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Fandom: He-man, mestres do universo

Criado: 08/06/2026

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O Elo de Vidro e Magia

A névoa sobre as Montanhas de Fogo nunca fora tão densa, mas para o Príncipe Adam, o peso em seu peito não vinha do clima. Era uma pontada aguda, uma queimação que subia pela espinha sempre que Maligna, a quilômetros dali, se enfurecia ou se feria. O vínculo místico, forjado no Templo de Shokoti durante aquela missão desastrosa, era agora a sua maior vulnerabilidade — e o seu segredo mais perigoso.

Ele caminhava pela borda da Floresta Sombria, longe dos olhos vigilantes de Mentor e da proteção do Palácio Real. Adam não estava ali para caçar ou para meditar. Estava ali porque sentia o pulso dela. Uma batida rítmica e sombria que ecoava em sua própria alma.

— Você está atrasado, principezinho. — A voz dela surgiu das sombras, carregada de um sarcasmo que, em outros tempos, o faria desembainhar a espada.

Adam virou-se, vendo a silhueta de Maligna emergir debaixo de um carvalho retorcido. Ela parecia impecável, como sempre, mas ele notou o leve tremor em suas mãos. O ferimento que ele sofrera em um treinamento com Teela naquela manhã — um corte superficial no braço — devia estar incomodando a feiticeira tanto quanto o mau humor dela o incomodava agora.

— Tive que despistar a guarda. — Adam deu de ombros, mantendo o sorriso despreocupado que usava como máscara. — Nem todos nós temos o luxo de desaparecer em uma nuvem de fumaça roxa, sabe?

Maligna aproximou-se, os olhos amarelos brilhando com uma inteligência fria. Ela parou a poucos centímetros dele, invadindo seu espaço pessoal com uma audácia que o deixava desconfortável e, ao mesmo tempo, fascinado.

— Se o Esqueleto descobrir que estou ligada a você, ele não vai apenas me matar. Ele vai encontrar uma maneira de usar essa dor para torturar nós dois simultaneamente. — Ela estendeu a mão e tocou o braço de Adam, exatamente onde o corte estava escondido sob a túnica. — Senti isso hoje cedo. Você é um desastrado, Adam.

— E você é uma manipuladora. — Ele retrucou, sentindo o calor do toque dela se espalhar. — Mas aqui estamos nós. O que você quer desta vez? Algum feitiço para quebrar o vínculo?

Maligna soltou uma risada curta e sem humor.

— Já tentamos tudo, não tente parecer interessado em soluções mágicas agora. — Ela deslizou os dedos pelo peito dele, sentindo o coração de Adam acelerar. — Eu vim porque a distância dói. E porque, por mais que eu odeie admitir, o seu otimismo irritante é a única coisa que acalma a estática na minha mente.

Adam suspirou, relaxando os ombros. A tensão entre eles era uma corda esticada ao máximo. Ele sabia que deveria se transformar em He-Man, levar Maligna para as masmorras ou, no mínimo, voar para longe dali no Gato de Batalha. Mas o vínculo não permitia distância. E a curiosidade de Adam — ou talvez algo mais sombrio — o impedia de querer partir.

— É um jogo perigoso, Maligna. — Ele murmurou, aproximando o rosto do dela. — O que estamos fazendo aqui? Não há promessas. Você ainda quer o trono de Eternia, e eu ainda sou o homem que vai impedi-la.

— Eu não quero promessas, Adam. — Ela sibilou, os lábios a apenas um suspiro de distância dos dele. — Promessas são para os fracos e para os amantes de contos de fadas. Eu quero o que é real. E este vínculo... isso é a coisa mais real que já senti em anos.

Sem aviso, ela o puxou pelo colarinho. O beijo foi um choque elétrico, uma colisão de gelo e fogo. Não havia ternura; era uma batalha por domínio, um reflexo da rivalidade que os definia. Adam sentiu a magia dela fluir através dele, uma sensação de poder bruto que o assustava e o atraía. Ele retribuiu com a mesma intensidade, as mãos encontrando a cintura dela, puxando-a para mais perto.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. O vínculo vibrava entre eles, uma nota musical pura e perigosa.

— Isso foi... — Adam começou, tentando recuperar o fôlego.

— Um erro. — Maligna completou, embora seus olhos dissessem o contrário. — Um erro que vamos repetir até que um de nós destrua o outro.

— Você gosta do perigo, não gosta? — Adam sorriu, recuperando seu tom brincalhão, embora seus olhos estivessem sérios. — É mais divertido do que planejar conquistas mundiais com o Esqueleto.

— O Esqueleto é um tolo obcecado com ossos e castelos de pedra. — Ela disse, ajeitando o diadema com um gesto elegante. — Você, por outro lado, é um enigma. O príncipe herdeiro que prefere festas a espadas, mas que carrega uma força que até eu tenho dificuldade em medir.

Adam sentiu um calafrio. Será que ela suspeitava? O segredo de Grayskull era o seu fardo mais pesado, e a proximidade com Maligna colocava tudo em risco. Se ela descobrisse que ele e He-Man eram o mesmo...

— Talvez eu seja apenas um bom ator. — Ele disse, desviando o olhar.

— Ou talvez você seja mais do que aparenta. — Ela deu um passo atrás, fundindo-se novamente com as sombras da floresta. — Amanhã, ao pôr do sol, nas Ruínas de Zalesia. Não se atrase, ou farei questão de que você sinta uma enxaqueca que durará três dias.

— Maligna? — Ele a chamou antes que ela desaparecesse completamente.

— Sim? — A voz dela veio do nada, carregada de uma promessa silenciosa.

— Tome cuidado. O Esqueleto está impaciente ultimamente. Se você sentir dor... eu vou saber. E eu não poderei ajudar se estiver cercado por guardas.

Houve um silêncio momentâneo na floresta. Então, um sussurro suave, quase gentil, flutuou pelo ar:

— Eu sei me cuidar, Adam. Preocupe-se com sua própria pele. Ela é a única coisa que me mantém sã no momento.

E então, ela se foi. Adam ficou sozinho na escuridão, o braço ainda formigando onde ela o tocara. Ele olhou para o céu de Eternia, onde as luas começavam a subir. O destino do planeta estava em jogo, e ele estava beijando a inimiga sob a luz das estrelas.

— O que eu estou fazendo? — Ele perguntou a si mesmo, rindo baixinho de sua própria loucura.

Ele sabia que não havia volta. O vínculo os unira de uma forma que nenhuma espada poderia cortar. Enquanto caminhava de volta para o palácio, Adam sentiu uma leve pontada de frio vinda de Maligna — ela estava voando de volta para a Montanha da Serpente, enfrentando o vento gélido das altitudes. Ele fechou o casaco, tentando aquecê-la através da conexão, um gesto silencioso de um acordo que não tinha nome, mas que queimava mais forte do que qualquer magia.

Ao chegar aos portões do palácio, Mentor o esperava com um olhar de desaprovação.

— Onde você estava, Adam? O Rei Randor está perguntando por você. Há relatos de atividades estranhas perto da fronteira.

— Só dando uma volta, Mentor. — Adam sorriu, a imagem de Maligna ainda nítida em sua mente. — O ar da noite ajuda a clarear as ideias.

— Você parece distraído. — O mestre de armas estreitou os olhos. — Algo aconteceu?

— Nada que eu não consiga resolver. — Adam respondeu, passando pelo amigo. — Só um pequeno problema de... conexão.

Naquela noite, deitado em seus aposentos reais, Adam sentiu o sono de Maligna. Era um sono inquieto, cheio de sombras e ambição. Ele fechou os olhos e, pela primeira vez, não lutou contra o vínculo. Ele se deixou levar pela presença dela, um herói e uma vilã compartilhando o mesmo fôlego na quietude da noite eterna.

Não havia promessas. Não havia sentimentos, ou assim eles diziam a si mesmos. Mas em Eternia, onde a magia ditava as regras, o coração raramente seguia o roteiro planejado. E enquanto o vínculo existisse, Adam e Maligna seriam dois lados da mesma moeda, girando no ar, esperando para ver de que lado a sorte cairia.
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