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Fandom: Nenhum
Criado: 06/06/2026
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RomanceDramaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesEstudo de PersonagemRealismoAngústiaFatias de VidaGravidez Não Planejada/IndesejadaPsicológicoMistérioCrimeSuspense
Entre Sangue, Tinta e Segredos
O corredor do hospital particular cheirava a antisséptico e café barato, um contraste gritante com o perfume importado e marcante que Sara exalava. Emanuel caminhava ao lado dela, a mão espalmada nas costas da namorada, sentindo a tensão habitual nos ombros. Ele era um homem de controle; construíra um império de tatuagem do zero, lidava com agulhas, sangue e egos inflados diariamente, mas nada testava tanto sua paciência quanto a dinâmica instável de sua vida pessoal.
Sara, em seus sete meses de gestação, parecia uma força da natureza. O vestido justo e curto realçava a barriga redonda onde Ágata crescia, e o salto alto — que Emanuel já havia pedido para ela abandonar — estalava contra o piso de granito. Ela era competente, administrava seus estúdios com uma mão de ferro que ele respeitava, mas sua língua era tão afiada quanto suas unhas esculpidas.
— Eu já disse que não precisava vir, Emanuel. É só um ultrassom de rotina — disse ela, a voz carregada daquela ironia confiante que era sua marca registrada. — Mas sei que você adora exercer seu papel de protetor controlador.
— É minha filha, Sara. E você é minha mulher — respondeu ele, o tom de voz baixo e firme, tipicamente racional. — Vou estar presente em cada passo.
Sara soltou uma risada curta, ajeitando o cabelo loiro platinado que caía perfeitamente sobre os ombros. Ela não via Eduarda como uma ameaça; para ela, a garota era apenas um "doce de leite" que Emanuel precisava para acalmar os nervos, enquanto ela era o prato principal, a que dividia o teto e os negócios com ele.
— Se você estivesse tão focado assim, já teria convencido a "bonequinha de porcelana" a se mudar para a nossa cobertura — provocou ela, lançando-lhe um olhar de soslaio. — O quarto de hóspedes está lá, pegando poeira. Eu não me importo de dividir você, desde que a logística funcione.
Emanuel sentiu o maxilar travar. A recusa de Eduarda em morar com eles era sua maior frustração. Ele queria ter seu mundo sob o mesmo teto, as duas mulheres que amava — de formas tão distintas — protegidas por suas paredes.
Eles dobraram o corredor em direção à ala de obstetrícia, mas os olhos de Emanuel, sempre observadores e treinados para notar detalhes, captaram um movimento na área de pronto-atendimento, logo à esquerda.
Seu coração falhou uma batida.
Sentada em uma cadeira de rodas, com uma expressão de dor que partiu o peito de Emanuel, estava Eduarda. Ela parecia ainda menor do que o normal, vestindo um vestido leve de flores que agora tinha um rasgo sujo no joelho. Ao lado dela, seus pais — um casal jovem, vestindo roupas modernas e com uma aura descontraída que sempre deixava Emanuel desconfortável — conversavam com um enfermeiro.
— Aquela é a Duda? — Sara perguntou, estreitando os olhos, o tom de deboche dando lugar a uma curiosidade genuína. — O que a pequena está fazendo aqui?
Emanuel não respondeu. Ele já estava caminhando a passos largos, a postura rígida transbordando uma fúria contida. Eduarda não o tinha visto ainda; ela estava com a cabeça encostada no ombro da mãe, os olhos castanhos marejados, a personificação da fragilidade que tanto despertava o instinto protetor dele.
— Eduarda? — A voz de Emanuel cortou o ar como um trovão baixo.
A menina deu um sobressalto, os olhos se arregalando ao encontrá-lo. A culpa brilhou instantaneamente em sua expressão doce.
— Manu? — sussurrou ela, a voz sumindo. Ela tentou se encolher na cadeira, parecendo uma criança pega em uma travessura.
— O que aconteceu? — Ele ignorou os pais dela por um momento, debruçando-se sobre ela, as mãos grandes e tatuadas pairando sobre seus ombros, querendo tocá-la, mas temendo machucá-la. — Por que você está em um pronto-atendimento?
— Foi um susto, querido — disse a mãe de Eduarda, sorrindo de forma leve, quase despreocupada. — Ela caiu da moto com a prima. Apenas alguns arranhões no joelho e no braço.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Emanuel sentiu o sangue subir para o rosto.
— Moto? — Ele repetiu a palavra como se fosse um veneno. — Que moto, Eduarda? Você me disse que vinha para a faculdade de ônibus ou de carona com seu pai.
— Eu... eu sempre pego carona com a Luísa, Manu — murmurou Eduarda, as lágrimas finalmente transbordando e rolando por suas bochechas pálidas. Ela esticou a mão, segurando a barra da camisa de Emanuel com um gesto manhoso, buscando o apoio que sempre encontrava nele. — Não fica bravo... dói muito.
— Você mentiu para mim — disse ele, a voz vibrando de tensão. Ele estava possesso não pela mentira em si, mas pelo risco. A ideia de Eduarda, tão leve e esguia, jogada no asfalto, fazia seu estômago revirar. — Eu te ofereci um motorista particular. Eu te ofereci um carro.
— E ela disse que não queria, Emanuel — interrompeu Sara, aproximando-se com um sorriso enviesado. Ela parou ao lado dele, a mão na barriga de sete meses, observando a cena como se fosse um espetáculo interessante. — Oi, Duda. Que estrago, hein? Cuidado para não cicatrizar feio, essa pele de bebê não aguenta muita coisa.
Eduarda olhou para Sara e depois para a barriga dela. A visão da gravidez avançada da outra sempre a deixava mais retraída, lembrando-a da conexão física e permanente que Sara tinha com Emanuel. Ela se encolheu ainda mais, escondendo o rosto no braço de Emanuel.
— Manu, me leva para casa? — pediu Eduarda, ignorando Sara, a voz embargada. — Eu não quero ficar aqui. Meus pais já assinaram a alta, mas eu quero você.
— Ela vai para a nossa casa, Emanuel — disse ele, voltando-se para os pais dela com um olhar que não aceitava discussões. — Já passou da hora dela sair da casa de vocês e das influências de primas irresponsáveis.
— Ah, Emanuel, não seja dramático — o pai de Eduarda interveio, cruzando os braços. — Foi um acidente bobo. Jovens fazem isso.
— Minha mulher não vai se arriscar em duas rodas enquanto eu tiver recursos para protegê-la — rosnou Emanuel.
Sara soltou uma risadinha seca.
— "Minha mulher". Qual delas, querido? — Ela provocou, embora houvesse um brilho de aprovação nos olhos. Ela gostava quando ele assumia o controle, mesmo que fosse por causa da "outra". — Vamos, Duda. Se você for para casa conosco, eu deixo você escolher o jantar. Mas nada de comida natureba de faculdade de artes, eu quero algo com sustância.
Eduarda olhou de Emanuel para Sara. A timidez a sufocava diante da presença esmagadora da loira, mas a dor no joelho e a necessidade de sentir o cheiro de tinta e perfume amadeirado de Emanuel falavam mais alto.
— Eu não trouxe minhas coisas — sussurrou Eduarda para o peito de Emanuel.
— Eu compro tudo novo para você hoje mesmo — ele decretou, passando o braço por baixo dos joelhos dela e a levantando da cadeira de rodas com uma facilidade impressionante. — Sara, ligue para o estúdio. Diga que não volto hoje. E cancele o jantar com os fornecedores.
— Já estou fazendo isso, chefe — Sara respondeu, pegando o celular na bolsa de grife, os dedos ágeis digitando enquanto ela caminhava graciosamente ao lado deles. — Mas você vai me dever uma massagem nos pés por esse transtorno. E a Ágata quer sorvete de pistache no caminho.
Emanuel caminhava pelo hospital carregando Eduarda como se ela fosse o tesouro mais precioso e frágil do mundo, enquanto Sara ditava ordens ao telefone logo atrás. Era uma imagem caótica: o tatuador sério e rico, a grávida exuberante e a estudante ferida e manhosa.
— Você está sendo muito duro, Manu — murmurou Eduarda, escondendo o rosto no pescoço dele enquanto passavam pela recepção. — Eu só queria uma carona...
— Você vai morar comigo, Eduarda. Sem discussões desta vez — ele disse, a voz mais suave agora que a tinha em seus braços, mas ainda carregada de uma autoridade inabalável. — Eu não vou passar por isso de novo. Quero as duas onde eu possa ver. Onde eu possa cuidar.
— Ele tem razão, bonequinha — Sara comentou, desligando o celular e guardando-o no decote generoso. — Além do mais, eu estou ficando enorme e sem paciência. Ter você por perto para me trazer um chá ou ouvir minhas reclamações sobre a contabilidade vai ser útil. E o Emanuel para de ter esses tiques nervosos toda vez que o telefone toca e você não atende.
Eduarda não respondeu, apenas apertou o aperto no pescoço de Emanuel. Ela sabia que tinha perdido aquela batalha. A queda da moto tinha sido o pretexto que Emanuel precisava para cercar sua vida definitivamente.
Ao chegarem no estacionamento, Emanuel acomodou Eduarda com um cuidado extremo no banco de trás do SUV blindado. Sara sentou-se na frente, ajustando o espelho para retocar o batom.
— Prontas? — perguntou Emanuel, entrando no carro e sentindo, pela primeira vez no dia, que o controle estava voltando para suas mãos.
— Eu estou com fome — disse Sara.
— Eu estou com frio — murmurou Eduarda, encolhendo-se no banco de couro.
Emanuel suspirou, ligando o aquecimento e saindo com o carro. Ele olhou pelo retrovisor para a figura delicada de Eduarda e depois para o perfil decidido de Sara ao seu lado. Sua vida era um equilíbrio constante entre a força e a fragilidade, o racional e o impulsivo. Ele era o eixo que mantinha aqueles dois mundos girando, e, por mais que o estresse o consumisse, ele não saberia viver de outra forma.
— Vamos passar na farmácia, depois pegar o sorvete da Ágata e o jantar — ele organizou, a mente já trabalhando na logística de instalar Eduarda permanentemente em seu apartamento. — E amanhã, Sara, você me ajuda a organizar o closet extra para ela.
— Com prazer — Sara sorriu, olhando para trás e piscando para Eduarda. — Vou adorar jogar fora aquelas suas roupas beges, Duda. Vamos dar um jeito nesse seu visual de "camponesa perdida".
Eduarda fez um biquinho, os olhos brilhando com uma ponta de diversão apesar da dor.
— Eu gosto das minhas roupas, Sara.
— Eu sei que gosta, querida. É por isso que você tem a mim. Para te salvar de si mesma.
Emanuel sorriu brevemente, um gesto raro. O conflito ainda existia, e a convivência seria, no mínimo, barulhenta, mas enquanto elas estivessem sob seu teto, ele poderia finalmente respirar em paz. A proteção era sua linguagem de amor, e naquela noite, ele teria todo o seu vocabulário reunido em casa.
Sara, em seus sete meses de gestação, parecia uma força da natureza. O vestido justo e curto realçava a barriga redonda onde Ágata crescia, e o salto alto — que Emanuel já havia pedido para ela abandonar — estalava contra o piso de granito. Ela era competente, administrava seus estúdios com uma mão de ferro que ele respeitava, mas sua língua era tão afiada quanto suas unhas esculpidas.
— Eu já disse que não precisava vir, Emanuel. É só um ultrassom de rotina — disse ela, a voz carregada daquela ironia confiante que era sua marca registrada. — Mas sei que você adora exercer seu papel de protetor controlador.
— É minha filha, Sara. E você é minha mulher — respondeu ele, o tom de voz baixo e firme, tipicamente racional. — Vou estar presente em cada passo.
Sara soltou uma risada curta, ajeitando o cabelo loiro platinado que caía perfeitamente sobre os ombros. Ela não via Eduarda como uma ameaça; para ela, a garota era apenas um "doce de leite" que Emanuel precisava para acalmar os nervos, enquanto ela era o prato principal, a que dividia o teto e os negócios com ele.
— Se você estivesse tão focado assim, já teria convencido a "bonequinha de porcelana" a se mudar para a nossa cobertura — provocou ela, lançando-lhe um olhar de soslaio. — O quarto de hóspedes está lá, pegando poeira. Eu não me importo de dividir você, desde que a logística funcione.
Emanuel sentiu o maxilar travar. A recusa de Eduarda em morar com eles era sua maior frustração. Ele queria ter seu mundo sob o mesmo teto, as duas mulheres que amava — de formas tão distintas — protegidas por suas paredes.
Eles dobraram o corredor em direção à ala de obstetrícia, mas os olhos de Emanuel, sempre observadores e treinados para notar detalhes, captaram um movimento na área de pronto-atendimento, logo à esquerda.
Seu coração falhou uma batida.
Sentada em uma cadeira de rodas, com uma expressão de dor que partiu o peito de Emanuel, estava Eduarda. Ela parecia ainda menor do que o normal, vestindo um vestido leve de flores que agora tinha um rasgo sujo no joelho. Ao lado dela, seus pais — um casal jovem, vestindo roupas modernas e com uma aura descontraída que sempre deixava Emanuel desconfortável — conversavam com um enfermeiro.
— Aquela é a Duda? — Sara perguntou, estreitando os olhos, o tom de deboche dando lugar a uma curiosidade genuína. — O que a pequena está fazendo aqui?
Emanuel não respondeu. Ele já estava caminhando a passos largos, a postura rígida transbordando uma fúria contida. Eduarda não o tinha visto ainda; ela estava com a cabeça encostada no ombro da mãe, os olhos castanhos marejados, a personificação da fragilidade que tanto despertava o instinto protetor dele.
— Eduarda? — A voz de Emanuel cortou o ar como um trovão baixo.
A menina deu um sobressalto, os olhos se arregalando ao encontrá-lo. A culpa brilhou instantaneamente em sua expressão doce.
— Manu? — sussurrou ela, a voz sumindo. Ela tentou se encolher na cadeira, parecendo uma criança pega em uma travessura.
— O que aconteceu? — Ele ignorou os pais dela por um momento, debruçando-se sobre ela, as mãos grandes e tatuadas pairando sobre seus ombros, querendo tocá-la, mas temendo machucá-la. — Por que você está em um pronto-atendimento?
— Foi um susto, querido — disse a mãe de Eduarda, sorrindo de forma leve, quase despreocupada. — Ela caiu da moto com a prima. Apenas alguns arranhões no joelho e no braço.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Emanuel sentiu o sangue subir para o rosto.
— Moto? — Ele repetiu a palavra como se fosse um veneno. — Que moto, Eduarda? Você me disse que vinha para a faculdade de ônibus ou de carona com seu pai.
— Eu... eu sempre pego carona com a Luísa, Manu — murmurou Eduarda, as lágrimas finalmente transbordando e rolando por suas bochechas pálidas. Ela esticou a mão, segurando a barra da camisa de Emanuel com um gesto manhoso, buscando o apoio que sempre encontrava nele. — Não fica bravo... dói muito.
— Você mentiu para mim — disse ele, a voz vibrando de tensão. Ele estava possesso não pela mentira em si, mas pelo risco. A ideia de Eduarda, tão leve e esguia, jogada no asfalto, fazia seu estômago revirar. — Eu te ofereci um motorista particular. Eu te ofereci um carro.
— E ela disse que não queria, Emanuel — interrompeu Sara, aproximando-se com um sorriso enviesado. Ela parou ao lado dele, a mão na barriga de sete meses, observando a cena como se fosse um espetáculo interessante. — Oi, Duda. Que estrago, hein? Cuidado para não cicatrizar feio, essa pele de bebê não aguenta muita coisa.
Eduarda olhou para Sara e depois para a barriga dela. A visão da gravidez avançada da outra sempre a deixava mais retraída, lembrando-a da conexão física e permanente que Sara tinha com Emanuel. Ela se encolheu ainda mais, escondendo o rosto no braço de Emanuel.
— Manu, me leva para casa? — pediu Eduarda, ignorando Sara, a voz embargada. — Eu não quero ficar aqui. Meus pais já assinaram a alta, mas eu quero você.
— Ela vai para a nossa casa, Emanuel — disse ele, voltando-se para os pais dela com um olhar que não aceitava discussões. — Já passou da hora dela sair da casa de vocês e das influências de primas irresponsáveis.
— Ah, Emanuel, não seja dramático — o pai de Eduarda interveio, cruzando os braços. — Foi um acidente bobo. Jovens fazem isso.
— Minha mulher não vai se arriscar em duas rodas enquanto eu tiver recursos para protegê-la — rosnou Emanuel.
Sara soltou uma risadinha seca.
— "Minha mulher". Qual delas, querido? — Ela provocou, embora houvesse um brilho de aprovação nos olhos. Ela gostava quando ele assumia o controle, mesmo que fosse por causa da "outra". — Vamos, Duda. Se você for para casa conosco, eu deixo você escolher o jantar. Mas nada de comida natureba de faculdade de artes, eu quero algo com sustância.
Eduarda olhou de Emanuel para Sara. A timidez a sufocava diante da presença esmagadora da loira, mas a dor no joelho e a necessidade de sentir o cheiro de tinta e perfume amadeirado de Emanuel falavam mais alto.
— Eu não trouxe minhas coisas — sussurrou Eduarda para o peito de Emanuel.
— Eu compro tudo novo para você hoje mesmo — ele decretou, passando o braço por baixo dos joelhos dela e a levantando da cadeira de rodas com uma facilidade impressionante. — Sara, ligue para o estúdio. Diga que não volto hoje. E cancele o jantar com os fornecedores.
— Já estou fazendo isso, chefe — Sara respondeu, pegando o celular na bolsa de grife, os dedos ágeis digitando enquanto ela caminhava graciosamente ao lado deles. — Mas você vai me dever uma massagem nos pés por esse transtorno. E a Ágata quer sorvete de pistache no caminho.
Emanuel caminhava pelo hospital carregando Eduarda como se ela fosse o tesouro mais precioso e frágil do mundo, enquanto Sara ditava ordens ao telefone logo atrás. Era uma imagem caótica: o tatuador sério e rico, a grávida exuberante e a estudante ferida e manhosa.
— Você está sendo muito duro, Manu — murmurou Eduarda, escondendo o rosto no pescoço dele enquanto passavam pela recepção. — Eu só queria uma carona...
— Você vai morar comigo, Eduarda. Sem discussões desta vez — ele disse, a voz mais suave agora que a tinha em seus braços, mas ainda carregada de uma autoridade inabalável. — Eu não vou passar por isso de novo. Quero as duas onde eu possa ver. Onde eu possa cuidar.
— Ele tem razão, bonequinha — Sara comentou, desligando o celular e guardando-o no decote generoso. — Além do mais, eu estou ficando enorme e sem paciência. Ter você por perto para me trazer um chá ou ouvir minhas reclamações sobre a contabilidade vai ser útil. E o Emanuel para de ter esses tiques nervosos toda vez que o telefone toca e você não atende.
Eduarda não respondeu, apenas apertou o aperto no pescoço de Emanuel. Ela sabia que tinha perdido aquela batalha. A queda da moto tinha sido o pretexto que Emanuel precisava para cercar sua vida definitivamente.
Ao chegarem no estacionamento, Emanuel acomodou Eduarda com um cuidado extremo no banco de trás do SUV blindado. Sara sentou-se na frente, ajustando o espelho para retocar o batom.
— Prontas? — perguntou Emanuel, entrando no carro e sentindo, pela primeira vez no dia, que o controle estava voltando para suas mãos.
— Eu estou com fome — disse Sara.
— Eu estou com frio — murmurou Eduarda, encolhendo-se no banco de couro.
Emanuel suspirou, ligando o aquecimento e saindo com o carro. Ele olhou pelo retrovisor para a figura delicada de Eduarda e depois para o perfil decidido de Sara ao seu lado. Sua vida era um equilíbrio constante entre a força e a fragilidade, o racional e o impulsivo. Ele era o eixo que mantinha aqueles dois mundos girando, e, por mais que o estresse o consumisse, ele não saberia viver de outra forma.
— Vamos passar na farmácia, depois pegar o sorvete da Ágata e o jantar — ele organizou, a mente já trabalhando na logística de instalar Eduarda permanentemente em seu apartamento. — E amanhã, Sara, você me ajuda a organizar o closet extra para ela.
— Com prazer — Sara sorriu, olhando para trás e piscando para Eduarda. — Vou adorar jogar fora aquelas suas roupas beges, Duda. Vamos dar um jeito nesse seu visual de "camponesa perdida".
Eduarda fez um biquinho, os olhos brilhando com uma ponta de diversão apesar da dor.
— Eu gosto das minhas roupas, Sara.
— Eu sei que gosta, querida. É por isso que você tem a mim. Para te salvar de si mesma.
Emanuel sorriu brevemente, um gesto raro. O conflito ainda existia, e a convivência seria, no mínimo, barulhenta, mas enquanto elas estivessem sob seu teto, ele poderia finalmente respirar em paz. A proteção era sua linguagem de amor, e naquela noite, ele teria todo o seu vocabulário reunido em casa.
