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Lobo guloso

Fandom: Jacob (crepúsculo)

Criado: 05/06/2026

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Febre no Sangue Quente

A reserva de La Push nunca pareceu tão pequena quanto naquela noite. O ar estava carregado, não apenas com a umidade típica do Noroeste Pacífico, mas com uma eletricidade estática que fazia os pelos do meu braço se arrepiarem antes mesmo de eu vê-lo. A fogueira na casa de Billy Black ardia intensamente, estalando brasas para o céu escuro, mas o calor que emanava das chamas não era nada comparado ao incêndio que começava a queimar dentro do meu peito.

Eu sabia que ele estaria lá. Jacob Black era uma força da natureza, impossível de ignorar, especialmente quando decidia ocupar todo o espaço de um ambiente apenas com a sua presença.

Nós éramos ex-namorados. Teoricamente, deveríamos ser "amigos" ou, no mínimo, civilizados. Mas a civilidade morria no momento em que nossos olhos se cruzavam. Não era ódio, embora às vezes parecesse. Era algo mais primitivo, uma tensão que esticava entre nós como uma corda de piano prestes a arrebentar.

Eu estava encostada na caminhonete velha, tentando focar na conversa de Embry e Quil, quando o som de passos pesados sobre o cascalho me fez travar. O cheiro dele chegou primeiro: pinho, terra molhada e aquele calor característico que parecia irradiar de sua pele como um radiador ligado no máximo.

— Você veio — a voz dele soou baixa, um barulho rouco que vibrou diretamente na base da minha coluna.

Virei-me devagar, tentando manter a expressão neutra. Jacob estava parado a poucos passos, vestindo apenas uma bermuda jeans cortada e uma camiseta preta que lutava para conter os músculos dos seus ombros e braços. Ele tinha crescido ainda mais desde a última vez que o vi, se é que isso era possível. O cabelo curto realçava as linhas duras do seu rosto e aquele sorriso de lado, presunçoso e perigosamente atraente.

— É a casa do Billy, Jacob. Eu ainda sou bem-vinda aqui — respondi, cruzando os braços sobre o peito em uma tentativa fútil de proteção.

— Você é bem-vinda em qualquer lugar que eu esteja — ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal. — Sabe disso.

— Sei que você adora ouvir a própria voz — retruquei, mas minha respiração já estava falhando.

Jacob soltou uma risada curta, um som gutural que me deu um frio na barriga. Ele se inclinou, apoiando uma das mãos na lataria da caminhonete, logo acima do meu ombro, me cercando. O calor que emanava dele era absurdo, uma fornalha viva que me convidava a me aproximar.

— Engraçado — ele murmurou, aproximando o rosto do meu pescoço, onde podia sentir o pulsar acelerado da minha artéria carótida. — Seu coração está dizendo algo bem diferente da sua boca.

— É o café — menti, sentindo minhas pernas fraquejarem.

— Não tomamos café há três horas — Jacob sibilou, a voz carregada de uma malícia que ele nem tentava esconder. — Admite. Você não consegue ficar no mesmo metro quadrado que eu sem querer me rasgar inteiro.

— Você é muito convencido, Black.

— E você é uma péssima mentirosa.

Ele moveu a mão da caminhonete para a minha cintura, os dedos longos e quentes queimando através do tecido da minha blusa. Foi como um choque elétrico. Eu deveria ter me afastado, deveria ter voltado para a luz da fogueira onde os outros estavam, mas meu corpo tinha vontade própria. Minhas mãos, contra toda a minha lógica, subiram para o peito dele, sentindo a firmeza dos músculos e a batida forte do seu coração de lobo.

— A gente não pode fazer isso aqui — eu sussurrei, embora meus dedos estivessem se fechando na camiseta dele, puxando-o para mais perto.

— Quem disse? — Jacob roçou o nariz no meu, seus olhos escuros brilhando com uma intensidade predatória e protetora ao mesmo tempo. — Todo mundo sabe que você ainda é minha. E que eu sou seu.

— Nós terminamos, Jacob. Lembra? — tentei manter um pingo de sanidade.

— Detalhes técnicos — ele disse, a voz ficando mais grave. — Eu ainda sinto o seu cheiro em tudo. E eu sei que você ainda sonha com a minha pegada.

Antes que eu pudesse formular uma resposta sarcástica, ele selou o espaço entre nós. O beijo não foi gentil. Foi uma colisão, uma explosão de meses de desejo reprimido e frustração. Jacob me prensou contra a caminhonete, suas mãos descendo para minhas coxas e me suspendendo com uma facilidade que sempre me deixava sem fôlego.

Eu envolvi minhas pernas em sua cintura, puxando-o para o encaixe perfeito dos nossos corpos. Jacob soltou um rosnado baixo contra meus lábios, um som que não era totalmente humano, mas que me fazia sentir mais viva do que qualquer outra coisa. Sua pegada era firme, possessiva, o tipo de toque que deixaria marcas e que me lembrava exatamente por que era tão difícil ficar longe dele.

— Jacob... — eu arfava entre os beijos —, alguém vai ver.

— Deixa verem — ele murmurou, descendo os beijos para a curva do meu ombro, mordiscando a pele sensível ali. — Deixa saberem que eu não perdi o jeito.

— Você é um safado — eu disse, puxando o cabelo dele para que ele olhasse para mim.

— Sou o seu safado — ele sorriu, aquele sorriso que derretia qualquer resolução minha. — E você adora isso.

Ele me colocou no chão, mas não me soltou. Seus braços continuavam ao meu redor, me mantendo colada ao seu peito largo. O mundo ao redor — a fogueira, as risadas de Seth e Leah ao longe, o som das ondas — tudo parecia um ruído de fundo. O único centro de gravidade era ele.

— Isso não resolve nada — eu disse, tentando recuperar o fôlego, embora minhas mãos ainda estivessem perdidas na nuca dele.

— Resolve o meu problema imediato — Jacob provocou, passando o polegar pelo meu lábio inferior, que agora estava inchado. — E o seu também. Olha para você, está tremendo.

— É o frio de La Push — tentei, mas ele riu de novo, aquele som rico e quente.

— Eu sou um radiador de trezentos quilos, gatinha. Você não está com frio. Você está com vontade.

Eu bati no peito dele, mas sem força real. Jacob me puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no meu pescoço. Por um momento, a tensão sexual deu lugar a algo mais profundo, aquele instinto protetor que ele sempre teve comigo. Ele me segurava como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, mas com a força de quem nunca me deixaria ir embora de verdade.

— Eu odeio o quanto você me conhece — confessei baixinho.

— Eu não odeio — Jacob respondeu, afastando-se apenas o suficiente para me olhar nos olhos. — Eu amo o fato de que, não importa o quanto a gente brigue ou tente se afastar, a gente sempre acaba voltando para esse ponto. É magnético.

— É um desastre — corrigi.

— O desastre mais gostoso da sua vida — ele piscou, voltando ao tom convencido que me irritava e me excitava na mesma medida.

— Convencido.

— Mas você não nega.

Jacob inclinou-se novamente, mas desta vez o beijo foi lento, exploratório, carregado de uma promessa que dizia que a noite estava apenas começando. Ele se afastou apenas alguns milímetros, seus lábios roçando os meus enquanto falava.

— Vamos sair daqui — ele sugeriu, a voz cheia de intenção. — A minha moto está logo ali. E a floresta é bem grande.

— Você quer me levar para o meio do mato, Black? Que clichê.

— Garanto que a experiência vai ser tudo, menos clichê — ele deu um tapa leve e atrevido na minha cintura antes de segurar minha mão e me puxar em direção às sombras.

Eu o segui, é claro. Porque com Jacob, o perigo nunca era o que estava escondido na floresta, mas sim o fogo que ele carregava no sangue e que eu, de bom grado, deixava me queimar todas as vezes. A tensão entre nós era uma corda bamba, e naquela noite, nós dois estávamos prontos para cair.
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