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Oliver x ∆lice

Fandom: Fpe

Criado: 07/06/2026

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O Banquete de Sabonete e Sangue

A escuridão no quarto de ∆lice não era a escuridão comum dos corredores da Escola de Papel. Era um vazio denso, sufocante, que parecia pulsar com o ritmo de um coração frenético. No centro desse breu, a princesa demônio, geralmente a figura mais temida e implacável daquelas paredes, encontrava-se em uma posição de vulnerabilidade absoluta. Seus pulsos e tornozelos estavam presos por correntes de metal frio a uma mesa de pedra áspera.

∆lice tentou puxar as correntes, o som do metal batendo contra a pedra ecoando como um sino fúnebre. Ela estava furiosa. Quem ousaria? Quem teria a audácia de prender a entidade que fazia até os professores tremerem? Mas, por trás da fúria, havia uma pontada de medo genuíno. Ela sentia que algo estava errado. O ar cheirava a grafite e a algo doce, quase como... sabonete.

— Quem está aí? — gritou ela, sua voz ecoando com uma autoridade que tentava disfarçar o tremor. — Apareça agora! Eu vou estraçalhar suas entranhas e decorar meu quarto com seus ossos!

O silêncio foi a única resposta por alguns segundos, até que um clique seco ressoou. A luz acima da mesa acendeu-se de forma violenta, cegando-a momentaneamente. Quando sua visão se ajustou, o que ela viu não foi um inimigo, mas sim a pessoa que ela mais amava no mundo. Ou pelo menos, o que restava da sanidade dele.

Oliver estava parado na frente dela. Seus longos cabelos brancos, que chegavam aos tornozelos, estavam desgrenhados, e o laço preto que prendia seu rabo de cavalo estava torto. A marca "A+" em seu cabelo parecia brilhar com um vermelho mais intenso sob a luz artificial. Mas o que mais chamava a atenção era o seu olhar. Seus olhos estavam arregalados, as pupilas dilatadas a ponto de quase cobrirem a íris, e um sorriso maníaco cortava seu rosto.

Em seu braço direito, ele segurava uma motosserra. Mas não era uma ferramenta comum de metal cinzento. Era uma motosserra customizada, pintada em tons pastéis de rosa e azul, com adesivos de estrelas e corações espalhados pelo motor. No entanto, o contraste era aterrorizante: a lâmina dentada estava encharcada de um sangue fresco e espesso, que pingava no chão de ladrilhos brancos.

— Oliver? — ∆lice sussurrou, a confusão nublando sua raiva. — O que é isso? O que você está fazendo? Me solte agora, isso não tem graça.

Oliver inclinou a cabeça para o lado, a mecha de cabelo no topo de sua cabeça balançando de forma cômica, se a situação não fosse trágica. Ele soltou uma risadinha aguda, um som que parecia o arranhar de giz em uma lousa.

— Oh, ∆lice... minha doce, doce ∆lice — disse ele, a voz falhando em uma nota de excitação maníaca. — Você sempre diz que o amor é consumo, não diz? Que para amar alguém de verdade, você precisa devorar essa pessoa?

Ele deu um passo à frente, as botas pretas rangendo no chão. O braço de lápis de Oliver riscou a lateral da mesa, deixando um rastro de grafite escuro sobre a pedra.

— Eu andei pensando — continuou ele, ignorando o suor frio que escorria pelo rosto da namorada. — Eu sempre como sabonete. É gostoso, é perfumado, faz bolhas... mas falta algo. Falta substância. Falta você.

— Oliver, pare com isso! — ∆lice rosnou, tentando usar seus poderes, mas algo naquela sala, ou talvez o choque psicológico, a impedia de se transformar. — Eu sou a princesa demônio! Eu sou aquela que mata! Você é meu namorado, você deve me obedecer!

Oliver soltou uma gargalhada histérica, o som preenchendo o quarto e abafando os protestos dela.

— Não hoje, meu amor! — Ele puxou a corda de partida da motosserra. — Hoje, o aluno nota dez vai tirar a nota máxima na aula de anatomia!

O motor da motosserra rugiu, um som ensurdecedor que vibrava nas paredes. O cheiro de gasolina se misturou ao aroma de sabonete que emanava de Oliver. ∆lice arregalou os olhos, vendo a lâmina girar em uma velocidade frenética, os dentes de metal brilhando sob a luz fria.

— Oliver, não! — gritou ela, mas o som foi engolido pelo rugido da máquina.

Oliver avançou com um salto, a agilidade de seus anos sendo travesso agora aplicada a algo muito mais sombrio. Ele não hesitou. A primeira descida da motosserra atingiu o ombro de ∆lice. O grito dela foi agudo, cortante, mas durou pouco enquanto o metal rasgava carne, osso e tecido demoníaco.

O sangue espirrou instantaneamente, sujando a camisa preta de Oliver e manchando suas meias brancas. Ele parecia em transe, uma expressão de puro êxtase em seu rosto enquanto movia a ferramenta com uma precisão brutal e desordenada ao mesmo tempo.

— Veja como você é linda por dentro, ∆lice! — gritou ele por cima do barulho. — Tanta cor! Tanto brilho!

A execução foi rápida e violenta. Oliver não poupou esforços para garantir que cada centímetro daquela que ele amava fosse transformado em nada mais do que restos irreconhecíveis. A mesa de tortura, que antes servia para os jogos de ∆lice, agora era o palco de sua própria ruína. O chão estava coberto de um tapete carmesim, e o silêncio finalmente retornou quando Oliver desligou o motor da motosserra.

O quarto ficou silencioso, exceto pelo som da respiração pesada de Oliver e o gotejar rítmico do sangue caindo da mesa.

Ele largou a motosserra fofa no chão com um baque surdo. Suas mãos, seu rosto, seus cabelos brancos... tudo estava tingido de vermelho. Oliver olhou para o que restava na mesa. Não havia mais a princesa demônio, apenas fragmentos de um amor que ele decidira imortalizar da única forma que sua mente deturpada compreendia.

Lentamente, ele se aproximou da mesa. Ele pegou um pedaço pequeno de sabonete que guardava no bolso da bermuda branca — um sabonete de lavanda, seu favorito — e o mergulhou na poça de sangue que se acumulava sobre a pedra.

— O tempero perfeito — murmurou ele, levando o sabonete à boca e dando uma mordida crocante.

Ele mastigou devagar, sentindo o gosto químico do sabonete misturar-se ao sabor ferroso e quente do sangue de ∆lice. Um gemido de satisfação escapou de seus lábios.

— Tão doce... — disse ele, as lágrimas começando a se formar em seus olhos, embora o sorriso não desaparecesse. — Você é muito mais gostosa do que qualquer sabonete de luxo, ∆lice.

Ele começou a comer. Com as mãos trêmulas e o braço de lápis servindo de apoio, Oliver passou a consumir os restos mortais da namorada. Ele comia com uma fome desesperada, uma fome que não era apenas física, mas uma tentativa de fundir a essência de ∆lice à sua própria.

Cada pedaço que ele ingeria era acompanhado por uma lembrança. O primeiro dia em que se conheceram, as travessuras que faziam com os outros alunos, os momentos em que ela o protegia com sua fúria demoníaca. Agora, ela estaria com ele para sempre. Literalmente.

— Nós seremos um só agora — disse ele entre as mordidas, o sangue escorrendo pelo queixo e manchando a gola de sua camisa listrada. — Ninguém pode nos separar. Nem a escola, nem os professores... nem a morte.

Oliver continuou seu banquete macabro sob a luz solitária do quarto. O menino travesso, o aluno nota dez, o amante do sabonete, agora era apenas uma silhueta manchada de vermelho no centro de um pesadelo que ele mesmo criara.

Quando terminou, ele se sentou no chão, encostado na mesa de pedra agora vazia de vida, mas cheia de marcas. Ele olhou para o seu braço de lápis, agora sujo de sangue seco, e começou a desenhar um coração no chão, circulando os restos que não conseguira consumir.

— Nota dez para mim — sussurrou ele, fechando os olhos e sentindo o gosto final de sabonete e sangue em sua língua. — Nota dez para o nosso amor.
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