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Faith or Sin
Fandom: EngLot FayeLotte
Criado: 05/06/2026
Tags
RomanceDramaUA (Universo Alternativo)SombrioPWP (Enredo? Que enredo?)CrimeEstudo de PersonagemLinguagem ExplícitaCiúmes
O Sabor Pecaminoso da Liberdade
O silêncio na mansão dos Austin era opressor. Para Charlotte, cada batida do relógio de pêndulo na sala de estar soava como uma contagem regressiva para uma vida de monotonia e expectativas irreais. Seus pais haviam saído para um jantar beneficente da alta sociedade, deixando-a trancada em sua torre de marfim, cercada por livros de etiqueta e o aroma suave de lavanda que impregnava seu quarto.
Sentada em sua cama, Charlotte acariciava as orelhas longas de Phalo, seu coelhinho, enquanto olhava para a janela. Ela era a "filha perfeita", a garota que nunca levantava a voz, que tirava notas impecáveis e que, ironicamente, havia encontrado seu propósito em um centro de detenção juvenil, tentando ensinar "boas maneiras" para aqueles que o sistema havia descartado. Foi lá que ela as encontrou. Ou melhor, foi lá que elas a capturaram.
Um estrondo abafado vindo da varanda a fez pular. Phalo saltou de seu colo, buscando refúgio debaixo da cama. Charlotte sorriu; ela conhecia aquele barulho.
— Você realmente precisa ser tão barulhenta, P'Fa? — A voz era arrastada, carregada de um deboche elegante que só poderia pertencer a Faye Malisorn.
— Se você não estivesse ocupada admirando seu próprio reflexo no vidro, teria me ajudado a subir — rebateu Engfa Waraha, surgindo na penumbra da sacada.
Charlotte correu para abrir a porta de vidro, o coração martelando contra as costelas. Assim que a trava cedeu, o caos entrou em seu quarto.
Engfa passou primeiro, o cheiro de asfalto e adrenalina emanando de sua jaqueta de couro gasta. Seus cabelos castanho-escuros estavam bagunçados pelo vento da corrida ilegal da qual provavelmente acabara de sair. Faye veio logo atrás, um contraste vibrante com seus cabelos vermelhos intensos e um sorriso que prometia problemas de uma forma que Charlotte nunca conseguia recusar.
— Sentiu nossa falta, bonequinha? — Engfa perguntou, aproximando-se de Charlotte com aquela invasão de espaço pessoal que sempre a deixava sem fôlego.
— Achei que vocês não viriam hoje — Charlotte confessou, a voz falhando levemente. — Meus pais voltam em algumas horas.
— Horas são uma eternidade para quem sabe como usá-las — Faye disse, fechando a cortina pesada atrás de si e jogando-se na poltrona de veludo de Charlotte com uma graça felina. — E nós temos planos melhores do que deixar você aqui apodrecendo com esses livros.
Engfa, cujas mãos estavam sempre inquietas, tirou algo do bolso da jaqueta e estendeu para Charlotte. Era um pequeno pingente de madeira, esculpido de forma bruta, mas claramente feito à mão. Um coelhinho minúsculo.
— Eu quase perdi a paciência fazendo as orelhas — Engfa resmungou, desviando o olhar, uma rara demonstração de timidez que só Charlotte conseguia extrair da sociopata mais temida do bairro. — Mas achei que o Phalo precisava de um substituto quando eu não estivesse por perto.
— É lindo, Fa. Obrigada. — Charlotte sentiu o calor subir por seu pescoço.
Faye soltou uma risada curta, levantando-se e caminhando até as duas. Ela passou um braço pelos ombros de Engfa e o outro pela cintura de Charlotte, unindo o trio.
— Chega de sentimentalismo. A noite está quente, a casa está vazia e eu estou entediada — Faye declarou, seus olhos escuros brilhando com uma malícia inteligente. — Engfa deu o presente, agora eu quero o entretenimento.
— Eu tive uma ideia no caminho para cá — Engfa disse, afastando-se para sentar na beira da cama de Charlotte, batendo no colchão para que as outras se juntassem a ela. — Um jogo. Para testar o quanto nossa garota prodígio realmente aprendeu com a gente.
Charlotte sentou-se entre as duas, sentindo a eletricidade estática no ar. A tensão sexual entre elas não era novidade; era um fio tenso que as unia desde o primeiro encontro no centro de detenção, mas naquela noite, sem as grades e sem os pais de Charlotte por perto, o fio parecia prestes a arrebentar.
— Que tipo de jogo? — perguntou Charlotte, sua curiosidade sempre vencendo seu medo.
— Simples — Engfa sorriu, e era um sorriso perigoso. — Perguntas e respostas. Faye e eu fazemos as perguntas. Coisas que você deveria saber sobre o mundo real, o nosso mundo. Se você acertar, você nos manda fazer algo. Se você errar... uma peça de roupa vai embora.
Charlotte sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela olhou para Faye, esperando algum sinal de hesitação, mas a ruiva apenas inclinou a cabeça, um sorriso predatório brincando em seus lábios.
— As regras foram feitas para serem quebradas, Charlotte — Faye sussurrou perto de seu ouvido. — Mas as minhas regras... essas você vai querer seguir.
— Tudo bem — Charlotte aceitou, a rebeldia finalmente suplantando a obediência que lhe fora ensinada desde o berço. — Eu aceito.
Engfa não perdeu tempo.
— Primeira pergunta. Qual é a mistura exata para um coquetel molotov que não apaga com o vento?
Charlotte piscou, processando a pergunta absurda. Ela se lembrou de uma conversa entre Engfa e Faye semanas atrás, quando Faye questionava a eficácia de um pavio.
— Gasolina, óleo de motor para aderência e... um pouco de detergente? — arriscou ela.
Engfa soltou uma gargalhada rouca.
— Quase, bonequinha. Mas o detergente é para a consistência, não para o vento. Você esqueceu do magnésio se quiser que brilhe no escuro. Tira o cardigã.
Com as mãos trêmulas, Charlotte desabotoou o cardigã de lã creme que seus pais tanto gostavam. Ela o deixou escorregar pelos ombros, revelando a regata de seda por baixo.
— Minha vez — Faye disse, inclinando-se para frente, a ponta dos dedos roçando o joelho de Charlotte. — Se você estivesse sendo perseguida pela polícia em um beco sem saída, e tivesse apenas uma nota de cem bahts e um batom na bolsa, como você escaparia sem ser algemada?
Charlotte pensou rápido. Faye sempre falava sobre o poder da distração e da manipulação.
— Eu usaria o batom para mudar minha aparência no reflexo de algum vidro e subornaria o guarda? — tentou Charlotte.
Faye negou com a cabeça, um brilho de deboche nos olhos.
— Errado. Você usaria o batom para escrever uma mensagem de "perigo biológico" na porta mais próxima e usaria o dinheiro para queimar como isca de fumaça. Ninguém quer entrar em um lugar infectado. Tira os sapatos e as meias.
O jogo continuou, e com cada erro, Charlotte sentia-se mais leve e, paradoxalmente, mais exposta. O quarto, antes um refúgio de inocência, transformava-se em um palco de sedução e descoberta. Engfa e Faye alternavam entre perguntas impossíveis e provocações verbais que faziam o sangue de Charlotte ferver.
Quando Charlotte ficou apenas de roupas íntimas, a atmosfera mudou drasticamente. A brincadeira sarcástica de Engfa deu lugar a um olhar de possessividade pura, enquanto a calma manipuladora de Faye transformou-se em um desejo palpável.
— Você perdeu quase todas as rodadas, Charlotte — Engfa comentou, sua voz agora mais baixa, mais rouca. Ela se aproximou, estendendo a mão para traçar a linha da mandíbula de Charlotte. — Parece que você queria perder.
— Talvez eu quisesse — Charlotte admitiu, sustentando o olhar de Engfa. — Talvez eu esteja cansada de ganhar nas coisas que não importam.
Faye moveu-se para trás de Charlotte, suas mãos subindo pelos braços nus da garota, causando arrepios por onde passava.
— Você é uma criatura fascinante — Faye murmurou contra a nuca de Charlotte. — Tão limpa, tão pura... e ainda assim, aqui está você, entregando-se para as duas piores influências que este bairro já viu.
— Vocês não são más influências — Charlotte disse, virando a cabeça para olhar para Faye, enquanto Engfa se aproximava ainda mais pela frente. — Vocês são a única coisa real na minha vida.
Engfa não aguentou mais a distância. Ela selou seus lábios nos de Charlotte em um beijo que era tudo o que Engfa representava: impulsivo, faminto e carregado de uma urgência que não pedia permissão. Charlotte soltou um suspiro de rendição, suas mãos encontrando o cabelo castanho de Engfa, puxando-a para mais perto.
Ao mesmo tempo, Faye começou a distribuir beijos lentos e provocadores pelo pescoço de Charlotte, suas mãos descendo para a cintura da garota com uma posse que reivindicava cada centímetro de sua pele.
— Você pertence a nós nesta noite, Charlotte — Faye sussurrou entre os beijos. — Sem regras, sem pais, sem o mundo lá fora.
— Eu não quero regras — Charlotte ofegou, a cabeça pendendo para trás enquanto Engfa descia os beijos para seu decote. — Eu quero vocês.
O encontro entre as três era uma dança de contrastes. Engfa era o fogo, a força bruta que buscava dominar e proteger, suas cicatrizes nas mãos contando histórias de brigas que ela venceu para estar ali. Faye era a água e o ar, fluindo em torno delas, manipulando as sensações, garantindo que cada toque fosse sentido com a máxima intensidade. E Charlotte... Charlotte era a terra que recebia tudo, florescendo sob a atenção daquelas duas mulheres que o mundo chamava de pecadoras.
Engfa parou por um momento, olhando nos olhos de Charlotte, sua expressão suavizando-se em algo que beirava a adoração possessiva.
— Se alguém encostar em você depois desta noite... — Engfa começou, o ciúme brilhando em seus olhos.
— Ninguém vai, Fa — Charlotte interrompeu, puxando o rosto da outra para perto. — Eu não sou mais a bonequinha de porcelana dos Austin.
Faye sorriu, desabotoando a própria camisa vermelha, revelando as cicatrizes de aventuras passadas que compartilhava com Engfa.
— Então vamos mostrar a ela o que acontece quando se brinca com o perigo — Faye disse, puxando as duas para o centro da cama.
A noite avançou entre carícias ousadas e a descoberta de corpos que se buscavam com uma fome acumulada por meses de olhares proibidos. Charlotte entregou sua inocência não como quem perde algo, mas como quem se liberta de um fardo. Cada toque de Engfa a fazia sentir-se viva, cada sussurro de Faye a fazia sentir-se poderosa.
Não havia pressa, apesar do tempo limitado. Faye, com sua paciência observadora, guiava os movimentos, garantindo que Charlotte explorasse cada sensação nova. Engfa, com sua energia inesgotável, trazia a paixão que fazia o coração de Charlotte disparar como se estivesse em uma de suas corridas ilegais.
Horas depois, as três estavam deitadas em um emaranhado de lençóis e membros, a respiração voltando ao normal. O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, apenas com a luz da lua entrando pelas frestas da cortina.
— Vocês vão embora agora? — Charlotte perguntou, sua voz pequena, sentindo o peso do silêncio retornando.
Engfa inclinou-se e beijou a testa de Charlotte, o cachorrinho Kiew provavelmente a esperando lá fora, mas seu foco total estava na garota em seus braços.
— Nós nunca vamos embora de verdade, bonequinha. Estamos sob sua pele agora.
Faye, que acariciava os cabelos ondulados de Charlotte, concordou.
— Seus pais podem ter as chaves desta casa, mas nós temos as chaves de quem você é agora. E acredite, Charlotte, o pecado tem um gosto muito melhor do que a salvação que eles pregam.
Charlotte fechou os olhos, sentindo o calor das duas ao seu lado. Ela sabia que, quando o sol nascesse, teria que vestir novamente suas roupas de "boa menina" e sorrir para os vizinhos. Mas por dentro, ela carregaria o segredo das mãos ásperas de Engfa e dos lábios doces de Faye.
Ela havia provado o proibido, e a única coisa de que se arrependia era de não ter errado aquelas perguntas mais cedo.
— Da próxima vez — Charlotte sussurrou, já quase pegando no sono — eu quero que o jogo seja mais difícil.
Engfa e Faye trocaram um olhar cúmplice sobre a cabeça de Charlotte. Elas tinham criado um monstro, e mal podiam esperar para ver o que Charlotte Austin faria com sua nova e perigosa liberdade.
— Oh, Charlotte — Faye riu baixinho, beijando o ombro da garota. — Nós temos a vida inteira para ensinar você a quebrar todas as outras regras.
No canto do quarto, Phalo saiu debaixo da cama, farejando o ar agora impregnado com o cheiro de três almas que, contra todas as probabilidades, haviam encontrado sua própria versão de paraíso no meio do que o mundo chamava de caos. A "filha perfeita" dos Austin havia morrido naquela noite, e em seu lugar, nasceu algo muito mais interessante: uma mulher que não tinha mais medo do escuro, porque sabia exatamente quem estaria lá para encontrá-la.
Sentada em sua cama, Charlotte acariciava as orelhas longas de Phalo, seu coelhinho, enquanto olhava para a janela. Ela era a "filha perfeita", a garota que nunca levantava a voz, que tirava notas impecáveis e que, ironicamente, havia encontrado seu propósito em um centro de detenção juvenil, tentando ensinar "boas maneiras" para aqueles que o sistema havia descartado. Foi lá que ela as encontrou. Ou melhor, foi lá que elas a capturaram.
Um estrondo abafado vindo da varanda a fez pular. Phalo saltou de seu colo, buscando refúgio debaixo da cama. Charlotte sorriu; ela conhecia aquele barulho.
— Você realmente precisa ser tão barulhenta, P'Fa? — A voz era arrastada, carregada de um deboche elegante que só poderia pertencer a Faye Malisorn.
— Se você não estivesse ocupada admirando seu próprio reflexo no vidro, teria me ajudado a subir — rebateu Engfa Waraha, surgindo na penumbra da sacada.
Charlotte correu para abrir a porta de vidro, o coração martelando contra as costelas. Assim que a trava cedeu, o caos entrou em seu quarto.
Engfa passou primeiro, o cheiro de asfalto e adrenalina emanando de sua jaqueta de couro gasta. Seus cabelos castanho-escuros estavam bagunçados pelo vento da corrida ilegal da qual provavelmente acabara de sair. Faye veio logo atrás, um contraste vibrante com seus cabelos vermelhos intensos e um sorriso que prometia problemas de uma forma que Charlotte nunca conseguia recusar.
— Sentiu nossa falta, bonequinha? — Engfa perguntou, aproximando-se de Charlotte com aquela invasão de espaço pessoal que sempre a deixava sem fôlego.
— Achei que vocês não viriam hoje — Charlotte confessou, a voz falhando levemente. — Meus pais voltam em algumas horas.
— Horas são uma eternidade para quem sabe como usá-las — Faye disse, fechando a cortina pesada atrás de si e jogando-se na poltrona de veludo de Charlotte com uma graça felina. — E nós temos planos melhores do que deixar você aqui apodrecendo com esses livros.
Engfa, cujas mãos estavam sempre inquietas, tirou algo do bolso da jaqueta e estendeu para Charlotte. Era um pequeno pingente de madeira, esculpido de forma bruta, mas claramente feito à mão. Um coelhinho minúsculo.
— Eu quase perdi a paciência fazendo as orelhas — Engfa resmungou, desviando o olhar, uma rara demonstração de timidez que só Charlotte conseguia extrair da sociopata mais temida do bairro. — Mas achei que o Phalo precisava de um substituto quando eu não estivesse por perto.
— É lindo, Fa. Obrigada. — Charlotte sentiu o calor subir por seu pescoço.
Faye soltou uma risada curta, levantando-se e caminhando até as duas. Ela passou um braço pelos ombros de Engfa e o outro pela cintura de Charlotte, unindo o trio.
— Chega de sentimentalismo. A noite está quente, a casa está vazia e eu estou entediada — Faye declarou, seus olhos escuros brilhando com uma malícia inteligente. — Engfa deu o presente, agora eu quero o entretenimento.
— Eu tive uma ideia no caminho para cá — Engfa disse, afastando-se para sentar na beira da cama de Charlotte, batendo no colchão para que as outras se juntassem a ela. — Um jogo. Para testar o quanto nossa garota prodígio realmente aprendeu com a gente.
Charlotte sentou-se entre as duas, sentindo a eletricidade estática no ar. A tensão sexual entre elas não era novidade; era um fio tenso que as unia desde o primeiro encontro no centro de detenção, mas naquela noite, sem as grades e sem os pais de Charlotte por perto, o fio parecia prestes a arrebentar.
— Que tipo de jogo? — perguntou Charlotte, sua curiosidade sempre vencendo seu medo.
— Simples — Engfa sorriu, e era um sorriso perigoso. — Perguntas e respostas. Faye e eu fazemos as perguntas. Coisas que você deveria saber sobre o mundo real, o nosso mundo. Se você acertar, você nos manda fazer algo. Se você errar... uma peça de roupa vai embora.
Charlotte sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela olhou para Faye, esperando algum sinal de hesitação, mas a ruiva apenas inclinou a cabeça, um sorriso predatório brincando em seus lábios.
— As regras foram feitas para serem quebradas, Charlotte — Faye sussurrou perto de seu ouvido. — Mas as minhas regras... essas você vai querer seguir.
— Tudo bem — Charlotte aceitou, a rebeldia finalmente suplantando a obediência que lhe fora ensinada desde o berço. — Eu aceito.
Engfa não perdeu tempo.
— Primeira pergunta. Qual é a mistura exata para um coquetel molotov que não apaga com o vento?
Charlotte piscou, processando a pergunta absurda. Ela se lembrou de uma conversa entre Engfa e Faye semanas atrás, quando Faye questionava a eficácia de um pavio.
— Gasolina, óleo de motor para aderência e... um pouco de detergente? — arriscou ela.
Engfa soltou uma gargalhada rouca.
— Quase, bonequinha. Mas o detergente é para a consistência, não para o vento. Você esqueceu do magnésio se quiser que brilhe no escuro. Tira o cardigã.
Com as mãos trêmulas, Charlotte desabotoou o cardigã de lã creme que seus pais tanto gostavam. Ela o deixou escorregar pelos ombros, revelando a regata de seda por baixo.
— Minha vez — Faye disse, inclinando-se para frente, a ponta dos dedos roçando o joelho de Charlotte. — Se você estivesse sendo perseguida pela polícia em um beco sem saída, e tivesse apenas uma nota de cem bahts e um batom na bolsa, como você escaparia sem ser algemada?
Charlotte pensou rápido. Faye sempre falava sobre o poder da distração e da manipulação.
— Eu usaria o batom para mudar minha aparência no reflexo de algum vidro e subornaria o guarda? — tentou Charlotte.
Faye negou com a cabeça, um brilho de deboche nos olhos.
— Errado. Você usaria o batom para escrever uma mensagem de "perigo biológico" na porta mais próxima e usaria o dinheiro para queimar como isca de fumaça. Ninguém quer entrar em um lugar infectado. Tira os sapatos e as meias.
O jogo continuou, e com cada erro, Charlotte sentia-se mais leve e, paradoxalmente, mais exposta. O quarto, antes um refúgio de inocência, transformava-se em um palco de sedução e descoberta. Engfa e Faye alternavam entre perguntas impossíveis e provocações verbais que faziam o sangue de Charlotte ferver.
Quando Charlotte ficou apenas de roupas íntimas, a atmosfera mudou drasticamente. A brincadeira sarcástica de Engfa deu lugar a um olhar de possessividade pura, enquanto a calma manipuladora de Faye transformou-se em um desejo palpável.
— Você perdeu quase todas as rodadas, Charlotte — Engfa comentou, sua voz agora mais baixa, mais rouca. Ela se aproximou, estendendo a mão para traçar a linha da mandíbula de Charlotte. — Parece que você queria perder.
— Talvez eu quisesse — Charlotte admitiu, sustentando o olhar de Engfa. — Talvez eu esteja cansada de ganhar nas coisas que não importam.
Faye moveu-se para trás de Charlotte, suas mãos subindo pelos braços nus da garota, causando arrepios por onde passava.
— Você é uma criatura fascinante — Faye murmurou contra a nuca de Charlotte. — Tão limpa, tão pura... e ainda assim, aqui está você, entregando-se para as duas piores influências que este bairro já viu.
— Vocês não são más influências — Charlotte disse, virando a cabeça para olhar para Faye, enquanto Engfa se aproximava ainda mais pela frente. — Vocês são a única coisa real na minha vida.
Engfa não aguentou mais a distância. Ela selou seus lábios nos de Charlotte em um beijo que era tudo o que Engfa representava: impulsivo, faminto e carregado de uma urgência que não pedia permissão. Charlotte soltou um suspiro de rendição, suas mãos encontrando o cabelo castanho de Engfa, puxando-a para mais perto.
Ao mesmo tempo, Faye começou a distribuir beijos lentos e provocadores pelo pescoço de Charlotte, suas mãos descendo para a cintura da garota com uma posse que reivindicava cada centímetro de sua pele.
— Você pertence a nós nesta noite, Charlotte — Faye sussurrou entre os beijos. — Sem regras, sem pais, sem o mundo lá fora.
— Eu não quero regras — Charlotte ofegou, a cabeça pendendo para trás enquanto Engfa descia os beijos para seu decote. — Eu quero vocês.
O encontro entre as três era uma dança de contrastes. Engfa era o fogo, a força bruta que buscava dominar e proteger, suas cicatrizes nas mãos contando histórias de brigas que ela venceu para estar ali. Faye era a água e o ar, fluindo em torno delas, manipulando as sensações, garantindo que cada toque fosse sentido com a máxima intensidade. E Charlotte... Charlotte era a terra que recebia tudo, florescendo sob a atenção daquelas duas mulheres que o mundo chamava de pecadoras.
Engfa parou por um momento, olhando nos olhos de Charlotte, sua expressão suavizando-se em algo que beirava a adoração possessiva.
— Se alguém encostar em você depois desta noite... — Engfa começou, o ciúme brilhando em seus olhos.
— Ninguém vai, Fa — Charlotte interrompeu, puxando o rosto da outra para perto. — Eu não sou mais a bonequinha de porcelana dos Austin.
Faye sorriu, desabotoando a própria camisa vermelha, revelando as cicatrizes de aventuras passadas que compartilhava com Engfa.
— Então vamos mostrar a ela o que acontece quando se brinca com o perigo — Faye disse, puxando as duas para o centro da cama.
A noite avançou entre carícias ousadas e a descoberta de corpos que se buscavam com uma fome acumulada por meses de olhares proibidos. Charlotte entregou sua inocência não como quem perde algo, mas como quem se liberta de um fardo. Cada toque de Engfa a fazia sentir-se viva, cada sussurro de Faye a fazia sentir-se poderosa.
Não havia pressa, apesar do tempo limitado. Faye, com sua paciência observadora, guiava os movimentos, garantindo que Charlotte explorasse cada sensação nova. Engfa, com sua energia inesgotável, trazia a paixão que fazia o coração de Charlotte disparar como se estivesse em uma de suas corridas ilegais.
Horas depois, as três estavam deitadas em um emaranhado de lençóis e membros, a respiração voltando ao normal. O quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, apenas com a luz da lua entrando pelas frestas da cortina.
— Vocês vão embora agora? — Charlotte perguntou, sua voz pequena, sentindo o peso do silêncio retornando.
Engfa inclinou-se e beijou a testa de Charlotte, o cachorrinho Kiew provavelmente a esperando lá fora, mas seu foco total estava na garota em seus braços.
— Nós nunca vamos embora de verdade, bonequinha. Estamos sob sua pele agora.
Faye, que acariciava os cabelos ondulados de Charlotte, concordou.
— Seus pais podem ter as chaves desta casa, mas nós temos as chaves de quem você é agora. E acredite, Charlotte, o pecado tem um gosto muito melhor do que a salvação que eles pregam.
Charlotte fechou os olhos, sentindo o calor das duas ao seu lado. Ela sabia que, quando o sol nascesse, teria que vestir novamente suas roupas de "boa menina" e sorrir para os vizinhos. Mas por dentro, ela carregaria o segredo das mãos ásperas de Engfa e dos lábios doces de Faye.
Ela havia provado o proibido, e a única coisa de que se arrependia era de não ter errado aquelas perguntas mais cedo.
— Da próxima vez — Charlotte sussurrou, já quase pegando no sono — eu quero que o jogo seja mais difícil.
Engfa e Faye trocaram um olhar cúmplice sobre a cabeça de Charlotte. Elas tinham criado um monstro, e mal podiam esperar para ver o que Charlotte Austin faria com sua nova e perigosa liberdade.
— Oh, Charlotte — Faye riu baixinho, beijando o ombro da garota. — Nós temos a vida inteira para ensinar você a quebrar todas as outras regras.
No canto do quarto, Phalo saiu debaixo da cama, farejando o ar agora impregnado com o cheiro de três almas que, contra todas as probabilidades, haviam encontrado sua própria versão de paraíso no meio do que o mundo chamava de caos. A "filha perfeita" dos Austin havia morrido naquela noite, e em seu lugar, nasceu algo muito mais interessante: uma mulher que não tinha mais medo do escuro, porque sabia exatamente quem estaria lá para encontrá-la.
