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Fandom: Record of ragnarok

Criado: 09/06/2026

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O Trono de Veludo e a Farsa do Imperador

A fachada da "L'Éclipse" brilhava sob luzes de neon roxo e azul, uma boate de elite nos subúrbios do Valhalla que servia de fachada para o submundo divino. Do lado de fora, a fila era composta por divindades menores e almas ricas, todos sob o olhar vigilante de seguranças que pareciam ter sido esculpidos em granito.

Atrás de um beco escuro, o grupo mais improvável da história observava a entrada. Deuses e humanos, que antes tentavam se matar no Ragnarok, agora estavam unidos por uma missão de infiltração para recuperar um artefato roubado que ameaçava o equilíbrio dos reinos.

— Isso é ridículo — rosnou Leônidas, cruzando os braços e fumando seu charuto. — Por que não podemos simplesmente derrubar a porta e esmagar a cabeça de todo mundo?

— Porque, meu caro espartano, a discrição é a alma do negócio — respondeu Jack, o Estripador, ajustando sua cartola com um sorriso enigmático. — Se o alarme soar, o que buscamos será destruído em segundos.

— Eu poderia tentar suborná-los com doces! — sugeriu Buda, mastigando uma bala, mas recebeu apenas olhares céticos de Odin e Thor.

Hades, mantendo sua postura impecável e nobreza inata, suspirou. Ele segurava seu bidente, agora camuflado como uma bengala elegante.

— Os guardas possuem selos de proteção que nem mesmo a minha autoridade como Rei de Helheim pode anular sem causar um incidente diplomático imediato. Precisamos de uma distração interna.

Qin Shi Huang, que até então estava sentado em um latão de lixo como se fosse o trono mais caro da China, soltou uma risada vibrante. Ele usava sua venda característica, mas o sorriso em seu rosto era de pura confiança.

— Deixem isso com este Rei — disse Qin, levantando-se com uma graça felina. — Onde eu piso, o caminho se abre. E onde eu sento, é o meu palácio. Até mesmo uma espelunca como essa.

Hades arqueou uma sobrancelha.

— E qual é o seu plano, meu imperador?

Qin não respondeu de imediato. Em vez disso, começou a desamarrar os cordões de seus sapatos ornamentados, chutando-os para o lado. Em seguida, bagunçou o cabelo perfeitamente alinhado, deixando as mechas caírem de forma desleixada sobre o rosto. Ele desabotoou os primeiros botões de sua túnica imperial, revelando as tatuagens de centopeia e a pele marcada, dando a si mesmo uma aparência vulnerável e caótica.

— Qin? — Zeus perguntou, curioso, enquanto segurava um raio em miniatura.

O Imperador da China ignorou o Deus dos Deuses. Ele se virou para Hades, seu marido, e segurou o rosto do Rei do Submundo com as mãos cobertas por suas garras de metal.

— Espere por mim, Hao — sussurrou Qin.

Antes que Hades pudesse processar, Qin o puxou para um beijo profundo e avassalador. Foi um beijo que carregava toda a intensidade de sua união, uma mistura de paixão real e uma despedida momentânea. Quando se separaram, Hades parecia levemente atordoado, algo raríssimo para o governante de Helheim.

— Cinco minutos — disse Qin para o grupo, sua voz agora embargada, mudando instantaneamente de postura. — Entrem em cinco minutos.

Qin saiu do beco cambaleando. Suas costas, que sempre foram retas como uma espada, agora estavam curvadas. Ele esfregou os olhos, fazendo-os parecer vermelhos e inchados, e caminhou em direção ao segurança principal, um gigante com cara de poucos amigos.

— Por favor... — Qin soluçou, tropeçando nos próprios pés e caindo propositalmente contra o peito do segurança. — Ele... ele me deixou...

O segurança, surpreso pela audácia e pela beleza estonteante do homem "embriagado", segurou Qin pelos ombros.

— Ei, o que é isso? Circulando, rapaz.

— Meu namorado! — Qin gritou baixinho, as lágrimas (perfeitamente encenadas) escorrendo pelas bochechas. — Ele disse que me amava, me trouxe até aqui e depois... ele me jogou do carro! Ele levou minha carteira, meu telefone... eu não tenho para onde ir e está tão frio...

A vulnerabilidade de Qin era uma arma. Devido à sua sinestesia toque-espelho, ele sabia exatamente como projetar a dor que o segurança queria ver. Ele se encolheu, parecendo pequeno e indefeso, um contraste absoluto com o homem que desafiou Hades na arena.

O segurança olhou para os lados. Seus olhos brilharam com uma intenção predatória e sombria. Ele viu um banquete em vez de uma vítima.

— Calma, gracinha — disse o guarda, sua voz tornando-se viscosa. — Eu posso te ajudar. Tem um quarto nos fundos, você pode descansar lá e eu vejo o que posso fazer por você. Ninguém vai te machucar lá dentro.

— Você... você faria isso? — Qin perguntou com a voz trêmula, escondendo o sorriso de escárnio que queria brotar. — Você é tão gentil...

O segurança passou o braço pela cintura de Qin, guiando-o para dentro da boate, passando pela fila e pelos detectores de metal sem conferir nada.

Lá fora, o grupo observava em silêncio.

— Ele é... um ator assustador — comentou Nikola Tesla, ajustando seus óculos.

— Ele é um Rei — corrigiu Hades, sua voz agora fria como o gelo, os dedos apertando o cabo de sua bengala com tanta força que o metal rangeu. — E aquele homem acaba de assinar sua sentença de morte ao tocá-lo com tais intenções.

— Cinco minutos, ele disse — lembrou Sasaki Kojiro, desembainhando levemente sua espada. — Vamos nos preparar.

Dentro da boate, o barulho da música eletrônica era ensurdecedor, mas o segurança levou Qin por um corredor lateral, longe das luzes da pista. Eles entraram em uma sala de segurança privada, cheia de monitores e garrafas de álcool barato.

Assim que a porta se fechou e o trinco foi batido, o segurança se virou para Qin, desabotoando o próprio cinto.

— Agora, vamos ver o quão grato você realmente está...

O choro de Qin parou instantaneamente. O tremor em seus ombros desapareceu. Ele se endireitou, e a aura de vulnerabilidade foi substituída por uma pressão esmagadora, a aura de um homem que unificou toda a China sob seu punho de ferro.

— Grato? — Qin perguntou, sua voz agora clara e carregada de uma arrogância real. — Você deveria estar de joelhos. Você está na presença do Imperador.

O segurança piscou, confuso pela mudança súbita.

— O que você...?

Antes que o homem pudesse reagir, Qin se moveu. Com um movimento fluido da técnica *Chi You*, ele atingiu um ponto de pressão no pescoço do gigante. O som do impacto foi seco. O segurança nem teve tempo de gritar; seus olhos reviraram e ele desabou no chão como um saco de batatas.

Qin limpou as mãos na túnica com desdém.

— Nojento — murmurou ele.

Ele se dirigiu rapidamente ao terminal de computadores da sala. Seus dedos voavam pelo teclado. Ele não era apenas um guerreiro; um imperador precisava conhecer os segredos de seus inimigos. Em poucos segundos, ele localizou o que procuravam: o cofre subterrâneo onde o artefato estava guardado.

Exatamente cinco minutos depois, a porta da sala foi arrombada.

Hades foi o primeiro a entrar, sua expressão era uma máscara de fúria contida. Atrás dele, o restante dos guerreiros do Ragnarok se amontoava no espaço apertado.

— Qin! — Hades exclamou, seus olhos percorrendo o quarto até encontrarem o marido.

Qin estava sentado na mesa principal, com uma perna cruzada sobre a outra, examinando um pen drive que acabara de retirar do computador. O segurança estava estirado no chão, inconsciente e com o rosto contra o carpete.

— Ah, vocês chegaram — disse Qin, abrindo um sorriso radiante e voltando a colocar sua venda. — Estão atrasados dez segundos. Um rei não gosta de esperar.

Hades caminhou até ele, ignorando o corpo no chão, e segurou Qin pelos ombros, verificando se havia algum ferimento.

— Você está bem? Ele te tocou?

Qin riu, inclinando a cabeça para trás.

— Ele tentou, Hao. Mas ele era apenas um verme tentando alcançar as nuvens. Eu já encontrei a localização do artefato e desativei as câmeras do corredor C.

— Eu disse que ele daria um jeito — comentou Raiden, rindo e dando um tapa nas costas de Shiva, que apenas revirou os quatro olhos.

— Impressionante — admitiu Odin, sua voz rouca ecoando na sala. — O humano tem seus méritos.

— "O humano"? — Qin se levantou, caminhando até Hades e recuperando seus sapatos que o marido trouxera consigo. — Eu sou o Único Imperador. E agora que o trabalho sujo está feito, podemos terminar isso? Este lugar cheira a desespero e bebida barata. Não é digno de mim.

Hades suspirou, o alívio substituindo sua raiva. Ele envolveu a cintura de Qin com um braço, puxando-o para perto.

— Você é uma criatura impossível, Qin Shi Huang.

— E é por isso que você me ama — respondeu o chinês, ajustando a roupa e voltando a ter a postura impecável de sempre. — Agora, vamos. Temos um reino para salvar e eu quero um banquete de verdade depois disso.

O grupo seguiu o Imperador pelos corredores, enquanto Qin caminhava na frente, descalço mas com a cabeça erguida, agindo como se cada centímetro daquela boate suja fosse agora parte de seu império pessoal. Atrás dele, deuses e heróis seguiam o rastro de sua audácia, sabendo que, embora o Ragnarok os tivesse dividido, ali, naquele momento, o mundo pertencia ao homem que ousou fingir ser nada para conquistar tudo.
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