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D14
Fandom: Record of ragnarok
Criado: 09/06/2026
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RomanceFofuraFatias de VidaHistória DomésticaHumorFantasiaCenário Canônico
O Trono das Páginas e o Imperador que Brincava
A arena do Valhalla estava silenciosa naquele dia de trégua, mas o salão comunal onde deuses e humanos se reuniam para deliberar — ou apenas se encarar com desdém — estava estranhamente movimentado. De um lado, Lu Bu e Thor compartilhavam um silêncio pesado e respeitoso; do outro, Nikola Tesla tentava explicar a Beelzebub as maravilhas da eletricidade, enquanto o deus das moscas apenas o olhava com um tédio profundo.
No entanto, o foco de todos os olhares naquele momento não era uma possível briga ou uma descoberta científica. Era a figura que costumava entrar nos lugares quebrando paredes e exigindo que o chão se tornasse seu trono.
Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, não estava usando sua armadura ornamentada, nem sua venda característica, nem seu manto de soberano.
Ele estava sentado em um sofá imenso no canto da sala, quase desaparecendo dentro de uma camisa social preta que, claramente, não era dele. A gola era larga demais, caindo por um dos ombros, e as mangas estavam dobradas várias vezes para que suas mãos pudessem aparecer. Por baixo, apenas um short curto que mal se via sob a barra da camisa gigante.
— Ele... ele está rindo de um desenho num livro? — perguntou Okita Soji, inclinando a cabeça para o lado, embasbacado.
— O Imperador parece ter regredido dez anos em dez minutos — comentou Sasaki Kojiro, limpando sua espada com um pano, mas sem conseguir desviar o olhar da cena bizarra.
Qin estava com as pernas para o ar, balançando os pés descalços enquanto folheava um tomo antigo e pesado. Ele soltava risadinhas baixas e, ocasionalmente, apontava para uma ilustração, falando sozinho.
— Oh, veja só esse pássaro! Ele parece o Alvitr quando está brava! — Qin exclamou para ninguém em particular, dando uma cambalhota no sofá para mudar de posição.
— Alguém tem certeza de que esse é o homem que derrotou Chi You? — sussurrou Leônidas, cruzando os braços e soltando uma lufada de fumaça de seu charuto. — Ele parece uma criança grande que acabou de ganhar um brinquedo novo.
Nesse momento, a porta pesada do salão se abriu. O ar esfriou levemente, trazendo consigo uma aura de autoridade inquestionável e uma elegância sombria. Hades, o Rei do Submundo, entrou no recinto. Sua presença fez com que até os deuses mais barulhentos, como Zeus, diminuíssem o tom de voz.
Hades não olhou para os lados. Seus olhos bicolores foram direto para o sofá no canto. Um sorriso pequeno e genuinamente doce, algo que ele raramente mostrava a qualquer um que não fosse de sua linhagem, surgiu em seus lábios.
— Vejo que você já encontrou o presente de hoje, Ying Zheng — disse Hades, aproximando-se do sofá.
Qin deu um pulo, os olhos brilhando de uma forma que nenhum dos humanos jamais vira. O orgulho inabalável e a aura de superioridade absoluta haviam dado lugar a uma alegria pura e quase infantil.
— Hades! — Qin saltou do sofá e correu em direção ao Deus do Submundo. — Este livro sobre as lendas de Helheim é incrível! Mas as gravuras são meio assustadoras, você realmente governa monstros que parecem polvos com dentes?
Hades riu baixo, uma vibração profunda que pareceu acalmar o ambiente. Ele estendeu a mão e bagunçou os cabelos escuros de Qin, que se aninhou no toque como um gato.
— Alguns são mais bonitos que outros, meu imperador — respondeu Hades, puxando Qin para mais perto pela cintura. — E vejo que você decidiu usar minha camisa novamente.
— A sua seda é mais macia que a minha — Qin respondeu, fazendo um biquinho engraçado enquanto se agarrava ao braço do marido. — E tem o seu cheiro. O cheiro de "morte e sândalo", como eu gosto de chamar.
Os espectadores — deuses e humanos — estavam em choque. Jack, o Estripador, ajustou o monóculo, fascinado pelas cores que emanavam dos dois.
— Que matiz interessante... — murmurou Jack. — O Imperador não tem nem um traço de dor em sua alma agora. Ele é puramente... travesso.
— Eles são casados há quanto tempo mesmo? — perguntou Shiva, coçando a cabeça com dois de seus braços. — Eu sabia que eles tinham se acertado depois da luta, mas isso é outro nível de... afeto.
Hades, ignorando completamente a plateia, pegou o livro da mão de Qin e o fechou com cuidado.
— Você leu por três horas seguidas, Zheng. Seus olhos vão ficar cansados.
— Mas eu queria saber o que acontece com o herói que desafiou o Cérbero! — Qin protestou, tentando pular para pegar o livro de volta, agindo de forma totalmente oposta ao homem que dizia que "onde ele sentava era o trono".
Hades levantou o livro acima da cabeça, aproveitando sua altura superior.
— Mais tarde. Agora, você precisa comer algo.
Qin cruzou os braços e inflou as bochechas, bufando.
— O Grande Imperador exige o livro de volta!
Hades arqueou uma sobrancelha, um brilho divertido nos olhos.
— O Rei do Submundo exige que seu marido se comporte.
Qin soltou uma risada ruidosa e tentou dar um chute lúdico em Hades, que se esquivou com a elegância de um mestre. Antes que Qin pudesse tentar outra manobra, Hades o puxou para um abraço firme e, com uma naturalidade que deixou os deuses mais puritanos boquiabertos, deu um tapa sonoro na bunda do imperador.
*Ploft!*
O som ecoou pelo salão silencioso.
— Ei! — Qin exclamou, ficando vermelho, mas rindo logo em seguida. — Isso é desrespeito com a coroa!
— É o privilégio de quem a colocou na sua cabeça — retrucou Hades com um sorriso de canto, beijando a testa de Qin.
Adão, que observava tudo de um galho de árvore decorativo no salão, deu uma mordida em sua maçã e assentiu para Eva ao seu lado.
— Eles se dão bem. É bom ver meus filhos felizes — comentou o Pai da Humanidade, com sua simplicidade habitual.
Enquanto isso, Qin já havia se esquecido da "humilhação" e estava pendurado nas costas de Hades, exigindo que ele o carregasse até a cozinha do palácio.
— Eu quero aqueles bolinhos de arroz que você trouxe de Helheim! — Qin ordenou, embora sua voz soasse mais como um pedido manhoso do que como um decreto imperial.
— Aquilo são almas de frutas raras, Zheng, não bolinhos de arroz — corrigiu Hades, ajustando o peso do humano em suas costas com facilidade.
— São redondos e doces, então são bolinhos! — Qin rebateu, apoiando o queixo no ombro de Hades. — E depois você vai ler para mim? Aquele capítulo sobre as estrelas caídas?
— Vou ler para você até você dormir, meu pequeno imperador — prometeu Hades, sua voz suavizando de uma forma que faria Poseidon ter um ataque de nervos se estivesse presente.
À medida que os dois se afastavam pelo corredor, a imagem de Qin Shi Huang, o homem que desafiou o destino e a dor para se tornar o único rei, parecia ter se transformado completamente. Ali, nos braços de Hades, ele não precisava ser a armadura que protegia o povo. Ele não precisava sentir a dor do mundo através de sua sinestesia. Ele era apenas Ying Zheng, um homem amado, que gostava de livros, de camisas largas e de ser cuidado.
— Sabe... — começou Buda, mascando um chiclete e olhando para a porta por onde o casal saíra. — Eu sempre achei que o Qin era o cara mais arrogante da história. Mas acho que ele só estava esperando alguém que fosse forte o suficiente para deixá-lo ser... bem, fofo.
— Fofo é uma palavra que eu nunca achei que usaria para o homem que derrubou Ares com um toque — comentou Hermes, surgindo do nada com um sorriso enigmático. — Mas o amor entre deuses e humanos sempre produz os resultados mais... peculiares.
No corredor, longe dos olhos curiosos, Qin se inclinou e sussurrou no ouvido de Hades:
— Você sabe que eu deixei eles olharem, não sabe?
Hades parou de andar por um momento, olhando de soslaio para o sorriso astuto no rosto de seu marido.
— Você quis mostrar que o Grande Imperador faz o que quer, mesmo que isso signifique agir como uma criança?
— Não — Qin riu, roubando um beijo rápido de Hades. — Eu quis mostrar que o Rei do Submundo é o único homem que pode me dar ordens. Isso deixa os outros deuses furiosos.
Hades soltou uma gargalhada rara e alta, apertando Qin contra si.
— Você é impossível, Zheng.
— Eu sou o seu imperador — Qin corrigiu, piscando um dos olhos agora descobertos. — E eu quero meu livro.
— Primeiro a comida — disse Hades, voltando a caminhar com firmeza. — E se você reclamar, não haverá sobremesa.
Qin Shi Huang, o homem que unificou a China e desafiou os céus, apenas suspirou dramaticamente e se aconchegou mais no pescoço do marido.
— Tudo bem, Hades. Você venceu desta vez. Mas só porque eu gosto da sua camisa.
E assim, entre páginas de livros antigos, camisas de seda e um amor que transcendia os reinos da vida e da morte, o imperador e o deus continuaram sua caminhada, provando que, até para os seres mais poderosos do universo, o verdadeiro trono era o coração daquele que amavam.
No entanto, o foco de todos os olhares naquele momento não era uma possível briga ou uma descoberta científica. Era a figura que costumava entrar nos lugares quebrando paredes e exigindo que o chão se tornasse seu trono.
Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China, não estava usando sua armadura ornamentada, nem sua venda característica, nem seu manto de soberano.
Ele estava sentado em um sofá imenso no canto da sala, quase desaparecendo dentro de uma camisa social preta que, claramente, não era dele. A gola era larga demais, caindo por um dos ombros, e as mangas estavam dobradas várias vezes para que suas mãos pudessem aparecer. Por baixo, apenas um short curto que mal se via sob a barra da camisa gigante.
— Ele... ele está rindo de um desenho num livro? — perguntou Okita Soji, inclinando a cabeça para o lado, embasbacado.
— O Imperador parece ter regredido dez anos em dez minutos — comentou Sasaki Kojiro, limpando sua espada com um pano, mas sem conseguir desviar o olhar da cena bizarra.
Qin estava com as pernas para o ar, balançando os pés descalços enquanto folheava um tomo antigo e pesado. Ele soltava risadinhas baixas e, ocasionalmente, apontava para uma ilustração, falando sozinho.
— Oh, veja só esse pássaro! Ele parece o Alvitr quando está brava! — Qin exclamou para ninguém em particular, dando uma cambalhota no sofá para mudar de posição.
— Alguém tem certeza de que esse é o homem que derrotou Chi You? — sussurrou Leônidas, cruzando os braços e soltando uma lufada de fumaça de seu charuto. — Ele parece uma criança grande que acabou de ganhar um brinquedo novo.
Nesse momento, a porta pesada do salão se abriu. O ar esfriou levemente, trazendo consigo uma aura de autoridade inquestionável e uma elegância sombria. Hades, o Rei do Submundo, entrou no recinto. Sua presença fez com que até os deuses mais barulhentos, como Zeus, diminuíssem o tom de voz.
Hades não olhou para os lados. Seus olhos bicolores foram direto para o sofá no canto. Um sorriso pequeno e genuinamente doce, algo que ele raramente mostrava a qualquer um que não fosse de sua linhagem, surgiu em seus lábios.
— Vejo que você já encontrou o presente de hoje, Ying Zheng — disse Hades, aproximando-se do sofá.
Qin deu um pulo, os olhos brilhando de uma forma que nenhum dos humanos jamais vira. O orgulho inabalável e a aura de superioridade absoluta haviam dado lugar a uma alegria pura e quase infantil.
— Hades! — Qin saltou do sofá e correu em direção ao Deus do Submundo. — Este livro sobre as lendas de Helheim é incrível! Mas as gravuras são meio assustadoras, você realmente governa monstros que parecem polvos com dentes?
Hades riu baixo, uma vibração profunda que pareceu acalmar o ambiente. Ele estendeu a mão e bagunçou os cabelos escuros de Qin, que se aninhou no toque como um gato.
— Alguns são mais bonitos que outros, meu imperador — respondeu Hades, puxando Qin para mais perto pela cintura. — E vejo que você decidiu usar minha camisa novamente.
— A sua seda é mais macia que a minha — Qin respondeu, fazendo um biquinho engraçado enquanto se agarrava ao braço do marido. — E tem o seu cheiro. O cheiro de "morte e sândalo", como eu gosto de chamar.
Os espectadores — deuses e humanos — estavam em choque. Jack, o Estripador, ajustou o monóculo, fascinado pelas cores que emanavam dos dois.
— Que matiz interessante... — murmurou Jack. — O Imperador não tem nem um traço de dor em sua alma agora. Ele é puramente... travesso.
— Eles são casados há quanto tempo mesmo? — perguntou Shiva, coçando a cabeça com dois de seus braços. — Eu sabia que eles tinham se acertado depois da luta, mas isso é outro nível de... afeto.
Hades, ignorando completamente a plateia, pegou o livro da mão de Qin e o fechou com cuidado.
— Você leu por três horas seguidas, Zheng. Seus olhos vão ficar cansados.
— Mas eu queria saber o que acontece com o herói que desafiou o Cérbero! — Qin protestou, tentando pular para pegar o livro de volta, agindo de forma totalmente oposta ao homem que dizia que "onde ele sentava era o trono".
Hades levantou o livro acima da cabeça, aproveitando sua altura superior.
— Mais tarde. Agora, você precisa comer algo.
Qin cruzou os braços e inflou as bochechas, bufando.
— O Grande Imperador exige o livro de volta!
Hades arqueou uma sobrancelha, um brilho divertido nos olhos.
— O Rei do Submundo exige que seu marido se comporte.
Qin soltou uma risada ruidosa e tentou dar um chute lúdico em Hades, que se esquivou com a elegância de um mestre. Antes que Qin pudesse tentar outra manobra, Hades o puxou para um abraço firme e, com uma naturalidade que deixou os deuses mais puritanos boquiabertos, deu um tapa sonoro na bunda do imperador.
*Ploft!*
O som ecoou pelo salão silencioso.
— Ei! — Qin exclamou, ficando vermelho, mas rindo logo em seguida. — Isso é desrespeito com a coroa!
— É o privilégio de quem a colocou na sua cabeça — retrucou Hades com um sorriso de canto, beijando a testa de Qin.
Adão, que observava tudo de um galho de árvore decorativo no salão, deu uma mordida em sua maçã e assentiu para Eva ao seu lado.
— Eles se dão bem. É bom ver meus filhos felizes — comentou o Pai da Humanidade, com sua simplicidade habitual.
Enquanto isso, Qin já havia se esquecido da "humilhação" e estava pendurado nas costas de Hades, exigindo que ele o carregasse até a cozinha do palácio.
— Eu quero aqueles bolinhos de arroz que você trouxe de Helheim! — Qin ordenou, embora sua voz soasse mais como um pedido manhoso do que como um decreto imperial.
— Aquilo são almas de frutas raras, Zheng, não bolinhos de arroz — corrigiu Hades, ajustando o peso do humano em suas costas com facilidade.
— São redondos e doces, então são bolinhos! — Qin rebateu, apoiando o queixo no ombro de Hades. — E depois você vai ler para mim? Aquele capítulo sobre as estrelas caídas?
— Vou ler para você até você dormir, meu pequeno imperador — prometeu Hades, sua voz suavizando de uma forma que faria Poseidon ter um ataque de nervos se estivesse presente.
À medida que os dois se afastavam pelo corredor, a imagem de Qin Shi Huang, o homem que desafiou o destino e a dor para se tornar o único rei, parecia ter se transformado completamente. Ali, nos braços de Hades, ele não precisava ser a armadura que protegia o povo. Ele não precisava sentir a dor do mundo através de sua sinestesia. Ele era apenas Ying Zheng, um homem amado, que gostava de livros, de camisas largas e de ser cuidado.
— Sabe... — começou Buda, mascando um chiclete e olhando para a porta por onde o casal saíra. — Eu sempre achei que o Qin era o cara mais arrogante da história. Mas acho que ele só estava esperando alguém que fosse forte o suficiente para deixá-lo ser... bem, fofo.
— Fofo é uma palavra que eu nunca achei que usaria para o homem que derrubou Ares com um toque — comentou Hermes, surgindo do nada com um sorriso enigmático. — Mas o amor entre deuses e humanos sempre produz os resultados mais... peculiares.
No corredor, longe dos olhos curiosos, Qin se inclinou e sussurrou no ouvido de Hades:
— Você sabe que eu deixei eles olharem, não sabe?
Hades parou de andar por um momento, olhando de soslaio para o sorriso astuto no rosto de seu marido.
— Você quis mostrar que o Grande Imperador faz o que quer, mesmo que isso signifique agir como uma criança?
— Não — Qin riu, roubando um beijo rápido de Hades. — Eu quis mostrar que o Rei do Submundo é o único homem que pode me dar ordens. Isso deixa os outros deuses furiosos.
Hades soltou uma gargalhada rara e alta, apertando Qin contra si.
— Você é impossível, Zheng.
— Eu sou o seu imperador — Qin corrigiu, piscando um dos olhos agora descobertos. — E eu quero meu livro.
— Primeiro a comida — disse Hades, voltando a caminhar com firmeza. — E se você reclamar, não haverá sobremesa.
Qin Shi Huang, o homem que unificou a China e desafiou os céus, apenas suspirou dramaticamente e se aconchegou mais no pescoço do marido.
— Tudo bem, Hades. Você venceu desta vez. Mas só porque eu gosto da sua camisa.
E assim, entre páginas de livros antigos, camisas de seda e um amor que transcendia os reinos da vida e da morte, o imperador e o deus continuaram sua caminhada, provando que, até para os seres mais poderosos do universo, o verdadeiro trono era o coração daquele que amavam.
