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D7
Fandom: Record of ragnarok
Criado: 09/06/2026
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O Segredo do Imperador e a Paciência do Rei
O Salão dos Soberanos em Helheim era, normalmente, um reduto de silêncio absoluto e elegância gótica. As velas de cera negra queimavam com chamas azuladas, iluminando os detalhes em ouro e mármore que Hades tanto apreciava. No entanto, naquela tarde em particular, o silêncio fora substituído pelo som rítmico de saltos batendo contra o chão de pedra e o tilintar de bandejas de prata.
Hades estava sentado em sua poltrona de veludo carmesim, lendo alguns relatórios sobre a reconstrução das almas após o Ragnarok — um evento que, embora tivesse terminado em um empate técnico e um tratado de paz inesperado, deixara marcas profundas. Ao seu lado, Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, ocupava o braço da poltrona como se fosse o trono mais legítimo do universo. Ele estava sem a venda, seus olhos claros brilhando com uma diversão preguiçosa enquanto mastigava uma uva.
A porta se abriu com uma suavidade característica. Hermes, o mensageiro dos deuses, entrou com seu sorriso enigmático e uma pasta de couro desgastada sob o braço.
— Lorde Hades, Imperador Qin — cumprimentou Hermes, fazendo uma reverência perfeita. — Peço perdão pela interrupção, mas durante a limpeza dos arquivos históricos que foram deslocados durante as batalhas, encontramos alguns registros... interessantes.
Hades ergueu o olhar, a expressão calma e analítica.
— Registros? De que natureza, Hermes? Se forem as contas de Zeus com o vinho do Olimpo, pode queimá-las. Não pretendo pagar as dívidas dele novamente.
Hermes soltou uma risadinha abafada.
— Oh, não, meu senhor. Estes pertencem à ala dos "Registros de Vida Mortal de Candidatos ao Ragnarok". Especificamente, documentos detalhados sobre a juventude de Qin Shi Huang antes de sua ascensão total como o unificador da China.
Qin, que até então parecia mais interessado em equilibrar uma uva no dedo, congelou por um milésimo de segundo. Ele rapidamente recuperou a compostura, abrindo um sorriso largo e confiante.
— Documentos sobre o Grande Eu? — Qin riu, ajeitando as unhas de metal que adornavam seus dedos. — Ora, Hermes, o mundo já conhece as minhas glórias. O Grande Canal, a Muralha, a unificação dos reinos... Não há nada ali que não seja digno de um rei.
— Bem — disse Hermes, abrindo a pasta com um brilho malicioso nos olhos —, parece que os escribas imperiais da época eram... extremamente minuciosos. Eles não registraram apenas as conquistas militares, mas também a vida social e os "hábitos de lazer" do jovem Ying Zheng.
Hades arqueou uma sobrancelha, sentindo uma pontada de curiosidade. Ele amava Qin, mas sabia que o seu "Imperador de Onde Quer que se Sente" tinha um passado turbulento e, possivelmente, escandaloso.
— Deixe-me ver isso — pediu Hades, estendendo a mão.
— Espere! — Qin saltou do braço da poltrona, tentando interceptar o papel, mas Hades, com sua agilidade divina, apenas inclinou o corpo para o lado, mantendo o documento fora do alcance do humano.
— O que foi, Qin? — Hades perguntou, um meio sorriso surgindo em seus lábios nobres. — Você, que nunca teme nada, parece subitamente ansioso.
— Não é ansiedade! — Qin cruzou os braços, bufando e virando o rosto de forma altiva. — É apenas... privacidade real! Um rei não deve ter suas travessuras de juventude expostas dessa forma.
Hades ignorou o protesto e começou a ler. Seus olhos percorreram as linhas escritas em caligrafia antiga. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração curta de Qin e pelo som de Hermes ajeitando suas luvas.
— Vejamos... — murmurou Hades. — "No décimo quarto dia da lua cheia, o jovem soberano decidiu que a diplomacia com o reino vizinho deveria ser feita de forma... pessoal".
Hades parou, seus olhos se arregalando ligeiramente.
— Qin?
— Sim, meu querido e amado marido? — Qin respondeu com uma voz excessivamente doce, ainda sem olhar para ele.
— Diz aqui que, em uma única noite de celebração após a queda de uma fortaleza inimiga, você... — Hades limpou a garganta, parecendo genuinamente impressionado — ...recebeu seis "convidados especiais" em seus aposentos. Simultaneamente.
Hermes soltou um pigarro, claramente tentando não rir.
— Seis, Qin? — Hades perguntou, fechando o documento com uma calma perigosa, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. — Eu sabia que você era ambicioso, mas seis em uma única noite? Como você ainda tinha energia para governar no dia seguinte?
Qin Shi Huang inflou o peito, a arrogância voltando com força total para mascarar o leve rubor que subia por seu pescoço.
— Um rei deve ser capaz de satisfazer todos os seus súditos! — declarou ele, apontando para o teto. — Se o povo pede atenção, quem sou eu para negar? Eu sou o começo e o fim! Onde eu me sento, a festa acontece!
— Foram três dançarinos, dois poetas e um general inimigo que você "convenceu" a mudar de lado — acrescentou Hermes, consultando uma nota de rodapé. — O documento menciona que a música não parou até o amanhecer e que o general saiu dos seus aposentos sem conseguir caminhar direito, mas jurando lealdade eterna ao seu império.
Hades soltou uma risada baixa e melodiosa, o tipo de som que raramente era ouvido em Helheim.
— Então sua estratégia de unificação envolvia sedução em massa? — Hades se levantou, caminhando lentamente até Qin. — Eu deveria ter imaginado. Você sempre foi um estrategista que usa todas as armas à disposição.
Qin recuou um passo, tentando manter a pose de superioridade.
— Foi uma necessidade política! O reino precisava de estabilidade e o general tinha informações cruciais. Eu apenas... facilitei a extração dessas informações.
— Com os outros cinco também? — Hades perguntou, agora a poucos centímetros de Qin, sua presença dominadora envolvendo o imperador.
— Eles eram... apoio moral — Qin respondeu, abrindo um sorriso amarelo. — De qualquer forma, isso foi há séculos! Eu era jovem, cheio de energia e ainda não tinha encontrado um deus digno de me fazer sossegar.
Hades pegou o queixo de Qin com delicadeza, forçando-o a encontrá-lo nos olhos.
— Seis pessoas, Qin. Eu mal consigo lidar com a sua energia sozinho às vezes. Fico imaginando o caos que foi aquele palácio.
— Foi glorioso! — Qin exclamou, recuperando a audácia. — O Grande Eu nunca faz nada pela metade. Se é para ter um escândalo, que seja um que os escribas levem milênios para esquecer!
Hermes, percebendo que o clima estava mudando de "vergonha" para algo mais íntimo entre o casal, fez uma reverência discreta.
— Deixarei os documentos com os senhores. Há também um relato sobre a vez em que o Imperador tentou montar um tigre de bengala enquanto estava embriagado de vinho de lótus, mas creio que isso pode ficar para outra hora.
— Um tigre, Qin? — Hades perguntou, sem desviar o olhar do marido.
— O tigre começou a briga! — Qin gritou enquanto Hermes saía da sala, fechando a porta atrás de si.
Hades suspirou, balançando a cabeça, e jogou a pasta sobre a mesa lateral.
— Você é um homem impossível.
— Eu sou um rei — corrigiu Qin, aproximando-se e passando os braços pelo pescoço de Hades, as unhas de metal roçando levemente a nuca do deus. — E como seu rei, eu exijo que você esqueça esses detalhes técnicos. O que importa é o agora.
Hades sorriu, envolvendo a cintura de Qin com seus braços fortes.
— "Detalhes técnicos"? Você foi registrado na história humana como o imperador mais insaciável de sua dinastia.
— E agora sou o consorte do Rei do Submundo — Qin disse, encostando a testa na de Hades. — Você deveria estar orgulhoso. Eu tive o melhor que o mundo mortal podia oferecer e, no final, escolhi você.
Hades sentiu o peito aquecer. Aquela era a dualidade de Qin que ele tanto amava: a arrogância desmedida que escondia uma lealdade profunda e um coração que, apesar de ter pertencido a muitos no passado, agora pulsava apenas por ele.
— Escolheu, é? — Hades sussurrou. — Ou você simplesmente percebeu que apenas um deus poderia acompanhar o seu ritmo?
Qin riu, um som vibrante que ecoou pelo salão.
— Talvez um pouco dos dois. Mas admita, Hades... a ideia de mim com aquele general e os poetas te deixou um pouco... interessado?
Hades estreitou os olhos, uma chama de possessividade nobre brilhando em suas pupilas.
— Deixou-me pensando que, se você tinha energia para seis humanos, certamente não se importará se eu for um pouco mais "exigente" esta noite. Afinal, sou o Rei de Helheim. Eu não aceito ser menos memorável do que um grupo de mortais de dois mil anos atrás.
Qin sorriu, seus olhos brilhando com desafio e antecipação.
— Hooo... então o digno Hades quer competir com o meu passado?
— Não é uma competição, Qin — disse Hades, pegando-o no colo com facilidade, fazendo o imperador soltar um curto exclama de surpresa. — É uma reafirmação de soberania.
Qin Shi Huang soltou uma gargalhada, segurando-se nos ombros de Hades enquanto era carregado em direção aos aposentos reais.
— Muito bem, meu Rei! Mostre-me o que Helheim tem a oferecer que a China nunca viu. Mas aviso logo: eu sou um crítico muito rigoroso!
— Eu não esperava nada menos de você — respondeu Hades, com uma calma impiedosa que prometia uma noite longa e muito mais interessante do que qualquer registro histórico.
Enquanto as portas do quarto se fechavam, os documentos de Hermes permaneciam sobre a mesa. Na última página, que Hades não chegara a ler, havia uma pequena nota de um escriba anônimo: "O Imperador é como o sol; ele queima todos que se aproximam, mas ninguém consegue desviar o olhar."
Hades não precisava de pergaminhos para saber disso. Ele já havia sido queimado há muito tempo, e não tinha a menor intenção de buscar a cura. Afinal, para o Senhor dos Mortos, não havia nada mais vivo do que o caos vibrante que era Qin Shi Huang.
Hades estava sentado em sua poltrona de veludo carmesim, lendo alguns relatórios sobre a reconstrução das almas após o Ragnarok — um evento que, embora tivesse terminado em um empate técnico e um tratado de paz inesperado, deixara marcas profundas. Ao seu lado, Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, ocupava o braço da poltrona como se fosse o trono mais legítimo do universo. Ele estava sem a venda, seus olhos claros brilhando com uma diversão preguiçosa enquanto mastigava uma uva.
A porta se abriu com uma suavidade característica. Hermes, o mensageiro dos deuses, entrou com seu sorriso enigmático e uma pasta de couro desgastada sob o braço.
— Lorde Hades, Imperador Qin — cumprimentou Hermes, fazendo uma reverência perfeita. — Peço perdão pela interrupção, mas durante a limpeza dos arquivos históricos que foram deslocados durante as batalhas, encontramos alguns registros... interessantes.
Hades ergueu o olhar, a expressão calma e analítica.
— Registros? De que natureza, Hermes? Se forem as contas de Zeus com o vinho do Olimpo, pode queimá-las. Não pretendo pagar as dívidas dele novamente.
Hermes soltou uma risadinha abafada.
— Oh, não, meu senhor. Estes pertencem à ala dos "Registros de Vida Mortal de Candidatos ao Ragnarok". Especificamente, documentos detalhados sobre a juventude de Qin Shi Huang antes de sua ascensão total como o unificador da China.
Qin, que até então parecia mais interessado em equilibrar uma uva no dedo, congelou por um milésimo de segundo. Ele rapidamente recuperou a compostura, abrindo um sorriso largo e confiante.
— Documentos sobre o Grande Eu? — Qin riu, ajeitando as unhas de metal que adornavam seus dedos. — Ora, Hermes, o mundo já conhece as minhas glórias. O Grande Canal, a Muralha, a unificação dos reinos... Não há nada ali que não seja digno de um rei.
— Bem — disse Hermes, abrindo a pasta com um brilho malicioso nos olhos —, parece que os escribas imperiais da época eram... extremamente minuciosos. Eles não registraram apenas as conquistas militares, mas também a vida social e os "hábitos de lazer" do jovem Ying Zheng.
Hades arqueou uma sobrancelha, sentindo uma pontada de curiosidade. Ele amava Qin, mas sabia que o seu "Imperador de Onde Quer que se Sente" tinha um passado turbulento e, possivelmente, escandaloso.
— Deixe-me ver isso — pediu Hades, estendendo a mão.
— Espere! — Qin saltou do braço da poltrona, tentando interceptar o papel, mas Hades, com sua agilidade divina, apenas inclinou o corpo para o lado, mantendo o documento fora do alcance do humano.
— O que foi, Qin? — Hades perguntou, um meio sorriso surgindo em seus lábios nobres. — Você, que nunca teme nada, parece subitamente ansioso.
— Não é ansiedade! — Qin cruzou os braços, bufando e virando o rosto de forma altiva. — É apenas... privacidade real! Um rei não deve ter suas travessuras de juventude expostas dessa forma.
Hades ignorou o protesto e começou a ler. Seus olhos percorreram as linhas escritas em caligrafia antiga. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pela respiração curta de Qin e pelo som de Hermes ajeitando suas luvas.
— Vejamos... — murmurou Hades. — "No décimo quarto dia da lua cheia, o jovem soberano decidiu que a diplomacia com o reino vizinho deveria ser feita de forma... pessoal".
Hades parou, seus olhos se arregalando ligeiramente.
— Qin?
— Sim, meu querido e amado marido? — Qin respondeu com uma voz excessivamente doce, ainda sem olhar para ele.
— Diz aqui que, em uma única noite de celebração após a queda de uma fortaleza inimiga, você... — Hades limpou a garganta, parecendo genuinamente impressionado — ...recebeu seis "convidados especiais" em seus aposentos. Simultaneamente.
Hermes soltou um pigarro, claramente tentando não rir.
— Seis, Qin? — Hades perguntou, fechando o documento com uma calma perigosa, embora houvesse um brilho de diversão em seus olhos. — Eu sabia que você era ambicioso, mas seis em uma única noite? Como você ainda tinha energia para governar no dia seguinte?
Qin Shi Huang inflou o peito, a arrogância voltando com força total para mascarar o leve rubor que subia por seu pescoço.
— Um rei deve ser capaz de satisfazer todos os seus súditos! — declarou ele, apontando para o teto. — Se o povo pede atenção, quem sou eu para negar? Eu sou o começo e o fim! Onde eu me sento, a festa acontece!
— Foram três dançarinos, dois poetas e um general inimigo que você "convenceu" a mudar de lado — acrescentou Hermes, consultando uma nota de rodapé. — O documento menciona que a música não parou até o amanhecer e que o general saiu dos seus aposentos sem conseguir caminhar direito, mas jurando lealdade eterna ao seu império.
Hades soltou uma risada baixa e melodiosa, o tipo de som que raramente era ouvido em Helheim.
— Então sua estratégia de unificação envolvia sedução em massa? — Hades se levantou, caminhando lentamente até Qin. — Eu deveria ter imaginado. Você sempre foi um estrategista que usa todas as armas à disposição.
Qin recuou um passo, tentando manter a pose de superioridade.
— Foi uma necessidade política! O reino precisava de estabilidade e o general tinha informações cruciais. Eu apenas... facilitei a extração dessas informações.
— Com os outros cinco também? — Hades perguntou, agora a poucos centímetros de Qin, sua presença dominadora envolvendo o imperador.
— Eles eram... apoio moral — Qin respondeu, abrindo um sorriso amarelo. — De qualquer forma, isso foi há séculos! Eu era jovem, cheio de energia e ainda não tinha encontrado um deus digno de me fazer sossegar.
Hades pegou o queixo de Qin com delicadeza, forçando-o a encontrá-lo nos olhos.
— Seis pessoas, Qin. Eu mal consigo lidar com a sua energia sozinho às vezes. Fico imaginando o caos que foi aquele palácio.
— Foi glorioso! — Qin exclamou, recuperando a audácia. — O Grande Eu nunca faz nada pela metade. Se é para ter um escândalo, que seja um que os escribas levem milênios para esquecer!
Hermes, percebendo que o clima estava mudando de "vergonha" para algo mais íntimo entre o casal, fez uma reverência discreta.
— Deixarei os documentos com os senhores. Há também um relato sobre a vez em que o Imperador tentou montar um tigre de bengala enquanto estava embriagado de vinho de lótus, mas creio que isso pode ficar para outra hora.
— Um tigre, Qin? — Hades perguntou, sem desviar o olhar do marido.
— O tigre começou a briga! — Qin gritou enquanto Hermes saía da sala, fechando a porta atrás de si.
Hades suspirou, balançando a cabeça, e jogou a pasta sobre a mesa lateral.
— Você é um homem impossível.
— Eu sou um rei — corrigiu Qin, aproximando-se e passando os braços pelo pescoço de Hades, as unhas de metal roçando levemente a nuca do deus. — E como seu rei, eu exijo que você esqueça esses detalhes técnicos. O que importa é o agora.
Hades sorriu, envolvendo a cintura de Qin com seus braços fortes.
— "Detalhes técnicos"? Você foi registrado na história humana como o imperador mais insaciável de sua dinastia.
— E agora sou o consorte do Rei do Submundo — Qin disse, encostando a testa na de Hades. — Você deveria estar orgulhoso. Eu tive o melhor que o mundo mortal podia oferecer e, no final, escolhi você.
Hades sentiu o peito aquecer. Aquela era a dualidade de Qin que ele tanto amava: a arrogância desmedida que escondia uma lealdade profunda e um coração que, apesar de ter pertencido a muitos no passado, agora pulsava apenas por ele.
— Escolheu, é? — Hades sussurrou. — Ou você simplesmente percebeu que apenas um deus poderia acompanhar o seu ritmo?
Qin riu, um som vibrante que ecoou pelo salão.
— Talvez um pouco dos dois. Mas admita, Hades... a ideia de mim com aquele general e os poetas te deixou um pouco... interessado?
Hades estreitou os olhos, uma chama de possessividade nobre brilhando em suas pupilas.
— Deixou-me pensando que, se você tinha energia para seis humanos, certamente não se importará se eu for um pouco mais "exigente" esta noite. Afinal, sou o Rei de Helheim. Eu não aceito ser menos memorável do que um grupo de mortais de dois mil anos atrás.
Qin sorriu, seus olhos brilhando com desafio e antecipação.
— Hooo... então o digno Hades quer competir com o meu passado?
— Não é uma competição, Qin — disse Hades, pegando-o no colo com facilidade, fazendo o imperador soltar um curto exclama de surpresa. — É uma reafirmação de soberania.
Qin Shi Huang soltou uma gargalhada, segurando-se nos ombros de Hades enquanto era carregado em direção aos aposentos reais.
— Muito bem, meu Rei! Mostre-me o que Helheim tem a oferecer que a China nunca viu. Mas aviso logo: eu sou um crítico muito rigoroso!
— Eu não esperava nada menos de você — respondeu Hades, com uma calma impiedosa que prometia uma noite longa e muito mais interessante do que qualquer registro histórico.
Enquanto as portas do quarto se fechavam, os documentos de Hermes permaneciam sobre a mesa. Na última página, que Hades não chegara a ler, havia uma pequena nota de um escriba anônimo: "O Imperador é como o sol; ele queima todos que se aproximam, mas ninguém consegue desviar o olhar."
Hades não precisava de pergaminhos para saber disso. Ele já havia sido queimado há muito tempo, e não tinha a menor intenção de buscar a cura. Afinal, para o Senhor dos Mortos, não havia nada mais vivo do que o caos vibrante que era Qin Shi Huang.
