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A Historia

Fandom: Historia Sobre a sua turma e seu passado

Criado: 08/06/2026

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Ficção CientíficaAçãoAventuraDistopiaBiopunkExperimentação HumanaDramaSuspense
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Sombras do Passado no Aço da A.S.A.

O prédio da empresa A.S.A. erguia-se contra o céu cinzento como um monólito de vidro e arrogância. Para quem olhava de fora, era apenas o epicentro da inovação tecnológica, mas para aqueles que conheciam os segredos escondidos em seus subsolos, o lugar era um labirinto de memórias traumáticas e experimentos que a ética ousara esquecer.

Super Gato observava a fachada do alto de um guindaste de construção vizinho. O vento soprava seus pelos amarelos e sedosos, que brilhavam sob a luz fraca das luminárias de rua. Ele ajustou as pequenas luvas táticas em suas patas dianteiras, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Ele não era apenas um gato; ele era o que restava de um projeto que deu certo demais — ou errado demais, dependendo de quem contasse a história.

— Você está demorando muito para dar o sinal. — A voz veio de trás dele, suave mas carregada de uma energia estática.

Super Gato virou a cabeça e viu Lua. A raposa amarela era uma visão hipnotizante, com suas três caudas balançando suavemente em um ritmo hipnótico, cada uma delas terminando em uma ponta que parecia brilhar com uma luz própria. Ela era a agilidade e a inteligência do grupo, a única que conseguia hackear os sistemas da A.S.A. apenas com a proximidade de sua aura.

— Estou apenas garantindo que os sensores de calor foram desativados, Lua — respondeu Super Gato, sua voz profunda e calma contrastando com a agitação interna. — Não queremos um repeteco do incidente de três anos atrás.

Lua soltou um suspiro curto, suas orelhas pontudas girando para captar qualquer som vindo do complexo.

— O passado é um fantasma que gosta de nos morder o calcanhar — disse ela, aproximando-se da borda do guindaste. — Mas hoje, nós somos os caçadores.

— Onde está o Cachorro Escuro? — perguntou Super Gato, olhando para o beco escuro abaixo.

— Exatamente onde as sombras são mais densas — uma voz rouca e gutural respondeu vinda do nada.

Das trevas profundas sob a estrutura de aço, surgiu Cachorro Escuro. Sua pelagem roxa era tão escura que parecia absorver a pouca luz que restava, tornando-o quase invisível a olho nu. Ele era o músculo e o misticismo da equipe, um ser cujas origens na A.S.A. eram as mais nebulosas de todas.

— O perímetro leste está limpo — informou Cachorro Escuro, saltando com uma leveza sobrenatural para o lado dos companheiros. — Mas a segurança interna aumentou. Eles sabem que algo está vindo. Ou talvez eles saibam que *nós* estamos voltando para casa.

Super Gato sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Casa". Aquela palavra tinha um gosto de metal e desinfetante.

— Não é uma visita social — disse Super Gato com firmeza. — Vamos entrar pelos dutos de ventilação do setor de biogenética. Lua, você assume os terminais assim que estivermos dentro. Cachorro, você cuida de qualquer "surpresa" mecânica que eles jogarem no nosso caminho.

— E você? — perguntou Cachorro Escuro, fixando seus olhos intensos no gato amarelo.

— Eu vou encontrar o Diretor — respondeu Super Gato, as garras saindo por um breve segundo antes de serem recolhidas. — Ele nos deve respostas sobre o que aconteceu com o resto da nossa turma.

O salto para o telhado da A.S.A. foi executado com uma precisão cirúrgica. Lua liderou o caminho, suas três caudas servindo como estabilizadores perfeitos enquanto ela deslizava pelo duto de ar. O interior da empresa era o oposto da fachada reluzente; era frio, funcional e exalava um cheiro de ozônio e medo antigo.

Eles desceram silenciosamente em uma sala de servidores. As luzes azuis dos painéis piscavam como olhos eletrônicos observando cada movimento deles. Lua correu para o console principal, suas patas movendo-se com uma velocidade que desafiava a visão.

— Estou dentro — sussurrou ela, enquanto linhas de código passavam por suas retinas. — Mas há algo estranho. Os arquivos do Projeto Origem... eles foram movidos para um servidor físico isolado no subsolo quatro.

Cachorro Escuro rosnou baixo, um som que vibrou no peito de Super Gato.

— O subsolo quatro é onde ficavam as jaulas — disse o cachorro roxo. — Eles querem que a gente desça. É uma armadilha.

— Provavelmente — concordou Super Gato, olhando para a porta de aço que levava aos elevadores de serviço. — Mas é o único caminho para a verdade. Se o passado da nossa turma está enterrado lá, é lá que vamos cavar.

Eles avançaram pelos corredores, movendo-se como sombras. No entanto, ao chegarem ao nível do subsolo, as luzes de emergência começaram a girar, banhando as paredes de um vermelho sangue.

— Intrusos detectados no Setor de Contenção — uma voz sintética ecoou pelos alto-falantes.

— Tarde demais para a discrição — disse Lua, suas caudas começando a brilhar intensamente. — Protejam-se!

Uma equipe de guardas robóticos surgiu do final do corredor, armados com redes de contenção elétrica. Cachorro Escuro não esperou. Ele se lançou para frente, transformando-se em um borrão roxo. Com um movimento de suas patas poderosas, ele derrubou o primeiro robô, rasgando o metal como se fosse papel.

— Vão! — gritou Cachorro Escuro enquanto enfrentava os outros. — Eu cuido desses latões!

Super Gato e Lua correram em direção à sala principal do subsolo quatro. Ao entrarem, o silêncio era absoluto, interrompido apenas pelo som rítmico de um respirador mecânico. No centro da sala, em um tanque criogênico, algo estava flutuando.

— Não pode ser... — sussurrou Lua, aproximando-se do vidro. — Esse é o registro 001.

Super Gato olhou para as telas ao redor. Imagens de quando eles eram apenas filhotes, submetidos a testes de radiação e modificação genética, preenchiam o ambiente. Ele viu a si mesmo, um gatinho amarelo assustado, antes de seus pelos ganharem aquela textura sedosa e indestrutível. Viu Lua com apenas uma cauda, e os experimentos cruéis que forçaram o crescimento das outras duas.

— Eles não estavam tentando nos criar — disse Super Gato, a voz trêmula de raiva. — Eles estavam tentando nos transformar em armas para vender ao maior lance. E quando fugimos, eles simplesmente começaram de novo com outros.

— Bem-vindos de volta, meus pequenos milagres — uma voz vinda das sombras os fez virar bruscamente.

Um homem idoso, vestido com um jaleco branco impecável, saiu de trás de uma coluna. Seus olhos eram frios, desprovidos de qualquer empatia humana.

— Diretor — sibilou Super Gato, ficando em posição de ataque.

— Você cresceu bem, 002 — disse o Diretor, olhando para Super Gato. — Sua pelagem continua impecável. E a 003... vejo que suas caudas extras estão em plena harmonia. A A.S.A. investiu muito em vocês. É uma pena que tenham sido tão ingratos.

— Ingratos? — Lua deu um passo à frente, a energia estática ao seu redor fazendo os papéis na sala voarem. — Você nos roubou nossas vidas! Você nos transformou em aberrações!

— Eu transformei vocês em deuses! — o Diretor gritou, sua voz ecoando pela sala. — Olhem para o que vocês podem fazer! O mundo é um lugar perigoso, e eu dei a vocês as ferramentas para dominá-lo.

— Nós não queremos dominar nada — disse Super Gato, aproximando-se lentamente. — Queremos apenas que isso pare. Onde estão os outros? A turma que ficou para trás?

O Diretor deu um sorriso triste, quase piedoso.

— Eles não foram tão fortes quanto vocês. Foram reciclados para dar vida ao que está naquele tanque.

Super Gato olhou para o tanque central. A criatura lá dentro começou a abrir os olhos. Era uma mistura grotesca de várias espécies, um amálgama de dor e ciência distorcida.

— Isso termina aqui — declarou Super Gato.

Nesse momento, a parede lateral explodiu. Cachorro Escuro entrou voando, coberto de poeira, mas com um olhar de pura determinação.

— Os reforços deles estão chegando, mas eu trouxe uma surpresa — disse o cachorro roxo, apontando para o sistema de ventilação por onde ele tinha acabado de passar.

Pequenas esferas de energia, que Lua havia plantado secretamente durante o trajeto, começaram a detonar em pontos estratégicos da estrutura. O prédio da A.S.A. começou a tremer.

— Você é louco! — gritou o Diretor, cambaleando. — Vai destruir todo o trabalho de uma vida!

— Não — corrigiu Super Gato, saltando sobre o console de controle do tanque criogênico. — Vou destruir um pesadelo.

Com um golpe certeiro de suas garras, Super Gato destruiu o painel principal. O líquido do tanque começou a vazar, e os sistemas de suporte de vida falharam. O Diretor tentou correr, mas foi bloqueado pelas três caudas de Lua, que formavam uma barreira intransponível de luz.

— O passado não pode ser apagado — disse Lua, seus olhos brilhando com uma sabedoria antiga —, mas o futuro não pertence a você.

— Precisamos sair daqui, agora! — gritou Cachorro Escuro, enquanto o teto começava a ceder.

Super Gato olhou uma última vez para os arquivos nas telas. Ele viu os nomes de seus antigos companheiros, as memórias de brincadeiras escondidas nos laboratórios antes de serem separados. Ele pegou um drive de memória que estava inserido no console — a prova de tudo o que fora feito ali.

— Vamos! — ordenou Super Gato.

Os três correram pelo corredor desabando. Cachorro Escuro usava sua força para segurar vigas que caíam, enquanto Lua usava seus sentidos aguçados para encontrar o caminho mais seguro entre as chamas. Super Gato liderava com uma agilidade divina, saltando sobre escombros e guiando seus amigos para a liberdade.

Eles emergiram do prédio segundos antes de uma explosão massiva consumir os níveis inferiores. O impacto os jogou no chão do beco onde tudo começara.

Ofegantes, eles se levantaram e olharam para o monólito de vidro agora em chamas. A empresa A.S.A. estava caindo, e com ela, os segredos de suas origens sombrias.

— Acabou? — perguntou Lua, limpando a fuligem de seu rosto.

Super Gato olhou para o drive de memória em sua pata.

— Para a A.S.A., sim. Mas para nós... — Ele olhou para seus amigos, a raposa de três caudas e o cachorro roxo. — Agora temos os nomes de todos os outros. A nossa turma é maior do que pensávamos. E vamos encontrar cada um deles.

Cachorro Escuro deu um latido curto, que parecia quase um riso.

— Um gato, uma raposa e um cachorro contra o mundo. Eu gosto dessas chances.

— Não somos apenas animais — disse Super Gato, olhando para o horizonte onde o sol começava a nascer, pintando o céu de cores que combinavam com seus pelos. — Somos o que a ciência não conseguiu controlar. Somos livres.

Enquanto as sirenes da polícia e dos bombeiros se aproximavam, os três desapareceram nas sombras da cidade. Eles tinham um passado para processar, mas, pela primeira vez em suas vidas, tinham um futuro para escrever. A turma estava apenas começando sua verdadeira jornada.
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