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Fandom: Michael Jackson
Criado: 08/06/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaFofuraCiúmesHistória DomésticaCenário Canônico
Notas fora do Tom
O sol da tarde filtrava pelas janelas da sala de ensaio em Neverland, criando padrões dourados sobre o piso de madeira polida. SN estava sentada em um dos sofás de couro, balançando as pernas e cantarolando uma melodia que Michael estava tentando aperfeiçoar no piano. Ser morena e ter aquele sorriso que iluminava o ambiente era, segundo Michael, o "combustível criativo" de que ele precisava.
A relação deles era difícil de rotular. Eram melhores amigos, confidentes, mas havia algo mais. Havia os toques prolongados, os beijos roubados entre uma risada e outra, e aquela tensão elétrica que surgia sempre que o mundo lá fora parecia desaparecer. Era uma amizade colorida, leve e divertida, exatamente como a personalidade de SN.
— O que você acha dessa transição, SN? — Michael perguntou, virando-se no banco do piano. Os cachos caíam sobre a testa e os olhos brilhavam com aquela curiosidade infantil e genial que ele possuía.
— Acho que está um pouco melancólica demais para uma música que deveria falar sobre liberdade — respondeu ela, levantando-se e caminhando até ele. — Tente subir um tom aqui.
Ela se inclinou sobre o ombro dele, o perfume suave de baunilha dela invadindo o espaço pessoal de Michael. Ele sorriu, mas antes que pudesse responder, o telefone de SN, deixado sobre o piano, vibrou com uma nova mensagem.
SN pegou o aparelho rapidamente. Michael observou enquanto a expressão dela mudava de foco para diversão pura. Ela soltou uma risadinha baixa, os dedos voando pela tela.
— Alguma piada nova do Bill? — Michael perguntou, tentando soar casual, referindo-se a um dos seguranças.
— Não, é o Julian — respondeu ela, sem tirar os olhos do celular. — Aquele rapaz que conheci na livraria na semana passada. Lembra que eu te contei? Ele é hilário.
O sorriso de Michael vacilou por um milésimo de segundo, mas ele o recuperou.
— Ah, o rapaz dos livros. Ele parece... legal.
— Ele é ótimo, Mike! — SN finalmente guardou o telefone, os olhos brilhando. — Na verdade, ele me convidou para tomar um café hoje à noite. Ele quer me mostrar uma edição rara de poesias que encontrou.
Michael sentiu um aperto estranho no peito, algo que ele não conseguia identificar imediatamente como ciúmes, mas que doía como tal. Ele pigarreou, voltando a atenção para as teclas do piano.
— Café? Achei que fôssemos terminar de assistir àquela maratona de filmes do "Os Três Patetas" hoje.
— Ah, Mike, eu sinto muito! — Ela tocou o braço dele, carinhosa. — Podemos fazer isso amanhã? Eu realmente queria conhecer esse lugar que o Julian indicou. Ele disse que é super charmoso.
— Claro — disse Michael, a voz um tom mais baixa. — Sem problemas. A diversão vem primeiro, não é?
— Você é o melhor — disse ela, dando um beijo rápido na bochecha dele antes de pegar sua bolsa. — Te vejo amanhã cedo para o café da manhã?
— Com certeza — mentiu ele, forçando um aceno enquanto a via sair saltitante pela porta.
Nas horas seguintes, Neverland pareceu silenciosa demais. Michael tentou ler, tentou compor, mas a imagem de SN rindo das piadas de um tal "Julian" não saía de sua cabeça. Ele se pegou andando de um lado para o outro na biblioteca. Quem era esse cara? Ele era engraçado? Ele era mais alto que ele? Ele sabia tratar uma mulher como SN merecia?
A insegurança, um monstro que Michael conhecia bem, começou a sussurrar em seu ouvido. Ele e SN não tinham um compromisso formal, mas ele sempre sentiu que eles pertenciam um ao outro de uma forma única. Ver um estranho entrar nessa dinâmica era como ouvir uma nota desafinada em sua sinfonia perfeita.
No dia seguinte, Michael estava na cozinha, mexendo em uma tigela de cereais com pouco entusiasmo, quando SN entrou. Ela parecia radiante, usando um vestido leve que realçava seu tom de pele.
— Bom dia, raio de sol! — exclamou ela, pegando uma maçã da fruteira.
— Bom dia — respondeu Michael, tentando parecer ocupado com sua colher. — E então? Como foi o café com o... como era o nome mesmo? Julio?
— Julian, Mike — corrigiu ela com uma risada. — Foi maravilhoso. Ele é tão inteligente, e a gente conversou por horas sobre literatura e viagens. Você ia adorar ele.
— Duvido muito — murmurou Michael, baixo demais para ela ouvir.
— O que disse? — perguntou ela, aproximando-se.
— Eu disse que... que bom que se divertiu — ele forçou um sorriso. — Mas hoje temos ensaio fotográfico, lembra? Você prometeu que me ajudaria com as escolhas das roupas.
— Eu lembro! Mas, Michael, eu queria te pedir um favor... — Ela hesitou por um segundo. — O Julian está vindo me buscar aqui à tarde. Nós vamos ao cinema. Será que tem problema ele entrar para me esperar na sala de estar?
Michael sentiu o cereal virar pedra em seu estômago.
— Ele vem aqui? — Michael levantou-se, a voz subindo uma oitava. — SN, este é o meu refúgio. Eu não costumo deixar estranhos entrarem assim, você sabe.
— Mike, é só o Julian. Ele é inofensivo e sabe sobre a sua privacidade. Ele é um fã do seu trabalho, inclusive — ela disse, tentando acalmá-lo. — Por favor? Só por dez minutos.
Michael suspirou, sentindo-se encurralado pela doçura dela.
— Tudo bem. Dez minutos.
Às quatro da tarde, um carro parou diante da mansão. SN correu para receber o convidado, enquanto Michael observava discretamente por trás das cortinas de seu escritório no andar de cima. Julian era jovem, tinha um sorriso fácil e parecia terrivelmente à vontade. Michael sentiu uma pontada de irritação ao ver SN rir de algo que o rapaz disse enquanto subiam os degraus da entrada.
Michael decidiu que não ficaria escondido. Ele vestiu sua melhor jaqueta de couro preta, ajeitou o cabelo e desceu as escadas com a aura de "Rei do Pop" plenamente ativada.
Ao chegar à sala, encontrou os dois sentados no sofá. SN parecia animada, e o tal Julian estava gesticulando enquanto contava uma história.
— Ah, Michael! — SN levantou-se. — Este é o Julian. Julian, este é o Michael.
— É uma honra absoluta, senhor Jackson — disse Julian, levantando-se e estendendo a mão. Ele parecia genuinamente impressionado, mas não intimidado.
Michael apertou a mão dele com uma firmeza desnecessária.
— Prazer — disse Michael, a voz fria e polida. — SN me contou muito sobre você. Especialmente sobre como você é... "divertido".
— Ela é generosa — Julian riu, sem perceber a tensão. — SN é a pessoa mais incrível que conheci em muito tempo.
Michael sentiu o sangue ferver. Ele se sentou na poltrona oposta, cruzando as pernas com elegância.
— É mesmo? E o que exatamente vocês planejam fazer hoje? — perguntou Michael, como um pai superprotetor, ou melhor, como um amante enciumado.
— Vamos ver um filme clássico no centro — respondeu Julian. — E depois jantar.
— Jantar? — Michael arqueou uma sobrancelha. — SN tem uma dieta muito específica quando estamos trabalhando em novos projetos. Muita energia é necessária.
SN franziu a testa, olhando para Michael com estranheza.
— Mike, do que você está falando? Eu comi pizza ontem à noite com você.
Michael pigarreou, sentindo as bochechas esquentarem.
— Eu só quero garantir que você esteja bem alimentada para o ensaio de amanhã. É uma preocupação profissional.
— Entendo — disse Julian, mantendo o tom amigável. — Vou cuidar muito bem dela, prometo.
— Espero que sim — retrucou Michael. — Porque SN é muito especial para... para a equipe. E para mim.
O silêncio que se seguiu foi desconfortável. SN olhava de Michael para Julian, percebendo finalmente o que estava acontecendo. Michael Jackson, o homem mais famoso do mundo, estava agindo como um adolescente possessivo.
— Bom — disse SN, quebrando o gelo —, acho melhor irmos, Julian. Não queremos perder o início do filme.
— Claro. Até logo, Michael — Julian acenou.
Michael apenas assentiu, observando-os sair. Assim que a porta se fechou, ele soltou um suspiro pesado e se jogou no sofá. Ele se sentia ridículo. Ele era Michael Jackson, e estava competindo pela atenção de sua melhor amiga com um bibliotecário que usava sapatos de camurça.
A noite passou devagar. Michael tentou se distrair brincando com seus animais e assistindo a desenhos animados, mas nada funcionava. Ele ficava imaginando Julian tocando a mão de SN no cinema, ou os dois compartilhando uma sobremesa. A ideia de perder a exclusividade daquele carinho e daquelas risadas era insuportável.
Cerca de quatro horas depois, ele ouviu o som de um carro se aproximando. Ele correu para a janela. Julian estava deixando SN na porta. Eles conversaram por alguns minutos, e Michael prendeu a respiração quando Julian se inclinou para um beijo. Para o alívio imenso de Michael, foi apenas um beijo na bochecha.
SN entrou em casa e encontrou as luzes da sala baixas. Michael estava sentado ao piano, tocando uma melodia lenta e melancólica.
— Ainda acordado, Mike? — perguntou ela, aproximando-se suavemente.
— Não consegui dormir — ele respondeu sem olhar para ela. — Como foi o encontro?
SN caminhou até ele e se encostou no piano, cruzando os braços.
— Foi bom. Julian é um cavalheiro. Mas...
Michael parou de tocar e olhou para ela.
— Mas?
— Mas ele não é você — disse ela com um sorriso travesso. — E ele certamente não sabe fazer aquela cara de "eu vou te destruir com o olhar" que você fez a tarde inteira.
Michael desviou o olhar, sentindo-se pego no flagra.
— Eu não sei do que você está falando.
— Ah, sabe sim! — Ela riu, contornando o piano e parando entre as pernas dele enquanto ele permanecia sentado no banco. Ela colocou as mãos nos ombros dele. — Michael Joe Jackson, você estava com ciúmes?
Michael tentou manter a pose por alguns segundos, mas a proximidade dela e o brilho divertido em seus olhos castanhos o desarmaram. Ele suspirou, envolvendo a cintura dela com os braços e escondendo o rosto em seu ventre por um momento.
— Eu odiei — confessou ele, a voz abafada. — Odiei ver ele te fazendo rir. Odiei pensar que ele poderia... sei lá, ocupar o meu lugar.
SN sentiu o coração derreter. Ela passou os dedos pelos cabelos cacheados dele, acariciando o couro cabeludo.
— Mike, ninguém ocupa o seu lugar. Você é único. O que temos... essa nossa amizade, essas cores todas... isso é sagrado para mim.
Michael levantou o rosto, os olhos grandes e vulneráveis procurando os dela.
— Eu não quero ser apenas "colorido", SN — ele admitiu em um sussurro corajoso. — Eu acho que quero todas as cores. O arco-íris inteiro. Com você.
SN paralisou por um segundo, o impacto das palavras dele atingindo-a em cheio. Ela sempre esperou por aquele momento, mas ouvi-lo dizer aquilo, com tanta sinceridade, era diferente.
— Você está dizendo o que eu acho que está dizendo? — perguntou ela, a voz falhando um pouco.
Michael levantou-se lentamente, sem soltar a cintura dela, até que ficassem na mesma altura. Ele levou uma das mãos ao rosto dela, o polegar acariciando a maçã da bochecha morena e macia.
— Estou dizendo que Julian pode ter os livros e o café — disse Michael, aproximando o rosto do dela até que suas respirações se misturassem. — Mas eu quero o resto. Eu quero você. Só para mim.
SN sorriu, a alegria transbordando em seu rosto bonito.
— Demorou para perceber, não foi, Applehead?
— Eu sou um pouco lento com as notas às vezes — ele brincou, recuperando o brilho divertido nos olhos.
— Então prova — desafiou ela, aproximando-se ainda mais.
Michael não precisou de outro convite. Ele a beijou, mas não foi um dos beijos rápidos e casuais da amizade colorida deles. Foi um beijo profundo, cheio de promessas e de uma posse doce que dizia que, a partir daquele momento, não haveria mais espaço para Julians ou qualquer outro intruso.
Quando se separaram, Michael encostou a testa na dela, ofegante.
— Então... — começou ele, com um sorriso de lado. — Amanhã, nada de café com estranhos?
— Amanhã — respondeu SN, rindo e selando os lábios dele novamente —, só eu, você e quantos filmes dos Três Patetas você aguentar.
Michael riu, sentindo o peso do ciúme desaparecer, substituído por uma segurança que ele nunca sentira antes. Neverland estava silenciosa novamente, mas, desta vez, era o silêncio perfeito de uma música que finalmente encontrara sua nota final.
A relação deles era difícil de rotular. Eram melhores amigos, confidentes, mas havia algo mais. Havia os toques prolongados, os beijos roubados entre uma risada e outra, e aquela tensão elétrica que surgia sempre que o mundo lá fora parecia desaparecer. Era uma amizade colorida, leve e divertida, exatamente como a personalidade de SN.
— O que você acha dessa transição, SN? — Michael perguntou, virando-se no banco do piano. Os cachos caíam sobre a testa e os olhos brilhavam com aquela curiosidade infantil e genial que ele possuía.
— Acho que está um pouco melancólica demais para uma música que deveria falar sobre liberdade — respondeu ela, levantando-se e caminhando até ele. — Tente subir um tom aqui.
Ela se inclinou sobre o ombro dele, o perfume suave de baunilha dela invadindo o espaço pessoal de Michael. Ele sorriu, mas antes que pudesse responder, o telefone de SN, deixado sobre o piano, vibrou com uma nova mensagem.
SN pegou o aparelho rapidamente. Michael observou enquanto a expressão dela mudava de foco para diversão pura. Ela soltou uma risadinha baixa, os dedos voando pela tela.
— Alguma piada nova do Bill? — Michael perguntou, tentando soar casual, referindo-se a um dos seguranças.
— Não, é o Julian — respondeu ela, sem tirar os olhos do celular. — Aquele rapaz que conheci na livraria na semana passada. Lembra que eu te contei? Ele é hilário.
O sorriso de Michael vacilou por um milésimo de segundo, mas ele o recuperou.
— Ah, o rapaz dos livros. Ele parece... legal.
— Ele é ótimo, Mike! — SN finalmente guardou o telefone, os olhos brilhando. — Na verdade, ele me convidou para tomar um café hoje à noite. Ele quer me mostrar uma edição rara de poesias que encontrou.
Michael sentiu um aperto estranho no peito, algo que ele não conseguia identificar imediatamente como ciúmes, mas que doía como tal. Ele pigarreou, voltando a atenção para as teclas do piano.
— Café? Achei que fôssemos terminar de assistir àquela maratona de filmes do "Os Três Patetas" hoje.
— Ah, Mike, eu sinto muito! — Ela tocou o braço dele, carinhosa. — Podemos fazer isso amanhã? Eu realmente queria conhecer esse lugar que o Julian indicou. Ele disse que é super charmoso.
— Claro — disse Michael, a voz um tom mais baixa. — Sem problemas. A diversão vem primeiro, não é?
— Você é o melhor — disse ela, dando um beijo rápido na bochecha dele antes de pegar sua bolsa. — Te vejo amanhã cedo para o café da manhã?
— Com certeza — mentiu ele, forçando um aceno enquanto a via sair saltitante pela porta.
Nas horas seguintes, Neverland pareceu silenciosa demais. Michael tentou ler, tentou compor, mas a imagem de SN rindo das piadas de um tal "Julian" não saía de sua cabeça. Ele se pegou andando de um lado para o outro na biblioteca. Quem era esse cara? Ele era engraçado? Ele era mais alto que ele? Ele sabia tratar uma mulher como SN merecia?
A insegurança, um monstro que Michael conhecia bem, começou a sussurrar em seu ouvido. Ele e SN não tinham um compromisso formal, mas ele sempre sentiu que eles pertenciam um ao outro de uma forma única. Ver um estranho entrar nessa dinâmica era como ouvir uma nota desafinada em sua sinfonia perfeita.
No dia seguinte, Michael estava na cozinha, mexendo em uma tigela de cereais com pouco entusiasmo, quando SN entrou. Ela parecia radiante, usando um vestido leve que realçava seu tom de pele.
— Bom dia, raio de sol! — exclamou ela, pegando uma maçã da fruteira.
— Bom dia — respondeu Michael, tentando parecer ocupado com sua colher. — E então? Como foi o café com o... como era o nome mesmo? Julio?
— Julian, Mike — corrigiu ela com uma risada. — Foi maravilhoso. Ele é tão inteligente, e a gente conversou por horas sobre literatura e viagens. Você ia adorar ele.
— Duvido muito — murmurou Michael, baixo demais para ela ouvir.
— O que disse? — perguntou ela, aproximando-se.
— Eu disse que... que bom que se divertiu — ele forçou um sorriso. — Mas hoje temos ensaio fotográfico, lembra? Você prometeu que me ajudaria com as escolhas das roupas.
— Eu lembro! Mas, Michael, eu queria te pedir um favor... — Ela hesitou por um segundo. — O Julian está vindo me buscar aqui à tarde. Nós vamos ao cinema. Será que tem problema ele entrar para me esperar na sala de estar?
Michael sentiu o cereal virar pedra em seu estômago.
— Ele vem aqui? — Michael levantou-se, a voz subindo uma oitava. — SN, este é o meu refúgio. Eu não costumo deixar estranhos entrarem assim, você sabe.
— Mike, é só o Julian. Ele é inofensivo e sabe sobre a sua privacidade. Ele é um fã do seu trabalho, inclusive — ela disse, tentando acalmá-lo. — Por favor? Só por dez minutos.
Michael suspirou, sentindo-se encurralado pela doçura dela.
— Tudo bem. Dez minutos.
Às quatro da tarde, um carro parou diante da mansão. SN correu para receber o convidado, enquanto Michael observava discretamente por trás das cortinas de seu escritório no andar de cima. Julian era jovem, tinha um sorriso fácil e parecia terrivelmente à vontade. Michael sentiu uma pontada de irritação ao ver SN rir de algo que o rapaz disse enquanto subiam os degraus da entrada.
Michael decidiu que não ficaria escondido. Ele vestiu sua melhor jaqueta de couro preta, ajeitou o cabelo e desceu as escadas com a aura de "Rei do Pop" plenamente ativada.
Ao chegar à sala, encontrou os dois sentados no sofá. SN parecia animada, e o tal Julian estava gesticulando enquanto contava uma história.
— Ah, Michael! — SN levantou-se. — Este é o Julian. Julian, este é o Michael.
— É uma honra absoluta, senhor Jackson — disse Julian, levantando-se e estendendo a mão. Ele parecia genuinamente impressionado, mas não intimidado.
Michael apertou a mão dele com uma firmeza desnecessária.
— Prazer — disse Michael, a voz fria e polida. — SN me contou muito sobre você. Especialmente sobre como você é... "divertido".
— Ela é generosa — Julian riu, sem perceber a tensão. — SN é a pessoa mais incrível que conheci em muito tempo.
Michael sentiu o sangue ferver. Ele se sentou na poltrona oposta, cruzando as pernas com elegância.
— É mesmo? E o que exatamente vocês planejam fazer hoje? — perguntou Michael, como um pai superprotetor, ou melhor, como um amante enciumado.
— Vamos ver um filme clássico no centro — respondeu Julian. — E depois jantar.
— Jantar? — Michael arqueou uma sobrancelha. — SN tem uma dieta muito específica quando estamos trabalhando em novos projetos. Muita energia é necessária.
SN franziu a testa, olhando para Michael com estranheza.
— Mike, do que você está falando? Eu comi pizza ontem à noite com você.
Michael pigarreou, sentindo as bochechas esquentarem.
— Eu só quero garantir que você esteja bem alimentada para o ensaio de amanhã. É uma preocupação profissional.
— Entendo — disse Julian, mantendo o tom amigável. — Vou cuidar muito bem dela, prometo.
— Espero que sim — retrucou Michael. — Porque SN é muito especial para... para a equipe. E para mim.
O silêncio que se seguiu foi desconfortável. SN olhava de Michael para Julian, percebendo finalmente o que estava acontecendo. Michael Jackson, o homem mais famoso do mundo, estava agindo como um adolescente possessivo.
— Bom — disse SN, quebrando o gelo —, acho melhor irmos, Julian. Não queremos perder o início do filme.
— Claro. Até logo, Michael — Julian acenou.
Michael apenas assentiu, observando-os sair. Assim que a porta se fechou, ele soltou um suspiro pesado e se jogou no sofá. Ele se sentia ridículo. Ele era Michael Jackson, e estava competindo pela atenção de sua melhor amiga com um bibliotecário que usava sapatos de camurça.
A noite passou devagar. Michael tentou se distrair brincando com seus animais e assistindo a desenhos animados, mas nada funcionava. Ele ficava imaginando Julian tocando a mão de SN no cinema, ou os dois compartilhando uma sobremesa. A ideia de perder a exclusividade daquele carinho e daquelas risadas era insuportável.
Cerca de quatro horas depois, ele ouviu o som de um carro se aproximando. Ele correu para a janela. Julian estava deixando SN na porta. Eles conversaram por alguns minutos, e Michael prendeu a respiração quando Julian se inclinou para um beijo. Para o alívio imenso de Michael, foi apenas um beijo na bochecha.
SN entrou em casa e encontrou as luzes da sala baixas. Michael estava sentado ao piano, tocando uma melodia lenta e melancólica.
— Ainda acordado, Mike? — perguntou ela, aproximando-se suavemente.
— Não consegui dormir — ele respondeu sem olhar para ela. — Como foi o encontro?
SN caminhou até ele e se encostou no piano, cruzando os braços.
— Foi bom. Julian é um cavalheiro. Mas...
Michael parou de tocar e olhou para ela.
— Mas?
— Mas ele não é você — disse ela com um sorriso travesso. — E ele certamente não sabe fazer aquela cara de "eu vou te destruir com o olhar" que você fez a tarde inteira.
Michael desviou o olhar, sentindo-se pego no flagra.
— Eu não sei do que você está falando.
— Ah, sabe sim! — Ela riu, contornando o piano e parando entre as pernas dele enquanto ele permanecia sentado no banco. Ela colocou as mãos nos ombros dele. — Michael Joe Jackson, você estava com ciúmes?
Michael tentou manter a pose por alguns segundos, mas a proximidade dela e o brilho divertido em seus olhos castanhos o desarmaram. Ele suspirou, envolvendo a cintura dela com os braços e escondendo o rosto em seu ventre por um momento.
— Eu odiei — confessou ele, a voz abafada. — Odiei ver ele te fazendo rir. Odiei pensar que ele poderia... sei lá, ocupar o meu lugar.
SN sentiu o coração derreter. Ela passou os dedos pelos cabelos cacheados dele, acariciando o couro cabeludo.
— Mike, ninguém ocupa o seu lugar. Você é único. O que temos... essa nossa amizade, essas cores todas... isso é sagrado para mim.
Michael levantou o rosto, os olhos grandes e vulneráveis procurando os dela.
— Eu não quero ser apenas "colorido", SN — ele admitiu em um sussurro corajoso. — Eu acho que quero todas as cores. O arco-íris inteiro. Com você.
SN paralisou por um segundo, o impacto das palavras dele atingindo-a em cheio. Ela sempre esperou por aquele momento, mas ouvi-lo dizer aquilo, com tanta sinceridade, era diferente.
— Você está dizendo o que eu acho que está dizendo? — perguntou ela, a voz falhando um pouco.
Michael levantou-se lentamente, sem soltar a cintura dela, até que ficassem na mesma altura. Ele levou uma das mãos ao rosto dela, o polegar acariciando a maçã da bochecha morena e macia.
— Estou dizendo que Julian pode ter os livros e o café — disse Michael, aproximando o rosto do dela até que suas respirações se misturassem. — Mas eu quero o resto. Eu quero você. Só para mim.
SN sorriu, a alegria transbordando em seu rosto bonito.
— Demorou para perceber, não foi, Applehead?
— Eu sou um pouco lento com as notas às vezes — ele brincou, recuperando o brilho divertido nos olhos.
— Então prova — desafiou ela, aproximando-se ainda mais.
Michael não precisou de outro convite. Ele a beijou, mas não foi um dos beijos rápidos e casuais da amizade colorida deles. Foi um beijo profundo, cheio de promessas e de uma posse doce que dizia que, a partir daquele momento, não haveria mais espaço para Julians ou qualquer outro intruso.
Quando se separaram, Michael encostou a testa na dela, ofegante.
— Então... — começou ele, com um sorriso de lado. — Amanhã, nada de café com estranhos?
— Amanhã — respondeu SN, rindo e selando os lábios dele novamente —, só eu, você e quantos filmes dos Três Patetas você aguentar.
Michael riu, sentindo o peso do ciúme desaparecer, substituído por uma segurança que ele nunca sentira antes. Neverland estava silenciosa novamente, mas, desta vez, era o silêncio perfeito de uma música que finalmente encontrara sua nota final.
