
O casamento forcado
Fandom: Obcecivo
Criado: 06/06/2026
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O Despertar da Besta e o Sangue da Traição
O sol mal havia começado a tingir o céu de um laranja pálido quando Pietro se levantou. Como de costume, ele não emitiu um único som. Observou Ceci adormecida, a pele clara contrastando com os lençóis de seda escura, os cabelos castanhos espalhados como uma moldura sobre o travesseiro. Ele sentiu aquela posse possessiva queimar em seu peito, um desejo latente de trancá-la em uma redoma de vidro onde ninguém mais pudesse sequer respirar o mesmo ar que ela. Sem dizer uma palavra, ele vestiu seu terno preto sob medida, conferiu o relógio de luxo e saiu para resolver os negócios que mantinham o império Makevic no topo do mundo. Ele mal sabia que, ao fechar aquela porta, estava deixando sua posse mais preciosa à mercê de monstros.
Viktor Makevic, o patriarca que carregava o veneno nas veias, observava o carro do filho mais velho deixar a propriedade. Ele nunca aceitara o fato de Pietro ter se tornado mais poderoso que ele. Para Viktor, Ceci não era apenas uma nora para selar um acordo; era uma peça de xadrez para humilhar o filho e corromper o que Pietro começava a valorizar.
Ao lado de Viktor estava Erick, o irmão mais novo de Pietro. Aos vinte anos, Erick era a sombra fraca do irmão. Ele não possuía a disciplina ou a força de Pietro, apenas uma inveja corrosiva e uma mente facilmente manipulável pelo pai.
— Chegou a hora, Erick — sussurrou Viktor, um sorriso cruel distorcendo seus lábios envelhecidos. — Hoje você vai provar que é um Makevic. Hoje, você toma o que é dele.
Eles entraram nos aposentos de Ceci com a furtividade de predadores. Ela estava em um sono profundo, a respiração calma e rítmica. Viktor não perdeu tempo. Com movimentos rápidos e brutais, ele e Erick a imobilizaram. Ceci sentiu uma picada aguda no braço antes mesmo de conseguir abrir os olhos; o sedativo injetado por Viktor foi potente, mergulhando-a de volta em uma escuridão artificial e pesada.
Eles a amarraram à cama de dossel com cordas de seda. Suas pernas foram mantidas abertas, uma exposição vulnerável e humilhante. Seguindo as ordens doentias do pai, Erick, com as mãos trêmulas, retirou a camisola de seda de Ceci e a vestiu com uma lingerie provocante que Viktor havia selecionado pessoalmente para aquele ato de depravação.
— O que eu faço agora, pai? — perguntou Erick, a voz falhando, os olhos fixos no corpo escultural da mulher que, por direito e lei, pertencia ao seu irmão.
Viktor soltou uma risada seca e começou a despir o próprio filho.
— Agora você se torna um homem, Erick. Pietro pensa que é o único que pode comandar nesta casa. Vamos mostrar a ele que o que ele toca, nós podemos destruir.
Viktor começou a manipular o filho, instigando seus instintos mais básicos e sombrios, preparando-o para o ato final de traição. Erick, movido por uma mistura de medo do pai e uma luxúria reprimida, deixou-se levar pela loucura de Viktor.
Enquanto isso, a quilômetros dali, uma sensação de inquietação absoluta atingiu Pietro. Ele estava no meio de uma reunião de fusão, mas sua mente foi invadida por uma imagem de Ceci. Ele sentiu um aperto no peito, um instinto primitivo de que algo em seu território estava fora de lugar. Sem dar explicações aos sócios, ele se levantou, derrubando a cadeira pesada.
— A reunião acabou — rosnou ele, a voz como um trovão antes da tempestade.
O trajeto de volta foi uma corrida contra o tempo que ele nem sabia que estava perdendo. Quando os pneus de seu carro cantaram no cascalho da mansão, o silêncio da casa parecia carregar o cheiro de traição. Pietro subiu as escadas de dois em dois degraus, sua aura de violência emanando como ondas de calor.
Ao escancarar a porta de seu quarto, a cena que encontrou paralisou o mundo ao seu redor por um milésimo de segundo, antes de desencadear o inferno.
Viktor estava de pé, observando Erick, que estava prestes a cometer o erro fatal de tocar no que era sagrado para Pietro. Ceci continuava inconsciente, amarrada, uma visão de beleza maculada pela presença daqueles dois.
O grito que saiu da garganta de Pietro não foi humano. Foi o rugido de uma besta que teve seu coração arrancado.
— FORA DE CIMA DELA! — A voz de Pietro vibrou nas paredes.
Antes que Erick pudesse reagir, Pietro atravessou o quarto. Seu punho, pesado como chumbo, atingiu o rosto do irmão mais novo com tal força que o som dos ossos da face quebrando ecoou pelo recinto. Erick foi lançado contra a parede, desabando como um boneco de pano, o sangue jorrando instantaneamente.
Viktor tentou sacar uma arma, mas Pietro foi mais rápido. Ele agarrou o braço do pai e o quebrou com a mesma facilidade com que se quebra um galho seco.
— Você... — Pietro sibilou, os olhos castanhos agora quase negros de ódio. — Você ousou tocar no que é meu? No meu próprio quarto?
— Ela é apenas uma mulher, Pietro! — gritou Viktor, a dor estampada no rosto. — Um instrumento para o poder!
Pietro não respondeu com palavras. Ele segurou o pescoço do pai com uma única mão, suspendendo o homem de 1,90m do chão. A força em seus braços trincados era sobre-humana. Ele apertou até que o rosto de Viktor ficasse roxo, até que a vida se esvaísse dos olhos do homem que lhe dera a vida, mas que agora tentara tirar sua alma. Com um movimento seco, ele quebrou o pescoço de Viktor e jogou o corpo de lado como se fosse lixo.
Erick, gemendo no chão, tentou rastejar. Pietro se virou para ele. Não havia piedade, não havia irmandade. Havia apenas a justiça de um homem que não conhecia limites para sua possessividade. Pietro pegou a arma que caíra da mão de Viktor e, sem hesitar, disparou contra o irmão. Um tiro limpo. Um fim necessário.
O silêncio retornou ao quarto, quebrado apenas pela respiração pesada e errática de Pietro. O cheiro de pólvora e sangue impregnava o ar. Ele guardou a arma na cintura e, lentamente, como se estivesse entrando em um santuário, caminhou até a cama.
Seus olhos percorreram o corpo de Ceci. Ela ainda estava sob o efeito do sedativo, imóvel, as cordas de seda cortando levemente sua pele alva. A lingerie que Erick fora forçado a colocar nela realçava cada curva, cada detalhe da mulher que Pietro agora percebia que desejava mais do que qualquer império ou fortuna.
Ele sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Ver Ceci ali, vulnerável, cercada pela carnificina que ele acabara de causar, despertou algo sombrio e primitivo em seu âmago. A raiva que sentira momentos antes começou a se transformar em uma excitação avassaladora e doentia.
— Minha... — ele sussurrou, a voz rouca, quase um rosnado.
Ele se aproximou e, com uma faca de bolso que sempre carregava, cortou as amarras de seda uma a uma. Cada vez que uma corda caía, ele tocava a pele dela com a ponta dos dedos, sentindo a maciez que contrastava com a violência que ainda pulsava em suas veias.
Pietro subiu na cama, posicionando-se sobre ela sem colocar todo o seu peso. Ele observou o rosto sereno de Ceci, os olhos azuis escondidos pelas pálpebras fechadas. Ele a queria. Queria marcar cada centímetro dela para que o cheiro daqueles traidores fosse apagado para sempre e substituído pelo dele.
— Você não tem ideia do que eu vou fazer com você quando acordar, Ceci — ele murmurou, passando o polegar pelo lábio inferior dela. — Você é minha. E de mais ninguém.
Ele se inclinou, aspirando o perfume dela que lutava contra o cheiro de sangue no quarto. A visão de sua esposa, vestida daquela forma, à sua mercê após ele ter eliminado qualquer ameaça, era o ápice de seu domínio. Pietro sentiu seu corpo reagir com uma intensidade que nunca experimentara. Ele era o rei de um império de sangue, e Ceci era sua rainha cativa.
Lentamente, ele começou a beijar o pescoço dela, enquanto suas mãos grandes e fortes mapeavam o corpo que ele agora protegeria — e possuiria — com uma ferocidade que o mundo nunca vira. A noite ainda estava longe de terminar, e para Pietro, o verdadeiro banquete estava apenas começando. Ele esperaria que ela acordasse. Ele queria que ela visse nos olhos dele que o mundo lá fora não existia mais. Existiam apenas os dois, o sangue derramado e a obsessão que os uniria para sempre.
