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Entre sombras e janelas

Fandom: Jikook

Criado: 08/06/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)CrimeFofuraDor/ConfortoEstudo de PersonagemHistória DomésticaNoir
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Entre Sombras e Cortinas de Renda

A luz do entardecer em Seul tingia o céu de um laranja profundo, quase da cor dos cabelos que Park Jimin costumava ter no verão passado. Agora, seus fios eram de um loiro suave, quase tão pálidos quanto sua pele, que raramente via a luz direta do sol por muito tempo. Jimin era, por definição, um rapaz discreto. Ele gostava do silêncio de seu apartamento, do cheiro de café fresco e, acima de tudo, da visão privilegiada que sua janela do terceiro andar oferecia.

O objeto de sua fascinação não era o parque do outro lado da rua, nem a arquitetura moderna dos prédios vizinhos. Seus olhos, grandes e expressivos, estavam sempre fixos na mansão de estilo industrial que ficava logo à frente. Mais especificamente, no homem que a habitava.

Jeon Jungkook era um enigma envolto em ternos sob medida e uma aura de perigo que Jimin, em sua ingenuidade, achava terrivelmente atraente. Jimin sabia que ele não era um empresário comum. Homens de preto entravam e saíam de lá a horas impróprias, e o brilho metálico que às vezes aparecia no coldre sob o paletó de Jungkook não deixava dúvidas: ele era alguém que comandava o submundo.

Naquela tarde, Jimin estava encolhido em sua poltrona favorita, escondido atrás da cortina de renda fina que ele acreditava ser um escudo impenetrável. Ele observava Jungkook no terraço da mansão. O mafioso estava sem o paletó, com as mangas da camisa social branca dobradas até os cotovelos, revelando as tatuagens que subiam por seus braços como serpentes de tinta negra. Ele segurava um copo de uísque, o olhar perdido no horizonte.

— Ele parece tão sozinho... — sussurrou Jimin para si mesmo, apertando as bochechas gordinhas com as mãos. — Mas tão bonito. Como alguém pode ter um maxilar tão marcado?

Jimin suspirou, sentindo o coração acelerar. Para ele, aquilo era como assistir a um filme de ação em que o protagonista era o vilão mais charmoso do mundo. Ele se sentia seguro em seu casulo, acreditando que era apenas um espectador invisível de uma vida proibida.

O que Jimin não sabia era que Jeon Jungkook tinha instintos de predador. E um predador sempre sabe quando está sendo observado.

Jungkook levou o copo aos lábios, sentindo o líquido queimar sua garganta, mas seus sentidos estavam em outro lugar. Há semanas ele sentia aquele par de olhos sobre si. No início, pensou ser algum espião de famílias rivais, mas nenhum assassino profissional teria uma aura tão... doce. O "observador" exalava um cheiro metafórico de baunilha e curiosidade.

Pelo canto do olho, Jungkook via o leve balanço da cortina de renda no prédio da frente. Ele sabia exatamente quem morava ali. Park Jimin. Um rapaz que parecia ter sido feito de algodão-doce e sonhos, alguém que definitivamente não deveria estar interessado em um homem que tinha sangue nas mãos.

E, no entanto, Jungkook gostava daquela atenção. Era como um bálsamo para sua alma gélida. Saber que, enquanto ele planejava estratégias de domínio e lidava com traições, havia um par de olhos puros admirando-o de longe.

Naquela tarde, Jungkook decidiu que a brincadeira de esconde-esconde precisava de um novo capítulo.

Ele girou o corpo lentamente, não em direção à cidade, mas diretamente para a janela do terceiro andar.

Jimin congelou. O ar pareceu escapar de seus pulmões quando os olhos escuros e penetrantes de Jungkook encontraram os seus, mesmo através da distância e do tecido fino da cortina. O mafioso não desviou o olhar. Pelo contrário, ele inclinou levemente a cabeça, um meio sorriso sarcástico e perigosamente atraente curvando seus lábios.

— Oh meu Deus... — Jimin arquejou, tropeçando nos próprios pés ao tentar recuar. — Ele me viu. Ele me viu!

O coração de Jimin batia como as asas de um pássaro engaiolado. Ele se jogou no chão, abaixo da linha da janela, o rosto queimando em um tom de vermelho carmesim. Ele cobriu a boca com as mãos, tentando controlar a respiração descompassada.

— Ele vai me matar — murmurou Jimin, os olhos arregalados. — Ele vai achar que eu sou um espião e vai mandar aqueles homens enormes me buscarem. Park Jimin, você é um idiota!

Enquanto Jimin entrava em pânico no tapete de sua sala, Jungkook, no terraço, soltou uma risada baixa, um som rouco que raramente escapava de sua garganta. A reação do vizinho fora exatamente como ele imaginava: adorável e desajeitada.

Jungkook deixou o copo sobre a mesa de ferro e caminhou até a borda do terraço. Ele sabia que o pequeno loiro ainda estava lá, provavelmente escondido e tremendo.

— Você é muito descuidado, passarinho — disse Jungkook para o vento, sua voz carregada de uma diversão sombria.

Ele pegou o celular no bolso e discou um número rápido.

— Kim, quero o relatório completo sobre o morador do 302 do prédio em frente. Agora.

— Já temos isso, senhor — respondeu a voz do outro lado. — Park Jimin, 23 anos, trabalha em uma biblioteca, sem antecedentes, órfão. É um cidadão comum.

— Comum? — Jungkook repetiu, seus olhos ainda fixos na janela fechada. — Não, ele não é nada comum.

Jungkook desligou o telefone. Ele sentiu uma vontade súbita de cruzar a rua. A curiosidade que Jimin sentia por ele estava começando a ser devolvida com juros.

Dentro do apartamento, Jimin finalmente reuniu coragem para se levantar. Ele precisava fechar as cortinas pesadas, aquelas que não deixavam nem um fio de luz passar. Ele se arrastou até a janela, mantendo-se o mais baixo possível, e esticou a mão para puxar o tecido grosso.

Mas, antes que pudesse fechar a visão, ele deu uma última espiada.

O terraço estava vazio. Jungkook havia sumido.

— Graças a Deus — suspirou Jimin, relaxando os ombros. — Ele entrou. Ele deve ter achado que eu sou apenas um vizinho estranho.

Jimin fechou tudo, trancou a porta e decidiu que precisava de um banho quente para acalmar os nervos. Ele passou quase uma hora debaixo da água, tentando convencer a si mesmo de que Jungkook não faria nada. Afinal, por que um grande chefe da máfia se importaria com um bibliotecário tímido que gostava de olhar pela janela?

Quando saiu do banheiro, vestido em seu pijama de seda azul claro, Jimin se sentia mais calmo. Ele foi até a cozinha para preparar um chá, mas o som de algo batendo na sua porta o fez pular.

*Toc. Toc. Toc.*

Três batidas firmes, rítmicas e autoritárias.

Jimin parou no meio do caminho. Ninguém o visitava àquela hora. Seus amigos sempre avisavam por mensagem. Seu coração, que mal tinha se acalmado, voltou a acelerar de forma frenética.

— Quem é? — perguntou ele, a voz saindo mais fina do que o planejado.

Não houve resposta imediata, apenas o silêncio do corredor. Jimin caminhou lentamente até a porta, olhando pelo olho mágico.

O mundo pareceu girar.

Parado no corredor, com as mãos nos bolsos da calça social e um olhar que parecia atravessar a madeira da porta, estava Jeon Jungkook.

Jimin recuou dois passos, tropeçando em seus próprios pés e caindo sentado no chão do hall de entrada.

— Não pode ser... — sussurrou ele, em choque.

— Eu sei que você está aí, Park Jimin — a voz de Jungkook veio do outro lado, abafada pela porta, mas ainda assim profunda e aveludada. — E sei que você gosta de observar. Por que não abre a porta e me observa de perto?

Jimin sentiu que ia desmaiar. Ele respirou fundo três vezes, tentando não entrar em hiperventilação. Ele era ingênuo, sim, mas sabia que não se deixava um homem como aquele esperando. Com as mãos tremendo violentamente, ele se levantou e destrancou a porta.

Ao abrir, a diferença de altura e a presença esmagadora de Jungkook o fizeram se sentir ainda menor. O mafioso exalava um perfume caro, uma mistura de tabaco, sândalo e algo puramente masculino.

Jungkook percorreu o olhar pelo corpo de Jimin, detendo-se nos fios loiros bagunçados e no pijama de seda que parecia grande demais para sua estrutura pequena. Um brilho de satisfação passou pelos olhos escuros do Jeon.

— Você... você... — Jimin gaguejou, sem conseguir formar uma frase.

— Eu assustei você? — perguntou Jungkook, dando um passo para dentro do apartamento sem ser convidado.

Jimin recuou automaticamente, dando espaço para ele.

— Um pouco... — admitiu Jimin, baixando o olhar para os próprios pés. — O que o senhor está fazendo aqui?

Jungkook fechou a porta atrás de si com um clique suave, o que fez Jimin estremecer.

— Você passa muito tempo na sua janela, Jimin — disse Jungkook, aproximando-se lentamente. — Eu comecei a me perguntar o que tanto prende sua atenção. Será que é a arquitetura da minha casa... ou o dono dela?

Jimin sentiu o rosto esquentar tanto que teve certeza de que poderia fritar um ovo em suas bochechas. Ele apertou as mãos na frente do corpo, brincando com os dedos.

— Eu... eu sinto muito — disse Jimin, a voz quase um sussurro. — Eu não queria ser incômodo. É que... o senhor é muito bonito. E eu nunca vi ninguém como o senhor antes.

Jungkook parou a poucos centímetros dele. Ele estendeu a mão, e Jimin fechou os olhos, esperando um golpe ou algo terrível. Em vez disso, sentiu o toque frio de dedos longos e fortes levantando seu queixo com delicadeza.

— Abra os olhos — ordenou Jungkook, suavemente.

Jimin obedeceu. Ele se perdeu na imensidão negra das pupilas de Jungkook. Perto assim, o mafioso não parecia apenas frio; havia uma intensidade ali que Jimin não sabia explicar.

— Você é muito honesto para o seu próprio bem, pequeno — comentou Jungkook, um canto de sua boca se elevando. — Sabia que é perigoso olhar demais para o que não lhe pertence?

— Eu sei — respondeu Jimin, a coragem surgindo de algum lugar profundo de sua admiração. — Mas eu não conseguia evitar. O senhor parece alguém saído de um livro.

Jungkook soltou uma risada curta, seus dedos deslizando do queixo de Jimin para a bochecha macia, acariciando a pele com o polegar.

— E que tipo de livro eu seria, na sua cabeça de bibliotecário? Um romance?

— Uma tragédia — respondeu Jimin, com uma sinceridade que pegou Jungkook de surpresa. — Ou algo épico. O senhor não parece o tipo de pessoa que tem um final feliz comum.

O olhar de Jungkook escureceu, mas não de raiva. Ele estava fascinado. Ninguém nunca tinha falado com ele daquela forma, com tanta inocência e, ao mesmo tempo, tanta percepção.

— Talvez você esteja certo — disse Jungkook, sua voz descendo um tom, tornando-se mais rouca. — Minha vida é cheia de sombras, Jimin. E você... você parece ser feito inteiramente de luz. Por que alguém como você quereria olhar para alguém como eu?

— Porque a luz não existe sem a sombra — disse Jimin, timidamente, sentindo-se encorajado pelo toque de Jungkook. — E eu achei que... se eu olhasse por tempo suficiente, talvez o senhor não parecesse tão triste.

Jungkook congelou. Aquelas palavras o atingiram com mais força do que qualquer bala que já tivesse levado. Ele retirou a mão do rosto de Jimin, sentindo-se subitamente vulnerável, uma sensação que ele odiava. Mas, ao olhar para a expressão doce e preocupada do rapaz à sua frente, o ódio não veio.

— Você é uma criatura perigosa, Park Jimin — disse Jungkook, recuperando sua máscara de frieza, embora seus olhos o traíssem. — Mais perigosa do que os homens com quem eu lido.

— Eu? — Jimin apontou para si mesmo, confuso. — Mas eu não faço nada. Eu só leio e cuido das minhas plantas.

— Exatamente — murmurou Jungkook. — Você não faz nada, e ainda assim consegue desarmar um homem como eu em cinco minutos de conversa.

Jungkook deu um passo para trás, caminhando em direção à porta. Jimin sentiu uma pontada de decepção. Ele não queria que ele fosse embora, não agora que o mistério tinha ganhado voz e forma.

— O senhor vai embora? — perguntou Jimin, dando um passo à frente.

Jungkook parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro.

— Tenho negócios a tratar. Mas agora que eu sei que você não é um espião, e sim apenas um vizinho curioso... — Ele fez uma pausa, os olhos brilhando com uma promessa silenciosa. — Eu vou manter minha janela aberta.

Jimin sentiu o coração dar um salto mortal.

— O senhor vai?

— Vou — afirmou Jungkook. — Mas com uma condição.

— Qual? — Jimin perguntou ansioso.

— Da próxima vez que quiser me observar, não se esconda atrás da cortina. Eu quero ver seu rosto. Eu quero saber que você está lá.

Sem esperar por uma resposta, Jungkook abriu a porta e saiu, deixando para trás o rastro de seu perfume e um Jimin completamente em transe.

Jimin caminhou até a porta e a trancou, encostando as costas na madeira e deslizando até o chão. Ele levou as mãos às bochechas, sentindo o calor que ainda emanava delas.

— Ele quer que eu o veja... — sussurrou Jimin, um sorriso bobo e genuíno crescendo em seu rosto.

Do outro lado da rua, Jungkook entrou em sua mansão. Ele subiu direto para o terraço. Ele olhou para a janela do terceiro andar e viu quando a luz da sala de Jimin se apagou, sendo substituída pela luz suave do abajur do quarto.

Jungkook pegou seu uísque novamente, mas desta vez ele não olhou para a cidade. Ele manteve seus olhos fixos na silhueta que apareceu na janela de frente, agora sem a cortina de renda para atrapalhar.

Jimin acenou timidamente.

E, pela primeira vez em anos, Jeon Jungkook sorriu de verdade, um sorriso que não tinha nada de frio.

— Boa noite, passarinho — disse ele, levantando o copo em um brinde silencioso.

A partir daquela noite, o jogo de observação mudou. Não era mais sobre um vizinho curioso e um mafioso perigoso. Era sobre dois mundos opostos que, através de uma janela, começavam a encontrar um ponto de equilíbrio. Jimin continuaria sendo doce e ingênuo, e Jungkook continuaria sendo o senhor das sombras, mas agora, as sombras tinham um motivo para buscar a luz.

E Jimin, em sua pequena biblioteca particular, sabia que o capítulo mais interessante de sua vida tinha acabado de começar.
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