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Por acaso

Fandom: Decedentes

Criado: 07/06/2026

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Entre Segredos, Cubos Mágicos e Vilões

A luz do luar filtrava-se pelas janelas altas do escritório de Ben, projetando sombras longas sobre os tapetes luxuosos de Auradon. Hanna sentia o coração batendo na garganta, as mãos inquietas brincando com a barra de seu vestido. Seus olhos castanho cor de mel, geralmente brilhantes com alguma travessura ou curiosidade inteligente, estavam nublados pela ansiedade. Ela não era de se intimidar facilmente — afinal, o sangue que corria em suas veias era uma mistura explosiva do heroísmo de Auradon e da loucura indomável de sua mãe, a Arlequina —, mas ser acusada de quebrar a Varinha da Fada Madrinha era um nível de encrenca que ela não planejara.

— Ben, você tem que acreditar em mim. — Hanna bufou, jogando o longo cabelo preto para trás dos ombros. — Eu sou brincalhona, eu gosto de uma boa confusão, mas eu não sou idiota. Eu sei o que aquela varinha representa. Eu não encostei nela!

Ben, o futuro rei de Auradon, observava-a com uma expressão que misturava cansaço e adoração. Ele conhecia Hanna melhor do que quase ninguém. Sabia que, por trás da fachada fofa e do jeito gentil, havia uma garota que amava animais e que preferia a companhia de sua mãe vilã à rigidez da corte. Ele suspirou, aproximando-se dela e segurando suas mãos pequenas.

— Eu acredito em você, Hanna. — A voz dele era calma, um contraste gritante com o nervosismo dela. — Eu sei que você não faria isso. Vou falar com a Fada Madrinha amanhã cedo e explicar que foi um mal-entendido. Você não precisa se preocupar.

Hanna relaxou os ombros, sentindo um peso imenso saindo de suas costas. Ela deu um sorriso pequeno, aquele que sempre fazia Ben se perder um pouco nos pensamentos.

— Obrigada, Ben. De verdade. Às vezes parece que todo mundo aqui espera que eu surte só por causa da minha mãe.

— Eles não conhecem a garota inteligente e incrível que eu conheço — murmurou ele.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi carregado. Ben a puxou para um abraço apertado, e Hanna se permitiu ser cuidada por um momento. Quando ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, o clima mudou. Antes que Hanna pudesse processar a lógica da situação — já que eles tecnicamente não namoravam e a relação deles era um emaranhado de "quases" —, Ben a beijou.

Hanna retribuiu instantaneamente. Havia algo de proibido e doce naquilo, um fogo que sempre parecia prestes a explodir entre o príncipe perfeito e a filha da anti-heroína mais caótica do mundo.

O beijo foi interrompido de forma abrupta pelo som da porta se abrindo com um estrondo.

— Benjamin! Eu esqueci de mencionar que...

A Fada Madrinha parou no meio da frase, os olhos arregalados por trás dos óculos. Ben se afastou de Hanna em um salto, enquanto ela, com uma frieza impressionante, apenas passou o dedo sobre os lábios para limpar qualquer vestígio do beijo, mantendo a expressão neutra.

— Fada Madrinha! — Ben exclamou, o rosto vermelho de frustração. — Existe uma coisa chamada "bater na porta". É um conceito básico de etiqueta em Auradon, eu acredito.

— Oh! Céus! Eu... eu sinto muito, Majestade! — A Fada Madrinha gaguejou, parecendo subitamente muito interessada no teto. — Eu só vim avisar que o conselho aprovou. Os filhos dos vilões da Ilha dos Perdidos chegarão em breve. A proclamação foi oficializada.

Ben respirou fundo, tentando recuperar a compostura real.

— Ótimo. Obrigado pelo aviso. Agora, se não se importa, estamos no meio de uma conversa privada.

A Fada Madrinha assentiu freneticamente e saiu quase correndo, fechando a porta atrás de si. Ben não perdeu tempo; ele caminhou até a porta e girou a chave, garantindo que não haveria outra interrupção.

Hanna já estava sentada na cama dele, tendo encontrado um cubo mágico em cima do criado-mudo. Seus dedos ágeis moviam as peças coloridas com uma velocidade impressionante, sua mente inteligente focada no quebra-cabeça para disfarçar o leve tremor nas mãos.

— Você deu uma bronca nela — Hanna comentou, sem desviar os olhos do cubo. — Que ousado, Ben.

Ben caminhou até ela, a determinação brilhando em seus olhos. Ele não disse nada. Simplesmente tirou o cubo mágico das mãos dela e o jogou sobre os lençóis. Antes que Hanna pudesse protestar com um "ei!", ele a empurrou gentilmente para trás, ficando por cima dela enquanto ela se deitava no colchão macio.

— Onde estávamos? — ele sussurrou contra a pele do pescoço dela.

Hanna sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela era meio brava, gostava de estar no controle, mas a forma como Ben a olhava agora a deixava completamente desarmada. Ele começou a beijar seu pescoço, trilhando um caminho de fogo que fazia a respiração dela falhar. Em um momento de entrega, Hanna soltou um gemido baixo, segurando os ombros dele.

O tempo pareceu parar no quarto real. Não havia varinhas quebradas, não havia vilões vindo da Ilha, não havia expectativas da corte. Havia apenas a pele quente, o perfume amadeirado de Ben e a sensação de que, naquele pequeno universo trancado, Hanna podia ser exatamente quem ela era.

Depois de um longo tempo, o ritmo diminuiu. Eles acabaram deitados lado a lado, olhando para o dossel da cama, recuperando o fôlego enquanto o silêncio da noite voltava a reinar no castelo.

— Eu jurava que a Fada Madrinha ia aparecer aqui batendo na porta que nem uma louca depois de escutar o gemido que você me fez dar — Hanna comentou, soltando uma risadinha abafada e escondendo o rosto no ombro de Ben.

Ben riu, um som rico e genuíno que raramente mostrava em público.

— A essa hora? Ela já deve estar dormindo. Na verdade, o castelo inteiro já deve estar no décimo sono.

Ele se virou de lado, apoiando a cabeça na mão para olhar para ela.

— E, para sua informação, aquele foi o som mais bonito que eu já ouvi hoje. Esqueça o coro real ou os discursos do conselho.

Hanna deu um tapinha de leve no braço dele, as bochechas coradas.

— Você é um bobo, Ben.

— Talvez. Mas é verdade — ele continuou, o tom ficando mais leve. — E sobre a Fada Madrinha... às vezes eu acho que ela é um pouco louca. Ela gosta de mim, mas de um jeito quase obsessivo com as regras. Ver a gente daquele jeito deve ter dado um curto-circuito no cérebro dela.

— Imagina a cara dela se ela soubesse que a "filha da vilã" está corrompendo o príncipe herdeiro — Hanna brincou, voltando a pegar o cubo mágico que estava perdido nos lençóis e resolvendo as últimas duas faces em segundos.

— Você não me corrompeu, Hanna. Você me salvou de morrer de tédio nessa perfeição toda.

Hanna sorriu, sentindo aquela pontada de carinho que sempre tentava esconder com piadas. Ela se aconchegou mais perto dele, fechando os olhos.

— Ben?

— Sim?

— Se esses filhos de vilões vierem mesmo... você acha que eles vão gostar de mim? Ou vão achar que eu sou uma traidora por viver aqui?

Ben beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro doce de seu cabelo preto.

— Eles vão amar você. É impossível não amar. E se eles tiverem metade da sua inteligência, vão perceber que você é a ponte entre os dois mundos.

Hanna suspirou, sentindo o sono chegar. Por mais que amasse sua mãe e seu lado caótico, ali, nos braços de Ben, o reino de Auradon não parecia um lugar tão ruim para se chamar de lar.

— Só espero que nenhum deles tente roubar meu cubo mágico — ela murmurou, já meio adormecida.

Ben riu baixinho, apagando a luz do abajur.

— Eu protejo o seu cubo, Hanna. E protejo você também.

O silêncio do castelo agora era total, quebrado apenas pela respiração rítmica dos dois. No dia seguinte, os problemas voltariam, a varinha ainda estaria quebrada e os novos estudantes chegariam da Ilha, mas, por aquela noite, a filha da Arlequina e o futuro Rei de Auradon eram apenas dois jovens tentando encontrar seu próprio final feliz em meio ao caos.
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