Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Mentes desgovernadas / Holly Wheeler

Fandom: Stranger Things

Criado: 05/06/2026

Tags

RomanceDramaFatias de VidaFofuraCiúmesCenário CanônicoCena PerdidaDor/ConfortoHistória DomésticaDivergência
Índice

Proteção e Promessas Sob o Tecido de Algodão

A luz do fim de tarde em Hawkins tinha aquele tom alaranjado melancólico, o tipo de iluminação que fazia as sombras se esticarem como dedos longos sobre o asfalto. Para Mark, no entanto, o cenário não tinha nada de poético. Seus nós dos dedos latejavam, um lembrete físico e dolorido do que havia acontecido meia hora antes no estacionamento da escola.

Ele nunca fora do tipo briguento. Com dezenove anos e um futuro que parecia finalmente se distanciar dos horrores sobrenaturais que assombraram Hawkins no passado, Mark preferia a calma. Mas havia uma linha vermelha que ninguém tinha permissão de cruzar: Holly Wheeler.

Eles cresceram juntos. Mark era o melhor amigo de Mike, o garoto que estava sempre por perto, observando Holly deixar de ser a menininha curiosa para se tornar uma mulher de dezoito anos vibrante, inteligente e, para o seu total desespero, absolutamente encantadora.

— Você devia colocar gelo nisso antes que sua mão vire uma bola de boliche — disse uma voz familiar.

Mark se sobressaltou, virando-se para encontrar Mike Wheeler encostado no batente da porta da garagem. Mike não parecia bravo, apenas exausto, como se tivesse visto aquele filme antes.

— Aquele idiota do Troy Jr. mereceu — retrucou Mark, sentando-se em um caixote de madeira. — Ele não tem o direito de falar da Holly daquele jeito. Ninguém tem.

Mike suspirou e caminhou até o amigo, jogando uma lata de refrigerante gelada para ele.

— Eu sei. Eu teria feito o mesmo se não tivesse sido suspenso na semana passada por causa do laboratório de química. Mas, Mark... você sabe que isso complica as coisas, não sabe?

Mark pressionou a lata gelada contra os dedos inchados, fechando os olhos por um momento.

— O que você quer dizer?

— Cara, você é apaixonado pela minha irmã desde que a gente jogava D&D no porão — disse Mike, sem rodeios. — Todo mundo sabe. Até a Eleven já comentou que suas "ondas mentais" ficam confusas quando a Holly entra na sala.

Mark sentiu o rosto esquentar, e não era por causa da briga.

— Eu a respeito, Mike. Ela é... ela é tudo. Eu não queria que ela me visse daquele jeito, batendo em alguém como um animal, mas eu não consegui me segurar quando ele sugeriu que ela era "fácil" só porque não sai com ninguém da nossa turma.

O que Mark não sabia era que, do outro lado da porta entreaberta que levava à cozinha, Holly Wheeler estava paralisada. Ela tinha descido para buscar um copo de água, mas as palavras de Mark a pregaram no chão. Seu coração martelava contra as costelas. Ela sempre falava de Mark para suas amigas, descrevendo como ele era o único que realmente a ouvia, mas ouvir da boca dele, em uma conversa confidencial com seu irmão, que ele a defendera daquela forma... era demais para seus sentidos.

— Ela é importante demais para ser tratada como um troféu por aqueles babacas — continuou a voz de Mark, agora mais baixa, quase um sussurro. — Eu daria minha vida por ela, Mike. E nem é por causa do que passamos na infância com o Mundo Invertido e tudo mais. É só... é a Holly. Ela é o sol dessa cidade cinza.

Holly recuou silenciosamente, subindo as escadas com as pernas trêmulas e um sorriso que não conseguia esconder.

A noite caiu e a casa dos Wheeler se encheu com o grupo de sempre. Eles decidiram assistir a uma maratona de filmes de terror antigos na sala de estar. O clima era de nostalgia e conforto. Dustin fazia piadas, Lucas e Max discutiam sobre o final do filme, e Mike e Eleven estavam encolhidos em um canto.

Mark, no entanto, mal conseguia se concentrar na tela. Ele sentia o olhar de Holly sobre ele o tempo todo. Ela estava sentada no tapete, encostada na poltrona onde ele estava, e ocasionalmente, a mão dela roçava em seu joelho "sem querer". Cada toque era como um choque elétrico que percorria sua espinha.

Por volta das onze da noite, o cansaço venceu o grupo.

— Vou indo nessa — anunciou Dustin, bocejando. — Amanhã tenho que ajudar minha mãe com as compras.

— É, eu também vou — disse Mike, levantando-se. — Mark, você vai ficar no quarto de hóspedes ou vai dormir no sofá?

— O quarto de hóspedes está com infiltração, lembra? — interveio Holly, levantando-se e limpando as migalhas de pipoca da calça. — Ele pode ficar no quarto do andar de cima, o que era do meu tio. Está arrumado.

Mark apenas assentiu, sentindo-se estranhamente nervoso. Ele se despediu de todos e subiu as escadas, o silêncio da casa substituindo o caos das risadas de minutos atrás.

Ele entrou no quarto, que agora era tecnicamente "seu" pela noite, e fechou a porta. O ambiente cheirava a amaciante e algo floral que ele reconhecia como o perfume de Holly. Ele tirou os sapatos, jogou a carteira na cômoda e começou a desabotoar a camisa, sentindo o peso do dia finalmente cair sobre seus ombros.

— Mark? — Uma voz suave veio do canto do quarto.

Ele congelou. Mark virou-se lentamente e seu fôlego simplesmente desapareceu.

Holly estava sentada na beira da cama. Ela não estava com o pijama de flanela que usava na sala. Em vez disso, ela vestia uma camisa de algodão cinza dele — uma relíquia do time de basquete que ele tinha "perdido" há alguns meses — que ficava enorme nela, cobrindo quase tudo, exceto pelas pernas longas e a curva delicada de seus quadris, onde apenas as bordas de uma calcinha de renda branca apareciam.

— Holly? O que... o que você está fazendo aqui? — Mark gaguejou, a mão ainda presa no terceiro botão de sua camisa.

Ela se levantou devagar, caminhando em direção a ele. A luz do abajur criava uma aura ao redor de seus cabelos claros.

— Eu ouvi você conversando com o Mike hoje à tarde — confessou ela, parando a poucos centímetros dele. — Sobre a briga. Sobre o que você sente.

Mark sentiu o sangue fugir do rosto.

— Holly, eu... eu não queria que você soubesse daquela forma. Eu não queria parecer um bruto.

— Você não foi um bruto — interrompeu ela, estendendo a mão para tocar os nós dos dedos machucados dele. — Você foi meu herói. De novo. Mas o que mais me importou não foi o soco que você deu naquele idiota. Foi o que você disse depois.

Ela olhou nos olhos dele, e Mark viu uma determinação que nunca tinha visto antes.

— Você disse que eu sou o sol dessa cidade — sussurrou ela. — Mas você não percebeu que eu só brilho porque você está por perto?

Mark sentiu o coração disparar. Ele esqueceu como respirar por um segundo.

— Holly, eu te amo desde que a gente tinha dez anos e você me deu metade do seu sanduíche porque eu esqueci o meu lanche. Mas você é a irmã do Mike, e você é... você é perfeita. Eu achei que nunca teria chance.

Holly sorriu, um sorriso travesso e doce ao mesmo tempo, e puxou levemente a gola da camisa dele.

— Você é um idiota, Mark. Eu vivo falando de você para as meninas. Eu "roubei" essa sua camisa há meses só para sentir o seu cheiro antes de dormir.

— Você roubou? — Ele soltou uma risada nervosa, a tensão começando a se dissipar, mas sendo substituída por um calor muito mais intenso. — Eu procurei essa camisa por toda parte.

— Fica melhor em mim, não acha? — Ela deu uma voltinha, fazendo a barra da camisa subir levemente, revelando mais da pele macia de suas coxas.

Mark engoliu em seco. A visão era torturante e maravilhosa. Ele estendeu a mão, tocando hesitante a cintura dela, sentindo o tecido fino da camisa sob seus dedos.

— Fica infinitamente melhor em você — admitiu ele, a voz ficando rouca.

Holly enlaçou o pescoço dele com os braços, puxando-o para mais perto, até que não houvesse mais espaço entre eles.

— Então para de falar e me beija logo. Eu esperei dezoito anos por isso.

Mark não precisou de um segundo convite. Ele inclinou a cabeça e selou seus lábios nos dela. Foi um beijo que carregava anos de desejo reprimido, de amizade profunda e de uma proteção que agora se transformava em algo muito mais maduro.

Holly soltou um suspiro contra a boca dele, apertando os dedos nos cabelos da nuca de Mark. Ele a ergueu com facilidade, as pernas dela envolvendo sua cintura instintivamente. A sensação da pele dela contra a dele, o contraste da camisa de time áspera com a suavidade de seu corpo, era quase demais para suportar.

Ele a caminhou até a cama, deitando-a com cuidado, mas sem quebrar o contato.

— Tem certeza disso? — perguntou ele entre beijos, a respiração ofegante contra o pescoço dela. — O Mike vai me matar se descobrir.

Holly soltou uma risadinha baixa, puxando-o para cima dela.

— O Mike está dormindo como um tronco. E além disso... eu sou uma mulher adulta, Mark. E eu sei exatamente o que eu quero.

Ela puxou a camisa dele, ajudando-o a tirá-la completamente. Quando a pele de seus peitos se encontrou, Mark sentiu que finalmente estava em casa. Não havia monstros, não havia Mundo Invertido, não havia idiotas na escola. Havia apenas Holly, o cheiro de flores e o calor de um amor que Hawkins nunca conseguiria apagar.

— Eu te amo, Holly — sussurrou ele contra a pele do ombro dela, antes de descer os beijos para a curva de seu pescoço.

— Eu também te amo, Mark. Sempre amei.

E ali, sob o tecido de uma velha camisa de basquete e o silêncio protetor da noite, eles deixaram de ser apenas os amigos de infância para se tornarem o futuro um do outro.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic