudante de História da Arte.
— Vem cá, meu anjinho — murmurou Eduarda, pegando a bebê e aninhando-a no pescoço. — A tia Duda está aqui.
Sara, que vinha logo atrás com Ágata no colo — a bebê loira já tentando puxar os colares de ouro da mãe —, revirou os olhos.
— É impressionante. Ela é sua cópia cuspida e escarrada, Eduarda. Sensível, chorona e grudenta. Eu juro que tentei fazer dela uma menina forte, mas ela se desmancha por qualquer coisa.
— Ela só é sensível, Sara — defendeu Eduarda, balançando Maya suavemente. — Ela sente o mundo de um jeito mais intenso. Não é um defeito.
— Para mim, é fraqueza — retrucou Sara, embora houvesse um brilho de cuidado no modo como ela segurava Ágata. — Ágata, por outro lado, já sabe o que quer. Não é, minha mini diva?
Emanuel apareceu na porta, observando a cena. Aquela era a imagem que ele queria todos os dias: suas duas mulheres e suas filhas sob o mesmo teto. A frustração de ter Eduarda apenas por algumas horas ou dias na semana era uma ferida aberta em sua necessidade de controle.
— Duda — chamou ele, a voz firme. — Precisamos conversar sobre o quarto de hóspedes. Eu mandei os arquitetos limparem tudo. Quero que você traga suas coisas de dança e seus livros esta semana.
Eduarda estremeceu levemente, apertando Maya contra o peito.
— Emanuel... nós já falamos sobre isso. Meus pais... eles gostam de me ter por perto, e eu ainda tenho as aulas presenciais na faculdade, é mais perto de lá...
— Chega de desculpas — cortou ele, a rigidez de investigador assumindo o controle. — Eu tenho recursos para te levar e buscar onde você quiser. Eu sou um homem rico, Eduarda. Eu sou um homem perigoso por causa do meu trabalho. Eu quero você aqui, onde eu possa te proteger. Onde eu possa ver você e a Sara convivendo como uma família.
— Ela não está pronta, Manu — alfinetou Sara, sentando-se na poltrona de amamentação com Ágata. — Ela tem medo de mim. Ou talvez tenha medo de crescer.
— Não é medo — disse Eduarda, os olhos começando a lacrimejar. — É que... tudo é muito rápido. Você já tem uma vida montada com a Sara. Eu me sinto uma intrusa às vezes.
Emanuel caminhou até ela, ignorando o choro iminente. Ele tocou o rosto de Eduarda com a mão calejada, o polegar acariciando a pele macia.
— Você não é uma intrusa. Você é parte de mim. Mas minha paciência está no limite, Duda. O caso que estou investigando... as coisas estão ficando feias. Eu não quero você sozinha naquela casa, mesmo com seus pais.
— Meus pais são jovens, eles entendem a gente, mas... — Eduarda tentou argumentar, mas a força de vontade de Emanuel era uma barreira intransponível.
— Sem "mas". No próximo final de semana, eu mesmo vou buscar suas malas.
O clima na sala pesou. Sara observava a cena com um sorriso de lado, satisfeita por ver Emanuel exercendo autoridade, mas secretamente irritada por ele desejar tanto a presença da "sonsa", como ela chamava Eduarda mentalmente. Para Sara, ela era a rainha do castelo, a mulher que entendia os negócios, que gerava lucro e que lidava com o temperamento explosivo dele. Eduarda era apenas o refúgio doce, a sobremesa que Emanuel não conseguia abandonar.
— Por que você não vai para a cozinha preparar o café, Duda? — sugeriu Sara, mudando o foco. — A cozinheira saiu para o mercado. E você sabe que o Manu gosta do jeito que você faz as torradas.
Eduarda assentiu, grata pela oportunidade de sair do centro do conflito. Ela colocou Maya, que já bocejava, no cercadinho e saiu do quarto em silêncio.
Emanuel ficou para trás, observando Sara.
— Você não ajuda, Sara. Fica provocando ela.
— Eu falo a verdade, Emanuel. Você a trata como uma boneca de porcelana. Se quer que ela more aqui, ela tem que aprender que a vida não é um balé clássico. Aqui o ritmo é outro.
Emanuel suspirou, passando a mão pelo cabelo curto. O estresse do caso de assassinato latejava em suas têmporas.
— Eu só quero ordem. Quero minhas filhas seguras e minhas mulheres juntas. É pedir muito?
— É pedir o impossível para uma garota que ainda pede permissão aos pais para dormir fora — riu Sara, levantando-se com Ágata, que começou a balbuciar algo que parecia uma ordem. — Mas não se preocupe. Se ela vier, eu dou um jeito de transformar aquela manteiga derretida em algo útil.
Enquanto isso, na cozinha, Eduarda deixava as lágrimas caírem silenciosamente enquanto preparava o café. Ela amava Emanuel com uma intensidade que a assustava. Amava o modo como ele a protegia, o modo como suas mãos de tatuador, cheias de arte e cicatrizes, podiam ser tão gentis com ela. Mas a presença vibrante e esmagadora de Sara, somada à pressão de Emanuel, a fazia sentir que estava se afogando em um mar de expectativas.
Maya, no quarto, começou a chorar novamente. Não era um choro de fome ou dor, era o choro de quem sentia a falta de uma conexão específica.
Eduarda limpou o rosto rapidamente e voltou para o corredor. Ela encontrou Emanuel no meio do caminho. Ele a parou, segurando seus ombros.
— Você estava chorando? — perguntou ele, a voz carregada de uma mistura de culpa e irritação.
— Eu só... eu amo você, Manu. Mas é difícil.
Emanuel a puxou para um beijo profundo, um beijo que selava qualquer discussão.
— Vai ficar tudo bem, pequena. Eu cuido de tudo. Eu sempre cuido.
Ele a soltou e seguiu para o escritório. O dever o chamava. Mais uma vítima havia sido encontrada, e o padrão geométrico de sangue clamava por sua lógica implacável.
Eduarda entrou no quarto das gêmeas. Sara estava tentando distrair Maya com um brinquedo barulhento, mas a bebê ignorava, olhando para a porta. Quando viu Eduarda, os olhinhos de Maya brilharam e o choro cessou instantaneamente.
— Viu só? — disse Sara, entregando a bebê para Eduarda com um suspiro de impaciência. — É um caso perdido. Vocês duas foram feitas do mesmo material frágil.
— Talvez — respondeu Eduarda, encontrando uma coragem repentina enquanto abraçava a pequena Maya. — Mas a fragilidade também tem sua força, Sara. Ela sobrevive onde a dureza quebra.
Sara arqueou uma sobrancelha, surpresa com a resposta. Ela deu um sorriso de canto, um reconhecimento silencioso de que, talvez, a convivência sob o mesmo teto fosse mais interessante do que ela imaginava.
— Veremos, bailarina. Veremos.
A manhã seguiu com o som das máquinas de tatuagem sendo preparadas nos estúdios da cidade, com Emanuel mergulhado em arquivos sombrios de crimes e com duas mulheres tão opostas tentando encontrar um equilíbrio impossível, unidas pelo amor a um homem que não aceitava nada menos do que ter o mundo inteiro em suas mãos.
