Fanfy
.studio
Imagem de fundo

Aggressive Passion

Fandom: EngLot

Criado: 06/06/2026

Tags

RomanceDramaAçãoCrimeEstudo de PersonagemLinguagem ExplícitaUniverso Alternativo
Índice

Colisão Inevitável

O corredor principal da St. Jude’s Academy cheirava a perfume caro, cera de assoalho e ao medo mal disfarçado dos alunos do segundo ano que abriam caminho para a tempestade que se aproximava. Engfa Waraha caminhava como se o prédio inteiro fosse sua propriedade privada, os coturnos pesados ecoando contra o mármore. Sua jaqueta da Ferrari, um item de colecionador que custava mais do que o carro de muitos professores, estava aberta sobre a camiseta branca, e o cheiro de nicotina e asfalto parecia segui-la como uma aura.

Ela parou diante de um grupo de garotos que ocupavam o espaço central. Não disse uma palavra. Apenas inclinou a cabeça, um sorriso de lado revelando seus caninos levemente pontiagudos, e esperou. Em cinco segundos, o corredor estava livre.

— Patético — murmurou Engfa, jogando o cabelo castanho-escuro para trás.

— O que é patético? O fato de você se comportar como uma delinquente de dezoito anos ou o fato de eles ainda caírem no seu teatrinho de valentona?

A voz era suave, mas cortante como uma lâmina de vidro. Engfa parou imediatamente. Ela não precisava se virar para saber quem era. Apenas uma pessoa na St. Jude’s tinha aquela cadência perfeita, aquele tom de superioridade que não precisava de gritos para ser ouvido.

Charlotte Austin estava encostada nos armários, segurando um livro de capa dura contra o peito. Os óculos de armação fina repousavam sobre o nariz reto, e o cabelo castanho-claro caía em ondas impecáveis sobre os ombros. Ela era a definição de elegância acadêmica, a filha perfeita de políticos influentes, a número um em todas as listas de honra.

Engfa girou nos calcanhares, o sorriso de lado se transformando em algo mais provocador, quase predatório.

— Ora, se não é a minha nerd favorita. Sentiu saudades do meu "teatrinho", Austin? Ou só estava esperando uma oportunidade para admirar a vista?

Charlotte não desviou o olhar. Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre elas. Sendo três centímetros mais alta que Engfa, ela usava essa vantagem para olhar para baixo, um brilho de desdém divertido nos olhos claros.

— Eu estava apenas me perguntando quando o diretor vai se cansar de limpar a sua ficha. Fiquei sabendo que a pichação no muro leste custou uma pequena fortuna para ser removida. Seus pais devem estar adorando assinar os cheques.

Engfa riu, um som rouco que vibrou no peito. Ela se aproximou até que seus narizes quase se tocassem.

— Dinheiro serve para ser gasto, Charlotte. E eu gosto de deixar minha marca por onde passo. Você deveria tentar um dia. Sair dessa bolha de notas dez e debates chatos. Garanto que a adrenalina é melhor que qualquer prêmio de literatura.

— Adrenalina é apenas a forma como o corpo lida com a falta de inteligência para resolver problemas de maneira civilizada — retrucou Charlotte, fechando o livro com um estalo seco. — Mas vindo de alguém que acha que dirigir em círculos a duzentos por hora é o ápice da existência humana, eu não esperava menos.

— Você fala muito para quem não tira os olhos de mim nas corridas de sexta-feira.

O silêncio que se seguiu foi denso, carregado de uma tensão que os outros alunos, agora observando de longe, não ousavam interromper. Charlotte não negou. Ela apenas arqueou uma sobrancelha, um sorriso egocêntrico brincando em seus lábios.

— Eu observo tudo, Engfa. É meu trabalho ser informada. E o que eu vejo é uma garota que faz muito barulho para esconder o quanto é carente de atenção.

Engfa sentiu o sangue ferver, mas não de raiva. Era aquele desafio, aquela recusa sistemática de Charlotte em se curvar, que a deixava louca. Desde o primeiro dia, quando Engfa tentou intimidá-la no refeitório e recebeu um sermão lógico e humilhante na frente de todos, ela sabia que Charlotte era diferente. Cada rejeição era um combustível. Cada olhar de desprezo da nerd era um convite para o caos.

— Você se acha tão esperta — sussurrou Engfa, a voz baixando para um tom perigosamente íntimo. — Mas nós duas sabemos que você adora o fato de eu ser a única pessoa nesta escola que não tem medo de você.

— Medo? — Charlotte soltou uma risada curta e elegante. — Engfa, você é uma incógnita estressante, nada mais. Agora, se me der licença, tenho uma aula de artes para frequentar. Algumas pessoas realmente produzem algo útil com as mãos, em vez de apenas socar paredes.

Charlotte passou por Engfa, seu ombro batendo propositalmente no dela. Engfa ficou parada por um momento, inalando o perfume de baunilha e sofisticação que Charlotte deixou para trás. Ela odiava o quanto amava aquilo.

***

Duas horas depois, a sala de artes estava silenciosa, exceto pelo som do pincel de Charlotte contra a tela. Ela estava pintando uma paisagem abstrata, tons de azul e cinza se misturando em uma tempestade visual. Era seu refúgio. Ali, ela não era a filha dos Austin, a futura diplomata ou a aluna perfeita. Ali, ela era apenas Charlotte.

A porta se abriu com um estrondo, e o som de passos pesados interrompeu sua paz. Ela não precisou olhar para saber quem era.

— Você não sabe bater? — perguntou Charlotte, sem desviar os olhos da tela.

— A porta estava destrancada. E eu não sigo regras, você sabe disso — Engfa respondeu, caminhando até ficar atrás de Charlotte.

Ela observou a pintura por um longo tempo. Engfa podia ser uma rebelde sem causa para a maioria, mas tinha uma sensibilidade que escondia sob camadas de couro e sarcasmo.

— Está muito triste — comentou Engfa, a voz desprovida da agressividade de antes. — Por que tanto cinza?

Charlotte parou o pincel no ar. Ela suspirou, finalmente virando-se para encarar a garota à sua frente. Engfa parecia diferente agora. Havia uma mancha de graxa na bochecha e os olhos castanhos pareciam mais cansados.

— O cinza é neutro. É seguro — respondeu Charlotte. — Nem todo mundo vive a vida em cores berrantes e barulhentas como você, Engfa.

— O seguro é tedioso, Charlotte.

Engfa se aproximou, pegando o pincel da mão de Charlotte. Antes que a outra pudesse protestar, Engfa mergulhou o pincel em um pote de tinta vermelha vibrante e fez um traço firme e ruidoso no meio da tela cinza.

— O que você fez?! — Charlotte exclamou, os olhos arregalados de choque. — Você arruinou tudo!

— Eu dei vida a isso — disse Engfa, jogando o pincel de lado e segurando o rosto de Charlotte com as duas mãos, as palmas quentes contra a pele fria da nerd. — Você passa tanto tempo tentando ser perfeita, tentando ser o que seus pais querem, o que a escola espera... que esquece de sangrar um pouco.

Charlotte tentou se afastar, mas a pegada de Engfa era firme, possessiva. O coração de Charlotte martelava contra as costelas, e ela odiava a facilidade com que Engfa desarmava suas defesas.

— Você não sabe nada sobre mim — sibilou Charlotte, embora sua voz tenha falhado levemente.

— Eu sei que você me ajudou na semana passada — disse Engfa, os olhos fixos nos de Charlotte. — Eu vi o relatório da diretoria. O vídeo da câmera de segurança que me incriminava na corrida ilegal simplesmente "desapareceu" do servidor. E só uma pessoa nesta escola tem acesso aos códigos do sistema e inteligência suficiente para apagar rastros sem deixar pistas.

Charlotte desviou o olhar, o rubor subindo por seu pescoço.

— Eu só não queria que você fosse expulsa. Seria um tédio não ter ninguém para debater nos corredores.

Engfa soltou uma risadinha, aproximando o rosto.

— Mentirosa. Você me ama, Austin. Você ama o fato de que eu sou o seu oposto. E você ama me salvar, porque isso te dá o controle que você tanto deseja.

— Você é pretensiosa, irritante e uma completa delinquente — Charlotte disse, as palavras saindo em um sussurro enquanto suas mãos, involuntariamente, subiam para agarrar as lapelas da jaqueta de Engfa.

— E você é uma nerd egocêntrica, mandona e a mulher mais atraente que já pisou nesta escola — Engfa retrucou, o hálito de menta roçando os lábios de Charlotte. — Por que não paramos de fingir?

Charlotte sustentou o olhar por mais um segundo, a batalha interna entre a razão e o desejo sendo vencida pela adrenalina que Engfa sempre trazia consigo.

— Se você contar a alguém sobre isso — ameaçou Charlotte —, eu garanto que sua vida se tornará um inferno acadêmico.

— Eu conto com isso — respondeu Engfa.

Foi Charlotte quem encurtou o espaço final. O beijo foi uma colisão de mundos. Tinha o gosto da rebeldia de Engfa e da precisão de Charlotte. Era urgente, faminto e carregado de uma rivalidade que se transformara em algo muito mais perigoso. Engfa prensou Charlotte contra a mesa de pintura, derrubando alguns potes de tinta, mas nenhuma das duas se importou.

Engfa soltou um gemido baixo quando sentiu os dentes de Charlotte em seu lábio inferior. A nerd não era nada delicada; ela era possessiva, dominante à sua própria maneira.

— Você é um desastre, Waraha — murmurou Charlotte entre beijos, as mãos agora emaranhadas no cabelo castanho de Engfa.

— E você é a minha solução, Austin — Engfa respondeu, puxando Charlotte para mais perto, querendo fundir suas peles.

Elas ficaram ali, no estúdio de artes, cercadas por cores e silêncio, duas forças da natureza que passaram meses tentando se destruir, apenas para perceberem que eram as únicas que podiam se completar.

***

Naquela noite, a pista de corrida clandestina na periferia da cidade estava lotada. O som dos motores roncando era música para os ouvidos de Engfa. Ela estava encostada em seu carro, uma jaqueta esportiva com as cores da McLaren desta vez, esperando o sinal.

Uma Mercedes preta, discreta e elegante, estacionou a alguns metros de distância. Charlotte saiu do carro, usando um sobretudo preto que escondia seu uniforme escolar, mas os óculos ainda estavam lá, brilhando sob as luzes de neon.

Engfa sorriu e caminhou até ela, ignorando os olhares curiosos de seus amigos pichadores e corredores.

— Veio ver o show, princesa? — provocou Engfa.

Charlotte olhou para o ambiente degradado com um ar de superioridade, mas seus olhos brilharam quando encontraram os de Engfa. Ela se aproximou e ajeitou a gola da jaqueta de Engfa.

— Vim garantir que você não faça nenhuma estupidez que eu não consiga consertar depois — disse Charlotte em voz alta para quem quisesse ouvir. Mas então, inclinou-se para o ouvido de Engfa e sussurrou: — Ganhe essa corrida e talvez eu te deixe me mostrar o que mais você sabe fazer com essas mãos além de segurar um volante.

Engfa sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela deu um passo atrás, fazendo uma reverência sarcástica, mas com um olhar de pura adoração.

— Seus desejos são ordens, Austin.

— Eu sei que são — Charlotte sorriu, orgulhosa e impecável. — Agora vá. Eu tenho um álibi pronto para você caso a polícia apareça.

Engfa entrou no carro, o coração disparado. Ela não se importava mais com o perigo ou com as consequências. Com Charlotte Austin nos bastidores, manipulando o mundo a seu favor, Engfa sentia que poderia realmente dominar o país — ou pelo menos queimar o asfalto até que não restasse nada além delas duas.

Enquanto o sinal ficava verde e Engfa acelerava, ela viu pelo retrovisor a figura elegante de Charlotte observando-a. A nerd e a valentona. A ordem e o caos. Era uma combinação destinada ao desastre, mas enquanto o motor rugia, Engfa só conseguia pensar que nunca se sentira tão viva. E ela sabia, sem sombra de dúvida, que faria qualquer loucura que Charlotte pedisse, apenas para ver aquele sorriso de superioridade dirigido exclusivamente a ela.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic