
D12
Fandom: Record of ragnarok
Criado: 09/06/2026
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O Trono de Sangue e Neon
A fachada da boate "Pandemônio" pulsava com luzes ultravioletas e um som grave que fazia o próprio ar vibrar. Do lado de fora, o grupo mais improvável de divindades e heróis da história humana parecia um exército prestes a invadir uma fortaleza, o que, tecnicamente, era verdade. O objetivo era simples, mas irritantemente difícil: recuperar o "Coração de Helheim", um artefato roubado por um deus menor renegado que se escondia nos subúrbios das dimensões, cercado por seguranças armados e uma barreira que impedia a entrada de qualquer um com intenções declaradamente hostis.
— Isso é ridículo — rosnou Leônidas, cruzando os braços e apertando o charuto entre os dentes. — Por que não podemos simplesmente derrubar a parede?
— Porque a barreira mágica evaporaria o artefato se sentisse uma intenção de combate direta, seu bárbaro — respondeu Belzebu, com sua voz monótona de sempre, sem desviar os olhos de um pequeno monitor em suas mãos.
— O segurança não nos deixa passar — comentou Adão, olhando para a fila com uma expressão de curiosidade inocente. — Ele diz que o código de vestimenta exige... mais do que eu estou usando.
— E por que eu não posso simplesmente cortá-lo? — Poseidon perguntou, a voz gélida como o fundo do oceano. — É um insulto que eu, o Rei dos Mares, seja impedido de entrar por um lixo de classe baixa.
Hades suspirou, massageando as têmporas. Ele estava ali por dever, mas a presença de seus irmãos e dos humanos tornava tudo um caos logístico.
— Precisamos de sutileza — disse o Rei do Submundo. — Se entrarmos à força, o alvo escapa.
Foi então que Qin Shi Huang, que até então estava observando as unhas douradas com um sorriso enigmático, deu um passo à frente.
— Deixem isso com o "Hao" — anunciou ele, a voz transbordando a confiança de quem nasceu para governar o mundo.
Antes que qualquer um pudesse protestar, Qin começou a agir. Ele chutou os sapatos caros para o lado, ficando descalço no asfalto frio. Com movimentos rápidos e calculados, ele bagunçou o cabelo negro, deixando algumas mechas caírem desleixadamente sobre os olhos. Ele desabotoou os primeiros botões de sua túnica imperial, puxando o tecido para que um de seus ombros ficasse parcialmente à mostra, e amarrou a faixa da cintura de forma torta. Em segundos, o imperador imponente parecia um jovem nobre que tinha passado a noite inteira em uma taverna.
Hades franziu o cenho, confuso.
— Qin? O que você está...
Ele não teve tempo de terminar a frase. Qin se aproximou de Hades, envolveu o pescoço do marido com os braços e o puxou para um beijo profundo, ardente e de tirar o fôlego. O choque foi geral. Zeus soltou uma risadinha, Shiva assobiou e Thor apenas desviou o olhar, levemente constrangido. Quando Qin se afastou, seus lábios estavam vermelhos e ele tinha um brilho travesso nos olhos.
— Espere cinco minutos — sussurrou Qin para o grupo, antes de mudar completamente sua postura.
Ele começou a cambalear em direção ao segurança gigante na porta. Seus olhos ficaram úmidos, uma expressão de vulnerabilidade absoluta tomando conta de seu rosto. Ele parecia frágil, pequeno e completamente perdido.
— Por favor... — Qin soluçou, aproximando-se do segurança e segurando o braço do homem com mãos trêmulas. — Meu namorado... aquele idiota me largou aqui no meio da rua... ele levou minha carteira, meu telefone... eu não tenho para onde ir...
O segurança, um tipo bruto com olhos gananciosos, olhou para Qin de cima a baixo. Ele viu a pele clara, as roupas de seda desarrumadas e a aparência de alguém rico e indefeso. Um sorriso predatório surgiu no rosto do homem.
— Ora, ora, gracinha... — o segurança disse, passando um braço pesado pelos ombros de Qin. — Não chore. Eu vou te levar para um lugar seguro lá dentro. Podemos resolver seu problema no meu escritório particular.
Qin enterrou o rosto no ombro do homem, fingindo um choro contido, mas por cima do ombro do segurança, ele piscou para Hades e fez um sinal discreto com os dedos. Cinco minutos.
— Que audácia — murmurou Jack, o Estripador, ajustando seu monóculo com um sorriso sombrio. — O Imperador é um ator nato. Sua cor é de uma malícia deliciosa agora.
Hades, por outro lado, estava com a mão apertando o cabo de sua lança invisível, os nós dos dedos brancos.
— Se aquele homem tocar nele de um jeito que não deve... — a voz de Hades era um trovão contido.
— Calma, irmão — disse Zeus, dando tapinhas no ombro de Hades. — Sabemos que o Qin sabe se cuidar. Vamos contar o tempo.
Dentro da boate, o ambiente era abafado e cheirava a pecado e magia barata. O segurança levou Qin por um corredor lateral, longe da pista de dança barulhenta. O "alvo" deles, o deus renegado, estava em uma área VIP no andar superior, mas para chegar lá sem disparar os alarmes, Qin precisava desativar o núcleo de segurança que ficava justamente na sala dos fundos.
— Aqui estamos, boneca — disse o segurança, empurrando Qin para dentro de uma sala pequena e mal iluminada, trancando a porta atrás de si. — Agora, por que você não se senta e me mostra o quanto é grato por eu ter te tirado da rua?
Qin parou de soluçar instantaneamente. Ele se endireitou, o ombro caído voltando à postura ereta de um monarca. A expressão de vulnerabilidade desapareceu, substituída por um tédio cortante.
— Você tem mãos muito sujas para tocar na realeza — disse Qin, sua voz agora fria e autoritária.
O segurança piscou, confuso.
— O que você disse, seu moleque?
Qin não respondeu com palavras. Quando o homem avançou para agarrá-lo pelo cabelo, Qin usou a própria força do agressor contra ele. Com um movimento fluido de sua técnica de artes marciais, ele desviou do braço do homem e desferiu um golpe preciso no plexo solar. O segurança perdeu o ar, caindo de joelhos.
— Eu disse — Qin continuou, caminhando até uma mesa onde um terminal de computador brilhava — que você é um lixo.
O homem tentou se levantar, rugindo de raiva, mas Qin foi mais rápido. Ele chutou o rosto do segurança com o calcanhar, um golpe seco que ecoou na sala. Enquanto o homem desmaiava no chão, Qin começou a digitar rapidamente no terminal, seus dedos voando pelas teclas.
Lá fora, os cinco minutos haviam passado.
— Agora — disse Hades, e a porta da boate não foi apenas aberta; ela foi removida de seus eixos pela mera pressão da aura de tantos deuses e heróis entrando ao mesmo tempo.
O grupo avançou pelo corredor lateral, seguindo o rastro de Qin. Quando arrombaram a porta da sala de segurança, pararam por um momento para processar a cena.
O segurança estava jogado em um canto, inconsciente e com o rosto visivelmente inchado. Qin estava sentado na mesa, com uma perna cruzada sobre a outra, segurando um pequeno frasco de cristal que brilhava com uma luz roxa pulsante — o Coração de Helheim.
— Demoraram — comentou Qin, voltando a ajeitar sua túnica com desdém. — Eu já encontrei o que queríamos e já apaguei os registros das câmeras.
— Você está bem? — Hades perguntou, aproximando-se rapidamente e examinando o rosto de Qin em busca de qualquer ferimento.
— Hao! — Qin sorriu, saltando da mesa. — Eu sou um imperador, Hades. Acha mesmo que um verme daqueles me daria trabalho?
— Ele tocou em você — Poseidon observou, olhando para o homem desmaiado com nojo. — Deveríamos matá-lo por segurança.
— Não perca seu tempo, Poseidon — disse Sasaki Kojiro, rindo levemente. — Acho que o Qin já deu uma lição inesquecível nele.
O grupo começou a se retirar. A missão fora um sucesso absoluto, e o artefato estava seguro nas mãos de Qin. Enquanto caminhavam de volta para a saída, passando pelos clientes da boate que nem percebiam que a elite do universo acabara de passar por eles, algo chamou a atenção dos outros.
Qin Shi Huang estava caminhando na frente, com as mãos atrás da cabeça, completamente relaxado. Ele começou a cantarolar uma melodia leve, uma canção popular chinesa antiga sobre a beleza do pôr do sol sobre o Rio Amarelo. Sua voz era suave, contrastando com a violência de poucos minutos atrás.
— Ele é realmente uma figura — comentou Nikola Tesla, ajustando seus óculos e observando Qin com interesse científico. — A capacidade de alternar entre estados emocionais e personas é fascinante.
— Ele é apenas o Qin — disse Buda, dando uma mordida em um pirulito que aparecera do nada em sua mão. — O homem faz o que quer, quando quer.
Hades caminhava logo atrás de Qin, observando o movimento dos quadris do marido e ouvindo o cantarolar despreocupado. Ele sentiu uma pontada de orgulho misturada com a habitual exasperação.
— Qin — chamou Hades.
O imperador parou e olhou para trás, removendo a venda dos olhos por um momento para encarar o Rei do Submundo com aqueles olhos que viam a essência das coisas.
— Sim, meu querido marido?
— Na próxima vez que decidir se fazer de vítima — disse Hades, aproximando-se e segurando a cintura de Qin com firmeza —, avise-me com antecedência. Meu coração não é feito de pedra, apesar do que dizem as lendas.
Qin riu, um som cristalino que parecia flutuar acima da música eletrônica da boate.
— Mas onde estaria a diversão nisso? Um rei deve saber como entreter seu público.
Ele deu um beijo rápido na bochecha de Hades e voltou a caminhar, retomando a música de onde havia parado. Atrás dele, o exército de deuses e humanos o seguia, uma procissão surreal liderada por um homem descalço, com o cabelo bagunçado e o artefato mais perigoso do submundo no bolso, cantarolando como se tivesse acabado de ganhar um presente de aniversário.
— Ele é louco — murmurou Odin, a voz rouca e profunda.
— Não — corrigiu Adão, sorrindo para o "filho" à frente. — Ele é apenas um rei que ama o seu povo. E, no momento, o povo dele somos nós.
E assim, sob as luzes de neon e o olhar confuso dos seguranças restantes, o grupo desapareceu na noite, deixando para trás uma boate em silêncio e um segurança que, ao acordar, nunca conseguiria explicar como um jovem choroso o transformara em um saco de pancadas imperial.
