Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Romance gay

Fandom: Stranger Things

Criado: 05/06/2026

Tags

RomanceUA (Universo Alternativo)DramaAngústiaDor/ConfortoEstudo de PersonagemHistória DomésticaLinguagem Explícita
Índice

Cores que Não São Você

A luz do abajur no quarto de Mark era de um tom âmbar suave, projetando sombras longas que dançavam pelas paredes repletas de pôsteres de bandas de sintetizador e livros de física avançada. Will Byers estava sentado na beira da cama, os dedos entrelaçados com força, observando os próprios pés. O silêncio da casa em Hawkins era interrompido apenas pelo som da chuva fraca batendo contra o vidro da janela.

Mark, que estava terminando de organizar alguns discos, virou-se para Will. Ele era o oposto do caos emocional que Will carregava; Mark era preciso, analítico e possuía uma inteligência que muitas vezes intimidava os outros, mas com Will, ele sempre fora apenas... presente.

— Você ainda está lá, não está? — perguntou Mark, sua voz calma cortando o ar. — Naquela garagem. Naquela van. Naquele "nós".

Will soltou um suspiro trêmulo, os ombros caindo.

— Eu tentei, Mark. Eu juro que tentei. Mas parece que cada cor que eu uso na minha tela, cada música que eu ouço... tudo volta para ele. É exaustivo amar alguém que só te vê como um acessório da infância.

Mark caminhou até ele e parou entre as pernas de Will, forçando-o a olhar para cima. Os olhos de Mark eram escuros e focados.

— Mike Wheeler é uma memória, Will. Uma memória bonita, talvez, mas uma que está te impedindo de viver o presente. Você passa tanto tempo pintando o mundo dele que esqueceu que a sua própria tela está vazia.

Will sentiu um nó na garganta.

— E como eu apago isso?

Mark deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles até que Will pudesse sentir o calor vindo de seu corpo.

— Você não apaga. Você sobrepõe. Com algo mais forte. Algo real, que você possa sentir agora.

A mão de Mark subiu, os dedos longos e firmes traçando a linha da mandíbula de Will, antes de se enterrarem em seu cabelo castanho. Will fechou os olhos, entregando-se ao toque. Era diferente do toque hesitante ou puramente fraternal que recebia de Mike. O toque de Mark era intencional. Era um convite.

— Eu não quero pensar nele hoje — sussurrou Will, quase como uma súplica.

— Então não pense — respondeu Mark, inclinando-se. — Deixe que eu te dou outra coisa para ocupar sua mente.

O beijo foi imediato e faminto. Não houve a hesitação de um primeiro encontro, mas sim a urgência de meses de tensão acumulada. Mark não era delicado; ele beijava com uma possessividade que fez os sentidos de Will girarem. Will respondeu com a mesma intensidade, suas mãos agarrando a camiseta de Mark, puxando-o para mais perto, querendo fundir-se àquela solidez.

Eles caíram para trás na cama, o som dos corpos atingindo o colchão abafado pelos lençóis de algodão. Mark se posicionou sobre Will, seus olhos fixos nos dele, desafiando-o a desviar o olhar, a fugir para o passado.

— Olha para mim, Will — ordenou Mark em um tom baixo. — Não fecha os olhos. Eu quero que você veja exatamente quem está aqui com você.

Will obedeceu, a respiração ofegante. Mark começou a despi-lo com uma eficiência que beirava a impaciência, mas seus dedos eram quentes contra a pele pálida de Will. Quando as roupas foram descartadas, a vulnerabilidade de Will se transformou em um desejo cru. Ele queria ser dominado, queria que cada centímetro de seu corpo fosse reivindicado de uma forma que Mike jamais sonharia em fazer.

Mark desceu os beijos pelo pescoço de Will, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha, arrancando um gemido baixo e rouco do outro rapaz.

— Mark... — Will arqueou as costas, suas unhas cravando-se nos ombros largos de Mark.

— Sou eu — murmurou Mark contra sua pele. — Sente isso? Isso é real. Ele não está aqui.

Quando Mark finalmente se uniu a ele, a sensação foi avassaladora. Foi uma invasão de calor e pressão que expulsou qualquer outro pensamento da mente de Will. Não havia espaço para dragões, para o Mundo Invertido ou para garotos de cabelos cacheados que não sabiam como amá-lo. Havia apenas o ritmo frenético de Mark, a força de seus movimentos e a maneira como ele segurava as mãos de Will contra o travesseiro, prendendo-o ao momento presente.

O sexo era pesado, físico e exigente. Mark se movia com uma inteligência instintiva, sabendo exatamente onde tocar, como pressionar, como levar Will ao limite da sanidade. A cada estocada, Will sentia as camadas de sua melancolia sendo arrancadas. Ele estava suando, ofegante, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado tentando escapar.

— Mais — implorou Will, a voz falhando. — Não para.

Mark rosnou baixo, intensificando o ritmo. Ele não estava ali para ser gentil; ele estava ali para ser o antídoto. Ele queria que Will estivesse tão exausto, tão preenchido por ele, que o nome de qualquer outro homem fosse esquecido pelo cansaço e pelo prazer.

As sombras no quarto pareciam vibrar com a energia entre os dois. Will sentiu a onda de prazer começar a se formar na base de sua espinha, uma tensão elétrica que ameaçava explodir. Ele olhou para cima e viu Mark observando-o, os olhos brilhando com uma satisfação quase científica, mas temperada com um desejo genuíno.

— Isso é por você, Will — disse Mark, a voz embargada pelo esforço. — Só por você.

Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como uma descarga de adrenalina que deixou Will sem fôlego, o corpo tremendo sob o de Mark. Ele se agarrou ao pescoço de Mark, escondendo o rosto em seu ombro, enquanto as últimas ondas de prazer diminuíam, deixando para trás uma letargia deliciosa e pesada.

Eles ficaram ali por um longo tempo, os corações batendo em uníssono, o único som sendo a respiração pesada de ambos. Mark rolou para o lado, mas manteve Will por perto, puxando-o para que a cabeça do rapaz repousasse em seu peito.

Will sentiu o suor esfriar em sua pele, mas o calor interno permanecia. Pela primeira vez em anos, o "ruído" constante em sua cabeça — a preocupação com o que Mike sentia, onde Mike estava, se Mike o amava — havia silenciado.

— Você está bem? — perguntou Mark, passando a mão pelos cabelos bagunçados de Will.

Will soltou um suspiro longo, sentindo o peso do próprio corpo contra o colchão.

— Eu me sinto... limpo. Como se tivesse tomado um banho por dentro.

Mark soltou uma risada curta e anasalada.

— É a endorfina. E talvez um pouco de realidade batendo na sua porta.

Will levantou a cabeça levemente para olhar para Mark.

— Obrigado. Por não me tratar como se eu fosse quebrar. Todo mundo em Hawkins me trata como se eu ainda fosse o "garoto que desapareceu".

— Eu não me importo com o garoto que desapareceu — disse Mark, seriamente. — Eu me importo com o homem que está na minha cama. O homem que tem um talento incrível, uma mente brilhante e que merece mais do que migalhas de afeto de alguém que não sabe o que quer.

Will sorriu, um sorriso pequeno e genuíno que raramente aparecia.

— Você é muito arrogante, sabia?

— Eu sou inteligente — corrigiu Mark com um piscar de olhos. — Há uma diferença. E minha inteligência me diz que você vai dormir melhor esta noite do que dormiu nos últimos três anos.

Will se aconchegou mais perto, fechando os olhos. O cheiro de Mark — uma mistura de sabonete de pinho e algo puramente dele — envolveu seus sentidos.

— Talvez você tenha razão.

— Eu sempre tenho razão, Byers. Agora durma. Amanhã, a gente acorda e você pinta algo que não tenha nada a ver com o passado. Pinta algo novo.

— O que eu deveria pintar? — perguntou Will, já sentindo o sono o envolver.

— Pinte o que você está sentindo agora — respondeu Mark em um sussurro. — Pinte o silêncio.

Will não respondeu, mas em sua mente, as cores já estavam mudando. O amarelo brilhante e o preto sombrio de suas angústias habituais estavam sendo substituídos pelo âmbar daquela luz, pelo azul profundo dos lençóis e pelo calor vibrante da pele de Mark contra a sua. Mike Wheeler ainda existia, em algum lugar de Hawkins, mas naquela noite, naquela cama, ele era apenas um fantasma. E Will Byers, pela primeira vez, estava finalmente vivo.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic