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Time bomb
Fandom: Arcane/timebomb
Criado: 09/06/2026
Tags
UA (Universo Alternativo)DramaAngústiaDor/ConfortoPsicológicoEstudo de PersonagemCiúmesSombrioViolência GráficaUso de DrogasTragédiaSuspenseDistopiaAutomutilaçãoRealismo
O Eco do Que se Perdeu
O corredor do Colégio de Piltover parecia mais estreito do que o normal naquela manhã de terça-feira. Jinx caminhava com as mãos enfiadas nos bolsos de seu casaco oversized favorito, sentindo o peso das unhas pintadas — alternando entre o rosa choque e o azul elétrico — batendo contra o tecido. Seus cabelos azuis, agora ondulados e batendo na altura do final das costas, balançavam conforme ela tentava ignorar a presença esmagadora de Ekko logo atrás dela.
Eles já tinham sido tudo um para o outro. No tempo em que ela ainda era Powder, os dois eram inseparáveis, compartilhando segredos e invenções nos becos da Subferiferia. Mas o tempo e as escolhas dela — a mudança drástica de personalidade, o caos que ela parecia carregar como uma aura — criaram um abismo entre eles. Ekko, que agora estava mais alto e visivelmente mais forte, não aceitava aquela "nova" versão dela.
— Olha só quem resolveu aparecer na aula hoje — provocou Ekko, sua voz carregada de um sarcasmo que escondia uma mágoa antiga. — Achei que as sombras tinham te engolido de vez, Jinx.
Ela não respondeu. Apenas apertou o passo, os olhos azuis fixos no chão. Ela não tinha energia para as brigas dele hoje. Havia uma névoa estranha em sua mente, um cansaço que parecia vir de dentro dos ossos.
— O que foi? O gato comeu sua língua ou você esqueceu como se fala com as pessoas normais? — ele continuou, caminhando ao lado dela agora, a postura confiante e desafiadora.
Jinx apenas puxou o capuz do casaco um pouco mais para baixo. O silêncio dela parecia irritá-lo mais do que qualquer resposta ácida. Para Ekko, aquele silêncio era uma afronta, uma prova de que a menina que ele conhecia realmente tinha morrido.
A aula de Educação Física chegou como um fardo. No vestiário feminino, Jinx trocou seu casaco e calças largas pelo uniforme padrão: uma camiseta branca com o emblema da escola e o shorts curto cinza. Ela se sentia exposta, sua pele pálida parecendo quase translúcida sob as luzes fluorescentes da quadra.
— Você está bem, Jinx? — perguntou Lux, aproximando-se com um sorriso gentil. A loira era a única que parecia conseguir atravessar as barreiras que Jinx erguia.
Jinx cutucou o braço de Lux, seus dedos tremendo levemente.
— Eu estou me sentindo... estranha, Lux. Meio fora de órbita — murmurou Jinx, a voz quase um sussurro.
Lux passou o braço pelos ombros da amiga, tentando confortá-la.
— Qualquer coisa, senta lá no banco, tá? Não precisa se esforçar se não estiver bem.
Mas Jinx não sentou. Ela caminhou até a quadra como se estivesse em transe. O professor apitou, anunciando o início do jogo de queimada. Os times foram divididos e, como se o destino estivesse pregando uma peça, Ekko e Jinx ficaram em lados opostos.
O jogo começou de forma frenética. Bolas voavam de um lado para o outro. Jinx estava parada no fundo da quadra, os olhos fixos em um ponto invisível na parede. Ela ouvia os gritos, o som da borracha batendo no chão, mas tudo parecia abafado, como se ela estivesse debaixo d'água. Sua mente estava flutuando para longe de seu corpo.
Do outro lado, Ekko segurava a bola com força. Ele viu Jinx ali, vulnerável, parecendo ignorar tudo ao redor. A raiva borbulhou em seu peito — a raiva por ela ter mudado, a raiva por ela não olhar mais para ele como antes. Ele não viu a palidez no rosto dela, nem o jeito que seus olhos pareciam vazios. Ele viu apenas a oportunidade de descontar anos de frustração.
— Ei, Jinx! Acorda para o mundo! — gritou ele.
Ekko girou o corpo e arremessou a bola com toda a força que seus músculos desenvolvidos permitiam. A bola cruzou a quadra como um projétil.
O impacto foi seco. A bola atingiu Jinx em cheio no lado esquerdo do peito.
Ela deu dois passos trôpegos para trás, o ar fugindo de seus pulmões. Mas não foi a dor do impacto que a derrubou; foi o colapso final de um corpo que já estava no limite. Seus joelhos cederam e, antes que ela pudesse processar o que estava acontecendo, a escuridão a envolveu por completo.
— Jinx! — Lux gritou, correndo em direção à amiga caída.
O silêncio caiu sobre a quadra por um segundo, quebrado logo em seguida por risadas vindas do time de Ekko.
— Caramba, pegou bem no peito dela! — riu um dos garotos, apontando. — Que mira, hein, Ekko?
Ekko, no entanto, não estava rindo. Ele estava estático, a mão ainda estendida na posição do arremesso, os olhos arregalados ao ver a figura pálida e imóvel de Jinx no chão. A satisfação momentânea foi substituída por um frio súbito no estômago.
— Saiam da frente! — Ezreal, o garoto loiro que sempre andava com Lux, apareceu rapidamente, afastando os curiosos.
Ele se ajoelhou e, com cuidado, pegou Jinx no colo. O corpo dela parecia pequeno e frágil nos braços dele, o que fez o coração de Ekko dar um solavanco desconfortável.
— Eu ajudo a levar ela para a enfermaria — disse Ezreal para Lux, que estava com os olhos marejados de preocupação.
Os dois saíram da quadra rapidamente, deixando para trás um clima pesado e um Ekko que não conseguia desviar o olhar da porta por onde eles haviam saído.
O restante das aulas passou como um borrão para Ekko. Ele tentava se convencer de que não tinha feito nada de errado — era apenas um jogo, afinal. Mas a imagem de Jinx desmaiando não saía de sua cabeça. Ele queria machucá-la psicologicamente, queria que ela sentisse o peso do abandono que ele sentiu quando ela mudou, mas nunca quis que ela se ferisse fisicamente daquele jeito.
Assim que o sinal final tocou, seus pés o levaram mecanicamente para a enfermaria. O corredor estava silencioso. Ele parou diante da porta de carvalho, hesitando por um longo momento antes de girar a maçaneta.
Lá dentro, o cheiro de antisséptico era forte. Uma enfermeira de meia-idade estava organizando alguns papéis em uma mesa.
— Com licença... — começou Ekko, sua voz soando mais incerta do que ele gostaria. — Eu vim ver como a Jinx está. A garota que desmaiou na quadra.
A enfermeira olhou para ele por cima dos óculos, sua expressão era séria e um pouco cansada.
— Agora não é um bom momento, rapaz — disse ela, baixando o tom de voz. — Ela acordou há pouco, mas está muito instável. É melhor você voltar depois.
— Mas ela se machucou feio? Foi por causa da bola? — ele perguntou, o tom de urgência subindo.
— A bola foi apenas o gatilho. Ela já estava com uma febre alta e sinais de exaustão extrema. Precisa de repouso absoluto — explicou a mulher, apontando para o fundo da sala, onde várias macas eram separadas por cortinas brancas.
Ekko assentiu, mas não se moveu imediatamente. Foi então que o som o atingiu.
Vindo de trás de uma das cortinas fechadas, o som de um choro baixo e abafado ecoou pelo ambiente. Não era um choro comum; era um soluço quebrado, carregado de uma angústia que parecia antiga e profunda.
Era Jinx.
Ekko sentiu um aperto no peito que não conseguia explicar. Ele conhecia aquele choro. Era o mesmo som que Powder fazia quando eles eram crianças e algo dava errado em suas invenções. Mas agora, soava muito mais pesado, como se ela estivesse carregando o mundo inteiro nas costas e finalmente tivesse desabado.
Ele deu um passo em direção à cortina, mas a enfermeira o impediu com um gesto firme.
— Por favor, deixe-a descansar — pediu ela.
Ekko recuou, sentindo-se subitamente pequeno. Ele saiu da enfermaria e encostou-se na parede do corredor, fechando os olhos. O som do choro dela ainda ecoava em seus ouvidos, misturando-se com a culpa que ele tentava, sem sucesso, ignorar. Ele tinha atingido o peito dela com a bola, mas parecia que, de alguma forma, o golpe tinha ricocheteado e atingido algo dentro dele também.
Eles já tinham sido tudo um para o outro. No tempo em que ela ainda era Powder, os dois eram inseparáveis, compartilhando segredos e invenções nos becos da Subferiferia. Mas o tempo e as escolhas dela — a mudança drástica de personalidade, o caos que ela parecia carregar como uma aura — criaram um abismo entre eles. Ekko, que agora estava mais alto e visivelmente mais forte, não aceitava aquela "nova" versão dela.
— Olha só quem resolveu aparecer na aula hoje — provocou Ekko, sua voz carregada de um sarcasmo que escondia uma mágoa antiga. — Achei que as sombras tinham te engolido de vez, Jinx.
Ela não respondeu. Apenas apertou o passo, os olhos azuis fixos no chão. Ela não tinha energia para as brigas dele hoje. Havia uma névoa estranha em sua mente, um cansaço que parecia vir de dentro dos ossos.
— O que foi? O gato comeu sua língua ou você esqueceu como se fala com as pessoas normais? — ele continuou, caminhando ao lado dela agora, a postura confiante e desafiadora.
Jinx apenas puxou o capuz do casaco um pouco mais para baixo. O silêncio dela parecia irritá-lo mais do que qualquer resposta ácida. Para Ekko, aquele silêncio era uma afronta, uma prova de que a menina que ele conhecia realmente tinha morrido.
A aula de Educação Física chegou como um fardo. No vestiário feminino, Jinx trocou seu casaco e calças largas pelo uniforme padrão: uma camiseta branca com o emblema da escola e o shorts curto cinza. Ela se sentia exposta, sua pele pálida parecendo quase translúcida sob as luzes fluorescentes da quadra.
— Você está bem, Jinx? — perguntou Lux, aproximando-se com um sorriso gentil. A loira era a única que parecia conseguir atravessar as barreiras que Jinx erguia.
Jinx cutucou o braço de Lux, seus dedos tremendo levemente.
— Eu estou me sentindo... estranha, Lux. Meio fora de órbita — murmurou Jinx, a voz quase um sussurro.
Lux passou o braço pelos ombros da amiga, tentando confortá-la.
— Qualquer coisa, senta lá no banco, tá? Não precisa se esforçar se não estiver bem.
Mas Jinx não sentou. Ela caminhou até a quadra como se estivesse em transe. O professor apitou, anunciando o início do jogo de queimada. Os times foram divididos e, como se o destino estivesse pregando uma peça, Ekko e Jinx ficaram em lados opostos.
O jogo começou de forma frenética. Bolas voavam de um lado para o outro. Jinx estava parada no fundo da quadra, os olhos fixos em um ponto invisível na parede. Ela ouvia os gritos, o som da borracha batendo no chão, mas tudo parecia abafado, como se ela estivesse debaixo d'água. Sua mente estava flutuando para longe de seu corpo.
Do outro lado, Ekko segurava a bola com força. Ele viu Jinx ali, vulnerável, parecendo ignorar tudo ao redor. A raiva borbulhou em seu peito — a raiva por ela ter mudado, a raiva por ela não olhar mais para ele como antes. Ele não viu a palidez no rosto dela, nem o jeito que seus olhos pareciam vazios. Ele viu apenas a oportunidade de descontar anos de frustração.
— Ei, Jinx! Acorda para o mundo! — gritou ele.
Ekko girou o corpo e arremessou a bola com toda a força que seus músculos desenvolvidos permitiam. A bola cruzou a quadra como um projétil.
O impacto foi seco. A bola atingiu Jinx em cheio no lado esquerdo do peito.
Ela deu dois passos trôpegos para trás, o ar fugindo de seus pulmões. Mas não foi a dor do impacto que a derrubou; foi o colapso final de um corpo que já estava no limite. Seus joelhos cederam e, antes que ela pudesse processar o que estava acontecendo, a escuridão a envolveu por completo.
— Jinx! — Lux gritou, correndo em direção à amiga caída.
O silêncio caiu sobre a quadra por um segundo, quebrado logo em seguida por risadas vindas do time de Ekko.
— Caramba, pegou bem no peito dela! — riu um dos garotos, apontando. — Que mira, hein, Ekko?
Ekko, no entanto, não estava rindo. Ele estava estático, a mão ainda estendida na posição do arremesso, os olhos arregalados ao ver a figura pálida e imóvel de Jinx no chão. A satisfação momentânea foi substituída por um frio súbito no estômago.
— Saiam da frente! — Ezreal, o garoto loiro que sempre andava com Lux, apareceu rapidamente, afastando os curiosos.
Ele se ajoelhou e, com cuidado, pegou Jinx no colo. O corpo dela parecia pequeno e frágil nos braços dele, o que fez o coração de Ekko dar um solavanco desconfortável.
— Eu ajudo a levar ela para a enfermaria — disse Ezreal para Lux, que estava com os olhos marejados de preocupação.
Os dois saíram da quadra rapidamente, deixando para trás um clima pesado e um Ekko que não conseguia desviar o olhar da porta por onde eles haviam saído.
O restante das aulas passou como um borrão para Ekko. Ele tentava se convencer de que não tinha feito nada de errado — era apenas um jogo, afinal. Mas a imagem de Jinx desmaiando não saía de sua cabeça. Ele queria machucá-la psicologicamente, queria que ela sentisse o peso do abandono que ele sentiu quando ela mudou, mas nunca quis que ela se ferisse fisicamente daquele jeito.
Assim que o sinal final tocou, seus pés o levaram mecanicamente para a enfermaria. O corredor estava silencioso. Ele parou diante da porta de carvalho, hesitando por um longo momento antes de girar a maçaneta.
Lá dentro, o cheiro de antisséptico era forte. Uma enfermeira de meia-idade estava organizando alguns papéis em uma mesa.
— Com licença... — começou Ekko, sua voz soando mais incerta do que ele gostaria. — Eu vim ver como a Jinx está. A garota que desmaiou na quadra.
A enfermeira olhou para ele por cima dos óculos, sua expressão era séria e um pouco cansada.
— Agora não é um bom momento, rapaz — disse ela, baixando o tom de voz. — Ela acordou há pouco, mas está muito instável. É melhor você voltar depois.
— Mas ela se machucou feio? Foi por causa da bola? — ele perguntou, o tom de urgência subindo.
— A bola foi apenas o gatilho. Ela já estava com uma febre alta e sinais de exaustão extrema. Precisa de repouso absoluto — explicou a mulher, apontando para o fundo da sala, onde várias macas eram separadas por cortinas brancas.
Ekko assentiu, mas não se moveu imediatamente. Foi então que o som o atingiu.
Vindo de trás de uma das cortinas fechadas, o som de um choro baixo e abafado ecoou pelo ambiente. Não era um choro comum; era um soluço quebrado, carregado de uma angústia que parecia antiga e profunda.
Era Jinx.
Ekko sentiu um aperto no peito que não conseguia explicar. Ele conhecia aquele choro. Era o mesmo som que Powder fazia quando eles eram crianças e algo dava errado em suas invenções. Mas agora, soava muito mais pesado, como se ela estivesse carregando o mundo inteiro nas costas e finalmente tivesse desabado.
Ele deu um passo em direção à cortina, mas a enfermeira o impediu com um gesto firme.
— Por favor, deixe-a descansar — pediu ela.
Ekko recuou, sentindo-se subitamente pequeno. Ele saiu da enfermaria e encostou-se na parede do corredor, fechando os olhos. O som do choro dela ainda ecoava em seus ouvidos, misturando-se com a culpa que ele tentava, sem sucesso, ignorar. Ele tinha atingido o peito dela com a bola, mas parecia que, de alguma forma, o golpe tinha ricocheteado e atingido algo dentro dele também.
