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Fandom: Nenhum
Criado: 08/06/2026
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RomanceDramaAngústiaPsicológicoCiúmesEstudo de PersonagemHistória Doméstica
Entre o Traço e o Conflito
O ar no estúdio central de Emanuel sempre tinha aquele cheiro característico de tinta, álcool e o sutil perfume de baunilha que Eduarda trazia consigo. Para Emanuel, aquele era o seu santuário, o lugar onde ele construíra um império de tatuagens que se estendia de São Paulo a Londres. No entanto, sua mente raramente estava focada nos negócios ultimamente. Seus olhos, geralmente sérios e analíticos, estavam fixos na figura delicada de Eduarda, que organizava uma série de esboços clássicos na mesa de curadoria.
Eduarda era como uma pintura em aquarela: suave, fluida e sensível. Aos 20 anos, sua formação em História da Arte trazia uma sofisticação única aos estúdios dele. Ela não apenas organizava coleções; ela dava alma ao trabalho. Mas, desde a conversa que tiveram na semana passada, ela parecia uma sombra fugidia.
Emanuel fora direto, como sempre era. Ele queria as duas. Queria a energia vibrante, caótica e carnal de Sara, a loira que já ocupava seu quarto há quatro meses com sua presença magnética e seus decotes generosos. Mas ele também precisava da paz, do carinho e da profundidade emocional de Eduarda. Sara, em sua confiança inabalável, apenas rira e aceitara, vendo-se como a "rainha" definitiva que não se sentia ameaçada por uma "menina tímida". Eduarda, porém, reagira com silêncio e lágrimas contidas, pedindo tempo para pensar.
— Duda? — Emanuel chamou, sua voz grave ressoando pelo espaço amplo.
Eduarda deu um leve sobressalto, os dedos finos apertando a borda de um catálogo. Ela não olhou para ele imediatamente.
— Sim, Emanuel? — A voz dela era um sussurro, doce e hesitante.
— Você mal falou comigo hoje. Estamos com o lançamento da coleção Renascentista para a unidade de Milão e preciso da sua opinião técnica.
— Eu deixei as notas na sua mesa — disse ela, finalmente virando-se. Seus olhos castanhos estavam úmidos, uma entrega clara da sua fragilidade. — Se me der licença, eu preciso sair mais cedo. Tenho um compromisso.
Emanuel franziu o cenho, o instinto protetor e controlador lutando dentro de si. Ele detestava não saber onde ela estava.
— Que compromisso? Posso pedir para o motorista te levar.
— Não precisa. É... um encontro com um amigo da faculdade. Um jantar.
O estômago de Emanuel deu um nó. Ele cruzou os braços, a postura firme e imponente.
— Um jantar? Achei que você estivesse ocupada pensando na nossa... proposta.
— É exatamente por isso que vou sair, Emanuel — ela disse, ganhando uma coragem momentânea. — Eu não sei se consigo ser metade de algo. Eu sempre te amei, você sabe disso. Mas dividir você com a Sara... — Ela balançou a cabeça, o cabelo castanho caindo sobre o rosto. — Eu não sou como ela. Eu não sou moderna, não sou segura. Eu só queria você.
Antes que ele pudesse responder, ela pegou sua bolsa de lona e saiu apressada, deixando para trás apenas o rastro do perfume de baunilha e um Emanuel fervendo de uma irritação que ele não conseguia processar logicamente.
***
Duas horas depois, Emanuel estava em seu carro luxuoso, dirigindo sem rumo pelas ruas da cidade, até que a localização de um novo restaurante badalado, onde muitos de seus conhecidos frequentavam, brilhou em seu GPS mental. Ele sabia que Eduarda gostava daquele tipo de lugar: calmo, com música ambiente e luz baixa.
Ele estacionou e entrou, a presença de um homem rico e poderoso atraindo olhares imediatos. Ele não se importou. Seus olhos vasculharam o salão até que a viu.
Eduarda estava sentada em uma mesa de canto. Ela usava um vestido leve, de tom creme, que a deixava com um aspecto quase angelical. À sua frente, um rapaz jovem, de aparência intelectual, sorria e tocava levemente a mão dela sobre a mesa.
O sangue de Emanuel ferveu. A racionalidade que ele tanto prezava desapareceu, substituída por um ciúme possessivo que ele raramente demonstrava. Ele caminhou até a mesa com passos pesados, a tensão acumulada de semanas explodindo em seus olhos.
— Eduarda. — O nome dela saiu como um comando.
Ela empalideceu instantaneamente, retirando a mão da mesa como se tivesse sido queimada.
— Emanuel? O que você está fazendo aqui?
— Vim buscar você — disse ele, ignorando completamente o rapaz à mesa. — Temos assuntos pendentes que não podem esperar por jantares com "amigos".
— Ei, cara, quem você pensa que é? — O rapaz tentou intervir, levantando-se.
Emanuel apenas o encarou com aquele olhar frio de quem já havia comandado situações muito piores em bairros muito mais perigosos antes de ser um empresário de sucesso.
— Sente-se. Este assunto é entre mim e a minha curadora.
— Emanuel, por favor, não faça uma cena — Eduarda sussurrou, a voz trêmula. Ela estava visivelmente envergonhada, o que a tornava ainda mais manhosa em sua reação de defesa.
— Então venha comigo. Agora.
Sem muita escolha e querendo evitar um escândalo, Eduarda se despediu rapidamente do rapaz, que ficou atônito, e seguiu Emanuel para fora do restaurante. Assim que chegaram ao carro, ele a prensou levemente contra a porta, não com força, mas com uma proximidade que a deixava sem ar.
— Você acha que pode simplesmente sair para jantar com outro homem enquanto eu estou esperando uma resposta? — ele perguntou, a voz baixa e perigosa.
— Você não é meu dono, Emanuel! — ela protestou, embora o corpo dela estivesse relaxando contra o dele, traindo sua própria vontade. — Você tem a Sara. Por que não vai ficar com ela? Ela aceita tudo o que você quer. Ela é... ela é perfeita para o seu estilo de vida.
— A Sara é a Sara. Ela é fogo, ela é administração, ela é o que eu quero para o lado prático e carnal. Mas você... — Ele acariciou o rosto dela com o polegar, a expressão suavizando por um breve momento. — Você é a minha paz, Duda. Você é a beleza que eu coloco na pele das pessoas. Eu não vou deixar você escapar para os braços de um qualquer porque está com medo de uma situação nova.
— É uma situação errada — ela choramingou, escondendo o rosto no peito dele. — Eu vou sofrer. Ela vai me odiar.
— Ela não odeia você. Pelo contrário, ela acha você "fofa" — ele disse, com um tom de ironia que não passou despercebido. — E eu estarei lá para proteger você. Ninguém toca no que é meu, nem mesmo a Sara se ela passar dos limites.
— Eu não sou um objeto, Emanuel.
— Eu sei que não. Por isso estou aqui, agindo como um idiota no meio da rua porque não suporto a ideia de outro homem tocando na sua mão.
Eduarda suspirou, o conflito interno evidente. Ela o amava com uma intensidade que a assustava. O cheiro dele, a firmeza de seus braços, a segurança que ele emanava... era tudo o que ela sempre quis. Mas o preço era dividir.
— Vamos para casa — Emanuel decretou, abrindo a porta do carro para ela. — A Sara está nos esperando. Vamos conversar sobre como isso vai funcionar. Juntos.
— Eu não disse que aceitei — ela murmurou, entrando no carro.
— Você não precisa dizer — ele respondeu, fechando a porta e dando a volta para o lugar do motorista. — Seus olhos já me deram a resposta que eu queria.
***
O apartamento de Emanuel era o reflexo de seu sucesso: minimalista, luxuoso e com uma vista deslumbrante da cidade. Quando entraram, o som de música alta e o cheiro de um perfume importado forte denunciaram a presença de Sara.
Ela estava estirada no sofá de couro, usando um conjunto de seda curto que deixava pouco para a imaginação. O cabelo loiro estava perfeitamente alinhado e ela segurava uma taça de vinho. Ao ver os dois entrarem, um sorriso provocador surgiu em seus lábios bem desenhados.
— Ora, ora... o caçador trouxe a presa de volta — Sara disse, levantando-se com uma elegância felina. — Demoraram. Eu já estava começando a achar que teria o Emanuel só para mim esta noite.
Eduarda encolheu-se atrás de Emanuel, sentindo-se pequena diante da exuberância de Sara. A loira caminhou até eles, os saltos estalando no chão de porcelanato.
— Não tenha medo, boneca — Sara disse, parando na frente de Eduarda e analisando-a de cima a baixo com um olhar clínico, mas não necessariamente cruel. — Eu não mordo. A menos que me peçam.
— Sara, menos — Emanuel advertiu, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. Ele gostava do contraste. — A Eduarda está assustada.
— Eu percebi. Ela é tão... delicada — Sara estendeu a mão e tocou uma mecha do cabelo de Eduarda. — Quase parece que vai quebrar se a gente apertar demais. Mas não se preocupe, curadora. Eu sei dividir meus brinquedos, desde que eu continue sendo a favorita.
Eduarda olhou para Emanuel, buscando socorro, mas ele apenas a envolveu pela cintura, trazendo-a para perto, enquanto com a outra mão puxava Sara para si.
— Não vai haver favoritas — Emanuel afirmou, sua voz recuperando o tom de autoridade. — Vai haver nós três. Eu cuido de vocês, e vocês cuidam de mim. Eduarda traz a alma, Sara traz o fogo.
— E quem traz o juízo? — Eduarda perguntou, com uma ponta de sarcasmo que surpreendeu a ambos.
Sara soltou uma gargalhada alta e genuína.
— Gostei dela! Viu, Emanuel? Ela tem espinhos escondidos sob essas pétalas.
Emanuel sentiu a tensão em seus ombros diminuir levemente. Ele sabia que o caminho seria difícil. Eduarda ainda teria muitas crises de choro, Sara ainda tentaria testar todos os limites possíveis com sua vulgaridade calculada e sua impulsividade, e ele teria que mediar cada conflito, cada crise de ciúmes, cada insegurança.
Mas, ao olhar para as duas — a pureza tímida de Eduarda e a confiança audaciosa de Sara —, ele soube que não abriria mão de nenhuma. Ele era um homem que conseguia tudo o que queria, e ele queria o mundo inteiro contido naquelas duas mulheres.
— Vamos jantar — Emanuel disse, conduzindo-as para a área interna. — Temos muito o que ajustar nas regras desta casa.
Eduarda caminhava em silêncio, o coração batendo forte. Ela ainda sentia medo, ainda sentia que estava entrando em um labirinto sem saída. Mas quando a mão de Sara roçou a sua, de forma quase amigável, e o braço de Emanuel se apertou em sua cintura, ela sentiu uma estranha e assustadora sensação de pertencimento.
A história da arte ensinara a ela que as maiores obras-primas eram feitas de contrastes violentos entre luz e sombra. Talvez, pensou ela, sua vida estivesse apenas começando a se tornar uma dessas obras. E Emanuel, com sua mão firme e mente decidida, era o artista que estava prestes a desenhar esse novo e caótico capítulo em sua pele.
Eduarda era como uma pintura em aquarela: suave, fluida e sensível. Aos 20 anos, sua formação em História da Arte trazia uma sofisticação única aos estúdios dele. Ela não apenas organizava coleções; ela dava alma ao trabalho. Mas, desde a conversa que tiveram na semana passada, ela parecia uma sombra fugidia.
Emanuel fora direto, como sempre era. Ele queria as duas. Queria a energia vibrante, caótica e carnal de Sara, a loira que já ocupava seu quarto há quatro meses com sua presença magnética e seus decotes generosos. Mas ele também precisava da paz, do carinho e da profundidade emocional de Eduarda. Sara, em sua confiança inabalável, apenas rira e aceitara, vendo-se como a "rainha" definitiva que não se sentia ameaçada por uma "menina tímida". Eduarda, porém, reagira com silêncio e lágrimas contidas, pedindo tempo para pensar.
— Duda? — Emanuel chamou, sua voz grave ressoando pelo espaço amplo.
Eduarda deu um leve sobressalto, os dedos finos apertando a borda de um catálogo. Ela não olhou para ele imediatamente.
— Sim, Emanuel? — A voz dela era um sussurro, doce e hesitante.
— Você mal falou comigo hoje. Estamos com o lançamento da coleção Renascentista para a unidade de Milão e preciso da sua opinião técnica.
— Eu deixei as notas na sua mesa — disse ela, finalmente virando-se. Seus olhos castanhos estavam úmidos, uma entrega clara da sua fragilidade. — Se me der licença, eu preciso sair mais cedo. Tenho um compromisso.
Emanuel franziu o cenho, o instinto protetor e controlador lutando dentro de si. Ele detestava não saber onde ela estava.
— Que compromisso? Posso pedir para o motorista te levar.
— Não precisa. É... um encontro com um amigo da faculdade. Um jantar.
O estômago de Emanuel deu um nó. Ele cruzou os braços, a postura firme e imponente.
— Um jantar? Achei que você estivesse ocupada pensando na nossa... proposta.
— É exatamente por isso que vou sair, Emanuel — ela disse, ganhando uma coragem momentânea. — Eu não sei se consigo ser metade de algo. Eu sempre te amei, você sabe disso. Mas dividir você com a Sara... — Ela balançou a cabeça, o cabelo castanho caindo sobre o rosto. — Eu não sou como ela. Eu não sou moderna, não sou segura. Eu só queria você.
Antes que ele pudesse responder, ela pegou sua bolsa de lona e saiu apressada, deixando para trás apenas o rastro do perfume de baunilha e um Emanuel fervendo de uma irritação que ele não conseguia processar logicamente.
***
Duas horas depois, Emanuel estava em seu carro luxuoso, dirigindo sem rumo pelas ruas da cidade, até que a localização de um novo restaurante badalado, onde muitos de seus conhecidos frequentavam, brilhou em seu GPS mental. Ele sabia que Eduarda gostava daquele tipo de lugar: calmo, com música ambiente e luz baixa.
Ele estacionou e entrou, a presença de um homem rico e poderoso atraindo olhares imediatos. Ele não se importou. Seus olhos vasculharam o salão até que a viu.
Eduarda estava sentada em uma mesa de canto. Ela usava um vestido leve, de tom creme, que a deixava com um aspecto quase angelical. À sua frente, um rapaz jovem, de aparência intelectual, sorria e tocava levemente a mão dela sobre a mesa.
O sangue de Emanuel ferveu. A racionalidade que ele tanto prezava desapareceu, substituída por um ciúme possessivo que ele raramente demonstrava. Ele caminhou até a mesa com passos pesados, a tensão acumulada de semanas explodindo em seus olhos.
— Eduarda. — O nome dela saiu como um comando.
Ela empalideceu instantaneamente, retirando a mão da mesa como se tivesse sido queimada.
— Emanuel? O que você está fazendo aqui?
— Vim buscar você — disse ele, ignorando completamente o rapaz à mesa. — Temos assuntos pendentes que não podem esperar por jantares com "amigos".
— Ei, cara, quem você pensa que é? — O rapaz tentou intervir, levantando-se.
Emanuel apenas o encarou com aquele olhar frio de quem já havia comandado situações muito piores em bairros muito mais perigosos antes de ser um empresário de sucesso.
— Sente-se. Este assunto é entre mim e a minha curadora.
— Emanuel, por favor, não faça uma cena — Eduarda sussurrou, a voz trêmula. Ela estava visivelmente envergonhada, o que a tornava ainda mais manhosa em sua reação de defesa.
— Então venha comigo. Agora.
Sem muita escolha e querendo evitar um escândalo, Eduarda se despediu rapidamente do rapaz, que ficou atônito, e seguiu Emanuel para fora do restaurante. Assim que chegaram ao carro, ele a prensou levemente contra a porta, não com força, mas com uma proximidade que a deixava sem ar.
— Você acha que pode simplesmente sair para jantar com outro homem enquanto eu estou esperando uma resposta? — ele perguntou, a voz baixa e perigosa.
— Você não é meu dono, Emanuel! — ela protestou, embora o corpo dela estivesse relaxando contra o dele, traindo sua própria vontade. — Você tem a Sara. Por que não vai ficar com ela? Ela aceita tudo o que você quer. Ela é... ela é perfeita para o seu estilo de vida.
— A Sara é a Sara. Ela é fogo, ela é administração, ela é o que eu quero para o lado prático e carnal. Mas você... — Ele acariciou o rosto dela com o polegar, a expressão suavizando por um breve momento. — Você é a minha paz, Duda. Você é a beleza que eu coloco na pele das pessoas. Eu não vou deixar você escapar para os braços de um qualquer porque está com medo de uma situação nova.
— É uma situação errada — ela choramingou, escondendo o rosto no peito dele. — Eu vou sofrer. Ela vai me odiar.
— Ela não odeia você. Pelo contrário, ela acha você "fofa" — ele disse, com um tom de ironia que não passou despercebido. — E eu estarei lá para proteger você. Ninguém toca no que é meu, nem mesmo a Sara se ela passar dos limites.
— Eu não sou um objeto, Emanuel.
— Eu sei que não. Por isso estou aqui, agindo como um idiota no meio da rua porque não suporto a ideia de outro homem tocando na sua mão.
Eduarda suspirou, o conflito interno evidente. Ela o amava com uma intensidade que a assustava. O cheiro dele, a firmeza de seus braços, a segurança que ele emanava... era tudo o que ela sempre quis. Mas o preço era dividir.
— Vamos para casa — Emanuel decretou, abrindo a porta do carro para ela. — A Sara está nos esperando. Vamos conversar sobre como isso vai funcionar. Juntos.
— Eu não disse que aceitei — ela murmurou, entrando no carro.
— Você não precisa dizer — ele respondeu, fechando a porta e dando a volta para o lugar do motorista. — Seus olhos já me deram a resposta que eu queria.
***
O apartamento de Emanuel era o reflexo de seu sucesso: minimalista, luxuoso e com uma vista deslumbrante da cidade. Quando entraram, o som de música alta e o cheiro de um perfume importado forte denunciaram a presença de Sara.
Ela estava estirada no sofá de couro, usando um conjunto de seda curto que deixava pouco para a imaginação. O cabelo loiro estava perfeitamente alinhado e ela segurava uma taça de vinho. Ao ver os dois entrarem, um sorriso provocador surgiu em seus lábios bem desenhados.
— Ora, ora... o caçador trouxe a presa de volta — Sara disse, levantando-se com uma elegância felina. — Demoraram. Eu já estava começando a achar que teria o Emanuel só para mim esta noite.
Eduarda encolheu-se atrás de Emanuel, sentindo-se pequena diante da exuberância de Sara. A loira caminhou até eles, os saltos estalando no chão de porcelanato.
— Não tenha medo, boneca — Sara disse, parando na frente de Eduarda e analisando-a de cima a baixo com um olhar clínico, mas não necessariamente cruel. — Eu não mordo. A menos que me peçam.
— Sara, menos — Emanuel advertiu, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. Ele gostava do contraste. — A Eduarda está assustada.
— Eu percebi. Ela é tão... delicada — Sara estendeu a mão e tocou uma mecha do cabelo de Eduarda. — Quase parece que vai quebrar se a gente apertar demais. Mas não se preocupe, curadora. Eu sei dividir meus brinquedos, desde que eu continue sendo a favorita.
Eduarda olhou para Emanuel, buscando socorro, mas ele apenas a envolveu pela cintura, trazendo-a para perto, enquanto com a outra mão puxava Sara para si.
— Não vai haver favoritas — Emanuel afirmou, sua voz recuperando o tom de autoridade. — Vai haver nós três. Eu cuido de vocês, e vocês cuidam de mim. Eduarda traz a alma, Sara traz o fogo.
— E quem traz o juízo? — Eduarda perguntou, com uma ponta de sarcasmo que surpreendeu a ambos.
Sara soltou uma gargalhada alta e genuína.
— Gostei dela! Viu, Emanuel? Ela tem espinhos escondidos sob essas pétalas.
Emanuel sentiu a tensão em seus ombros diminuir levemente. Ele sabia que o caminho seria difícil. Eduarda ainda teria muitas crises de choro, Sara ainda tentaria testar todos os limites possíveis com sua vulgaridade calculada e sua impulsividade, e ele teria que mediar cada conflito, cada crise de ciúmes, cada insegurança.
Mas, ao olhar para as duas — a pureza tímida de Eduarda e a confiança audaciosa de Sara —, ele soube que não abriria mão de nenhuma. Ele era um homem que conseguia tudo o que queria, e ele queria o mundo inteiro contido naquelas duas mulheres.
— Vamos jantar — Emanuel disse, conduzindo-as para a área interna. — Temos muito o que ajustar nas regras desta casa.
Eduarda caminhava em silêncio, o coração batendo forte. Ela ainda sentia medo, ainda sentia que estava entrando em um labirinto sem saída. Mas quando a mão de Sara roçou a sua, de forma quase amigável, e o braço de Emanuel se apertou em sua cintura, ela sentiu uma estranha e assustadora sensação de pertencimento.
A história da arte ensinara a ela que as maiores obras-primas eram feitas de contrastes violentos entre luz e sombra. Talvez, pensou ela, sua vida estivesse apenas começando a se tornar uma dessas obras. E Emanuel, com sua mão firme e mente decidida, era o artista que estava prestes a desenhar esse novo e caótico capítulo em sua pele.
