Fanfy
.studio
Imagem de fundo

D15

Fandom: Record of ragnarok

Criado: 09/06/2026

Tags

FantasiaRomanceHumorCrack / Humor ParódicoAçãoEstudo de PersonagemSandalpunkDivergênciaCenário Canônico
Índice

O Trono é Onde o Rei se Senta

A sala de projeção no Valhalla exalava uma tensão palpável. Deuses e humanos, separados pela rivalidade do Ragnarok, estavam sentados em poltronas dispostas diante de uma imensa tela de luz etérea. Zeus coçava a barba com um sorriso travesso; Odin permanecia em silêncio absoluto, enquanto Brunhilde cruzava os braços, apreensiva. Do lado dos humanos, Jack, o Estripador, bebericava seu chá calmamente, e Sasaki Kojiro limpava sua espada, embora seus olhos estivessem fixos na tela.

— Por que estamos assistindo a isso mesmo? — resmungou Leônidas, cruzando os braços musculosos. — Tenho mais o que fazer do que ver reprises.

— Silêncio, Rei de Esparta — disse Hermes, surgindo das sombras com sua habitual elegância. — Esta é uma memória recuperada dos arquivos de Helheim. Um evento... peculiar, envolvendo o Imperador da China e o Rei do Submundo.

Hades, sentado em seu trono ornamentado com a dignidade de um governante supremo, manteve a expressão impassível. Seus olhos carmesins, no entanto, brilharam com uma fagulha de reconhecimento. Ao seu lado, Qin Shi Huang não parecia nem um pouco abalado. Ele estava sentado no encosto de sua própria cadeira, as pernas cruzadas, usando sua venda característica e um sorriso que transbordava uma confiança absoluta.

— Oh? — Qin riu, um som melodioso e provocante. — Vocês vão ver como um verdadeiro rei lida com a inconveniência. Prestem atenção, crianças.

A tela brilhou e a imagem se formou.

O cenário era uma câmara ancestral nas profundezas de uma dimensão intermediária, cercada por paredes de cristal obsidiana imbuídas de magia rúnica. Na gravação, Qin Shi Huang caminhava pelo local com a calma de quem passeia em seu próprio jardim, apesar de estar cercado por guardas divinos de baixo escalão.

À frente dele, um deus menor, cujo nome ninguém ali parecia recordar, mas cuja arrogância era proporcional à sua ignorância, bloqueava o caminho. Ele usava vestes douradas e empunhava um cajado que brilhava com uma luz arroxeada.

— Humano insolente! — gritou o deus na tela. — Você se gaba de ser um imperador, mas aqui, nesta prisão mágica, sua inteligência é nula. Estas paredes absorvem a força física e só se abrem para aqueles que conseguem resolver o Enigma das Eras. Você é apenas um mortal bruto. Um animal em roupas de seda.

O Qin da gravação parou. Ele inclinou a cabeça, o sorriso nunca vacilando.

— "Bruto"? — Qin repetiu a palavra como se estivesse saboreando um vinho exótico. — Hao. Você fala muito para alguém que nem sequer tem um trono digno para se sentar.

— Não zombe de mim! — o deus rebateu, batendo o cajado no chão. Uma barreira invisível e cintilante selou a única saída. — Você ficará preso aí até que seu cérebro de macaco apodreça tentando decifrar os símbolos nas paredes. É um teste de intelecto divino, algo que um humano nunca...

Na sala de projeção, Nikola Tesla ajustou os óculos, interessado.

— Oh, eu conheço aquela estrutura molecular! — exclamou o cientista. — É uma rede de contenção baseada em frequências harmônicas. Realmente, levaria horas de cálculos complexos para desestabilizar os nós de energia sem causar uma explosão.

— Horas? — Buda comentou, mastigando uma bala de maçã. — Acho que o Qin não tem tanta paciência assim.

Na tela, Qin Shi Huang começou a caminhar em direção a uma das paredes. Ele ignorava completamente o deus que gritava insultos do outro lado da barreira. O Imperador tocou o cristal com as pontas dos dedos cobertos pelas garras de metal. Ele sentiu a vibração. Devido à sua sinestesia, ele podia ver o fluxo de energia, mas, mais do que isso, ele sentia a "dor" da estrutura, os pontos onde a pressão era insuportável.

— Tão irritante — murmurou o Qin da tela. — Símbolos, cálculos, enigmas... Por que os deuses gostam tanto de complicar o que é simples?

— Você não está nem tentando! — berrou o deus menor. — Olhe para os glifos! Estude-os!

O Qin da gravação suspirou. Seu sorriso desapareceu por um breve segundo, substituído por uma expressão de tédio profundo.

— Um rei não perde tempo com jogos de servos — disse ele, sua voz ressoando com uma autoridade que fez os deuses na sala de projeção se empertigarem. — Se o caminho não existe, o rei o cria. Se a porta está trancada, o rei a destrói.

Ele fechou o punho. Uma aura de poder esmagador começou a emanar de seu corpo. O ar ao seu redor começou a distorcer.

— Espere, ele não vai... — começou Shiva, arregalando os olhos.

Na tela, Qin Shi Huang concentrou toda a sua energia em um único ponto. Ele não usou técnica, não usou os Cinco Estilos de Guerra de Chi You. Foi puro, bruto e absoluto desprezo pela lógica divina.

— *Chi You: Armadura de Alabastro!* — ele não gritou, apenas declarou.

Com um soco direto, Qin atingiu a parede "indestrutível". O impacto gerou uma onda de choque que fez a gravação tremer. O som foi como o de mil espelhos se estilhaçando ao mesmo tempo. A barreira mágica, que deveria ser imune à força física, explodiu em milhões de fragmentos de luz. A parede de obsidiana ruiu como se fosse feita de papel queimado.

O deus que o desafiara foi lançado para trás pela pressão do ar, caindo de forma patética no chão.

Qin Shi Huang saiu da poeira, limpando um grão invisível de poeira de seu ombro.

— Viu? — disse o Qin real, na sala de projeção, rindo da expressão de choque de Ares. — Muito mais eficiente.

A gravação continuou. Qin caminhou sobre os escombros e atravessou o corredor. No final do caminho, as portas duplas de um grande salão se abriram. Lá, esperando com uma postura impecável e uma expressão de leve curiosidade, estava Hades.

O Rei do Submundo estava ali para supervisionar o transporte de algumas relíquias, mas o estrondo da destruição o fizera parar.

Na tela, Qin Shi Huang caminhou em direção a Hades. Os guardas ao redor de Hades sacaram suas armas, mas o Deus dos Mortos levantou a mão, ordenando que recuassem.

— Você destruiu a Câmara de Selamento — observou Hades na gravação, sua voz calma e melodiosa. — Aquilo foi projetado para deter titãs por séculos.

— Era um design medíocre — respondeu Qin, parando a poucos centímetros de Hades. — E o anfitrião era terrivelmente barulhento. Estava me dando dor de cabeça.

Hades soltou um curto suspiro, quase uma risada contida.

— Você é um homem peculiar, Imperador da China.

— E você é um homem de bom gosto, Rei do Submundo — Qin rebateu, inclinando-se levemente para frente, invadindo o espaço pessoal da divindade. — Mas estou entediado. Este lugar é cinza demais. Falta... brilho.

Na sala de projeção, o silêncio era absoluto. Beelzebub estreitou os olhos, enquanto Adão observava com uma curiosidade paternal.

— O que ele vai fazer agora? — sussurrou Okita Soji, ansioso.

Na tela, o Qin da gravação sorriu de forma predatória e, ao mesmo tempo, estranhamente gentil. Sem qualquer aviso, ele segurou o rosto de Hades com as duas mãos. Os guardas divinos arfaram. Hades não se moveu, seus olhos arregalando-se apenas um milímetro pela surpresa da audácia.

E então, Qin Shi Huang puxou o Rei do Submundo para baixo e selou seus lábios nos dele em um beijo firme e possessivo.

O tempo pareceu parar na gravação. E, na sala de projeção, o efeito foi imediato.

— O QUÊ?! — gritou Zeus, caindo da cadeira.

— Hao! — exclamou Qin Shi Huang no presente, batendo palmas e rindo da cara de todos.

Na tela, o beijo durou alguns segundos. Quando Qin se afastou, ele tinha um brilho vitorioso nos olhos. Hades permanecia estático, uma mão subindo lentamente para tocar os próprios lábios, uma expressão de choque absoluto misturada com algo que ninguém conseguia decifrar — seria... admiração?

— Considere isso o meu selo de aprovação — disse o Qin da gravação, dando as costas para o deus e começando a se afastar. — Onde quer que eu vá, eu sou o Rei. E um Rei decide quem merece seu favor. Até logo, Hades.

A imagem na tela desapareceu, deixando a sala em um breu momentâneo antes que as luzes se acendessem.

A reação foi um caos controlado.

— Isso foi... inesperado — comentou Jack, o Estripador, limpando uma lágrima de riso do canto do olho. — Que cores fascinantes vocês dois emanaram naquele momento.

— Você beijou o irmão do meu tataravô?! — gritou Héracles, confuso sobre como processar aquela informação.

— Ele é um homem difícil de ignorar — respondeu Qin, dando de ombros com uma elegância irritante. — E eu queria ver se o Rei dos Mortos tinha algum calor nele. Descobri que tem bastante.

Hades, que até então permanecera em silêncio, levantou-se lentamente. Todos os deuses se calaram, esperando uma explosão de fúria ou uma negação veemente. O Rei do Submundo olhou para Qin, que sustentou o olhar com um sorriso desafiador.

— Você omitiu a parte em que quase derrubou o meu palácio inteiro dez minutos depois, Qin Shi Huang — disse Hades, sua voz profunda ecoando pela sala.

— Detalhes, detalhes... — Qin acenou com a mão.

— Mas — continuou Hades, cruzando os braços e permitindo que um raríssimo sorriso de canto surgisse em seu rosto nobre — tenho que admitir que sua técnica de "abrir portas" é, no mínimo, memorável.

Poseidon soltou um ruído de desdém, fechando os olhos.

— Tolos — murmurou o Deus dos Mares. — Ambos são tolos.

— Ora, Poseidon, não seja ranzinza — disse Qin, saltando de sua cadeira e caminhando até Hades, parando ao lado dele como se aquele fosse o seu lugar por direito. — O Ragnarok pode ser uma luta até a morte, mas quem disse que não podemos nos divertir no caminho?

Brunhilde massageava as têmporas, sentindo uma enxaqueca se formar.

— Eu desisto de tentar entender os humanos — resmungou a Valquíria.

— Não tente entender, Brunhilde — disse Adão, com um sorriso calmo no rosto, olhando para Qin. — Apenas aprecie. Meus filhos sempre foram cheios de surpresas.

Raiden Tameemon soltou uma gargalhada alta, batendo na própria coxa.

— Isso é o que eu chamo de dominar o ringue antes mesmo da luta começar!

Qin Shi Huang inclinou a cabeça para trás, rindo, enquanto Hades apenas balançava a cabeça, em uma mistura de resignação e respeito. Naquele momento, no centro da arena do Valhalla, não havia deuses ou humanos, apenas dois governantes que entendiam que, acima de qualquer guerra, o orgulho e a paixão eram as únicas moedas que realmente importavam.

E Qin, como sempre, havia garantido que o mundo inteiro soubesse: não importava onde ele estivesse, o trono era sempre onde ele decidia se sentar. Mesmo que esse trono fosse o coração de um deus.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic