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Fandom: Record of ragnarok

Criado: 09/06/2026

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O Trono das Sombras e das Estrelas

As colunas de obsidiana de Helheim erguiam-se como sentinelas silenciosas sob o céu eterno e sem sol do submundo. No palácio de Hades, o silêncio não era um vazio, mas uma presença densa e sofisticada, um testemunho do respeito que o Rei dos Mortos impunha. No entanto, dentro dos aposentos reais, o ar estava carregado de algo muito mais visceral do que autoridade política.

Hades, o soberano de Helheim, observava o marido. Qin Shi Huang estava sentado à beira da imensa cama de dossel, retirando lentamente as bandagens que cobriam seus olhos. Mesmo na privacidade do quarto, o Imperador da China mantinha aquela aura de superioridade inabalável, um sorriso de canto que desafiava a própria morte.

— Onde eu me sento, aqui é o meu trono — murmurou Qin, sua voz carregada de uma arrogância charmosa enquanto olhava para Hades. — Mas parece que o Rei deste lugar deseja reivindicar o território hoje.

Hades aproximou-se com a calma de um predador que não precisa de pressa. Ele era o pilar da família, o irmão mais velho que carregava o peso do cosmos nos ombros, mas, com Qin, ele se permitia ser algo diferente: impiedoso em sua adoração. Ele tocou o queixo de Qin, forçando-o a olhar para cima.

— Um imperador deve saber quando ceder perante um poder maior — disse Hades, sua voz um barítono suave que vibrava no peito de Qin. — E esta noite, não há espaço para diplomacia.

Sem aviso, Hades o empurrou contra os lençóis de seda negra. A força era medida, mas absoluta. Qin riu, um som seco e desafiador, mesmo quando sentiu o peso do corpo do deus sobre o seu. Para Qin, a dor e o prazer eram fios entrelaçados em sua existência, uma consequência de sua sinestesia toque-espelho. Ele sentia cada movimento de Hades como se fosse o seu próprio reflexo, uma conexão que tornava cada toque insuportavelmente intenso.

— Mostre-me então, Rei do Submundo — provocou Qin, arqueando as costas. — Mostre-me o que acontece quando um humano ousa governar ao seu lado.

Hades não respondeu com palavras. Ele não era um homem de conversas fúteis durante o dever, e o prazer de seu marido era o seu dever mais sagrado. Ele despojou Qin de suas vestes reais com uma eficiência estratégica, seus dedos longos e frios contrastando com a pele quente e marcada do imperador.

Quando o contato inicial ocorreu, foi como uma explosão de sentidos. Hades não era apático como Poseidon, nem caótico como Zeus; ele era preciso. Ele conhecia cada ponto de pressão, cada cicatriz que contava a história do sofrimento de Qin. E ele usou esse conhecimento para desmantelar a fachada de arrogância do humano.

— Você está tremendo, Ying Zheng — observou Hades, usando o nome de nascimento do imperador, um privilégio que só ele detinha.

— É apenas... a antecipação — ofegou Qin, embora suas pernas já estivessem vacilantes contra os lençóis.

Hades intensificou o ritmo. Ele não era apenas um amante; ele era uma força da natureza. A cada investida, a cada toque possessivo, ele reivindicava não apenas o corpo, mas a alma do imperador. A sinestesia de Qin começou a sobrecarregá-lo. Ele sentia a força avassaladora de Hades, a determinação inabalável do deus, e isso se traduzia em ondas de choque que percorriam seu sistema nervoso.

As provocações de Qin logo deram lugar a gemidos desconexos. A arrogância real derreteu, revelando a vulnerabilidade que ele escondia sob camadas de orgulho. Ele tentou agarrar os ombros de Hades, suas unhas cravando-se na pele divina, mas o deus não recuou. Pelo contrário, a fúria benevolente de Hades só aumentou ao ver o efeito que causava.

— Olhe para mim — ordenou Hades, sua voz soando como um comando que o universo era obrigado a obedecer.

Qin abriu os olhos, nublados por lágrimas de puro excesso sensorial. Ele estava chorando, as lágrimas escorrendo por suas bochechas e molhando o travesseiro. Não era um choro de tristeza, mas de uma entrega tão absoluta que seu corpo não conseguia processar. Ele tremia violentamente, pequenos espasmos percorrendo seus membros enquanto Hades continuava, incansável.

— Pare... — sussurrou Qin, embora suas mãos o puxassem para mais perto. — Eu... eu não consigo...

— Um rei não implora — disse Hades, inclinando-se para beijar as lágrimas de Qin, embora seus movimentos abaixo da cintura permanecessem firmes e implacáveis. — E eu ainda não terminei de mostrar o quanto você me pertence.

O prazer tornou-se uma agonia doce. Qin sentiu sua consciência vacilar. O mundo ao redor — o palácio, as guerras, o Ragnarok — tudo desapareceu, restando apenas a presença esmagadora de Hades. O imperador deu um último grito abafado contra o pescoço do deus antes que seus olhos revirassem e seu corpo relaxasse completamente, sucumbindo à exaustão e ao êxtase. Ele desmaiou nos braços do marido.

Hades parou por um momento, observando o rosto sereno de Qin. Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto do imperador com uma ternura que contrastava com a violência do ato anterior. Ele o amava com uma intensidade que assustava até os outros deuses. Mas Hades era um estrategista de resistência. Ele sabia que o descanso de Qin seria breve.

Ele esperou, mantendo o corpo de Qin aquecido contra o seu, sentindo as batidas do coração humano desacelerarem e, gradualmente, voltarem ao ritmo normal. Quando os primeiros sinais de consciência retornaram ao imperador — um leve franzir de testa, um suspiro trêmulo —, Hades não lhe deu tempo para se situar.

— Acorde, meu imperador — murmurou Hades no ouvido de Qin. — A noite em Helheim é longa, e eu ainda tenho muito a exigir de você.

Qin abriu os olhos, piscando confuso, apenas para sentir a pressão renovada de Hades. Sua mente ainda estava embaçada, mas seu corpo respondeu instantaneamente à presença do deus.

— Você... você é um monstro — Qin conseguiu dizer, um sorriso fraco e desafiador retornando aos seus lábios, apesar do cansaço visível.

— Eu sou o Rei — corrigiu Hades, reiniciando o ritmo com uma vitalidade que parecia não ter fim. — E você prometeu estar ao meu lado até o fim dos tempos.

A madrugada avançou. Enquanto as estrelas artificiais do teto do palácio giravam em sua dança eterna, o som da paixão entre o deus e o humano ecoava pelas paredes de pedra. Hades não parou. Ele continuou através das horas mais escuras, ignorando os protestos fracos e os novos tremores que tomavam conta de Qin. Ele o levou ao limite repetidas vezes, forçando o imperador a encontrar uma força que ele nem sabia que possuía.

Qin, por sua vez, abraçou a intensidade. Sua dor de infância, o peso da coroa, as cicatrizes das batalhas; tudo isso era queimado no fogo daquela união. Ele era o Imperador do Início, mas nos braços de Hades, ele era simplesmente um homem amado por um deus que não aceitava nada menos que a totalidade de seu ser.

Quando os primeiros raios de uma luz pálida, que servia como o amanhecer de Helheim, começaram a filtrar-se pelas janelas altas, o quarto estava mergulhado em um silêncio exausto. Hades finalmente se deteve, deitando-se ao lado de um Qin que estava agora completamente imóvel, sua pele brilhando de suor e seus olhos fixos no teto, perdidos em um transe de satisfação.

— O sol está nascendo — sussurrou Qin, sua voz quase inexistente.

Hades puxou o cobertor sobre ambos, trazendo o corpo exaurido do marido para o seu peito.

— Deixe que nasça — disse o deus, fechando os olhos e beijando o topo da cabeça de Qin. — O dia pertence aos vivos e aos mortos, mas você... você pertence a mim.

Qin Shi Huang sorriu, um sorriso genuíno e desprovido de qualquer máscara real, antes de finalmente cair em um sono profundo e sem sonhos, seguro nos braços do único ser que era capaz de domar sua tempestade. Eles eram casados, eram reis, e no equilíbrio perfeito entre Helheim e a humanidade, eles eram imbatíveis.
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