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Filha perdida do stark
Fandom: Vingadores
Criado: 08/06/2026
Tags
AçãoAventuraDramaDor/ConfortoPsicológicoFicção CientíficaExperimentação HumanaEstudo de PersonagemRomanceFatias de VidaFofuraHumorCenário CanônicoHistória Doméstica
Segredos Enterrados no Rio
O Complexo dos Vingadores, no norte do estado de Nova York, costumava ser um lugar de eficiência silenciosa e tecnologia de ponta. Naquela manhã, porém, o clima era de derrota e tensão elétrica. Tony Stark estava diante da enorme tela holográfica, seus dedos deslizando freneticamente por linhas de código e imagens de satélite granuladas vindas do Rio de Janeiro.
A explosão na universidade brasileira havia sido calculada. Não foi um ato de terrorismo comum; foi uma cortina de fumaça. Os Vingadores haviam tentado intervir remotamente, enviando drones e acionando contatos locais, mas o grupo que realizou o ataque era profissional demais. Eles haviam sumido com o alvo antes mesmo que a poeira baixasse.
— Sexta-Feira, me dê os dados biométricos da estudante desaparecida novamente — ordenou Tony, sua voz saindo mais rouca do que o normal. Ele não dormia há vinte e quatro horas.
— O nome dela é Maria Eduarda Oliveira, conhecida como Duda, dezenove anos, estudante de Psicologia — a voz da inteligência artificial ecoou pela sala. — Os registros mostram que ela possui um histórico acadêmico impecável e um interesse particular em comportamento administrativo e análise da mente humana.
Steve Rogers aproximou-se, cruzando os braços. Seu rosto estava marcado pela preocupação.
— Nós perdemos o rastro deles no porto, Tony. Quem quer que tenha levado essa garota, sabia exatamente como evitar nossos satélites. Por que a Hydra quer uma estudante de psicologia brasileira?
Tony não respondeu imediatamente. Ele estava olhando para a foto de Duda. Os cabelos cacheados, a pele morena, o olhar inteligente que parecia analisar o mundo através da lente da câmera. Havia algo nela... algo familiar que incomodava o fundo de sua mente.
— Sexta-Feira — Tony disse, sua voz tremendo levemente —, cruze o DNA da amostra coletada no local da explosão com o meu banco de dados privado. O protocolo "Legado".
Steve franziu a testa.
— Tony, do que você está falando?
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo zumbido dos servidores. Segundos depois, um sinal sonoro agudo e vermelho piscou na tela principal. "Correspondência de 99,9%: Relação Paternal Confirmada".
O mundo de Tony Stark girou. Ele se apoiou na mesa, o fôlego escapando de seus pulmões como se tivesse levado um soco do Hulk. A garota no Brasil, a jovem de corpo marcante e mente brilhante que a Hydra acabara de levar, não era apenas uma civil.
— Ela é minha filha — sussurrou Tony, os olhos fixos na imagem de Duda. — Eu tive um breve relacionamento no Rio, anos atrás... antes do Afeganistão, antes da armadura. Eu recebi cartas, mas achei que fosse apenas alguém em busca de dinheiro. Eu nunca... eu nunca fui atrás de saber.
Steve colocou a mão no ombro de Tony, o aperto firme e solidário.
— Nós vamos encontrá-la, Tony. Agora sabemos por que a Hydra a levou. Eles não querem apenas uma psicóloga. Eles querem o seu sangue, a sua herança.
No fundo da sala, encostado nas sombras, Bucky Barnes observava a cena. Ele não disse uma palavra, mas seus olhos azuis estavam fixos na foto da jovem. Havia algo de resiliente na expressão de Duda, mesmo em uma simples foto de identificação. Ele conhecia a Hydra melhor do que qualquer um ali. Sabia o que eles faziam com pessoas "especiais".
— Eles vão levá-la para uma base subterrânea — disse Bucky, sua voz grave cortando a tensão. — Eles não vão matá-la agora. Vão tentar quebrá-la primeiro. Usar a inteligência dela contra ela mesma.
Tony virou-se para Bucky, o desespero dando lugar a uma fúria fria e tecnológica.
— Então nós vamos quebrar a porta deles primeiro. Bucky, você conhece os protocolos de contenção da Hydra no Brasil. Preciso que você lidere a equipe de busca.
— Eu vou — afirmou Bucky, desprendendo-se da parede. — Ninguém merece passar pelo que eles fazem.
Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, em um bunker úmido e escondido sob a densa vegetação da Mata Atlântica, Duda acordava. Sua cabeça latejava e o cheiro de ozônio e mofo impregnava o ar. Suas mãos estavam presas por algemas magnéticas a uma cadeira de metal.
Ela olhou ao redor, tentando manter a calma que seus livros de psicologia sempre pregavam. "O medo é uma resposta fisiológica, controle a respiração", pensou ela, embora seu coração batesse como um tambor contra as costelas.
Um homem de terno cinza e olhos desprovidos de qualquer empatia entrou na sala.
— Senhorita Oliveira. Ou devo dizer, Senhorita Stark? — Ele sorriu de forma gélida.
Duda ergueu o queixo, apesar do tremor em suas mãos.
— Meu nome é Duda. E eu não sei do que você está falando. Se você quer dinheiro, meu pai é um professor de história aposentado que mora no subúrbio. Você cometeu um erro geográfico e financeiro enorme.
O homem riu, caminhando ao redor dela.
— Sua inteligência é realmente notável. Analisando o sequestrador para ganhar tempo? Típico de uma mente Stark. Mas seu DNA não mente. Você é a chave para a próxima evolução do programa Soldado Invernal. Imagine... a mente analítica de um Stark em um corpo treinado pela Hydra.
Duda sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não desviou o olhar.
— Vocês podem me prender, mas não podem possuir minha mente — disse ela, a voz firme. — Eu estudo a psique humana. Eu sei que homens como você são movidos por complexos de inferioridade e uma busca desesperada por controle. Você já perdeu no momento em que achou que eu seria cooperativa.
O homem parou na frente dela, o rosto escurecendo.
— Veremos quanto tempo essa sua arrogância acadêmica dura sob o tratamento de choque.
De volta ao Complexo, os Vingadores estavam em movimento. Tony estava vestindo as luvas da Mark 85, enquanto Natasha Romanoff e Sam Wilson preparavam o Quinjet.
— Eu localizei uma anomalia energética na Serra do Mar — anunciou Sexta-Feira. — Assinatura térmica compatível com tecnologia Hydra de meados dos anos 90, mas com picos de energia modernos.
— É lá — disse Bucky, ajustando o coldre em sua perna. Ele olhou para Tony. — Stark, eu vou entrar primeiro. Se você aparecer com toda essa luz e barulho, eles podem usá-la como escudo. Eu sou silencioso.
Tony hesitou. O instinto de pai — um instinto que ele acabara de descobrir que possuía — gritava para ele voar até lá e explodir tudo. Mas ele olhou para Bucky e viu a determinação nos olhos do homem que já tinha sido uma vítima.
— Traga ela de volta, Barnes — pediu Tony, a voz baixa. — Por favor.
— Eu prometo — respondeu Bucky.
O Quinjet cortou os céus em direção ao sul. Bucky sentou-se em silêncio, revisando o mapa tático. Ele não conseguia tirar a imagem de Duda da cabeça. Havia uma força nela, uma luz que ele sentia que precisava proteger a todo custo. No fundo, ele sentia uma conexão estranha, como se o destino estivesse movendo peças em um tabuleiro que ele ainda não compreendia.
Horas depois, o silêncio da selva brasileira foi interrompido apenas pelo som de galhos quebrando sob botas táticas. Bucky movia-se como um fantasma entre as árvores. Ele desativou os dois guardas na entrada do bunker antes mesmo que eles pudessem dar o alarme.
Lá dentro, Duda estava sendo levada para uma sala de experimentos. Ela tentou chutar um dos guardas, usando sua força e agilidade natural, mas foi contida brutalmente.
— Eu já disse que não vou ajudar vocês! — gritou ela, enquanto era jogada contra a parede de uma cela temporária.
— Você não tem escolha, menina — rosnou o guarda.
De repente, as luzes do corredor piscaram e se apagaram. Um som metálico ecoou, seguido por gritos abafados. Duda se encolheu no canto da cela, seus olhos castanhos tentando perfurar a escuridão.
A porta de metal da cela foi arrancada das dobradiças com uma força sobre-humana. Um vulto alto entrou na sala. Duda pegou um pedaço de metal solto do chão, pronta para lutar.
— Afaste-se! — ela exclamou, a voz trêmula mas determinada.
O homem parou. A luz de emergência vermelha iluminou seu rosto, revelando traços endurecidos e um braço de metal que brilhava sob o reflexo. Mas o que chamou a atenção de Duda não foi a arma ou o braço mecânico, foram os olhos dele. Havia uma tristeza profunda ali, mas também uma promessa de segurança.
— Maria Eduarda? — perguntou ele, a voz suavizando.
— Quem é você? — ela questionou, sem baixar a guarda.
— Meu nome é Bucky. Eu estou com o seu... — ele hesitou por um segundo — ... com o seu pai. Tony Stark me enviou. Você está segura agora.
Duda sentiu as pernas fraquejarem. O nome "Stark" causou um curto-circuito em sua mente analítica, mas o olhar de Bucky a manteve ancorada na realidade.
— Tony Stark? O Vingador? — Ela soltou o pedaço de metal, o choque estampando seu rosto. — Isso é impossível.
— Eu sei que é muito para processar — disse Bucky, aproximando-se lentamente e estendendo a mão enluvada. — Mas precisamos sair daqui. Agora.
Duda olhou para a mão dele e depois para o rosto do homem que parecia ter saído de um de seus livros de história e de pesadelos, mas que agora era seu único salvador. Ela aceitou a mão de Bucky, sentindo a firmeza e o calor, apesar do metal por baixo da luva.
— Você é o Soldado Invernal — sussurrou ela, enquanto ele a ajudava a levantar. — Eu li sobre você. Psicologia comportamental sob trauma extremo.
Bucky soltou um meio sorriso amargo, impressionado com a capacidade dela de analisar a situação mesmo após ser sequestrada.
— E eu li que você é muito inteligente. Vamos ver se consegue usar essa inteligência para nos guiar pela saída mais rápida.
Enquanto corriam pelos corredores do bunker, enfrentando a resistência da Hydra, algo mudou no ar. Duda não sentia apenas medo; ela sentia uma adrenalina nova. Ao lado de Bucky, ela se sentia estranhamente protegida, como se ele fosse o escudo que ela nunca soube que precisava.
E Bucky, pela primeira vez em décadas, sentiu que não estava apenas cumprindo uma missão de resgate. Ele estava protegendo algo precioso, uma centelha de vida que ele não permitiria que a Hydra apagasse.
— Eles estão vindo pela direita! — avisou Duda, percebendo o eco dos passos antes dele.
Bucky girou, disparando com precisão.
— Bom trabalho, Stark — elogiou ele.
— É Duda — corrigiu ela, embora um pequeno sorriso tivesse surgido em seus lábios no meio do caos.
Eles emergiram na selva, onde o Quinjet já estava pousando em uma clareira próxima. Tony Stark saiu da nave antes mesmo que a rampa terminasse de descer. Ele correu em direção a eles, a armadura se abrindo para revelar o homem por trás do herói.
Duda parou, observando o homem que era um ícone mundial, mas que agora a olhava com uma vulnerabilidade que ela raramente via em seus pacientes.
— Você está bem? — perguntou Tony, a voz embargada. — Me desculpe, eu... eu não sabia. Eu deveria ter sabido.
Duda olhou para Tony e depois para Bucky, que permanecia ao lado dela como uma sentinela silenciosa. Ela respirou fundo, o ar fresco da floresta limpando seus pulmões.
— Temos muito o que conversar — disse ela, sua mente de psicóloga já começando a organizar o turbilhão de emoções. — Mas primeiro, me tira desse país. Acho que já tive aventura o suficiente por uma vida inteira.
Bucky colocou a mão suavemente nas costas dela, guiando-a para a nave. Naquele momento, sob o sol nascente do Brasil, uma nova jornada começava. Para Tony, era a chance de redenção. Para Duda, era a descoberta de um mundo que ela só conhecia pelos livros. E para Bucky, era o início de um sentimento que ele achava que o Soldado Invernal tinha matado para sempre: a esperança.
A explosão na universidade brasileira havia sido calculada. Não foi um ato de terrorismo comum; foi uma cortina de fumaça. Os Vingadores haviam tentado intervir remotamente, enviando drones e acionando contatos locais, mas o grupo que realizou o ataque era profissional demais. Eles haviam sumido com o alvo antes mesmo que a poeira baixasse.
— Sexta-Feira, me dê os dados biométricos da estudante desaparecida novamente — ordenou Tony, sua voz saindo mais rouca do que o normal. Ele não dormia há vinte e quatro horas.
— O nome dela é Maria Eduarda Oliveira, conhecida como Duda, dezenove anos, estudante de Psicologia — a voz da inteligência artificial ecoou pela sala. — Os registros mostram que ela possui um histórico acadêmico impecável e um interesse particular em comportamento administrativo e análise da mente humana.
Steve Rogers aproximou-se, cruzando os braços. Seu rosto estava marcado pela preocupação.
— Nós perdemos o rastro deles no porto, Tony. Quem quer que tenha levado essa garota, sabia exatamente como evitar nossos satélites. Por que a Hydra quer uma estudante de psicologia brasileira?
Tony não respondeu imediatamente. Ele estava olhando para a foto de Duda. Os cabelos cacheados, a pele morena, o olhar inteligente que parecia analisar o mundo através da lente da câmera. Havia algo nela... algo familiar que incomodava o fundo de sua mente.
— Sexta-Feira — Tony disse, sua voz tremendo levemente —, cruze o DNA da amostra coletada no local da explosão com o meu banco de dados privado. O protocolo "Legado".
Steve franziu a testa.
— Tony, do que você está falando?
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo zumbido dos servidores. Segundos depois, um sinal sonoro agudo e vermelho piscou na tela principal. "Correspondência de 99,9%: Relação Paternal Confirmada".
O mundo de Tony Stark girou. Ele se apoiou na mesa, o fôlego escapando de seus pulmões como se tivesse levado um soco do Hulk. A garota no Brasil, a jovem de corpo marcante e mente brilhante que a Hydra acabara de levar, não era apenas uma civil.
— Ela é minha filha — sussurrou Tony, os olhos fixos na imagem de Duda. — Eu tive um breve relacionamento no Rio, anos atrás... antes do Afeganistão, antes da armadura. Eu recebi cartas, mas achei que fosse apenas alguém em busca de dinheiro. Eu nunca... eu nunca fui atrás de saber.
Steve colocou a mão no ombro de Tony, o aperto firme e solidário.
— Nós vamos encontrá-la, Tony. Agora sabemos por que a Hydra a levou. Eles não querem apenas uma psicóloga. Eles querem o seu sangue, a sua herança.
No fundo da sala, encostado nas sombras, Bucky Barnes observava a cena. Ele não disse uma palavra, mas seus olhos azuis estavam fixos na foto da jovem. Havia algo de resiliente na expressão de Duda, mesmo em uma simples foto de identificação. Ele conhecia a Hydra melhor do que qualquer um ali. Sabia o que eles faziam com pessoas "especiais".
— Eles vão levá-la para uma base subterrânea — disse Bucky, sua voz grave cortando a tensão. — Eles não vão matá-la agora. Vão tentar quebrá-la primeiro. Usar a inteligência dela contra ela mesma.
Tony virou-se para Bucky, o desespero dando lugar a uma fúria fria e tecnológica.
— Então nós vamos quebrar a porta deles primeiro. Bucky, você conhece os protocolos de contenção da Hydra no Brasil. Preciso que você lidere a equipe de busca.
— Eu vou — afirmou Bucky, desprendendo-se da parede. — Ninguém merece passar pelo que eles fazem.
Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, em um bunker úmido e escondido sob a densa vegetação da Mata Atlântica, Duda acordava. Sua cabeça latejava e o cheiro de ozônio e mofo impregnava o ar. Suas mãos estavam presas por algemas magnéticas a uma cadeira de metal.
Ela olhou ao redor, tentando manter a calma que seus livros de psicologia sempre pregavam. "O medo é uma resposta fisiológica, controle a respiração", pensou ela, embora seu coração batesse como um tambor contra as costelas.
Um homem de terno cinza e olhos desprovidos de qualquer empatia entrou na sala.
— Senhorita Oliveira. Ou devo dizer, Senhorita Stark? — Ele sorriu de forma gélida.
Duda ergueu o queixo, apesar do tremor em suas mãos.
— Meu nome é Duda. E eu não sei do que você está falando. Se você quer dinheiro, meu pai é um professor de história aposentado que mora no subúrbio. Você cometeu um erro geográfico e financeiro enorme.
O homem riu, caminhando ao redor dela.
— Sua inteligência é realmente notável. Analisando o sequestrador para ganhar tempo? Típico de uma mente Stark. Mas seu DNA não mente. Você é a chave para a próxima evolução do programa Soldado Invernal. Imagine... a mente analítica de um Stark em um corpo treinado pela Hydra.
Duda sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas não desviou o olhar.
— Vocês podem me prender, mas não podem possuir minha mente — disse ela, a voz firme. — Eu estudo a psique humana. Eu sei que homens como você são movidos por complexos de inferioridade e uma busca desesperada por controle. Você já perdeu no momento em que achou que eu seria cooperativa.
O homem parou na frente dela, o rosto escurecendo.
— Veremos quanto tempo essa sua arrogância acadêmica dura sob o tratamento de choque.
De volta ao Complexo, os Vingadores estavam em movimento. Tony estava vestindo as luvas da Mark 85, enquanto Natasha Romanoff e Sam Wilson preparavam o Quinjet.
— Eu localizei uma anomalia energética na Serra do Mar — anunciou Sexta-Feira. — Assinatura térmica compatível com tecnologia Hydra de meados dos anos 90, mas com picos de energia modernos.
— É lá — disse Bucky, ajustando o coldre em sua perna. Ele olhou para Tony. — Stark, eu vou entrar primeiro. Se você aparecer com toda essa luz e barulho, eles podem usá-la como escudo. Eu sou silencioso.
Tony hesitou. O instinto de pai — um instinto que ele acabara de descobrir que possuía — gritava para ele voar até lá e explodir tudo. Mas ele olhou para Bucky e viu a determinação nos olhos do homem que já tinha sido uma vítima.
— Traga ela de volta, Barnes — pediu Tony, a voz baixa. — Por favor.
— Eu prometo — respondeu Bucky.
O Quinjet cortou os céus em direção ao sul. Bucky sentou-se em silêncio, revisando o mapa tático. Ele não conseguia tirar a imagem de Duda da cabeça. Havia uma força nela, uma luz que ele sentia que precisava proteger a todo custo. No fundo, ele sentia uma conexão estranha, como se o destino estivesse movendo peças em um tabuleiro que ele ainda não compreendia.
Horas depois, o silêncio da selva brasileira foi interrompido apenas pelo som de galhos quebrando sob botas táticas. Bucky movia-se como um fantasma entre as árvores. Ele desativou os dois guardas na entrada do bunker antes mesmo que eles pudessem dar o alarme.
Lá dentro, Duda estava sendo levada para uma sala de experimentos. Ela tentou chutar um dos guardas, usando sua força e agilidade natural, mas foi contida brutalmente.
— Eu já disse que não vou ajudar vocês! — gritou ela, enquanto era jogada contra a parede de uma cela temporária.
— Você não tem escolha, menina — rosnou o guarda.
De repente, as luzes do corredor piscaram e se apagaram. Um som metálico ecoou, seguido por gritos abafados. Duda se encolheu no canto da cela, seus olhos castanhos tentando perfurar a escuridão.
A porta de metal da cela foi arrancada das dobradiças com uma força sobre-humana. Um vulto alto entrou na sala. Duda pegou um pedaço de metal solto do chão, pronta para lutar.
— Afaste-se! — ela exclamou, a voz trêmula mas determinada.
O homem parou. A luz de emergência vermelha iluminou seu rosto, revelando traços endurecidos e um braço de metal que brilhava sob o reflexo. Mas o que chamou a atenção de Duda não foi a arma ou o braço mecânico, foram os olhos dele. Havia uma tristeza profunda ali, mas também uma promessa de segurança.
— Maria Eduarda? — perguntou ele, a voz suavizando.
— Quem é você? — ela questionou, sem baixar a guarda.
— Meu nome é Bucky. Eu estou com o seu... — ele hesitou por um segundo — ... com o seu pai. Tony Stark me enviou. Você está segura agora.
Duda sentiu as pernas fraquejarem. O nome "Stark" causou um curto-circuito em sua mente analítica, mas o olhar de Bucky a manteve ancorada na realidade.
— Tony Stark? O Vingador? — Ela soltou o pedaço de metal, o choque estampando seu rosto. — Isso é impossível.
— Eu sei que é muito para processar — disse Bucky, aproximando-se lentamente e estendendo a mão enluvada. — Mas precisamos sair daqui. Agora.
Duda olhou para a mão dele e depois para o rosto do homem que parecia ter saído de um de seus livros de história e de pesadelos, mas que agora era seu único salvador. Ela aceitou a mão de Bucky, sentindo a firmeza e o calor, apesar do metal por baixo da luva.
— Você é o Soldado Invernal — sussurrou ela, enquanto ele a ajudava a levantar. — Eu li sobre você. Psicologia comportamental sob trauma extremo.
Bucky soltou um meio sorriso amargo, impressionado com a capacidade dela de analisar a situação mesmo após ser sequestrada.
— E eu li que você é muito inteligente. Vamos ver se consegue usar essa inteligência para nos guiar pela saída mais rápida.
Enquanto corriam pelos corredores do bunker, enfrentando a resistência da Hydra, algo mudou no ar. Duda não sentia apenas medo; ela sentia uma adrenalina nova. Ao lado de Bucky, ela se sentia estranhamente protegida, como se ele fosse o escudo que ela nunca soube que precisava.
E Bucky, pela primeira vez em décadas, sentiu que não estava apenas cumprindo uma missão de resgate. Ele estava protegendo algo precioso, uma centelha de vida que ele não permitiria que a Hydra apagasse.
— Eles estão vindo pela direita! — avisou Duda, percebendo o eco dos passos antes dele.
Bucky girou, disparando com precisão.
— Bom trabalho, Stark — elogiou ele.
— É Duda — corrigiu ela, embora um pequeno sorriso tivesse surgido em seus lábios no meio do caos.
Eles emergiram na selva, onde o Quinjet já estava pousando em uma clareira próxima. Tony Stark saiu da nave antes mesmo que a rampa terminasse de descer. Ele correu em direção a eles, a armadura se abrindo para revelar o homem por trás do herói.
Duda parou, observando o homem que era um ícone mundial, mas que agora a olhava com uma vulnerabilidade que ela raramente via em seus pacientes.
— Você está bem? — perguntou Tony, a voz embargada. — Me desculpe, eu... eu não sabia. Eu deveria ter sabido.
Duda olhou para Tony e depois para Bucky, que permanecia ao lado dela como uma sentinela silenciosa. Ela respirou fundo, o ar fresco da floresta limpando seus pulmões.
— Temos muito o que conversar — disse ela, sua mente de psicóloga já começando a organizar o turbilhão de emoções. — Mas primeiro, me tira desse país. Acho que já tive aventura o suficiente por uma vida inteira.
Bucky colocou a mão suavemente nas costas dela, guiando-a para a nave. Naquele momento, sob o sol nascente do Brasil, uma nova jornada começava. Para Tony, era a chance de redenção. Para Duda, era a descoberta de um mundo que ela só conhecia pelos livros. E para Bucky, era o início de um sentimento que ele achava que o Soldado Invernal tinha matado para sempre: a esperança.
