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Nem por um segundo

Fandom: Swanqueen

Criado: 07/06/2026

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RomanceDramaAngústiaOmegaversoHistória DomésticaCiúmesEstudo de Personagem
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O Eco do Domínio

A luz da manhã de Boston filtrava-se pelas persianas de madeira do escritório de Regina, criando um padrão de sombras lineares sobre a mesa de carvalho maciço. Regina Mills, desembargadora respeitada e temida, ajustou o corte impecável de seu vestido de seda bordô, que delineava suas curvas com uma precisão que beirava a provocação. Ela encarava o monitor, mas as palavras do processo jurídico à sua frente pareciam borrões. Sua mente estava, como sempre nos últimos quatro anos, a quilômetros dali, ou melhor, no andar de cima de uma cobertura na Beacon Hill.

O som metálico de saltos ecoando no corredor anunciou a chegada de sua secretária, mas Regina soube, pelo peso do silêncio que se seguiu, que não era ela. O ar na sala mudou. Tornou-se denso, carregado de uma eletricidade estática que Regina reconheceria em qualquer lugar do mundo.

— Você está atrasada para buscar a Helena. — A voz de Regina saiu fria, uma lâmina de gelo envolta em veludo.

— O conselho da Swan Enterprises não se move de acordo com o seu relógio, Regina. — Emma Swan entrou na sala com a arrogância silenciosa de quem é dona do espaço.

Emma usava um blazer cinza-chumbo feito sob medida, os ombros estruturados conferindo-lhe uma silhueta de poder inabalável. As calças sociais acompanhavam o movimento firme de suas pernas. Para o mundo, Emma era a CEO implacável; para Regina, ela era a Alpha que ainda exercia um controle invisível sobre sua vida. Emma não precisava de gritos; seu domínio estava na forma como seus olhos verdes percorriam o corpo de Regina, fixando-se por um segundo a mais no decote do vestido.

— Eu não me importo com o seu conselho — Regina levantou-se, apoiando as mãos espalmadas sobre a mesa, os olhos brilhando com uma raiva contida. — Helena tem cinco anos. Ela não entende de fusões ou aquisições. Ela entende que a mãe prometeu buscá-la na escola e não apareceu.

Emma caminhou até a mesa, reduzindo a distância entre elas até que apenas o móvel fosse uma barreira frágil. Ela inclinou-se para frente, o perfume amadeirado e caro inundando os sentidos de Regina.

— Eu já mandei o motorista buscá-la. Ela está com o Henry na cobertura. Estão seguros. Sob minha vigilância. — Emma baixou o tom de voz, tornando-a perigosamente possessiva. — E você sabe que ninguém toca no que é meu, Regina.

Regina soltou uma risada amarga, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas.

— Eu não sou sua, Emma. Nós assinamos o divórcio há quatro anos, lembra-se? Ou sua memória seletiva só funciona para os negócios?

— O papel diz que não somos casadas — Emma esticou o braço, os dedos roçando levemente o pulso de Regina, onde o pulso dela traía sua calma aparente. — Mas o modo como você treme quando eu chego perto diz outra coisa.

Regina puxou o braço como se tivesse sido queimada. O ciúme de Emma era uma sombra constante. Ela sabia que Emma tinha informantes, que sabia exatamente com quem Regina almoçava e quem ousava enviar flores ao seu gabinete. Era uma possessividade doentia que Regina alimentava com sua própria resistência, um jogo de cabo de guerra onde nenhuma das duas queria soltar a corda.

— Você é patética — sibilou Regina. — Use seu complexo de controle com seus funcionários, não comigo.

— Ontem à noite você não me chamou de patética — Emma rebateu, a voz rouca. — Você me chamou de outra coisa quando eu estava prendendo suas mãos contra a cabeceira daquela cama.

O silêncio que caiu sobre a sala foi ensurdecedor. Regina sentiu o rosto arder. A recaída da noite anterior fora um erro — um erro magnífico, devastador e recorrente. Elas haviam se encontrado para discutir a escola de Henry, e a discussão terminou em roupas rasgadas e uma entrega tão absoluta que Regina ainda sentia os músculos doloridos.

— Isso foi uma fraqueza — Regina disse, tentando recuperar sua dignidade de desembargadora. — Um momento de carência que não vai se repetir.

Emma deu a volta na mesa com passos lentos, como um predador cercando a presa.

— Você mente tão bem no tribunal, Regina. Mas para mim? — Emma parou atrás dela, as mãos descendo pelos ombros de Regina, apertando o tecido do vestido caro. — Você é transparente. Você gosta que eu assuma o controle. Gosta de saber que, no fim do dia, eu sou a única que pode desarmar essa sua armadura de autoridade.

Regina fechou os olhos, lutando contra o desejo de se inclinar para trás, para o calor do corpo de Emma.

— Henry está começando a notar — Regina sussurrou, a voz falhando pela primeira vez. — Ele tem doze anos, Emma. Ele vê as marcas no meu pescoço que eu tento esconder com maquiagem. Ele ouve as brigas. O que estamos fazendo com eles?

Emma parou o movimento das mãos. A menção aos filhos era a única coisa capaz de perfurar sua fachada de controle. Ela girou Regina para frente, segurando-a pelos braços com firmeza, mas sem machucá-la.

— Estamos tentando sobreviver uma à outra — disse Emma, a intensidade em seus olhos verdes beirando o desespero. — Eu tentei te deixar ir, Regina. Eu juro que tentei. Mas ver você naquele tribunal, com esses homens olhando para você como se tivessem uma chance... isso me consome.

— O seu ciúme é o que nos destruiu! — Regina explodiu, empurrando o peito de Emma. — Você não queria uma esposa, você queria uma propriedade. E eu não sou um dos seus hotéis ou uma das suas empresas.

— E você queria o quê? — Emma rebateu, a voz subindo de tom. — Um cachorrinho que balançasse a cauda toda vez que você ditasse uma regra? Você é tão controladora quanto eu, Regina. A diferença é que eu admito.

— Eu protejo a nossa família!

— Você me afasta! — gritou Emma.

O silêncio voltou, mas dessa vez era pesado, carregado de mágoas acumuladas. Emma passou a mão pelo cabelo loiro, visivelmente frustrada. Ela deu um passo atrás, ajustando o blazer, voltando a ser a CEO gélida.

— Vou levar as crianças para jantar. Você vem?

Regina ajeitou o vestido, a postura voltando a ser rígida.

— Tenho processos para revisar. Helena precisa dormir cedo.

— Não foi um convite, Regina. Foi um aviso. As crianças sentem sua falta. E eu não aceito um "não" hoje.

— Você não manda em mim, Swan.

Emma caminhou até a porta, mas antes de sair, olhou por cima do ombro.

— Sete horas. Esteja pronta. E use aquele vestido preto que eu comprei. O que mostra exatamente quem você é.

Regina esperou que o som dos passos de Emma desaparecesse antes de se deixar cair na cadeira. Seu coração ainda batia de forma errática. Ela odiava Emma. Odiava como ela invadia seu espaço, como ditava as regras, como a conhecia melhor do que ela mesma. Mas, enquanto abria a gaveta e tirava um espelho para retocar o batom, Regina sabia que estaria pronta às sete.

***

O jantar foi uma coreografia de tensões veladas. Henry, com a perspicácia de um pré-adolescente que cresceu entre duas forças da natureza, observava as mães com um olhar analítico. Helena, por outro lado, era o sol entre as nuvens, tagarelando sobre seu desenho e como queria que "as mamães morassem na mesma casa de novo".

— Helena, querida, coma o seu brócolis — disse Regina, tentando desviar do assunto.

— Mas a mamãe Emma disse que eu não preciso comer se eu não quiser — a pequena retrucou, olhando para Emma em busca de apoio.

Regina lançou um olhar mortal para Emma.

— Emma, não desautorize minhas ordens.

— Eu não estou desautorizando — Emma disse calmamente, cortando seu bife com precisão. — Só acho que ela pode escolher as próprias batalhas.

— Ela tem cinco anos! — Regina sibilou. — Ela não escolhe batalhas, ela segue regras.

— Regras que você cria para se sentir no poder — Emma comentou, sem levantar os olhos do prato.

— Parem com isso — Henry interveio, a voz mais madura do que deveria ser. — Vocês sempre fazem isso. Começam a brigar por causa de brócolis e terminam gritando sobre o que aconteceu há quatro anos. É chato.

O silêncio que se seguiu foi constrangedor. Regina sentiu uma pontada de culpa no peito. Ela esticou a mão sobre a mesa para tocar a mão de Henry, mas seus olhos encontraram os de Emma. Por um breve momento, a barreira caiu. Havia dor ali. Uma dor compartilhada por terem destruído algo que era, outrora, perfeito.

Depois do jantar, Emma insistiu em levar todos para casa — para a casa de Regina. O trajeto foi silencioso, quebrado apenas pelos pedidos de Helena para ouvir uma música da Disney.

Ao chegarem, Emma ajudou a levar Helena, que já dormia, para o quarto. Regina seguiu logo atrás. No corredor mal iluminado, após colocarem a filha na cama, as duas se encontraram sozinhas novamente.

— Ela cresce tão rápido — sussurrou Emma, encostada no batente da porta.

— Sim — Regina respondeu, a voz suave, despida de sua autoridade habitual. — Henry também. Ele está ficando igual a você. Teimoso e arrogante.

Emma soltou uma risada curta e sem humor.

— E ele tem a sua língua afiada e o seu senso de justiça. Estamos perdidas, Regina.

Regina olhou para Emma. A luz fraca do corredor suavizava as linhas do rosto da loira. Ali, longe das empresas e dos tribunais, elas eram apenas duas pessoas que se amavam demais e não sabiam como lidar com isso.

— Por que não podemos ser normais, Emma? — Regina perguntou, o cansaço transparecendo em sua voz.

Emma deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Regina. Ela não usou de força ou domínio dessa vez. Ela apenas colocou a mão no rosto de Regina, o polegar acariciando a maçã de sua bacia.

— Porque nós nunca fomos normais. Você é um incêndio, Regina. E eu sou o vento. Ou nós criamos uma tempestade, ou nos extinguimos.

Regina fechou os olhos, entregando-se ao toque.

— Eu odeio o quanto você me conhece.

— E eu odeio o quanto eu preciso de você para respirar — Emma confessou, a voz falhando.

Emma inclinou-se e beijou Regina. Foi um beijo lento, carregado de saudade e de uma promessa silenciosa de que, não importa o quanto brigassem, elas sempre acabariam ali. O domínio de Emma se manifestou na forma como ela puxou Regina para mais perto, as mãos descendo para a cintura da desembargadora, reivindicando seu território.

Regina, por sua vez, deixou que sua autoridade se dissolvesse. Ela se rendeu à força de Emma, permitindo que a Alpha da relação a guiasse para o quarto. Naquela noite, as discussões sobre o passado e as incertezas sobre o futuro foram abafadas pelo som de respirações ofegantes e confissões sussurradas entre lençóis de seda.

Na manhã seguinte, porém, o sol nasceria novamente. Regina vestiria sua toga, Emma vestiria seu blazer, e as duas voltariam a trocar farpas e olhares de gelo diante das crianças e do mundo. O ciclo de desejo, ciúme e negação recomeçaria, viciante e destrutivo, mantendo-as presas em uma órbita da qual nenhuma das duas, no fundo, desejava escapar.
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