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O casamento forcado
Fandom: Obcecivo
Criado: 06/06/2026
Tags
RomanceDramaSombrioPsicológicoSuspenseCrimeEstudo de PersonagemRomance
O Pacto de Sombras e Seda
O espelho à minha frente refletia uma imagem que eu conhecia bem, mas que hoje parecia carregar um peso diferente. Meus cabelos castanhos caíam em ondas perfeitas sobre os ombros, e o vestido de seda branca, ajustado ao corpo e com um corte impecável, destacava meus olhos azuis. Eu estava, como sempre, impecável. Salto alto, maquiagem leve porém marcante, e o perfume que se tornara minha marca registrada pairando no ar.
Aos dezenove anos, eu sabia que minha vida não me pertencia totalmente. Meu pai, um homem de negócios implacável, havia decidido que o próximo passo para o crescimento do nosso império era a minha união com os Makevic. Eu não protestei. Se isso traria prosperidade à nossa família, eu cumpriria meu papel. Fui criada para ser a esposa perfeita: educada, elegante e, acima de tudo, resiliente.
— Ceci, querida, está pronta? — A voz do meu pai ecoou na porta do quarto.
Eu me virei, oferecendo-lhe um sorriso sereno.
— Sim, papai. Estou pronta.
— Lembre-se do que conversamos — disse ele, aproximando-se para beijar minha testa. — Pietro Makevic não é um homem comum. Ele é o herdeiro de um poder colossal, mas é um homem difícil. Ele será seu senhor, comandará seus passos e suas finanças, mas ele conhece os limites. Ele sabe que, se você for maltratada além do suportável, eu destruirei o que construímos juntos. Seja submissa, mas mantenha sua dignidade.
— Eu entendo — respondi calmamente.
O trajeto até o cartório foi silencioso. Eu sabia o que diziam sobre Pietro. Trinta anos, uma força da natureza, um homem que não sorria e que, desde a morte da mãe, havia se tornado uma máquina de gelo e fúria. Diziam que ele era capaz de esmagar um homem com as próprias mãos se perdesse a paciência. E ele a perdia com frequência.
Quando chegamos ao prédio imponente, meu coração deu um salto discreto, mas minha expressão permaneceu neutra. Entramos na sala privada onde o contrato de casamento e os registros civis seriam assinados.
E lá estava ele.
Pietro Makevic era mais imponente do que qualquer fotografia poderia sugerir. Ele tinha cerca de 1,90m, e mesmo eu, com meus 1,80m e saltos altos, me senti pequena diante da largura de seus ombros. Ele estava inteiramente de preto. O terno sob medida parecia lutar para conter os músculos de seu peito largo e braços malhados. O rosto era uma escultura de traços duros: cabelos pretos curtos, uma mandíbula quadrada e olhos castanhos que pareciam queimar qualquer coisa que ousassem encarar. Notei as pequenas sardas sobre o nariz, um detalhe quase humano em uma figura que parecia feita de pedra.
Ele não se levantou quando entramos. Apenas nos observou com uma frieza que fez a temperatura da sala cair.
— Makevic — meu pai cumprimentou, estendendo a mão.
Pietro apenas acenou levemente com a cabeça, ignorando o gesto. Seus olhos se voltaram para mim. Ele me percorreu de cima a baixo, demorando-se nos meus sapatos, subindo pelas curvas do vestido até encontrar meus olhos. Não houve admiração, apenas uma posse imediata e sombria.
— Esta é Ceci — disse meu pai, mantendo a voz firme.
— Assine — foi a primeira coisa que ouvi Pietro dizer. Sua voz era um barítono profundo, rouco, que vibrou no meu peito.
Ele não disse "prazer em conhecê-la". Ele não sorriu. Ele apenas empurrou os papéis na minha direção.
Aproximei-me da mesa, sentindo o perfume amadeirado e intenso que emanava dele. Peguei a caneta e assinei meu nome com letra firme. Pietro pegou o documento em seguida, assinando com uma força que quase rasgou o papel.
— Agora você é minha — disse ele, levantando-se. A altura dele era realmente intimidadora. — Minhas regras. Minhas casas. Meu dinheiro. Você não dá um passo sem que eu saiba. Entendido?
— Sim, Pietro — respondi, mantendo o tom educado e baixo.
Ele estreitou os olhos, parecendo surpreso com a minha falta de resistência.
— Vamos embora — ordenou ele, sem se despedir do meu pai.
Ele segurou meu braço. Não foi um toque gentil; sua mão era grande e quente, os dedos circulando meu pulso com uma firmeza que demonstrava sua força superior. Ele me conduziu para fora do cartório e em direção ao carro blindado que nos esperava.
Assim que entramos no veículo, o silêncio se tornou sufocante. Pietro olhava para a janela, o perfil rígido.
— Eu não gosto de conversas inúteis — disse ele, sem me olhar. — Você terá tudo o que precisar, mas não espere carinho. Você é uma extensão do meu patrimônio agora. Se você me obedecer, não teremos problemas. Se me desafiar...
— Eu sei o que acontece, Pietro — interrompi suavemente. — Meu pai me explicou os termos. Eu serei a esposa que você espera. Não tenho intenção de causar conflitos.
Ele virou o rosto para mim lentamente. Seus olhos castanhos brilharam com algo que eu não soube identificar.
— Você é muito calma para uma garota de dezenove anos — comentou ele, a voz carregada de desdém. — Ou é muito inteligente, ou é muito tola.
— Prefiro acreditar que sou inteligente — respondi, cruzando as pernas e ajeitando o tecido do meu vestido.
O carro parou em frente a uma mansão que parecia uma fortaleza de vidro e aço. Era o reflexo perfeito de seu dono: rica, fria e impenetrável. Pietro desceu e, antes que o motorista pudesse dar a volta, ele mesmo abriu a minha porta. Ele me puxou para fora com um pouco mais de força do que o necessário.
— Este é o seu novo mundo — disse ele, enquanto caminhávamos para a entrada.
Um dos seguranças que estava no portão se aproximou para pegar minha bolsa pequena, um gesto de cortesia. Antes que o homem pudesse tocar o acessório, Pietro rosnou.
— Não toque nela — a voz de Pietro saiu como um trovão.
O segurança recuou imediatamente, empalidecendo.
— Senhor, eu só ia...
Pietro não o deixou terminar. Em um movimento rápido demais para um homem do seu tamanho, ele agarrou o segurança pelo colarinho e o empurrou contra a parede de pedra.
— Eu disse para não tocar nela — rosnou Pietro, o rosto a centímetros do homem. — Ninguém toca no que é meu. Se você olhar para ela de novo por mais de um segundo, eu arranco seus olhos. Saia da minha frente!
O homem saiu tropeçando. Pietro respirava pesadamente, os punhos cerrados. Ele se virou para mim, a expressão ainda mais selvagem.
— Isso vale para qualquer um — disse ele, apontando o dedo para mim. — Você não sorri para os funcionários. Você não conversa com os vizinhos. Você é minha. Até o chão que você pisa me pertence, Ceci. Se eu sentir que alguém está chegando perto demais, eu não vou apenas bater. Eu vou destruir.
Eu senti um arrepio percorrer minha espinha, mas não de medo. Era uma percepção clara do perigo que aquele homem representava. Ele era possessivo a um nível doentio.
— Eu entendo, Pietro — respondi, mantendo a voz estável, apesar do coração acelerado. — Não tenho interesse em mais ninguém.
Ele se aproximou de mim, reduzindo o espaço até que seu peito largo encostasse no meu ombro. Ele era tão alto que eu precisava inclinar a cabeça para trás para encará-lo. Ele levou a mão ao meu pescoço, o polegar pressionando levemente a minha mandíbula.
— Você é bonita demais — murmurou ele, e pela primeira vez, vi uma faísca de algo humano em seus olhos, embora fosse uma humanidade sombria. — É um problema. Vou ter que manter você trancada em uma caixa de ouro.
— Eu não sou um objeto, Pietro — disse eu, a primeira centelha de resistência surgindo. — Sou sua esposa.
— Você é o que eu disser que você é — rebateu ele, a ignorância habitual retornando à sua voz. — Agora entre. O jantar será servido em dez minutos. Eu controlo o horário nesta casa. Se atrasar um minuto, haverá consequências.
Ele me soltou e entrou na casa, deixando-me para trás no hall de entrada. Eu observei suas costas largas, o jeito como ele caminhava com a confiança de um predador que domina seu território.
O jantar foi uma experiência gélida. A sala de jantar era imensa, com uma mesa de carvalho escuro que poderia acomodar vinte pessoas, mas estávamos apenas nós dois nas extremidades. O silêncio era interrompido apenas pelo som dos talheres. Pietro comia com uma eficiência mecânica, sem nunca tirar os olhos de mim.
— O seu irmão me disse que você mudou muito depois que sua mãe morreu — comentei, tentando quebrar o gelo, embora soubesse que era arriscado.
Pietro parou de comer instantaneamente. O som do garfo batendo no prato de porcelana soou como um tiro.
— Meu irmão fala demais — disse ele, a voz perigosamente baixa. — Nunca mais mencione minha mãe. E nunca mais ouça o que os outros dizem sobre mim. A única verdade que importa é a que sai da minha boca.
— Eu só queria entender...
— Não quero que você entenda nada — ele se levantou abruptamente, a cadeira arrastando no chão com um ruído estridente. — Quero que você obedeça. Você quer ser submissa, Ceci? Então comece guardando sua curiosidade.
Ele caminhou até o meu lado da mesa. Eu me mantive sentada, olhando para cima. Ele se curvou sobre mim, apoiando as mãos nos braços da minha cadeira, prendendo-me.
— Você vai para o quarto agora — ordenou ele. — Vou terminar de resolver alguns assuntos da empresa. Amanhã, você começará a aprender como gerencio minhas posses. Incluindo você.
— Eu tenho minhas próprias roupas e coisas para organizar — eu disse, tentando manter minha autonomia.
— Suas coisas antigas não importam — ele disse, com um sorriso de escárnio que não chegava aos olhos. — Eu comprei tudo novo. Tudo o que você veste, tudo o que você usa, foi escolhido por mim. Você não usará nada que não tenha o meu selo de aprovação.
— Pietro, isso é...
— Isso é o nosso casamento — interrompeu ele. — Eu comando as compras, o dinheiro, as empresas. E comando você. Se o seu pai tiver algum problema com isso, ele que venha falar comigo. Mas enquanto você estiver sob este teto, você é minha responsabilidade e meu domínio.
Ele se inclinou mais, o rosto tão próximo que eu podia sentir o calor de sua pele.
— Agora, vá.
Eu me levantei, sentindo o peso daquela nova realidade. Caminhei em direção às escadas, sentindo o olhar dele queimando minhas costas a cada degrau. Quando cheguei ao topo, olhei para baixo. Ele ainda estava lá, parado no meio da sala, uma silhueta negra e poderosa na luz fraca.
— Pietro? — chamei.
Ele não respondeu, apenas inclinou a cabeça levemente.
— Boa noite — eu disse.
Ele não retribuiu o desejo. Apenas deu as costas e caminhou para o seu escritório, fechando a porta com um estrondo que ecoou por toda a mansão.
Entrei no quarto que me fora designado. Era luxuoso, em tons de cinza e prata, com uma cama imensa e janelas que iam do chão ao teto. No closet, fileiras de vestidos impecáveis e saltos caríssimos me esperavam. Não havia uma única calça. Ele realmente havia pensado em tudo.
Sentei-me na beira da cama, tirando meus sapatos. Meus pés doíam, mas minha mente estava mais exausta que meu corpo. Pietro Makevic era um monstro de beleza e brutalidade. Ele era grosso, ignorante e possessivo ao extremo. Mas havia algo naquela escuridão que me desafiava.
Meu pai esperava que eu fosse submissa para manter a paz entre os impérios. Pietro esperava que eu fosse um troféu silencioso que ele pudesse controlar.
Mas enquanto eu olhava para o meu reflexo na janela escurecida, vi os meus olhos azuis brilhando com uma determinação que nenhum dos dois esperava. Se eu teria que viver naquela gaiola de ouro, eu aprenderia a lidar com o carcereiro.
De repente, a porta do quarto se abriu sem que ninguém batesse. Pietro estava parado ali, a gravata frouxa, os primeiros botões da camisa abertos, revelando o início de seu peito trincado.
— Esqueci de uma regra — disse ele, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
Ele caminhou até mim com passos lentos e predatórios. Parou à minha frente, obrigando-me a olhar para cima novamente.
— Você nunca tranca esta porta — disse ele, a voz rouca. — Eu entro e saio quando quiser. Este quarto é meu. Você é minha.
Ele estendeu a mão e tocou uma mecha do meu cabelo, enrolando-a no dedo com uma força desnecessária, puxando levemente minha cabeça para trás.
— Você entendeu, Ceci?
— Entendi, Pietro — sussurrei.
Ele soltou meu cabelo e me encarou por um longo tempo, um silêncio carregado de uma tensão que eu não conseguia definir. Por um momento, achei que ele diria algo mais, talvez algo menos agressivo. Mas ele apenas deu meia-volta e saiu, deixando o rastro de seu perfume e a certeza de que minha vida, a partir daquele momento, seria uma dança perigosa sobre o fio de uma navalha.
Eu me deitei, sentindo o silêncio da mansão me envolver. Eu era a esposa do homem mais temido da cidade. E a guerra de vontades estava apenas começando.
Aos dezenove anos, eu sabia que minha vida não me pertencia totalmente. Meu pai, um homem de negócios implacável, havia decidido que o próximo passo para o crescimento do nosso império era a minha união com os Makevic. Eu não protestei. Se isso traria prosperidade à nossa família, eu cumpriria meu papel. Fui criada para ser a esposa perfeita: educada, elegante e, acima de tudo, resiliente.
— Ceci, querida, está pronta? — A voz do meu pai ecoou na porta do quarto.
Eu me virei, oferecendo-lhe um sorriso sereno.
— Sim, papai. Estou pronta.
— Lembre-se do que conversamos — disse ele, aproximando-se para beijar minha testa. — Pietro Makevic não é um homem comum. Ele é o herdeiro de um poder colossal, mas é um homem difícil. Ele será seu senhor, comandará seus passos e suas finanças, mas ele conhece os limites. Ele sabe que, se você for maltratada além do suportável, eu destruirei o que construímos juntos. Seja submissa, mas mantenha sua dignidade.
— Eu entendo — respondi calmamente.
O trajeto até o cartório foi silencioso. Eu sabia o que diziam sobre Pietro. Trinta anos, uma força da natureza, um homem que não sorria e que, desde a morte da mãe, havia se tornado uma máquina de gelo e fúria. Diziam que ele era capaz de esmagar um homem com as próprias mãos se perdesse a paciência. E ele a perdia com frequência.
Quando chegamos ao prédio imponente, meu coração deu um salto discreto, mas minha expressão permaneceu neutra. Entramos na sala privada onde o contrato de casamento e os registros civis seriam assinados.
E lá estava ele.
Pietro Makevic era mais imponente do que qualquer fotografia poderia sugerir. Ele tinha cerca de 1,90m, e mesmo eu, com meus 1,80m e saltos altos, me senti pequena diante da largura de seus ombros. Ele estava inteiramente de preto. O terno sob medida parecia lutar para conter os músculos de seu peito largo e braços malhados. O rosto era uma escultura de traços duros: cabelos pretos curtos, uma mandíbula quadrada e olhos castanhos que pareciam queimar qualquer coisa que ousassem encarar. Notei as pequenas sardas sobre o nariz, um detalhe quase humano em uma figura que parecia feita de pedra.
Ele não se levantou quando entramos. Apenas nos observou com uma frieza que fez a temperatura da sala cair.
— Makevic — meu pai cumprimentou, estendendo a mão.
Pietro apenas acenou levemente com a cabeça, ignorando o gesto. Seus olhos se voltaram para mim. Ele me percorreu de cima a baixo, demorando-se nos meus sapatos, subindo pelas curvas do vestido até encontrar meus olhos. Não houve admiração, apenas uma posse imediata e sombria.
— Esta é Ceci — disse meu pai, mantendo a voz firme.
— Assine — foi a primeira coisa que ouvi Pietro dizer. Sua voz era um barítono profundo, rouco, que vibrou no meu peito.
Ele não disse "prazer em conhecê-la". Ele não sorriu. Ele apenas empurrou os papéis na minha direção.
Aproximei-me da mesa, sentindo o perfume amadeirado e intenso que emanava dele. Peguei a caneta e assinei meu nome com letra firme. Pietro pegou o documento em seguida, assinando com uma força que quase rasgou o papel.
— Agora você é minha — disse ele, levantando-se. A altura dele era realmente intimidadora. — Minhas regras. Minhas casas. Meu dinheiro. Você não dá um passo sem que eu saiba. Entendido?
— Sim, Pietro — respondi, mantendo o tom educado e baixo.
Ele estreitou os olhos, parecendo surpreso com a minha falta de resistência.
— Vamos embora — ordenou ele, sem se despedir do meu pai.
Ele segurou meu braço. Não foi um toque gentil; sua mão era grande e quente, os dedos circulando meu pulso com uma firmeza que demonstrava sua força superior. Ele me conduziu para fora do cartório e em direção ao carro blindado que nos esperava.
Assim que entramos no veículo, o silêncio se tornou sufocante. Pietro olhava para a janela, o perfil rígido.
— Eu não gosto de conversas inúteis — disse ele, sem me olhar. — Você terá tudo o que precisar, mas não espere carinho. Você é uma extensão do meu patrimônio agora. Se você me obedecer, não teremos problemas. Se me desafiar...
— Eu sei o que acontece, Pietro — interrompi suavemente. — Meu pai me explicou os termos. Eu serei a esposa que você espera. Não tenho intenção de causar conflitos.
Ele virou o rosto para mim lentamente. Seus olhos castanhos brilharam com algo que eu não soube identificar.
— Você é muito calma para uma garota de dezenove anos — comentou ele, a voz carregada de desdém. — Ou é muito inteligente, ou é muito tola.
— Prefiro acreditar que sou inteligente — respondi, cruzando as pernas e ajeitando o tecido do meu vestido.
O carro parou em frente a uma mansão que parecia uma fortaleza de vidro e aço. Era o reflexo perfeito de seu dono: rica, fria e impenetrável. Pietro desceu e, antes que o motorista pudesse dar a volta, ele mesmo abriu a minha porta. Ele me puxou para fora com um pouco mais de força do que o necessário.
— Este é o seu novo mundo — disse ele, enquanto caminhávamos para a entrada.
Um dos seguranças que estava no portão se aproximou para pegar minha bolsa pequena, um gesto de cortesia. Antes que o homem pudesse tocar o acessório, Pietro rosnou.
— Não toque nela — a voz de Pietro saiu como um trovão.
O segurança recuou imediatamente, empalidecendo.
— Senhor, eu só ia...
Pietro não o deixou terminar. Em um movimento rápido demais para um homem do seu tamanho, ele agarrou o segurança pelo colarinho e o empurrou contra a parede de pedra.
— Eu disse para não tocar nela — rosnou Pietro, o rosto a centímetros do homem. — Ninguém toca no que é meu. Se você olhar para ela de novo por mais de um segundo, eu arranco seus olhos. Saia da minha frente!
O homem saiu tropeçando. Pietro respirava pesadamente, os punhos cerrados. Ele se virou para mim, a expressão ainda mais selvagem.
— Isso vale para qualquer um — disse ele, apontando o dedo para mim. — Você não sorri para os funcionários. Você não conversa com os vizinhos. Você é minha. Até o chão que você pisa me pertence, Ceci. Se eu sentir que alguém está chegando perto demais, eu não vou apenas bater. Eu vou destruir.
Eu senti um arrepio percorrer minha espinha, mas não de medo. Era uma percepção clara do perigo que aquele homem representava. Ele era possessivo a um nível doentio.
— Eu entendo, Pietro — respondi, mantendo a voz estável, apesar do coração acelerado. — Não tenho interesse em mais ninguém.
Ele se aproximou de mim, reduzindo o espaço até que seu peito largo encostasse no meu ombro. Ele era tão alto que eu precisava inclinar a cabeça para trás para encará-lo. Ele levou a mão ao meu pescoço, o polegar pressionando levemente a minha mandíbula.
— Você é bonita demais — murmurou ele, e pela primeira vez, vi uma faísca de algo humano em seus olhos, embora fosse uma humanidade sombria. — É um problema. Vou ter que manter você trancada em uma caixa de ouro.
— Eu não sou um objeto, Pietro — disse eu, a primeira centelha de resistência surgindo. — Sou sua esposa.
— Você é o que eu disser que você é — rebateu ele, a ignorância habitual retornando à sua voz. — Agora entre. O jantar será servido em dez minutos. Eu controlo o horário nesta casa. Se atrasar um minuto, haverá consequências.
Ele me soltou e entrou na casa, deixando-me para trás no hall de entrada. Eu observei suas costas largas, o jeito como ele caminhava com a confiança de um predador que domina seu território.
O jantar foi uma experiência gélida. A sala de jantar era imensa, com uma mesa de carvalho escuro que poderia acomodar vinte pessoas, mas estávamos apenas nós dois nas extremidades. O silêncio era interrompido apenas pelo som dos talheres. Pietro comia com uma eficiência mecânica, sem nunca tirar os olhos de mim.
— O seu irmão me disse que você mudou muito depois que sua mãe morreu — comentei, tentando quebrar o gelo, embora soubesse que era arriscado.
Pietro parou de comer instantaneamente. O som do garfo batendo no prato de porcelana soou como um tiro.
— Meu irmão fala demais — disse ele, a voz perigosamente baixa. — Nunca mais mencione minha mãe. E nunca mais ouça o que os outros dizem sobre mim. A única verdade que importa é a que sai da minha boca.
— Eu só queria entender...
— Não quero que você entenda nada — ele se levantou abruptamente, a cadeira arrastando no chão com um ruído estridente. — Quero que você obedeça. Você quer ser submissa, Ceci? Então comece guardando sua curiosidade.
Ele caminhou até o meu lado da mesa. Eu me mantive sentada, olhando para cima. Ele se curvou sobre mim, apoiando as mãos nos braços da minha cadeira, prendendo-me.
— Você vai para o quarto agora — ordenou ele. — Vou terminar de resolver alguns assuntos da empresa. Amanhã, você começará a aprender como gerencio minhas posses. Incluindo você.
— Eu tenho minhas próprias roupas e coisas para organizar — eu disse, tentando manter minha autonomia.
— Suas coisas antigas não importam — ele disse, com um sorriso de escárnio que não chegava aos olhos. — Eu comprei tudo novo. Tudo o que você veste, tudo o que você usa, foi escolhido por mim. Você não usará nada que não tenha o meu selo de aprovação.
— Pietro, isso é...
— Isso é o nosso casamento — interrompeu ele. — Eu comando as compras, o dinheiro, as empresas. E comando você. Se o seu pai tiver algum problema com isso, ele que venha falar comigo. Mas enquanto você estiver sob este teto, você é minha responsabilidade e meu domínio.
Ele se inclinou mais, o rosto tão próximo que eu podia sentir o calor de sua pele.
— Agora, vá.
Eu me levantei, sentindo o peso daquela nova realidade. Caminhei em direção às escadas, sentindo o olhar dele queimando minhas costas a cada degrau. Quando cheguei ao topo, olhei para baixo. Ele ainda estava lá, parado no meio da sala, uma silhueta negra e poderosa na luz fraca.
— Pietro? — chamei.
Ele não respondeu, apenas inclinou a cabeça levemente.
— Boa noite — eu disse.
Ele não retribuiu o desejo. Apenas deu as costas e caminhou para o seu escritório, fechando a porta com um estrondo que ecoou por toda a mansão.
Entrei no quarto que me fora designado. Era luxuoso, em tons de cinza e prata, com uma cama imensa e janelas que iam do chão ao teto. No closet, fileiras de vestidos impecáveis e saltos caríssimos me esperavam. Não havia uma única calça. Ele realmente havia pensado em tudo.
Sentei-me na beira da cama, tirando meus sapatos. Meus pés doíam, mas minha mente estava mais exausta que meu corpo. Pietro Makevic era um monstro de beleza e brutalidade. Ele era grosso, ignorante e possessivo ao extremo. Mas havia algo naquela escuridão que me desafiava.
Meu pai esperava que eu fosse submissa para manter a paz entre os impérios. Pietro esperava que eu fosse um troféu silencioso que ele pudesse controlar.
Mas enquanto eu olhava para o meu reflexo na janela escurecida, vi os meus olhos azuis brilhando com uma determinação que nenhum dos dois esperava. Se eu teria que viver naquela gaiola de ouro, eu aprenderia a lidar com o carcereiro.
De repente, a porta do quarto se abriu sem que ninguém batesse. Pietro estava parado ali, a gravata frouxa, os primeiros botões da camisa abertos, revelando o início de seu peito trincado.
— Esqueci de uma regra — disse ele, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
Ele caminhou até mim com passos lentos e predatórios. Parou à minha frente, obrigando-me a olhar para cima novamente.
— Você nunca tranca esta porta — disse ele, a voz rouca. — Eu entro e saio quando quiser. Este quarto é meu. Você é minha.
Ele estendeu a mão e tocou uma mecha do meu cabelo, enrolando-a no dedo com uma força desnecessária, puxando levemente minha cabeça para trás.
— Você entendeu, Ceci?
— Entendi, Pietro — sussurrei.
Ele soltou meu cabelo e me encarou por um longo tempo, um silêncio carregado de uma tensão que eu não conseguia definir. Por um momento, achei que ele diria algo mais, talvez algo menos agressivo. Mas ele apenas deu meia-volta e saiu, deixando o rastro de seu perfume e a certeza de que minha vida, a partir daquele momento, seria uma dança perigosa sobre o fio de uma navalha.
Eu me deitei, sentindo o silêncio da mansão me envolver. Eu era a esposa do homem mais temido da cidade. E a guerra de vontades estava apenas começando.
