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D9

Fandom: Record of ragnarok

Criado: 09/06/2026

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O Eco do Trono e o Silêncio do Submundo

A arena do Valhalla, geralmente vibrante com o som de batalhas épicas e gritos de guerra, desfrutava de um raro momento de suspensão. O Ragnarok, o torneio que decidiria o destino da humanidade, estava em um intervalo estratégico. No entanto, o que ninguém esperava era que o verdadeiro "conflito" estivesse ocorrendo em uma das alas mais luxuosas do palácio dos deuses, em um quarto cujas paredes, embora reforçadas pelo poder divino, não eram páreas para a intensidade de seus ocupantes.

Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, não era homem de aceitar ordens, nem de se curvar a ninguém. Para ele, o mundo inteiro era sua sala de estar e qualquer lugar onde ele decidisse repousar tornava-se, automaticamente, o centro do império. Mas havia uma única exceção à sua regra de autossuficiência absoluta: o Rei do Submundo, Hades.

O relacionamento entre o Imperador dos Homens e o Soberano de Helheim era algo que desafiava a lógica dos deuses e a compreensão dos mortais. Era uma união de ferro e veludo, de orgulho e devoção. E, naquela tarde, o fogo que os unia estava queimando mais forte do que nunca.

No corredor que levava aos aposentos privados, um grupo improvável de espectadores — ou melhor, ouvintes — havia se formado por puro acaso.

— Eu só queria saber onde ele escondeu o meu hidromel — resmungou Thor, encostado na parede com o Mjölnir descansando ao seu lado.

— Shhh! — sibilou Zeus, com os olhos arregalados e um sorriso travesso que não condizia com o Pai do Cosmos. — Ouça isso... Hades está realmente se esforçando hoje.

Ao lado deles, os representantes da humanidade pareciam divididos entre o constrangimento e a curiosidade mórbida. Adão, o Pai da Humanidade, cobria os olhos, embora seus ouvidos estivessem bem atentos.

— Isso é... deveras barulhento — comentou Jack, o Estripador, ajustando o monóculo enquanto uma tonalidade levemente rosada subia às suas bochechas. — A cor da paixão deles é... deslumbrante, mas um tanto ensurdecedora.

— É o que se espera de um rei, não é? — riu Buda, mastigando um doce enquanto se sentava no chão, encostado na porta oposta. — Qin não faz nada pela metade. Se ele vai amar, ele vai fazer o Valhalla inteiro saber.

Do outro lado da porta de carvalho maciço e detalhes em ouro, a realidade era muito mais intensa.

Qin Shi Huang estava pressionado contra a mesa de carvalho, seus dedos cravados na madeira com tanta força que as pontas começavam a ficar brancas. Sua venda havia caído há muito tempo, revelando os olhos que viam o fluxo do chi, agora nublados pelo desejo. Cada toque de Hades em sua pele era como uma descarga elétrica, uma invasão que ele recebia com um sorriso de escárnio e um gemido de prazer.

— Mais... — provocou Qin, a voz embargada, mas ainda carregada de sua arrogância característica. — É só isso que o Rei do Submundo tem a oferecer ao seu Imperador?

Hades soltou uma risada baixa, um som sombrio e rico que vibrou contra as costas de Qin. Ele segurou os pulsos do chinês, prendendo-os contra a mesa, e inclinou-se para sussurrar em seu ouvido.

— Você fala demais para alguém que mal consegue respirar, meu querido Qin.

— Eu sou o Rei! — exclamou Qin, embora o grito tenha terminado em um gemido agudo quando Hades o penetrou com uma força renovada. — Onde eu estou... é o meu trono... Ah!

Lá fora, o corredor mergulhou em um silêncio absoluto.

— Ele acabou de chamar a mesa de trono? — sussurrou Nikola Tesla, anotando algo em um caderninho. — A resistência estrutural daquele móvel deve ser fascinante.

— Cale a boca, cientista! — rosnou Leônidas I, cruzando os braços e bufando. — Isso é uma falta de disciplina! Como eles esperam lutar assim?

— Eu acho... que eles estão lutando — comentou Kojiro Sasaki, com um sorriso sem graça, limpando o suor da testa. — Só que é um tipo diferente de duelo.

Simo Häyhä, sempre silencioso, apenas ajustou o capuz, enquanto Rasputin dava uma gargalhada rouca que ecoou pelo corredor.

— Isso sim é vida! — gritou o monge louco. — Beber, lutar e amar! Hades tem o meu respeito!

— Você não tem respeito nem pelas leis da física, Rasputin — retrucou Nostradamus, saltitando de um lado para o outro. — Mas ouça! Qin está prestes a atingir uma nota que nem as valquírias alcançam!

Dentro do quarto, o ar estava pesado e quente. Hades não era um homem de excessos desnecessários, mas com Qin, tudo era diferente. O imperador era um desafio constante, uma chama que exigia ser alimentada. Hades amava a forma como Qin se entregava, mas nunca perdia sua dignidade real, mesmo quando sua voz falhava e seus olhos se enchiam de lágrimas de êxtase.

Devido à sua sinestesia toque-espelho, Qin sentia cada estocada de Hades não apenas como prazer, mas como uma conexão profunda de almas. Ele sentia o amor de Hades, a proteção fervorosa que o deus nutria por seus irmãos, e a solidão que só um governante do mundo dos mortos conhecia. E Qin retribuía, oferecendo sua própria força, sua história de dor superada e seu brilho inabalável.

— Hades... — Qin arfou, virando o rosto para encontrar os olhos do marido. — Você é... o único... a quem permito...

— Eu sei — interrompeu Hades, selando os lábios de Qin com um beijo possessivo. — E você é o único que ousa governar ao meu lado.

O ritmo acelerou. Qin jogou a cabeça para trás, e um grito de puro prazer escapou de sua garganta, ecoando pelas vigas do teto e atravessando a porta como uma onda de choque.

No corredor, a reação foi imediata.

Poseidon, que até então permanecia imóvel como uma estátua de gelo, franziu a testa de forma imperceptível.

— Barulhentos. Humanos e deuses... todos lixo — murmurou ele, embora não tenha feito menção de sair do lugar.

— Ah, admita, irmão! — Zeus deu um tapa nas costas de Poseidon. — Você está impressionado com o vigor do nosso irmão mais velho!

— Eu só quero que eles terminem antes que o Beelzebub decida usar isso como experimento sonoro — comentou Apollo, admirando suas próprias unhas, embora estivesse claramente prestando atenção.

Beelzebub, que estava mais afastado, apenas olhou para a porta com sua expressão melancólica de sempre.

— A vibração das paredes indica uma frequência de... — Ele parou, ouvindo um som de algo quebrando dentro do quarto. — Provavelmente um vaso da dinastia Ming.

— Meu vaso favorito! — a voz de Qin ecoou de dentro, seguida por uma risada deliciada de Hades.

— Eu te compro outro, meu imperador. Ou dez.

— Eu quero cem! — exigiu Qin, seguido por um som que lembrava um tapa e um gemido prolongado que fez Raiden Tameemon assobiar.

— Rapaz, esse Qin tem fôlego — disse o lutador de sumô, impressionado. — E eu achava que eu era intenso nas minhas noites.

Soji Okita e Sakata Kintoki trocavam olhares desconfortáveis.

— Isso é informação demais — disse Okita, segurando sua espada com força. — Eu prefiro enfrentar um exército.

— Ah, deixa de ser chato, baixinho — brincou Kintoki. — É bom ver que nem tudo é morte e destruição por aqui.

Shiva, com seus quatro braços cruzados, balançava a cabeça em aprovação.

— É uma dança rítmica. Eles têm um bom tempo. Eu poderia criar um passo de dança baseado nisso.

Hércules, sempre o mais nobre, parecia querer cavar um buraco e se esconder.

— Isso é... inapropriado. Deveríamos dar privacidade a eles.

— E você vai ser o único a dizer isso para o Hades? — perguntou Thor, levantando uma sobrancelha. — Vá em frente. Eu assisto.

Hércules calou-se imediatamente. Ninguém interrompia o Rei do Submundo quando ele estava "ocupado".

Lá dentro, o clímax se aproximava. Hades segurou a cintura de Qin com firmeza, sentindo o calor do corpo do imperador contra o seu. Qin, em um último ato de ousadia, puxou Hades pelo colar de suas vestes, trazendo-o para um beijo final enquanto ambos se perdiam na sensação avassaladora da liberação.

— Hao... — sussurrou Qin contra a pele de Hades, a palavra chinesa para "bom" saindo como um suspiro de exaustão e contentamento.

Hades desabou sobre ele, respirando pesadamente, seus cabelos platinados misturando-se aos fios negros de Qin espalhados pela mesa.

— Você é exaustivo — disse Hades, um sorriso raro e genuíno brincando em seus lábios.

— Eu sou o melhor — corrigiu Qin, recuperando um pouco de sua arrogância, embora ainda estivesse trêmulo. — Admita.

— Você é o único — respondeu Hades, beijando a testa do marido.

O silêncio finalmente caiu sobre o quarto, e consequentemente, sobre o corredor.

— Acabou? — perguntou Grigori Rasputin, parecendo decepcionado.

Nesse exato momento, a porta se abriu com um estrondo.

Qin Shi Huang estava parado ali, vestindo apenas um robe de seda vermelha frouxamente amarrado, exibindo as marcas de mordidas e arranhões no pescoço com o mesmo orgulho com que exibia suas cicatrizes de batalha. Ele ajustou a venda sobre os olhos e olhou na direção da multidão, embora não pudesse vê-los da forma convencional.

— O que todos os meus súditos estão fazendo aqui? — perguntou ele, a voz projetada com a autoridade de mil exércitos. — Estavam esperando por uma audiência real?

Hades apareceu logo atrás dele, vestindo sua túnica habitual, impecável como sempre, exceto pelo brilho nos olhos e pelo leve desalinho em seu cabelo. Ele lançou um olhar para Zeus e Poseidon que fez o ar do corredor esfriar dez graus instantaneamente.

— Irmãos — disse Hades, sua voz calma carregando uma promessa implícita de violência. — Espero que tenham uma excelente razão para estarem parados na frente da minha porta.

Zeus soltou uma risada nervosa, começando a se afastar.

— Nós... estávamos apenas discutindo a próxima rodada! Não é, Thor?

Thor já estava a dez metros de distância, caminhando rapidamente sem olhar para trás.

— Sim — disse Poseidon, virando-se com elegância. — Lixo barulhento.

Os humanos, vendo a aura assassina que começava a emanar de Hades, decidiram que aquela era a hora perfeita para treinar.

— Tesla, precisamos revisar aqueles cálculos! — gritou Buda, puxando o cientista pelo braço.

— Mas eu não terminei de anotar a... — Tesla foi arrastado antes de terminar a frase.

Em questão de segundos, o corredor estava vazio.

Qin soltou uma risada curta e se virou para o marido, passando os braços pelo pescoço de Hades.

— Viu? Eles fogem diante da nossa presença.

Hades suspirou, mas não conseguiu evitar envolver a cintura de Qin.

— Eles fogem porque você não tem o menor senso de discrição, Qin.

O imperador sorriu, inclinando-se para um último beijo antes de voltarem para a segurança de seu domínio privado.

— Um rei não precisa de discrição. O mundo deve saber que o que é meu, é meu. E você, Hades... é o meu maior tesouro.

— E você o meu — respondeu o deus, fechando a porta e deixando o Valhalla, por fim, em um silêncio verdadeiramente real.
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