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Casal improvável mas provavelmente

Fandom: Marvel e vingadores

Criado: 08/06/2026

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O Sangue de Olinda e o Aço de Stark

A base da Hydra na periferia de Sokovia cheirava a ozônio, metal esterilizado e medo. O caos, no entanto, era a especialidade dos Vingadores. Enquanto Steve Rogers derrubava a última porta reforçada com seu escudo, o som metálico ecoou pelo corredor frio, revelando um laboratório escondido que não constava nos mapas iniciais da missão.

— Stark, Barton, cubram o flanco esquerdo. Natasha, verifique os terminais — ordenou Steve, sua voz de comando cortando o barulho das sirenes de emergência.

Tony Stark, dentro da armadura dourada e vermelha, pousou com um baque surdo, os propulsores ainda soltando fumaça.

— Picolé, acho que encontramos o "projeto especial" deles — disse Tony, mas sua voz perdeu o tom sarcástico habitual quando as luzes do laboratório focaram no centro da sala.

Lá, presa a uma cadeira cirúrgica cercada por monitores que exibiam sequências complexas de DNA, estava uma jovem. Seus cabelos cacheados eram uma cascata escura que contrastava com a palidez de seu rosto. Ela parecia ter cerca de vinte anos, vestindo roupas civis rasgadas e sujas de sangue seco.

— Ela está viva? — perguntou Peter Parker, pousando silenciosamente no teto, seu tom de voz carregado de preocupação juvenil.

Bruce Banner, que mantinha o controle para não deixar o Outro Cara assumir, aproximou-se cautelosamente.

— Os batimentos estão fracos, mas estáveis. Ela foi sedada com algo forte.

Steve olhou para Bucky e Sam, que haviam acabado de limpar o corredor.

— Bucky, Sam, tirem ela daqui agora. Levem-na para o Quinjet. Precisamos dela na Torre antes que a Hydra tente recuperar o que quer que estivessem testando nela.

Bucky Barnes aproximou-se da garota. Seus olhos azuis, geralmente nublados por traumas passados, suavizaram-se por um momento. Ele a pegou nos braços com uma delicadeza que poucos esperariam do Soldado Invernal. O peso dela era quase nada para seu braço de metal, mas a proteção que ele sentiu instantaneamente foi visceral.

— Eu cuido dela — murmurou Bucky, ajustando o corpo da jovem contra seu peito enquanto Sam abria caminho.

O que nenhum deles sabia — nem mesmo o gênio, bilionário e filantropo Tony Stark — era que aquela garota não era apenas uma vítima aleatória. Maria Eduarda Stark Siqueira, a Duda, trazia consigo o ritmo frenético de Olinda, a inteligência afiada de uma futura psicóloga e, escondido em suas veias, o mesmo sangue impetuoso que corria no homem da armadura.

Horas depois, na Torre dos Vingadores em Nova York, o clima era de tensão silenciosa. Duda estava na ala médica, sob a observação constante de Helen Cho e Bruce. Tony estava na sala de estar, andando de um lado para o outro, enquanto os outros tentavam processar os dados recuperados da base.

— Os arquivos da Hydra a chamam de "Sujeito de Herança" — disse Natasha, seus olhos fixos no tablet. Ela parecia fria, mas quem a conhecia via a inquietação em seus dedos. — Ela é brasileira. Nasceu em Pernambuco. Estudante de psicologia e... bailarina profissional?

— Uma dançarina? — Thor interveio, sua voz trovejando com uma mistura de drama e admiração. — Uma forma nobre de arte! Ela deve possuir o espírito de uma guerreira para mover-se com tamanha graça.

— Ela participava de grupos de coreografia para cantores famosos — continuou Natasha, ignorando o asgardiano. — Mas o que mais chama a atenção é o perfil genético.

Tony parou de andar.

— O que tem o perfil dela, Nat?

A espiã hesitou por um segundo, olhando para Steve, que apenas assentiu.

— Tony, os marcadores de DNA dela... eles coincidem com os seus em 99,9%.

O silêncio que se seguiu foi tão pesado que até Peter parou de mexer no seu lançador de teias. Clint, que estava encostado na parede parecendo exausto, soltou um assobio baixo.

— Stark... você tem uma filha? — perguntou Clint, com as sobrancelhas erguidas.

— Isso é impossível — balbuciou Tony, o rosto perdendo a cor. — Eu teria... eu saberia.

— Aparentemente, você não sabia — disse Loki, surgindo das sombras com seu habitual sorriso sarcástico e elegância caótica. — O herdeiro do trono de ferro tem uma princesa dos trópicos. Que reviravolta deliciosa.

— Cala a boca, Loki — rosnou Sam, entrando na sala. — Ela acordou. E ela está assustada.

Na ala médica, Duda sentia a cabeça latejar. A última coisa de que se lembrava era de estar saindo de um ensaio de dança em Recife antes de ser levada para aquele pesadelo. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que viu não foram os aparelhos tecnológicos, mas um par de olhos azuis intensos e um braço de metal que brilhava sob a luz fluorescente.

— Ei — disse Bucky, sua voz baixa e rouca. — Você está segura. Ninguém vai te machucar aqui.

Duda tentou se sentar, os cachos caindo sobre o rosto. Ela respirou fundo, tentando usar as técnicas de psicologia que estudava para não entrar em pânico.

— Onde eu estou? — Sua voz saiu um pouco rouca, com o sotaque pernambucano ainda presente mesmo no inglês perfeito que aprendeu para a carreira. — Quem são vocês?

— Estamos em Nova York — respondeu Bucky, mantendo uma distância respeitosa, mas sem tirar os olhos dela. — Eu sou o Bucky.

Duda olhou para o braço dele. Em vez de medo, ela sentiu uma curiosidade empática. Como futura psicóloga, ela via a dor escondida naquela postura defensiva.

— Esse braço... — Ela esticou a mão hesitante, mas parou no meio do caminho. — É lindo. Mas parece pesado para a alma.

Bucky congelou. Ninguém nunca tinha dito algo assim para ele. Geralmente eram perguntas sobre quantas pessoas ele matou ou olhares de puro terror. Antes que ele pudesse responder, a porta se abriu e o grupo inteiro entrou, liderado por um Tony Stark que parecia ter visto um fantasma.

— Você... — Tony começou, mas as palavras falharam.

Duda olhou para o homem à sua frente. Ela reconhecia aquele rosto. Todo mundo conhecia. Mas havia algo mais. Uma conexão instintiva que a fez sentir um aperto no peito.

— Você é o Homem de Ferro — disse ela, tentando manter a calma. — E, se as histórias que minha mãe contava sobre o "americano brilhante e teimoso" de vinte anos atrás forem verdade... você é o meu problema genético.

Wanda, que estava no fundo da sala, sentiu a onda de emoção vindo da garota.

— Ela é intensa — sussurrou Wanda para Visão, que apareceu pela parede. — Há muito fogo nela. E muita inteligência.

— Você é Maria Eduarda? — perguntou Steve, aproximando-se com seu jeito de líder responsável. — Eu sou o Steve Rogers.

— O Capitão América — Duda sorriu levemente, apesar da situação. — Minha avó em Olinda tinha um pôster seu. Ela dizia que você era o único político em quem ela confiava, mesmo que não fosse político.

Peter soltou uma risadinha, atraindo a atenção de Duda.

— E você deve ser o Homem-Aranha. O garoto prodígio de quem o Twitter não para de falar.

— Eu... é... oi! — Peter acenou, ficando vermelho. — Você dança muito bem! Eu vi seus vídeos no YouTube enquanto o Sr. Stark estava em choque.

Tony finalmente recuperou a voz, aproximando-se da cama.

— Escuta, garota... Duda. Eu não fazia ideia. Se eu soubesse...

— Se soubesse, o quê? — Ela o interrompeu, a inteligência e a audácia de Stark brilhando em seus olhos. — Teria me levado para voar de armadura ou teria me enviado um cheque mensal? Eu tive uma vida ótima no Brasil, Stark. Sou psicóloga em formação, dançarina e muito bem resolvida. O problema é que a Hydra decidiu que meu sangue era valioso demais por causa de você.

Tony sentiu o golpe. Ela era exatamente como ele: rápida, afiada e defensiva.

— Eles fizeram testes em você — disse Bruce, com sua gentileza característica. — Queriam ver se você herdou a resistência celular do Tony ou se poderia manifestar alguma anomalia.

— Eu só quero ir para casa — disse ela, embora soubesse que, agora que a Hydra sabia quem ela era, "casa" não era mais um lugar seguro.

— Você não pode voltar agora — interveio Bucky, sua voz soando mais protetora do que ele pretendia. — Eles ainda estão atrás de você. Você fica aqui. Conosco.

Duda olhou para o homem com o braço de metal. Havia algo nele que a acalmava, um contraste entre a força bruta e a fragilidade emocional que a atraía como um ímã.

— E quem vai me proteger? — perguntou ela, desafiadora.

— Todos nós — disse Steve com firmeza.

— Mas ele — Tony apontou para Bucky, com um ciúme de pai que ele nem sabia que possuía — parece que já se candidatou ao cargo de guarda-costas oficial.

Bucky não desviou o olhar. Pela primeira vez em décadas, ele sentiu que tinha uma missão que não envolvia destruição, mas sim preservação de algo puro e vibrante.

— Eu não sou fácil de cuidar — avisou Duda, ajeitando os cachos e olhando para Stark. — Eu trago o caos de Pernambuco comigo.

Loki soltou uma risada elegante do canto da sala.

— Ah, minha querida, você vai se encaixar perfeitamente aqui. Esta torre já é o monumento ao caos.

Duda olhou para cada um deles: o bilionário em choque, o soldado de outra época, o espião exausto, o deus dramático e, finalmente, o homem traumatizado que ainda não tinha soltado a beira de sua cama.

— Bom — disse ela, soltando um suspiro longo. — Espero que vocês gostem de música brasileira e de sessões de terapia gratuitas, porque se eu vou ficar presa aqui, vou colocar ordem nessa bagunça.

Tony Stark sorriu, um sorriso genuíno que raramente aparecia. Ele tinha uma filha. Uma filha inteligente, dançarina e psicóloga que não tinha medo dele.

— Bem-vinda à família, Duda — disse Tony. — Só não espere que o Steve entenda suas gírias.

— Eu entendo algumas! — protestou Steve, enquanto todos riam, quebrando a tensão de um dia que mudaria a vida dos Vingadores para sempre.

Enquanto a equipe se dispersava para dar espaço a ela, Bucky permaneceu um segundo a mais.

— Se precisar de qualquer coisa... — começou ele.

— Eu sei — interrompeu Duda, com um brilho divertido nos olhos. — Você estará por perto, Picolé de Metal.

Bucky esboçou um sorriso de canto, o primeiro em muito tempo, e saiu da sala sentindo que, talvez, o caos que aquela garota trazia fosse exatamente o que seu coração congelado precisava para despertar.
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