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Fandom: Nenhum

Criado: 08/06/2026

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Equilíbrio Instável sob o Sol

O sol de meio-dia refletia intensamente nas águas cristalinas da piscina do clube privativo, um dos refúgios favoritos da elite da cidade. Emanuel sentia o calor pesar em seus ombros, mas a tensão que carregava não vinha do clima. Sentado em uma espreguiçadeira estrategicamente posicionada entre as duas mulheres de sua vida, ele tentava, sem muito sucesso, ler um relatório de lucros de seu estúdio em Londres no tablet.

À sua direita, Sara era a personificação da confiança e da exuberância. Usando um biquíni fio-dental em tom neon que deixava pouco para a imaginação e realçava as curvas esculpidas por cirurgias e horas de academia, ela segurava uma taça de espumante enquanto ria alto com um grupo de amigas. Sara não apenas ocupava espaço; ela o dominava. Como formada em administração, ela tinha um olho clínico para os negócios de Emanuel, e embora ele fosse o gênio criativo e o dono do império, ele respeitava a competência dela em lidar com a burocracia que ele tanto detestava.

À sua esquerda, o cenário era drasticamente diferente. Eduarda estava encolhida sob a sombra de um amplo guarda-sol, vestindo uma saída de praia de renda clara e delicada por cima de um biquíni discreto. Ela folheava um livro pesado sobre o Renascimento italiano, mas seus olhos castanhos e expressivos fugiam constantemente para Emanuel, buscando uma âncora.

— Amor, você está muito tenso — disse Sara, inclinando-se para frente, o que fez com que o silicone de seus seios ficasse ainda mais em evidência. Ela tocou o braço tatuado de Emanuel com as unhas perfeitamente feitas. — Esquece Londres por um segundo. As meninas querem saber quando vamos inaugurar a unidade de Tóquio.

Emanuel suspirou, fechando a tela do tablet. Ele passou a mão pelo cabelo curto, sentindo o suor na nuca.

— No próximo mês, se a logística não falhar. Sara, por favor, peça para suas amigas diminuírem o tom. Eduarda está tentando ler.

Sara revirou os olhos, mas soltou um risinho debochado, lançando um olhar de soslaio para a outra moça.

— Ah, a Duda é tão quietinha que eu esqueço que ela está aqui. — Ela não falava com maldade absoluta, mas com uma condescendência que sempre fazia Eduarda se encolher um pouco mais. — Bebe um pouco, Duda. Ajuda a relaxar essa sua timidez.

Eduarda levantou os olhos do livro, as bochechas ganhando um tom rosado que não era do sol. Ela buscou a mão de Emanuel, encontrando-a e apertando-a com seus dedos finos e frios.

— Eu estou bem, Sara. Só prefiro o silêncio.

— O silêncio é tédio, querida — rebateu Sara, voltando a atenção para o seu grupo sem esperar resposta.

Emanuel sentiu o peso da disputa silenciosa. Ele amava Sara pela sua garra, pela forma como ela encarava o mundo e por como ela facilitava sua vida profissional. Mas ele necessitava de Eduarda como ar; ela era sua paz, o lugar onde ele não precisava ser o grande empresário ou o tatuador requisitado, apenas o homem que a protegia.

— Você quer ir para a água? — Emanuel perguntou em voz baixa para Eduarda, ignorando o barulho das amigas de Sara.

— Agora não, Manu... — ela murmurou, manhosa, encostando a cabeça no ombro dele. O perfume suave de baunilha dela contrastava com o perfume importado forte de Sara. — Tem muita gente olhando.

— Ninguém está olhando, pequena. E se estiverem, que olhem.

— Seus pais chegaram — anunciou Sara, levantando-se e ajeitando o biquíni de forma provocante. — E eles parecem mais jovens que a gente, credo.

Emanuel olhou para a entrada da área VIP e viu os pais de Eduarda. Eles eram modernos, vestiam roupas de linho e óculos escuros de grife, acenando com uma energia que parecia inesgotável. Eduarda sorriu, o rosto iluminando-se ao ver a família.

— Oi, queridos! — a mãe de Eduarda exclamou, aproximando-se para beijar o rosto de todos. — Emanuel, você está cada dia mais bonito. E Sara, que corpo é esse, mulher? Me passa o contato do seu cirurgião agora!

Sara soltou uma gargalhada genuína, sentindo-se em seu elemento. Ela adorava a validação.

— Com prazer, Lúcia! Mas aviso logo que o pós-operatório é um inferno.

Enquanto a conversa fluía de forma animada entre os pais de Eduarda e Sara, Emanuel sentiu Eduarda se apertar mais contra ele. Ele a envolveu com o braço, sentindo a estrutura esguia e leve dela sob seu toque.

— Eles gostam de você — sussurrou Emanuel no ouvido de Eduarda.

— Eu sei... mas eu queria que estivéssemos sozinhos. — Ela olhou para ele com aqueles olhos que entregavam tudo o que sentia. — Você vai me pedir de novo, não vai?

Emanuel endureceu o maxilar. Ele sabia exatamente do que ela estava falando.

— Pedir para você morar comigo? Sim. Todos os dias até você dizer sim. A Sara já está lá, a casa é enorme, Eduarda. Não faz sentido você voltar para a casa dos seus pais toda noite.

— Eu ainda não estou pronta, Manu — disse ela, a voz embargada pela emoção. — É tudo muito... intenso. A Sara é intensa. Eu sinto que vou sumir naquela casa.

— Eu não vou deixar você sumir — ele afirmou, o tom de voz subindo um pouco, revelando sua irritação acumulada. — Eu quero minhas duas mulheres sob o meu teto. Eu quero cuidar de você de perto, sem ter que te levar embora como se você tivesse hora para voltar.

A discussão foi interrompida por Sara, que se aproximou novamente, percebendo o clima pesado.

— Discutindo a "mudança" de novo, Emanuel? — Ela cruzou os braços, fazendo o silicone saltar. — Deixa a menina, se ela quer viver com o papai e a mamãe, o problema é dela. Menos uma para dividir o closet.

— Não é isso, Sara — Emanuel cortou, seco. — Eu quero a Eduarda lá porque ela faz falta.

— Eu sei que faço — Sara disse, dando de ombros com uma confiança inabalável. — Mas eu não vou ficar implorando. Se ela quer ser a visita, que seja a visita. Agora, vamos entrar na piscina? O calor está insuportável e eu quero que você passe protetor nas minhas costas.

Emanuel olhou para Sara, depois para Eduarda. Ele sentia-se um elástico sendo puxado em direções opostas. A racionalidade de Sara o irritava às vezes, mas a hesitação emocional de Eduarda o deixava exausto.

— Eu vou passar o protetor nela, Manu — Eduarda disse de repente, tentando ser útil, buscando evitar o conflito que via crescer nos olhos de Emanuel.

Sara arqueou uma sobrancelha loira, surpresa.

— Você, Duda? Vai sujar suas mãos de creme?

— Eu posso fazer isso — Eduarda insistiu, levantando-se com sua elegância discreta. — O Emanuel precisa descansar um pouco. Ele não parou de olhar aquele tablet desde que chegamos.

Por um momento, as duas mulheres se encararam. Sara, a força da natureza; Eduarda, a brisa suave. Sara deu um sorriso de canto, uma espécie de reconhecimento da tentativa de convivência da mais nova.

— Tudo bem, então. Mas não esquece os ombros, eu me queimo fácil.

Emanuel observou enquanto Eduarda, com movimentos cuidadosos e delicados, passava o creme nas costas de Sara. Era uma imagem surreal: a loira exuberante e a morena frágil tentando encontrar um ponto comum de paz. Ele sabia que Sara não via Eduarda como uma ameaça real ao seu posto de "namorada principal" — na cabeça de Sara, ela era a parceira de negócios, a mulher que dividia a rotina e a cama oficial. Para ela, Eduarda era um doce, um mimo que Emanuel precisava para acalmar sua alma inquieta.

Já Eduarda via em Sara um espelho do que ela nunca conseguiria ser, e isso a assustava.

— Emanuel! — O pai de Eduarda chamou de uma mesa próxima. — Venha aqui tomar uma cerveja e me contar como estão os investimentos em cripto!

Emanuel levantou-se, sentindo a tensão nos músculos do pescoço. Ele caminhou até o sogro, mas antes de se afastar, parou ao lado das duas.

— Comportem-se — ele disse, com aquela voz grave que carregava autoridade e cuidado.

— Sempre nos comportamos, querido — Sara respondeu, sem olhar para trás.

— Vou tentar, Manu — Eduarda murmurou, lançando-lhe um olhar carente.

A tarde seguiu entre risos altos do grupo de Sara e conversas intelectuais dos pais de Eduarda. Emanuel, no entanto, permanecia em seu estado de alerta constante. Ele observava cada interação. Quando um homem mais jovem, amigo de um dos convidados do clube, aproximou-se da área onde elas estavam e começou a dar atenção excessiva a Eduarda, Emanuel sentiu o sangue ferver.

O rapaz tentava puxar assunto sobre o livro de História da Arte que ela segurava. Eduarda, visivelmente desconfortável e tímida, apenas dava respostas curtas, buscando Emanuel com o olhar.

Antes que Emanuel pudesse intervir, Sara tomou a frente. Ela se postou entre o rapaz e Eduarda, com uma mão no quadril e a outra segurando sua taça.

— Ela é linda, não é? — Sara perguntou com um sorriso predatório. — Mas ela tem dono. E o dono dela tem braços maiores que as suas coxas e uma coleção de agulhas de tatuagem que ele adoraria não ter que usar em você. Circulando, gracinha.

O rapaz gaguejou uma desculpa e se afastou rapidamente. Eduarda soltou um suspiro de alívio.

— Obrigada, Sara.

— Não me agradeça. Eu só não quero que o Emanuel tenha um ataque de nervos e estrague o meu dia de sol — Sara respondeu, voltando para sua espreguiçadeira, mas com um brilho de proteção nos olhos que raramente mostrava.

Emanuel aproximou-se, colocando a mão na nuca de Eduarda e puxando-a para um beijo casto na testa.

— Você está bem?

— Sim... a Sara me defendeu — ela disse, surpresa.

Emanuel olhou para Sara, que fingia não ouvir, retocando o batom. Ele sentiu uma onda de gratidão e um amor profundo pelas duas. Eram opostos que ele, de alguma forma, conseguia manter em órbita ao seu redor.

— Eduarda — ele chamou, a voz mais suave. — Pensa no que eu te disse. A casa está vazia sem as suas coisas lá. Eu não quero mais te deixar na porta dos seus pais às onze da noite.

Eduarda baixou o olhar, brincando com a barra da saída de praia.

— Eu vou pensar, Manu. Prometo. Talvez eu possa levar alguns livros primeiro?

Um pequeno triunfo. Emanuel sorriu, o primeiro sorriso genuíno do dia.

— É um começo.

— Se ela levar os livros, eu quero que ela ajude a organizar a biblioteca — Sara gritou de sua espreguiçadeira, sem abrir os olhos. — Aquela bagunça de administração está me matando.

— Viu? — Emanuel riu. — Até a Sara quer você lá.

A tarde caiu, pintando o céu de laranja e rosa. O clube começou a esvaziar, mas o trio permanecia ali, em seu pequeno universo particular. Emanuel, sentado entre a força e a doçura, sabia que sua vida era um caos controlado, uma corda bamba emocional que exigia tudo dele. Mas, enquanto olhava para Sara rindo e para Eduarda descansando a cabeça em seu braço, ele sabia que não trocaria aquele desequilíbrio por nenhuma paz monótona do mundo.

Ele era o porto seguro delas, mas, no fundo, eram elas que, cada uma à sua maneira, impediam que ele se perdesse em seu próprio rigor e estresse. A convivência não era perfeita, e talvez nunca fosse, mas era a deles. E, por enquanto, sob o sol que se punha, aquilo era o suficiente.
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