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A escola dos amores
Fandom: Gay
Criado: 09/06/2026
Tags
RomanceFatias de VidaHumorDramaPWP (Enredo? Que enredo?)Linguagem ExplícitaEstudo de PersonagemRealismoAngústiaPsicológicoCiúmesCrack / Humor ParódicoCenário CanônicoFofura
O Caos das Planilhas e dos Desejos
O anfiteatro da Faculdade de Engenharia do Porto estava impregnado com o cheiro de café barato e o som frenético de teclados. A aula de Gestão Civil era, para a maioria, um tédio necessário, mas para aquele grupo específico de amigos, era o palco de tensões que iam muito além de cálculos estruturais.
Mateus, sentado na primeira fila, ajustava os óculos nervosamente. Com seus 1,64m, ele parecia quase sumir atrás do notebook, se não fosse pela barba densa e escura que contrastava com sua estrutura magra. O toque do tecido da sua camisola de lã incomodava-lhe a pele, um detalhe da sua hipersensibilidade sensorial que o autismo não deixava ignorar. Ele tentava focar no gráfico de Gantt, mas os pelos dos seus braços roçavam na mesa, distraindo-o.
Ao seu lado, Ricardo bufava. O rapaz de 1,67m e rosto de bebé tinha uma das pernas esticada, imobilizada por um gesso cheio de rabiscos.
— Eu não aguento mais esta aula, Mateus. O tempo não passa, parece que o relógio está a andar para trás — murmurou Ricardo, balançando a perna boa freneticamente, um sintoma clássico do seu TDAH que o impedia de ficar quieto por mais de dois minutos.
— Faltam exatamente doze minutos e quarenta segundos para o intervalo — respondeu Mateus, sem desviar os olhos do ecrã.
— Ricardo, eu escrevi uma letra nova ontem à noite... — Uma voz grave veio de trás. Era Simões, o rapaz de 1,80m que passava mais tempo a olhar para a nuca de Ricardo do que para o quadro. — É sobre como o brilho dos teus olhos ofusca qualquer erro de projeto.
Ricardo revirou os olhos com tanta força que quase lhe doeu a cabeça.
— Simões, enfia a letra num sítio que eu cá sei. Eu já te disse que te odeio, ou preciso de desenhar no teu projeto de fundações?
— O ódio é apenas o prelúdio da paixão — cantarolou Simões, ignorando completamente a rejeição.
Mais atrás, o ambiente era mais tecnológico. João e Nuno, ambos Vtubers nas horas vagas, dividiam os fones de ouvido. João, com os seus 1,72m, estava completamente absorvido pelo seu PS Vita, jogando Danganronpa escondido sob a mesa.
— Se o Monokuma fosse o nosso reitor, esta faculdade seria bem mais interessante — sussurrou João, os olhos brilhando com a estética do jogo.
— Menos mortes e mais lives, sff — retorquiu Nuno. — Ontem a minha stream de futsal virtual bateu recorde de visualizações. O pessoal adora ver um avatar de anime a dar chutos numa bola.
Gabriel, que estava sentado no corredor, ajeitou os óculos com um ar de superioridade. Com 1,78m, ele achava-se o centro das atenções, apesar de ter uma aparência perfeitamente comum.
— Vocês são tão infantis — disse Gabriel, cruzando as pernas e exibindo as meias coloridas. — Enquanto vocês jogam, eu estou aqui a planear o meu próximo look para a discoteca. Afinal, alguém tem de manter o nível de "gayzice" desta turma no topo, e esse alguém sou eu.
— Cala-te, Gabriel — interrompeu Luís, que estava ocupado a tentar capturar um Pokémon raro no telemóvel. — Tu falas muito, mas eu é que sei o que é bom. Este Pikachu é quase tão fofo como o rabo do monitor do ginásio. Ai, que vontade de lhe dar um "Thunderbolt" nas nalgas.
As falas de Luís eram sempre assim, carregadas de duplos sentidos que faziam Mateus ficar ainda mais confuso e Ricardo rir alto.
No fundo da sala, a verdadeira tensão física residia no trio composto por Rafael, Daniel e Francisco.
Rafael, um gigante de 1,90m com uma barba que faria um lenhador ter inveja, estava a desenhar o esboço de uma peça mecânica no seu caderno. Ele era o terceiro Vtuber do grupo, mas a sua voz profunda e mãos calejadas do trabalho manual contavam uma história diferente. Os seus olhos, porém, fugiam constantemente para Daniel.
Daniel, de 1,75m, tinha a pele morena e os traços marcantes da sua herança cigana. Ele trabalhava no Lidl e era, reconhecidamente, o pior aluno da turma.
— Foda-se, bati com o carro outra vez no caminho para cá — resmungou Daniel, passando a mão pelo cabelo. — O poste apareceu do nada, juro.
— Tu conduzes como se estivesses num carrinho de choque, Daniel — disse Francisco, rindo.
Francisco era a definição de poder físico. Com 1,80m de puro músculo cultivado no ginásio onde trabalhava, ele exalava uma energia dominante. Ele era o ativo da relação que mantinha com os outros dois naquele triângulo implícito, mas o seu coração batia mais forte quando via Rafael concentrado no trabalho.
— Se precisares que te dê boleia, já sabes — continuou Francisco, baixando a voz e aproximando-se do ouvido de Daniel. — Mas o pagamento é no balneário depois do treino.
Daniel sorriu, mas o seu olhar cruzou-se com o de Rafael. Havia um desejo latente ali, uma troca de favores e sentimentos que a Gestão Civil nunca conseguiria explicar. Rafael gostava de Daniel, Daniel desejava Francisco, e Francisco estava perdidamente encantado pela força bruta e silenciosa de Rafael.
O sinal tocou, anunciando o fim da aula. O caos instalou-se enquanto os rapazes arrumavam as coisas.
— Vamos ao bar? — perguntou Nuno. — Preciso de cafeína para aguentar a próxima aula de Hidráulica.
— Eu vou se o Simões ficar a pelo menos dez metros de distância de mim — declarou Ricardo, tentando levantar-se com as muletas.
Simões correu para o ajudar, mas Ricardo empurrou-o com uma das muletas.
— Não me toques! Mateus, ajuda-me aqui.
Mateus, que detestava o contacto físico inesperado, hesitou, mas deixou que Ricardo se apoiasse no seu ombro magro. A textura da camisa de Ricardo era de algodão macio, o que acalmou um pouco a ansiedade de Mateus.
No corredor, o grupo caminhava chamando a atenção. Gabriel ia à frente, desfilando como se estivesse numa passarela.
— Olhem para aquele rapaz de Arquitetura — comentou Luís, apontando discretamente. — Ele tem uma cara de quem joga LoL e usa o Yasuo só para me irritar. Mas eu deixava-o fazer um "gank" na minha "lane" qualquer dia.
— Tu não tens filtro, pois não? — perguntou João, sem tirar os olhos do Danganronpa.
Enquanto caminhavam, Francisco aproveitou a confusão para se aproximar de Rafael.
— O trabalho na oficina está a correr bem? — perguntou o musculado, a sua mão roçando "acidentalmente" no braço massivo de Rafael.
— Sim — respondeu Rafael, a voz vibrando no peito. — Acabei uma peça ontem. É pesada, sólida. Como eu gosto.
Francisco sorriu, um brilho predatório nos olhos.
— Gosto de coisas sólidas, Rafael. Devias mostrar-me a oficina um dia destes... à noite, quando estiver vazia.
Rafael sentiu um calor subir-lhe pelo pescoço, perdendo-se na barba.
— E o Daniel? — perguntou ele, tentando manter a compostura.
— O Daniel gosta de ver — sussurrou Francisco. — E eu gosto que ele veja o quanto eu te admiro.
No bar da faculdade, o grupo ocupou duas mesas grandes. A conversa saltava de Pokémon para estratégias de gestão, de dramas de Vtubers para as investidas poéticas e fracassadas de Simões.
— Ricardo, ouve só este verso — começou Simões, ignorando o aviso anterior. — "A tua perna partida é o meu coração ferido, sem o teu amor, sinto-me um projeto falido".
Ricardo bateu com a testa na mesa.
— Alguém me mate. Por favor. João, usa uma dessas execuções do teu jogo em mim.
— Só se fores o culpado de um assassinato — respondeu João, rindo.
Mateus observava tudo em silêncio, balançando o corpo levemente para a frente e para trás, um movimento de autorregulação. Ele gostava daquele grupo. Apesar de serem todos barulhentos e estranhos à sua maneira, ali ele não precisava de fingir ser "normal".
Gabriel, notando o silêncio de Mateus, aproximou-se.
— Estás muito calado, barbudo. Estás a pensar no quê?
— Na resistência dos materiais — respondeu Mateus honestamente. — E em como esta mesa tem uma vibração estranha quando o Nuno bate com o pé.
— Tu és uma figura, Mateus — disse Gabriel, piscando o olho. — Se fosses um bocadinho mais alto e menos peludo, eu até te dava uma hipótese.
— Eu gosto de ser peludo — retorquiu Mateus, com uma ponta de orgulho. — Protege-me do frio e do excesso de estímulos táteis.
— E eu adoro — comentou Luís, metendo-se na conversa. — Homens peludos são como Arcanines, fofos e quentes. Dá vontade de montar e ir dar uma volta.
O grupo explodiu em gargalhadas, atraindo olhares de outros estudantes. Ali, entre as paredes cinzentas da Faculdade do Porto, a vida era um emaranhado de hormonas, amizades improváveis e corações que batiam em ritmos diferentes.
Daniel aproximou-se de Francisco e Rafael, que ainda trocavam olhares intensos.
— De que é que vocês estão a falar? — perguntou o rapaz do Lidl, com um sorriso malicioso.
— De projetos futuros — respondeu Francisco, passando o braço pelos ombros de Daniel, enquanto a sua outra mão encontrava a de Rafael por baixo da mesa. — Projetos que envolvem muita força física e pouca roupa.
Daniel riu, encostando-se ao corpo musculado de Francisco.
— Desde que não envolva conduzir, eu estou dentro.
O sol de final de tarde entrava pelas janelas do bar, iluminando aquele grupo de futuros gestores civis que, na verdade, mal conseguiam gerir os seus próprios desejos. Mas, entre uma piada gay de Luís, um poema piroso de Simões e um "game over" de João, eles sabiam que, de alguma forma, aquela estrutura era sólida o suficiente para aguentar qualquer carga.
— Pessoal — chamou Nuno, levantando o seu telemóvel. — Vamos tirar uma selfie para o meu Twitter de Vtuber. Digam "Gestão Civil é um tesão"!
— Eu não vou dizer isso! — protestou Ricardo, embora estivesse a sorrir.
— Digam lá, vá! — insistiu Nuno.
No momento do clique, Simões tentou beijar a bochecha de Ricardo, que se desviou e acabou por acertar com a muleta no pé de Gabriel. João nem olhou para a câmara, focado no seu jogo. Mateus fechou os olhos para evitar o flash, e o trio do fundo — Rafael, Daniel e Francisco — partilhou um olhar que prometia uma noite muito mais produtiva do que qualquer aula teórica.
A fotografia ficou desfocada, caótica e perfeitamente representativa do que eles eram. Homens diferentes, com obsessões diferentes, mas unidos por uma tensão que tornava aquela faculdade o lugar mais interessante do Porto.
Mateus, sentado na primeira fila, ajustava os óculos nervosamente. Com seus 1,64m, ele parecia quase sumir atrás do notebook, se não fosse pela barba densa e escura que contrastava com sua estrutura magra. O toque do tecido da sua camisola de lã incomodava-lhe a pele, um detalhe da sua hipersensibilidade sensorial que o autismo não deixava ignorar. Ele tentava focar no gráfico de Gantt, mas os pelos dos seus braços roçavam na mesa, distraindo-o.
Ao seu lado, Ricardo bufava. O rapaz de 1,67m e rosto de bebé tinha uma das pernas esticada, imobilizada por um gesso cheio de rabiscos.
— Eu não aguento mais esta aula, Mateus. O tempo não passa, parece que o relógio está a andar para trás — murmurou Ricardo, balançando a perna boa freneticamente, um sintoma clássico do seu TDAH que o impedia de ficar quieto por mais de dois minutos.
— Faltam exatamente doze minutos e quarenta segundos para o intervalo — respondeu Mateus, sem desviar os olhos do ecrã.
— Ricardo, eu escrevi uma letra nova ontem à noite... — Uma voz grave veio de trás. Era Simões, o rapaz de 1,80m que passava mais tempo a olhar para a nuca de Ricardo do que para o quadro. — É sobre como o brilho dos teus olhos ofusca qualquer erro de projeto.
Ricardo revirou os olhos com tanta força que quase lhe doeu a cabeça.
— Simões, enfia a letra num sítio que eu cá sei. Eu já te disse que te odeio, ou preciso de desenhar no teu projeto de fundações?
— O ódio é apenas o prelúdio da paixão — cantarolou Simões, ignorando completamente a rejeição.
Mais atrás, o ambiente era mais tecnológico. João e Nuno, ambos Vtubers nas horas vagas, dividiam os fones de ouvido. João, com os seus 1,72m, estava completamente absorvido pelo seu PS Vita, jogando Danganronpa escondido sob a mesa.
— Se o Monokuma fosse o nosso reitor, esta faculdade seria bem mais interessante — sussurrou João, os olhos brilhando com a estética do jogo.
— Menos mortes e mais lives, sff — retorquiu Nuno. — Ontem a minha stream de futsal virtual bateu recorde de visualizações. O pessoal adora ver um avatar de anime a dar chutos numa bola.
Gabriel, que estava sentado no corredor, ajeitou os óculos com um ar de superioridade. Com 1,78m, ele achava-se o centro das atenções, apesar de ter uma aparência perfeitamente comum.
— Vocês são tão infantis — disse Gabriel, cruzando as pernas e exibindo as meias coloridas. — Enquanto vocês jogam, eu estou aqui a planear o meu próximo look para a discoteca. Afinal, alguém tem de manter o nível de "gayzice" desta turma no topo, e esse alguém sou eu.
— Cala-te, Gabriel — interrompeu Luís, que estava ocupado a tentar capturar um Pokémon raro no telemóvel. — Tu falas muito, mas eu é que sei o que é bom. Este Pikachu é quase tão fofo como o rabo do monitor do ginásio. Ai, que vontade de lhe dar um "Thunderbolt" nas nalgas.
As falas de Luís eram sempre assim, carregadas de duplos sentidos que faziam Mateus ficar ainda mais confuso e Ricardo rir alto.
No fundo da sala, a verdadeira tensão física residia no trio composto por Rafael, Daniel e Francisco.
Rafael, um gigante de 1,90m com uma barba que faria um lenhador ter inveja, estava a desenhar o esboço de uma peça mecânica no seu caderno. Ele era o terceiro Vtuber do grupo, mas a sua voz profunda e mãos calejadas do trabalho manual contavam uma história diferente. Os seus olhos, porém, fugiam constantemente para Daniel.
Daniel, de 1,75m, tinha a pele morena e os traços marcantes da sua herança cigana. Ele trabalhava no Lidl e era, reconhecidamente, o pior aluno da turma.
— Foda-se, bati com o carro outra vez no caminho para cá — resmungou Daniel, passando a mão pelo cabelo. — O poste apareceu do nada, juro.
— Tu conduzes como se estivesses num carrinho de choque, Daniel — disse Francisco, rindo.
Francisco era a definição de poder físico. Com 1,80m de puro músculo cultivado no ginásio onde trabalhava, ele exalava uma energia dominante. Ele era o ativo da relação que mantinha com os outros dois naquele triângulo implícito, mas o seu coração batia mais forte quando via Rafael concentrado no trabalho.
— Se precisares que te dê boleia, já sabes — continuou Francisco, baixando a voz e aproximando-se do ouvido de Daniel. — Mas o pagamento é no balneário depois do treino.
Daniel sorriu, mas o seu olhar cruzou-se com o de Rafael. Havia um desejo latente ali, uma troca de favores e sentimentos que a Gestão Civil nunca conseguiria explicar. Rafael gostava de Daniel, Daniel desejava Francisco, e Francisco estava perdidamente encantado pela força bruta e silenciosa de Rafael.
O sinal tocou, anunciando o fim da aula. O caos instalou-se enquanto os rapazes arrumavam as coisas.
— Vamos ao bar? — perguntou Nuno. — Preciso de cafeína para aguentar a próxima aula de Hidráulica.
— Eu vou se o Simões ficar a pelo menos dez metros de distância de mim — declarou Ricardo, tentando levantar-se com as muletas.
Simões correu para o ajudar, mas Ricardo empurrou-o com uma das muletas.
— Não me toques! Mateus, ajuda-me aqui.
Mateus, que detestava o contacto físico inesperado, hesitou, mas deixou que Ricardo se apoiasse no seu ombro magro. A textura da camisa de Ricardo era de algodão macio, o que acalmou um pouco a ansiedade de Mateus.
No corredor, o grupo caminhava chamando a atenção. Gabriel ia à frente, desfilando como se estivesse numa passarela.
— Olhem para aquele rapaz de Arquitetura — comentou Luís, apontando discretamente. — Ele tem uma cara de quem joga LoL e usa o Yasuo só para me irritar. Mas eu deixava-o fazer um "gank" na minha "lane" qualquer dia.
— Tu não tens filtro, pois não? — perguntou João, sem tirar os olhos do Danganronpa.
Enquanto caminhavam, Francisco aproveitou a confusão para se aproximar de Rafael.
— O trabalho na oficina está a correr bem? — perguntou o musculado, a sua mão roçando "acidentalmente" no braço massivo de Rafael.
— Sim — respondeu Rafael, a voz vibrando no peito. — Acabei uma peça ontem. É pesada, sólida. Como eu gosto.
Francisco sorriu, um brilho predatório nos olhos.
— Gosto de coisas sólidas, Rafael. Devias mostrar-me a oficina um dia destes... à noite, quando estiver vazia.
Rafael sentiu um calor subir-lhe pelo pescoço, perdendo-se na barba.
— E o Daniel? — perguntou ele, tentando manter a compostura.
— O Daniel gosta de ver — sussurrou Francisco. — E eu gosto que ele veja o quanto eu te admiro.
No bar da faculdade, o grupo ocupou duas mesas grandes. A conversa saltava de Pokémon para estratégias de gestão, de dramas de Vtubers para as investidas poéticas e fracassadas de Simões.
— Ricardo, ouve só este verso — começou Simões, ignorando o aviso anterior. — "A tua perna partida é o meu coração ferido, sem o teu amor, sinto-me um projeto falido".
Ricardo bateu com a testa na mesa.
— Alguém me mate. Por favor. João, usa uma dessas execuções do teu jogo em mim.
— Só se fores o culpado de um assassinato — respondeu João, rindo.
Mateus observava tudo em silêncio, balançando o corpo levemente para a frente e para trás, um movimento de autorregulação. Ele gostava daquele grupo. Apesar de serem todos barulhentos e estranhos à sua maneira, ali ele não precisava de fingir ser "normal".
Gabriel, notando o silêncio de Mateus, aproximou-se.
— Estás muito calado, barbudo. Estás a pensar no quê?
— Na resistência dos materiais — respondeu Mateus honestamente. — E em como esta mesa tem uma vibração estranha quando o Nuno bate com o pé.
— Tu és uma figura, Mateus — disse Gabriel, piscando o olho. — Se fosses um bocadinho mais alto e menos peludo, eu até te dava uma hipótese.
— Eu gosto de ser peludo — retorquiu Mateus, com uma ponta de orgulho. — Protege-me do frio e do excesso de estímulos táteis.
— E eu adoro — comentou Luís, metendo-se na conversa. — Homens peludos são como Arcanines, fofos e quentes. Dá vontade de montar e ir dar uma volta.
O grupo explodiu em gargalhadas, atraindo olhares de outros estudantes. Ali, entre as paredes cinzentas da Faculdade do Porto, a vida era um emaranhado de hormonas, amizades improváveis e corações que batiam em ritmos diferentes.
Daniel aproximou-se de Francisco e Rafael, que ainda trocavam olhares intensos.
— De que é que vocês estão a falar? — perguntou o rapaz do Lidl, com um sorriso malicioso.
— De projetos futuros — respondeu Francisco, passando o braço pelos ombros de Daniel, enquanto a sua outra mão encontrava a de Rafael por baixo da mesa. — Projetos que envolvem muita força física e pouca roupa.
Daniel riu, encostando-se ao corpo musculado de Francisco.
— Desde que não envolva conduzir, eu estou dentro.
O sol de final de tarde entrava pelas janelas do bar, iluminando aquele grupo de futuros gestores civis que, na verdade, mal conseguiam gerir os seus próprios desejos. Mas, entre uma piada gay de Luís, um poema piroso de Simões e um "game over" de João, eles sabiam que, de alguma forma, aquela estrutura era sólida o suficiente para aguentar qualquer carga.
— Pessoal — chamou Nuno, levantando o seu telemóvel. — Vamos tirar uma selfie para o meu Twitter de Vtuber. Digam "Gestão Civil é um tesão"!
— Eu não vou dizer isso! — protestou Ricardo, embora estivesse a sorrir.
— Digam lá, vá! — insistiu Nuno.
No momento do clique, Simões tentou beijar a bochecha de Ricardo, que se desviou e acabou por acertar com a muleta no pé de Gabriel. João nem olhou para a câmara, focado no seu jogo. Mateus fechou os olhos para evitar o flash, e o trio do fundo — Rafael, Daniel e Francisco — partilhou um olhar que prometia uma noite muito mais produtiva do que qualquer aula teórica.
A fotografia ficou desfocada, caótica e perfeitamente representativa do que eles eram. Homens diferentes, com obsessões diferentes, mas unidos por uma tensão que tornava aquela faculdade o lugar mais interessante do Porto.
